Homenagem a Lula no Sambódromo pode destruir sua candidatura à reeleição

Lula brincou na Sapucaí e sua candidatura poderá “dançar”

Carlos Newton

Não será surpresa alguma se Lula tiver sua candidatura anulada por campanha antecipada, em função do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, fazendo apologia do petista e ridicularizando seu principal adversário político, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília, condenado a 27 anos e três meses de cadeia.

Foi grotesco assistir a essa bajulação carnavalesca, que jamais poderia ser autorizada pelo presidente Lula da Silva, que deu força à escola, pois um dos  seus patrocinadores foi uma instituição federal, a Embratur, que é presidida por Marcelo Freixo, ex-deputado federal filiado ao PT, que liberou a verba.

CAMPANHA ANTECIPADA – Jamais se viu nada igual no Carnaval nem na Política brasileira. Bem ou mal, os candidatos – especialmente os que estão no poder – procuram respeitar a legislação eleitoral, que é muito severa no tocante à campanha antecipada.

No caso da Acadêmicos de Niterói, desde que foi anunciado que o enredo contaria a vida de Lula “da miséria ao poder”, começou a ser denunciada a intenção de fazer campanha eleitoral.

Por isso, causou espanto a decisão de Lula aceitar a “homenagem”, que acabou se tornando uma clara manifestação política, com uso do símbolo do partido e até do lema de campanha (“Olê, olê, olá, Lula-lá, Lulá-la”) como refrão do samba-enredo.

VÍDEOS: As cenas de Bolsonaro ridicularizado para o mundo no desfile da Niterói - Revista Fórum

Bolsonaro foi retratado como palhaço Bozo na prisão

BOLSONARO BOZO – Foi chocante o aproveitamento de Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo numa encenação humorística, e depois com um carro alegórico mostrando um boneco gigante do ex-presidente na prisão.

O resultado foi desastroso para a TV Globo, porque a audiência do desfile caiu quase 30% durante a passagem da escola, mostrando o descontentamento de expressiva parcela dos telespectadores.

Agora vamos aguardar a decisão do TSE, porque já estão sendo feitas diversas denúncias contra o PT, e o julgamento será conduzido pela ministra Cármen Lúcia, cuja seriedade não pode ser contestada. Ou seja, Lula corre sério risco de não disputar a eleição.

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P.S. 1Os juristas de plantão neste blog podem alegar que a pena é somente uma multa, que o PT paga e fica tudo por isso mesmo. Ou seja, a campanha antecipada seria um crime perfeito. Ocorre, porém, que houve o patrocínio pela Embratur, e o caso passa a ser de abuso de poder, o mesmo crime que inviabilizou a candidatura de Jair Bolsonaro.

P.S. 2 – Detalhe final: a primeira-dama Janja da Silva foi a maior incentivadora da “homenagem”, porque ela própria iria desfilar, como principal destaque do carro alegórico que encerrava o desfile. No sábado, dona Janja chegou a ensaiar na escola, mas acabou sendo desestimulada, por causa do uso eleitoral. Na hora do desfile, Janja estava inconsolável e foi substituída por Fafá de Belém, que é uma artista de verdade. (C.N.)

15 thoughts on “Homenagem a Lula no Sambódromo pode destruir sua candidatura à reeleição

  1. Este episódio é igual as motociatas do bolsonaro, patrocinadas com dinheiro público e que não foram poucas.

    A Ministra Carmem Lúcia é seria? Mais ou menos.

    Livrou o Aécio de maneira descarada.

    Pegou uma boquinha lá no Tayayá.

    Não resistiu a boquinha livre, eles não aguentam!

    Resumo da ópera, não há nenhum ministro sério.
    Portanto, nada vai acontecer.

    Ou queremos viver de golpes todos os anos?

    Tem gente se embriagando com pipoca. Só pode!

    José Luis

  2. Barba vacilou indo ao desfile em sua homenagem e a bajulação carnavalesca pode levá-lo à inelegibilidade

    Ao ‘aprovar presencialmente’ o desfile bajulador da Acadêmicos de Niterói, Barba agravou potencialmente uma eventual inelegibilidade.

  3. Vejam bem a que ponto o Aparato Petista, que congrega as oligarquias patrimonialistas reacionárias atrasadas, neoluditas, nababescas, que extorquem a sociedade sem dar nada em troca, em função de seu domínio dos aparelhos estatais, pra blindar seus escândalos, tornando-o inatingido por avaliações éticas (dado que imbecilizaram grande parte da população), as leis e a própria Constituição.

    https://www.instagram.com/reel/DU09UV9DrtL/

    Esperar do poder judiciário alguma ação é bobagem. São aparelhos repressivos e censores do Aparato.

    Só uma nova Constituição, prevendo, inclusive, prisão perpétua pra corruptos, que poderá colocar a República nos trilhos democráticos novamente.

    Infelizmente a eleição será pra escolher quem vai ficar com a chave do Lupanário Geral.

    Lembremos do papel do Bolsonarismo para perpetuação do Estado Cleptopatrimonialista.

    https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54472964

    https://www.youtube.com/watch?v=jDN1tt_0wcY

    https://www.instagram.com/reel/DU09UV9DrtL/

  4. Boa noite, bolsominions órfão de papai Jail presidiário.

    HOMENAGEM E HOMENAGEM, não tem crime eleitoral nenhum, bando de doidos órfãos, em que momento LULA pediu votos na na Sapucaí❓
    Em que momento foi dito “LULA PRESIDENTE 2026″❓
    BOZO ESTA LIVRE POR ACASO❓🤦‍♂️🤣🤣🤣

  5. Senhor Carlos Newton , o que importa é o seguinte , todas as demais escolas de samba do RJ , participantes do desfile , receberam ou não , os mesmos subsídios , que a escola de samba Acadêmicos de Niterói , que homenageou o Presidente Lula , mesmo que supostamente tenha ridicularizado o ex-presidente Jair Bolsonaro , lembrando-nos de sua ” deliberada e criminosa negligência ” , em socorrer o povo Brasileiro frente a crise médico – sanitária da Covid-19 , onde debochou , ridicularizou , desrespeitou e humilhou as pessoas que choravam pela perda de seus entes queridos , crime esses que não foi-lhes cobrados até hoje responsabilidade alguma , deixando-o impune e as seus comparsas congressistas e tantos outros agentes que contribuíram , para um rastro de tamanha mortandade de mais de 600 mil vítimas .

  6. Consta que na hora que ele apareceu a plateia cantou em coro, Loola ladrão, seu lugar é na prisão, mas com a elite petralha sabia que iria acontecer a bateria da escola de samba aumentava muito o volume para abafar a manifestação.

  7. Vamos imaginar uma cena surrealista, uma final no Maraca ente Flamengo e Corinthians, setenta mil pagantes, Loola com a camisa de seu time dando o ponta pé inicial na partida e o coro total: “Loola Não é ladrão e seu lugar Não é na prisão”.
    Globo, Folha e Estadão em êxtase, Nosso presidente Não é ladrão, foi o povo que garantiu publicamente, no Maracanã.
    E na na Tupy, José Carlos Araújo, deixa comigo garotinho, o Corinthians perdeu, mas seu principal torcedor foi aplaudido pela galera.
    Ridendo cstigat mores. (com o riso se castiga os costumes)

  8. O sucesso da homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí reacendeu um velho roteiro da política brasileira: quando não se consegue neutralizar o impacto simbólico de um evento, tenta-se desqualificá-lo. Diante da repercussão positiva do desfile, setores da oposição passaram a sustentar a tese de propaganda eleitoral antecipada, numa tentativa de transformar manifestação cultural em infração jurídica.

    O argumento, contudo, encontra limites claros na própria legislação. O artigo 36-A da Lei nº 9.504/97 estabelece, de forma objetiva, hipóteses que não configuram propaganda antecipada. A mera homenagem, inserida em contexto artístico-cultural, sem pedido explícito de voto ou campanha formal, não se enquadra como irregularidade. Para que haja infração eleitoral, é necessário o elemento objetivo do pedido de voto ou a caracterização inequívoca de campanha fora do prazo — o que não se confunde com enredo carnavalesco.

    O Carnaval, por sua própria natureza, sempre dialogou com figuras públicas, acontecimentos históricos e personagens que marcaram o país. Transformar esse espaço cultural em campo proibido sob alegação genérica seria impor censura indireta à liberdade artística. Não há, na legislação eleitoral, qualquer dispositivo que proíba desfile em homenagem a autoridades ou personalidades, desde que não haja desvirtuamento para campanha explícita.

    A reação de alguns opositores lembra o velho clichê do futebol: quando o time perde, a culpa é do juiz. Incapazes de minimizar o impacto popular do desfile, recorrem à narrativa jurídica como instrumento político. E como o país já vive clima pré-eleitoral, qualquer manifestação que desperte entusiasmo popular passa a ser vista sob lentes partidárias.

    Mas cultura não é palanque automático. O samba não pede autorização ideológica para existir. Ele canta a história, exalta personagens e expressa sentimentos coletivos. Se o desfile emocionou, mobilizou e levantou arquibancadas, isso pertence ao campo da arte e da percepção popular — não ao da infração legal presumida.

    No fim das contas, o que se viu foi a reafirmação de que manifestações culturais não podem ser sufocadas por interpretações extensivas da lei. A caravana segue seu curso, enquanto o debate político tenta encontrar eco. E como diz o ditado popular, o choro é livre — mas o samba também é.

  9. Carnaval da ARMAÇÃO?
    Por José H. C. Abreu (@camdeab) RECORDISTA DE MEMES DO BRASIL
    Há momentos em que a política deixa de ser governo e passa a ser teatro. O comportamento do presidente Lula no dia do desfile da Escola que o homenageou, levantou uma hipótese incômoda: teria ele forçado a barra, consciente de que ultrapassar limites pode resultar em inelegibilidade, justamente para vestir o figurino que mais domina — o de vítima?
    Na política brasileira, a vitimização é uma moeda poderosa. Um líder impedido, censurado, “perseguido” pelo sistema transforma-se automaticamente em mártir. E mártires transferem votos. É o roteiro clássico: sai o protagonista, entra o herdeiro ungido, carregando a aura do injustiçado.
    A lembrança inevitável é Fernando Haddad em 2018: um candidato construído como extensão de um líder ausente, usando a máscara simbólica do “poste injustiçado”. Não venceu, mas quase. E quase vencer já é suficiente para manter um projeto de poder vivo.
    O cálculo, se existir, é perversamente lógico: Lula fora do jogo vira mito. E mitos elegem sucessores.
    A política brasileira adora esse teatro de sombras, onde líderes se sacrificam simbolicamente para continuar governando por procuração. Não é novidade. É método.
    Quanto à facada em Bolsonaro, ela foi um evento real, traumático e decisivo — e qualquer análise séria reconhece que alterou profundamente o curso da eleição de 2018. O ponto não é conspirar, mas constatar que o martírio político, voluntário ou involuntário, sempre rende dividendos eleitorais.
    No Brasil, o eleitor vota em projetos, mas também em narrativas. E nada é mais sedutor do que o líder impedido, silenciado, ferido — real ou simbolicamente. A política virou uma disputa de quem sofre melhor diante das câmeras.
    Talvez Lula esteja apenas exagerando no Carnaval retórico. Talvez esteja testando os limites da Justiça Eleitoral. Talvez esteja apenas sendo Lula.
    Mas, em um país onde a política virou dramaturgia, toda cena merece ser lida como possível ensaio geral.
    E, como em todo bom teatro, a máscara nunca cai por acaso.

  10. Senhor Jose Dantas Martins Montalvao , lembremos que são os próprios ” parlamentares/congressistas ” , responsáveis por justicializar tanto as questões políticas , por total incapacidade de resolve-las ou por má-fé , sendo que não satisfeitos e achando pouco , querem justicializar os sambas enredos , que porventura homenageiem seus ” opositores , desafetos , e demais vem os parlamentares desonestos com a falsa acusação de que o judiciário esta invadindo suas searas .

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