O risco de o país legitimar a aliança entre Estado, dinheiro e crime organizado

Dono da Refit, vive em Miami e influencia diferentes órgãos

Pedro do Coutto

As recentes revelações sobre o Grupo Refit — e, em particular, sobre seu proprietário, Ricardo Magro — expõem de modo estarrecedor como o entrelaçamento entre poder econômico, corrupção e possível envolvimento com redes criminosas ameaça corroer a integridade das instituições e o interesse público. Não é apenas mais um escândalo: é um alerta sobre os perigos de um capitalismo de laços em que o trânsito entre negócios, política e ilegalidade se torna quase invisível — até explodir em prejuízo da sociedade inteira.

A “Operação Poço de Lobato”, deflagrada em 27 de novembro de 2025, tornou público o que há muito vinha sendo investigado: o Grupo Refit seria responsável por um gigantesco esquema de sonegação fiscal, fraude tributária e lavagem de dinheiro. O conglomerado é apontado como o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, com débitos que, somados aos passivos de outros estados, ultrapassam a marca de R$ 26 bilhões.

REDE DE EMPRESAS – As autoridades identificaram uma extensa rede de empresas — algumas em outros países — usadas como veículos para ocultar patrimônio, disfarçar lucros ilícitos e blindar bens. Apenas entre 2024 e 2025, segundo a investigação, o grupo movimentou cifras impressionantes: empresas próprias, fintechs, fundos de investimento e offshores foram parte de uma estrutura projetada para driblar a fiscalização e manter níveis de riqueza e poder incompatíveis com a atividade declarada de uma refinaria.

Mas a gravidade do caso não está apenas na fraude tributária. Ricardo Magro não construiu sua fortuna apenas com operações empresariais. Ele tem histórico de articulação política: chegou a ser advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha, figura que carrega um pesado histórico de desvios e corrupção. Essa proximidade indica que o patrimônio e a influência do empresário sempre estiveram inseridos no tabuleiro da política nacional — o que torna mais grave sua ascensão financeira e a eventual reprodução de mecanismos de poder indevido.

Quando um empresário com débitos bilionários, suspeita de lavagem de dinheiro e redes de offshores mantém ligações com figuras influentes e conta com blindagem institucional, abre-se um precedente perigosíssimo: legitima-se a infiltração do dinheiro sujo nas estruturas do Estado, transformando a democracia em fachada para interesses privados e ilícitos.

SONEGAÇÃO – E o cenário se agrava ainda mais quando há suspeitas — já ventiladas em investigações recentes — de que a Refit não só sonegava impostos, mas poderia estar envolvida com o abastecimento de esquemas ligados ao crime organizado, especialmente após o desmonte da cadeia anterior de distribuição de combustíveis apontada em outra operação.

Se confirmada essa conexão, trata-se de algo ainda mais grave: não apenas um crime econômico, mas uma ponte concreta entre o poder econômico formal, o coração do Estado e redes criminosas, com potencial para corroer o tecido institucional e degradar a governança.

É como se um mesmo personagem — o empresário — transitasse simultaneamente por três mundos: o dos negócios, o da política e o do crime. E cada um desses mundos, sozinho, já demanda vigilância intensa; juntos, formam uma bomba combinada para a democracia brasileira.

BENEFICIADOS – Em nome de quem, afinal, foi construída essa fortuna? Quem se beneficiou com a cumplicidade política e com a blindagem institucional? Quantos cofres públicos foram saqueados — enquanto se mantinha a aparência de legalidade? E, acima de tudo: quantos direitos sociais deixaram de ser garantidos, que poderiam ser assegurados com o dinheiro furtado à sociedade?

Cobrar a resposta dessas perguntas não é mero ativismo: é um ato de cidadania. Permitir que continuem sem resposta é abrir caminho para o avanço da impunidade. A justiça e a democracia não podem conviver com privilégios construídos em cigarros apagados, empresas-fantasma e lavagem de dinheiro.

A operação contra a Refit não é apenas mais uma investigação: é um teste para a capacidade do Estado de proteger o interesse público, de garantir transparência e impedir que o crime — financeiro ou organizado — transforme o Brasil num terreno fértil para a corrupção institucionalizada.

10 thoughts on “O risco de o país legitimar a aliança entre Estado, dinheiro e crime organizado

  1. Ora pois, diria Nhô Victor, meu saudoso avô materno:
    O mundo. cumpre a agenda da “Máfia Khazariana” à mercê do “Sindicato Internacional do Crime Organizado” leia-se Drogas, Prostituição, Pedofilia, Diamantes. Petróleo, Ouro e etc.., à locupletar os “para tanto enlaçados e alçados servis Fraternos Irmaõs”, daí a reconhecida escrachada inimputabilidade!

  2. O senhor Pedro se esqueceu de mencionar a impunidade.
    Quantos trambiqueiros tem sido soltos pela justiça?
    Quanto figurões tem sido blindados?
    A impunidade é a mãe de toda iniquidade.

  3. Trump descobre que ‘o grande porrete’ não vive duas vezes

    Opinião pública americana é avessa a uma guerra na América do Sul, especialmente a própria base ideológica trumpista

    ‘Fale suavemente e carregue um grande porrete.’ Trump recupera o aforismo empregado por Roosevelt na década inicial do século XX, mas com um desvio:

    – A parte do “grande porrete” encontra-se à vista de todos, no sul do mar do Caribe, às portas da Venezuela, sob a forma do porta-aviões USS Gerald Ford e seu grupo de combate naval.

    – O “fale suavemente” aplica-se exclusivamente a outros lugares: nas relações de Trump com Vladimir Putin e Xi Jinping.

    O Globo, Opinião, 08/12/2025 00h05 Por Demétrio Magnoli

    https://oglobo.globo.com/opiniao/demetrio-magnoli/coluna/2025/12/trump-descobre-que-o-grande-porrete-nao-vive-duas-vezes.ghtml

  4. A versão tupiniquim do Big Stick americano é o fale peremptoriamente e meta a ripa na cacunda do Bolsonaro.
    Dom Curro e o Xandão são o braço armado de ripas para descadeirar seus desafetos ideológicos.

  5. ….multilateral e apátridamente, segundo:
    “Uma das facetas mais sérias desse ritual falsificado de novo nascimento é que o iniciado jura(estatutáriamente) uma aliança à Ordem Secreta que transcende qualquer aliança feita posteriormente na vida. O autor cristão Bill Cooper descreve esse fato perturbador sucintamente: “… os membros da Ordem (Caveira e Ossos) fazem um juramento que os exime de qualquer aliança a qualquer nação, ou rei, ou governo, ou constituição e isso inclui a negação de qualquer juramento subseqüente que eles precisem fazer. Eles juram compromisso somente com a Ordem e com seu objetivo de uma Nova Ordem Mundial… de acordo com o juramento que Bush fez quando foi iniciado na Caveira e Ossos, seu juramento posterior ao tomar posse como Presidente dos Estados Unidos não significa nada.” [Cooper, Behold a Pale Horse, págs. 81-82] Como o juramento do presidente ocorreu após o juramento feito na Caveira e Ossos, ele não vale o papel em que estava escrito. Esse tipo de compromisso é realmente poderoso.” https://www.espada.eti.br/ce1011.asp

  6. Desassemelha-se de raízes familiares, religiosas, municipais, estaduais e federais , considerando-se um apátrida “cidadão do mundo” e portador de um impingido, exigente e pagante “Escudo Vermelho”!
    “Dendos” em:
    “De 1776 a 1896, a família Rothschild trabalhou de mãos dadas com a Maçonaria Iluminista, que tinha tomado o manto dos Mestres dos Illuminati. O objetivo deles era simplesmente organizar o mundo em um governo, uma economia e uma religião, para que eles possam então colocar em cena seu super-homem espiritual, o Cristo da Nova Era (o Bíblico Anticristo).

    “Mais tarde, outro amigo meu comentou como a atenção do Serviço Secreto se voltou para um membro da Equipe Avançada do governo Clinton que usava um broche vermelho de Lenin na lapela.” [pág. 10, fato ocorrido em novembro de 1992] Vermelho denota o ‘escudo vermelho’ dos Rothschilds. Na língua alemã culta, Rothschild significa ‘escudo vermelho’. Como o Comunismo foi criado pelo Iluminismo de Rothschild, existem muitos detalhes comuns entre o Comunismo e o Iluminismo. O escudo vermelho é apenas um exemplo. [Leia o artigo N1226 no site da Cutting Edge.].

    “Esse vermelho intenso fala dos Illuminati, pois é a cor deles para representar sacrifício humano e guerra espiritual. Um dos fundadores dos Mestres dos Illuminati foi Mayer Amschel Bauer, que mais tarde alterou seu sobrenome para Rothschild. Ele era o homem do dinheiro que estava por trás do fundador público, Adam Weishaupt. O símbolo favorito de Bauer era o hexagrama real vermelho, que ele pendurava no lado de fora da sua porta! Séculos mais tarde, Lenin adotou a cor vermelha para a bandeira comunista, enquanto que Israel adotou a estrela de seis pontas como seu símbolo nacional. Tanto a cor vermelha e o hexagrama apontam diretamente para Mayer Amschel Bauer (Rothschild).” [Leia o artigo N2020, “A Herança Espiritual e Política do Papa João Paulo II e as Evidências de Paganismo em seu Funeral”].

    Esta é a genuína Casa de Rothschild, os principais banqueiros que patrocinaram financeiramente o Plano dos Illuminati desde 1776. Agora, vamos rapidamente examinar o papel dos Rothschilds no início do Movimento Sionista para restabelecer Israel, a Conferência Sionista na Suíça.

    Quando a primeira Conferência Sionista foi realizada em 1897, em Basiléia, na Suíça, com o propósito expresso de iniciar um esforço organizado e concentrado de fazer um número significativo de judeus retornarem para Israel, as perspectivas pareciam sombrias. Toda a região estava sob o rígido controle do Império Otomano Turco, cujos governantes não viam com simpatia alguma o retorno dos judeus à sua pátria e a restauração de Israel. Mesmo assim, os delegados judeus que participaram dessa conferência sentiram uma singular mão forte sobre eles, fazendo-os continuar. Essa conferência terminou com um compromisso dos judeus ricos e influentes de começarem a financiar um retorno de indivíduos judeus à Terra Prometida. E eles retornaram, primeiro às centenas, depois aos milhares, mais tarde às dezenas de milhares. Desde o início, a silenciosa e invisível direção espiritual que levava Israel de volta à sua terra não era o judaísmo tradicional, e certamente não era cristã; em vez disso, a liderança espiritual era Iluminista! A família Rothschild assumiu logo cedo a liderança nessa luta crucial e forneceu o imenso financiamento necessário para que os imigrantes judeus comprassem a terra dos árabes à medida que eles se estabeleciam em Israel. [Leia o artigo N1884 disponível do site da Cutting Edge.].”

  7. O tp tem uma aliança com essa turma, a dama de vermelho de Manaus, teve sua passagem paga pelo governo para ir a Brasília, uma ONG ligada ao pcc recebeu dinheiro do governo. Quando o molusco foi na comunidade do Moinho, teve o consentimento do pcc

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