Viagem inútil de Janja e comitiva a Roma custou cerca de R$ 300 mil

O que Janja fez em Roma e quais foram os custos da viagem; entenda - Estadão

Janja foi a Roma para ler um discurso sobre a fome

André Shalders
Estadão

As passagens aéreas de ida e de volta da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, a Roma, na Itália, custaram ao contribuinte R$ 34,1 mil. A primeira-dama voou de classe executiva de Brasília à capital italiana em 9 de fevereiro e retornou dia 13 de fevereiro, num voo direto para São Paulo.

Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) disse que Janja foi convidada a participar do evento pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (Fida), como colaboradora do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

DE PENETRA… – Atualmente, a emissão de passagens é regulamentada por um decreto de janeiro de 2022, editado ainda no governo Jair Bolsonaro (PL). A classe executiva está liberada apenas em voos com mais de sete horas e só para ministros de Estado ou pessoas com os cargos comissionados mais altos – ou, ainda, para quem os represente.

Não é o caso de Janja, que não possui cargo formal na estrutura do Poder Executivo. Em viagens anteriores, a Secom disse que a “legislação vigente” autoriza a primeira-dama a usar a classe executiva.

Na capital italiana, Janja participou de eventos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e se encontrou com o Papa Francisco. Ao todo, o grupo que foi a Roma somou 12 pessoas e consumiu ao menos R$ 292,3 mil em passagens e diárias – alguns valores ainda não são conhecidos.

EM ETAPAS – A primeira-dama embarcou em Brasília às 18h10 num Airbus A330 Neo da TAP, e chegou à capital portuguesa, Lisboa, às 6h da manhã do dia 10 de fevereiro. Às 11h45, pegou outro voo da TAP, chegando ao aeroporto de Fiumicino em Roma às 15h50.

Uma vez em Roma, Janja hospedou-se na Residência Oficial do Brasil, no número 14 da Piazza Navona, no Centro da cidade. A residência fica no Palazzo Pamphilj, um palácio barroco construído em 1650 pelo arquiteto Girolamo Rainaldi.

Na volta, Janja pegou um voo direto de 12h e 4 minutos, de Fiumicino para o aeroporto internacional de Guarulhos (SP). A primeira-dama viajou no assento 10 L, na janela, na classe premium business, equivalente à executiva.

EM CIMA DA HORA – Pode ter contribuído para o alto preço da passagem de Janja a falta de antecedência na compra: a reserva da viagem foi feita no dia 31 de janeiro, só dez dias antes do voo de ida. A compra foi solicitada pelo ministério de Wellington Dias, à agência de turismo Voetur.

O valor gasto na passagem da primeira-dama é compatível com um bilhete Brasília-Roma-Brasília comprado em cima da hora.

O voo de ida foi operado pela TAP, de Portugal, e o voo de volta, pela Latam. O Painel de Viagens do Ministério do Planejamento não traz ainda informações sobre eventuais diárias pagas a Janja – a Secom disse que informações sobre custos devem ser buscadas com o MDS.

A COMITIVA – O grupo que esteve em Roma é formado pela secretária de Assuntos Internacionais da Fazenda, Tatiana Rosito; uma servidora da Fazenda; três assessores de Wellington Dias e quatro nomes da Presidência da República – três dos quais são integrantes do “gabinete informal” de Janja, revelado pelo Estadão.

O maior valor em diárias foi pago à servidora Raquel Porto Mendes Ribeiro, do Ministério da Fazenda: R$ 17,8 mil. Ao todo, ela recebeu oito diárias, para participar de vários eventos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. Um deles foi a reunião do Conselho de Governadores do Fida, na qual Wellington Dias e Janja discursaram. Durante o encontro, Dias foi eleito presidente mundial do Conselho da Aliança Global.

Na reunião deste ano do Conselho de Governadores do Fida, as autoridades presentes discutiram formas de implementar os compromissos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, grupo multilateral lançado na reunião do G-20 no Rio de Janeiro, no fim do ano passado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O Planalto alegou que Janja viajou “a convite do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário”, mas isso é “menas verdade”, como Lula falava antigamente. Quem a convidou foi o ministro Wellington Dias, que ia ser demitido e teve essa ideia genial. Agora, eu aposto que ele não será mais demitido. (C.N.)

8 thoughts on “Viagem inútil de Janja e comitiva a Roma custou cerca de R$ 300 mil

    • Com todo o respeito, Sr. Marco: o bom mesmo é fazer turismo, com os nossos próprios recursos…
      Mas esta cambada de ratos imundos, claramente, não pensa como deveriam…
      Vergonha!
      Credo !

  1. Sr. Newton

    De 300 em 300 a galinha enche o papo…..

    “Não consigo entender por que um ser humano gostaria de ter tais privilégios. Só vivemos uma vez e, portanto, penso que a vida deve ser vivida com bons padrões éticos. Não posso compreender um ser humano que tenta obter privilégios com o dinheiro público”, acrescentou Lambertz.

    • Sr. Newton

      Eles roubam até marmitas (quentinhas) que seriam entregues para os pretos, brancos pobres e favelados…

      Caso das quentinhas acirra disputa na Esplanada e pressiona o ministro Wellington Dias

      Coluna Brasília/DF, publicada em 9 de fevereiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

      A divulgação do escândalo da “ONG das Quentinhas” caiu como uma luva no desejo dos partidos de centro, de pressionar o governo para que substitua o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), e abra mais espaço para os centristas na seara dos projetos sociais governamentais. Não é de hoje que os partidos mais conservadores que apoiam o governo pedem, sem sucesso, espaço nas áreas sociais — saúde, educação, assistência social — e também na articulação política palaciana. Na quarta-feira, o Jornal O Globo trouxe à luz a história de uma ONG ligada a petistas que tem um contrato de R$ 5,6 milhões para entrega de quentinhas e não presta devidamente o serviço à população. O ministério já suspendeu o contrato, mas a confusão está armada.

      Na oposição, a ideia é buscar uma CPI que possa investigar os contratos do governo com ONGs, numa nova apuração sobre as organizações não governamentais. Desta vez, com o foco naquelas que prestam serviços sob o guarda-chuva do Ministério do Desenvolvimento Social, pasta ocupada pelo PT. É mais um ponto de desgaste, neste momento em que o Poder Executivo se vê pressionado pela troca na articulação no Planalto, pelo aumento dos preços nos supermercados e com uma popularidade que, para os padrões de governos Lula, deixa a desejar.

  2. O narco ladrão Lula deu carta branca para a primeira mulher dama esbanjar a grana pública. O povo que se lasque para bancar o turismo do casal de malfeitores.

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