Em pânico, o STF não consegue achar uma saída para o escândalo do Master

Blindagem do Supremo. Charge de Marcelo Martinez para a newsletter desta  sexta-feira (5). #meio #charge #stf #blindagem

Charge do Marcelo Martinez (Arquivo Google)

Rafael Moraes Moura
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tem consumido boa parte de seu tempo em reuniões internas e conversas reservadas com os ministros da Corte para tentar encontrar formas de tirar o tribunal das cordas e diminuir o impacto do escândalo do Banco Master.

Enquanto procura conseguir consenso em torno de uma reação, Fachin tem externado sua maior preocupação sobre os efeitos das investigações: transformar o Supremo em pauta central do processo eleitoral.

BANCADA DE DIREITA – O receio é de que o caso contamine a eleição para o Senado Federal, que terá ⅔ das cadeiras renovadas no pleito de outubro, e impulsione a eleição de uma forte e influente bancada de direita, com a aprovação de impeachment de integrantes da Corte como pauta prioritária.

Para Fachin, a melhor resposta à crise seria a implantação de um Código de Ética como resposta para a crise. A ministra Cármen Lúcia foi designada para assumir a relatoria da proposta há mais de um mês e até agora nem sequer uma reunião entre os ministros foi realizada.

A inspiração de Fachin é o código da suprema corte alemã, que divulga em seu site o quanto os juízes receberam por palestras e participações em eventos, um tema considerado tabu dentro do STF.

RESPEITAR LIMITES – Um dos poucos ministros que divulga diariamente a sua agenda de compromissos, Fachin não é entusiasta de fóruns patrocinados por empresários e já disse que “comedimento e compostura são deveres éticos” e que “abdicar dos limites é um convite para pular no abismo institucional”.

Um dos exemplos negativos é do IDP, instituto ligado ao ministro Gilmar Mendes, organiza todos os anos o “Gilmarpalooza”, em Lisboa, reunindo empresários, políticos e ministros na capital portuguesa numa programação oficial marcada por painéis de discussão – e uma agenda paralela de eventos marcados por lobbies e jantares em terraços de hotéis longe dos olhos da opinião pública.

Em dezembro, o ministro Gilmar Mendes deu uma polêmica decisão que escancarou o temor do Supremo com o avanço de pedidos de impeachment contra magistrados.

BLINDAGEM – A decisão esvaziava o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de pedirem a cassação de magistrados, deixando essa prerrogativa apenas nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com o aval da PGR, Gilmar suspendeu um trecho de uma lei de 1950 que previa que é “permitido a todo cidadão denunciar perante o Senado, os ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, pelos crimes de responsabilidade que cometeram”.

Em sua decisão, Gilmar afirmou que “a intimidação do Poder Judiciário por meio do impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica, buscando o enfraquecimento desse poder, o que, ao final, pode abalar a sua capacidade de atuação”.

54 VOTOS – Após forte pressão da opinião pública e do Congresso, Gilmar voltou atrás nesse ponto, mas manteve um outro trecho da decisão em que determinava que são exigidos 54 votos para abrir um pedido de impeachment contra ministros do STF, e não mais maioria simples.

À época, a decisão de Gilmar foi interpretada nos bastidores da Corte como uma espécie de vacina para as eleições de outubro deste ano, quando aliados de Jair Bolsonaro planejam formar maioria no Senado e desengavetar os mais de 70 pedidos de impeachment contra ministros do STF que aguardam análise do plenário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe não for referendada pelo plenário, a decisão de Gilmar Mendes tem o mesmo valor das explicações do casal Alexandre e Viviane de Moraes, que não valem absolutamente nada. (C.N.)

18 thoughts on “Em pânico, o STF não consegue achar uma saída para o escândalo do Master

  1. “O receio (de Fachin) é de que o caso (Master) contamine a eleição para o Senado Federal, que terá ⅔ das cadeiras renovadas no pleito de outubro, e impulsione a eleição de uma forte e influente bancada de direita, com a aprovação de impeachment de integrantes da Corte como pauta prioritária.”

    Mas há dúvida quanto a isso?

  2. Moraes não justo, é desumano,

    Não defende as instituições estatais democráticas, é corporativista.

    Não defende a democracia, defende os interesses eleitorais do Aparato Petista.

    Na real, não defendende nenhuma causa nobre, defende os seus interesses econômicos escusos.

  3. O receio do ministro Edson Fackin é infundado, porque o STF já se tornou o foco das eleições de outubro. Nada há mais a fazer, salvo uma contenção de danos, porque uma ala do STF, se recusa a dar um passo atrás.
    O ministro Dias Toffoli, se considerou impedido para votar a prisão de Daniel Vorcaro, dono e operador do Banco Master, se mantém preso no presídio de Segurança Máxima ou volta para prisão domiciliar.

    O Centrão, com medo de uma improvável Delação Premiada de Vorcaro, tem pressionado para um dos ministros votar pela soltura de Vorcaro.
    Pela permanência da prisão, os prognósticos indicam que André Mendonça e Luiz Fux votarão em sintonia, porque entendem a periculosidade de Vorcaro, que mandou o matador de aluguel, chamado de Sicário, moer a empregada Mônica e o cozinheiro, além de simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim e quebrar todos os dentes dele ou até coisa pior.

    Os outros dois votos, dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques, as apostas no Congresso, são para liberar Vorcaro da prisão.

    Com o empate na Segunda Turma, favorecendo réu, que seria imediatamente liberado para flanar livre, leve e solto , respondendo o inquérito em Liberdade.

    Sicário Mourão cometeu suicídio. Será que existe outro Sicário disposto a fazer o jogo sujo em troca de muita grana.

    Pelo sim, pelo não, é melhor entrar na muda, para não perder as penas ou a vida por um gavião qualquer nas esquinas da vida.

    • Resumindo: sim, há forte chance de Vorcaro sair solto em breve, especialmente se o empate se concretizar, alinhando com o tom de “não vai dar em nada” e “prestes a ser solto”.

      Sr. Nascimento, venho alertando a rapaziada da TI, exatamente isto:

      O volcano vai pra fora da jaula, não vai fazer delação nenhuma e essa pantomima, cairá no esquecimento.

      Quando brasilia inteira está corrompida, o óbvio, é jogar o lixo pra debaixo do tapete.

      Venho avisando aos emocionados da TI, mas parecem crianças que se negam em ver a realidade.

      Brasília está em outra dimensão, é um país diferente, que deveria se chamar Corruptolândia.

      Abs,
      José Luis

      • Cresce a pressão para STF libertar Vorcaro

        Subiu muitos degraus a pressão para que a Segunda Turma do STF decida por soltar Daniel Vorcaro no julgamento que começa nesta sexta-feira no plenário virtual. Pressão oriunda de políticos influentes a magistrados idem.

        Com a desistência de Dias Toffoli de participar da sessão, “por motivo de foro íntimo”, serão quatro os ministros aptos a votar: André Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Nunes Marques.

        Os votos de Mendonça e Fux serão pela manutenção da prisão preventiva. Gilmar e Nunes Marques se apresentam como incógnitas. Se o resultado for um empate, Vorcaro irá para casa — livre, leve e solto.

        Na decisão que prendeu Vorcaro, Mendonça anotou:

        “As investigações também apontam que o grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada, denominada “A Turma”, destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos do conglomerado financeiro (…)

        Ainda em relação a esse núcleo específico, identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça.

        Quanto a esse último aspecto, foram identificados registros indicando que Daniel Bueno Vorcaro teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.”

        O Globo, Política, Opinião, 12/03/2026 08h12 Por Lauro Jardim

  4. Não há como mudar os rumos das eleições.

    As oligarquias cleptopatrimonialistas serão derrotadas.

    É inacreditável que o jacu de gaiola seja reeleito, ainda que seu maior adversário seja um picolé de chuchu, que, ao que parece, nem precisa colocar sua tropa em campo.

    A possibilidade de termos os primeiros impeachments de ministros dos aparelhos repressivos e censores do Aparato Petista é uma realidade quase certa.

  5. A única coisa que poderia salvar a alma do aparelho repressivo e censor das oligarquias cleptopatrimonialistas, congregadas no Aparato Petista, seria ressuscitar a “suicidada” Lava Jato.

    Ou pelo menos ter uma ação de redução de danos e meter todo mundo envolvido com o assalto dos velhinhos e da máfia do Master no xilindró.

    O resto é masturbação.

    Não há saídas à vista.

    Derubaram todas as pontes deixadas pra trás e o abismo está logo ali na frente.

    Quem dorme com o Aparato Pestista acorda defecado!

  6. O quadro eleitoral pra vagabundagem é tão preocupante que o jacu de gaiola, em campanha deste a década de 80, com o título de presidente honorário na mão e seus programs eleitorais, digo, sociais, empata com o picolé de chuchu, que, por enquanto, encontra-se na concentração e nem escalou seu time.

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