
Advogados tentam acelerar as negociações jurídica
Malu Gaspar
O Globo
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro montou uma operação intensiva para tentar fechar, até o final de abril, um acordo com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) no âmbito das investigações sobre a fraude bilionária envolvendo o Banco Master.
Os advogados trabalham “diuturnamente” na preparação da proposta, que deve ser apresentada com um conjunto robusto de anexos e documentos. O objetivo é acelerar as negociações e antecipar uma solução jurídica para o caso, num momento em que a pressão sobre o banqueiro e seus interlocutores cresce dentro e fora do Supremo Tribunal Federal (STF).
CRONOGRAMA AGRESSIVO – Para dar conta do cronograma considerado agressivo, a defesa montou uma espécie de força-tarefa com cerca de dez advogados, divididos entre dois escritórios: o do criminalista José Luís Oliveira Lima e o do também advogado Sergio Leonardo.
Cada banca mobilizou cinco profissionais dedicados exclusivamente à elaboração da proposta, que além de pesquisar e organizar o conteúdo do conteúdo do celular de Vorcaro apreendido e já periciado pela Polícia Federal (foram apreendidos outros, mas o banqueiro ainda não recebeu cópias deles), ainda avaliam e buscam documentos que podem servir de prova de corroboração para os relatos que Vorcaro pretende fazer.
Nos bastidores, porém, investigadores avaliam que o prazo de 60 dias é apertado, diante do tamanho que se espera que tenha a delação, mais a definição de uma proposta de valores a serem ressarcidos a investidores e à União e as condições para o cumprimento da pena.
FUNDOS DEPENADOS – O valor que Vorcaro se propuser a devolver, aliás, é chave para o fechamento do acordo. Só que, de acordo com fontes ligadas ao ex-banqueiro, ele teme que uma parte relevante do dinheiro que distribuiu por fundos mundo afora já esteja sendo depenado das contas secretas neste momento, enquanto ele prepara sua proposta de delação.
Mesmo depois da liquidação do Master, Vorcaro ainda manteve uma fortuna bilionária espalhada por uma rede complexa de fundos de investimento no Brasil e no exterior e administrados por gestoras fora do conglomerado do banco – um grupo restrito mas ambicioso de pessoas com acesso a contas que até agora não foram localizadas. Segundo fontes familiarizadas com o caso, ainda haveria mais de R$ 10 bilhões espalhados pelo mundo.
Com a colaboração, Vorcaro indicaria aos investigadores onde está seu patrimônio e o dinheiro seria bloqueado. Seria a forma mais segura de ele usar o dinheiro que desviou para comprar a própria liberdade. Mas, para ele conseguir um bom acordo, os recursos precisam estar disponíveis – daí a pressa do dono do Master em fazer logo um acordo.
QUANTIAS BILIONÁRIAS – Só a fraude nas carteiras de crédito podres vendidas para o BRB na tentativa de compra do Master pelo banco de Brasília é avaliada em R$ 12,2 bilhões. Há ainda quantias bilionárias recebidas de fundos de pensão estaduais e municipais que estão sob investigação da PF, dentre outras frentes de apuração em torno das fraudes que podem revelar valores ainda não conhecidos.
A situação tem outro agravante: o fato do próprio Master ter sido liquidado pelo BC em novembro passado. Os recursos em posse da instituição estão sob o poder do liquidante indicado pelo BC, Eduardo Bianchini, responsável por vender os ativos do banco e organizar o quadro de credores. Bianchini, aliás, calcula que pelo menos R$ 4,8 bilhões em bens e fundos de investimentos ligados a Vorcaro já teriam sido desviados antes da liquidação da instituição.
A dispersão do dinheiro já preocupava Vorcaro desde a primeira prisão, e a tensão só se agravou com seu isolamento no cárcere nos 15 dias em que ficou detido antes da transferência para a Superintendência da PF em Brasília, depois da segunda prisão. A ida para a carceragem da PF, aliás, foi o pontapé inicial para as negociações. Antes, Vorcaro passou por quatro unidades diferentes, incluindo a Penitenciária Federal de Brasília, uma prisão de segurança máxima.
Vorcaro é um fenômeno antropológico
Entre propinas, festas, milicianos, consultorias e honorários, em três anos, Daniel Vorcaro aspergiu, numa conta de padaria, mais de R$ 1 bilhão.
Contratou serviços de um ex-presidente (Michel Temer, com R$ 10 milhões), dois ex-ministros (Ricardo Lewandowski, do STF, com pelo menos R$ 6,1 milhões e Guido Mantega, da Fazenda, com R$ 14 milhões.) Nessa constelação de notáveis brilha o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes (R$ 80 milhões).
Em quatro anos o Master gastou mais de R$ 500 milhões com advogados de 91 bancas.
A milícia privada de Vorcaro custou-lhe R$ 68,66 milhões em 2023. Nas asas de suas empresas voaram pelo menos três ministros do Supremo: Alexandre de Moraes, marido da doutora Viviane, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Este, como relator do caso Master, quis impor sigilo ao processo e tentou blindar a investigação.
Segundo o ministro Fernando Haddad, Vorcaro armou a maior fraude bancária já vista em Pindorama. Vorcaro é um exibicionista; uma festa em Taormina, na Itália, custou-lhe R$ 363 milhões, e um cruzeiro pelo Mediterrâneo saiu por R$ 11,5 milhões.
Torrou R$ 3,3 milhões numa degustação de uísque em Londres, enfeitando-a com ministros do STF. As farofas custaram-lhe R$ 60 milhões.
As delações premiadas poderiam ter a participação especial do festeiro Diogo Batista, conhecido como “concierge dos VIPs”. Ele armava festas e cruzeiros para Vorcaro. Um passeio pela França custou R$ 11,5 milhões.
As festas de Vorcaro eram enfeitadas por modelos nacionais ou europeias.
Vorcaro não é um corruptor comum, ele foi a expressão máxima de um grupo de novos ricos que não conseguem se relacionar com outras pessoas sem lhes dar algum capilé ou oferecer favor que os coloque em dívida, um voo no jatinho, por exemplo.
Os brasileiros endinheirados e/ou poderosos mudaram de patamar. No século passado, Tancredo Neves, ex-ministro da Justiça, e Magalhães Pinto, dono do banco Nacional e governador de Minas Gerais, moraram no mesmo edifício da Av. Atlântica em apartamentos de 600 metros quadrados.
Por algum tempo, lá morou também, na cobertura, o banqueiro Walther Moreira Salles.
O mundo dos bancos para Vorcaro “é uma máfia”, e seu “business” incluía a oferta de acompanhantes para os convidados ilustres.
Com suas fraudes, Vorcaro entrou para a crônica política e policial. Ele é também um personagem para estudo dos antropólogos.
Fonte: O Globo, Opinião, 12/04/2026 03h30 Por Elio Gaspari
Ele sabia gastar o dinheiro mal havido.
Só falta um ingrediente para tocar fogo no barraco, alguma esposa que foi chifrada numa destas ‘festas’ enfeitas por novinhas. As cerejas do bolo foram as jovens polacas.
Poxa , aqui na TI fala-se tanto em delações premiadas , mas nada sobre as devoluções dos valores roubados dos cofres públicos .
Calma, Sr. Jose Carlos
O Narco-Ladrão vai criar mais um imposto para o Sr. pagar, depois de arrecadar bilhões vai devolver todo o dinheiro roubado para o Sr..
Inclusive no lote do dinheiro , vai ter o roubado pelos Filho e Irmão do Narco-Ladrão…
È só aguardar….
aquele abraço
PS.
Por falar no Irmão do Ladrão, o famoso Frei Chico, ladrão de aposentados, onde está escondido esse desgraçado maldito que cometeu uma das maiores atrocidades contra a Humanidade.???
Senhor Armando , agradeço pelo consolo , kkkkkk.