
Charge do Gilmar Fraga (Arquivo do Google)
Pedro do Coutto
A conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) projeta um dos episódios mais delicados da política recente brasileira. Não apenas pelo volume financeiro envolvido — estimado em cerca de R$ 18 bilhões —, mas sobretudo pela dimensão institucional e política dos nomes citados.
Com 215 pessoas arroladas para possível indiciamento, a CPI rompe um padrão histórico de investigações parlamentares no país. Nunca antes uma comissão legislativa havia avançado com uma lista tão extensa, revelando um esquema que, segundo o relatório final, operava de forma estruturada e disseminada dentro da Previdência Social.
EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS – O núcleo da fraude, conforme apontado, estaria concentrado na concessão irregular de empréstimos consignados, muitos deles fictícios, que atingiram diretamente aposentados e pensionistas — justamente o grupo mais vulnerável do sistema. Trata-se, portanto, não apenas de um escândalo financeiro, mas de uma crise moral, na medida em que expõe a exploração sistemática de cidadãos dependentes do Estado.
Entre os nomes citados, destacam-se figuras de elevado peso político, como Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula da Silva, além do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi. A inclusão desses nomes amplia significativamente o impacto político do relatório, sobretudo em um momento de alta sensibilidade eleitoral.
A CPI também recomenda a responsabilização de agentes públicos e políticos que, direta ou indiretamente, teriam contribuído para a perpetuação do esquema. No caso do ex-ministro, a crítica central recai sobre a incapacidade — ou omissão — de impedir que a fraude atingisse proporções sistêmicas durante sua gestão.
QUESTIONAMENTOS – É nesse ponto que o relatório ganha contornos mais complexos. Ainda que parte dos valores desviados tenha origem em irregularidades detectadas em gestões anteriores, inclusive durante o governo de Jair Bolsonaro, o avanço e a continuidade das fraudes durante o atual governo levantam questionamentos inevitáveis sobre falhas de controle e governança.
O Palácio do Planalto, por sua vez, enfrenta um dilema político clássico: ao mesmo tempo em que precisa sustentar a narrativa de recuperação de recursos e reparação aos prejudicados, vê-se pressionado por acusações que atingem figuras próximas ao núcleo de poder. A presença de aliados do chamado “Centrão” entre os citados reforça a percepção de que o problema transcende governos e se enraíza em práticas políticas mais amplas.
No plano eleitoral, o impacto tende a ser imediato. A exposição de nomes ligados ao presidente Lula da Silva ocorre em um contexto de disputa acirrada pela reeleição, abrindo espaço para adversários explorarem o episódio como símbolo de fragilidade ética do governo. Candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema já sinalizam, nos bastidores, a intenção de incorporar o tema ao debate público.
CAUTELA – Ainda assim, é preciso cautela. Relatórios de CPI, embora politicamente relevantes, não possuem caráter condenatório. Caberá ao Ministério Público e ao Judiciário transformar — ou não — as conclusões em responsabilizações formais. A história recente brasileira mostra que o caminho entre denúncia política e condenação judicial é, muitas vezes, longo e incerto.
O que não se pode ignorar, no entanto, é o efeito sistêmico revelado pela investigação. Mais do que casos isolados de corrupção, a CPI descreve um modelo de captura institucional, no qual falhas de controle, interesses políticos e fragilidades administrativas convergiram para produzir um esquema de larga escala.
DESCONFIANÇA – No fim, o maior dano talvez não seja apenas financeiro. É a erosão da confiança pública em um dos pilares do Estado social brasileiro. Quando aposentados — que contribuíram por décadas — tornam-se alvo de fraudes bilionárias, o que está em jogo é a própria legitimidade do sistema.
A CPI do INSS, portanto, não se encerra com a leitura de seu relatório final. Ela inaugura uma nova fase: a do julgamento político e institucional de um escândalo que, pela sua magnitude, dificilmente será esquecido no curto prazo.
Em 2026 vamos saber se o povo aprendeu realmente a votar.
REELEGER É REERRAR.
CHEQUE DA REALIDADE EM WASHINGTON: Uma troca tensa reacendeu o debate sobre o verdadeiro custo — e propósito — da recente escalada.
Segundo relatos, Trump alegou que reabrir o Estreito de Ormuz custaria cerca de 2 bilhões de dólares por dia. Mas um senador americano respondeu com uma pergunta tão simples quanto contundente: se o estreito já estava aberto antes do conflito, o que se pretendia alcançar com a guerra?
O comentário vai além da política. Questione a lógica por trás de decisões que acabam afetando todo mundo. Uma situação que parecia estável agora se apresenta como uma crise dispendiosa, o que faz duvidar se as consequências foram realmente previstas.
No fundo, não se trata apenas de estratégia ou dinheiro, mas de responsabilidade.
Se um conflito cria o mesmo problema que diz resolver, então… o que realmente ganhou e a que preço para o mundo?
#crisisglobal #politicainternacional #geopolitica #realidad
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Barba completou três anos de governo sem que tenha fixado uma marca
A fila do INSS arrisca bater a marca dos 3 milhões de vítimas antes de outubro. Apesar do programa Pé de Meia, as matrículas de jovens no ensino médio encolheram.
Pode ser que o mau humor dos eleitores tenha a ver com o cansaço, com os escândalos, com má marquetagem ou também com salto alto do governo.
Um exemplo dos perigos do salto alto veio do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.
Apesar das promessas do governo, a fila de vítimas aumentando, Queiroz sustentou que os segurados deverão ser atendidos “no menor tempo possível”. O doutor perdeu uma oportunidade de explicar por que três anos de promessas atolaram.
Os estrategistas do Planalto surpreenderam-se com a erosão da popularidade de Barba no andar de baixo.
Não poderia ser de outra forma, os aposentados foram roubados e os segurados não conseguem atendimento.
Waller Junior ofereceu um número que pode explicar a ruína: em 2022 (governo Bolsonaro) o INSS tinha 36 mil funcionários e em 2025 (governo Lula), esse número caiu para 18 mil.
O presidente do INSS comporta-se como um analista que nada tem a ver com a gestão do governo.
O ministro pediu que se faça uma “boa propaganda” da Previdência. Ganha um fim de semana em Teerã quem souber como isso pode ser feito.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 29/03/2026 03h30 Por Elio Gaspari
Governo: Os aposentados foram roubados e os segurados não conseguem atendimento.