Dança das cadeiras no Congresso expõe luta eleitoral e tensões institucionais

Voos em jatinhos comprometem ministros do STF e ampliam pressão por código de ética

No Brasil, “em nome do Estado de Direito”, perde-se até mesmo a vergonha na cara

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Charge do Rotaip (Instagram)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos, Temer por dois anos e Bolsonaro por quatro anos — nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do “coroné”.

AS DUAS FACES – O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres — e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos.

Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali — quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como “herança maldita”. Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

HERANÇA MALDITA – Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes — que não é uma invenção petista, há que se reconhecer — é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT — a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama —, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

LIXO DA HISTÓRIA – Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do “blábláblá” nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país — sendo as grandes cidades já províncias do crime —, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

SOCIEDADE SEM LEI – A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo — sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS?

ROUBAR APOSENTADOS – Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. “Em nome do Estado de Direito”, perde-se a vergonha na cara.

Participação de Caiado indica que Lula será derrotado no segundo da eleição

05/04/2025 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Aqui no Brasil tudo é diferente. As ideologias são tão encobertas que o cantor Cazuza procurava uma para viver. Mas não achou, porque as tendências partidárias mudam e se misturam, de tal forma que conseguiram esculhambar até o marxismo, que no século passado era tido como uma doutrina séria e de fundo científico, a ponto de Luiz Carlos Prestes criticar Lula da Silva por não estudar as bases do comunismo.

Realmente, é uma maluquice. Quem ainda lembra que Roberto Freire, Aldo Rebelo e Flávio Dino eram declaradamente comunistas. Os três militavam em partidos cujos integrantes até hoje são chamados de “camaradas”, porque essa gente não tem medo do ridículo.

SEM DISTINÇÃO – Por isso, convém não fazer distinção entre os políticos brasileiros, porque eles na verdade não integram grupos ideológicos e muitos deles são até eleitos para representar facções criminosas de diferentes espécies.

Portanto, dizer que Lula é de esquerda tornou-se Piada do Ano. Embora o PT costume exaltar os benefícios sociais concedidos, simultaneamente os governantes petistas se especializaram em explorar o povo.

No segundo governo Lula, por exemplo, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, então marido de Gleisi Hoffmann, foi preso preventivamente pela Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. Ele era acusado de receber cerca de R$ 7 milhões em propina de um esquema de fraudes em empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Anos depois, os sindicalistas do PT voltariam à ação, para desviar dinheiro de aposentados e pensionistas, atuando como se fossem Robin Hood às avessas.

DIREITA, VOLVER – Se a esquerda no Brasil é assim, a direita não fica atrás. A política tornou-se uma atividade tão criminosa que no Estado do Rio de Janeiro, nos últimos 30 anos todos os governadores eleitos entre 1998 e 2026 foram, presos ou sofreram afastamento/cassação, incluindo Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro.

Nessa salada mista, encontram-se todas as tendências – direita, esquerda e centro. E pode-se dizer que apenas Leonel Brizola escapou da humilhação, porque Moreira Franco também foi preso em 2019, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, vejam a que ponto chegamos.

Bem, voltando à sucessão presidencial deste ano, será mesmo uma disputa eletrizante, especialmente se Ronaldo Caiado tiver um vice de respeito em sua chapa, de preferência uma mulher, como é sua intenção.

TRÊS CANDIDATOS – Não se pode desprezar o olho clinico de Gilberto Kassab, o senhor dos anéis, que achou melhor lançar Caiado (GO) do que os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).

Todos sabem que Caiado vai reduzir a votação de Flávio Bolsonaro (PL), que está de bobeira e ainda não convidou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para vice. Aliás, o candidato do PSD também vai tirar votos de Lula, porque no primeiro turno Caiado pode atrair a preferência de quem não aceita mais voltar em Bolsonaro e acabaria votando no petista.

No meio da confusão, já existem algumas certezas. A primeira delas é que Lula estará no segundo turno. E a segunda é que o petista vai perder a eleição, porque o terceiro colocado (seja Caiado ou Flávio) vai apoiar e garantir a vitória do adversário do PT.

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P.S.
O problema de Lula é a altíssima rejeição a ele, que foi de 61%, acima da rejeição a seu governo, que ficou em 51%. Mesmo assim, é certo que ele terá cerca de 30% dos votos válidos, o que garante lugar no segundo turno. Mas será muito difícil garantir a reeleição, se não houver uma mudança radical na atual situação. (C.N.) 

Inelegível, Pablo Marçal aposta tudo no TSE para viabilizar candidatura em 2026

Marçal tentará reverter condenações para disputar eleição

Sérgio Quintella
O Globo

Recém-filiado ao União Brasil, o empresário Pablo Marçal é cotado no partido para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo. Para que a ideia se concretize, porém, ele precisa se livrar de forma definitiva de três processos na Justiça Eleitoral, movidos após sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2024. Duas dessas ações foram julgadas procedentes em primeira instância, tramitam em segundo grau e irão ao Tribunal Superior Eleitoral, sendo uma delas que o mantém inelegível até 2032. O segundo processo foi revertido pelo empresário, mas haverá recurso do Ministério Público no TSE.

Entre os crimes dos quais é acusado estão captação e gastos ilícitos de recursos, abuso de poder econômico e outros ligados a casos como o “concurso de cortes”, denunciado pelo Globo há dois anos. Além dessas ações, há uma outra em primeira instância que condenou Marçal, mas ainda não gera inelegibilidade porque não foi julgada por um colegiado, como prevê a lei, o que deverá ocorrer até o mês que vem.

CONCURSO DE CORTES –  A ação que atualmente mantém Marçal inelegível diz respeito ao “concurso de cortes”, revelado pelo O Globo, em que colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha de dois anos atrás, com promessa de remuneração e distribuição de brindes.

A demanda, movida pelo PSB e pelo Ministério Público, apurou também um pagamento feito pela maquiadora da esposa de Marçal em um anúncio na internet. Ao clicar no link, o usuário era direcionado para o site da campanha eleitoral do empresário. Em dezembro do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou procedente a acusação de uso indevido dos meios de comunicação, além de manter uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.

A votação do colegiado no fim do ano passado foi apertada, por 4 votos a 3, razão pela qual a defesa de Marçal acredita em reversão no TSE. “Nós embargamos a decisão e estamos aguardando o resultado dos embargos, porque nós entendemos que há algumas nulidades no processo, então o relator vai ter que apreciar essas nulidades via embargo de declaração. Ele pode anular o acórdão, pelo que a gente está pedindo, mas se ele não for acolhido, cabe recurso para o TSE. E como foi uma votação bem apertada, 4 a 3, a gente tem muita esperança de virar no Tribunal Superior Eleitoral”, afirma o advogado Paulo Hamilton, que defende o empresário.

APOIO EM TROCA DE PIX –  Enquanto estuda a defesa na ação que mantém Marçal condenado e sem poder disputar eleições, Hamilton se prepara para o recurso do Ministério Público no processo que foi revertido, em novembro de 2025, desta vez em favor de seu cliente.

Movida por Guilherme Boulos e pelo PSB, a demanda foi aberta para apurar a venda do apoio de Marçal a candidatos a vereador na capital paulista em troca de doação de R$ 5.000 para sua campanha por meio de Pix. A medida foi julgada em primeira instância e gerou condenação por abuso de poder econômico e político, além de captação ilícita de recursos e uso indevido dos meios de comunicação. Porém, no julgamento de segunda instância, o relator Claudio Langroiva disse haver a necessidade de considerar a verificação da gravidade da conduta de Marçal.

“Não se está a negar a ilicitude da conduta do recorrente, já que a ilegalidade da proposta é evidente – prática que atenta contra a moralidade e a paridade de armas”, mas para o reconhecimento da procedência da ação é indispensável, além da ilicitude, a gravidade e, no caso do viés econômico, a efetiva constatação da quantidade de recursos efetivamente angariados por meio dessa prática específica”, disse o relator. Como a decisão foi referendada pelo colegiado, a ação foi julgada improcedente e agora o MP vai entrar com recurso em Brasília.

SORTEIOS –  No terceiro processo de Marçal, a primeira instância do TRE paulista o condenou, em julho de 2025, por uso indevido dos meios de comunicação, além de captação e gastos ilícitos de recursos e abuso de poder econômico. O processo apura dez condutas, como sorteios de dinheiro e bonés no Instagram, recebimento de dinheiro indevido, anúncios pagos com dinheiro proveniente de contas estrangeiras, entre outros delitos.

Agora, o colegiado vai votar se mantém ou não a condenação. Caso mantenha a decisão, o empresário ficará pela segunda vez inelegível. Porém, se nada for decidido até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, Marçal não terá impedimentos por esse processo.

“Se até o registro não tiver nenhuma decisão em segunda instância, quer dizer que ele não está inelegível por esse processo. Mas trabalhamos pelo julgamento antes do registro. Nós queremos que julguem porque estamos convictos da inocência dele”, afirma Paulo Hamilton.

PRAZOS – O advogado Arthur Rollo, especializado em legislação eleitoral, afirma que os prazos pretendidos pela defesa de Pablo Marçal são alcançáveis, pois a Justiça Eleitoral deverá dar celeridade a casos como esses. “Eu tenho certeza que dá tempo, pois tem muito tempo até lá e o TSE vai ter prioridade para julgar esses casos. Como ele está querendo se lançar candidato, o TSE não vai deixar sair um candidato ao Senado ou à Câmara [sem registro]. Há precedentes como esses no próprio Tribunal Superior Eleitoral”, diz Rollo.

Nos bastidores do União Brasil, o presidente da legenda, Antonio Rueda, é visto como um dos principais articuladores das ações de Marçal nos tribunais superiores eleitorais. Segundo um entendedor dos mecanismos partidários e jurídicos de Brasília, o cacique, com bom trânsito no TSE, não iria “apostar em um cavalo que não conseguisse largar no páreo”.

OUTRAS AÇÕES –  Além dos processos que versam sobre impedimentos de disputas eleitorais, Pablo Marçal é alvo de outras ações na Justiça Eleitoral paulista. No mês passado, o empresário fez um acordo e conseguiu suspender uma das demandas. O caso se refere à propagação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).

Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal divulgou um documento falso de internação por uso de drogas — a falsidade do documento foi atestada por perícias das Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a derrubada da publicação das redes sociais. Marçal foi o terceiro colocado na disputa eleitoral daquele ano, enquanto Boulos foi para o segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).

RESTRIÇÕES – Para que a ação fosse paralisada no TRE, o empresário aceitou a imposição de uma série de restrições, como comparecimento judicial a cada três meses, proibição de sair de sua cidade sem prévia autorização, além de não poder frequentar bares, boates e casas de prostituição.

No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado. Na ocasião, Marçal foi condenado a pagar uma indenização de R$ 100 mil a Boulos. Procurado, Marçal não quis comentar os processos aos quais responde, nem sobre suas pretensões eleitorais.

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Trump faz teste para coronavírus; resultado ainda não saiu

Trump costuma rezar uma oração a Deus e outra ao Diabo

João Pereira Coutinho
Folha

Em plena Páscoa, deparei-me com uma pergunta apropriada — será que Donald Trump vai para o céu? A pergunta não é absurda. O próprio Donald, em declarações ou entrevistas, já lidou com ela, lembra a revista New York. Aos 42 anos, era uma pergunta abstrata, distante, que não inquietava o presidente. Céu, inferno, reencarnação —o homem não acreditava nesses mitos. Tinha pressa de construir o seu.

Algo mudou dez anos depois. Donald passou a esperar que o céu existisse; caso contrário, a vida terrena perderia o sentido. Podemos dizer que Trump aplicava o raciocínio do jogador de cassino à teologia cristã — jogamos aqui embaixo porque esperamos ganhar o prêmio final lá em cima.

RESORT CELESTIAL – A primeira eleição, em 2016, introduziu uma mudança na relação de Trump com a eternidade — a presidência seria o caminho para garantir a passagem para um Mar-a-Lago celestial. Essa crença se reforçou depois da tentativa de assassinato de que foi vítima.

Nos últimos tempos, a fé tem fraquejado. E o homem que só admite ganhar, mesmo quando perde, já admite perder, mesmo quando ganha. O céu pode não ser para ele.

Entendo as angústias de Trump. À luz dos textos sagrados, o destino já era bem sombrio. “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus?”. O desmedido apego ao dinheiro, que só aumentou com a presidência — mais US$ 1 bilhão em lucros —, põe o nosso Donald na posição vexatória de perder para um dromedário.

ALGO PERTURBADOR – É um pensamento perturbador: uma vida inteira de riqueza acumulada, impunidade judicial e política, bajulação alheia — e, no momento decisivo, um animal do deserto tem direito a viajar em classe executiva? Espero que ninguém o avise disso. Caso contrário, os alvos podem acabar sendo outros nas aventuras militares do Oriente Médio.

Claro que existe sempre a possibilidade de perdão. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”, terá dito Jesus aos fariseus.

O problema é que o pecador precisa reconhecer que é pecador, expiando seus erros. É uma atitude de humildade que não combina com o nosso Donald.

CHAMAR A POLÍCIA – Confrontado com Jesus e seus apóstolos, o mais provável era mandar chamar o ICE, a polícia de imigração, e deportar esses ilegais para a Palestina.

Só a graça divina, por definição insondável, resolve o que a biografia complica. Trump, naturalmente, confia nela —ignorando que muitos são chamados e poucos escolhidos.

Eu, se fosse Trump, aproveitava a Páscoa e preparava um plano B. Ou talvez D, de dieta. Não por virtude. Por precaução, claro. O buraco da agulha continua apertado.

Lula intensifica ofensiva contra Flávio e busca controlar crise do Master

Assustado com rejeição, combustíveis e juros, Lula pensa em dar tiros no pé

Lula dá tiro no pé pró-Bolsonaro. Ou: Esquecer o velho e aprender o novo -  27/08/2021 - UOL Notícias

Reprodução do Arquivo Google

Vinicius Torres Freire
Folha

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis. O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma.

A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

AUMENTA A FILA – Há subsídios para o diesel. Até agora, não se falou em subsidiar gasolina, pelo menos. Haverá subsídio para o gás de cozinha, do governo ou da Petrobras, Lula deixou escapar. Companhias aéreas querem subsídio para combustível e crédito. O agro tem pedidos. Se essa fila andar, haverá mais candidatos a algum Bolsa Guerra, como na pandemia, favores do coronavírus que duraram até este governo.

DECISÕES DE MOMENTO – Pode ser razoável a tentativa de atenuar um choque de preço, sob certas condições, de modo a evitar que um problema provisório tenha consequências duradouras. Pode ser um paliativo para um par de meses, aliás adotado até pelo ultraliberal alucinado Javier Milei e pela Europa.

Mas é possível também que a tentativa de transferir problemas para o futuro contamine o presente. No exemplo mais simples, é possível que se esteja apenas transferindo a alta de preços de agora para logo depois da eleição, estocando inflação para 2027, com impacto desde já nas expectativas.

O governo vai gastar o que puder para conter preços por toda a parte, por meses? A ideia do subsídio é compensar alta de preços da Petrobras ou é tabelamento (que pode ameaçar o abastecimento)?

INFLAÇÃO E PIB – Está ainda mais difícil estimar a chance de cada cenário, pois também não se sabe do efeito da guerra: maior na inflação ou no PIB? Depende de duração da crise e do ritmo da economia aqui, ainda firme.

De resto, o governo não tem como mexer em reações fundamentais a todos esses problemas, a do Banco Central e a do mercado de títulos da dívida pública. E o PIB do mundo vai esfriar.

Difícil mexer com sucesso nessa máquina complicada. Enfim, tabelar preço é, claro, uma política, não raro com consequências funestas.

CONGELAMENTO – Em caso muito maior e de extremo descaramento, houve o congelamento de preços do Plano Cruzado, em 1986, desfeito logo depois de fechadas as urnas, o pai dos estelionatos eleitorais do Brasil, que pariu oligarquias até hoje no poder.

Em escala muito menor, porém mais dramática, foi assim com Dilma 1. No início do seu segundo mandato, em 2015, começou a desfazer o que eram, na prática, tabelamentos de preços de energia elétrica e combustíveis.

A então presidente tivera 42% de “ótimo/bom” no Datafolha de dezembro de 2014; em março de 2015, 13%. A vitória torta contribuiu para o seu fim.

CRISE DO PETRÓLEO – Abril será ruim no mercado mundial. Em março circulavam navios com petróleo e combustíveis produzidos e embarcados antes do início da guerra. Agora, o buraco deixado pelo fechamento de Hormuz vai aparecer na prática.

A conversa a respeito de algum tipo contenção de consumo, mesmo de racionamento, ou de redução preventiva de atividade econômica, que já é prática no Sul e no Leste pobres da Ásia, pode se espalhar pela Europa.

Na hipótese mais otimista, o problema de base (escassez de combustível e outros insumos) vai até setembro. Alguém do governo tem isso em mente?

Nunes Marques e sua esposa também voaram nas asas dos jatos de Vorcaro

BlogdoBG | O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que... | InstagramDeu em O Tempo

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa viajaram para Maceió, partindo de Brasília, em uma aeronave particular da empresa Prime You, que gerencia os bens de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A informação foi divulgada pelo jornal “O Estado de São Paulo” neste sábado (4/4).

O motivo do deslocamento, de acordo com a reportagem, foi o aniversário de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e que informou ter bancado as despesas da viagem.

AS “ALEGAÇÕES” – Em nota oficial, o ministro confirmou ao “Estadão” que fez a viagem e que foi convidado pela advogada. Também em nota ao jornal, ela explicou que “o voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário”.

Além de Nunes Marques, na última semana, o jornal “Folha de São Paulo” mostrou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, viajaram em jatos executivos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele.

No período de maio a outubro de 2025, foram oito voos, em deslocamentos entre Brasília e São Paulo. Em sete desses voos, o casal utilizou aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual o ex-dono do Banco Master era sócio através do fundo Patrimonial Blue. A empresa é certificada a operar como táxi aéreo. 

R$ 600 MIL… – De acordo com levantamento feito por O Tempo em Brasília, cada deslocamento deste tipo chega a custar mais de R$ 600 mil no mercado de táxi aéreo, de acordo com cotações colhidas pela reportagem.

Em nota, o gabinete do ministro Moraes rebateu a reportagem da “Folha” e afirmou que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”.

“O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, diz o comunicado.  Já o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”. Além disso, que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que se constata é a desmoralização progressiva do Supremo Tribunal Federal, cujos membros, em sua esmagadora maioria, mais parecem investidores, que usam a toga para acumular fortunas ilícitas, ao invés de respeitar a dignidade que o cargo de ministro impõe. Mas não há novidade no front, o Supremo apenas foi o último poder a ser prostituído. Por isso as falcatruas estão chamando tanta atenção. (C.N.)

“Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…”

Oswaldo Montenegro apresenta em SP 'Nossas Histórias' - Estadão

Montenegro, um compositor de raro talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite ao namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse.

Oswaldo Montenegro diz que, ao compor, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim seu colo
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo
A valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins
Ao som dos bandolinsAo som dos bandolins

Histórico da democracia brasileira indica que é preciso estar atento a novos golpes

Golpe Militar de 1964: o que foi, contexto, resumo - Brasil Escola

De 64 a 85, foram 21 anos de ditadura militar e arbítrio

Roberto Nascimento

Em recente comentário aqui na Tribuna da Internet, abordamos golpes de estado ocorridos no Brasil após a República, que foi oriunda de uma conspiração contra Dom Pedro II, um monarca altamente intelectualizado e que sabia governar, ao contrário de muitos presidentes.

Insta salientar que, no ambiente da Internet, se o comentarista escrever muito, quase ninguém terá paciência de ler. Portanto, é preciso ser o máximo sucinto possível, e por isso não foi possível discorrer sobre  as nuances de todos os golpes de estado ocorridos no Brasil durante a República.

Primeiro, houve a conspiração de Floriano contra Deodoro. Depois, o episódio dos Tenentes (18 do Forte), a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas a governar por 15 anos em regime ditatorial, a Intentona Comunista de 1935, o Levante Integralista de 1938, o Movimento de 11 de Novembro (1955), para evitar a posse de Kubitschek, e as revoltas de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959), já no governo JK.

COUTTO LEMBROU – Este ano, o jornalista Pedro do Coutto foi um dos poucos que lembraram a passagem do golpe de 31 de março de 1964. Entretanto, a aventura política civil-militar nunca esteve tão atual, pois a ameaça golpista continua atormentando o país.

Tentaram de novo em 2022, mas fracassaram. E agora, vão levar 10 anos, como ocorreu no passado, quando tentaram derrubar Getúlio em 1954 e voltaram em 1964?

O mesmo golpe de 1964 foi tentado em 1954, com a pressão militar para derrubar Getúlio Vargas. Mas o suicídio do presidente, aliado à comoção popular, fez os militares recuarem. Em 1955, tentaram impedir a posse de Juscelino, mas o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, na época não se falava em ministro do Exército, impediu o 11 de Novembro, e depois vieram as revoltas de Aragarças e Jacareacanga, de origem aeronáutica.

JANGO ASSUME – Bem, em 1961, assumiu o vice João Goulart, devido à renúncia de Jânio Quadros, sete meses após assumir a presidência, supostamente para reassumir como ditador em meio a uma esperada pressão popular, que não veio. 

Os militares não queriam a presidência de Jango e até ameaçaram derrubar o avião que o trazia de volta de uma viagem à China, para assumir o governo.

Após intensas negociações, os militares aceitaram um acordo para mudar o regime de presidencialismo para parlamentarismo, com Tancredo Neves como primeiro-ministro. Seis meses depois, Jango arquitetou um plebiscito para retorno do presidencialismo, e o povo votou sim, dando o poder de volta a João Goulart como presidente.

Os militares, então, começaram a minar Jango junto com a elite empresarial paulista, acusando o presidente de comunista e de querer implantar uma república sindical.

GUERRA FRIA – O contexto era a guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética. Os EUA, que consideravam (e ainda consideram) o Brasil como colônia americana, tiveram receio de que nosso país passasse a orbitar sob o domínio de Moscou.

Com base no argumento da guerra fria, abasteceram os golpistas brasileiros com informações da CIA, ofereceram apoio logístico, caso fosse necessário, e dinheiro para minar o governo de Jango, tudo comandado pelo embaixador Lincoln Gordon e o adido militar, coronel Vernon Walters.

Em 31 de março de 1964, o golfe foi desfechado, assumindo o comando da nação, pela força, o general Humberto de Alencar Castelo Branco. O regime militar durou 21 anos, de 64 a 85.

BARBÁRIE MILITAR – Importante salientar que naquele período de trevas, toda a América Latina, após o Brasil sucumbir ao autoritarismo, teve um efeito dominó.  Depois, caíram Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Equador, Peru, Colômbia, somente a Venezuela foi poupada da barbárie militar no Cone Sul.

Bem, o futuro a Deus pertence e o Golpe de 2022 foi fracassado porque não houve adesão popular e do empresariado, além da falta apoio dos Estados Unidos, circunstância que desestimulou o Alto-Comando do Exército.

O então presidente Joe Biden enviou um assessor militar para dar um recado aos golpistas: se o golpe fosse executado, o novo governo ficaria isolado e sem condições de prosseguir. Portanto, se o presidente fosse Trump, a história seria outra. Portanto, todo cuidado ainda será pouco, porque Trump agora é o presidente e os golpistas brasileiros estão todos aí, com sangue nos olhos.

Mais vexame! Toffoli voou em jatinho de Vorcaro para “relaxar” no Tayayá

✈️ A farra do jatinho continua! Não bastasse a informação de que Moraes  voava em jatos da empresa de Vorcaro, documentos da Anac mostram que Toffoli  também embarcou em aeronave da PrimeLucas Marchesini
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli voou em 4 de julho de 2025 em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha como sócio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam documentos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e do Decea (Departamento de Controle de Espaço Aéreo) obtidos pela Folha.

Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h daquela data, segundo informações da Anac. Um avião da Prime Aviation com prefixo PR-SAD decolou às 10h10 para Marília (SP), cidade natal do ministro, de acordo com dados do Decea.

PEDIU SEGURANÇAS – Naquele mesmo dia, seguranças do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo haviam sido deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, que é frequentado por Toffoli e fica a 150 quilômetros de Marília. Esse deslocamento se deu, de acordo com a corte, a pedido do STF para atender a uma autoridade.

A Folha revelou em janeiro que empresas da família Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Banco Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.

Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, foram sócios no Tayayá até o ano passado. Tinham cotas no Tayayá a Maridt Participações, que pertence ao ministro, e o fundo Arleen, de Zettel.

MORAES, TAMBÉM – O avião PR-SAD é o mesmo que, segundo o cruzamento dos dados do Decea e da Anac, levou o ministro Alexandre de Moraes para São Paulo em três ocasiões, como mostrou reportagem da Folha publicada na terça (31).

Os documentos da Anac mostram dez registros de entrada de Toffoli em 2025 no terminal executivo do aeroporto de Brasília, que recebe principalmente aeronaves particulares.

O cruzamento com os dados do Decea permite identificar o avião que teria sido utilizado pelo ministro em seis ocasiões, uma vez que não há outras decolagens e pousos em horários próximos. Em cinco desses casos, o avião pertencia a empresários.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ministros como Toffoli, Moraes e outros, como Nunes Marques, que também é chegado num jatinho, confirmam que o Supremo deixou de ser confiável e respeitável. Neste Domingo de Páscoa podemos dizer que os 30 dinheiros de Judas falam mais alto do que se cobrir com o manto sagrado da Suprema Corte. Sinal dos tempos? Talvez. (C.N.)

A sujeirada se alastra, mas ninguém sabe quem é o pai do porco clonado

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Dono dos porcos

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto 

Primeiro porco clonado no Brasil como era de se esperar causando o maior rebuliço nos três poderes da República. Todos querem ser pai do porquinho bem nascido. Togados não abrem mão da façanha. Contam com fortes banqueiros patrocinando tudo. Mas Edson Fachin pede moderação. 

Um dos financiadores para as festas suntuosas e pesquisas suínas da Suprema Corte, banqueiro hoje em desgraça,  está enrascado com a Justiça até a medula óssea. Suspeita-se que tenha sido amante da mãe do porquinho clonado…

BRIGA PELA PATERNIDADE – Por sua vez, dentro do Congresso Nacional a briga pela paternidade do porco é acirrada. Deputados e senadores querem levar o suíno clonado para os palanques das campanhas.

 

Dinheiro não é problema para os parlamentares. Alegam que as pesquisas cientificas que permitiram a descoberta do novo xodó do Brasil foram bancadas pelo bilionário Fundo Partidário.
O senador Davi Alcolumbre, mestre em sentar em cima de iniciativas que não interessam aos congressistas e sobretudo a ele, já deu sinal que usará de toda sua força regimental para que o porquinho seja admirado e celebrado pelos brasileiros como patrimônio dos senadores.
SÍMBOLO REPUBLICANO – O porquinho correrá o país como símbolo republicano. Banhado, perfumado e com fitinha no pescoço. Senadores ostentam com orgulho e fascínio o conhecido e surrado espírito de porco em suas entranhas.  Lula também entrou na roda. Mas foi logo investindo na maldade.
Mandou o ministro Sidônio Palmeira preparar milhões de peças lembrando que Bolsonaro,  amorosamente chamado por dona Michele de” meu galego”, tem 3 filhos porcos: Flávio, Eduardo e Carlos.  Mas o porquinho clonado é fruto do empenho do Planalto e usou até verbas do Bolsa Família…

Muito além do banco: o caso Vorcaro e as conexões entre finanças e poder

Charge do Clayton (O Povo)

Pedro do Coutto

O avanço das investigações sobre os recursos no exterior ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro marca uma inflexão importante não apenas no caso em si, mas na forma como o Brasil lida com a interseção entre sistema financeiro, poder político e responsabilização institucional.

A reportagem de Patrik Camporez, publicada em O Globo, revela que autoridades passaram a rastrear ativos fora do país, ampliando significativamente o escopo da apuração. Esse movimento, embora técnico à primeira vista, carrega implicações profundas: ele desloca o centro do debate da simples recuperação de valores para a compreensão das engrenagens que permitiram sua formação, circulação e eventual ocultação.

FLUXOS FINANCEIROS – O rastreamento internacional sugere que não se trata de um episódio isolado ou de uma falha pontual de governança, mas de uma estrutura sofisticada, possivelmente desenhada para dificultar a identificação de fluxos financeiros e proteger patrimônio em diferentes jurisdições. Esse tipo de engenharia, comum em casos de grande complexidade financeira, raramente opera sem algum grau de interlocução institucional.

É nesse ponto que o caso deixa de ser apenas econômico e passa a adquirir contornos políticos mais sensíveis. Afinal, o dinheiro, quando se move em escala e com esse nível de organização, quase sempre dialoga com poder.

A possível conexão de Vorcaro com autoridades brasileiras, ainda sob apuração, adiciona uma camada de gravidade ao episódio. A menção à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília, operação que envolvia um banco público e que acabou sendo barrada, funciona como um sinal de alerta sobre a proximidade entre interesses privados e estruturas estatais. Mesmo que não haja comprovação de irregularidades nessa interlocução, o simples fato de ela existir já impõe um desgaste institucional relevante, sobretudo em um contexto em que a confiança nas instituições é constantemente testada.

DELAÇÃO – Paralelamente, ganha força a negociação de um acordo de delação premiada, que reposiciona Vorcaro não apenas como investigado, mas como potencial fonte de revelações capazes de reconfigurar o cenário. Nesse tipo de acordo, a devolução de recursos é apenas uma das variáveis.

O elemento central passa a ser a qualidade e o alcance das informações oferecidas. Em outras palavras, o valor estratégico da delação está menos no dinheiro recuperado e mais naquilo que pode ser revelado sobre redes, conexões e eventuais zonas de influência. Trata-se de uma moeda de troca poderosa, que historicamente tem sido capaz de produzir avanços institucionais, mas também de gerar instabilidade política.

O Estado brasileiro, diante desse cenário, se vê novamente confrontado com um dilema recorrente: até que ponto é aceitável flexibilizar punições em troca de informações que podem atingir outros atores, possivelmente mais relevantes do ponto de vista sistêmico? A resposta nunca é simples, porque envolve equilibrar eficiência investigativa, justiça e credibilidade institucional. Se conduzida com rigor e transparência, a delação pode contribuir para esclarecer estruturas mais amplas e fortalecer mecanismos de controle. Se mal calibrada, pode alimentar a percepção de seletividade ou oportunismo.

CAPITAL E PODER – O caso Vorcaro, portanto, ultrapassa os limites de um escândalo financeiro. Ele se insere em uma tradição brasileira de episódios que expõem a permeabilidade entre capital e poder, revelando fragilidades que vão além dos indivíduos envolvidos. A existência de fluxos internacionais, a possível interlocução com agentes públicos e a negociação de uma delação robusta colocam em evidência não apenas eventuais ilícitos, mas a própria capacidade das instituições de reagir de forma consistente e estruturante.

O que está em jogo não é apenas a devolução de ativos ou a responsabilização de um agente econômico, mas a possibilidade de se produzir uma leitura mais ampla sobre como operam, no Brasil, as conexões entre dinheiro e influência. Se essa oportunidade será aproveitada para promover mudanças reais ou se resultará apenas em mais um capítulo de desgaste sem transformação efetiva, dependerá menos do que já foi descoberto e mais da forma como o Estado escolherá agir a partir daqui.

Aumento da rejeição eleitoral obrigará Lula a mudar a atual postura cautelosa

Lula e a desaprovação que ganhou força | Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

William Waack
Estadão

A guerra no Oriente Médio virou um problemão eleitoral para Lula em duas dimensões: custos e endividamento. É possível tentar mitigar os efeitos de cada um desses fatores negativos. Mas não dá para controlá-los.

A questão de custos é bastante óbvia, mas nem um pouco até onde vai o encarecimento de energia e fertilizantes. O custo imediato para evitar desabastecimento e picos de preços é estimado em R$ 20 bilhões – para um horizonte de ainda haver quatro meses de guerra.

RENÚNCIAS FISCAIS – O governo agiu para “acomodar” esse impacto através de um mix de renúncias fiscais (junto de Estados) e subvenções.

É bastante provável que tenha de ampliar e estender essas medidas, pois mesmo que Trump declare imediatamente o fim da guerra, antecipa-se que não haverá uma volta ao “status quo ante” em termos de fluxos de energia.

Considerado de forma isolada, o aumento do preço de combustíveis é catastrófico para a reputação de qualquer político em qualquer lugar, e o que torna a questão no Brasil particularmente preocupante do ponto de vista eleitoral (visto da perspectiva de Lula) é sua combinação com o endividamento das famílias.

ACORDOU TARDE – O governo acordou bastante tarde para um estrago que, numa abordagem mais abrangente, ele mesmo criou. Expansão fiscal para sustentar crescimento da economia via consumo das famílias tem seus limites impostos por essa mesma política, uma das principais causas dos juros intoleravelmente altos.

O resultado é essa “malaise” tão claramente detectada pelas pesquisas de opinião. As benesses destinadas a produzir benefícios político-eleitorais não estão funcionando num quadro no qual prevalece a sensação, tão importante do ponto de vista da formação do voto, de que as coisas estão piorando. Em outras palavras, o endividamento devorou a isenção do IR até R$ 5 mil.

A resposta para a questão do endividamento vem do único tipo de ferramenta que o governo lulo-petista conhece: crédito subsidiado para pagar dívidas.

MAIS CONSUMO? – Em princípio, a ala “econômica” do governo gostaria de limitar o uso desse tipo de alívio apenas para tratar de dívidas, mas a ala política defende sem pudor algum que as linhas subsidiadas possam ser utilizadas também para mais… consumo, o que só agravaria a questão.

Até aqui as respostas ao problemão de custos e dívida têm sido a adoção de medidas emergenciais com alvos claros (evitar desabastecimento ou custo excessivo de diesel, por exemplo).

Mas a linha que separa “gerenciamento de crise” de “manobras eleitorais”, na definição da consultoria Eurasia, vai se tornando difusa, e depende de um número mágico: é a aprovação do presidente estar caindo para o patamar de apenas 40%. É quando os modelos estatísticos informam que a reeleição seria impossível.

Donald Trump mina os três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, está sentado à mesa do escritório Oval. Usa paletó escuro, camisa branca e gravata roxa. Está com as mãos entrelaçadas sobre documentos. Bandeiras e símbolos oficiais aparecem ao fundo.

A vaidade de Donald Trump o conduz a caminhos insanos

Hélio Schwartsman
Folha

Donald Trump procura “tornar a América grande de novo” exercitando o músculo militar do país, hostilizando imigrantes e impondo tarifas a outras nações, entre outras políticas erráticas. Na prática, o que ele está conseguindo é erodir três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder. Liderança internacional, predominância científica e apetite global pelo dólar estão sob risco

Recursos bélicos importam, mas o que realmente dava aos EUA um lugar único na ordem global era seu papel de liderança sobre o que os próprios americanos chamavam meio pretensiosamente de “mundo livre”.

REGRAS DEMOCRÁTICAS – Não era uma liderança que se impunha só pela força, mas principalmente pela adesão voluntária a um sistema internacional baseado em regras. O Agente Laranja já dinamitou esse sistema. Até os mais tradicionais aliados dos EUA já buscam alternativas.

Mesmo que a Otan sobreviva a Trump, não será a mesma organização. Isso vale para todas as instituições multilaterais, da Organização Mundial Do Comércio à ONU.

A questão da imigração, ao lado do corte de verbas para pesquisa, vai na jugular do que, a meu ver, era a joia da coroa dos EUA: sua predominância científica. A capacidade da América de atrair estrangeiros para estudar e depois pesquisar no país era o grande trunfo.

IMIGRANTES COM NOBEL – Dos 329 americanos que receberam prêmios Nobel em física, química ou medicina entre 1901 e 2025, 36% nasceram em outro país, isto é, eram imigrantes. O número vai a 40% se considerarmos as láureas científicas de 2000 até 2025. Com Trump, as matrículas internacionais em universidades americanas caíram 17% em 2025.

Se os EUA fossem um país normal, desvalorizar o câmbio poderia ser uma estratégia comercial apta. No caso americano, porém, ela embute um risco. O país goza da vantagem de emitir o dólar, que é a principal moeda de reserva global. É a divisa que todo mundo quer.

Essa hegemonia do dólar permite aos EUA financiar seus gigantescos déficits comerciais apenas imprimindo mais dólares sem causar inflação. Ao minar a confiança internacional nos EUA, sua moeda e títulos, Trump pode estar privando os americanos daquilo que já foi chamado de “exorbitante privilégio”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo. Em poucas linhas, mostra o flagrante despreparo de Trump para governar e exibe sua colossal irresponsabilidade. Com toda certeza, trata-se da pessoa mais vaidosa do planeta Terra. Entregar o poder a Trump foi tão perigoso quanto permitir a ascensão de Hitler, mas há uma diferença abissal. O líder do nazismo não tinha como destruir o mundo, mas o líder do americanismo tem essa prerrogativa a seu dispor. (C.N.)   

Para defender Moraes, Fachin esquece a “ética” e usa argumentos fantasiosos

Fachin e Moraes entregam a Lula convite para posse de novo comando do STF | G1

Fachin se compromete ao acobertar os erros de Moraes

Carlos Newton

É muito triste acompanhar o noticiário sobre a progressiva desmoralização do Supremo Tribunal Federal como um todo, devido ao enriquecimento lícito, porém imoral, dos escritórios de advocacia mantidos por parentes dos ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Desta relação argentária, só escapam dois ministros atuais: Cármen Lúcia, uma pessoa simples e ética, que ia trabalhar no Supremo dirigindo um carro antigo; e André Mendonça, que segue na mesma linha e está destinado a fazer uma brilhante carreira.

TREMENDAMENTE – Tentam ridicularizar Mendonça, dizendo que ele é “tremendamente evangélico”, conforme afirmou o então presidente Jair Bolsonaro, em sua santa ignorância, sem perceber que o ministro é pastor presbiteriano, nada tem a ver com as seitas pentecostais que tanto exploram os brasileiros, como os autoproclamados bispos Edir Macedo ou Silas Malafaia.

Mendonça é diferente, tem formação em Teologia e jamais recebeu pagamento por suas atividades pastorais, mas quem se interessa? É mais fácil ridicularizá-lo do que reconhecer suas qualidades.

Bem, o fato é que, em janeiro, esses escritórios de advocacia com sobrenomes supremos já estavam inscritos em 1.921 processos nos tribunais superiores.

NAS MÃOS DE FACHIN – O encarregado de resolver essa bagunça é Edson Fachin, o atual presidente. No entanto, por ter uma personalidade fraca, sem vestígios de liderança, ele nada faz de concreto para tirar o Supremo da lama. Infantilmente, apenas propôs um Código Ética para repetir o que as leis já dizem sobre a conduta dos ministros.

Sua proposta foi estraçalhada em plenário pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, justamente os mais antiéticos da instituição, cujo proceder chega a transformar Gilmar Mendes num exemplo de correção, vejam bem a que ponto chegamos.

Apenas Cármen Lúcia e André Mendonça apoiaram o Código de Ética, que foi imediatamente arquivado e já repousa na lata de lixo do STF.

DEFESA DE MORAES – O mais constrangedor é ver Fachin ser humilhado por Moraes e Toffoli, ambos envolvidos em milionárias tramóias de enriquecimento ilícito, e depois vir a público para defendê-los.

Às vésperas do feriadão, por exemplo, Fachin divulgou uma nota para rebater o relatório da Comissão Judiciária da Câmara dos EUA, que acusa Moraes de praticar censura e outras ilegalidades.

Na nota, Fachin não cita diretamente Moraes, mas defende a atuação geral da Corte: “Os Ministros do Supremo Tribunal Federal seguem à risca os preceitos constitucionais, sendo a liberdade de expressão um desses primados fundamentais de nossa República”, afirmou.

MILICIAS DIGITAIS – O ministro também justificou as ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais, em inquéritos relatados por Moraes.

Segundo ele, as medidas “inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, com a finalidade da prática de diversas infrações penais, em especial aos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa ”.

Não é verdade. Fachin  distorce os fatos, usando argumentos do 8 de Janeiro e do golpe para justificar a censura imposta muito antes por Moraes, que desde 2019 punia blogueiros bolsonaristas em outro inquérito, o das fake news. “No âmbito daqueles inquéritos, foram emitidas medidas cautelares quando presentes indícios robustos da prática daqueles crimes”, justificou Fachin, sem medo do ridículo e misturando chiclete com banana.

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P.S. 1
É inaceitável esse procedimento de Fachin, dando cobertura aos erros e abusos de Moraes. A matriz USA não aceita censura política, de forma alguma. A lei mais famosa do mundo é a Primeira Emenda (1791), que proíbe o Congresso de estabelecer religião oficial, impedir o livre exercício religioso, restringir a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião pacífica ou o direito de petição ao governo. A emenda garante liberdades fundamentais contra a interferência do Estado.

P.S. 2Moraes, que não entende o fato de o Brazil ser uma filial, só se deu realmente mal na matriz USA quando “determinou” que a Justiça americana retirasse das redes sociais os blogs bolsonaristas. Foi demais. Só então os americanos perceberam que o ministro brasileiro tem problemas. Por isso, jogaram no lixo todos os pedidos feitos à Interpol pra extradição de brasileiros.

P.S. 3Por fim, a função de Fachin é presidir o Supremo e não cabe a ele funcionar como advogado de defesa de Moraes, inventando argumentos absolutamente ridículos. Se tivesse juízo e obedecesse à ética, Fachin deixaria que Moraes se defendesse sozinho. (C.N.)

Polícia Federal investiga possível mesada a Lulinha e atua para evitar devassa

Lulinha ainda não foi indiciado e apurações prosseguem

José Marques
Raquel Lopes
Folha

A Polícia Federal analisa movimentações financeiras sobre desvios no INSS para descobrir se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi beneficiário final de recursos sob suspeita. Os investigadores, porém, querem evitar uma quebra de sigilo mais ampla, que poderia ser interpretada como uma devassa sobre o filho do presidente da República.

Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF. Não houve, no entanto, nenhuma quebra de sigilo das empresas que pertencem ao filho do presidente.

LINHA TÊNUE – A atuação da PF segue em uma linha tênue. Investigadores ressaltam que Lulinha ainda não foi indiciado e que as apurações prosseguem. A corporação pediu a quebra dos sigilos do filho do presidente após informações colhidas ao longo do inquérito inicial e em depoimentos. A intenção dos investigadores é verificar se houve pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, a Lulinha.

Um ex-funcionário do lobista, Edson Claro, disse em depoimento que Antunes pagava essa quantia mensalmente a Lulinha e que ostentava publicamente sua ligação com o filho do presidente da República. Na quebra de sigilo de Lulinha, porém, não há repasses diretos do Careca a ele.

INDÍCIOS – A PF encontrou indícios de pagamentos nessa quantia à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A investigação quer determinar se ela repassou o dinheiro ao filho do presidente ou a outra pessoa. Procurada, a defesa de Lulinha diz que o filho do presidente não recebeu valores ligados às fraudes no INSS nem participou, de qualquer forma, dos crimes investigados. Segundo seu advogado, a quebra do sigilo bancário dos envolvidos não identificou qualquer vínculo financeiro entre ele e os fatos apurados.

“Apontamos também que todos os esclarecimentos pertinentes foram enviados ao Supremo Tribunal Federal, e Fábio Luís se colocou à disposição para qualquer consideração adicional que aquela corte considere necessária”, disse, em nota, o advogado Guilherme Suguimori.

SEM DESCONTO – As investigações conduzidas pela Polícia Federal acontecem no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios do INSS. Atualmente, a PF considera que a operação, cuja primeira fase foi deflagrada em abril de 2025, se encaminha para a sua metade final. Há suspeitas que recaem sobre eventuais operadores e beneficiários do esquema, inclusive advogados.

No entanto, a operação ainda pode render desdobramentos com delações premiadas que têm sido negociadas. Uma delas é com o empresário Maurício Camisotti, um dos principais operadores do esquema. Camisotti foi preso em setembro do ano passado, junto com o Careca do INSS. Ele discute a possibilidade de fechar um acordo com a PF.

PAGAMENTOS – Numa fase da operação realizada no fim do ano passado, a PF afirmou ter detectado pagamentos de R$ 300 mil feitos por ordem do Careca à empresária amiga de Lulinha. No total, Roberta Luchsinger teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista.

Em mensagens relatadas pelos investigadores, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta, a RL Consultoria e Intermediações. O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. O Careca responde que seria “o filho do rapaz” e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Roberta.

À época, a PF avaliava a suspeita de que ele se referia a Lulinha e que o filho do presidente poderia ser um sócio oculto do Careca. A defesa de Roberta diz, desde a ocasião, que sua empresa atua com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras “e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol”.

TRATATIVAS INICIAIS – Os advogados apontam que houve apenas tratativas iniciais que não chegaram a prosperar, e que elas aconteceram antes das revelações dos desvios de descontos do INSS.

As investigações sobre Lulinha, então, avançaram no sentido de descobrir se Roberta fazia pagamentos a ele, bancando viagens feitas pelo filho do presidente, por meio de repasses do Careca.

A defesa dela tem negado irregularidades e dito que é “risível a tese de que se tentou ‘lavar dinheiro’ por meio de viagens ao exterior –o que representaria a fruição do valor e não sua circulação para fins de ocultação ou dissimulação”. Os advogados também têm insistido ao ministro André Mendonça que abra apuração sobre o vazamento de informações detalhadas da investigação.

ESQUEMA DE FRAUDES – A operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.

A fraude consistia em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões —cobranças feitas por entidades de fachada que não prestavam os serviços prometidos, como convênios médicos ou auxílio funerário.