Lula mira controle do Senado, critica poder dos parlamentares e amplia alianças

Caiado ataca a polarização, mas a anistia abre o risco de agravar a crise institucional

Pedro do Coutto

Ao se lançar como pré-candidato à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tentou ocupar um espaço cada vez mais raro no cenário político brasileiro: o de quem promete romper a lógica binária que domina o debate público desde 2018. Em seu discurso, apresentou-se como alternativa à disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, afirmando que é preciso “encerrar a polarização” entre lulismo e bolsonarismo.

A proposta, à primeira vista, dialoga com um sentimento real de fadiga do eleitorado. Pesquisas recentes de institutos como Quaest e Datafolha têm apontado que uma parcela significativa dos brasileiros demonstra cansaço com o confronto permanente e deseja uma agenda mais pragmática. No entanto, o próprio Caiado parece tropeçar na sua principal promessa ao anunciar que, caso eleito, pretende decretar anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

PARADOXO – A contradição é evidente. Ao mesmo tempo em que critica a radicalização política, o pré-candidato adota uma bandeira que está no centro das tensões institucionais do país. A anistia, além de juridicamente controversa, colide diretamente com decisões já consolidadas do Supremo Tribunal Federal, que vem julgando e condenando envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

Mais do que um gesto político, trata-se de um tema sensível para o Estado de Direito — e, portanto, pouco compatível com a ideia de pacificação. Na prática, a proposta tende a reacender, e não a dissipar, os conflitos. Isso porque qualquer tentativa de anular ou relativizar decisões judiciais definitivas inevitavelmente será interpretada como afronta institucional. A história recente do Brasil mostra que o embate entre Executivo e Judiciário tem alto potencial de instabilidade, algo que o próprio Caiado diz querer evitar.

APROXIMAÇÃO – Há, ainda, um componente estratégico nessa equação. Ao defender a anistia, Caiado parece buscar aproximação com parcelas do eleitorado conservador que orbitam o campo bolsonarista. É um movimento compreensível do ponto de vista eleitoral, mas arriscado do ponto de vista narrativo: ao tentar dialogar com esse público, ele pode acabar reforçando exatamente a polarização que afirma combater. Em outras palavras, ao estender a mão a um dos polos, enfraquece sua pretensão de equidistância.

Além disso, o debate sobre anistia não é apenas jurídico ou político — é também simbólico. Ele toca diretamente na percepção de justiça, responsabilidade e memória institucional. Países que enfrentaram rupturas democráticas costumam tratar esse tipo de questão com extremo cuidado, justamente para evitar a banalização de episódios que colocaram em risco a ordem constitucional. No caso brasileiro, ainda recente, a discussão ganha contornos ainda mais delicados.

ARTICULAÇÃO – Outro ponto que merece atenção é a viabilidade prática da proposta. A concessão de anistia ampla, nos moldes sugeridos, dependeria de articulação com o Congresso Nacional e enfrentaria forte resistência não apenas no Judiciário, mas também em setores relevantes da sociedade civil. Não se trata, portanto, de uma medida simples ou unilateral, como pode parecer no discurso de campanha.

No fundo, o movimento de Caiado expõe uma dificuldade recorrente na política brasileira contemporânea: a de construir uma alternativa fora da polarização sem, ao mesmo tempo, ser capturado por ela. O espaço existe, mas é estreito e exige coerência rigorosa entre discurso e prática.

Ao iniciar sua caminhada presidencial com essa proposta, o governador de Goiás sinaliza ambição e disposição de confronto — mas também revela um risco: o de que sua candidatura, em vez de inaugurar um novo caminho, acabe apenas reorganizando as tensões já existentes. Porque, no Brasil de hoje, romper a polarização não é apenas uma promessa. É, sobretudo, uma prova de consistência.

Aproximação de ACM Neto com Ronaldo Caiado acirra disputa com Flávio Bolsonaro

ACM Neto diz que tem relação histórica com Caiado

Luísa Marzullo
O Globo

Pré-candidato ao governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) sinalizou nesta terça-feira que vai apoiar a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD), mas afirmou que ainda vai ouvir o União Brasil. Ele atribuiu essa inclinação à relação de longa data entre os dois.

— Tenho uma relação histórica com Caiado, de mais de 25 anos de amizade, o que nos aproxima, o que torna muito difícil não estar com ele. A pré-candidatura dele até foi lançada em Salvador — disse ao GLOBO, ressaltando que vai respeitar o posicionamento de seus aliados assim como dos demais partidos da aliança.

APOIO – A sinalização ocorre após Caiado afirmar que pretende apoiar ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia. Na segunda-feira, ao lançar sua candidatura à Presidência, o governador de Goiás declarou que estará com o ex-prefeito no estado.

No União Brasil, não há definição sobre o apoio presidencial. De um lado, há um grupo que defende o alinhamento com Caiado. De outro, aliados que trabalham pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Há ainda uma terceira ala que prefere deixar os diretórios regionais livres para decidir. Caiado deixou o União Brasil neste ano rumo ao PSD com o objetivo de se cacifar na corrida pelo Planalto.

No grupo de ACM, também há dispersão. Parte dos aliados, como o ex-ministro João Roma, já sinalizou que estará com Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, interlocutores vislumbram um cenário de palanque duplo, em que ambos os candidatos passem pelo estado, em eventos da chapa. No entanto, ainda não há definição de como será este arranjo na prática.

STF chama Lavareda para se tratar, mas não existe analista que dê jeito…

Cientista político que trabalhou com Temer e FHC é citado em relatório do  Coaf - Época

Lavareda tentou atender, mas nem Freud poderia explicar

Eliane Cantanhêde
Estadão

Atingido em cheio pelo escândalo Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu consultar um psicanalista, ops!, o analista político e do humor popular Antonio Lavareda, que passou uma receita paliativa: os ministros precisam falar menos e a instituição tem de dialogar mais com a sociedade, especialmente com o centro, ou “os independentes”.

Segundo a coluna apurou, Lavareda defendeu que é perda de tempo tentar separar o STF, de um lado, de erros de ministros, do outro, para lulistas incondicionais, acuados e sem reação em casos assim desde mensalão e Lava Jato, ou para bolsonaristas, que são “antissistema” (logo, antiJudiciário) e usam a crise, eleitoralmente, contra Lula e o governo.

“INDEPENDENTES” – O foco da defensiva do STF tem de ser os “independentes”, não dogmáticos, que preservam alguma racionalidade e flutuam menos ao condenar ou aplaudir o que quer que seja. Mas, para isso, e para melhorar o “diálogo”, o STF precisa corresponder às expectativas, com pautas de grande apelo e aprovando mudanças de atitudes e regras, por exemplo, com um código de conduta a ser levado a sério.

Os últimos movimentos do STF resvalam nisso, como a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, defendida além da bolha bolsonarista, e a intervenção que Flávio Dino tentou fazer, e o plenário amenizou, contra os “penduricalhos” que fazem a festa e a fortuna de juízes e procuradores e se estende aos demais poderes, driblando o teto constitucional

O resultado, porém, foi decepcionante, cortando uma parte, mantendo outra e até recriando o velho “quinquênio” (extras por tempo de serviço).

APENAS REMENDO – A sociedade apoia o fim de mamatas, mas não é boba. Sabe o que é “fim” e o que é remendo para inglês ver. Se era para apagar o incêndio do Master no STF, virou gota d’água.

A reunião com Lavareda foi na presidência do STF, com Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Christiano Zanin.

Tão curioso como a presença de Moraes é a ausência de Dino, que mais dialoga com a sociedade, ao combater emendas, supersalários e penduricalhos e não ouviu Lavareda dizer que o estrago das ligações de ministros com Daniel Vorcaro, do Master, foi de bom tamanho, mas a imagem do Supremo já foi pior.

DIZ O RIVAL – Pode não ser o pior momento, mas, pela pesquisa do AtlasIntel, instituto rival do Ipespe de Antonio Lavareda, 47% consideram que o STF está “totalmente envolvido” com o Master, 60% não confiam e só 34% confiam na instituição.

Entre os atuais dez atuais ministros, apenas um, André Mendonça, novo relator do caso Master, consegue ter aprovação superior à desaprovação: 43% a 36%.

Está feia a coisa e não há remédio, propaganda, psicanalista e mandinga que deem jeito. A ferida está aberta.

Com Caiado, Kassab abre o baú de surpresas e mostra que a terceira via é viável

PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a 'terceira via'... #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Desde a eleição de 2018 já se sabia que a polarização entre Lula e Bolsonaro despertava muita insatisfação. Mesmo assim, acabou prevalecendo, devido às circunstâncias do momento. E o grande filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883/1955) já definiu que “o homem é o homem e suas circunstâncias”, pois tudo depende da época e do contexto em que se vive.

Assim, a polarização levou a política brasileira ladeira abaixo, apesar do inconveniente radicalismo de Bolsonaro e da alta rejeição ao PT desde o fracasso de Dilma Rousseff e seu impeachment, em função das pedaladas do irresponsável Guido Mantega.

IMPUNIDADE – Aliás, Mantega foi o ministro que ficou à frente da Fazenda por mais tempo (9 anos), mas escapou ileso e não sofreu a menor punição pelos crimes de responsabilidade cometidos ao maquiar as contas públicas, vejam como a impunidade é uma circunstância do Brasil.

Quanto ao primeiro turno da eleição de 2018, a facada desferida por Adélio Bispo influiu no resultado e Jair Bolsonaro (PSL) liderou com 46,03% dos votos válidos, seguido por Fernando Haddad (PT) com 29,28%, levando a disputa para o segundo turno.

No total, 13 presidenciáveis concorreram, mas a polarização falou mais alto e destruiu a terceira via. Entre os onze candidatos restantes, somente Ciro Gomes (PDT) obteve uma votação razoável, com 12,47%, enquanto o quarto colocado, Geraldo Alckmin (PSDB) não passava de 4,76%.

DESCONTAMENTO – O fato é que realmente a polarização desperta desagrado desde 2018, pois no segundo turno a abstenção surpreendeu, atingindo 21,30% dos eleitores, enquanto os votos nulos foram 7,43% e os brancos, 2,14%. Ou seja, mais de 30% dos eleitores não aceitaram votar em Bolsonaro ou em Lula.

O desagrado com a polarização na verdade deve ser considerado ainda maior, porque muitos descontentes acabaram optando por Bolsonaro ou Haddad, pela circunstância de votar no menos pior, digamos assim.

Com a pandemia e o flagrante despreparo político-administrativo de Bolsonaro, que rivaliza com Lula neste quesito, em 2022 a insatisfação continuava latente, mas não teve força para derrotar a polarização, porque os candidatos da terceira via eram tão fracos que a senadora Simone Tebet (MDB) foi a terceira colocada, com apenas 4,16% dos votos válidos, à frente de Ciro Gomes (PDT), que teve escassos 3,04%.

OUTRA REALIDADE – Quatro anos se passaram e agora é outra realidade. Muitos políticos perceberam que a polarização está enfraquecida. Essa condição animou os governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) a se apresentarem como pré-candidatos, por entenderem que a terceira via tem chances.

Mas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também percebeu e usou a força crescente de seu partido para atrair Leite e Caiado para disputar a candidatura com Ratinho. Com isso deu um tranco enorme na política, o PSD ganhou visibilidade jamais imaginada e Caiado já mostra ser um candidato com possibilidade de vitória.

Nessas manobras, Kassab traiu Ratinho e Leite, por saber que ambos são independentes e jamais aceitariam ser conduzidos por ele. É claro que Caiado também não aceita, somente se filiou ao PSD no último dia 14, mas já vai fazer 77 anos, é sua última eleição e, se vencer, não perturbará Kassab de forma alguma, muito pelo contrário.

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P.S. –
Lula e Flávio Bolsonaro estão apavorados com a estratégia de Kassab, o senhor dos anéis, que sabe como o jogo deve ser jogado. O próximo lance é a escolha dos vices. No desespero, Lula se curvou diante de Geraldo Alckmin, sonhando em captar novamente os votos do centro. Quanto a Flávio Bolsonaro, está de bobeira e já deveria ter convidado a senadora Tereza Cristina, líder do PP. Por fim, circulam informações de que Caiado e Kassab vão convidar Romeu Zema, do Novo, para ser vice. Se tiver juízo, Zema deve aceitar. Por enquanto é só isso, mas já dá para sentir um cheiro de queimado lá pelos lados da polarização. (C.N.)

Piada do Ano!!! Moraes e sua mulher costumavam “alugar” jatos de Vorcaro

Caiu tudo: entenda o que derrubou o site da esposa do ministro Moraes

O casal Moraes parece já ter perdido a noção do ridículo

Lucas Marchesini e Mônica Bergamo
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos executivos de empresas do dono do Banco Master , Daniel Vorcaro , ou ligadas a ele, entre maio e outubro de 2025, indicam documentos obtidos pela Folha. E, para encontrar os voos, foram feitos cruzamentos de três bancos de dados.

O primeiro é da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e contém os nomes de todas as pessoas que foram registradas nas listas de embarque do terminal executivo do Aeroporto de Brasília. O segundo é o registro de todos os voos que decolam do mesmo local e é compilado pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), vinculado ao Comando da Aeronáutica. Por fim, a reportagem consultou os donos das aeronaves no Registro Aeronáutico Brasileiro, mantido pela Anac.

OITO VIAGENS – Os cruzamentos revelam que Moraes e Viviane foram registrados pela Anac como passageiros do hangar de jatos executivos de Brasília oito vezes.

Em sete delas, houve decolagens na sequência de aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio através do fundo Patrimonial Blue. Os aviões da empresa têm autorização para realizar táxi aéreo. A casa utilizada pelo banqueiro em Brasília também pertence à Prime.

A única exceção é um voo de 7 de agosto de 2025. Nessa ocasião, o avião que decolou foi um Falcon 2000 da Dassault prefixo PS-FSW. Ele pertence a uma empresa chamada FSW SPE, administrada pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e que foi preso na mesma operação.

NOS JATINHOS – O primeiro voo identificado pela Folha nos documentos ocorreu em 16 de maio de 2025, uma sexta-feira. Moraes e Viviane foram os únicos registrados pela Anac como passageiros no terminal executivo às 9h30. Só um avião decolou de Brasília até as 11h daquele dia: o de prefixo PR-SAD, da Prime Aviation, às 9h37, com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Em 22 de maio, uma quinta-feira, o nome de Moraes foi registrado como passageiro no hangar de jatos privados de Brasília, com entrada às 19h, segundo documentos da Anac. Às 19h33, uma aeronave operada pela Prime decolou para o aeroporto de Catarina, em São Paulo, que recebe exclusivamente aviões executivos.

Na semana seguinte, em 29 de maio, a Anac registrou o nome do ministro e de sua esposa na lista de passageiros do terminal executivo do Aeroporto de Brasília, às 19h30, com outros cinco passageiros. O único voo para São Paulo feito depois desse horário foi o de prefixo PT-PVH, também da Prime Aviation, segundo registros oficiais do Decea.

LISTA DE EMBARQUE – Em 9 de julho, o nome de Moraes aparece no registro de embarques da Anac das 22h. Além dele, no mesmo horário consta somente o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e um terceiro passageiro. Ambos decolaram em uma aeronave do governo para Goiânia às 22h25, segundo confirmado pela assessoria de imprensa do agora candidato a presidente. O voo seguinte, com Moraes, foi o da aeronave prefixo PP-NLR, da Prime Aviation, realizado às 22h34, para o Aeroporto de Catarina, em São Paulo.

Em 1º de agosto, uma sexta-feira, o casal e uma terceira pessoa foram os únicos registrados pela Anac na lista de passageiros do hangar, às 12h40. O avião prefixo PR-SAD, um Embraer 505 operado pela Prime, decolou quatro minutos depois rumo a Congonhas (SP), de acordo com o Decea.

NO AVIÃO DE ZETTEL – Os nomes de Moraes e Viviane aparecem de novo nos registros da Anac às 19h de 7 de agosto, uma quinta-feira. O único voo para São Paulo na próxima hora foi o PS-FSW, às 19h16. O Falcon 2000 está registrado em nome da empresa SPE FSW, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre os sócios.

Às 19h30 de 20 de agosto, uma quarta-feira, o casal foi colocado pela Anac na lista de passageiros do hangar. Alexandre e Viviane foram os únicos registrados no horário. O avião PT-PVH, operado pela Prime Aviation, decolou na sequência para Congonhas.

De acordo ainda com o que indicam os documentos, Moraes e Viviane foram registrados como passageiros do hangar pela Anac também no dia 16 de outubro, uma quinta-feira. A aeronave PP-BIO, operada por uma empresa de Vorcaro, decolou às 19h26 para o aeroporto de Catarina.

ALEGA O MINISTRO – Em nota, o gabinete do ministro disse que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”. “O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, acrescentou.

Já o escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”.

E alega que “em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”.

SEM VÍNCULO PESSOAL– Afirma ainda que “a contratação desses serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”. E diz que nenhum dos advogados do escritório conhece Zettel.

A Prime disse que por questões de confidencialidade dos contratos e da Lei Geral de Proteção de Dados ela não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio “sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo”.

A defesa de Daniel Vorcaro disse que não se pronunciará. O advogado de Fabiano Zettel não respondeu à mensagem enviada às 14h50 do dia 27 de março.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma Piada do Ano do criativo casal Moraes. Em tradução simultânea, pode-se dizer que a dra. Viviane e seu amado esposo, que tinham aquele modesto contrato de R$ 129,6 milhões com o banco Master, costumavam “alugar” jatinhos pertencentes a Daniel Vorcaro e seu cunhado Fazenda Zettel, para circular pelo Brasil. A piada é mesmo excelente e está decolando em velocidade supersônica. Como dizia Ibrahim Sued, pé no jato!!! (C.N.)

Flávio Bolsonaro tenta se moderar para atrair o Centrão, mas o discurso segue radical

Flávio não é um candidato de direita moderada

Diogo Schelp
Estadão

Os marqueteiros do PL terão muito treinamento a fazer com o senador Flávio Bolsonaro após o seu discurso no fórum da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), que reuniu a direita trumpista no último sábado, 28, em Grapevine, no Texas.

Inquieto, o pré-candidato à Presidência balançava o corpo incessantemente para a esquerda e para a direita, e da direita para a esquerda, enquanto lia o discurso no teleprompter.

INSEGURANÇA – Especialistas em oratória diriam que esse comportamento transmite nervosismo e insegurança, além de desviar a atenção do público. Flávio talvez se sinta desconfortável em discursar em inglês. Mas a inquietude do senador e a dificuldade de manter os dois pés firmemente plantados no chão, com o peso do corpo bem distribuído entre eles, também podem ser uma metáfora para os dilemas que se impõem a ele na tentativa de construir a imagem de um político moderado.

Com a perspectiva de uma disputa eleitoral equilibrada, Flávio precisa conquistar o voto dos independentes, aqueles que não se consideram nem petistas, nem bolsonaristas, para vencer. Segundo pesquisa Genial/Quaest de início de março, porém, mais da metade dessa fatia do eleitorado considera o filho “01″ tão radical quanto o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até agora, o que se viu de moderação na postura de Flávio está mais na forma do que no conteúdo.

Ele fala de um jeito mais manso e menos agressivo do que Jair. Não é tão comum ouvir dele comentários ultrajantes ou ofensivos como os que o ex-presidente costuma (ou costumava) disparar, inclusive quando na Presidência, sobre jornalistas mulheres, gays, vítimas da covid-19 e adversários políticos. Em algumas dessas ocasiões, Flávio apareceu para defender, contextualizar ou minimizar as declarações do pai, geralmente com a ideia de “traduzir” para uma linguagem mais moderada o que Jair, de fato, queria dizer.

BOLSONARISTA ATÉ A MEDULA – Mas o conteúdo, ou seja, as ideias que Flávio sempre defendeu e segue defendendo, pelo menos até agora, não são capazes de transformá-lo em um pré-candidato de direita moderada. Ele é bolsonarista até a medula, e não só no sobrenome. O discurso na CPAC é uma prova disso. Flávio afirmou que o pai está preso por se opor ao sistema e que as mesmas pessoas que o condenaram à cadeia tiraram Lula da carceragem e o colocaram de volta na Presidência (mas o senador omitiu que, entre uma coisa e outra, houve uma eleição incontestável que deu vitória a Lula contra um Bolsonaro com alto índice de rejeição).

Ao elencar o que ele considera serem os grandes feitos do seu pai, Flávio afirmou que ele lutou contra a “tirania da covid”, contra os interesses da “elite global”, contra a “agenda ambiental radical” e contra a pauta woke. Ou seja, focou nas guerras culturais que estabelecem um fosso entre as duas principais forças políticas do País, mas não disse uma única palavra sobre a defesa de uma política econômica liberal.

O substituto de Jair Bolsonaro na disputa presidencial também deu asas à teoria conspiratória de que o “Estado profundo” do ex-presidente americano Joe Biden, adversário de Donald Trump, interferiu nas eleições brasileiras para levar o “socialista” Lula de volta ao poder. E pediu que os americanos monitorem as eleições deste ano, dando a entender que, se não vier a ser declarado vencedor, é porque os votos não foram contados corretamente.

VALORES CONSERVADORES – O discurso na CPAC serviu para relembrar o fato de que Flávio Bolsonaro não pertence à direita moderada – que, entre outras coisas, se caracteriza por defender os valores conservadores de forma negociada, com respeito ao pluralismo existente na sociedade, e por colocar a agenda econômica liberal e o compromisso com o jogo democrático em primeiro plano.

A retórica antissistema, conspiracionista e de culto personalista a um líder carismático, como se viu no discurso de Flávio, não é um traço da direita tradicional e moderada. Tampouco o é a estratégia de lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro, que em 2022 evoluiu para uma tentativa fracassada de golpe de Estado.

Os marqueteiros provavelmente vão treinar Flávio Bolsonaro em oratória e postura de palco, para não mais balançar de um lado para o outro enquanto discursa. Mas transformá-lo em um moderado, no “Flávio paz e amor”, vai ser uma tarefa bem mais desafiadora. O conteúdo contradiz a forma.

Haddad mira o agro para vice e tenta romper resistência do interior paulista

Disputa por vaga no TCU divide Centrão e reacende debate sobre emendas

Sem alternativa, agora Lula tem de apostar na polarização para se fortalecer

Planalto avisa que, após 4 meses, Lula envia ao Senado a indicação de Messias

Foto de arquivo: o advogado-geral da União, Jorge Messias, faz pronunciamento à imprensa em Brasília em 01/07/2025 — Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Messias tem currículo fraco, mas tem muta força no PT

Victoria Azevedo
O Globo

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou nesta terça-feira (31) ao Congresso Nacional o nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o Palácio do Planalto. A oficialização ocorre quatro meses depois de o presidente anunciar o nome do ministro.

Lula anunciou a seus auxiliares que enviaria o nome do chefe da AGU durante reunião ministerial nesta terça-feira. De acordo com relatos de dois participantes, o presidente desejou êxito a Messias e cobrou empenho do ministro nessa nova etapa junto aos senadores.

APROVAÇÃO – O chefe do Executivo também pediu que os ministros trabalhem junto a seus aliados no Senado para garantir a aprovação do nome de Messias.

O petista anunciou o nome de Messias para a vaga na Corte aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em 20 de novembro, contrariando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e a cúpula da Casa, que apostavam no nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

De lá para cá, houve um distanciamento de Alcolumbre com o Palácio do Planalto, embora o senador tivesse sido um dos principais pontos de governabilidade do Executivo no Congresso neste Lula 3.

ALARME FALSO – O presidente do Senado chegou a marcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em 10 de dezembro, prazo considerado apertado para governistas.

Diante dessa resistência e de um cenário desfavorável para o chefe da AGU, o Planalto segurou o envio da mensagem presidencial formal como estratégia para ganhar tempo. Agora, com o envio da mensagem, é esperado que o rito regimental seja destravado.

Ainda não há clareza, no entanto, de quando essa sabatina será marcada. Alcolumbre já havia indicado a integrantes do governo que deixaria esse processo para acontecer somente após as eleições, em outubro.

ESVAZIAMENTO – Um aliado do presidente do Senado, no entanto, diz que há um movimento para tentar convencer o parlamentar do contrário, já que o Congresso deverá ficar esvaziado a partir de junho por causa do processo eleitoral.

Na semana passada, Lula recebeu no Palácio do Planalto um grupo de parlamentares e ministros do MDB para conversar sobre o cenário político.

De acordo com relatos de um participante, houve um apelo ao presidente para que houvesse um movimento de distensionamento com Alcolumbre para viabilizar a a sabatina de Messias, diante da preocupação de o STF ficar com um ministro a menos em meio ao avanço das investigações do caso Banco Master. Alcolumbre foi informado do encontro.

RETOMAR DIÁLOGO – De acordo com aliados de Messias, a expectativa é que, com o envio da documentação ao Senado, o ministro retome o contato com senadores, algo que foi interrompido no fim do ano passado com o recesso parlamentar.

Pelos cálculos de seus apoiadores, ele já conversou com 75 dos 81 senadores desde que seu nome foi anunciado pelo petista. Parlamentares da base dizem acreditar que, apesar de resistências pontuais, o nome de Messias é viável e deve avançar no Senado, desde que o governo atue para garantir um ambiente político favorável à sabatina e à votação em plenário. A leitura predominante é que Lula busca evitar novos ruídos e assegurar uma aprovação sem sobressaltos.

Aliados de Alcolumbre, no entanto, dizem que ainda não há garantias. Eles afirmam que há uma insatisfação da cúpula da Casa com a atuação da Polícia Federal e dizem enxergar influência do Planalto e de Lula no avanço de investigações que miram parlamentares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Messias não é nenhuma Brastemp, sem notório saber e sem reputação ilibada, pois é um militante petista, desde sempre ligado ao partido. Mesmo assim, é provável que seja aprovado, se o Planalto atender a alguns pedidos de Alcolumbre, que não costuma bater prego sem estopa. (C.N.)

Edinho Silva reconhece isolamento e diz que MDB estará fora da aliança de Lula

Um poema muito romântico, mas com desejos de amor platônico

Vetores de Um Desenho De Linha De Homem E Mulher Olhando Um Para O Outro e  mais imagens de Adulto - iStock

Ilustração de Taylan Ozgur (Arquivo Google)

Paulo Peres
Poemas e Canções

A poeta e compositora Márcia Figueiredo Barroso criou um poema romântico ao extremo, “Amantes”, em que estabelece as bases de uma convivência para que possam se suportar e viver juntos, num cotidiano aceitável, uma meta a ser seguida para manter um verdadeiro amor.

AMANTES
Márcia Barroso

Não te quero todo,
Nem te quero meio
Quero-te inteiro!
E inteira quero estar
Ainda que para isso
Tenhamos que juntar
Todos os cacos
Perdidos nas viagens,
Mas que, certamente,
Podemos remontar

Não quero a culpa
Como nossa companheira
Nem seu eterno amor
De mim prisioneiro
Ao contrário,
Quero a liberdade do voo
E a cumplicidade
Do simples desejo de voltar

Não quero promessas sem sentido,
Nem juras mal proferidas
Quero mesmo é ser feliz
Até nas despedidas
Para, assim, testar a saudade
Sem pressa, nem ansiedade,

Afinal se o amor é verdadeiro
Estaremos juntos,
Ainda que distantes
E seremos amantes,
Mesmo que seja
Em sonho, ou bruma,
E viveremos nosso idílio,
Nem que seja
Num só instante!

No desespero, Lula foi levado a manter Alckmin outra vez como vice na chapa

Lula confirma Alckmin como vice na chapa para disputar reeleição em 2026

Para tentar reduzir a rejeição, Lula apela para Alckmin

Mariana Brasil e Isadora Albernaz
Folha

O presidente Lula (PT) confirmou nesta terça-feira (31) Geraldo Alckmin (PSB) como seu vice na chapa para a disputa eleitoral deste ano. “O companheiro Alckmin vai ter que deixar o Mdic [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços] porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez”, declarou.

Aliados de Lula já afirmavam que a tendência seria repetir a parceria com Alckmin, uma vez que os resultados obtidos pelo vice no terceiro mandato agradaram ao presidente.

MDB FICA FORA – A equipe do petista chegou a cogitar que o posto de vice fosse ocupado por algum nome do MDB, em gesto à sigla, o que acabou descartado.

Pessoas próximas a Lula, como o ministro Camilo Santana (Educação), chegaram a afirmar publicamente que o partido seria a saída “mais viável” para a vice, com menção a nomes como o do ministro Renan Filho (Transportes) e o governador do Pará, Helder Barbalho.

Tentativas de aproximação também foram feitas por parte do presidente do PT, Edinho Silva, mas o próprio partido apontou resistências a se aliar a Lula — mais da metade dos diretórios estaduais do MDB assinaram manifesto a favor da neutralidade do partido nas eleições presidenciais.

SÓ NOS ESTADOS – O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, afirmou recentemente que essa aliança de seu partido com o PT se daria apenas nos estados, o que deve se manter, de acordo com a situação política de cada um.

A confirmação de Alckmin foi anunciada durante encontro de Lula com sua equipe para reafirmar a estratégia da necessidade de defesa das ações do governo.

A orientação é endereçada especialmente aos 16 ministros que deixarão os cargos para concorrer às eleições de outubro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula está no desespero por vários motivos, principalmente em função da pesquisa revelando que a rejeição a seu nome é maior do que a rejeição a seu governo, um dado negativo que realmente balança qualquer político. Ficou desapontadíssimo com o desprezo do MDB, que não acredita em sua vitória e vai esperar o resultado do primeiro turno para decidir se volta a apoiar Lula ou dá preferência ao adversário dele, que deve ser Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado, se não houver novidades no front ocidental… De toda maneira, a indicação de Alckmin é importantíssima, e vamos analisá-la com maior profundidade em nosso próximo artigo, nesta quarta-feira. (C.N.)

Andrei Rodrigues, da PF, denuncia ataques “covardes” em meio a investigações sensíveis

Só falta Caiado convidar Bolsonaro para subirem juntos a rampa do Planalto…

Ronaldo Caiado será lançado pré-candidato ao Planalto por Kassab

Caiado parece conhecer o chamado caminho das pedras

Vicente Limongi Netto

Médico, alto, jovial, voz forte, Ronaldo Caiado se transforma em super-homem tentando se espelhar no também médico, o eterno Juscelino Kubitschek.  Enche os pulmões de patriotismo e creme de pequi, e declara que sua primeira providência como presidente da República será decretar anistia geral, ampla e irrestrita.

Todos os monumentos e bustos de Brasília serão homenageados com beijos de batom.  Estará, assim, desmoralizada a mais famosa decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente o relator cruel e sanguinário. ministro Alexandre de Moraes.

SUBINDO A RAMPA – É possível que, eleito chefe da nação, Ronaldo Caiado vá pessoalmente convidar o ex-presidente Bolsonaro, seja na Papudinha ou na mansão do condomínio/ para subirem juntos a rampa do Palácio do Planalto. O gesto de grandeza de Caiado ecoará por todo o Brasil. Será difícil segurar as lágrimas. 

Mesmo Bolsonaro adoentado, merecendo severos cuidados médicos, Caiado mandará que escolha o país que quiser, para ser embaixador.  Bolsonaro sempre gostou de se meter em confusão. Seus filhos e Valdemar Costa Neto apostam que decidirá pelo Irã, Líbano, Ucrânia ou Coréia do Norte.

Como é monoglota o mito de barro levará embaixo do braço o filho falastrão, Eduardo, para ser interprete. Sem ônus para o contribuinte. 

RODINHA ENFADONHA – Na bolorenta Globonews, Valdo Cruz chuta: “Merval tem preferência, sempre”. Deus do céu. Rodinha enfadonha de compadres e comadres. Merval exibindo o ar sinistro de como gaguejar ao vivo. O O Jornalismo brasileiro vive destes formidáveis analistas. Falam pelos cotovelos. Procuram fazer ar de inteligentes. 

O assinante é lesado com boas informações e outras tantas medíocres, geralmente chupadas de impressos. O descaramento é de fazer corar santo de altar de igreja.  

BONS VENTOS – Vice- presidente e ministro Geraldo Alkmin presidiu hoje a primeira reunião do Conselho da Suframa deste ano, agora com novo superintendente, o qualificado servidor de carreira da autarquia, desde 2016, Leopoldo Augusto Melo Montenegro.

Bons ventos de vitórias e conquistas, mais empregos e novas fábricas para o Amazonas e para a Suframa, tendo à frente o engenheiro de produção, na relevante função, Leopoldo Montenegro, que também tem especialidade em gestão de pessoal e de projetos, além de graduação em Direito e Administração.

Donald Trump e a política como exercício de um poder meramente pessoal

Trump acredita ser o “rei” do mundo, sem limites

Pedro do Coutto

A analogia proposta por Demétrio Magnoli, em sua coluna no O Globo, ao associar Donald Trump à figura de um “chefe mafioso”, não pretende ser literal, mas sim oferecer uma lente interpretativa para compreender um fenômeno político mais amplo: a transformação do poder institucional em poder pessoal. Trata-se de uma leitura que dialoga com análises contemporâneas sobre lideranças que operam menos por regras e mais por relações de lealdade, influência direta e enfrentamento sistemático das estruturas tradicionais.

Nesse modelo, o centro da política deixa de ser o conjunto de instituições — Congresso, Judiciário, imprensa — e passa a gravitar em torno da figura do líder. A lógica não é mais a da mediação, mas a da imposição. A força política se mede não pela capacidade de construir consensos, mas pela habilidade de mobilizar seguidores, pressionar adversários e reconfigurar o ambiente institucional em benefício próprio.

PADRÃO COMPORTAMENTAL – É justamente aí que a metáfora ganha sentido: não como acusação criminal, mas como descrição de um padrão de comportamento em que a fidelidade pessoal se sobrepõe às normas impessoais.

Ao longo dos últimos anos, esse tipo de liderança encontrou terreno fértil em sociedades marcadas por desconfiança nas elites, fadiga institucional e polarização intensa. Trump soube explorar esse ambiente com precisão, apresentando-se como alguém capaz de romper com o “sistema” — ainda que, na prática, sua atuação revele uma tentativa de reorganizá-lo sob sua própria lógica.

O discurso antissistema, nesse contexto, funciona como ferramenta de mobilização, enquanto o exercício do poder tende a concentrar decisões e enfraquecer mecanismos de controle. Um dos aspectos mais sensíveis dessa dinâmica é a substituição gradual da legalidade pela lealdade.

RELATIVIZAÇÃO – Em democracias liberais, o funcionamento do Estado depende de regras claras, previsibilidade e limites institucionais. Quando esses elementos são relativizados, abre-se espaço para uma política mais volátil, em que decisões passam a depender da vontade do líder e de sua relação com aliados e opositores. Não se trata apenas de estilo, mas de estrutura: a forma como o poder é exercido começa a alterar o próprio funcionamento do sistema.

Esse processo não ocorre de maneira abrupta, mas sim por meio de tensões constantes. Questionamentos a decisões judiciais, ataques à imprensa, dúvidas lançadas sobre processos eleitorais — todos esses elementos contribuem para desgastar a confiança nas instituições e reforçar a centralidade do líder como única referência legítima. O resultado é um ambiente em que o debate público se empobrece e a política se torna cada vez mais personalizada e menos institucional.

CONCENTRAÇÃO DE PODER – O caso de Trump, portanto, ultrapassa a figura individual e se insere em um movimento mais amplo, observado em diferentes partes do mundo, no qual lideranças fortes emergem prometendo eficiência e ruptura, mas frequentemente entregam concentração de poder e instabilidade institucional. A metáfora utilizada por Magnoli, nesse sentido, cumpre um papel importante: o de provocar reflexão sobre os limites entre liderança forte e erosão democrática.

O que está em jogo não é apenas o estilo de um governante, mas a resiliência das instituições diante de pressões que buscam redefinir seu papel. Democracias não são sistemas automáticos; dependem de equilíbrio, respeito às regras e disposição para o dissenso. Quando esses elementos são substituídos por relações de força e lealdade pessoal, o risco não é apenas político — é estrutural.

Moraes cobra esclarecimentos imediatos de Bolsonaro sobre declarações do filho Eduardo

Sem noção, Eduardo fez um vídeo para mostrar ao pai

Sarah Teófilo
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro preste esclarecimentos, no prazo de 24 horas, sobre um possível descumprimento das medidas cautelares impostas durante a prisão domiciliar concedida ao ex-mandatário.

A decisão foi tomada após a divulgação, nas redes sociais, de um vídeo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, gravado durante participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Na gravação, Eduardo afirma que estava fazendo o vídeo para mostrar ao pai.

VÍDEO – “Vocês sabem por que estou fazendo esse vídeo? Porque estou mostrando para o meu pai e vou provar para todos no Brasil que você não pode barrar prendendo injustamente o líder desse movimento, Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

A manifestação ocorreu em meio às restrições impostas pela decisão de Moraes, que autorizou a prisão domiciliar temporária por 90 dias, após a alta hospitalar, para recuperação de um quadro de broncopneumonia. O ministro determinou que Bolsonaro não pode usar celular, telefone ou qualquer meio de comunicação externa. Ele também está proibido de usar as redes sociais. O ministro determinou, então, que os advogados do ex-presidente expliquem a publicação de Eduardo.

REAVALIAÇÃO – Na decisão que autorizou a prisão domiciliar de Bolsonaro, Moraes estabeleceu que, ao fim desse período de 90 dias, a situação será reavaliada, inclusive com possibilidade de nova perícia médica, para verificar a necessidade de manutenção da medida. A domiciliar deverá ser cumprida na residência do ex-presidente, com imposição de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

O ministro apontou que, devido à idade de Bolsonaro, ao histórico médico e ao quadro de saúde apresentado por ele, o ambiente domiciliar é mais adequado neste momento para sua recuperação. Segundo Moraes, o boletim médico confirmou o diagnóstico de broncopneumonia aspirativa, com base em exame de imagem, indicando que Bolsonaro está em estado geral estável, mas ainda necessita de tratamento com antibióticos e monitoramento clínico por até duas semanas, a depender da evolução.

Oposição reage ao STF e articula contra-ataque para blindar o poder das CPIs

“Collor venceu Lula em 1989 e agora será a vez de Caiado”, afirma Kassab

ronaldocaiado, seja oficialmente muito bem-vindo ao PSD. Sua enorme  experiência na política, e sua gestão como governador, entre as mais bem  avaliadas do Brasil, reforçam nosso compromisso de termos no PSD os

Caiado promete anistiar os golpistas logo no primeiro dia

Carlos Newton

Eufórico durante o evento para lançar a pré-candidatura do governador goiano Ronaldo Caiado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, comentava com membros da Comissão Executiva que o partido tem muita chance de vencer essa eleição. Seu argumento é de que, se em 1989 o então governador alagoano Fernando Collor conseguiu derrotar Lula, sendo candidato por um pequeno partido, o PRN, que nem existe mais, agora será a vez de Caiado, que muito mais conhecido e tem apoio de um dos maiores partidos do país.

Kassab, que se considera dono do PSD e atua como se fosse um senhor dos anéis, despreza a legislação eleitoral e indica candidato a Presidência sem promover prévias nem convocar convenção nacional.  

FALSA COMISSÃO – Desta vez, simplesmente formou uma comissão, integrada por ele, Guilherme Afif Domingos, Jorge Bornhausen e Andrea Matarazzo, e liquidou a fatura, embora houvesse outros dois pré-candidatos muito fortes – os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que se tornaram dois perdidos numa política suja, sem saber o que fazer da vida, como diria o dramaturgo e ator Plínio Marcos.

O lançamento de Caiado, que ia disputar de qualquer jeito e somente se filiou ao PSD no dia 14, depois que Kassab lhe garantiu a candidatura, balançou o coreto de outros candidatos, porque é um político experiente e vai tirar votos de todos eles.

Sabe-se que o petista Lula tem, no máximo, 33% dos votos, o que é suficiente para chegar ao segundo turno. Mas depende de quem for o rival, para vencer a eleição. Os adversários mais fortes são Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, que correm na mesma faixa.

CAIADO SURPRENDEU – Logo em seu primeiro discurso, Caiado surpreendeu, ao apresentar um programa e governo consistente e viável, mostrando que não está para brincadeiras.

Sua principal bandeira visa a atrair o voto de bolsonaristas, ao afirmar que seu primeiro ato como presidente seria a concessão de uma anistia, buscando, segundo ele, a pacificação do país.

Na área econômica, defendeu a exploração e processamento de minerais críticos, como as terras raras pesadas. Caiado citou o modelo implementado em Goiás como referência para o país deixar de ser apenas exportador de matéria-prima.

Propôs parcerias com os governos dos Estados Unidos e Japão para promover a indústria de separação desses minerais, essenciais para a fabricação de baterias, imãs e equipamentos de alta tecnologia. E disse mais, muito mais, mostrando que tem bala na agulha também contra a criminalidade.

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P.S. –
Já ia esquecendo. Ao ser aceito por um partido grande, Caiado consolida o apoio do agronegócio, que vai encher de dinheiro sua campanha, deixando Kassab quase desfalecido de tanta felicidade. Como senhor dos anéis e dono do PSD, ele tem a chave do cofre do partido e não empresta para ninguém. (C.N.)