Justificativa de Bolsonaro sobre embaixada é ‘frágil’ e não convence

Argumentos apresentados pela defesa não se sustentam

Pedro do Coutto

Na resposta que encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes a respeito da estadia na embaixada da Hungria, em fevereiro, a defesa de Jair Bolsonaro negou que o ex-presidente pretendesse pedir asilo político.  Como justificativa, os advogados pontuaram que, apesar de não ter mais mandato, Bolsonaro continua com uma “agenda de compromissos políticos extremamente ativa”, o que inclui encontros com “lideranças estrangeiras alinhadas com o perfil conservador”.

Os argumentos foram apresentados ao ministro Alexandre de Moraes, que deu 48 horas para Bolsonaro se explicar sobre os dois dias em que ficou hospedado na representação estrangeira entre 14 e 16 de fevereiro. Os advogados do ex-presidente classificaram como “ilógica” a ideia de que Bolsonaro iria solicitar refúgio político da Hungria, governada pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado do ex-presidente.

MEDIDAS CAUTELARES –  “A própria imposição das recentes medidas cautelares tornava essa suposição altamente improvável e infundada”, afirmou a defesa, referindo-se às medidas cautelares ordenadas por Moraes em 8 de fevereiro, como a proibição de Bolsonaro se ausentar do país e a obrigação de entregar o passaporte.

A resposta teve uma caráter frágil, pois é evidente que não tratou-se de um encontro político simplesmente como foi alegado, pois não é realmente usual que um ex-presidente da República procure uma embaixada estrangeira se não estivesse preocupado com algum acontecimento, sobretudo pernoitando no local por dois dias. Não faz sentido e ficou flagrante a existência de um sentimento de ameaça por Bolsonaro diante da possibilidade de uma eventual prisão.

INVESTIGAÇÃO – A Polícia Federal abriu uma investigação para verificar se Bolsonaro estava procurando asilo político na embaixada. Caso confirmada a ação, o fato poderia ser configurado como uma tentativa de fuga. Os ministros do Supremo veem com cautela a possibilidade de eventual pedido de prisão preventiva do ex-presidente por eventual risco de fuga.

O Procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve se manifestar sobre o tema após a Páscoa, atendendo a um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que nesta quarta-feira deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre as alegações de Bolsonaro.

6 thoughts on “Justificativa de Bolsonaro sobre embaixada é ‘frágil’ e não convence

  1. Para muita gente “bem intencionada” o modo mais barato de dar a volta ao mundo é ir a Brasília e visitar todas as embaixadas lá existentes.

    Francamente …

  2. Por quê o STF não deu 48h para Lula explicar a razão de ter mentido quanto aos 261 móveis desaparecidos e torrar direito do contribuinte sem a devida licitação ? Comente a respeito.

    • É Sr. PC…Desceste ao inferno da mediocridade escrevendo essa bobagem …puxa vida…vendeste seu passado por quais razões?
      Puxa vida…Sr. PC…quecousa feia…ficar escrevendo e impingindo sofismas em cima de um cidadão com seus plenos direitos de ir e vir garantidos pela CARTA MAGNA DE 1988…Puxa…que espécie de jornalismo é esse que nestes dias macabros tu abracastes ?
      Que vergonha Sr. PC…que artigo perverso…que vergonha…para o teu passado.

      YAH NOSSO CRIADOR SEJA LOUVADO SEMPRE…

  3. Justificativas frágeis e fortes.
    A de Bolsonaro ir na embaixada magiar é frágil.
    Flávio Dino, o ministro que entra na Maré, complexo de favelas mais armado do Rio, com apenas dois carros e sem trocar tiros.
    Justificativa forte: Na visita, Flávio Dino também pode conhecer obras de artistas da Maré, como uma exposição de quadros sobre ações policiais na favela. As atividades da ONG têm apoio financeiro da Ford Foundation e Open Society Foundations, do filantropo George Soros. Nas redes sociais, alguns criticaram os financiamentos.
    Homer Simpson é o dono da força e da fraqueza, então ele as coloca em quem quiser e sem esse negócio de 24 ou 48 horas.

  4. Pedro do Couto está coberto de razão. Aliás, como sempre. É um craque da análise política e econômica.
    Até às pedras das ruas, sabem, que Bolsonaro se refugiou na Embaixada da Hungria, com medo de ser preso, em pleno carnaval.
    Quando soube, que apenas os auxiliares mais próximos tiveram a prisão decretada, saiu da embaixada na quarta-feira de cinzas. Dormiu dois dias lá, com o aval de Victor Orban o ditador atual da Hungria.
    Não seria mais ético, falar a verdade, que brota dos fatos, através das imagens obtidas pelo Jornal New York Times e colocadas a disposição do mundo.? Que fiasco, essa operação Tabajara do Mito!

    A luz do Direito, se refugiar numa embaixada não é crime. Ponto.
    Agora, tentar uma saída para evitar uma suposta prisão, enquanto os bois de piranha, os vândalos do oito de janeiro, vêm o sol nascer quadrado na Papuda, realmente não pegou nada bem.

    Por isso, o tem coronel Mauro Cid, fez o desabafo com um amigo da onça, que gravou e repassou para a Veja, que publicou o desabafo.
    Disse Cid: ” ninguém perdeu a patente de general, Bolsonaro fez branqueamento dos dentes e recebeu Pix de 17 milhões, está livre. Enquanto eu, perdi minha carreira no Exército e minha reputação foi para o espaço”.
    Cid foi jogado as feras, abandonado pelo chefe maior.
    É a vida, dando seus exemplos de trairagem explícita
    É preciso entender e tirar lições das tragédias humanas.

  5. Todo jornalista tem o direito de escrever o que quiser.
    Da mesma forma os leitores tem o direito de gostar ou não.
    Tanto Hitler quanto Fidel davam discursos de mais de quatro horas e tinha gente que ficava assistindo de pé no sol quente.

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