A engrenagem silenciosa de uma delação importantíssima — e seus efeitos imprevisíveis

7 thoughts on “A engrenagem silenciosa de uma delação importantíssima — e seus efeitos imprevisíveis

  1. Contra nossos inimigs, invoquem os Tupinambás!
    “Em 1552, o alemão Hans Staden, capturado pelos tupinambás, presenciou de perto o que estava por vir: o prisioneiro, já engordado e casado com uma mulher da aldeia, foi pintado de vermelho e preto, recebeu uma corda cerimonial no pescoço e, diante de centenas de pessoas que cantavam e dançavam, olhou nos olhos do homem que o mataria — e sorriu, desafiando-o a acertar o golpe com honra. Um único impacto da clava na nuca, o corpo desabando, e a aldeia inteira comemorando como se tivesse conquistado o mundo. Não era loucura. Era o coração da cultura tupinambá.

    Os tupinambás eram o povo tupi mais temido do litoral brasileiro no século XVI, donos de aldeias grandes e fortificadas que abrigavam milhares de pessoas. Viviam da mandioca, da caça, da pesca e, acima de tudo, da guerra constante contra tribos vizinhas. Para eles, a guerra não era exceção — era regra. Matar um inimigo em batalha dava prestígio; capturá-lo vivo conferia glória eterna.

    O prisioneiro não era tratado como escravo: recebia comida farta, liberdade para andar pela aldeia e até mulher e filhos. Meses ou anos se passavam assim, tempo suficiente para aprender a língua, entender os costumes e, paradoxalmente, ser incorporado à comunidade antes de ser sacrificado.

    O ritual de execução era o ponto alto dessa lógica de vingança infinita. Chamado de “matar para vingar”, ele fechava um ciclo e abria outro. O guerreiro escolhido para dar o golpe ganhava um novo nome — algo como “Jaguar que Mata” — e carregava para sempre a responsabilidade de que, um dia, alguém da tribo do morto viria cobrar o sangue. Após o golpe perfeito na nuca com a iwara pemã (clava de madeira pesada com bordas afiadas), as mulheres esquartejavam o corpo, cozinhavam as partes em grandes panelas de cerâmica e distribuíam a carne entre todos. Comer o inimigo valente não era fome nem sadismo: era absorver sua coragem, sua força espiritual, impedir que ele fosse para o além com sua essência intacta e, ao mesmo tempo, honrá-lo como adversário digno.

    Europeus como Hans Staden, Jean de Léry e André Thevet registraram essas cenas com horror misturado a fascínio, e gravuras como as de Theodor de Bry espalharam a imagem do “selvagem canibal” pela Europa, servindo de justificativa moral para a colonização. Mas os próprios tupinambás explicavam aos cronistas: “Nós o matamos e comemos para que ele não nos mate no mundo dos espíritos, e para que sua bravura viva em nós.” Era uma guerra total, onde a morte física era apenas parte de uma disputa que atravessava gerações.

    Com as doenças trazidas pelos portugueses e as guerras coloniais, os tupinambás praticamente desapareceram no século XVII, assimilados ou exterminados. O que resta são relatos e imagens — testemunhas de uma sociedade onde honra, vingança e ritual se entrelaçavam de forma tão profunda que, para eles, devorar o inimigo era o maior ato de respeito que se podia oferecer a um guerreiro de verdade.”

  2. Gil¬mar insiste em blin¬da¬gem vexa¬tó¬ria de Tof¬foli

    Gilmar criou uma inusitada blindagem para si e para os colegas de toga. No início de dezembro, numa canetada monocrática fixou normas que dificultavam o impeachment dos membros da corte, sanção que pela Constituição cabe ao Senado.

    Poucos dias depois, o ministro Dias Toffoli determinou a subida do caso Master para o Supremo, a primeira de uma série de decisões esdrúxulas que se tornaram motivo de suspeita grave quando vieram à tona suas relações financeiras com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    Desde então, o ímpeto protetivo de Gilmar ganhou foco. Em fevereiro, o decano do tribunal suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que tem Toffoli entre seus sócios e fez negócios com o fundo de investimentos Arleen, ligado à rede de Vorcaro.

    Cometeram-se não poucas heterodoxias jurídicas para impedir a providência aprovada na CPI do Crime Organizado. O serviço foi completado na quinta-feira (19) com a suspensão da quebra dos sigilos do Arleen, votada pela mesma comissão de inquérito.

    (…)

    Folha de S. Paulo, Opinião, 20.mar.2026 às 22h00 Por Editorial

  3. Filho de Nunes Marques, com 1 ano de OAB, diz ter mais de 500 clientes e usa escritório da tia

    O advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, teria conquistado, no primeiro ano na advocacia, mais de 500 clientes e “resolvido” pelo menos 1 mil processos. O próprio Kevin anunciou o feito em seu site oficial.

    Um desses clientes seria a Consult Inteligência Tributária, que pagou a ele R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025 para atuação advocatícia “voltada ao fisco administrativo”.

    Esse pagamento, feito em 11 transferências, foi mapeado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em um relatório sobre “movimentações atípicas” do Banco Master.

    A empresa de consultoria que fez pagamentos a Kevin Marques, recebeu, no mesmo período, R$ 6,6 milhões do Master, de Daniel Vorcaro, e outros R$ 11,3 milhões da JBS, dos irmãos Batista.

    (…)

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, 21/03/2026 | 11h59 Por Vinicius Valfré

  4. Falta-nos a definição final , ou seja , qual é legalmente o papel do dono do Banco Master banqueiro Daniel Vorcaro nesse ” EMBLOGLIO “, uma vez que a ” Lei veda ” a delação premiada de chefes criminosos , e pelo que se sabe Daniel Vorcaro , é o celebro e patrono dessas falcatruas e golpes financeiros , ou seja , a delação premiada nesse contexto é pura e simplesmente balela e visam tão somente assustar os demais envolvidos , forçando-os a abafarem o caso , com a palavra os profissionais do direito , sou apenas um mero marinheiro aposentado .

    • 1) Delton Dallagnol não podia se reunir/encontrar com Sergio Moro, mas o careca corrupto pode e continua se encontrando com Janot … Isso pode ou vc se esqueceu ?

      2) Cérebro

  5. Senhor Carlos Vicente , na verdade os agentes do estado nacional BR envolvidos na falecida ” operação lava-jato ” , tinham a obrigação e o dever de se reunirem periodicamente para trocarem mutuamente informações , referentes aos andamentos das investigações e processos de interesse , bem como todos os juízes do país , tem a obrigação de se reunir com os advogados de seus constituintes , para dirimir quaisquer dúvidas referentes aos processos de seu/seus constituintes , ou seja , não existe crime algum ou burla das leis do país .

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