Governo paga R$ 1,26 bilhão do orçamento secreto mesmo após extinção pelo STF

Flávio tenta se viabilizar como presidenciável, mas sobrenome é seu maior obstáculo

Até agora, o Banco Central não desmentiu a “pressão” de Moraes

A charge desta quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025 é de Paulo Sergio. *  As charges não representam necessariamente a posição do iMaranhense. 🔔 l  Veja mais como essa no perfil do

Charge do Paulo Sérgio (Arquivo Google)

Carlos Newton

Numa desesperada e inútil tentativa de se isentar do acordo financeiro para possibilitar a fraudenta venda do Banco Master, o depreciado ministro Alexandre de Moraes enfim veio a público e distribuiu uma nota oficial.

Mas o texto é extremamente dúbio e deixou no ar as acusações feitas ao relator do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que jamais termina.

BC RESISTE – Notem que o ministro Alexandre de Moraes em nenhum momento desmentiu as notícias publicadas. Sua nota tenta mudar de assunto, ao afirmar apenas que “o ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil e o presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú”.

E acrescenta: “Além disso, participou de reunião conjunta com os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú”.

Mas não é disso que se trata. Ninguém falou em Lei Magniysky, que Moraes tenta usar fantasiosamente. O assunto é Banco Master.

UMA FRASE – Logo em seguida à nota de Moraes, o Banco Central forneceu uma informação mínima, contida em apenas uma frase, que vem sendo usada por parte da imprensa servil para explicar o que não tem explicação:

“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”.

Ao que parece, essa informação é o máximo que o presidente do Banco Central vai se permitir defesa do argentário Moraes.

NOME LIMPO – Gabriel Galípolo tem o nome limpo. Os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar também têm um passado respeitável, enquanto Moraes já se sujou pelo resto da vida.

Logo no início do escândalo, Galípolo informou à jornalista Malu Gaspar que tinha sido procurado quatro vezes por Moraes, que tentava convencê-lo a aprovar a venda do Master para o estatal BRB (Banco Regional de Brasília).

Colocou-se à disposição das autoridades e informou que o Banco Central “documentou” todas as iniciativas de lobby em favor do Master. Ou seja, Moraes não tem escapatória – é impeachment na certa.

###
P.S. 1
– Após a publicação das reportagens, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou a coleta de assinaturas para uma CPI sobre o assunto. É o que todos os brasileiros esperam, para que Moraes tenha condições de se defender e provar que está sendo caluniado, fato que seria a Piada do Século, pois quem não tem honra não pode ser desonrado.

P.S. 2Aqui na Tribuna da Imprensa, estamos na mesma trincheira, desde que enviamos um amplo dossiê sobre o Banco Master para fortalecer as investigações do Banco Central, da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do TCU (Tribunal de Contas da União).

P.S. 3 – Por fim, um Feliz Natal a todos os amigos deste blog, que funciona sob o signo da liberdade. (C.N.)

Mesmo após decisão do STF, Congresso oculta padrinhos de R$ 1 bilhão em emendas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Raphael Di Cunto
João Gabriel
Folha

Alvo de operação da Polícia Federal, as emendas parlamentares ao Orçamento seguem com um sistema pouco transparente e que mantém ocultos os padrinhos de mais de R$ 1 bilhão em verbas, mesmo após o STF (Supremo Tribunal Federal) bloquear o pagamento dos recursos e exigir que o Legislativo adotasse novas regras.

Meses após o acordo que destravou o pagamento das verbas, o modelo adotado se provou inconsistente: consulta da Folha com base no ano de 2025 mostra que os dados estão espalhados por mais de 40 arquivos nos sites das comissões da Câmara e do Senado, com erros de diagramação, links que dificultam a consulta e formatos que não permitem trabalhar os dados.

SEM TRANSPARÊNCIA – Os portais de transparência impedem que se saiba de quem foi a indicação da despesa paga, uma vez que a autoria nos portais do governo é a da própria comissão; e quase 10% das verbas sequer identifica o autor, mantendo o uso das chamadas emendas de liderança — dispositivo os líderes partidários recolhem pedidos de suas bancadas, mas assinam a destinação do recurso, escondendo seu verdadeiro padrinho.

Em maio deste ano, o ministro do Supremo, Flávio Dino, decidiu que este mecanismo poderia ser usado apenas para direcionar recursos do próprio parlamentar que ocupa o cargo, e não poderia servir para ocultar quem realmente indicava a verba.

O Congresso também chegou a criar um sistema eletrônico (Sinec) para registro das emendas e envio às comissões e, posteriormente, ao governo, mas o acesso é exclusivo ao Legislativo. A divulgação é feita individualmente nas páginas das comissões, que nem sempre consolidam os dados.

ERROS – Parte das indicações, por exemplo, acabou rejeitada por erros no cadastro (nome da cidade ou CNPJ incorretos, por exemplo) e foi refeita, sem que isso tenha sido identificado nas atas. Desta forma, os números podem aparecer dobrados. Como uma mesma emenda contém um volume grande de indicações, fica praticamente impossível saber qual parlamentar acabou beneficiado com o pagamento.

Recentemente, a PF realizou uma operação contra o desvio de recursos de emendas parlamentares em endereços ligados a Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, assessora que coordenou a distribuição das verbas na gestão do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e seguiu com esse papel sob a presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB).

Para Dino, que autorizou a operação da PF, “há elementos que indicam que, apesar da troca de comando na Câmara dos Deputados, a investigada manteria, ainda, importante papel nas já conhecidas tentativas de perpetuação do malfadado orçamento secreto”. A busca e apreensão ocorreu em um dos gabinetes da presidência, onde a servidora costuma despachar.

JUSTIFICATIVA – Tuca afirmou, por meio de advogados, que cumpria função “técnica, apartidária e impessoal” e que todo o material apreendido era público. Motta e Lira saíram em defesa da auxiliar, com o argumento de que ela era uma servidora da Câmara e que não há irregularidade no direcionamento das emendas.

No final de 2024, Dino bloqueou R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão, por falta de transparência. Esses recursos substituíram as antigas emendas de relator, que ficaram conhecidas por manter em sigilo a distribuição de bilhões em dinheiro público para bases eleitorais de deputados e senadores, com critérios de transferência políticos e sigilosos. Parte é investigada por desvios e irregularidades.

O Congresso negociou um acordo com o Supremo para liberar o pagamento das emendas de comissão e aprovar projeto de lei para garantir que tornaria público o nome do parlamentar que indicasse os recursos. A proposta, porém, ainda permitiu aos parlamentares driblar a determinação de Dino, designando como autor o líder da bancada partidária.

SIGILO – Levantamento feito pela Folha nas atas das comissões identificou que ao menos R$ 1 bilhão segue escondido sob a alcunha da liderança partidária. A liderança do PP da Câmara, por exemplo, distribuiu cerca de R$ 358 milhões desta forma –foi o partido que mais utilizou este expediente.

A maior parte dos recursos foi para o Piauí (estado do presidente do partido, o senador Ciro Nogueira), com R$ 189 milhões. Em seguida está o Rio de Janeiro, base eleitoral do líder da sigla na Câmara, com R$ 80 milhões, além de Tocantins e Alagoas (terra do ex-presidente Arthur Lira), com R$ 19 milhões cada.

Líder do PP na Câmara, o deputado Dr. Luizinho Teixeira (RJ) disse à Folha que “todas as emendas têm seus parlamentares responsáveis”, e que talvez o sistema tenha vinculado de forma errada recursos que iriam para outros deputados como sendo de autoria da liderança.

“EMENDA DE LÍDER” –  Outras siglas que mais indicaram recursos sob a alcunha de “emenda de líder” foram o União Brasil, com R$ 266 milhões direcionados para 15 estados, e o Republicanos, com R$ 201 milhões. Hugo Motta, de acordo com as planilhas, indicou R$ 180 milhões em seu nome, mas outros R$ 77 milhões foram direcionados para a Paraíba sob a rubrica do líder do Republicanos, sigla da qual ele é o principal nome no estado.

Também constam nas planilhas como responsáveis por emendas de “líder partidário” Solidariedade, Avante, Podemos e PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro e que faz oposição ao governo Lula (PT).

Outro problema é com os dados em si. Os documentos que constam nas páginas de emendas da Câmara e do Senado trazem informações despadronizadas, não compiladas e com links errados, e mesmo com uso de inteligência artificial, a Folha não foi capaz de sistematizar as informações de forma a garantir que elas fossem comparáveis.

EM PDF – Na maioria das comissões, os dados estão em arquivos PDF, o que dificulta a leitura. São poucas as que disponibilizam os arquivos consolidados e em formato editável, como Excel, o que permitiria analisá-los. Além disso, parte dos arquivos contém informações já desatualizadas, de acordo com técnicos a par do assunto.

O governo tem feito alterações no Portal da Transparência, entre outros canais de divulgação de informações sobre despesas federais, mas ainda não é possível localizar o autor de parte das emendas parlamentares. Há cerca de R$ 50,4 bilhões em emendas parlamentares disponíveis no Orçamento de 2025, sendo que R$ 39,1 bilhões foram empenhados e cerca de R$ 27,4 bilhões estão pagos.

Procurada, a Controladoria Geral da União (CGU) afirmou que disponibiliza as informações de autoria até 2024. “A conclusão do Plano de Trabalho ocorrerá em breve e vai permitir a integração do Portal da Transparência [com] os dados de apoiamentos e solicitações de Emendas de Comissão do exercício de 2025 e dos anos seguintes”, disse a pasta.

Indulto de Natal de Lula exclui atos golpistas e crimes contra a democracia

Texto seguirá as diretrizes do Ministério da Justiça

Jeniffer Gularte
O Globo

O indulto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu no Natal exclui presos por crimes contra o Estado Democrático de Direito, o que inclui os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também não terão direito ao benefício, integrantes de facções criminosas com função de liderança e condenados por crimes de violência contra a mulher, contra crianças e adolescentes, além de condenados por crimes hediondos, tortura, terrorismo, racismo, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O benefício foi publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira.

O indulto natalino está previsto na Constituição. Na prática, significa o perdão da pena, permitindo ao preso ser libertado. Também pode resultar na extinção total da pena a partir do que o decreto detalhar. Todos os anos o governo debate os critérios de quem poderá acessar ou será excluído do benefício.

MESMA POSTURA – Em 2025, o indulto seguirá a linha adotada nos últimos dois anos. Em 2023 e 2024, o governo já havia adotado essa postura, impedindo o benefício a réus do 8 de janeiro. Essa vedação aparece na minuta aprovada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP). A proposta de indulto elaborada pelo CNPCP e enviada pelo Ministério da Justiça ao Palácio do Planalto, que analisa o texto e o prepara para assinatura de Lula. Auxiliares do presidente afirmam que o indulto seguirá os parâmetros enviados pela pasta de Ricardo Lewandowski.

A posição em relação aos condenados do 8 de janeiro e ao núcleo da trama golpista está alinhada ao discurso público de Lula: o governo rejeita qualquer movimento de anistia, bandeira defendida por parte da direita desde o início das investigações. Da mesma forma, Lula deve vetar o projeto de lei da dosimetria, que reduz penas de condenados pela trama golpista e beneficiaria inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto foi aprovado na Câmara e no Senado e seguiu para a análise presidencial.

O indulto dará prioridade a grupos em situação de vulnerabilidade, como pessoas idosas, gestantes, mães de crianças e adolescentes, pessoas com deficiência ou doenças graves, como portadores de HIV em estágio terminal. O texto prevê que o perdão seja concedido a gestantes com gravidez de alto risco e a mães e avós condenadas por crimes sem grave ameaça ou violência, caso comprovem serem essenciais para o cuidado de crianças e adolescentes de até 16 anos com deficiência.

BENEFÍCIO –  Além disso, há a previsão de que as condições ao benefício sejam facilitadas para maiores de 60 anos, pessoas imprescindíveis aos cuidados de crianças e adolescentes de até 16 anos de idade ou com doenças graves. Infectados com HIV em estágio terminal ou que tenham doença grave, crônica ou altamente contagiosa, sem possibilidade de atendimento na unidade prisional também deverão ser beneficiados. Outro grupo com acesso ao benefício é o de detentos com transtorno do espectro autista severo e presos com deficiências.

No rol de impedidos a receberem o indulto, estão também presos incluídos ou transferidos para estabelecimentos penais de segurança máxima. Também está vedado o indulto aos condenados por abuso de autoridade e pessoas que cometeram crimes contra a administração pública, como peculato e corrupção passiva.

Mais uma vez, foi renovado o impedimento ao benefício para quem fez acordo de colaboração premiada, integrantes de organização criminosa e condenados em regime disciplinar diferenciado.

Gilmar Mendes defende Moraes e Toffoli após revelações sobre o Banco Master

Ao tentar influir no Banco Central, Moraes perdeu a honra e a dignidade

PRESENTE DE NATAL DO MORAES PARA OS BOLSONARISTAS RADICAIS - Jônatas Charges - Política Dinâmica

Charge do Jônatas (Arquivo Google)

Josias de Souza
UOL

Certos silêncios merecem um barulho estridente. Até aqui, imaginando-se dispensado de comentar os negócios de sua mulher Viviane Barci com o Banco Master, Alexandre de Moraes absteve-se de demonstrar o constrangimento com palavras, lançando apenas nesta terça-feira uma nota oficial, em que não cita o Banco Master.

Mas o que era apenas inconcebível tornou-se intolerável. O xerife do Supremo foi como que intimado pelas circunstâncias a dizer meia dúzia de palavras.

FAZENDO PRESSÃO– A situação mudou de patamar nesta segunda-feira. A repórter Malu Gaspar revelou que Moraes procurou Gabriel Galípolo para fazer pressão em favor do Banco Master.

Repetindo: noticiou-se que a toga mais poderosa do Supremo, vice-presidente do tribunal, fez lobby junto ao presidente do Banco Central em favor do banco de Daniel Vorcaro, que firmou com a doutora Viviane, em 2024, um contrato de assessoria jurídica prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos.

De acordo com a notícia, Moraes procurou Galípolo uma, duas, três, quatro vezes. Foram três contatos telefônicos e um presencial, no último mês de julho.

SUPREMO LOBBY – O tema das conversas foi a operação de venda do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília. Moraes teria defendido o aval do BC ao negócio.

Revelava ter apreço por Vorcaro. Dizia que o banqueiro enfrentava resistências por ocupar espaços antes restritos aos grandes bancos.

No encontro presencial de julho, Galípolo teria informado a Moraes que os técnicos do BC tinham identificado um repasse fraudulento de R$ 12,2 bilhões em créditos micados do Master para o BRB.

TEVE DE RECUAR – Submetido à informação privilegiada, Moraes teria dado meia-volta. Disse que, confirmada a fraude, a transação deveria mesmo ser vetada. Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação do Master. Procurados, Moraes e Galípolo inicialmente não quiseram comentar a notícia.

Deve-se raciocinar sobre o episódio com hipóteses. Das mais amplas às mais específicas. Na melhor das hipóteses, à luz do que se sabe até aqui, Moraes tentou ajudar um banqueiro por quem nutria apreço.

Na pior das hipóteses, o ministro meteu-se num negócio cujo destravamento interessava a um cliente da banca advocatícia de sua mulher. Em qualquer hipótese, a notícia expõe uma toga suprema trafegando à margem da lei. Não há meio termo: ou Moraes ilumina a cena ou permanecerá pendurado nas manchetes de ponta-cabeça.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– “Ponta-cabeça” é como os paulistas designam a expressão “de cabeça para baixo”, usada no resto do país. Em tradução simultânea, Moraes já era, pode procurar outro emprego. Como é muito rico, não terá problemas de sobrevivência, porém jamais terá respeito nem dignidade. (C.N.) 

Moraes e Galípolo confirmam reuniões, mas sem tocar no caso Master

O poeta Assis Valente percebeu que nem todo mundo era filho de Papai Noel…

Assis Valente e a amiga Carmen Miranda

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta e compositor baiano José de Assis Valente (1911-1958), na marchinha “Boas Festas”, criou uma das mais melancólicas e famosas letras da MPB, porque revela sua preocupação com a causa da criança pobre e infeliz, provavelmente, devido à sua própria infância. Composta em 1932 e gravada no ano seguinte por Carlos Galhardo, pela RCA Victor, esta marchinha tornou-se o “hino” do Natal brasileiro.

BOAS FESTAS
Assis Valente

Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou
Feliz a cantar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar.

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel.
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel
Não vem.
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem.

Lula usa posse no Turismo e aceno aos evangélicos para redesenhar alianças

Lula nomeia Feliciano como novo ministro do Turismo

Vera Rosa
Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta terça-feira, 23, dois movimentos importantes em busca de apoio para sua campanha à reeleição. O primeiro deles será na cerimônia de posse do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Ao entregar o cargo para mais um nome indicado pelo União Brasil, partido que não apenas anunciou o rompimento com o governo como expulsou Celso Sabino, o antigo ministro, Lula atrai um pedaço do Centrão para sua estratégia de 2026.

DECRETO – Com a eleição no radar, o presidente também promoverá o segundo afago do dia, desta vez dirigido aos evangélicos: vai assinar um decreto que reconhece a música gospel como patrimônio do Brasil.

Indicado para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, estará presente à solenidade, que contará com cantores gospel, no Palácio do Planalto.

Messias é diácono da Igreja Batista Cristã e tem ajudado o governo a se aproximar dos evangélicos, eleitorado que, em sua maioria, é refratário ao PT e apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

RESISTÊNCIA – Líderes desse segmento religioso tentam, por sua vez, diminuir a resistência a Messias em conversas com senadores. Para ser nomeado ministro do STF, o advogado-geral da União ainda terá de ser aprovado em sabatina no Senado, o que deve ocorrer somente em fevereiro, quando os parlamentares retornarem das férias de fim de ano.

Além do mau humor de parte do Senado com a indicação de Messias, Lula também enfrenta problemas com o Centrão. Embora uma ala do grupo tenha divulgado com pompa e circunstância o divórcio do governo, o bloco continua dividido e não entregou os principais cargos – nem a totalidade dos votos a projetos de interesse do Planalto no Congresso.

Agora, Gustavo Feliciano vai assumir o Ministério do Turismo porque a cúpula do União Brasil e 25 dos 59 deputados da bancada pediram a cabeça de Sabino no Ministério do Turismo. Detalhe: Sabino foi expulso do partido justamente por não sair do governo.

ENTRADA DE TARCÍSIO – O União Brasil está no grupo de partidos que, na sua maioria, não quer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como desafiante de Lula em 2026 e defende a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no páreo presidencial.

Ao nomear Feliciano, Lula viu a oportunidade de atrair um pedaço do União Brasil para o seu lado e, de quebra, agradar a Hugo Motta (Republicanos-PB), com quem teve vários atritos neste ano. Feliciano é amigo de Motta e já foi secretário de Turismo na Paraíba, reduto eleitoral do presidente da Câmara.

Explicação de Moraes deve ser considerada a ”Piada do Século”

Senado aprova Alexandre de Moraes como novo ministro do STF - 22/02/2017 -  Poder - Folha de S.Paulo

A nota esclarecedora de Moraes não esclarece nada

Carlos Newton

Como diria o senador e filósofo Romário, o ministro Alexandre de Moraes, calado, é um poeta. Depois de ter sua reputação e sua dignidade destruídas pela ambição e a ganância, o severo relator do Inquérito do Fim do Mundo vê o chão desabar sob seus pés.

A “nota oficial” que soltou deve ser considerada a Piada do Século, porque não explica nem justifica nada, apenas depõe contra o ministrp

DIZ A NOTA – “O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú.

Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da FEBRABAN, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú.

Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.”

ACUSA GALÍPOLO – Em tradução simultânea, Moraes esquece que a acusação contra ele foi confirmada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não ficou só nisso, mas acrescentou que a instituição “documentou” tudo o que aconteceu em relação ao Banco Master.

Além dessa declaração, Galípolo se ofereceu para prestar maiores esclarecimentos às autoridades, e isso arrasará Moraes.

Na nota oficial, o ministro do batom criminoso disse que “recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú”. Mas o presidente do BC disse o contrário, que Moraes o procurou quatro vezes – três por telefone e uma pessoalmente.

###
P.S.
– O velho ditado diz que é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo. E Moraes não tem possibilidade de defesa. E a Piada do Dia é desejar um Feliz Natal para ele e sua esposa, dona Viviane, a advogada mais cara do país.  (C.N.)

No Supremo, a mulher de Moraes já está defendendo 31 processos

Mulher de cabelos loiros e vestido verde com estampa floral conversa com homem careca vestido com toga preta, em frente a parede de pedra com brasão oficial.

De uma hora para outra, Viviane virou uma superadvogada

Lucas Marchesini
Folha

Em foco desde a revelação de contrato com o Banco Master, a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, defende gigantes privados da educação e da saúde em casos que tramitam na corte.

Entre os clientes de 31 processos nos quais ela aparece como advogada estão a Hapvida, empresa de planos de saúde, e o SEB, grupo de educação que reúne escolas como Maple Bear, Pueri Domus e Concept e a universidade Unidombosco. As duas empresas estão entre as maiores do país em suas áreas de atuação.

APÓS A POSSE – A maior parte dos processos de Viviane no STF chegou ao tribunal após Moraes tomar posse, em 22 de março de 2017. Dos 31 processos, 22 começaram a tramitar no tribunal depois dessa data. Dos 8 restantes, 3 tinham Moraes como advogado; os outros 5 são de quando ele era ministro da Justiça, no governo Michel Temer (MDB).

Viviane aparece como parte em todos os casos da banca na corte e não há processos nos quais outro advogado da firma assina sem ela. Os dois filhos do casal também são sócios e aparecem entre os advogados em alguns dos casos.

Além do Barci de Moraes Sociedade de Advogados, sediado em São Paulo, Viviane abriu em 22 de setembro de 2025, como mostrou o jornal O Globo, o Barci e Barci Sociedade de Advogados, registrado em Brasília.

SANÇÕES NOS EUA – Naquela mesma data, o governo dos EUA aplicou sanções financeiras com base na Lei Magnitsky a ela e ao instituto Lex, que pertence à família.

Não há impedimento legal para que familiares de magistrados atuem em causas no STF, mas há o entendimento de que um ministro não pode julgar causas de seus parentes. Aquele que se julgar amigo ou inimigo do parente de um colega também pode se declarar suspeito.

O processo com atuação de Viviane para o SEB no STF é uma reclamação trabalhista de um ex-diretor que trabalhou na empresa entre 2018 e 2021, cujo valor total é de R$ 591 mil. Ela pediu uma liminar para suspender o caso no TST (Tribunal Superior do Trabalho). A decisão foi concedida pelo ministro André Mendonça.

OUTROS PROCESSOS – Viviane também atua para o dono da empresa, Chaim Zaher, em processos em outros tribunais.

No caso da Hapvida, o processo no STF é contra o estado do Amazonas, cuja Secretaria de Educação e Desporto rompeu um contrato de fornecimento de seguro saúde prestado pela companhia.

BANCO MASTER – A atuação do escritório de Viviane entrou em foco após o jornal O Globo revelar que o Banco Master contratou a firma por 36 meses, a partir do início de 2024, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Com isso, o escritório ganharia, até o início de 2027, R$ 129,6 milhões da instituição financeira, caso ela não tivesse sido liquidada pelo Banco Central. Os valores são considerados acima dos praticados geralmente no mercado.

Se os pagamentos tiverem sido honrados até outubro de 2025, último mês antes da intervenção pelo BC, o contrato gerou ao escritório receita de R$ 79 milhões.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama, é a lama. (C.N.)

Flávio Bolsonaro, a cisão do PL e os dilemas da direita no Brasil rumo a 2026

Divisão de forças ameaça reduzir competitividade de Flávio

Pedro do Coutto

A decisão de Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, de lançar sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026 acendeu uma nova discussão política que vai muito além da simples escolha de um nome para o pleito.

A configuração interna do Partido Liberal (PL), o principal bastião do bolsonarismo, reflete preocupações profundas sobre estratégia eleitoral, unidade partidária e o posicionamento da direita no Brasil, que hoje enfrenta um quadro de forte liderança do presidente Lula da Silva e uma divisão de forças que ameaça reduzir sua competitividade eleitoral.

CLÃ SOB PRESSÃO – A trajetória de Flávio — que anunciou sua pré-candidatura com o apoio explícito do pai, mesmo com o ex-presidente inelegível e detido — evidencia que, mais do que conquistar votos, a campanha tenta preservar a relevância política de um clã sob pressão judicial e de imagem.

A reação no PL e nas forças alinhadas à direita não foi unânime. A escolha de Flávio afastou, na prática, nomes que ainda mantinham apoio considerável dentro e fora do partido, como Ratinho Júnior (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSDB) — todos percebidos por parte do eleitorado como alternativas mais moderadas ou competitivas contra Lula.

Pesquisas recentes mostram que, em um eventual segundo turno, Lula venceria Flávio por margens significativas, com o petista marcando cerca de 51% a 36% nas simulações do Datafolha, enquanto outros nomes de centro-direita teriam desempenhos relativamente melhores, embora ainda sem ameaça real à liderança do presidente.

DUPLO EFEITO – Essa escolha partidária provoca um duplo efeito: por um lado, consolida o núcleo bolsonarista do PL, que vê em Flávio uma continuidade da agenda política do pai e um símbolo de fidelidade à base; por outro, agrava a fragmentação das forças de direita, alimentando a polarização em um ambiente político já tenso.

A percepção de que Flávio levará a campanha até o fim é compartilhada por quase metade dos brasileiros, segundo pesquisa Genial/Quaest, que indicou que 49% acreditam que ele de fato seguirá na corrida eleitoral até o fim, e 38% veem sua pré-candidatura como instrumento de negociação política.

O desafio para a direita brasileira, portanto, não é apenas encontrar um candidato competitivo, mas articular uma estratégia que vá além da mera herança política bolsonarista. Em um cenário em que nomes como Tarcísio e Ratinho — mais bem avaliados em simulações de segundo turno — ficam de fora da liderança partidária, a polarização pode se acentuar sem necessariamente ampliar a base de apoio.

LIDERANÇA – Lula mantém liderança clara em diversas pesquisas, com vantagem significativa tanto no primeiro quanto em simulações de segundo turno, e sua candidatura mostra estabilidade mesmo diante de cenários fragmentados à direita.

A construção de alianças robustas e a mitigação de cismas internos parecem essenciais para um campo derrotado, em 2022, em um segundo turno acirrado. A aposta unicamente na figura de Flávio, com seu desempenho eleitoral — relativamente menor em comparação com outros nomes — e elevada rejeição em segmentos amplos do eleitorado, coloca o PL diante de um dilema: persistir em uma estratégia que pode consolidar identidade partidária ou remodelar sua plataforma para buscar maior atratividade e competitividade nacional.

No fim, a reação interna ao nome de Flávio Bolsonaro é mais do que uma disputa de egos ou de heranças: é o reflexo de uma direita em busca de um projeto político que transcenda narrativas familiares e que responda aos desafios de um Brasil em rápida transformação social e eleitoral. A forma como esse dilema for resolvido — se por um consenso interno ou por uma cisão mais clara — terá impacto direto no modelo de disputa que se descortina para 2026, e pode influenciar a disposição de votos de milhões de brasileiros que hoje ainda definem se a eleição será um embate de continuidade ou de ruptura.

Augusto Heleno deixa prisão militar e cumprirá pena em regime domiciliar

Não há dúvida de que Moraes precisa sofrer um impeachment

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o  presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para  fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos

Galípolo (à esquerda) contou que Moraes o pressionou

Merval Pereira

A revelação de que o ministro Alexandre de Moraes se encontrou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, para fazer pressão a favor do banco Master é muito séria.

Para cada revelação que aparece sobre interesses privados envolvendo decisões do STF, a instituição perde a credibilidade, e mergulha o país numa insegurança jurídica monumental.

DESCONFIANÇA – O STF virou objeto de desconfiança do cidadão. À medida que o ministro Alexandre de Moraes não nega oficialmente que sua mulher tenha recebido milhões para trabalhar pelo banco do Vorcaro, e que ele ligou cinco vezes e convocou o presidente do BC para um encontro presencial para trabalhar a favor do banco Master, isso vira uma crise política, razão para impeachment.

Ele precisa explicar, se pronunciar e provar que não é verdade.

A jornalista Malu Gaspar tem a tradição de bem informar, é muito séria e não divulga leviandades. Ela divulgou com detalhes o valor que a mulher de Moraes recebia do banco Master e ninguém refutou.

SEM CREDIBILIDADE – Se ele tem como provar que não é verdade, precisa mostrar de maneira veemente, ou perde completamente a credibilidade.

E abre brecha para os que o atacam há anos, argumentando que ele sofre pressão política, que faz coisas simplesmente contra Bolsonaro e não a favor do país.

Ele tem que mostrar com provas que não é verdade.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMerval Pereira foi preciso, conciso e objetivo. Em poucas palavras, traçou um retrato da gravidade da situação e apontou o desfecho final — o impeachment de quem não merece estar no Supremo. Apenas isso. (C.N.)

 

Flexibilização de Bolsonaro modernizou o arsenal do crime, mostra estudo

Lula transforma veto à anistia golpista em marco político pela defesa da democracia

Kast se Inspira em Pinochet, Trump e Bukele, numa nova guinada sul-americana

Vitória de Kast no Chile impulsiona extrema direita

Bernardo Mello Franco
O Globo

O sorriso de Augusto Pinochet voltou às ruas de Santiago no último domingo. Eleitores de José Antonio Kast exibiram retratos do ditador para comemorar a vitória do ultradireitista na eleição do Chile.

O novo presidente nunca disfarçou a admiração pelo velho general. Votou contra o retorno à democracia no plebiscito de 1988 e prometeu tirar da cadeia militares condenados por crimes contra a humanidade. “Se estivesse vivo, Pinochet votaria em mim”, garantiu Kast, na primeira campanha ao Palácio de La Moneda. Na terceira tentativa, ele chegou lá. Foi eleito com 58% dos votos em disputa com a comunista Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric.

ALTERNÂNCIA – Desde o fim da ditadura, o Chile alternava entre governos de centro-esquerda e centro-direita. Agora terá o primeiro líder que defende e cultua o passado autoritário.

Ultraconservador e pai de nove filhos, Kast se apresenta como um católico fervoroso. Já prometeu proibir a pílula do dia seguinte e limitar as hipóteses de aborto permitidas por lei. Na economia, reza pela cartilha do mercado: privatizações, corte de gastos e flexibilização de leis trabalhistas e ambientais.

O presidente eleito é filho de um alemão que pertenceu ao Partido Nazista e lutou no Exército de Hitler. Seu irmão mais velho foi ministro e comandou o Banco Central na ditadura pinochetista.

SÍMBOLO – Há seis anos, Kast fundou o Partido Republicano, com logotipo copiado da sigla de extrema direita francesa Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen. Depois adotou um novo símbolo inspirado no escudo do Capitão América.

Para vencer em 2025, o chileno suavizou a retórica conservadora e evitou temas como aborto e casamento homoafetivo. Preferiu apostar no discurso linha dura sobre imigração e segurança pública. Inspirado em Donald Trump e Nayib Bukele, prometeu militarizar as fronteiras, deportar estrangeiros sem documentos e endurecer regras nos presídios.

No segundo turno, recebeu a visita do ministro de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, cujo governo é acusado de desrespeitar direitos humanos, perseguir opositores e fazer acordo com gangues para reduzir as taxas de homicídios.

ATAQUE – A vitória de Kast era esperada, mas não deixou de ser má notícia para o governo brasileiro. O chileno já atacou Lula e mantém laços com a família Bolsonaro. Seu triunfo reforça a guinada da América do Sul à ultradireita, iniciada na Argentina, e amplia a influência de Trump na região.

Na primeira viagem após a eleição, Kast visitou a Casa Rosada e segurou a motosserra dourada de Javier Milei. Depois disse apoiar uma intervenção militar dos Estados Unidos no continente, a pretexto de derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

A semana indicou que o tom menos beligerante da campanha foi só estratégia de marketing. Mas quem comprou a tese do Kast moderado não deve se incomodar com a volta das fotos de Pinochet.

Confirmado! Moraes procurou o BC quatro vezes em defesa do Master

Alexandre de Moraes buscou Galípolo para interceder pelo Banco Master no  BC, diz jornal

Gabriel Galípolo, do BC, está disposto a “entregar” Moraes

Malu Gaspar
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.

Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.

AMIGO DO BANQUEIRO – Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos.

Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia. Naquele momento, já se sabia em Brasília que havia um racha entre diretores do BC sobre decretar ou não intervenção no Master.

Galípolo, então, respondeu a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB.

TEVE DE RECUAR – Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.

Em 18 de novembro, enquanto a Polícia Federal prendia Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com as fraudes, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master.

Procurados, nem Moraes nem o presidente do BC quiseram comentar.

SUPERCONTRATO – Conforme informou o blog, o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos a partir de janeiro de 2024, que renderia R$ 129,6 milhões no total.

O documento estipulava que a missão do Barci de Moraes Associados era representar os interesses do Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Congresso Nacional.

Mas, segundo informação prestada via Lei de Acesso à Informação pelo Cade e pelo BC, nenhuma das instituições recebeu qualquer pedido de reuniões, petições ou quaisquer documentos do escritório em favor do banco de Vorcaro.

TOFFOLI INTERVÉM – Na última quarta-feira (17), duas semanas depois de decidir que a competência para investigar o Master é do Supremo, avocar para si o processo e ainda decretar sigilo total no caso, Toffoli deu à PF 30 dias para fazer as oitivas, sempre sob o acompanhamento dos juízes auxiliares de seu gabinete.

Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.

Conforme já publicamos, esses mesmos técnicos informaram aos investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal que nunca tinham sofrido tanta pressão política em favor de um único banco como no caso do Master.

“EM ESPECIAL” – Por isso, na entrevista coletiva de final de ano concedida nesta quinta-feira na sede do Banco Central, Galípolo aproveitou uma pergunta sobre o Master para dizer que ele “em especial” está à disposição do Supremo para prestar todos os esclarecimentos sobre a investigação da autarquia sobre a fraude nos créditos repassados ao BRB.

“Eu, em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação”, disse Galípolo.

Em outro trecho encaixado propositalmente na fala sobre o Master, Galípolo afirmou que todas as movimentações no caso estão registradas.

PROVAS ABUNDANTES – “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado” .

A ideia, de acordo com fontes que discutiram isso internamente com a cúpula do BC, foi mostrar que a instituição se blindou das pressões registrando todos os movimentos, não só dos técnicos mas também de outros interessados no caso do Master — como por exemplo os políticos.

A interlocutores do governo e do mercado, Galipolo também admitiu ter sofrido pressão, mas afirmou que sempre teve o apoio do presidente Lula para não interromper a apuração.

TCU SE METE… – Na sexta-feira (19), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus entrou no caso para determinar que o Banco Central (BC) envie esclarecimentos sobre o processo de liquidação do Banco Master. A instituição tem até a terça (23) para remeter os documentos ao TCU.

A decisão se deu por medida cautelar do ministro, no âmbito do processo que investiga uma possível omissão do BC em relação a operações do Banco Master.

A medida, porém, causou estranheza, já que o TCU não tem atribuição para atuar em discussões sobre transações entre instituições privadas do sistema financeiro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parabéns à jornalista Malu Gaspar, que corajosamente está mostrando quem é Alexandre de Moraes, o falso puritano que gosta de proteger criminosos da pior espécie, como Daniel Vorcaro. Daqui para a frente, Moraes deixará de ser Xandão e passará a ser Xandinho... (C.N

Ex-presidentes do STF defendem código de conduta e pressionam Corte por transparência