Trump descartou Bolsonaro porque ele virou perdedor, diz ex-embaixador dos EUA

Gonet mostra que a Procuradoria também submergiu na podridão

Moraes e Gonet - 02/09/2025

Paulo Gonet está limpando as sujeiras de seu amigo Moraes

Vicente Limongi Netto

Brasil rumo ao abismo da podridão. Brasileiros cada vez mais desapontados com as instituições. Poderosos deslustram os cargos. Fica tudo como dantes no quartel de Abrantes. A gentalha mafiosa e desprezível atua nos três poderes da República.

Vestais grávidas de toga passam a mão na cabeça de apaniguados. Com o maior descaramento. Dormem e acordam arrogantes. Amiguinhos e colegas de magistrados podem cometer as maiores barbaridades, que não acontece nada. Elementos nocivos e graúdos são blindados.

CASO MASTER – Imprensa em geral e colunistas respeitados investigaram, apuraram e publicaram matérias arrasadoras relatando negociatas do Banco Master. Muitas das matérias recheadas de graves acusações contra Alexandre de Moraes.

Agora, respeitados profissionais passam como malfeitores. Abissal absurdo. Canalhice que não pode ser admitida nem suportada. É o fim da picada. 

Nessa linha o sabujo procurador-geral da República,  Paulo Gonet, numa avassaladora, serviçal e cretina canetada, pediu a canonização do humilde e puro casal ministro Alexandre de Moraes, envolvidos no processo imundo e nada republicano do Banco Master.

ARQUIVADOR – Gonet mandou arquivar tudo que existe contra o imaculado xerife Xandão e a mulher dele, advogada Viviane Barci Moraes. 

Gonet não vê pressão de Moraes nem ilegalidade em contrato de esposa, e arquivou a investigação, dizendo que não há como aprofundar as revelações feitas pela imprensa. Mas é claro que há como comprovar, sim.

Tudo indica, nos finalmentes,  que os arquivos da Procuradoria-Geral da República estão podres. Fortes concorrentes  dos  sacos de lixo hospitalar.

Entre a paixão nacional e o vazio fiscal: o Brasil das apostas e seus desafios

Vorcaro reuniu-se com diretor do Banco Central horas antes de ser preso

PGR arquiva representação contra Alexandre de Moraes sobre caso do banco Master

Fachin intervém no caso Master e altera a “acareação” de Toffoli

Quem é quem no gabinete de Edson Fachin, novo presidente do STF - Estadão

Fachin decidiu botar o STF em ordem e desautorizou Toffoli

Carlos Newton

Embora determinados ministros do Supremo se julguem acima da lei e da ordem, tudo tem limites e nesta segunda-feira, dia 29, o presidente Edson Fachin alterou a decisão de Dias Toffoli, que tinha determinado uma acareação entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o presidente afastado do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa (os dois investigados por fraude), e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

Ao invés de acareação, que tinha sido uma tremenda mancada de Toffoli, a sessão passou a ser de depoimentos sobre as irregularidades cometidas, que levaram à liquidação do Master, em defesa da economia popular, segundo justificou o Banco Central.

CONCORDÂNCIA – Convocar uma acareação foi uma surpresa, porque esse tipo de providência só é tomado quando existe discordância entre depoimentos. No caso dos convocados por Toffoli, nem existiam depoimentos e, muito menos, controvérsias.

O que havia eram concordâncias, porque os três foram a favor da venda irregular e ruinosa do Master para o estatal BRB.

Justamente por isso, Vorcaro e Costa estão sendo investigados criminalmente, e Aquino está sob suspeita, porque todos demais os diretores do Banco Central foram a favor da liquidação e somente no final ele mesmo viria a apoiar, para haver unanimidade na decisão.

GONET CONTRA – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foram contrários à acareação irregular, mas Toffoli manteve a decisão.

A intransigência de Toffoli levantou suspeitas de que estaria interessado em desfazer a liquidação extrajudicial do Master, que vai dar prejuízo de R$ 19 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.

Esse Fundo é particular e foi criado pelo sistema bancário para evitar graves crises financeiras e prejuízos aos pequenos investidores até R$ 250 mil em CDBs e Poupança.

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P.S.
No caso do Master, há investidores que terão altos prejuízos, como o RioPrevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio. E agora, além do ministro Alexandre de Moraes, também Dias Toffoli fica sob suspeita de favorecimento ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Comprem pipocas que o Ano Novo vem aí. (C.N.)

Heloísa Helena volta à Câmara e rejeita alianças: “Não contem comigo para conciliar”

Governo Lula acende alerta para possível ingerência dos EUA na eleição de 2026

Galípolo agora precisa informar o que conversava com Moraes

Quem é Gabriel Galípolo, anunciado por Haddad como secretário-executivo do Ministério da Fazenda em 2023 | G1

Gaíípolo terá de exibir os documentos sobre as pressões

Elio Gaspari
Folha

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está numa sinuca de bico com o caso do banco Master. Se contar tudo o que sabe, muda a essência da relação do BC com bancos a caminho da quebra, mas, em tempos de festas e do Especial de Roberto Carlos, faz um milhão de inimigos.

Até agora, Galípolo não foi convincente sobre o que tratou em seus contatos com o ministro Alexandre de Moraes.

DISSE TUDO – A repórter Malu Gaspar com a palavra: “O ano de 2025 vai terminando amargo para muita gente que acreditou nos julgamentos dos vândalos golpistas do 8 de Janeiro e dos articuladores da intentona para impedir a posse de Lula, como salvação da democracia”, disse, acrescentando:

“Tudo por causa do enredo que começa no contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos por serviços até agora desconhecidos, e segue com a pressão do ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela aprovação da venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Galípolo, na entrevista coletivo de final do ano, disse que sua equipe “documentou tudo”, referindo-se às pressões. Estamos esperando… (C.N.)

Trump governa como monarca e leva os EUA ao limite do poder presidencial

Flávio Bolsonaro cria impasse e ressuscita o fantasma do voto em branco

A esperança de um Ano Novo, na visão poética de Ferreira Gullar

Porque nada do que foi feito satisfaz a vida, nada enche a vida. A vida é viver.... Frase de ferreira gullar.Paulo Peres
Poemas & Canções

Para os poetas, não existe nada como o amor.  Mas entre os demais temas preferidos, o Ano Novo é sempre um grande inspirador. Vejam como o grande poeta, tradutor, escritor e dramaturgo maranhense Ferreira Gullar (1930-2016) tratou do assunto.

ANO NOVO
Ferreira Gullar

Meia noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)

Lava Jato deu o exemplo e a luta contra a corrupção está de volta

Efeitos perversos e duradouros da corrupção - Blog do Ari Cunha

Charge do Tacho (Jornal NH)

Carlos Pereira
Estadão

O Brasil voltou a ser sacudido por uma sequência de escândalos de corrupção. Operações da Polícia Federal, solicitadas pela PGR e autorizadas pelo STF, recolocaram o tema no centro do debate público. Há denúncias de fraudes no INSS, desvios de emendas parlamentares e apreensões de grandes quantias em dinheiro com deputados.

Diante desse cenário, reaparece uma pergunta que parecia superada: a luta contra a corrupção está de volta?

ESVAZIAMENTO – Durante algum tempo, consolidou-se a percepção de que o combate à corrupção havia sido esvaziado com o fim da Operação Lava Jato.

Para muitos, aquele encerramento simbolizaria o retorno automático a padrões históricos de impunidade. Essa leitura, no entanto, ignora mudanças institucionais que permaneceram — como a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, a Lei Anticorrupção e os mecanismos de delação premiada e leniência.

Ainda assim, é inegável que houve um hiato recente, em que as instituições de controle pareceram recuar.

DEMOCRACIA AMEAÇADA – Uma primeira hipótese para explicar esse movimento é que, durante o governo Bolsonaro, o sistema de justiça avaliou que a principal ameaça não era a corrupção, mas à própria democracia.

Discursos golpistas, ataques ao Judiciário e tentativas de instrumentalização das forças de segurança deslocaram prioridades.

Diante desse cenário, as instituições teriam uma escolha: combater a corrupção ou proteger o regime democrático. Optaram pela segunda.

SINALIZAÇÃO – Há, contudo, uma segunda hipótese complementar, menos evidente, mas igualmente relevante. Esse novo ciclo de investigações pode funcionar também como uma sinalização preventiva do sistema de justiça diante de eventuais tentativas do Legislativo de retaliar ou reduzir seus poderes — especialmente os do STF.

Mesmo reconhecendo as dificuldades de coordenação em um sistema político altamente fragmentado como o brasileiro, é racional que o sistema de justiça atue de forma preventiva.

Ao intensificar o combate à corrupção, ele aumenta os custos políticos de qualquer agenda legislativa que busque enfraquecer suas competências. Investigações e denúncias elevam o risco reputacional e judicial dos próprios atores que poderiam patrocinar iniciativas de retaliação institucional.

ESTRATÉGIA – Nesse sentido, o retorno da pauta anticorrupção não seria apenas reativo, mas estratégico.

Trata-se de um movimento típico de instituições que operam sob ameaça difusa: agir antes para evitar ser contido depois.

O combate à corrupção, portanto, não desapareceu. Ele foi reordenado por prioridades políticas. E tudo indica que voltou a ocupar um lugar central no equilíbrio institucional brasileiro.

Caso Master: Banco Central pisa em ovos antes de chutar o balde

PF pede ao STF abertura de inquérito contra Toffoli por suposta propina |  ASMETRO-SI

Charge do Duke (Itatiaia)

Wálter Maierovitch
UOL

O Banco Central, com muita cautela, tentou obter do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, esclarecimentos sobre a acareação de Ailton Aquino, um dos seus fiscalizadores, com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília). Mas Toffoli negou.

Como o inquérito está em fase inicial, e a decisão de Toffoli é inconstitucional, ilegal e inusitada, o Banco Central quer saber a situação procedimental de Aquino. Seria testemunha, suspeito, perito?

JUIZ DE INSTRUÇÃO – Toffoli está atuando como se fosse um juiz de instrução, figura que não existe no nosso sistema constitucional.

O ministro não pode, pela proibição constitucional, subtrair atribuições reservadas ao Ministério Público e à polícia judiciária, como está fazendo.

O Banco Central move-se com muita cautela porque o inquérito é sigiloso, e os crimes em apuração são escabrosos, para dizer o mínimo.

FICAR CALADO – Como suspeito ou como testemunha que pode se implicar em razão de rumos tortuosos impostos por Toffoli, o diretor Ailton Aquino tem a garantia constitucional de invocar o silêncio.

Toffoli negou os esclarecimentos pedidos pelo Banco Central, que agora poderá entender por bem não apresentar Aquino para acareação nesta terça-feira.

A razão é simples: ninguém está obrigado a cumprir ordem manifestamente ilegal, inconstitucional.

Se Galípolo disser o que sabe, o mercado financeiro vai sofrer um forte abalo

Datafolha: PT lidera preferência partidária e PL atinge recorde impulsionado por Bolsonaro

PT é partido preferido de 24% dos eleitores e PL de 12%

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

O PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua na dianteira como a sigla preferida dos brasileiros, agora acompanhado pelo PL, legenda alavancada na memória nacional pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mostra nova pesquisa Datafolha.

O partido de esquerda segue como o mais lembrado, feito que mantém desde o final da década de 1990. Atualmente ele é citado por 24% dos brasileiros, contra 12% do PL, a segunda sigla preferida dos brasileiros.

ESTABILIDADE – O cenário é de estabilidade para o PT no terceiro governo Lula, cujos índices variaram de 23% a 27%. Já a legenda de Bolsonaro alcançou índice recorde na série histórica, iniciada em 1989 Os dados vêm de pergunta que aceitou respostas espontâneas e únicas no Datafolha, feito com 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Considerando dados desde dezembro de 2021, quando o PL passou a ser citado de maneira consistente nas pesquisas, o ponto máximo do PT ocorreu em setembro de 2022, quando a sigla foi lembrada por 31% dos brasileiros. Na época, Jair Bolsonaro governava o país, fazendo oposição direta ao PT. Atualmente inelegível e preso, Bolsonaro já declarou querer reeditar a disputa com Lula pessoalmente ou por meio de um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Considerando toda a série histórica do Datafolha, com dados para esta pergunta desde 1989 (ano das primeiras eleições diretas para presidente após a ditadura militar), o PT só perdeu como a sigla mais lembrada para o PMDB. A legenda, que antes de 1980 tinha o nome MDB, recuperado em 2017, chegou a ter 19% das menções em 1992 e 1993. Hoje, registra 2%.

DIANTEIRA – A posição mudou no final da década de 1990, quando o PT entrou e nunca mais saiu da dianteira. Desde o início da série histórica, porém, o maior índice entre os brasileiros é daqueles que dizem não ter preferência de partido. A opção nunca teve índice menor que 40%.

O PSDB, que já foi considerado um dos principais opositores do PT, começou a série histórica em 1989 com 1% e teve pico de 9% em junho de 2015, época de protestos contra o governo Dilma Rousseff (PT) que levaram ao impeachment da então presidente.

Esse período, de fevereiro de 2015 a dezembro de 2016, também é um dos piores para o PT desde que ele ascendeu no final da década de 1990. Em março de 2015 e dezembro de 2016, a sigla, acostumada a dois dígitos, fez 9%.

SEGUNDO LUGAR – PSDB e PMDB/MDB disputaram o segundo lugar da preferência partidária na maior parte das duas primeiras décadas dos anos 2000, até que o PSL começou a ultrapassar as legendas em outubro de 2018.

A época é antecedida pela facada levada, em 6 de setembro daquele ano, por Jair Bolsonaro durante campanha presidencial. O político era do PSL, que teve pico de menção de 7% em outubro de 2018 e depois caiu.

Já o PL passou a ser lembrado com consistência a partir de dezembro de 2021, sendo citado por ao menos 1% dos brasileiros. Bolsonaro foi para a legenda em 30 de novembro daquele ano. Desde então, o partido foi subindo nas pesquisas, chegando a uma porcentagem com duas casas em outubro de 2022, quando Bolsonaro foi para o segundo turno com Lula, para quem perdeu.

REJEIÇÃO – Embora chame a atenção para a legenda na qual se encontra, Bolsonaro tem também rejeição para seu nome e de familiares, como mostra o Datafolha. Na análise por segmento, o último levantamento sobre preferência partidária mostra que o PT tem taxas de menções mais altas entre aqueles com ensino fundamental (31%), entre os moradores do Nordeste (31%), católicos (30%), os que avaliam o STF como ótimo ou bom (48%) e os que votaram em Lula em 2022 (50%).

Por sua vez, o PL se destaca entre os que têm renda familiar mensal de 5 a 10 salários mínimos (19%), com ensino médio e superior (14% cada), que avaliam o STF como ruim ou péssimo (30%) e votaram em Bolsonaro em 2022 (29%).

A estratégia para reverter a liquidação do Master e o cerco ao Banco Central no STF

Acareação de Toffoli ajuda plano da defesa do Master

Malu Gaspar
O Globo

Depois de conseguir o envio da investigação sobre o Master para o Supremo Tribunal Federal e a decretação de sigilo absoluto no caso, a próxima etapa da estratégia de defesa do banco já está em andamento. O objetivo é minar a credibilidade do Banco Central e desmontar o trabalho que levou à liquidação do Master para revertê-la e, no limite, quem sabe até receber algum tipo de ressarcimento.

O plano já foi desenhado pelos advogados do Master nas manifestações feitas tanto ao próprio Supremo como ao Tribunal de Contas da União, no processo em que o ministro Jhonatan de Jesus pediu esclarecimentos ao BC sobre a “decisão extrema” de liquidar o banco de Vorcaro.

CRIAÇÃO DE FATOS – Para que o estratagema dê certo, porém, é preciso criar fatos para justificar uma decisão de Toffoli contra os diretores e técnicos do BC. O histórico do ministro autoriza supor que ele tem chance de prosperar. Desde que embarcou no jatinho de um amigo empresário junto com o advogado de um dos investigados no caso para ir a Lima assistir a final da Libertadores, Toffoli vem seguindo à risca o script da defesa.

Nos últimos dias, ele já negou tanto o pedido da Procuradoria-Geral da República como o do próprio BC para suspender a acareação entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino.

Disse, ainda, que Aquino não é investigado. Mas colocou os três em pé de igualdade em um procedimento que em tese deveria servir para confrontar versões, mas que se configura esdrúxulo, uma vez que não existe ainda versão alguma, já que ninguém prestou depoimento ainda. Supondo que Toffoli esteja de fato interessado em saber como o Banco Central atuou nesse caso, seria conveniente tentar entender pelo menos como se chegou à decisão de liquidar o Master.

DECISÃO UNÂNIME –  Primeira informação útil: a liquidação foi decidida com a aprovação unânime da diretoria colegiada do BC, incluindo o voto sim do presidente, Gabriel Galipolo, que em princípio não precisava se manifestar, já que os outros oito diretores eram a favor. A responsabilidade, portanto, é de toda a cúpula da autarquia.

E ainda: de todos, quem mais resistiu à ideia da liquidação foi o próprio Ailton Aquino, da fiscalização. Internamente no BC e no sistema financeiro, Aquino era visto como um aliado do Master.

Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sustentado por recursos dos próprios bancos, mostram que houve 38 comunicados oficiais sobre os riscos de liquidez, furos no balanço do Master e outras questões que deveriam levar a uma ação mais contundente do órgão regulatório.

ALERTAS – Quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino, e muitos foram feitos em reuniões presenciais. Duas pessoas que participaram desses encontros me relataram que a atitude do diretor era sempre a de minimizar os problemas – que foram só se agravando ao longo do tempo.

A discussão em torno de uma atitude mais drástica em relação ao Master, como intervir ou liquidar, só começou a ganhar corpo a partir de março de 2025, quando o BRB anunciou que compraria 58% do banco de Daniel Vorcaro mas o deixaria comandando a instituição. Era na prática um mero salvamento, já que a venda não garantiria o controle para o BRB.

Foi no processo de análise dessa operação que outra diretoria, a de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, encontrou as fraudes nos contratos de crédito consignado que avalizaram o repasse de R$ 12, 2 bilhões do BRB para o Master pela venda da carteira, antes mesmo da fusão dos dois bancos.

RACHA – A partir daí deu-se um racha interno, com a área de Renato Gomes propondo intervir no Master e a de Aquino tentando encontrar uma solução que permitisse ao banco seguir operando. Portanto, o integrante do BC que mais conhece as fraudes e seu mecanismo não é Aquino, e sim Gomes, que até já terminou o mandato.

Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.

Esses mesmos técnicos informaram aos investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal que nunca tinham sofrido tanta pressão política em favor de um único banco como no caso do Master.

REUNIÃO  – Enquanto esse embate interno se dava, em julho de 2025, ocorreu uma reunião em que o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu a Galipolo pelo Master. Moraes, cuja mulher tem um contrato de prestação de serviços jurídicos de R$ 130 milhões com o banco, disse gostar de Vorcaro e recorreu a um argumento muito usado à época – o de que o banqueiro vinha sendo perseguido pelos grandes que não queriam concorrência. Ao ser informado por Galípolo de que o BC havia descoberto as fraudes, Moraes recuou e disse que tudo precisava ser investigado.

Desde então, o Master também parou de fazer os depósitos compulsórios para o caixa do BC determinados por lei, além de pedir ao FGC a abertura de linhas de créditos – dois indícios flagrantes de problemas de liquidez.

Dois dias antes de a liquidação ser decretada e Vorcaro ser preso, o dono do Master pediu para antecipar uma reunião com Aquino para dizer que tinha encontrado compradores para seu banco, um consórcio entre a financeira Fictor e um fundo árabe que ele nunca soube qual era.

OFÍCIO – Depois da prisão na área de embarque do aeroporto de Guarulhos, o registro da reunião foi usado pela defesa de Vorcaro para argumentar que ele tinha avisado ao BC que viajaria para Dubai e que portanto não poderia estar fugindo. O ofício com o registro, assinado por Aquino, foi fundamental para que Vorcaro fosse tirado da cadeia e enviado à prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Se queria mesmo entender como foi feito o trabalho dos técnicos da autarquia, Toffoli deveria ter convocado ao menos os dois diretores – e não apenas o mais próximo de Vorcaro. Diante desse quadro, os representantes legais do BC acusaram o risco de “armadilhas processuais” e pediram o cancelamento da acareação.

A quem pergunta, nos bastidores, o ministro tem tentado convencer de que que não vai aliviar a situação do Master. Até agora, porém, o que se viu foi o contrário. Parece que Toffoli está mais interessado nessa acareação do que na vitória do Palmeiras em Lima. Seu time, aliás, perdeu o título para o Flamengo. Mas o de Vorcaro só tem tido vitórias.

Moraes ainda sonha escapar, mas as perspectivas são desesperadoras

Após decisão do STF, Toffoli e Moraes são citados 653 mil vezes no Twitter

Toffoli faz o possível e o impossível para salvar Moraes

Carlos Newton

A chegada de Natal e Ano Novo foi oportuna para Alexandre de Moraes, porque reduziu um pouco o impacto negativo de sua ligação com o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que o ministro do Supremo tentou livrar da falência fazendo o Estado assumir os prejuízos da inevitável falência do Banco Master.

Moraes se empenhou pessoalmente para que o Master, com as finanças destroçadas por gestões temerárias, fosse comprado pelo Banco Regional de Brasília (BRB), que é estatal, gerido pelo governo do Distrito Federal.

BAÚ DA FELICIDADE – Na verdade, nada de novo na frente ocidental. O mesmo golpe foi aplicado em 2010 por Silvio Santos, quando seu Banco PanAmericano estava à beira da falência por má gestão e desvio de recursos.

O dono do SBT conseguiu convencer Lula a receber um baú da felicidade, digamos assim, caso autorizasse a Caixa Econômica a comprar parte do PanAmericano. Lula aceitou, a Caixa ficou com 35% do controle, pagando cerca de R$ 750 milhões, e Silvio Santos comemorou no programa “Tudo por Dinheiro”.

Como banco estatal não pode falir, o PanAmericano escapou da intervenção extrajudicial preparada pelo Banco Central. Ninguém foi preso e ficou tudo por isso mesmo, como se dizia antigamente.

GOLPE FRACASSADO – Desta vez, porém, a armação ainda não deu certo, porque o prejuízo do Master era estratosférico e havia provas abundantes de fraudes e gestão temerária.

Aqui na Tribuna da Internet, montamos um grande dossiê e enviamos oficialmente os documentos para o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários e o Tribuna de Contas da União.

Dois meses depois, a negociata foi desfeita, o Banco Central fez intervenção no Master, seu controlador Daniel Vorcaro foi preso com dois cúmplices e a Justiça Federal decretou o afastamento temporário do presidente do Banco BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Finanças e Controladoria da instituição, Dario Oswaldo Garcia Júnior.

SOS MASTER – Apesar de tudo isso, ainda há quem tente salvar não só o banco, como também, consequentemente, o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher firmou um contrato de R$ 129,6 milhões para assessorar a diretoria do Master da forma mais ampla possível.

É o caso do ministro Dias Toffoli, que parece não ter medo do ridículo nem da espada de Dâmocles, aquela que ameaça detentores de grande poder que podem perdê-lo de repente.

Nesta terça-feira, dia 30, haverá uma acareação tipo comédia em Brasília, determinada por Toffoli e reunindo o banqueiro falido Daniel Vorcaro;  o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Eles serão ouvidos por videoconferência.

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P.S. –
A acareação é tipo Piada do Ano ou Baú da Felicidade, porque os três são favoráveis à venda do Master para o BRB. Como se vê, Toffoli esqueceu de convidar Alexandre de Moraes para participar. Seria importante, porque ele tem 129 milhões de razões para apoiar a negociata, como diz o jornalista Mario Sabino, do Metrópoles. (C.N.)

Brasil já se livrou de Bolsonaro e não precisa eleger o filho dele

Flávio exibe a carta que Bolsonaro escreveu na prisão

Vicente Limongi Netto

Bolsonaro, aquele que debochou da pandemia e das vacinas contra Covid, colhe preso o que plantou. Bolsonaro, o ex-presidente que insultava e xingava repórteres, rabiscou carta clamando por justiça.

Bolsonaro, o mesmo que não admitiu a derrota, acusando as urnas de fraudulentas, afirma no meloso texto que oferece o filho, Flávio, para resgatar o Brasil.

CHEGA! – A nação se livrou de Jair Bolsonaro. Não precisa de outro Bolsonaro para presidir o Brasil. Seria oceânico castigo.

Este papelucho de Bolsonaro ao país lembra, com as devidas proporções, a carta-testamento de Getúlio Vargas, que a seguir acabou com a vida, com um tiro no coração, adiando o golpe militar que então já se tramava.

Não se tem confirmação se o ex-presidente Bolsonaro pensa em pedir ao ministro Alexandre de Moraes a posse de um revólver, para imitar Vargas. Cartas para a Policia Federal.

CAPITAL DO ATRASO – Brasília é literalmente mal tratada pela atual corja de governantes incompetentes e demagogos.  Gastança pública é colossal. Ruas vivem cheias de mendigos e crianças com fome. A população exige e precisa de transporte urbano de qualidade, de bom atendimento nos hospitais e prontos-socorros.

Necessita de ruas limpas. Iluminação pública decente. Segurança nos bairros e nas vias. Jovens são assassinados por causa de celular. Mendigos e ladrões tomaram conta da Asa Norte.

Policiamento é ruim. Crescem os covardes feminicídios.  Faltam escolas que orgulhem alunos, pais e professores. 

GOVERNO INEPTO – Brasilia oferece maus exemplos para brasileiros em geral. Nos hospitais públicos falta comida para os acompanhantes.  É comum também faltarem remédios e até produtos básicos, como seringas, gases e esparadrapo.

A fome e a miséria tomaram conta dos espaços públicos. As pessoas se revoltam com a falta de médicos. O matagal tornou-se paraíso para ratos e marginais. O trânsito é dominado por irresponsáveis e assassinos.

A péssima gestão acabou com o sossego da população.  Nas ruas, avenidas, calçadas  e quadras têm mais buracos do que asfalto. O desgoverno atual vai embora sem deixar saudades. Apenas indignação e desapontamento.

STM fatiará julgamentos de Bolsonaro e ex-comandantes sobre perda de patente

Julgamentos podem ter placares apertados

Mariana Muniz
O Globo

O Superior Tribunal Militar (STM) vai distribuir os processos sobre a possível perda de patente de militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na trama golpista para ministros diferentes, sem um relator único para todos os casos. A presidente da Corte, Maria Elizabeth Rocha, afirmou que a expectativa é que os julgamentos comecem em 2026, após o envio das representações pelo Ministério Público Militar, previsto para fevereiro.

Segundo Maria Elizabeth, os processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro do GSI general Augusto Heleno, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o ex-chefe da Marinha almirante Almir Garnier e o ex-ministro da Casa Civil general Braga Netto serão distribuídos livremente entre os integrantes do tribunal, exceto ela, por ocupar a presidência.

“DIGNOS OU NÃO” – “Ninguém vai avaliar o crime que já foi julgado pelo STF. Vamos analisar se os militares são dignos ou não para continuar no oficialato”, explicou Elizabeth em um café com jornalistas nesta semana.

A ministra destacou que o momento da distribuição será acompanhado pela imprensa e reconheceu que os julgamentos podem ter placares apertados, com possibilidade de alguns condenados não perderem a patente. “Sendo representação individualizada por parte do Ministério Público, cada caso pode ir para um ministro diferente”, disse.

Ainda segundo Elizabeth, a função do STM é analisar, depois do trânsito em julgado pelo Supremo, se o militar, da ativa ou reformado, tem “condições de continuar pertencendo à força que ele escolheu, ou não”.

INDICADOS – Dos 15 ministros que deverão participar do julgamento, cinco foram indicados por Bolsonaro. Além disso, alguns deles foram contemporâneos e trabalharam com alguns dos oficiais que agora deverão julgar. O ministro general Lourival Silva, por exemplo, foi colega no Alto Comando do Exército de Paulo Sérgio e Braga Netto. Já os ministros almirantes Leonardo Puntel, Celso Nazareth e Cláudio Viveiros compuseram o Almirantado — cúpula da Marinha — na mesma época de Garnier.

A presidente do STM também defendeu a criação de um código de conduta para os ministros de tribunais superiores e disse que a medida não é um “moralismo barato”, mas sim um “dever cívico”. A proposta está sendo estudada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e gerou repercussões nos bastidores do Judiciário na semana passada — em meio à polêmica envolvendo uma viagem do ministro Dias Toffoli.

INSPIRAÇÃO –  Maria Elizabeth foi uma das presidentes de tribunal superior consultadas por Fachin sobre a ideia, que tem inspiração no tribunal constitucional da Alemanha, o equivalente do Supremo do país europeu. Segundo a presidente do STM, a iniciativa tem o respaldo de todos os outros presidentes das demais Cortes e não tem como objetivo punir os integrantes da magistratura.

“É importante que tenha um código ético, que deixe bem claro qual é a conduta que se deve adotar para o exercício da profissão. Honramos a toga que a gente veste, não é um moralismo barato, mas um dever cívico”, disse.

CLAREZA – A ministra afirma que é preciso que “haja clareza” sobre o funcionamento do Judiciário e sobre a conduta de seus integrantes que, segundo ela, “não podem falhar”. Maria Elizabeth afirma ainda que essas regras devem atingir, por exemplo, a participação de ministros em eventos privados, palestras e a análise de causas em que há a atuação de parentes.

“O código é fundamental para que a magistratura saiba se portar inclusive em casos dúbios. O juiz não poderia julgar processos em que seus aparentados e afins advogam. Se trata de regramentos republicanos”, afirmou.