Ao insultar juízes e promotores, Crivella pode sofrer outro processo de impeachment

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Crivella demonstra não ter decoro para exercer cargo de prefeito

Jorge Béja

Está publicado na edição de hoje, quinta-feira (dia 30), do jornal O Globo, sob o título “Crivella reage à ordem judicial, perde recurso e diz que promotores e juízes querem ‘palco’ e que interdição é ‘estapafúrdia’. E a matéria começa assim: “Horas depois de o Plantão Judiciário rejeitar o pedido de liminar para a reabertura da Avenida Niemeyer, o prefeito Marcelo Crivella partiu ontem para o ataque contra o Ministério Público e o Judiciário, ao sair de um evento na Praça Mauá.

Ele atribuiu a decisão de interditar a via a um desejo de juízes e promotores que querem estar “no palco, na ribalta”. O prefeito fez uma dura crítica: “(A decisão de interditar) é a vontade de gente do Ministério Público e da Justiça que não se põem no seu lugar, que deveriam permitir que a administração da cidade seja feita pelo prefeito e por técnicos e engenheiros…Como engenheiro, fico indignado com essas decisões estapafúrdias de membros da Justiça que não têm condições nenhuma (de avaliar os riscos), assim como o Ministério Público, não apresentaram laudo algum e contrariam a decisão de geólogos da Geo-Rio que, há 50 anos, têm experiência de avaliar as encostas…”.

OFENSIVOS – Esse prefeito Crivella foi mais do que acintoso com o Poder Judiciário, com a Magistratura e com o Ministério Público. Seus ataques não são urbanos. São prá lá de ofensivos. São indignos e indecorosos para o cargo que ocupa. A Justiça mandou fechar a Avenida Niemeyer. Cabe ao prefeito, se razões e motivos tiver, recorrer. Isso ele fez: recorreu.

Insatisfeito porque seu recurso não foi acolhido e a Avenida continuou interditada por ordem judicial, em vez de percorrer as instâncias superiores para revogar a interdição, Crivella passou a desprezar a Magistratura e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Crivella generalizou, quando acusou “juízes e promotores de quererem estar no palco da ribalta”. E mais: classificou as decisões da Justiça do Rio como “estapafúrdias”. E partidas “de membros da Justiça que não têm condições nenhuma  de avaliar os riscos…..”.

SEGUNDA AUTORIDADE… – E por aí vai a verborragia do “bispo” da Igreja Universal que Ancelmo Gois, quando Crivella foi eleito, escreveu que era a segunda “autoridade eclesiástica” à frente da prefeitura do Rio, pois o primeiro foi o Monsenhor Olímpio de Melo, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas.

Autoridade eclesiástica ou não, o certo é que com estas declarações Crivella pode sofrer mais um processo de impeachment na Câmara dos Vereadores. Crivella infringiu a Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro, precisamente, no seu artigo 114, que trata das Infrações Político-Administrativa. Diz o inciso XIV – comete infração político-administrativa o prefeito que proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. E o artigo 117, inciso II, letra “b”, da mesma Lei Orgânica, determina que “o prefeito perderá o mandato, por cassação, quando incidir em infração político-administrativa, nos termos do artigo 114”.

SEM DECORO – Os ataques de Crivella contra a Magistratura e o Ministério Público do Rio o colocam como autor de infração político-administrativa, pelo tratamento pejorativo, insultuoso, desrespeitoso e impróprio com a dignidade e o decoro do cargo que ele ocupa.

Caso venha responder a outro processo de impeachment por isso, será merecidamente processado e responsabilizado. E a consequência é o seu afastamento. Quem não é cerimonioso, altivo, elegante, respeitoso, probo e reverente para com as autoridades não pode ser prefeito. Ou continuar prefeito. Deve ser afastado do cargo.

10 thoughts on “Ao insultar juízes e promotores, Crivella pode sofrer outro processo de impeachment

  1. Esse cara precisa ser removido da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro de forma URGENTE!

    É o maior incompetente que já chegou à prefeitura de uma grande capital deste Brasil.

    Como se não bastasse, loteou a prefeitura dando inúmeros cargos a aliados, apaniguados e membros dessa Igreja (pilantra) Universal do Reino de Deus.

    É talvez um dos mais safados prefeitos que a política brasileira já produziu!

  2. Aprenderam bem com os governos do Rio que acham que são outro país. Seu novo governador tem seu Detran particular, diz que mete bala em que estiver armado de fuzil e a Justiça do rio está mais para deixar rolar. Eduardo Cunha finalmente conseguiu seu sossego e vai “cumprir pena ” no Rio. Linha Amarela conseguiu reaver seu “direito” a tungar o contribuinte carioca. Seus servidores foram proibidos de fazerem consignado, pois o governo do estado quer o mercado muito lucrativo dos empréstimos a altos juros. Os mesmos que não são dados para assegurar o poder de compra de quem seu dinheiro nos bancos do país. Tirar demais sem que haja recessão, é impossível.

  3. Naqueles tempos de César Maia prefeito, contra ele ingressei na Justiça com três Ações Populares de grande repercussão. Todas foram acolhidas pela Justiça.

    A primeira, contra o nudismo na praia de Abricó. Defendi que, pela lei, as ruas, praças, avenidas e praias são bens de uso comum do povo. E que o povo poderia frequentar qualquer praia, por mais distante e deserta que fosse, e não encontrar pessoas despidas, visto que a prática atentava contra o sentimento coletivo de pudor, garantido pelo Código Penal. E por 9 anos os nudistas foram impedidos de frequentar a praia, sem roupa.

    A segunda foi para proibir Maia de pagar 6 milhões de dólares ao cineasta italiano Franco Zefirelli para comandar o Réveillon em Copacabana.

    E a terceira foi para que César Maia também fosse proibido de pagar outros 6 milhões de dólares a Michael Jackson que se encontrava em São Paulo e Maia queria que o cantor desse um pulinho aqui no Rio para se apresentar para os cariocas.

    Todas as liminares proibitivas contra Maia foram cumpridas pelo então prefeito. E Maia jamais insultou juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio pelas decisões tomadas contra ele.

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