Justiça manda retirar vídeo de deputado que associa PT ao narcotráfico

Deputado faz acusações sem apresentar provas

João Pedro Bitencourt
Estadão

A 2ª Vara Cível de Brasília determinou nesta quarta-feira, 7, a remoção de um vídeo publicado pelo deputado federal Paulo Bilynskyj no Instagram que associa o Partido dos Trabalhadores (PT) ao narcotráfico. A decisão, em caráter liminar, foi proferida pelo juiz Carlos Eduardo Batista dos Santos e atende a pedido do partido, que alegou violação à sua honra e à sua imagem institucional.

O conteúdo foi publicado no perfil oficial do deputado na plataforma. No vídeo, Bilynskyj afirma que o narcotráfico na América Latina financiaria partidos de esquerda, incluindo o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A legenda da publicação dizia: “O narcotráfico da América Latina financia o PT, Lula tem que ser preso!”. A postagem foi feita após a repercussão internacional da ação dos Estados Unidos na Venezuela, que depôs o ditador Nicolás Maduro do poder.

SEM PROVAS – Ao analisar o pedido de urgência, o juiz entendeu que o vídeo ultrapassa os limites da crítica política e faz acusações de crimes sem apresentar provas. Segundo a decisão, embora o debate político comporte opiniões duras, associar o partido ao narcotráfico extrapola a crítica legítima e configura ilícito civil, por atingir a honra e a imagem.

O magistrado também apontou risco de dano irreparável ou de difícil reparação, devido à rápida circulação de conteúdos nas redes sociais e ao alcance da publicação. Para ele, manter o vídeo no ar poderia ampliar a disseminação de desinformação e causar prejuízo à imagem do partido, especialmente em período pré-eleitoral.

EXCLUSÃO IMEDIATA – Com isso, a Justiça determinou a exclusão imediata do vídeo, publicado em 3 de janeiro, por meio de ordem judicial direcionada diretamente à plataforma Instagram, administrada pela Meta. Não foi fixada multa diária, já que o cumprimento da decisão será operacionalizado diretamente pelo Judiciário junto à empresa responsável pela rede social.

O parlamentar foi citado para apresentar contestação no prazo de 15 dias. O processo tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e tem valor da causa fixado em R$ 30 mil. Procurado, o deputado não se manifestou. O espaço segue aberto.

ESTRATÉGIA DO PT –  O pedido à Justiça faz parte de uma estratégia do PT de se afastar o quanto puder da pecha de ser leniente com drogas ilícitas. No ano passado, uma declaração de Lula sobre traficantes causou mal-estar. Na oportunidade, ele disse que os traficantes seriam “vítimas” dos usuários.

O partido também vai processar o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), por ter chamado o partido de “narcoafetivo”, conforme apurou o Estadão/Broadcast. A declaração foi dada quando questionado por jornalistas sobre o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil após a captura de Maduro pelos EUA. Procurado, ele reforçou a afirmação.

Ainda sobre a repercussão da invasão na Venezuela, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), apresentou nesta terça-feira, 6, uma representação à Polícia Federal (PF) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sob a acusação de incentivarem uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil.

2 thoughts on “Justiça manda retirar vídeo de deputado que associa PT ao narcotráfico

  1. Thais Soltanovitch Druker
    ·
    O juiz encarou o homem que acabara de disparar contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, em tom sereno:
    — Por que você o matou?
    — Porque ele era seglar.
    O silêncio que se instalou foi mais pesado que qualquer sentença.
    — O que significa “seglar”? — insistiu o juiz.
    O homem hesitou, engoliu em seco.
    — Eu não sei.
    Em outro tribunal, outro réu. Desta vez, acusado de tentar assassinar o escritor Naguib Mahfouz.
    — Por que o esfaqueou?
    — Porque ele escreveu um romance contra a religião.
    — Você leu o livro?
    — Não.
    Em uma terceira sala, mais um julgamento. O acusado havia matado o intelectual Farag Fouda.
    — Por que você o matou?
    — Porque ele não tinha fé.
    — Como você sabe?
    — Está nos livros dele.
    — Em qual livro?
    Silêncio.
    — Eu não sei. Nunca li.
    — Por quê?
    O homem abaixou a cabeça, como quem admite aquilo que todos já compreendem.
    — Eu não sei ler nem escrever.
    Três julgamentos.
    Três mortes.
    Um mesmo padrão.
    Matava-se por ideias que não se entendiam.
    Condenava-se por palavras que jamais foram lidas.
    Odiavam-se conceitos que sequer se sabiam definir.
    Não era convicção.
    Era repetição.
    Não era fé.
    Era eco.
    Não era certeza.
    Era obediência cega.
    A violência não nasceu do pensamento.
    Nasceu da ausência dele.
    O ódio não se espalha pelo conhecimento.
    Ele floresce onde o conhecimento não chega.
    E toda vez que uma sociedade abdica de educar, não produz apenas ignorância.
    Produz armas humanas: pessoas que não sabem por que atacam, mas estão dispostas a fazê-lo.
    Esse é o custo invisível da ignorância.
    E, quase sempre, quem paga por ele é alguém que nada fez para merecer.
    Fonte: Estudos Históricos

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