Após derrota no STF, Renan reage e tenta conter crise de desconfiança no governo

Senado usou o veto a Jorge Messias para fazer “demonstração de força”

Com derrota de Messias, oposição articula com Alcolumbre barrar indicações  até as eleições

Alcolumbre desprezou a democracia ao conduzir a votação

Jorge Béja

No 23 de abril, um comentário que postei aqui na Tribuna da Internet, sobre Jorge Messias e a sabatina no Senado Federal que o candidato aguardava enfrentar, foi transformado em artigo por nosso dinâmico e talentoso jornalista Carlos Newton, criador e editor da TI.

No texto registrei que, no tocante à ilibada conduta de Jorge Messias, ninguém poderia contestar nem levantar mínima dúvida.  Já no tocante ao “notório saber jurídico”, escrevi que ao longo dos quase 50 anos da advocacia que exerci, nunca ouvi falar sobre Jorge Messias no meio jurídico.

SEM REFERÊNCIAS – E assinalei que, nos mais de 1.300 livros de Direito que comprei, li e reli e ainda os tenho no escritório, nenhum dos autores se referiu a Jorge Messias na bibliografia que sempre se lê estampada no final de cada obra. São as referências que cada autor da obra aponta ter consultado e até transcrito no livro que edita.

É certo que Jorge Messias não é um Aguiar Dias, Guilherme Couto Castro, Sérgio Cavalieri Filho, Arruda Alvim, Nelson Hungria, Fábio Konder Comparato, Barros Monteiro, José Carlos Barbosa Moreira, Luiz Roberto Barroso, Celso Bandeira de Mello, Aristides Junqueira Alvarenga, Pontes de Miranda, José Carlos Barbosa Monteiro, José Cretella Júnior, Hely Lopes Meirelles, Carmen Lúcia Antunes Rocha, Mozart Victor Russomano… e tantos outros de notabilíssimo saber jurídico.

Mas Jorge Messias, na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o Advogado-Geral da União não foi hesitante, nem ficou indeciso, ou sem responder, às indagações a ele dirigidas por senadores.

SEM PROFUNDIDADE – É certo que não foram indagações sobre relevantes questões de ordem jurídica, como deveriam ser. Foram perguntas sobre usos e costumes, que, como sabemos, são fontes do Direito.

Mas faltaram perguntas de alta indagação jurídica, tal como pedir ao candidato que fizesse uma dissertação oral sobre a “Disregard Doctrine”, sobre Decadência e Prescrição, sobre Responsabilidade Civil Objetiva e Subjetiva e tantos outros temas mais, tanto não aconteceu.

A conclusão é a de que Jorge Messias estava — e assim continua — apto para integrar o Supremo Tribunal Federal. A desaprovação do seu nome pelo plenário do Senado Federal não foi derrota para Messias.

QUESTÃO DE PODER – Pode-se abstrair que o Legislativo Federal quis dar demonstração de poder, de muito poder, frente ao Executivo e principalmente ao Judiciário. E mais precisamente, frente ao Supremo Tribunal Federal.

Quando o senador-presidente Davi Alcolumbre apareceu no plenário para presidir a sessão, aquele seu sorridente gestual de colocar a mão direita debaixo da camisa, fazendo movimento contínuo imitando que seu coração batia forte, era a exteriorização de que estava feliz com a não aprovação de Jorge Messias.

Que pena! A Democracia não pode e nem deve ser assim.

Lei da Dosimetria é o primeiro passo até a aprovação da anistia, no próximo ano

Dosimetria | Jusbrasil

Charge reproduzida do Jusbrasil

Evellyn Paola
Metrópoles

O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30/4), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria, que reduz penas para pessoas condenadas pelos atos do 8 de Janeiro e que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Com a derrubada do veto, a pena de Bolsonaro muda: antes da lei, ele passaria ao regime semiaberto em setembro de 2033, mas com a nova legislação, o prazo pode ser reduzido pela metade.

OUTROS CASOS – O texto pode beneficiar ainda ao menos 179 presos pelos atos antidemocráticos, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva.

Atualmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que as penas dos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de quatro a oito anos de prisão, e o golpe de Estado, com pena de quatro a 12 anos, podem ser somadas.

No entanto, o texto do PL da Dosimetria separa as penas e entende que elas não podem ser somadas. Nesses casos, a pena aplicada passa a ser pelo crime mais grave e não há mais a duplicação.

REDUÇÃO DE PENAS – A proposta ainda estabelece a possibilidade de diminuir a pena entre um sexto e dois terços nos casos de delitos praticados em meio a aglomerações, desde que o acusado não tenha custeado as ações nem ocupado posição de comando.

O conceito de crimes multitudinários, também chamados de “crimes de multidão”, foi adotado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações e nos processos ligados aos eventos do 8 de Janeiro.

 O texto também altera as regras de progressão de pena, que permitem a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da punição estabelecida. A progressão, no entanto, não é automática. Depende de análise do STF, que será responsável por recalcular a pena de cada um dos réus.

PETIÇÃO AO STF – Para que a redução aconteça, o tribunal precisa ser acionado, seja pela defesa de um condenado, pelo Ministério Público ou por um ministro responsável por relatar um dos casos ligados à tentativa de golpe.

A redução de pena também é prevista quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha financiado os atos ou exercido papel de liderança. Há mudanças no tipo de regime. Após o cumprimento de um sexto da pena, o preso poderá cumprir em regime semiaberto.

LEI ANTIFACÇÃO – Alcolumbre retirou trecho do PL da Dosimetria que conflitava com a Lei Antifacção. Com a decisão, parte da proposta que trata da progressão de pena foi removida.

Os incisos de IV a X tratavam da progressão de pena e, caso o veto fosse derrubado, integrantes de facções criminosas também seriam beneficiados.

Segundo Alcolumbre, os dispositivos do projeto não produziriam efeitos práticos, pois entrariam em conflito com regras já estabelecidas na chamada Lei Antifacção.

Um estudo técnico da Câmara indica que, em crimes como homicídio qualificado, estupro, latrocínio e tráfico de drogas, o tempo mínimo de cumprimento da pena para réus primários passaria de 70% para 40% do total da condenação. No caso de feminicídio, a exigência cairia de 75% para 55%. Já para condenados por participação em organizações criminosas, o percentual seria reduzido de 75% para 50%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com a derrubada do veto, o texto segue para o Planalto, e Lula tem 48 horas para assinar o texto. Se isso não ocorrer, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), assinará a promulgação, que é apenas o primeiro passo. Dependendo da eleição que renova a Câmara e dois terços do Senado, logo virá a Lei da Anistia, para soltar todos os condenados. (C.N.)

Derrota de Jorge Messias fortalece Moraes e expõe racha na Suprema Corte

Tebet descarta vice de Haddad e mira protagonismo na disputa pelo Senado em SP

Após meses de tensão, Michelle Bolsonaro deverá selar trégua e declarar apoio a Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro fará gesto público de apoio

Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo

Depois de um esforço de meses dos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos bastidores, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aceitou fazer as pazes com o enteado. De acordo com fontes ligadas aos dois, Michelle fará um “gesto de pacificação”, manifestando apoio público à candidatura de Flávio a presidente em suas redes sociais.

Michelle vinha se recusando a declarar apoio ao filho “zero um” de Jair Bolsonaro e isso preocupava aliados de Flávio, que apostam na madrasta para vencer a resistência no eleitorado feminino, em que o senador aparece em desvantagem em relação ao presidente Lula nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.

“MUITO TRABALHO” – “Deu muito trabalho, mas ela finalmente aceitou que ninguém tem nada a ganhar com essa briga”, diz um aliado de Michelle e de Flávio que se empenhou na pacificação. Michelle estava rompida com Flávio desde novembro do ano passado, quando criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, articulada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE).

Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do senador Eduardo Girão (Novo), ela chamou a articulação com o tucano de precipitada, causando mal estar no partido. Depois disso, Flávio desautorizou Michelle publicamente, dizendo que a madrasta foi “autoritária” e “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”, que tinha autorizado o movimento do deputado.

Flávio se desculpou depois com a madrasta, mas em privado. Ela queria desculpas públicas, mas ele não topou, e o impasse vinha perdurando até agora. Por isso, embora tenha concordado em fazer uma manifestação pública de apoio, ela ainda não garantiu que vá se engajar no dia-a-dia da campanha, pelo menos por enquanto.

CUIDADOS DE SAÚDE – Além de ainda estar magoada com Flávio, a ex-primeira dama ainda tem se ocupado com os cuidados de saúde do marido, Jair Bolsonaro, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, não autorizou a atuação de um cuidador. O ex-presidente toma medicações seis vezes por dia e ainda precisa ter as roupas e o banheiro de casa esterilizados para afastar o risco de infecções.

“Michelle está exausta e se acontecer algo com Bolsonaro, os filhos vão tentar jogar a culpa nela”, afirmou um aliado da ex-primeira-dama. Caso consiga autorização para ter ajuda no cuidado de Bolsonaro, Michelle poderá cuidar da própria campanha ao Senado pelo Distrito Federal, onde é dada como certa a sua vitória para uma das duas vagas que estão em disputa, e aí então participaria de eventos com Flávio.

RESISTÊNCIA  –  A pacificação com Michelle faz parte de uma estratégia dos articuladores próximos de Flávio para vencer resistência dentro do próprio bolsonarismo. Além da ex-primeira-dama, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também foi alvo de um esforço concentrado de alguns aliados.

Nos dois casos, há muita mágoa também com os outros filhos de Jair Bolsonaro, como Eduardo, que fez ataques a Tarcísio nas redes sociais em vários momentos, classificando o governador como adversário que tentava minar a força do clã.

Há ainda o fato de que Tarcísio foi cogitado dentro e fora do bolsonarismo como candidato à presidente, pretensão que Jair Bolsonaro não avalizou. Em outubro, ele vai disputar a reeleição para o Palácio dos Bandeirantes.

CANDIDATA À VICE – Numa eventual candidatura do governador paulista, Michelle seria candidata à vice. De acordo com uma influente liderança evangélica que acompanhou o processo de perto e pediu para não ser identificada, Michelle tem “mágoa por não ter sido escolhida vice”.

“A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu”, resumiu um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso. Por enquanto, pelo menos, a madrasta e os enteados fizeram uma trégua em nome do projeto eleitoral. Se essa paz vai ser duradoura, só o tempo vai dizer.

Rejeição de Messias expõe falha grave de articulação e isola Lula no Senado

Entendimento é que houve falha no mapeamento da ofensiva

Sérgio Roxo
Jeniffer Gularte
O Globo

A articulação política do governo se transformou no principal alvo de aliados no dia seguinte à derrota histórica durante a votação no Senado da indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O entendimento é que houve falta de articulação e, principalmente, falha no mapeamento à ofensiva liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

As principais críticas nos bastidores foram destinadas ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e ao ministro da Secretaria das Relações Institucionais, José Guimarães, que assumiu o cargo há duas semanas. Ambos tinham diagnósticos positivos sobre a aprovação de Messias e não conseguiram prever a derrota a tempo de tentar evitá-la.

“MUITO PRECÁRIA” – Aliados descrevem a articulação política do governo no episódio como “muito precária”, com o argumento de que se o Planalto sabia que seria uma votação apertada e de que facilmente Alcolumbre poderia operar para tirar de quatro a oito votos de Messias, deveria ter agido para adiar a votação no plenário. Para esse grupo, o governo menosprezou o risco de derrota.

Aliados citam a imagem que mostra Alcolumbre, momentos antes de abrir o painel com o resultado da votação, afirmando a Wagner que Messias perderia por oito votos, como exemplo claro de que o presidente do Senado tinha o cenário na mão e o governo estava vendido na votação.

Os críticos de Wagner afirmam que o diagnóstico feito pelo líder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim da tarde de que Messias seria aprovado com 41 votos impediu que o presidente pudesse tomar alguma atitude para evitar a derrota, a maior de seu governo no Congresso.

SAÍDA DE JACQUES WAGNER – Há quem defenda nos bastidores a saída do senador da liderança do governo. Jaques Wagner é um dos políticos mais próximos de Lula, além de ser amigo do presidente.

Além do erro no cálculo na votação, são citadas também as imagens do senador abraçando Davi Alcolumbre logo após a proclamação do resultado da rejeição de Messias pelo plenário do Senado.

Em relação a Guimarães, havia uma expectativa no governo de que o novo ministro estabelecesse uma boa relação com o presidente do Senado, que compareceu a sua posse no Palácio do Planalto, no último dia 14. A presença havia sido lida como um gesto de aproximação de Alcolumbre, que vinha mantendo distância do governo.

Moraes cita ofensiva contra Judiciário ao defender continuidade de inquérito das fake news

Relatório vincula desinformação à engrenagem de ruptura

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma defesa da continuidade do inquérito das fake news ao afirmar que a disseminação de desinformação se tornou o principal instrumento de ataque à Justiça e às eleições no país.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira sobre os atos de 8 de janeiro, o magistrado sustenta que a investigação foi essencial para identificar a atuação de uma organização criminosa voltada à ruptura institucional.

FAKE NEWS – “A massiva desinformação, com a produção e divulgação de notícias fraudulentas contra o Judiciário e seus membros (‘fake news’), principalmente pelas redes sociais, tornou-se o maior, mais moderno e nocivo instrumento de ataque à independência dos juízes”, afirma o ministro no documento.

Segundo Moraes, o objetivo dessas ações seria “desacreditar os magistrados” e “deslegitimar o Judiciário como Poder essencial à sociedade”, além de colocar em xeque as eleições democráticas. O ministro também afirma que esse ambiente foi acompanhado de ameaças diretas a integrantes da Corte.

“Diversos juízes do Supremo Tribunal Federal foram ameaçados física e psicologicamente, inclusive com a tentativa de explosão da sede da Corte”, escreveu.

ALCANCE DO INQUÉRITO – A partir desse diagnóstico, Moraes sustenta que foi necessário ampliar o alcance do inquérito, que passou a abranger não apenas a disseminação de notícias falsas, mas também ameaças, denunciações caluniosas, vazamentos de informações sigilosas e esquemas de financiamento de campanhas digitais.

De acordo com o ministro, a investigação buscou identificar “a existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo a independência do Poder Judiciário e o Estado de Direito”.

Ainda de acordo com o relatório de Moraes, as apurações conduzidas pela Polícia Federal permitiram mapear o funcionamento de um grupo político que teria se estruturado como organização criminosa, com divisão de tarefas e atuação coordenada. Entre os eixos identificados estão ataques virtuais a opositores, investidas contra o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questionamentos ao sistema eletrônico de votação e, por fim, a tentativa de golpe de Estado.

Alcolumbre impõe freio à dosimetria e barra avanço sobre crimes hediondos

PL aciona TSE para limitar fala de Lula no Dia do Trabalhador e evitar uso eleitoral da TV pública

Ofensiva de Flávio e Alcolumbre levou Senado a rejeitar nome de Lula ao STF e mudar o jogo político

Postura de Gilmar Mendes intensifica críticas e aprofunda crise reputacional do Supremo

Porto contaminado: quando a corrupção deixa de ser exceção e vira método

Desmoralização de Messias demonstra que mais uma vez Davi derrotou Golias

Quem está na chuva é para se queimar

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Davi Alcolumbre derrotou Lula. Constatação irretocável. Desde o início, o presidente do senado e do congresso torceu o nariz, amarrou a cara, com a indicação de Jorge Messias para a vaga do ministro Luis Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Alcolumbre deixou claro que preferia que Lula mandasse mensagem paro senado indicando o senador Rodrigo Pacheco e não Jorge Messias.  O advogado-geral da União foi boi de piranha.

BEM NA SABATINA – Messias até que foi bem na sabatina. Mostrou qualidades jurídicas e boa postura de magistrado. Mas Lula deixou rolar frouxo. Tem que mudar o time no Senado. Randolfe Rodrigues e Jcques Wagner não ganham uma. Deixam Lula na chuva.

A situação do pobre Messias piorou diante das brigas idiotas dos arrogantes ministros da Suprema Corte, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, com senadores. A dupla de sábios de barro decidiu que os senadores Flávio Bolsonaro e Alexandre Vieira precisavam ser punidos.

O troco firme e forte veio como coice, nesta derrota de Jorge Messias. Horizontes políticos indicam inferno astral medonho para Lula. Admitir que muita coisa está errada no Congresso é uma delas. 

STF trava CPI do Banco Master e paralisa nova frente de investigação no Senado

Derrota de Messias mostra importância de existir a imprensa livre e desatrelada

Senado impõe derrota a Lula e rejeita indicação de Jorge Messias ao STF

Aprovado na Comissão, Messias já se achava no Supremo

Carlos Newton

Nesses tempos modernos, a tecnologia se transforma de forma tão rápida que é muito difícil acompanhar e entender a evolução, em meio à expansão desenfreada da comunicação digital imediata, via celular, possibilitando que as redes sociais divulguem notícias falsas e verdadeiras ao mesmo tempo, numa confusão dos diabos.

São tantas informações cruzadas e contraditórias que é da maior importância manter uma imprensa livre e independente, que não seja atrelada a nenhuma facção política, econômica ou religiosa, totalmente livre, que possa servir como um ponto de equilíbrio em meio à bagunça generalizada. Foi essa necessidade que motivou a criação da Tribuna da Internet.

Mas não adianta pretender hegemonia desse tipo de jornalismo, porque a grande massa prefere outras  notícias, apenas pessoas intelectualizadas frequentam o blog, que tem feito importantes denúncias que não servem para nada, temos de reconhecer.

MEMÓRIA COLETIVA – Artigos e reportagem escancaram as irregularidades, mas ninguém toma providências e tudo acaba sendo esquecido, porque a memória coletiva dura apenas 15 dias, como dizia o general Golbery do Couto e Silva, o ideólogo do regime militar de 1964.

Diante dessa impunidade reinante, no ano passado a Tribuna da Internet decidiu adotar uma postura de atuação mais pró-ativa. Nessa linha, além de divulgar reportagens e artigos denunciando corrupção e outras práticas ilegais, passamos a enviar às autoridades alguns dossiês sobre assuntos de interesse nacional, para garantir que os assuntos não fossem esquecidos e para acelerar as devidas providências.

Dá muito trabalho organizar esses dossiês, é claro, mas tínhamos a expectativa de que servissem para fazer com que as autoridades constatassem a gravidade dos fatos e cumprissem suas respectivas obrigações.

CASO MASTER – A primeira providência deu certo. Com base no trabalho pioneiro de Lauro Jardim e Malu Gaspar em O Globo, seguido por  outros jornalistas, e também com base em informações importantes que recebemos de Brasília, em maio de 2025 enviamos dossiês sobre o Banco Master à Comissão de Valores Mobiliários, ao Tribunal de Contas da União e ao Banco Central.

Portanto, tomamos essa iniciativa seis meses antes de ser decretada a liquidação extrajudicial do Master e de outros bancos e financeiras do grupo controlado por Daniel Vorcaro. Deu resultado.

Agora, surgiu nova oportunidade, desta vez com matérias exclusivas da Tribuna da Internet, que investigou a fundo o passado nebuloso de Messias e o aparelhamento da máquina administrativa pelo PT, publicando oito matérias consecutivas. Todas elas foram enviadas aos senadores.

REPERCUSSÃO – Cometemos alguns erros nessas matérias, é claro, numa investigação muito difícil e penosa, mas fomos corrigindo e acertando as informações, para não escorregar em denúncias caluniosas.

O esquema funcionou, porque as reportagens repercutiram intensamente nas redes sociais, vários youtubers usaram as informações, inclusive o deputado Gustavo Gayer (PL-GO). Mas a chamada grande imprensa simplesmente desconheceu as denúncias da Tribuna da Internet.

Os senadores, porém, não desprezaram o trabalho de jornalismo investigativo do Blog, e o resultado foi visto no telão do plenário do Senado Federal – 42 contra a nomeação, 34 a favor e uma abstenção, com 4 senadores faltando propositadamente à votação, para evitar que Messias atingisse os 41 votos necessários.

FOMOS HACKEADOS – Como sempre acontece quando a Tribuna da Internet publica denúncias exclusivas, após a segunda matéria sofremos um forte ato de hackers e o blog foi retirado do ar.

Cheio de denúncias a publicar sobre Messias e sem ter como divulgá-las, pedi ajuda a vários repórteres de outros veículos. Um deles é o excelente jornalista Fausto Macedo, do Estadão, que se interessou pelas matérias, mas o servidor UOL conseguiu recolocar a Tribuna no ar no dia seguinte e prosseguimos a publicação das oito matérias que todos os senadores receberam.

Agradecemos a Fausto Macedo pelo forte incentivo que nos deu, num momento em que estávamos fraquejando e quase desistindo de fazer as denúncias, embora ainda tivessemos informações contra Messias que nem chegamos a publicar.

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P.S.
Ficou comprovado que realmente funciona essa maneira de atuar no jornalismo, através do fornecimento de informações diretamente às autoridades. Portanto, vamos manter esse esquema e já temos um importante assunto em mira, que estamos investigando e envolve altíssimas autoridades deste país. (C.N.)

Fila de delatores no caso do Banco Master esbarra em investigações já avançadas

Charge do Duke (Instagram)

Raquel Landim
Estadão

Formou-se uma fila de possíveis delatores do caso do Banco Master: o banqueiro Daniel Vorcaro, o cunhado e operador financeiro dele Fabiano Zettel, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. À medida que as investigações apertaram o cerco, todos adotaram a mesma estratégia. Trocaram de advogado e passaram a buscar um acordo.

Seus advogados, porém, têm ouvido a mesma coisa de interlocutores na Polícia Federal, na Procuradoria-Geral da República (PGR), e no gabinete do relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Não vai ser fácil. O mesmo motivo que os levou a buscar uma delação premiada é o que se transforma agora numa barreira para que consigam avançar no caminho do perdão judicial em troca de informações: as investigações da Polícia Federal avançaram demais.

RAMOS DISTINTOS – Entre os investigadores, o caso é Master é tratado por ramos distintos. A trama central – que é a fraude financeira provocada pela quebra do Master e a tentativa frustrada de compra do banco pelo BRB – está praticamente elucidada. Graças ao trabalho inicial do Banco Central, à extração minuciosa da Polícia Federal dos celulares e computadores, e, claro, do descuido dos alvos, poucas vezes se viu uma investigação de corrupção tão bem detalhada.

Já está praticamente comprovada a gestão fraudulenta das carteiras do Master, que provocou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e a tentativa de cooptar a cúpula do BRB para tentar encobrir os maus feitos. Aliás, as mensagens entre Paulo Henrique Costa e Vorcaro são para lá de comprometedoras.

O que mais os delatores, incluindo Vorcaro, podem entregar nesse núcleo central? A resposta é simples. Praticamente nada, a não ser que cheguem em eventuais políticos que tenham facilitado as falcatruas. O ex-governador do DF Ibaneis Rocha, por exemplo, tinha ciência do que se passava?

RELAÇÕES COM O STF – Estará Vorcaro disposto a esclarecer as suspeitas sobre suas relações para lá de nebulosas com os ministros do Supremo Tribunal Federal já reveladas pela imprensa? Cabe aqui dizer que não é um caça às bruxas. Os investigadores não têm alvos pré-determinados, porque isso fere o próprio princípio da colaboração. Mas a questão técnica é se os delatores serão capazes de ampliar o escopo da investigação? Isso sem falar no risco de que um delator “esvazie” o outro.

Uma colaboração bem-sucedida precisa de fatos adicionais, tem que oferecer recuperação de patrimônio e entregar provas ou elementos que permitam aos investigadores chegar nessas provas. Caso contrário, nada feito.

Na votação de Messias, esperava-se que cada um dos senadores cumprisse a Constituição

Ocupação do plenário do Senado faz evento ser transferido

Messias precisava de 41 votos no Senado e só teve 34…

Jose Carlos Werneck

O artigo 101 da Constituição Federal de 1988 estabelece que o Supremo Tribunal Federal é composto por 11 Ministros, brasileiros natos, com mais de 35 e menos de 70 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Eles são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação pela maioria absoluta do Senado

É isso, apenas isso, nada mais que isso que se esperava que os srs. senadores fizessem no plenário, ao apreciar a indicação do nome do advogado Jorge Messias para ocupar importantíssimo cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

QUALIFICAÇÕES – Notável saber jurídico é algo que vai bem além dos básicos conhecimentos da extensa Ciência do Direito, enquanto reputação ilibada é, ou devia ser, obrigação moral de todo ser humano.

Comprovadas essas duas qualificações, o nome do indicado deve ser aprovado, independente de questões políticas, partidárias, ideológicas, e principalmente de interesses pessoais.

Os senadores só podem e devem confirmar um nome que reúna todos os predicados exigidos para integrar nossa mais alta Corte de Justiça. Não têm o direito de aceitar imposições de quem esteja no poder, seja lá quem for.

GRANDES FIGURAS – O Supremo já teve como integrantes muitas personalidades destacadas, como Prado Kelly, Adauto Lúcio Cardoso, Aliomar Baleeiro, Evandro Lins e Silva, Moreira Alves, Luiz Gallotti, Xavier de Albuquerque, Eloy da Rocha, Ribeiro da Costa, Oswaldo Trigueiro e muitos outros.

Eram figuras grandiosas. Além do notório saber jurídico e reputação ilibada, reuniam independência política, coragem pessoal, desapego a vaidades, além de vasta cultura geral, grande inteligência e conceituação.

A derrota de Jorge Messias traz um alento ao Brasil, ao indicar que o Senado da República já está contribuindo para que o próximo indicado reúna  essas qualidades requeridas na Constituição, para superar os desgastes que o STF tem sofrido nos últimos tempos. 

PONTO DE EQUILÍBRIO – O Legislativo deu uma resposta aos outros dois poderes, mostrando que tanto o Executivo quanto o Judiciário deveriam estar atuando alcançar o mais elevado ponto de equilíbrio para a salvaguarda das Instituições democráticas e garantia das liberdades tão arduamente conquistadas pelo sofrido e descrente povo brasileiro.

É triste constatar que tanto o Supremo quanto o governo do PT estão fugindo a suas respectivas responsabilidades, e assim contribuem para o enfraquecimento da democracia e do regime republicano. Apenas isso.

Senado impõe derrota histórica a Lula e barra indicação de Jorge Messias ao STF

Mesias precisava do apoio da maioria absoluta

Rafael Moraes Moura
O Globo

O Senado Federal impôs nesta quarta-feira (29) uma derrota histórica ao Palácio do Planalto ao rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Este é o maior revés da administração petista na arena legislativa neste terceiro mandato, marcado pela relação conturbada do governo com o Congresso. Messias obteve 34 votos, menos que os 41 exigidos pela Constituição Federal. Ao todo, 42 votaram pela sua rejeição.

A articulação que levou à derrubada da indicação do ministro de Lula no plenário do Senado foi comandada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que inicialmente trabalhou para colocar no cargo o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas não conseguiu convencer Lula a indicá-lo.

OFENSIVA DE ALCOLUMBRE – Nos últimos dias, aliados de Alcolumbre diziam que ele não ajudaria, mas também não atrapalharia a campanha de Messias. Até o último momento, porém, ele trabalhou para impedir que o ministro de Lula fosse aprovado, insuflando a oposição e pressionando senadores de partidos do Centrão para que votassem contra, mesmo que em público dissessem que poderiam apoiar Messias. O voto no plenário é secreto.

A ofensiva de Alcolumbre superou a intensa costura de bastidores que reuniu de parlamentares da base lulista à lideranças evangélicas e até mesmo de integrantes do STF com bom trânsito entre parlamentares da oposição. Antes do fracasso de Messias, a última vez que o Senado havia barrado um indicado ao STF ocorreu em 1894, no governo Floriano Peixoto.

Até a tarde desta quarta-feira (29), aliados de Messias previam uma vitória apertada e arriscavam um placar entre 44 e 48 votos favoráveis – uma margem similar à obtida por Flávio Dino (47 votos), André Mendonça (47) e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet (45 votos), em sua recondução ao cargo, em novembro do ano passado.

MUDANÇA NO CLIMA – Ao longo da tarde, porém, senadores da base lulista detectaram uma mudança no clima geral da Casa e foram inclusive apelar ao presidente do Senado. Messias foi a 11ª indicação de Lula ao STF ao longo de seus três mandatos – e o único a ser barrado pelo Senado.

Além da ofensiva de Alcolumbre, pesou contra Messias a oposição de Dino e Alexandre de Moraes, além da campanha declarada contra ele do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência contra Lula, que pretendia impor duas derrotas ao governo – na indicação do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) e na votação sobre o veto do presidente da República contra o projeto da dosimetria.

VAGA ABERTA – Além de reforçar a narrativa de um governo fraco, Flávio queria que o Senado deixasse a vaga aberta para ser definida caso ele ganhe as eleições de outubro. A derrota do chefe da AGU também cria um novo precedente – e implode um amplo histórico favorável à aprovação de indicações presidenciais ao STF.

Apenas em 1894 o Senado barrou indicações ao STF – todas elas no início da República Velha, durante o governo Floriano Peixoto, que ficou conhecido como o “Marechal de Ferro” devido ao perfil autoritário em uma gestão marcada pela repressão de revoltas e pela perseguição a opositores políticos.

À época, o Senado rejeitou a nomeação do médico Barata Ribeiro, dos generais Innocêncio Galvão de Queiroz e Francisco Ewerton Quadros, além do subprocurador da República Antônio Caetano Navarro e do então diretor-geral dos Correios, Demosthenes da Silveira Lobo, sob a alegação de falta de notável saber jurídico. Todas essas rejeições ocorreram em 1894. Na época, as sessões eram secretas, e a maioria das atas se perderam com o tempo.

REVÉS – Antes da derrota de Messias, o governo Lula já havia enfrentado um revés em outra indicação para a área da Justiça neste terceiro mandato, mas nada comparável à rejeição de Messias. Em 2023, a indicação de Igor Roque para a Defensoria Pública da União (DPU) foi rejeitada com apenas 35 votos a favor e 38 contrários.

Antes mesmo de ser confirmado, Roque montou equipe, dava entrevistas e despachava com ministros do governo Lula, o que irritou senadores que acharam que ele sentou na cadeira antes da hora. Messias, por outro lado, procurou ser mais cauteloso e submergiu publicamente em meio à demora de Lula em encaminhar a “mensagem ao Senado” para Alcolumbre, mas mesmo assim não conseguiu superar a resistência do presidente da Casa, que articulou até o último minuto pela sua derrota no plenário.

Antes da sabatina, aliados de Messias trabalhavam reservadamente com um placar entre 44 e 48 votos favoráveis. Preocupado com o quórum da votação, o Palácio do Planalto mapeou possíveis ausências e acelerou a liberação de emendas para afastar o risco de rejeição. Ao longo de sua peregrinação por votos no Senado, o chefe da AGU contou com o apoio de lideranças evangélicas e integrantes do STF, como André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados por Jair Bolsonaro.

Oposição tenta fatiar veto de Lula da Silva ao PL da Dosimetria e acirra disputa sobre penas do 8 de janeiro