Empresário “condenado a 14 anos” por Pix de R$ 500 exibe o descalabro do STF

Alcides Hahn, condenado pelo STF nos atos de 8 de Janeiro

Este é Hahn, vítima de grotesco erro judiciário do STF

Fernando Schüler
Estadão

R$ 500 , via Pix. Foi a ajuda do Alcides Hahn para a vaquinha do ônibus que levou um grupo de manifestantes para Brasília, dias antes do 8 de Janeiro. Da turma do ônibus, consta que ao menos um teria depredado alguma coisa, em Brasília. Hahn tem 71 anos e é um desses pequenos empresários de descendência alemã que fizeram a força comunitária do interior de Santa Catarina.

Alguém pode sugerir que ele “sabia de tudo”. Sabia que aquelas pessoas iriam ocupar a Esplanada, que uma parte iria sair do controle, invadir os prédios, pintar aquela estátua com o batom vermelho e tudo mais. Porém, não é verdade.

PATÉTICO CINISMO – Dizer isso não passa de um patético cinismo. Ele contribuiu porque alguém pediu, porque era da comunidade e manifestações são legítimas, em uma democracia. Contribuiu porque era seu direito. E por aí daria para encerrar a questão.

O fato é que ele foi condenado a 14 anos de prisão. Para uma parte das pessoas, está tudo ok. 14 anos até é pouco. O certo seria prisão perpétua, ou coisa pior, para essa gente fascista, e ainda mais de Santa Catarina, que passou Pix para financiar o “golpe” naquele domingo ensolarado, em Brasília.

Só um País domesticado, que perdeu completamente o senso republicano, é incapaz de perceber o elemento absurdo em tudo isso. Alcides Hahn, assim como outros pequenos empresários, condenados do mesmo jeito, não cometeu crime nenhum. Não foi a Brasília, não quebrou nada, não tentou dar nenhum golpe. Ele é apenas parte de uma multidão amarrada por um conceito. O crime-conceito.

CRIME SEM LEI – É um delito que não precisa de objetividade ou enquadramento a nenhum tipo penal específico. Precisa apenas de uma fundamentação. De um “entendimento” bem-amarrado. E está tudo ok.

“Individualmente”, leio em uma matéria, “Hahn não cometeu nenhum delito”, mas fazia parte da “multidão”. A multidão criminosa, autora da “trama golpista”, o grande crime “multitudinário”. A gordura parece escorrer de cada uma dessas palavras. E me faz lembrar da frase que um dia escutei de um velho professor: nada é mais difícil de refutar do que uma ideia absurda. E aqui, diria: um processo absurdo.

Alcides não tem foro privilegiado, deveria ser julgado na primeira instância, com direito a recursos? Irrelevante. Não teve sua conduta individualizada? Irrelevante. Não tinha a intenção de dar golpe nenhum? Irrelevante.

ESTADO DE EXCEÇÃO – Uma vez dado o conceito, mesmo um pequeno comerciante de uma cidade pacata do interior e seu Pix de 500 reais ganham status de “associação criminosa armada”, um dos crimes pelo qual foi condenado. Simplesmente, não há como refutar uma coisa dessas.

A história toda me lembrou do filósofo italiano Giorgio Agamben e sua tese sobre o “estado de exceção”. Muito do que se passa no Brasil refere-se exatamente a isto. A esta zona cinzenta entre o que é legal e o que é meramente político. Ou ainda: entre o que é “ilegal”, mas que por efeito de alguma necessidade ou razão de Estado, definida pelo próprio poder, se converte em “perfeitamente jurídico e constitucional”.

É tudo que vivemos, no Brasil dos últimos anos. Um inquérito que nasce de modo “heterodoxo”, em 2019, e se desdobra, indefinidamente. O universo dos direitos individuais não mais delimitados pela regra escrita, mas oscilando, ao gosto do poder, sobre camadas opacas de “interpretações” e “entendimentos”.

VIDA QUE SEGUE – Na prática, vamos convir, ninguém dá bola. Diante do absurdo, observamos alguma indignação, por aí. E a vida segue. O Sr. Hahn é apenas o exemplo bem-acabado de um tipo que criamos, no País dos anos recentes: os brasileiros irrelevantes.

São brasileiros sem pedigree, sem história, sem “retórica”. E por óbvio, sem poder algum. Pessoas que têm seus direitos claramente violados, mas que desaparecem em meio à guerra política e nossa mais completa falta de empatia.

Muitos enxergam seu drama como uma vitória da democracia. Meu velho professor tinha razão. É realmente difícil, se não impossível, refutar uma ideia como esta.

6 thoughts on “Empresário “condenado a 14 anos” por Pix de R$ 500 exibe o descalabro do STF

  1. Simples: Criminosos destrambelhados tentam lavar com lágrimas alheias, a imundície de seus atos iniciados e gravados em vídeos no Youtube, em diálogos comprometedores, entre Romero Jucá e Sergio Machado, planejando “Estancar as Sangrias, com STF e tudo”, conforme: Partes 1 e 2.
    https://youtu.be/VmEZkOlfMbo?si=HqB1OPfluQafIN5X
    PS. Vorcaro e suas gravações teriam sido parte do abrangente envolvimento do real usurpador golpe?

    • https://www.facebook.com/share/1FnLnTyUks/
      “O LUTO FABRICADO: QUANDO O SISTEMA ENTERROU O ÍDOLO ANTES DA VERDADE VIR À TONA ”
      “Essa imagem não mostra apenas homenagem.
      Ela mostra uma das armas mais antigas e eficientes do sistema: decretar simbolicamente o fim de uma figura antes mesmo de o público entender o que realmente está acontecendo por trás da cortina.
      Durante décadas, as massas foram treinadas para reagir de forma automática a fotos em preto e branco, fitas de luto, montagens emocionais e mensagens de despedida.
      Porque o sistema sabe que, quando a emoção entra primeiro, a investigação morre antes de nascer.
      Observe a composição.
      De um lado, a imagem mais recente, marcada pelo tempo, pela idade, pela presença ainda viva do rosto humano.
      Do outro, a fotografia mais conhecida, mais forte, mais mítica — a versão que o imaginário popular aprendeu a idolatrar.
      No centro, o laço branco, símbolo de memória, perda e encerramento narrativo.
      Mas é justamente aí que mora o verdadeiro truque.
      Porque o sistema não precisa apagar uma pessoa fisicamente para neutralizá-la.
      Às vezes basta transformá-la em lembrança.
      Quando uma figura se torna memória, ela deixa de ser ameaça presente.
      Deixa de falar.
      Deixa de contradizer.
      Deixa de interferir.
      O mito é embalado, o público lamenta… e o caso se fecha antes que alguém pergunte quem ganhou com aquele encerramento simbólico.
      A pergunta proibida não é “isso é uma homenagem?”.
      A pergunta proibida é: quem lucra quando um ídolo é empurrado prematuramente para o território da nostalgia, do fim e do silêncio?
      Porque quem observa o padrão vê sempre a mesma mecânica: — primeiro vem a imagem emocional
      — depois o choque coletivo
      — em seguida a aceitação rápida
      — e, por fim, o personagem é deslocado da realidade para a categoria de lenda, onde já não pode mais interferir no presente
      Agora conecte os pontos: — montagens em preto e branco para ativar luto imediato
      — símbolos de memória usados para encerrar a reação crítica
      — a transformação de figuras públicas em ícones congelados
      — e a velha lógica do sistema: quando não consegue controlar totalmente a presença, começa a administrar a ausência
      Isso não é apenas homenagem.
      Isso é engenharia emocional de encerramento.
      A imagem sugere algo que o sistema odeia que você perceba:
      que talvez muitas despedidas visuais não sejam só tributo…
      mas instrumentos para guiar a percepção pública, acelerar conclusões e transformar dúvida em resignação.
      E quando um rosto poderoso é empurrado cedo demais para a moldura da memória, talvez o recado não seja apenas “acabou”.
      Talvez seja:
      não olhe mais para isso. siga em frente. não pergunte.
      Porque um sistema criado para nos manter na ignorância nunca nos dará as chaves para a verdadeira liberdade. O livro “A Narrativa do Controle” escrito por Asier Magán explodiu minha cabeça, você já leu? Baixe no link do nosso perfil ou comente “LIVRO” e descubra a verdade agora.”

  2. Mais um que se ferrou na vida por apoiar (financeiramente, no caso) a fracassada tentativa de golpe do ex-mito, que hoje não está nem aí com o destino daqueles que se ferraram por sua causa.

  3. Os canalhas insistem em um golpe sem as forças armadas. Vêem um ministro ostensivamente lavando dinheiro usando a esposa como laranja e nada dizem. Como chamar tudo isso de democracia ? Fica realmente muito difícil acreditar que Adélio Bispo foi um lobo solitário, principalmente pela presença imediata de “adevogados” que surgiram para defendê-lo.

    Gostam de Moraes, seus fdp ? DOC pra ele !!!

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