
Tirinha do Alexandre Beck (tiras armandinho)
William Waack
Estadão
Duas adversidades que na verdade são uma só se escancararam para o governo. É a óbvia ligação entre números ruins de educação básica e os de uma economia incapaz de dar um salto vigoroso de crescimento, tais como revelados pelo PISA e pelo IBGE.
Da maneira como o governo entender a raiz desses problemas depende a sua maior ou menor capacidade de ajudar a resolvê-los, e do que pode ser feito a curto prazo (entendido como tempo até a próxima eleição). A profundidade do fenômeno sugere, porém, que não há saída imediata.
DISPARIDADES – Em educação, assinala Claudia Costin, há avanços (ensino integral, por exemplo) mas o governo não está comprando as brigas que deveria com o corporativismo e não consegue alterar o fato de que o Brasil gasta proporcionalmente muito mais com o ensino superior do que com o básico – que foi a chave do sucesso de várias economias, emergentes e do mundo rico. E não está enfrentando o formidável obstáculo imediato da formação de professores.
A economia brasileira, embora com inflação mais baixa e desemprego também, na definição do economista Otaviano Canuto, padece há décadas de produtividade anêmica e sob um estado balofo. E com taxas baixas e decrescentes de investimento, sugerindo um encurtamento ainda maior do PIB potencial.
No passado recente governos petistas lidaram com esse quadro geral e as adversidades de percurso (como a crise financeira de 2008) com expansão de crédito, gastos públicos, subsídios, protecionismo e a fé em que consumo das famílias faria rodar a economia. Uma parte relevante do pensamento acadêmico considera que essa visão é a responsável pelo desastre sob Dilma.
ACELERAR MAIS??? – Parte do governo Lula defende que faltou pisar mais no acelerador de gastos e investimentos para impulsionar crescimento. Mas uma parte relevante do atual governo tem compreensão totalmente oposta: o que faltou foi pisar mais no acelerador do crédito, gasto e consumo, e dos programas estatais de aceleração do crescimento.
Esse entendimento está explícito na maneira como o presidente Lula descreve suas principais dificuldades e onde está seu empenho para tocar a economia.
Ele entende as limitações imediatas trazidas pela questão fiscal como “sacanagem” dos mercados e de parlamentares empenhados em conseguir mais emendas.
CURTÍSSIMO PRAZO – Acaba mergulhado numa situação na qual o curtíssimo prazo de articulações políticas para assegurar mais arrecadação e sustentar a expansão de gastos públicos consome as energias e o foco do governo.
No plano geral o resultado é a falta de enfrentamento dos desafios de longo prazo – melhorar substancialmente educação e produtividade.
Desafios que não estão lá longe, no horizonte, esperando a hora de serem resolvidos. Estão condicionando o curto prazo.
Veja aqui como estamos pagando de impostos durante o ano de 2023:
https://impostometro.com.br/
Ainda há quem ache que a reforma tributária vá reduzir alguma coisa. Como se o governo fosse reduzir o que arrecada …
Sempre me espanta quando leio um artigo como este.
Só como exemplo: Quando optamos por ver nossos jovens pedalando nas entregas ou em motos ao invés de os ter com tocha Mig/Mag de soldagem; quando optamos por entregar nosso petróleo em troca de plataformas e equipamentos produzidos em outros países, esperamos o que???!!!
Países que não produzem uma gota de cacau, levam a fama dos melhores chocolates do mundo e só para dar um exemplo.
Estamos satisfeitíssimos em sermos produtores de commodities e ponto final.
Não vamos reclamar estarmos colhendo ervas daninhas quando não plantamos o trigo.
Para termos um bom futuro, temos que faze-lo agora. E não há investimento sem sacrifício.
O que era a Coreia do Sul ou a China, comparado com o Brasil na área de Construção Naval???!! E o que somos agora???!!!
Paremos de reclamar. Colhemos o que plantamos e se não plantarmos nada, colheremos as esmolas das outras nações.
PS: Temos agora uma oportunidade ímpar de investirmos em Agro florestas. Se a deixarmos passar, estaremos na mesma ladaínha daqui a trinta anos.
Correto caro Jose Pereira Filho, os caras vem sempre com esse papinho de que falta educação para aumentar a produtividade.
Parece que agora está voltando um percentual maior no conteúdo local e vamos ver se doravante, criamos empregos qualificados aqui, em vez de exportarmos os mesmos via encomendas de equipamentos, como os que citaste.
Alçados pela NOM tornam irrealizáveis, desafios de tidos rebeldes “petulantes”!