
Sóstenes diz que todos os setores envolvidos devem ser ouvidos
Vanilson Oliveira
Correio Braziliense
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse, na última quinta-feira (13), que o ponto mais sensível do Projeto de Lei Antifacção é a equiparação do crime organizado ao terrorismo. Para o parlamentar, o relatório do deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP) pode ser aperfeiçoiado por meio de mais diálogo com os congressistas e consultas com todos os envolvidos no tema, como governadores, secretários de segurança, especialistas, além da Ordem dos Advogados (OAB), entidades representativas e o Judiciário.
“Ele deve ouvir a OAB, deve ouvir o Judiciário, deve ouvir mais técnicos da área e trazer um relatório muito mais amplo”, destacou Sóstenes. “O nosso assunto não é só equiparar as facções criminosas a terroristas. Nós não abriremos mão disso em momento nenhum. Se o crime é organizado, internacional, com cooperação de inteligência e de armamento, por que o Estado também não pode ter? É fundamental essa equiparação para enfrentá-los”, acrescentou.
VOTAÇÃO – Ele espera que o PL seja votado e siga para sanção presidencial até dezembro. “Não podemos ir para o recesso sem votar esse texto. A Câmara e o Senado precisam aprovar e, se possível, o presidente sancionar ainda neste ano. Sugeri ao presidente (da Casa) Hugo Motta que faça uma comissão geral na Câmara com os 27 governadores, com os secretários de Segurança, com o Judiciário e com o Ministério Público. É impossível fazer um bom texto sem ouvir os 27 secretários de Estado”, disse.
O deputado informou que viaja amanhã, segunda-feira (17/11), ao Rio de Janeiro para participar do programa Barricada Zero. O projeto, do governo estadual, tem o objetivo de combater as facções criminosas.
Ele citou o Nordeste como uma das regiões que mais sofrem com as ações criminosas das facções. “Das 100 cidades com o maior número de mortes a cada 100 mil habitantes, 80 delas estão no Nordeste. Esse é um problema crônico do país todo, e a gente precisa ter responsabilidade para dar uma resposta ao crime, para que o crime possa recuar e o Estado avançar”, finalizou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É preciso afirmar com clareza algo que se tenta deliberadamente distorcer: terrorismo e crime organizado não pertencem à mesma matriz de ação. O terrorismo, em sua definição central, é um projeto político — busca transformar regimes, instituições, modos de vida. O crime organizado, ao contrário, é uma indústria. Seu objetivo não é derrubar o Estado, mas negociá-lo, capturá-lo, infiltrá-lo, suborná-lo ou contorná-lo para manter mercados altamente lucrativos em funcionamento. Confundir essas naturezas é mais do que um erro conceitual — é um convite à adoção de instrumentos de exceção que enfraquecem o próprio Estado democrático que se pretende salvar. A confusão, portanto, não é desatenção: é método. Quando se declara guerra, suspende-se a política. E quando a política é suspensa, quem ganha é quem está armado — seja o Estado, seja o crime. A categoria “narcoterrorismo” não aparece aqui como diagnóstico, mas como senha diplomática: um código que permite solicitar, justificar e legitimar cooperação militar externa sob o argumento de uma guerra transnacional inevitável. (M.C.)
Em suma: Controle!
1) Licença…observo que aqui muitos comentários são raivosos…
2) Recomendo falarem com Santa Quitéria, que viveu em Braga, Portugal, onde residi um tempo…
3) É a especialidade dela, cuidar dessa área… até porque, dizia Buda que a primeira pessoa a se prejudicar é o próprio que sente raiva…
Qual ato que gera terror pode sim ser considerado terrorismo.
O Estado precisa agir de igual para igual, ou seja, precisa ser radical em suas ações.
Resposta, em:
https://youtu.be/DxsfXwPlpsg?si=-8sII2LAVNjMiotA
A Nota da Redação está sensacional e de uma clareza solar.
A propósito, prezado Editor Carlos Newton, seus artigos e Notas da Redação, precisam ganhar o mundo através de livros. Tomo 1, Tomo 2, Tomo 3….
O jornalista Bernardo Melo Franco, lançará na Travessa de Botafogo, seus artigos sobre o governo Bolsonaro, publicados pelo O Globo.
Quando irei na noite de autógrafos do livro de Carlos Newton? Espero que seja breve, porque o tempo não para.
Concordo,
Ilustres participes da TI , não seria o caso de também tratar os ” políticos Brasileiros ” corruptos e lesa-pátria como verdadeiros terroristas , uma vez que eles roubam os recursos financeiros do estado nacional , privando o povo em geral desses recursos para atender suas necessidades e impedindo o estado nacional de melhorar a qualidade de seus serviços públicos , sendo que os membros dos grupos criminosos CV x PCC , somente afetam uma parcela minúscula e ínfima da população que a eles recorrem para adquirem seus produtos , com o agravante de que eles somente se introduzem nas estruturas do ” Estado Nacional Brasileiro ” , devido a corrupção desenfreada e institucionalizada no país , por graça e obra da classe política e dos maus agentes públicos Brasileira , sem compromisso algum com o Brasil e seu povo .
Amigo Carlos, endosso a opinião do Roberto Nascimento sobre a nota da redação. Explicação mais sensata e mais clara impossível. É preciso que o brasileiro perceba que identificar o crime organizado com o terrorismo, além do prejuízo para o seu combate, abre as portas para intervenções estrangeiras como, infelizmente, já estamos vendo por parte do governo Trump na Venezuela assassinando pessoas sem julgamento e progredindo para uma intimidação cada vez mais severa.