BC receia que Toffoli suspenda a intervenção no banco Master

O amigo do amigo do meu pai pediu essa chargeFábio Pupo
Folha

Atuais membros da direção do Banco Central avaliam que estão sob ataque após terem decretado a liquidação do Banco Master. Em meio a questionamentos de outras autoridades sobre o processo, os integrantes calculam os próximos passos a serem dados.

A autarquia se prepara para um embate jurídico sobre as decisões tomadas no escopo da fiscalização sobre o Master e até para uma eventual tentativa de transformar o BC em investigado.

FRAUDE BILIONÁRIA – Apesar disso, dirigentes demonstram confiança no processo por terem verificado números do Master que, segundo eles, confirmariam uma fraude bilionária nos balanços.

Os investigadores afirmaram que o Master teria fabricado cerca de R$ 12 bilhões em créditos falsos, depois repassados ao BRB (Banco Regional de Brasília). Procurados por meio da assessoria de imprensa, BC e Master não comentaram.

O Banco Central decretou a liquidação do Master em 18 de novembro por encontrar no banco tanto problemas de liquidez como “graves violações” às normas do sistema financeiro. Os problemas estavam sobretudo em ativos na parte de crédito do balanço, que na prática foram vistos como inexistentes.

NOVOS COMPRADORES – A análise pelo BC demandou meses de discussão e diversas reuniões com representantes do Master.

A liquidação foi anunciada um dia depois que Vorcaro se reuniu com a autarquia e comunicou que viajaria ao exterior para fechar negócio com novos compradores para o banco: a Fictor, empresa pouco conhecida no setor, em conjunto com investidores dos Emirados Árabes cuja identidade não foi revelada.

Vorcaro foi preso no mesmo dia da reunião com o BC, quando tentava embarcar em um jatinho. Segundo a defesa do banqueiro, a viagem seria para assinar o negócio com os árabes. Para a PF, era um modo de facilitar a fuga do país. Após dez dias, ele foi solto por uma juíza federal.

HÁ AMEAÇA – Mesmo certos da decisão e dizendo ter todos os elementos que comprovariam a correta atuação no caso, diretores do BC veem a possibilidade de uma tentativa de questionar a liquidação, sob o argumento de que haveria um plano de reestruturação pronto e apresentado, o que tornaria a medida desnecessária. Pesam contra essa argumentação, porém, as fraudes apontadas pelos investigadores.

O BC se vê hoje diante da necessidade de explicar a decisão ao STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Dias Toffoli marcou uma acareação entre representantes do caso para a próxima terça-feira (30).

Uma convocação já era esperada, em parte, uma vez que um despacho do magistrado em 15 de dezembro já havia determinado oitivas de investigados e do BC em até 30 dias. A diretoria da autarquia até citava, em conversas informais, que o compromisso poderia alterar planos e viagens para o fim do ano.

CAUSOU ESTRANHEZA – Na véspera de Natal, no entanto, Toffoli surpreendeu ao marcar uma acareação, o que causou estranheza entre juristas por ser um instrumento usado para confrontar versões diferentes após depoimentos anteriores. Toffoli não colheu depoimentos individuais dos envolvidos.

A acareação será feita entre Vorcaro; Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília, estatal do Distrito Federal que negociou a compra do Master, barrada pelo BC).

O ministro determinou a acareação dentro de um processo sigiloso pelo qual é responsável no tribunal. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

MUDANÇA DE ALVO – Conforme publicou a Folha, a acareação terá como um de seus focos justamente a atuação do BC. A audiência pode levar o órgão regulador para o centro das investigações.

Toffoli teria indicado a integrantes de seu gabinete que pretende esclarecer o momento em que o BC tomou conhecimento das suspeitas sobre o Master, as medidas na fiscalização do mercado de títulos bancários e determinar eventuais responsáveis por falhas nesse processo. Até o momento, ele não teria dado sinais de que pretende anular a liquidação do banco.

O assunto Master chegou ao STF após pedido da defesa do banqueiro. A solicitação foi feita após um envelope com documentos de DDD Carlos Bacelar (PL-BA) ter sido encontrado em uma busca e apreensão.

MORAES EM CENA – O caso Master tem colocado em xeque a atuação de ministros do STF no caso. No fim de novembro, no mesmo dia em que a Justiça mandou soltar o banqueiro da prisão, Toffoli embarcava em jatinho para Lima junto com o advogado de um diretor do Master para ver um jogo de futebol. Além disso, o escritório ligado à família de Moraes tem contratos milionários com o banco.

Paralelamente, o TCU (Tribunal de Contas da União) também analisa o caso. O ministro Jhonatan de Jesus determinou que o BC se explicasse sobre o caso e sugeriu que a decisão do BC pode ter sido extrema e precipitada. O questionamento não recebeu objeções de outros ministros do tribunal por enquanto.

Segundo o despacho, a ação da autoridade monetária sugere que o BC pode ter demorado para buscar alternativas de mercado para o Master. Além disso, avalia que o BC poderia ter considerado soluções menos onerosas. O BC já formulou sua resposta ao TCU.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Comprem pipocas, o ministro Toffoli tomou a direção do espetáculo e está querendo salvar o falido Master e o fracassado Vorcaro, num só golpe de cena. Mas o Banco Central vai resistir e a novela se prolongará. (C.N.)

8 thoughts on “BC receia que Toffoli suspenda a intervenção no banco Master

  1. Hemoglobina Glicada HbA1c : 5,3 % – Frutosamina (Proteínas Glicosiladas): 239 µmol/L Valores de Referência: 205 a 285 µmol/L

    Não haveria problemas para mim.

  2. É um verdadeiro absurdo o juiz do STF Dias Toffoli se intrometer em assuntos puramente técnicos do BC sem que sequer tenha sido provocado , além de querer afastas a PF das investigações como anunciado , impedindo-o que cumpra com suas obrigações ” legais e constitucionais ” de fiscalizar os agentes financeiros no Brasil , e onde estão os oposicionistas do governo que nada fazem para sustarem esses aberrações extremamente nocivas ao Brasil e a seu povo .

    • Muito pertinente o seu comentário José Carlos.
      Os oposicionistas, principalmente os senadores do PL estão num silêncio ensurdecedor. Apenas Damares Alves se posicionou, protocolando um processo de impeachment de Morais. Porém, se quedou inerte quanto ao ministro Dias Toffoli. Este sim, que segundo o artigo de Malu Gaspar e outros agentes do mercado financeiro, marcou uma acareação fora da curva com Vorcaro, o ex- presidente do BRB e o Diretor de Fiscalização do Banco Central. Merece um processo de impeachment por se tornar investigador e magistrado ao mesmo tempo, copiando o que Sérgio Moro fez na Lava Jato. O agora senador Moro está fazendo escola no STF.
      Só um detalhe, no caso de Moro, o procurador Deltan Dallaganol atuava em dobradinha com o xerife de Curitiba. Agora não, o Procurador Geral Paulo Gonet se.msnifestou contra a acareação marcada por Toffoli no último dia do ano.
      Isso é inacreditável.

      O STF vai acabar virando o Judas nacional. Deram uma trégua boa para a Câmara e para o Senado.

      Tem que acabar o mais rápido possível, as decisões monocráticas até com certas urgência para frear a onda gigantesca que se formou contra o STF. O presidente do STF Edson Fachin está isolado na Corte e é quase impossível passar a sua proposta do Código de Conduta.

      Quanto ao fim das Decisões Monocráticas, o Congresso não vai votar, por medo excessivo da Suprema Corte. Do jeito que andam decidindo, é melhor retirar a palavra Supremo.

  3. Senhor Roberto Nascimento , o problema não esta na existência das tais ” Decisões Monocráticas ” , assim como a existência do congresso nacional , onde boa parte de seus membros podem ser tratados como ” quinta coluna e inimigos ” do Brasil e seu povo , mas sim no seu mal uso e desvirtuamento ao previsto nas Leis do país , pois queiramos ou não , a classe política Brasileira também é beneficiárias desses desvios legais dos maus juízes , desembargadores e ministros Brasil afora .

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