Como julgar Bolsonaro na Primeira Turma, se o plenário julgou o 8/1?

Dos 11 do Supremo, só 2 são juízes concursados – Por José Nêumane |  Brasilagro

Charge do Mariano (Charge Online)

Carlos Andreazza
Estadão

Querem nos convencer de que o regimento interno do Supremo seja peça inexpugnável. A história recente do bicho mostra o contrário. Voando de lá pra cá, carregado pelos ventos mais influentes da hora, a norma do Supremo tem mudado mais que regulamento do Campeonato Carioca.

O artigo 5º, que trata de casos envolvendo o presidente, foi alterado duas vezes desde 2020. Está lá – hoje, não sei amanhã: julgamento de ação penal terá lugar na turma do relator. Consta também, no artigo 22, que o relator pode remeter ao plenário processo que avalie relevante.

JULGAMENTO IMPORTANTE – Goste-se ou não do sujeito, e o cronista só tem certezas a respeito, julgar-se-á um ex-presidente acusado de golpe de Estado. Quando coube à Corte, em 2018, cuidar de habeas corpus de Lula, o relator decidiu que aquela questão jurídica mobilizadora de divergências seria analisada pelos onze.

Lula recorria. Fora antes julgado em primeira, segunda e terceira instâncias – e Bolsonaro o será diretamente na última.

Se diretamente na última, é incompreensível que, tendo os réus dos ataques de 8 de janeiro de 2023 sido julgados no pleno, ele – acusado de líder do movimento – o seja na turma.

SEGUNDO A PGR – O cronista discorda, considera que a organização golpista comandada pelo ex-presidente terá cessado com sua viagem aos EUA; mas foi a própria PGR, na denúncia, que incluiu os atos como sob a liderança de Bolsonaro.

Dar ao sujeito tratamento distinto será robustecer as certezas de que o Direito vai submetido aos desejos do juiz-vítima.

Será impossível compreender os aditivos da cisão política que aprofunda nossa depressão sem considerar que milhões de brasileiros creem que foi o ex-presidente a sofrer um golpe, contra o qual, com razão, apenas reagiria. Porção gigantesca de cidadãos pensa assim.

AMEAÇAS A CID – Esse sentimento é reforçado pelo trecho da sessão em que Mauro Cid – ameaçado pelo juiz-investigador-vítima – retificaria sua delação.

Fosse outro – fosse Moro – a ministrar aquela intimidação, a projetar responsabilização sobre a filha caso o colaborador não falasse a verdade, os colegas de Xandão estariam chamando o expediente de “pau de arara do século XXI”.

Diante das mentiras do colaborador, o acordo deveria ser cancelado e Cid, preso. Não é banal. Embora não exclusivamente, a denúncia recém-oferecida é fundamentada na palavra do cara.

CORRUPÇÃO DO PROCESSO – E está aí a atividade destruidora do anulador-geral Dias Toffoli sobre todas as provas da Lava Jato para nos lembrar o que a corrupção do processo legal pode ensejar.

As barbaridades podem coexistir. Coexistem. Os crimes contra o Estado Democrático de Direito. E a administração viciada dos processos – condição para que, no futuro, os criminosos sejam reabilitados, as evidências contra si jogadas ao lixo.

Serve para casos de corrupção tanto quanto para tentativas de golpe. O mar vira. Já deveríamos saber.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGArtigo irrespondível de Carlos Andreazza. Exibe, às escâncaras, até onde caiu a dignidade do Supremo Tribunal Federal, que transforma em golpe o julgamento de Bolsonaro. Essa iniciativa de julgá-lo na Primeira Turma é como batom na cueca, no linguajar policial. Com batom na cueca, como o marido pode convencer a mulher de que foi à missa, ao invés de ir ao puteiro? O Supremo tornou-se verdadeiramente patético. (C.N.)

10 thoughts on “Como julgar Bolsonaro na Primeira Turma, se o plenário julgou o 8/1?

  1. O Supremo tornou-se verdadeiramente patético. (C.N.)

    Vixe..!!

    Sr. Newton, se prepare , as pedradas vão comer soltas, pedradas para todos os lados,.

    aquele abraço…

  2. “..’Taxa das Blusinhas’ rende R$ 1,14 bilhão aos cofres públicos em 2024…

    A Jumenta de Duas Patas já torrou esse bilhão em viagens e compras para o Latrocida de Palácio da Mentira…..

  3. A condenação de Bolsonaro se aproxima e é inexorável

    Em qualquer país democrático, uma denúncia penal que impute a um ex-presidente da República os delitos de tentativa de golpe de Estado, de subversão à ordem constitucional e de ser o líder de uma organização criminal armada vai causar grande reação.

    Ainda mais se a acusação inclui generais do mais alto coturno, que até pouco tempo ocupavam cargos importantes no governo e no Exército, bem como um ex-chefe da Marinha e outro ex-ministro da Justiça.

    Certamente, alguns grupos militares, políticos, de imprensa e do empresariado vão se esforçar para desacreditar as instituições, além de negar o movimento golpista.

    A subleitura das provas que vão aparecendo e as versões enviesadas fazem parte de um script de quem, no fundo, sabe que a condenação se aproxima e que é inexorável.

    Fonte: Poder360, Opinião, 28.fev.2025 – 5h54 Por Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), advogado criminal.

    • Após entrar no STF de bermuda, advogado de políticos encrencados pede desculpas: “Não quis desdenhar”

      Com atuação de quase 40 anos na advocacia, o criminalista Antônio de Almeida Castro, o Kakay, virou espécie de boia de salvação de políticos encrencados na Justiça em Brasília. Do ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) aos senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Aécio Neves (PSDB-MG), passando pelo petista José Dirceu, vários dos nomes mais conhecidos da política brasileira já recorreram aos seus serviços. Só na Lava Jato ele coleciona 17 clientes.

      Neste fim de semana, Kakay foi às redes sociais para se defender de uma situação inusitada. A acusação? O uso de uma bermuda e camisa de mangas curtas pelos corredores do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo código de vestimenta da corte, os homens têm de andar de terno, gravata e paletó; e as mulheres, de terninho ou saia.

      O momento foi registrado em foto divulgada por ele mesmo (veja a imagem acima). Diante da repercussão do episódio, publicado inicialmente pela coluna de Lauro Jardim, no Globo, Kakay soltou duas notas para a imprensa – uma no sábado e outra no domingo. Hoje ele pediu desculpas ao Judiciário. Disse que não quis “desdenhar” nem desrespeitar os ministros ou quem quer que seja.

      Infeliz episódio

      “Sobre esse infeliz episódio da fotografia em que estou de bermuda no corredor do Supremo, quero deixar claro que foi uma passagem rápida pelo tribunal no ano passado, por motivo de extrema urgência e durante um feriado, apenas para buscar um documento importante para a defesa de um cliente. Evidentemente não fui a nenhum gabinete, muito menos despachei com nenhum ministro naquele dia”, contou.

      “Mas o uso da imagem como se de alguma maneira eu estivesse desdenhando do Poder Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal, me faz vir a público esclarecer e pedir desculpas aos membros do Poder Judiciário e a quem, de alguma forma, considerou o fato desrespeitoso. A advocacia é minha vida e nutro pelo Judiciário, não só pelo Supremo Tribunal, mas pelo Superior Tribunal de Justiça, demais tribunais e pelos juízes em geral profundo respeito. A melhor maneira de deixar isso claro, embora nunca tenha tido nenhuma intenção de desrespeitar, é deixar expresso o meu sincero pedido de desculpas”, completou o advogado na nota.

      Kakay não conseguiu livrar Maluf da condenação no Supremo, mas graças a manifestações dele o ex-prefeito e ex-deputado pode deixar a cadeia e ser transferido para casa, onde cumpre prisão em regime domiciliar. “Não sou médico, mas ele é um transtorno para o sistema penitenciário”, disse o criminalista ao UOL ao defender o seu cliente. O argumento convenceu os ministros do Supremo.
      Maluf é tratado com desumanidade, diz advogado do deputado: “Está pagando pelo imaginário popular”

      Toffoli concede prisão domiciliar a Maluf depois de piora no quadro de saúde do deputado

      https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/32805/apos-entrar-no-stf-de-bermuda-advogado-de-politicos-encrencados-pede-desculpas-nao-quis-desdenhar

      • Tão somente “resguardados” cumprindo etapas para ascenção do “Homem Sem Lei”, segundo Jordan Maxwell, em:
        “É exactamente isso que se passa na América. Não importa o que os livros de direito atuais dizem. Não consegues ir a um tribunal neste país e ganhar com base na verdade dos factos. É um dos factos da vida. Não consegues ganhar num tribunal da América com base nos factos. Ponto final.

        O juíz não dá a mínima aos factos. Ele é o patrão e no tribunal é ele quem manda.

        Bom, sim, mas o outro juíz disse…

        Eu não quero saber do que o outro juíz disse. Este é o meu tribunal e quem manda aqui sou eu, por isso eu é que decido. Se fôr com a tua cara, talvez te dê uma hipótese/chance. Se eu não fôr, talvez te acrescente uns dez anos à pena. E agora, que vais fazer?

        Tu dizes: Sim, bom, mas a lei diz…

        Não, não. Não me venhas com essa. Este é o meu tribunal. Eu é que mando.
        Portanto, não existe lei. A América é o país das ilegalidades.

        Na Bíblia, no Livro do Apocalipse, fala do surgimento do homem sem lei, e eu tenho pensado nisso frequentemente, comigo mesmo. É muito interessante… há muito material interessante e importante escrito na Bíblia, se compreenderes o que estás a ler.

        Mas, fala-se sobre isso, no Livro do Apocalipse, sobre o emergir de algo como o homem sem lei, e eu costumava pensar o que diabo seria isso, porque a América possui tantas leis. Temos centenas de livros de direito. Nós somos apenas isso: nós possuímos livros de direito, então, como poderia existir um homem sem lei, que surgiria no mundo?

        Bom, agora eu compreendo. A América é a pátria do homem sem lei.” https://projectavalon.net/lang/pt/jordan_maxwell_awake_and_aware_pt.html

  4. Lula na lua

    Lula beira alienação, dizem aliados

    Pesquisas mostram queda de aprovação até mesmo no Nordeste, mas presidente acha que seu governo é excelente

    Uma característica de Lula (PT) começa a preocupar ministros, auxiliares e aliados que são seus interlocutores frequentes: o excesso de otimismo que, na atual conjuntura, segundo eles, beira a alienação.

    Lula ainda não percebeu a verdadeira dimensão dos problemas que seu governo está enfrentando. Nem mesmo a queda acentuada de sua aprovação, que ocorre inclusive em estados do Nordeste, onde o PT sempre colheu uma avalanche de votos, despertaria nele a preocupação necessária.

    O presidente estaria plenamente convencido de que seu governo é excelente, e que o único problema que tem é o de comunicar-se mal. Até mesmo essa pedra já seria obstáculo superado depois que ele nomeou o publicitário Sidônio para comandar a Secretaria de Comunicação.

    Aliados afirmam que “o presidente está animado, achando que as coisas estão bem”. “Ele está com a cabeça nas nuvens, vivendo em um mundo que é só dele”, e também de Janja.

    O presidente está “super, mega, hiperotimista”. Lula é “até contagiante”. Mas ele não está atento às correções de rumo que precisaria fazer. “O presidente acredita que está tudo perfeito”. “Ele está com dificuldade de medir a temperatura da rua.”

    O “excesso de autoconfiança” parece ser também uma autoproteção e um autoengano. “Falta senso de realidade”. “Ele é otimista, acredita que tudo vai dar certo, e acima de tudo acredita nele mesmo.”

    Outro auxiliar acredita que Lula não percebe que o buraco é mais embaixo, e que a questão não é apenas de comunicação.

    A pesquisa Genial/ Quaest desta semana que mostra que a aprovação de governadores, como Ratinho Junior ultrapassa os 60%, enquanto, no mesmo cenário econômico, a ‘aprovação’ do governo derrete.

    Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 27.fev.2025 às 23h00 por Mônica Bergamo

    • O Latrocida ainda não percebeu que um simples pão com ovo não dá mais para ser colocado na mesa do preto, branco pobre e favelado…..

      comer ou não comer, eis a questão…

      Se tá caro, não compra….

  5. Li aqui, num dos comentários, que o editor não costuma publicar artigos do Jornal da Cidade on Line. Mas… vale a leitura.

    A mediocridade acadêmica de Moraes vem à tona.

    “Um dos traços mais evidentes da degradação cultural brasileira é a relação cada vez mais frouxa entre o poder e o conhecimento. Às vezes no iludimos achando que se sobe na hierarquia pelo mérito, pelo estudo, pela experiência.
    Na verdade, chega-se por arranjos políticos, conexões certas e, acima de tudo, a habilidade de parecer sábio sem sê-lo. A consequência? Ministros, juízes, governantes e acadêmicos que, investidos de autoridade, espalha bobagens com solenidade, certos de que ninguém ousará lhes corrigir.
    O brasil deixou de ser colônia em 1815, sete anos antes do que a fala do ministro sugere. Em 16 de dezembro de 1815, D. João, ainda príncipe regente, fez do Brasil um Reino Unido a Portugal e Algarves. Nascia, ali, a monarquia brasileira.
    Dizer que o Brasil “deixou de ser colônia em 1822” pode parecer coisa pouca, mas é grave, sim. Se um estudante errasse, paciência. Mas um ministro do Supremo, avaliado como “nota 10 e erudição” por uma banca da USP? O erro, nesse caso, não é lapso. É um sintoma.
    Sintoma de mediocridade acadêmica, onde prestígio substitui conhecimento e a retórica vale mais que a verdade…”

    Mais, aqui:
    https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/67753/a-mediocridade-academica-de-moraes-vem-a-tona

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