Calem a boca, senhores! A rede hoteleira não está tendo prejuízo nenhum

Nani Humor: Turismo no RioJorge Béja

A rede hoteleira, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, tendo à frente os suntuosos hotéis nacionais e internacionais, vem reclamando que está suportando prejuízo acima de 700 milhões… Que os hotéis estão vazios, sem hóspedes… Que o prefeito do Rio suspendeu os eventos do Réveillon, Carnaval e outros mais, sem consultar a rede de hotelaria… Que era preciso ouvi-los antes para, só depois, ser tomada qualquer decisão…. Que eles precisam ser amparados, caso contrário quebram.

Calem a boca! Não reclamem, senhores! A rede hoteleira, não está tendo prejuízo nenhum. Apenas, deixando de lucrar. E deixar de lucrar não é prejuízo. É mera paralisação do lucro. Lucro que há anos e anos é de alta monta.

SERVIÇO INDISPENSÁVEL – Sim, a existência de hotéis é de suma importância: hospeda, emprega, uns suntuosamente, outros nem tanto. Seja como for, os hotéis são indispensáveis.

Mas acima da necessidade da existência de hotéis nas cidades, mormente no Rio de Janeiro, e mais localizadamente na orla da zona sul (Copacabana, Ipanema, Leblon…), para onde os turistas ricos de toda parte do mundo vão,  está indiscutivelmente a saúde da população.

Ao invés de reclamar, porque a rede hoteleira não coloca à disposição seus hotéis para o abrigo dos pobres, dos que sobrevivem nas favelas sem condições de isolamento, todos amontoados num cômodo só, abandonados, sem água, sem saneamento, sem tudo? Nesta quadra pela qual passa a Humanidade, a hora é de dar, de distribuir, de amparar… Jamais de reclamar. Ainda mais reclamar de “prejuízo”!!.

É HORA DE DAR – Os senhores, da rede hoteleira, não sabem o que é ter prejuízo. Já lucraram demasiadamente. Estão multimilionários. E não vai aqui a menor crítica ao capitalismo, ao enriquecimento fruto do trabalho, da justa causa. Só que agora, quando passam por uma pausa no enriquecimento que acumularam ao longo de anos e anos, reclamam dos governantes.

Prejuízo financeiro quem tem é aqui minha vizinha, Mara Alonso, que sobrevive de uma barraquinha na praça pública. vende roupas usadas. Ela tem um “brechó”. E não ganha um centavo há 4 meses. Ela e milhões e milhões de outros que estão sem tudo e sem nada.  

O marido dela é um PM do Rio que tem um fusquinha ano 1971, velho, enferrujado e que só pega, só anda, só sai do lugar quando alguém empurra. Ganha do Estado uma miséria. Mas o casal é um casal de fé. Gente de bem e do bem, como é o povo brasileiro. O marido todos os dias vai para a rua. Fardado, se expõe em defesa da nossa segurança. O pai dele, em 7 dias,  morreu semana passada no Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda: Covid-19. E a idosa mãe, que ficou viúva inesperadamente em 7 dias, após 49 anos de casamento com o mesmo marido, ela veio morar aqui com o filho e a nora, em apartamento alugado. E essa tremenda dor vai crescendo aos milhares nesta nossa Pátria Amada – Brasil.

COMEMORAR O QUÊ? – E mais: vocês, hoteleiros, reclamam que as comemorações do Réveillon, do Carnaval e outras mais são necessárias. Que não podem deixar de acontecer, porque terão agravados os prejuízos, mesmo estando o Brasil caminhando a passos largos para o número de 100 mil mortos pelo coronavírus-19, média de mais de 1 mil mortos por dia. Pergunto: o que temos para comemorar, para celebrar, para brindar, senhores? Comemorar e brindar a desgraça e o luto? Desgraça e luto não se comemoram. São sofrimentos. Sofrimentos coletivos e que a todos apanha. Luto é recolhimento. Luto é oração. Luto é dor. Dor da saudade. Soltar fogos no Réveillon 2020/2021?

Fogos é sinal de alegria, de felicidade, de saúde e paz. E neste 2020 a Humanidade perdeu a alegria, a felicidade, a saúde e a paz. Então, soltar fogos a que pretexto?.Calem a boca, senhores da hotelaria. Abram seus hotéis para os pobres poderem cumprir o isolamento. E cuidem-se. Não queiram coroar com o maldito vírus o trágico 2020. E que passe logo. E digamos o mais breve possível: “E o vento levou”, não é mesmo, lindíssima Olivia de Havilland?

12 thoughts on “Calem a boca, senhores! A rede hoteleira não está tendo prejuízo nenhum

  1. Dois pontos a ponderar.
    Primeiro é que eles podem estar espelhando o sentimento do PR.
    Segundo é que podem estar seguindo a famosa frase da música; ou seja: “Quem não chora não mama”.

  2. Gzuis, que texto cheio de ranço e falacias, senhor Beja esse foi um dos piores textos que vc já colocou aqui, quer dizer que se uma empresa não vende nada, ela não tem prejuízo, só parou de lucrar (como se lucrar fosse errado), e as contas pagas com o que? O salario dos funcionários? Os impostos? Esses tbm pararam?
    Podemos ate discutir se a quarentena e os cancelamentos de eventos são necessários, mas é ridículo dizer que quem já “lucrou” não tem o direito de reclamar. O hotéis tem todo o direito de reclamar, se poderão ser atendidos é outra questão.
    Muito negócios serão arruinados, de grandes a pequenos hotéis, pousadas, resorts, clubes etc… e cada um negocio destes que quebra é uma produção de riqueza a menos, é mais desemprego, é PREJUÍZO sim.
    Triste texto que parece ser movido pela estranha mania brasileira de odiar quem ganha mais, quem faz sucesso, quem produz. Realmente lamentável.

  3. Simplesmente um absurdo….
    Simplesmente um absurdo….

    Prezado Sr. Bejá, desta vez que creio que o Sr. passou da “linha da bola” escorregou …mas escorregou tanto que devido ao respeito que tenho , por sua idade e por sua “intenção’ de ajudar os pobres e necessitados, vou parar por aqui .

    Seu texto nos leva a nos cuidar e nos moderar com relação aos fatos hodiernos , sobretudo os fatos de nossa sociedade, escrever o que o nobre discipulo de Teixeira de Freitas escreveu é uma afronta colossal a todos os empresários que empregam pessoas e pagam impostos diretos e indiretos para o engrandecimento de nosso amado Brasil .

    Creio que o desespero bateu em sua porta meu nobre Articulista e o amado misturou tudo e não se controlou e nem se deu conta dos absurdos que escrevestes e tornando-se mais grave suas letras por ser o Sr. um advogado ,um seguidor da verdade e justiça .

    Creio que essa forma de pensar jamais deva ser usada com intuito de ajudar os pobres e necessitados simplesmente um absurdo.

    Saúde e paz para o Sr. e toda sua casa ….
    e a todos os amigos do Blog …TI …

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE …

  4. Sinceramente, eu vejo o mundo todo retomando com protocolos rigorosos eventos controlados.
    Acho que fazer Réveillon é possível com organização.
    Basta não colocar palcos para shows. Se resumindo a queima de forgos. Fechar Copacabana, Ipanema… e só entra com abadá.

  5. Dr. Béja, boa noite!
    Sobre o marido de sua vizinha, policial da PM desde 1971.l e recebendo uma miséria… com certeza não é um oficial. E com tanto tempo de corporação, mesmo sendo suboficial, tira algum dinheiro (pouco, mas longe de miséria) pelo uns R$ 5, 6 mil… Vai ver que é como um colega meu do trabalho. Paga pensão a 3 ex-esposas com quem teve filho com cada uma. Aí o salário ficar uma miséria a culpa é do próprio…

  6. Mais de 80.000 mortos, economia estagnada, centenas de empresas falindo, alguns preocupados com festas e queima de fogos… dane-se o Réveillon e Carnaval, comemorar a morte?A estupidez do brasileiro não tem limites.

  7. Fico impressionado ao ler comentários que criticam o artigo em tela, de autoria do excelso dr.Béja, sem que tivessem a menor empatia por aquelas pessoas que se enfileiram nas agências da Caixa para ter o benefício de 600,00 e viverem por trinta dias!

    Causa-me espécie a preocupação com o lucro das empresas e de empresários, e não leio nada com relação aos gravíssimos problemas que atualmente se defronta o povo brasileiro.

    Ninguém do mundo capitalista pode ter prejuízo, em compensação o cidadão pode morrer de fome, de doenças, através da violência desmedida e, em ato de desespero, tirar a sua vida ou de quem estiver ao seu lado, que tudo bem.

    O articulista tem razão.
    Muitas categorias de comerciantes ou industriais reclamam de barriga cheia.
    Culpam as circunstâncias; lamentam pelos ganhos não auferidos; querem compensações nos impostos que deverão pagar; querem beneplácitos fiscais e demais isenções.
    Mas, o cidadão, se encontra aonde nesses lamentos e queixas empresariais?!
    Que se dane?
    Que se lixe?
    Quem mandou ser pobre?

    No Brasil, as castas, elites, banqueiros, os poderosos, se acostumaram a ver somente a população vivendo sem condições mínimas de sustento, logo, a miséria e a pobreza, que registramos em índices alarmantes.
    Essa turma que manda e desmanda, que determina os rumos do país, diante de qualquer percalço divulgam exageradamente seus infortúnios, querendo a atenção governamental, pois a alegação maior é que oferecem trabalho para o povo.

    Manipuladores, exploradores, a verdade é que qualquer vaga de emprego oferecida não tem vínculo algum com o aspecto social, apenas e tão somente com o crescimento do investimento, do negócio, significando maiores ganhos e lucros.

    No caso em tela, dos hotéis que reclamam da falta de ocupação, se o empresário fosse criativo, se abrisse mão por um pouco menos do seu lucro, ele poderia ter uma boa frequência em seu estabelecimento.
    Bastava entrar em acordo com o governante local, e colocasse em prática campanhas específicas para o seu hotel a preços tentadores!

    Não sei quanto deve estar a diária em um hotel no Rio de frente para o mar.
    Talvez 400/500 reais, incluindo café da manhã.
    Pois bem:
    Por que não oferecer acomodação por um terço do preço, sem refeição?
    Até eu iria voltar ao Rio para aproveitar essa oportunidade única!

    Fico me imaginando na sacada de um hotel em Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra … de frente para o mar, bem acomodado, diante de uma das vistas mais belas do mundo, tendo de sair para me alimentar somente?!

    O brasileiro, proprietário de algum negócio, tem sempre em mente que é superior ao seu empregado, tanto como pessoa quanto na sociedade.
    Muito antes dele abrir mão da margem que estipula de ganhos, prefere demitir, criando para si e cidadãos mais problemas.
    Sem o custo da folha de pagamento, basta manter o seu hotel em pé.
    Luz, água, desgaste com roupas de cama, colchões, talheres, apetrechos de cozinha, desaparecem da contabilidade.
    A sua despesa despencará com o estabelecimento sem hóspedes ou com menos que registrava, mas o prejuízo será mínimo ou sequer nenhum!

    Portanto, o dr.Béja foi muito claro e correto na sua análise sobre a hotelaria carioca.
    A falta de criatividade dos donos de hotéis é surpreendente, pois querem ser auxiliados pelo governo de qualquer maneira, e será reclamando que pensam lograr êxito nas suas proposições.

    Consequentemente, os comentários em defesa do lucro, do capital, do emprego que não existe, haja vista as demissões em massa, se mostram inconsequentes, desconsiderando a vida extremamente difícil do povo nesse momento, e que não leio nada a respeito, repito.

    Curiosa essa solidariedade que alguns têm com aqueles que já gozam de um meio de vida muito confortável, e o desprezo pelas pessoas que não têm o que comer no dia, que precisam encontrar nas latas de lixo restos ou sobras para se alimentarem.

    Das duas uma:
    Ou estou muito distante dos novos conceitos da pessoa pela pessoa ou me encontro perdido no tempo e no espaço.
    Mas, jamais, deixarei de dar muito mais importância ao ser humano que qualquer lucro ou permanência de empresas diante de crises como essa.

    E não se trata de minha parte uma questão de escolha, não. Porém de respeito à vida, e não colocá-la depois do ganho auferido!

    Parabéns, drBéja, por mais essa aula de humanidade, de pessoa que se importa com as demais.

    O meu abraço forte, fraterno, caloroso.
    Saúde e paz.
    Cuide-se!

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