Não conte para ninguém os recônditos segredos poéticos de Cora Coralina

Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,...Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta goianiense Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), conhecida como Cora Coralina, mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Não Conte Pra Ninguém”, no qual solicita que seus segredos não sejam revelados.

NÃO CONTE PRA NINGUÉM
Cora Coralina

Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o Rio Vermelho.
Tenho segredos
como os morros
que não é de advinhá.

Sou do beco do Mingu
sou do larguinho
do Rintintim.

Tenho um amor
que me espera
na rua da Machorra,
outro no Campo da Forca.
Gosto dessa rua
desde o tempo do bioco
e do batuque.

Já andei no Chupa Osso.
Saí lá no Zé Mole.
Procuro enterro de ouro.
Vou subir o Canta Galo
com dez roteiros na mão.

Se você quiser, moço,
vem comigo:
Vamos caçar esse ouro,
vamos fazer água… loucos
no Poço da Carioca,
sair debaixo das pontes,
dar que falar
às bocas de Goiás.

Já bebi água de rio
na concha de minha mão.
Fui velha quando era moça.
Tenho a idade de meus versos.
Acho que assim fica bem.
Sou velha namoradeira,
lancei a rede na lua,
ando catando estrelas.

One thought on “Não conte para ninguém os recônditos segredos poéticos de Cora Coralina

  1. O amor morre com a rotina
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    Sem jeito nos abraçamos
    Nossos corpos se enlaçaram
    Breve tempo assim ficamos
    E nossos lábios se tocaram.

    Beijamos um beijo molhado
    Com sabor não sei de quê
    Era morno e condimentado
    Com o tempero de você

    Afagos e caricias trocamos
    Todo o gozo do amor tivemos
    Mas á rotina nos acostumamos
    E, para sempre, nos perdemos.

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