
Charge do Zappa (humortadela.com)
Carlos Newton
É claro que não existem santos aqui na Terra, embora ainda possamos encontrar pessoas tacitamente santificadas, como madre Teresa de Calcutá ou irmã Dulce. Aliás, é bom lembrar que o próprio Papa Francisco, um ser humano verdadeiramente extraordinário, também se confessava pecador.
Na Suprema Corte brasileira, por exemplo, não há santos de nenhuma espécie, devido ao forte espírito corporativista, que fez ministros como Carmén Lúcia e Luiz Fux votarem a favor de 17 anos e outras punições em multa para pessoas de bem, sem maus antecedentes, que apenas invadiram prédios públicos e maioria delas nem participou de depredações.
ALGUMAS EXCEÇÕES – Nesse erro judiciário brutal, que condenou 1,5 mil brasileiros por ”terrorismo” e por “formação de quadrilha armada”, apesar de nem se conhecerem e de jamais terem empunhado armas, apenas dois ministros votaram contra essas penas exageradas e desumanas – Nunes Marques e André Mendonça.
Não se pode dizer que sejam “santos”, mas estão num patamar de imparcialidade superior a outros ministros, sem a menor dúvida.
Nunes mentiu ao apresentar sua biografia, dizendo ter feito mestrado na Universidade Autônoma de Lisboa e doutorado e pós-graduação na Universidade de Salamanca, na Espanha, sem ter saído do Brasil. Foi aberta uma ação contra ele, com Rosa Weber como relatora, mas o corporativismo falou mais alto. André Mendonça, que é pastor da Igreja Evangélica também diz ter feito mestrado e doutorado em Salamanca, parece que está na moda…
SÓ PECADORES – O atual presidente, Édson Fachin também exibe um telhado de vidro, visto que fez mestrado e doutorado em São Paulo ao mesmo tempo que cumpria jornada de 40 horas como servidor público no Paraná. É o que está escrito em seu currículo no portal do STF. Foi ele quem inventou a “incompetência territorial absoluta” para soltar Lula em 2019. Em todos os demais países, a incompetência territorial é sempre relativa.
Flávio Dino estava se saindo bem no Supremo, mas votou pela blindagem das autoridades dos três poderes e não podemos esquecer que se trata daquele ministro da Justiça que sumiu com as gravações do prédio ao lado do Congresso, que poderiam provar a inocência de muitos dos 1,5 mil falsos terroristas.
Quanto a Luiz Fux, seu problema é o amor extremado aos rebentos. Colocou a filha Marianna no Tribunal de Justiça do RJ em 2016 e resolveu também a vida do filho Rodrigo. Antes de o pai assumir no STF, o número de processos do escritório do filho era baixo (cerca de 5). Hoje, o volume saltou para mais de 500 processos (algumas fontes mencionam 544), abrangendo o STF e 0 STJ.
ZANIN NA CORTE – Cristiano Zanin fez carreira no escritório do sogro, Roberto Teixeira, que foi protetor do Lula sindicalista, quando ele era conhecido pelo codinome “Barba” na Polícia Federal, ao atuar como informante do regime militar, sob as ordens do delegado Romeu Tuma. Zanin “libertou” Lula, mediante a cumplicidade de Fachin e da maioria, foi nomeado para o STF e logo em seguida entrou na Justiça contra o sogro, exigindo mais honorários…
Quanto aos outros três – Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, nem é preciso fazer comentários. O noticiário dos jornais fala por si. E a imprensa é a voz do povo.
Assim, neste carnaval o Supremo vai desfilar dividido em vários blocos. Um deles, formado por Fachin e Cármen, defende o Código de Ética. Outro bloco, com Gilmar, Toffoli e Moraes, é contra. Os restantes compõem um terceiro bloco, e ninguém sabe o que eles pretendem. Este é o quadro atual, longe da apoteose.
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P.S. – Se os dez ministros desfilarem juntos, estarão formando o mais completo Bloco do Sujo da História do Carnaval Brasileiro. Nem precisam de fantasias. (C.N.)





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