Flávio Bolsonaro quer controlar o governador do Rio e ameaça apoiar a cassação dele

Augusto dos Anjos dizia que indomável, mesmo, só o coração dos poetas

Augusto dos Anjos, da descrença à esperança ❤️ #poesia #poema #livro  #literaturaPaulo Peres
Pomas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) escrevia poesias com características marcantes de sentimentos de desânimo e pessimismo, além de mostrar inclinação para a morte. O soneto “Vencedor” mostra outra faceta de Augusto dos Anjos, quando afirma que o coração do poeta pode ser indomável.

VENCEDOR
Augusto dos Anjos

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E a rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração – estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pode domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois de um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem…
E não pude domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

Mendonça tenta evitar que o Planalto se intrometa na investigação do Master

Regulação das redes no STF: Mendonça retoma voto após defender “democracia  digital”

André Mendonça tomou uma decisão muito corajosa

Valdo Cruz
g1 e GloboNews

O ministro André Mendonça está dando um novo ritmo às investigações do Supremo no inquérito do banco Master, no que tem sido elogiado pela Polícia Federal (PF). Nesta segunda-feira (23), ele fez uma delicada e estratégica reunião com os delegados responsáveis pelo caso para definir os próximos passos, como as novas diligências.

Por outro lado, a cúpula da PF não gostou nem um pouco da recente decisão de Mendonça, quando proibiu os delegados do caso de compartilharem com seus superiores hierárquicos as novas informações que foram obtendo no inquérito do Master

DIRETOR ALIJADO – Até aqui, apesar dos atritos públicos com o ministro Dias Toffoli, o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, vinha acompanhando de perto as investigações.

A partir de agora, ele teria poder apenas administrativo sobre o caso, não podendo acessar a investigação. Segundo um investigador, é como se o STF proibisse o presidente da República de comandar seus ministros.

André Mendonça adotou modelo semelhante no inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele decidiu restringir o compartilhamento de dados da investigação depois de circularem informações dentro do governo do presidente Lula da Silva (PT) sobre descobertas em relação às fraudes contra aposentados e pensionistas. Por suspeitar de vazamento de informações, o relator decidiu proibir que os delegados compartilhem dados do inquérito com seus superiores, o que inclui o diretor-geral da PF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma decisão corajosa, necessária e histórica de André Mendonça. Em tradução simultânea, o ministro do Supremo está usando seus superpoderes para evitar que o presidente Lula siga tentando blindar Toffoli e outros envolvidos com o banco Master, como já vem fazendo na CPI do INSS, manobrando os parlamentares da base aliada para que  ajudem a blindar o filho Lulinha e o irmão Frei Chico, que estão envolvidos na exploração de aposentados e pensionistas, uma especialidade criada pelo PT quando Paulo Bernardo era ministro do Planejamento e marido de Gleisi Hoffmann. Por causa do escândalo, ele perdeu o ministério, o mandato de deputado e a mulher. Mas isso é outra história, que depois a gente conta, enquanto o circo do PT ameaça pegar fogo em pleno ano eleitoral. (C.N.)

TSE, indicações políticas e o mito da “tensão jurídica” contra Lula

Pedro do Coutto

A recente leitura de que o Tribunal Superior Eleitoral ampliaria uma suposta “tensão jurídica” para o presidente Lula nas eleições deste ano, por estar sob comando de ministros indicados por Jair Bolsonaro, parece mais uma construção narrativa do que um diagnóstico institucional consistente.

A premissa parte de um raciocínio simplificado: a origem da indicação definiria o comportamento do magistrado. Na prática, a história do Judiciário brasileiro mostra exatamente o contrário. Ministros de cortes superiores, uma vez empossados, passam a responder muito mais à lógica da instituição, à preservação da própria biografia e ao escrutínio público do que a qualquer vínculo pretérito com quem os nomeou.

CONTROLE POLÍTICO – O Tribunal Superior Eleitoral, por sua própria configuração, dilui qualquer possibilidade de controle político direto. Trata-se de uma corte de composição híbrida, com membros do Supremo, do STJ e juristas, cujos mandatos são temporários e sujeitos a intensa vigilância institucional e social.

Em um ambiente de alta polarização, a última coisa que um ministro deseja é ser visto como extensão de um projeto político específico. Isso valeria, com ainda mais razão, para indicados associados a Jair Bolsonaro, cuja relação conflituosa com o sistema eleitoral marcou os últimos anos. O incentivo, portanto, é de distanciamento, não de alinhamento.

“TENSÃO JURÍDICA” – Além disso, a tese de “tensão jurídica” pressupõe a existência de fatos concretos capazes de atingir a candidatura de Lula. E é justamente aí que o argumento perde sustentação. Quais seriam, objetivamente, os elementos jurídicos capazes de comprometer sua elegibilidade ou alterar o equilíbrio da disputa?

Até o momento, não há decisões judiciais estruturais, condenações eleitorais relevantes ou irregularidades comprovadas que indiquem risco efetivo nesse sentido. A Justiça Eleitoral atua sobre condutas específicas — propaganda irregular, abuso de poder, financiamento ilícito — e não sobre hipóteses abstratas ou disputas políticas travestidas de controvérsia jurídica.

POSTURA – Outro aspecto ignorado nessa leitura é que ministros indicados por governos anteriores costumam adotar postura ainda mais cautelosa para evitar qualquer associação automática. A independência judicial não é apenas um valor constitucional; é um ativo reputacional.

Vincular-se a um ex-presidente em plena arena eleitoral significaria comprometer a imagem de imparcialidade e alimentar questionamentos sobre a legitimidade das decisões da corte. Em um tribunal que depende da confiança pública para arbitrar eleições polarizadas, esse custo seria alto demais.

LIMITES – A judicialização da política é uma realidade brasileira, mas não se deve confundir a aplicação geral das regras eleitorais com um suposto direcionamento contra um candidato específico. O TSE impõe limites e parâmetros que valem para todos os competidores, inclusive para o próprio campo bolsonarista. Reduzir essa atuação a uma ameaça particular a Lula é ignorar que o tribunal opera sob um sistema de precedentes, colegialidade e controle público permanente.

No fundo, a narrativa de que a presença de indicados de Bolsonaro no comando do TSE elevaria a pressão jurídica sobre Lula revela mais sobre o clima político do que sobre a realidade institucional. Ela antecipa conflitos, projeta desconfianças e alimenta a polarização antes mesmo de existirem fatos concretos que justifiquem tal apreensão. A dinâmica eleitoral brasileira seguirá sendo definida muito mais pelo comportamento das campanhas e pela observância das regras do jogo do que pela biografia de quem ocupa, circunstancialmente, a presidência da corte eleitoral.

O mundo já devia ter entrado na fase de mais humildade e menos vaidade

17 ideias de HUMILDADE | humildade, frases interessantes, humildade frases

Reprodução do Arquivo Google

Luiz Felipe Pondé
Folha

Segundo o escritor americano Thomas Sowell, os pensadores estão divididos em dois tipos básicos. Há aqueles que têm uma antropologia filosófica que vê o ser humano como um ente sem limites em seus recursos cognitivos, morais e políticos, portanto, com recursos irrestritos — visão irrestrita — e outros que veem o ser humano como um ente com os mesmos recursos, mas limitados — visão restrita.

Visão irrestrita: iluministas franceses em geral, Rousseau, utilitaristas, Marx, liberais. Visão restrita: Agostinho, Pascal, Edmund Burke, Freud.

USO DA RAZÃO – Aqueles que defendem a visão irrestrita entendem que a natureza humana é capaz de se autorreformar a partir da vontade livre e do uso da razão. Ajustes políticos e cognitivos dão conta.

Aqueles que defendem a visão restrita entendem que a natureza humana não tem recursos suficientes — daí relacioná-los facilmente à afirmação da insuficiência estrutural do ser humano — para se autorreformar a partir da vontade livre e do uso da razão.

Outra forma de compreender esse conflito de visões com relação à natureza humana é compreendê-lo como um conflito entre uma visão da natureza humana passível de perfectibilidade incremental, em oposição a uma outra visão segundo a qual a natureza humana é imperfeita estruturalmente e passível apenas de pequenas correções de percurso, precárias, incertas e improváveis.

NATUREZA HUMANA – Diria àqueles que negam a existência de um padrão de comportamento no ser humano, que se repete dadas certas condições prévias semelhantes — o que acima chamo de “natureza humana”—, que cabe a eles o ônus de negar esse padrão de respostas.

O fato é que, dadas certas condições concretas na vida, o comportamento humano decorrente se repete. Honra ferida continua gerando resposta de graus variáveis de violência. Assim como inventário, disputa pelo poder, eleições, pobreza extrema, orgulho ferido, ciúmes, medo, sexo. Não me venha dizer que um aborígene não está nem aí para um inventário — é ironia, ok?

A história parece comprovar a tese de que a natureza humana se repete no tempo. Aliás, o próprio conceito parece ser parte da nossa capacidade de entender e interpretar a própria história.

ROUSSEAU ULTRAPASSADO? – Mais Agostinho, menos Rousseau. Isso quer dizer que talvez já tenhamos saturado o ensino com a visão de ser humano do Rousseau e sua crença de que a natureza humana é boa na sua essência “natural” e que, mudando as condições políticas e sociais, a natureza humana corrompida seria restaurada ao bem inicial, pelo menos em grande parte.

A história dos séculos 19, 20 e 21, até agora, parece negar essa hipótese à exaustão. Quem persiste crendo nessa visão de Rousseau — e de Marx & cia. — prova a tese contrária: o ser humano não aprende com a experiência histórica e chafurda continuamente nas suas obsessões idealizadas. Entendeu?

E não esqueçamos de um detalhe fundamental: afirmar a bondade essencial da natureza humana, uma vez dadas as condições ideais para ela se manifestar, é falar da sua própria bondade. Por isso, a moçada do Rousseau & cia. se considera superior moralmente. Daí, Edmund Burke, no final do século 18, descrever Rousseau como o filósofo da vaidade.

VISÃO NEGATIVA – Já a posição agostiniana é mais sofrida. Reafirmar a visão agostiniana é reconhecer uma visão negativa de si mesmo. Isso é insuportável para o orgulho estruturante da natureza humana, tal como pensava o filósofo de Hipona.

E a modernidade não suporta tanta realidade. porque ela é o período histórico por excelência mais orgulhoso que a humanidade já conheceu.

Para Agostinho, herdamos uma espécie de maldição de Adão e Eva, a saber, o orgulho de querer negar nossa insuficiência e nossa dependência estrutural de Deus. Mas se deixarmos de lado sua fé cristã da época no pecado, com o que ficamos?

PECADO ORIGINAL – Posso recusar o pecado original como fato. Mas a natureza humana permanece submetida a um orgulho desmedido que a faz mentir e buscar o poder, mesmo em dimensões miseravelmente pequenas. Dominada pela cobiça, amedrontada pelo medo da morte e da dor, vocacionada à inveja, ela possui uma frágil racionalidade que luta para não ser engolfada por este abismo de paixões negativas.

A condição humana é atroz. Mas, a verdade é que a visão irrestrita — de Rousseau, Marx & cia.— é um excelente negócio, como sempre foi quando vendemos vaidade. Dizer que somos ótimos cai bem, não?

Mais Agostinho e menos Rousseau, isso não implica em discurso destrutivo do ser humano, como pensa nossa vã filosofia progressista. Implica, apenas, em mais humildade e menos vaidade.

Supremo assume falsas prerrogativas e se torna o mais perigoso dos Poderes

Tribuna da Internet | Superpoderes do Supremo minam sua legitimidade, e está difícil controlá-los

Charge do Mariano (Charge Online)

Marcus André Melo
Folha

É quase um clichê para analistas recorrerem à afirmação atribuída a Alexander Hamilton, no Federalista 78, que o Judiciário seria o poder menos perigoso, porque não detém o poder da espada nem acesso aos cofres públicos. Ocorre que no momento, em nosso país, o Poder Judiciário é sem sombra de dúvida o poder mais perigoso da República.

As cortes superiores corroem cada vez mais o orçamento e, o que é muito mais grave, o STF avança sobre os meios de coerção —a espada. Essa situação é inédita do ponto de vista comparativo.

USURPAÇÃO DE FUNÇÕES – Há registros escassos sobre o abuso das cortes superiores em muitos contextos, mas tipicamente o arbítrio do Judiciário não é outra coisa senão a longa manus do Executivo.

O agente do abuso do poder nos sistemas políticos modernos é o ocupante do Executivo, e em algumas raras situações, os corpos legislativos. Nas democracias, o abuso — quando ocorreu — deveu-se invariavelmente à usurpação pelo Executivo de funções judiciárias e legislativas.

A crítica atual a uma “ditadura da toga” —imagem atribuída equivocadamente a Ruy Barbosa— reveste-se entre nós de caráter excepcional. Não se trata aqui da usurpação pelo Supremo de funções dos demais Poderes. CONTENÇÃO JUDICIAL – Essa crítica ao caráter contramajoritário de decisões judiciais é clássica. A formulação mais influente é a de Alexander Bickel em “The Least Dangerous Branch” (1962), que discute a chamada “dificuldade contramajoritária” e a necessidade de autocontenção judicial.

Esse debate, contudo, refere-se ao risco de invalidação de decisões majoritárias por agentes eleitos —e não à hipótese mais grave de disfunções internas que comprometam a própria integridade do sistema de Justiça.

Na fórmula de Madison, o poder da espada é entendido como poder do Executivo, cujo abuso envolve o uso da polícia e dos militares sob sua jurisdição direta. Em democracias não há polícia do Judiciário. Apenas polícia judiciária.

FALSAS PRERROGATIVAS – O nosso problema não é apenas o de usurpação aberta de funções políticas dos demais Poderes —fenômeno bem conhecido e teoricamente mapeado—, mas algo institucionalmente crítico: a emergência de alegações de uso, por membros das próprias cortes, de prerrogativas legais e processuais para obstruir ou dificultar a responsabilização por eventuais abusos por eles mesmos praticados.

A singularidade brasileira recente reside justamente aí. Quando esse tipo de suspeita ganha plausibilidade pública, como no momento atual, o efeito corrosivo sobre a legitimidade do sistema é profundo.

Como argumentou Bickel, tribunais vivem de autoridade moral e aceitação difusa. Se essa reserva reputacional se deteriora, o problema não é apenas jurídico — é sistêmico.

DESESTABILIZAÇÃO -A erosão da confiança no árbitro final das regras do jogo afeta o equilíbrio entre os Poderes e fragiliza a própria ideia de governo limitado pela lei.

O paradoxo brasileiro contemporâneo é que o poder historicamente concebido como o menos perigoso pode converter-se em foco de risco institucional sistêmico.

Preservar a autoridade do Judiciário — o que inclui transparência, accountability e autocontenção — tornou-se, mais do que nunca, condição para a estabilidade republicana. E exige cortar a própria carne.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente  artigo. O avanço do Judiciário no Orçamento é impressionante. E trabalha-se cada vez menos. Na sede da Justiça Federal no Rio de Janeiro, um prédio moderno e que acaba de ser inteiramente reformado, sem o menor motivo, agora o expediente começa às 12 hs e termina às 17 hs. Cheios de penduricalhos, os juízes geralmente trabalham via internet e nunca comparecem às sextas-feiras. É revoltante. (C.N.)

Fachin envergonhou o país, ao arquivar pedido da PF sobre suspeição de Toffoli

Fachin é contra benefícios fiscais a pesticidas; Mendonça é a favor – O Brasilianista

Enquanto Fachin vacila, Mendonça cresce e aparece no STF

Carlos Newton

Mais uma vez o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, causa surpresa e espanto, ao interpretar e descumprir importantes leis, a pretexto de acomodar situações políticas e/ou criminais envolvendo destacadas autoridades da República.

A primeira vez ocorreu em 2021, quando era relator da Lava Jato. Para permitir que o então ex-presidente Lula da Silva pudesse se candidatar na eleição seguinte, depois de cumprir 580 dias de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, condenado em três instâncias, Fachin aceitou um já recusado e desmoralizado pedido do advogado de Lula, Cristiano Zanin, para anular todas as sentenças e acórdãos contra o petista.

REPETINDO A DOSE – A mesma petição já tinha sido feita desde a primeira instância, tendo sido seguidamente recusada pelo então juiz Sérgio Moro, e depois pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo próprio Fachin no Supremo.

Porém, não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, o ministro Fachin pediu e conseguiu que as condenações de Lula  fossem anuladas por uma alegação vil e inteiramente ilegal – de que a 13ª Vara Criminal de Curitiba tinha “incompetência territorial absoluta” para julgar Lula, porque ele não morava na capital paranaense.

A alegação foi tão vexaminosa que nem Fachin nem qualquer outro ministro do Supremo, na hora da anulação, foi capaz de dizer qual seria o local certo para condenar Lula, ninguém sabia… Somente na sessão do dia seguinte é que se combinou que a vara competente seria de Brasília, onde Lula morava à época dos crimes.

DECISÃO TERATOLÓGICA – Os juristas consideram essa forma de decisão como “teratológica”, ou seja, um ato judicial manifestamente absurdo, ilegal ou irracional, que viola gravemente as normas jurídicas e o senso comum. Outros, mais rigorosos, chamam de “escatológica”, porque emanaria dos esgotos da Justiça.

O motivo da revolta dos juristas é que, no Direito Universal, só existe “incompetência territorial absoluta” em causas imobiliárias. Em causas criminais, a incompetência territorial é apenas “relativa” e não provoca anulação de condenações. Portanto, é algo que não existe em nenhum outro país.

Agora, na presidência do STF, Fachin repete o vexame anterior e arquiva o pedido de suspeição feito oficialmente pela Polícia Federal para impedir que Dias Toffoli continuasse como relator do caso Master – um escândalo dentro de outro escândalo.

FACHIN DESORIENTADO – Arquivar a suspeição de Toffoli foi uma grande mancada de Fachin. Não precisava de nada disso.

Como o ministro André Mendonça foi escolhido eletronicamente como novo relator do caso Master, porque a investigação e o processo correm na Segunda Turma do STF, da qual Toffoli faz parte. Ou seja, Fachin não precisava estar se curvando a ele, arquivando uma suspeição mais do que evidente, bastava ficar quieto, porque Toffoli já é carta fora do baralho.

O fato lamentável é que Fachin tem diante de si uma chance de limpar o passado e fechar sua biografia com chave de ouro, mas não tem coragem de enfrentar a troika que manda no Supremo, integrada por Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, não necessariamente nesta ordem.

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P.S. – Enquanto Fachin recolhe os flaps, como se diz na Força Aérea, o ministro André Mendonça cresce e aparece. Se realmente fizer uma dobradinha com a Polícia Federal, Mendonça vai entrar direto na História do Brasil, sem pedir licença a ninguém. Comprem pipocas. (C.N.)

Chapa catarinense escolhida por Bolsonaro provoca crise com Ciro Nogueira

Ciro disse que é do tempo em que acreditava em palavra

Deu na Folha

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, se manifestou nas redes sociais neste sábado (21) sobre a movimentação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ter uma chapa para o Senado em Santa Catarina composta pelo filho Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador no Rio, e pela deputada federal Caroline de Toni (PL).

A escolha de Bolsonaro é uma mudança ao que tinha sido estabelecido anteriormente pelo partido. A direção do PL havia definido que os dois nomes ao Senado em Santa Catarina seriam Carlos e o senador Esperidião Amin (PP), o que foi comunicado a De Toni, que chegou a anunciar a sua saída do partido. A deputada havia acertado se filiar ao Novo para concorrer ao Senado, o que arriscaria uma divisão de votos no bolsonarismo.

PALAVRA – Em rede social, neste sábado, Ciro escreveu: “Nós do Progressistas somos do tempo em que acreditamos em palavra”, ao compartilhar uma reportagem do site Metrópoles que dizia que De Toni queria uma carta de Bolsonaro para não deixar o PL.

De Toni é o nome preferido da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) para concorrer ao Senado em SC, onde o governador Jorginho Mello (PL) vai disputar a reeleição. A preferência de Michelle pela deputada pesou na decisão de Bolsonaro, dizem aliados.

A decisão de Bolsonaro provocou um racha na direita catarinense. Ao defender uma chapa pura na corrida pelo Senado, o ex-presidente vai de encontro ao governador Jorginho, que preferia apoiar a reeleição de Amin. Apesar de Amin ser um aliado fiel do bolsonarismo no estado, a opção de Bolsonaro se baseou em pesquisas que mostram a deputada melhor posicionada do que o senador.

Denúncias sexuais e escândalo da venda de sentenças abalam cúpula do STJ

É preciso combater permanentemente a violência contra a mulher

Basta de violência contra a mulher – Quimicos Unificados

A conscientização está caminhando muito vagarosamente

Vicente Limongi Netto

A jornalista Ana Dubeux não descansa. Em sua coluna no Correio Braziliense ela combate e denuncia homens covardes, repulsivos e ordinários que insistem em diminuir e humilhar mulheres. Dubeux discorda da inacreditável decisão da Justiça mineira, que absolveu um homem (homem? Vá lá) de 35 anos da acusação de estupro de uma criança de 12 anos, alegando que eles formam um casal e constituem família.

Ana Dubeux enfatiza sua indignação: “Não podemos achar normal que homens de toga descumpram as leis usando subterfúgios de exceção para justificar o injustificável”. Nessa linha, enfatizo em poema que “a mulher é a chama infinita do amor/o sopro que fascina/é a luz eterna/é o fogo banhando o céu/o sorriso que comove/é o cultivo da ternura”;

O FUTURO – Com o apoio da Secretaria de Educação, o Senac do Distrito Federal formou 1,5 mil estudantes no Programa Técnico no Ensino Médio. Esse tipo de iniciativa é que funciona no sentido de garantir um futuro melhor a este país.

Aliás, o futuro não perdoa e nos reserva um desafio de bom gosto. Na Copa do Mundo o torcedor poderá escolher entre o cansativo Galvão Bueno, no SBT, e o craque Ronaldinho Gaúcho, na TV-Globo, como embaixador brasileiro da competição. O bom gosto, a simplicidade, a alegria e a competência falarão mais alto, é claro. 

Julgamento do caso Marielle Franco é visto no STF como chance de aliviar a crise

Julgamento começa nesta terça-feira (24) pela 1ª Turma

Valdo Cruz
G1

O julgamento do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes é visto por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma oportunidade para colocar a Corte num tema que tem apoio popular e aliviar o clima de crise dentro do tribunal.

O julgamento começa nesta terça-feira (24) pela Primeira Turma e vai concentrar as atenções do país no tribunal, dividido internamente por causa do inquérito do Banco Master.

CRISE – Os ministros acreditavam que o Carnaval poderia amenizar o clima dentro do STF, mas a crise só fez piorar. Não adiantou a retirada da relatoria do Master de Dias Toffoli e sua transferência para André Mendonça.

A ação contra servidores da Receita Federal acusados de vazarem dados de ministros e parentes esquentou a temperatura novamente. Ficou ainda pior quando um líder sindical foi convocado a depor na condição de investigado depois de dar entrevistas e fazer críticas ao Supremo.

CRÍTICAS – O presidente da Unafisco, Kleber Cabral, fez críticas ao Supremo pela decisão de adotar medidas cautelares contra servidores numa fase preliminar de investigação, revelando seus nomes. Também em busca de superar a crise criada pelas medidas consideradas exóticas adotadas pelo ex-relator do caso Master, Dias Toffoli, o presidente do STF, Edson Fachin, arquivou pedido de suspeição do ministro.

Toffoli acabou sendo forçado a deixar a relatoria do caso depois que a Polícia Federal (PF) encaminhou relatório mostrando contatos do ministro com o banqueiro dono do Master, Daniel Vorcaro, o que podia se configurar conflito de interesses.

O STF também decidiu não investigar o vazamento e a suspeita de gravação das reuniões que levaram ao afastamento de Toffoli e à decisão de que não cabia a declaração de impedimento ou suspeição do ministro do caso Master. Segundo ministros, uma investigação de uma suposta gravação das reuniões iria agravar o ambiente entre os magistrados, tornando a convivência muito complicada nos próximos meses.

Reeleição de Tarcísio unifica centro-direita em SP, mas expõe guerra por vice e Senado

Disputa religiosa entra na corrida ao governo do Rio e expõe racha entre Paes e Malafaia

A História da Pátria, na versão poética e étnica de Ascenso Ferreira

Ascenso fazia sucesso também no rádio

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, servidor público, radialista e poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), no poema “A História da Pátria”, ratifica seu amor pelas raízes da brasilidade no Nordeste.

HISTÓRIA DA PÁTRIA
Ascenso Ferreira

Plantando mandioca, plantando feijão,
colhendo café, borracha, cacau,
comendo pamonha, canjica, mingau,
rezando de tarde nossa Ave-Maria,
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
A gente vivia.

De festas no ano só quatro é que havia:
Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoão!
Mas tudo emendava num só carrilhão!
E a gente vadiava, dançava, comia…
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Todo santo dia!

O Rei, entretanto, não era da terra!
E gente pra Europa mandou-se estudar…
Gentinha idiota que trouxe a mania
de nos transformar
da noite pro dia…
A gente que tão
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Vivia!

(E foi um dia a nossa civilização tão fácil de criar!)
Passou-se a pensar,
passou-se a cantar,
passou-se a dançar,
passou-se a comer,
passou-se a vestir,
passou-se a viver,
passou-se a sentir,
tal como Paris
pensava,
cantava,
comia,
Sentia…

A gente que tão
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Vivia

Fachin arquiva pedido contra Dias Toffoli e mantém válidos atos no caso Banco Master

Declarações de Vorcaro podem abalar aliados no poder — se ele aceitar depor

Disputa pela herança do bolsonarismo expõe fissuras internas na direita

Eduardo criticou Michelle e Nikolas por falta de apoio a Flávio

Pedro do Coutto

O mais recente embate envolvendo Eduardo Bolsonaro, ainda nos Estados Unidos, contra Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira revela muito mais do que um desentendimento pontual: expõe a disputa silenciosa pela liderança do campo conservador no Brasil após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Ao acusar ambos de não apoiarem com a devida ênfase a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, Eduardo não apenas defende o irmão; ele sinaliza a tentativa de consolidar uma linha sucessória familiar dentro do bolsonarismo, algo que, na prática, enfrenta resistências internas cada vez mais visíveis.

A cobrança pública dirigida especialmente a Michelle carrega um simbolismo político relevante. A ex-primeira-dama construiu capital próprio junto ao eleitorado conservador, especialmente entre evangélicos e mulheres, e sua postura cautelosa — evitando declarar apoio explícito a qualquer candidatura — preserva uma autonomia estratégica que a mantém como potencial alternativa eleitoral. Essa ambiguidade, comum em lideranças que buscam manter viabilidade política, é interpretada pelo núcleo familiar como um possível risco à centralidade do projeto que pretende alçar Flávio ao posto de principal herdeiro político do bolsonarismo.

REAÇÃO – No caso de Nikolas Ferreira, a reação às críticas evidencia outro elemento importante: a nova direita digital não se submete automaticamente à lógica da sucessão familiar. Com forte presença nas redes sociais e influência direta sobre uma parcela expressiva do eleitorado jovem conservador, o deputado representa um tipo de liderança que dialoga com o bolsonarismo, mas não depende exclusivamente dele para sobreviver politicamente. Sua defesa pública de Michelle e a contestação às declarações de Eduardo indicam que o campo conservador começa a operar com múltiplos polos de poder.

O episódio, portanto, expõe uma fragilidade estrutural do bolsonarismo: a ausência de um comando unificado após o afastamento eleitoral de Jair Bolsonaro. Sem a figura do ex-presidente como candidato natural, abre-se uma disputa por legitimidade que envolve não apenas a família, mas também aliados e lideranças emergentes que buscam espaço próprio. Nesse cenário, a tentativa de consolidar Flávio como sucessor encontra obstáculos naturais em um ambiente político competitivo e em transformação.

REARRANJO – Mais do que um conflito pessoal, o atrito revela um rearranjo em curso na direita brasileira. A defesa enfática de Eduardo pela candidatura do irmão funciona como movimento de pressão interna para evitar a fragmentação do eleitorado conservador e preservar a lógica de continuidade familiar. Contudo, a reação de Michelle e Nikolas sugere que a hegemonia do clã Bolsonaro já não é absoluta e que novas lideranças pretendem participar da definição dos rumos do campo conservador.

A disputa pela sucessão do bolsonarismo, portanto, já começou — e dificilmente será resolvida apenas pelo peso do sobrenome. Como ocorre em ciclos políticos marcados por lideranças personalistas, a herança do capital eleitoral dependerá menos da genealogia e mais da capacidade de mobilização, articulação e aceitação popular. Nesse processo, os embates internos tendem a se intensificar, revelando que a direita brasileira vive, hoje, um momento decisivo de redefinição de comando e identidade política.

Flávio Bolsonaro ocupa a sala do pai e transforma a sede do PL em seu QG eleitoral

Crise entre Tarcísio e Kassab coloca PSD fora da chapa em São Paulo

Possibilidade de delação de Vorcaro cresce com o escândalo dos bacanais

Banco Master: CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro para 26 de  fevereiro

Delação premiada é a única alternativa para Daniel Vorcaro

Carlos Newton 

O pedido ao Tribunal de Contas da União para que mande a Polícia Federal investigar os bacanais organizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso, região paradisíaca do Sul da Bahia, muda inteiramente de feição o chamado caso do banco Master. Não se trata mais de uma simples maracutaia financeira, mas de um escândalo político da maior gravidade, envolvendo importantes figuras da República em ambientes de sexo, drogas e rock and roll.

Torna-se explícita a estratégica adotada pelo banqueiro, para se proteger da lei e da ordem. Ele se comportava com uma desenvoltura tamanha, que somente poderia haver duas explicações – ou estava com seu equilíbrio mental afetado ou tinha controle sobre importantes autoridades dos três Poderes, a ponto de se julgar totalmente impune.

MAIS VAZAMENTOS – Para desespero dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo, os vazamentos não cessam. Pelo contrário, aumentaram em profusão, devido à quebra da criptografia que blindava o principal celular de Vorcaro, e agora não há como sufocar o escândalo, ao contrário do que ocorreu no episódio anterior, a Lava Jato.

Naquela época, o então senador Romero Jucá, um dos líderes do chamado Quadrilhão do MDB, a mais forte e inatingível facção do crime organizado do país, ensinou como destruir a Lava Jato e “estancar essa sangria, por meio de um acordo com o Supremo, com tudo”…

Agora, não será possível repetir a exitosa estratégia, porque desta vez um dos principais envolvidos na corrupção é o próprio Supremo, cuja resposta corporativista tem sido blindar os denunciados Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ao invés de puni-los por enlamear a imagem da Suprema Corte. É evidente que isso não vai dar certo.

VÍDEOS REVELADORES – Durante o ano eleitoral, a atenção continuará concentrada nos escândalos do grupo Master. São devastadoras as notícias de que existem vídeos clandestinos que Vorcaro mandou gravar nos bacanais, para garantir o apoio dessas festivas autoridades que ele convidava.

Se realmente existem esses vídeos no celular que Vorcaro julgava ser “blindado” pela criptografia, logo saberemos quem são os amigos do banqueiro, que somente convidava políticos e autoridades de grande influência, para desfrutar do apoio deles no futuro.

O novo relator, ministro André Mendonça, que substituiu o trêfego Dias Toffoli, sabe que o caso Master é sua grande oportunidade de se tornar um jurista respeitado. Portanto, saberá usar a lei com seu devido rigor.

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P.S.
Diante dessa realidade altamente adversa, o banqueiro/estelionatário Daniel Vorcaro não tem saída e será obrigado a requerer uma delação premiada, que vai abalar as estruturas da República em pleno ano eleitoral. Por isso a pipoca vai substituir o feijão como principal alimento dos brasileiros. (C.N.)