Governadores recuam da disputa e transformam sucessão em jogo de poder

A Pascoa de Paulo Peres e a solidão divina de Carlos Drummond…

Tribuna da Internet | Um recado a senadores e deputados, numa bem-humorada  canção de protesto

Peres, poeta e compositor carioca

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres, no poema “Páscoa”, faz uma reflexão sobre o significado deste acontecimento para a Humanidade.

PÁSCOA
Paulo Peres

Há mais de dois mil anos,
Jesus Cristo tentou
Mostrar à Humanidade
Uma vida melhor,
Mas a ignorância
Da maior parte da população,
Incentivada
Pelos poderes da época,
Mercenários e imperialistas,
Como os de hoje,
Impediram-no…

Houve sofrimento,
Houve lágrimas,
Houve escuridão…

Todavia,
Houve sabedoria,
Houve fé,
Houve busca,
Houve perdão,
Houve salvação,
Houve liberdade,
Houve luz,
Houve ressurreição!..

Ressurreição diária
Que existe na Páscoa
Do coração
De quem tem como dogma
Os Mandamentos
Da Justiça Divina!

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E DRUMMOND DESCOBRIU QUE DEUS É TRISTE…

COMO E POR QUE LER CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Solar do Rosário

Drummond refletia sobre Deus

O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira, no poema “Deus é Triste”, expõe a sua visão sobre a solidão divina.

DEUS É TRISTE
Carlos Drummond de Andrade

Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo
E cobre tudo tristinfinitamente.

A tristeza de Deus é como Deus: eterna.

Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.

Trump entre a força e o recuo: a guerra que a narrativa já não controla

Caiado avança sobre evangélicos e aposta em vice mulher para romper isolamento

Aliados reconhecem a dificuldade em ampliar alianças

Deu na CNN

Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, busca ampliar sua base de apoio e está implementando estratégias para fortalecer sua candidatura nas próximas eleições. Entre as principais movimentações, Caiado está criando uma ponte com o eleitorado evangélico e planeja ter uma mulher como vice em sua chapa.

De acordo com apuração do analista político Matheus Teixeira, Caiado nomeou o deputado federal Otoni de Paula (MDB) para aproximá-lo do segmento evangélico. O parlamentar, que já foi próximo de Jair Bolsonaro (PL), mas posteriormente se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas ao ex-presidente, agora está filiado ao PSD e tem a missão de organizar reuniões com pastores e marcar presenças em cultos para além do estado de Goiás, reduto eleitoral de Caiado.

MAIOR ALCANCE – “A aproximação com o eleitorado evangélico, que representa uma fatia significativa dos eleitores brasileiros, é vista como essencial para Caiado ampliar seu alcance nacional. O segmento, historicamente de perfil mais conservador e alinhado à direita, dialoga com as bandeiras defendidas pelo pré-candidato do PSD, que busca crescer nas pesquisas eleitorais onde atualmente aparece atrás dos principais nomes”, avalia Matheus.

Além da ponte com os evangélicos, outra estratégia de Caiado é incluir uma mulher como candidata a vice-presidente em sua chapa. A preferência é que esta vice seja de outro partido, ampliando assim as alianças políticas. No entanto, segundo o analista, mesmo que não consiga atrair outro partido para sua coligação, Caiado mantém a intenção de ter uma mulher na vice, ainda que seja do próprio PSD. A dúvida que permanece é se esta representante virá do Sudeste ou do Nordeste do país.

Os aliados de Caiado reconhecem a dificuldade em ampliar alianças no primeiro turno, já que muitos partidos já estão próximos de outras candidaturas. Com estas movimentações, o pré-candidato do PSD busca fazer acenos a dois importantes segmentos do eleitorado brasileiro: os evangélicos e as mulheres, considerados fundamentais para que tenha chances de disputar o segundo turno das eleições presidenciais.

Dança das cadeiras no Congresso expõe luta eleitoral e tensões institucionais

Voos em jatinhos comprometem ministros do STF e ampliam pressão por código de ética

No Brasil, “em nome do Estado de Direito”, perde-se até mesmo a vergonha na cara

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Charge do Rotaip (Instagram)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos, Temer por dois anos e Bolsonaro por quatro anos — nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do “coroné”.

AS DUAS FACES – O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres — e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos.

Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali — quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como “herança maldita”. Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

HERANÇA MALDITA – Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes — que não é uma invenção petista, há que se reconhecer — é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT — a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama —, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

LIXO DA HISTÓRIA – Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do “blábláblá” nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país — sendo as grandes cidades já províncias do crime —, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

SOCIEDADE SEM LEI – A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo — sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS?

ROUBAR APOSENTADOS – Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. “Em nome do Estado de Direito”, perde-se a vergonha na cara.

Participação de Caiado indica que Lula será derrotado no segundo turno

05/04/2025 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Aqui no Brasil tudo é diferente. As ideologias são tão encobertas que o cantor Cazuza procurava uma para viver. Mas não achou, porque as tendências partidárias mudam e se misturam, de tal forma que conseguiram esculhambar até o marxismo, que no século passado era tido como uma doutrina séria e de fundo científico, a ponto de Luiz Carlos Prestes criticar Lula da Silva por não estudar as bases do comunismo.

Realmente, é uma maluquice. Quem ainda lembra que Roberto Freire, Aldo Rebelo e Flávio Dino eram declaradamente comunistas. Os três militavam em partidos cujos integrantes até hoje são chamados de “camaradas”, porque essa gente não tem medo do ridículo.

SEM DISTINÇÃO – Por isso, convém não fazer distinção entre os políticos brasileiros, porque eles na verdade não integram grupos ideológicos e muitos deles são até eleitos para representar facções criminosas de diferentes espécies.

Portanto, dizer que Lula é de esquerda tornou-se Piada do Ano. Embora o PT costume exaltar os benefícios sociais concedidos, simultaneamente os governantes petistas se especializaram em explorar o povo.

No segundo governo Lula, por exemplo, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, então marido de Gleisi Hoffmann, foi preso preventivamente pela Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. Ele era acusado de receber cerca de R$ 7 milhões em propina de um esquema de fraudes em empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Anos depois, os sindicalistas do PT voltariam à ação, para desviar dinheiro de aposentados e pensionistas, atuando como se fossem Robin Hood às avessas.

DIREITA, VOLVER – Se a esquerda no Brasil é assim, a direita não fica atrás. A política tornou-se uma atividade tão criminosa que no Estado do Rio de Janeiro, nos últimos 30 anos todos os governadores eleitos entre 1998 e 2026 foram, presos ou sofreram afastamento/cassação, incluindo Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro.

Nessa salada mista, encontram-se todas as tendências – direita, esquerda e centro. E pode-se dizer que apenas Leonel Brizola escapou da humilhação, porque Moreira Franco também foi preso em 2019, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, vejam a que ponto chegamos.

Bem, voltando à sucessão presidencial deste ano, será mesmo uma disputa eletrizante, especialmente se Ronaldo Caiado tiver um vice de respeito em sua chapa, de preferência uma mulher, como é sua intenção.

TRÊS CANDIDATOS – Não se pode desprezar o olho clinico de Gilberto Kassab, o senhor dos anéis, que achou melhor lançar Caiado (GO) do que os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).

Todos sabem que Caiado vai reduzir a votação de Flávio Bolsonaro (PL), que está de bobeira e ainda não convidou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para vice. Aliás, o candidato do PSD também vai tirar votos de Lula, porque no primeiro turno Caiado pode atrair a preferência de quem não aceita mais voltar em Bolsonaro e acabaria votando no petista.

No meio da confusão, já existem algumas certezas. A primeira delas é que Lula estará no segundo turno. E a segunda é que o petista vai perder a eleição, porque o terceiro colocado (seja Caiado ou Flávio) vai apoiar e garantir a vitória do adversário do PT.

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P.S.
O problema de Lula é a altíssima rejeição a ele, que foi de 61%, acima da rejeição a seu governo, que ficou em 51%. Mesmo assim, é certo que ele terá cerca de 30% dos votos válidos, o que garante lugar no segundo turno. Mas será muito difícil garantir a reeleição, se não houver uma mudança radical na atual situação. (C.N.) 

Inelegível, Pablo Marçal aposta tudo no TSE para viabilizar candidatura em 2026

Marçal tentará reverter condenações para disputar eleição

Sérgio Quintella
O Globo

Recém-filiado ao União Brasil, o empresário Pablo Marçal é cotado no partido para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo. Para que a ideia se concretize, porém, ele precisa se livrar de forma definitiva de três processos na Justiça Eleitoral, movidos após sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2024. Duas dessas ações foram julgadas procedentes em primeira instância, tramitam em segundo grau e irão ao Tribunal Superior Eleitoral, sendo uma delas que o mantém inelegível até 2032. O segundo processo foi revertido pelo empresário, mas haverá recurso do Ministério Público no TSE.

Entre os crimes dos quais é acusado estão captação e gastos ilícitos de recursos, abuso de poder econômico e outros ligados a casos como o “concurso de cortes”, denunciado pelo Globo há dois anos. Além dessas ações, há uma outra em primeira instância que condenou Marçal, mas ainda não gera inelegibilidade porque não foi julgada por um colegiado, como prevê a lei, o que deverá ocorrer até o mês que vem.

CONCURSO DE CORTES –  A ação que atualmente mantém Marçal inelegível diz respeito ao “concurso de cortes”, revelado pelo O Globo, em que colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha de dois anos atrás, com promessa de remuneração e distribuição de brindes.

A demanda, movida pelo PSB e pelo Ministério Público, apurou também um pagamento feito pela maquiadora da esposa de Marçal em um anúncio na internet. Ao clicar no link, o usuário era direcionado para o site da campanha eleitoral do empresário. Em dezembro do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou procedente a acusação de uso indevido dos meios de comunicação, além de manter uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.

A votação do colegiado no fim do ano passado foi apertada, por 4 votos a 3, razão pela qual a defesa de Marçal acredita em reversão no TSE. “Nós embargamos a decisão e estamos aguardando o resultado dos embargos, porque nós entendemos que há algumas nulidades no processo, então o relator vai ter que apreciar essas nulidades via embargo de declaração. Ele pode anular o acórdão, pelo que a gente está pedindo, mas se ele não for acolhido, cabe recurso para o TSE. E como foi uma votação bem apertada, 4 a 3, a gente tem muita esperança de virar no Tribunal Superior Eleitoral”, afirma o advogado Paulo Hamilton, que defende o empresário.

APOIO EM TROCA DE PIX –  Enquanto estuda a defesa na ação que mantém Marçal condenado e sem poder disputar eleições, Hamilton se prepara para o recurso do Ministério Público no processo que foi revertido, em novembro de 2025, desta vez em favor de seu cliente.

Movida por Guilherme Boulos e pelo PSB, a demanda foi aberta para apurar a venda do apoio de Marçal a candidatos a vereador na capital paulista em troca de doação de R$ 5.000 para sua campanha por meio de Pix. A medida foi julgada em primeira instância e gerou condenação por abuso de poder econômico e político, além de captação ilícita de recursos e uso indevido dos meios de comunicação. Porém, no julgamento de segunda instância, o relator Claudio Langroiva disse haver a necessidade de considerar a verificação da gravidade da conduta de Marçal.

“Não se está a negar a ilicitude da conduta do recorrente, já que a ilegalidade da proposta é evidente – prática que atenta contra a moralidade e a paridade de armas”, mas para o reconhecimento da procedência da ação é indispensável, além da ilicitude, a gravidade e, no caso do viés econômico, a efetiva constatação da quantidade de recursos efetivamente angariados por meio dessa prática específica”, disse o relator. Como a decisão foi referendada pelo colegiado, a ação foi julgada improcedente e agora o MP vai entrar com recurso em Brasília.

SORTEIOS –  No terceiro processo de Marçal, a primeira instância do TRE paulista o condenou, em julho de 2025, por uso indevido dos meios de comunicação, além de captação e gastos ilícitos de recursos e abuso de poder econômico. O processo apura dez condutas, como sorteios de dinheiro e bonés no Instagram, recebimento de dinheiro indevido, anúncios pagos com dinheiro proveniente de contas estrangeiras, entre outros delitos.

Agora, o colegiado vai votar se mantém ou não a condenação. Caso mantenha a decisão, o empresário ficará pela segunda vez inelegível. Porém, se nada for decidido até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, Marçal não terá impedimentos por esse processo.

“Se até o registro não tiver nenhuma decisão em segunda instância, quer dizer que ele não está inelegível por esse processo. Mas trabalhamos pelo julgamento antes do registro. Nós queremos que julguem porque estamos convictos da inocência dele”, afirma Paulo Hamilton.

PRAZOS – O advogado Arthur Rollo, especializado em legislação eleitoral, afirma que os prazos pretendidos pela defesa de Pablo Marçal são alcançáveis, pois a Justiça Eleitoral deverá dar celeridade a casos como esses. “Eu tenho certeza que dá tempo, pois tem muito tempo até lá e o TSE vai ter prioridade para julgar esses casos. Como ele está querendo se lançar candidato, o TSE não vai deixar sair um candidato ao Senado ou à Câmara [sem registro]. Há precedentes como esses no próprio Tribunal Superior Eleitoral”, diz Rollo.

Nos bastidores do União Brasil, o presidente da legenda, Antonio Rueda, é visto como um dos principais articuladores das ações de Marçal nos tribunais superiores eleitorais. Segundo um entendedor dos mecanismos partidários e jurídicos de Brasília, o cacique, com bom trânsito no TSE, não iria “apostar em um cavalo que não conseguisse largar no páreo”.

OUTRAS AÇÕES –  Além dos processos que versam sobre impedimentos de disputas eleitorais, Pablo Marçal é alvo de outras ações na Justiça Eleitoral paulista. No mês passado, o empresário fez um acordo e conseguiu suspender uma das demandas. O caso se refere à propagação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).

Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal divulgou um documento falso de internação por uso de drogas — a falsidade do documento foi atestada por perícias das Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a derrubada da publicação das redes sociais. Marçal foi o terceiro colocado na disputa eleitoral daquele ano, enquanto Boulos foi para o segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).

RESTRIÇÕES – Para que a ação fosse paralisada no TRE, o empresário aceitou a imposição de uma série de restrições, como comparecimento judicial a cada três meses, proibição de sair de sua cidade sem prévia autorização, além de não poder frequentar bares, boates e casas de prostituição.

No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado. Na ocasião, Marçal foi condenado a pagar uma indenização de R$ 100 mil a Boulos. Procurado, Marçal não quis comentar os processos aos quais responde, nem sobre suas pretensões eleitorais.

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João Pereira Coutinho
Folha

Em plena Páscoa, deparei-me com uma pergunta apropriada — será que Donald Trump vai para o céu? A pergunta não é absurda. O próprio Donald, em declarações ou entrevistas, já lidou com ela, lembra a revista New York. Aos 42 anos, era uma pergunta abstrata, distante, que não inquietava o presidente. Céu, inferno, reencarnação —o homem não acreditava nesses mitos. Tinha pressa de construir o seu.

Algo mudou dez anos depois. Donald passou a esperar que o céu existisse; caso contrário, a vida terrena perderia o sentido. Podemos dizer que Trump aplicava o raciocínio do jogador de cassino à teologia cristã — jogamos aqui embaixo porque esperamos ganhar o prêmio final lá em cima.

RESORT CELESTIAL – A primeira eleição, em 2016, introduziu uma mudança na relação de Trump com a eternidade — a presidência seria o caminho para garantir a passagem para um Mar-a-Lago celestial. Essa crença se reforçou depois da tentativa de assassinato de que foi vítima.

Nos últimos tempos, a fé tem fraquejado. E o homem que só admite ganhar, mesmo quando perde, já admite perder, mesmo quando ganha. O céu pode não ser para ele.

Entendo as angústias de Trump. À luz dos textos sagrados, o destino já era bem sombrio. “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus?”. O desmedido apego ao dinheiro, que só aumentou com a presidência — mais US$ 1 bilhão em lucros —, põe o nosso Donald na posição vexatória de perder para um dromedário.

ALGO PERTURBADOR – É um pensamento perturbador: uma vida inteira de riqueza acumulada, impunidade judicial e política, bajulação alheia — e, no momento decisivo, um animal do deserto tem direito a viajar em classe executiva? Espero que ninguém o avise disso. Caso contrário, os alvos podem acabar sendo outros nas aventuras militares do Oriente Médio.

Claro que existe sempre a possibilidade de perdão. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”, terá dito Jesus aos fariseus.

O problema é que o pecador precisa reconhecer que é pecador, expiando seus erros. É uma atitude de humildade que não combina com o nosso Donald.

CHAMAR A POLÍCIA – Confrontado com Jesus e seus apóstolos, o mais provável era mandar chamar o ICE, a polícia de imigração, e deportar esses ilegais para a Palestina.

Só a graça divina, por definição insondável, resolve o que a biografia complica. Trump, naturalmente, confia nela —ignorando que muitos são chamados e poucos escolhidos.

Eu, se fosse Trump, aproveitava a Páscoa e preparava um plano B. Ou talvez D, de dieta. Não por virtude. Por precaução, claro. O buraco da agulha continua apertado.

Lula intensifica ofensiva contra Flávio e busca controlar crise do Master

Assustado com rejeição, combustíveis e juros, Lula pensa em dar tiros no pé

Lula dá tiro no pé pró-Bolsonaro. Ou: Esquecer o velho e aprender o novo -  27/08/2021 - UOL Notícias

Reprodução do Arquivo Google

Vinicius Torres Freire
Folha

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis. O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma.

A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

AUMENTA A FILA – Há subsídios para o diesel. Até agora, não se falou em subsidiar gasolina, pelo menos. Haverá subsídio para o gás de cozinha, do governo ou da Petrobras, Lula deixou escapar. Companhias aéreas querem subsídio para combustível e crédito. O agro tem pedidos. Se essa fila andar, haverá mais candidatos a algum Bolsa Guerra, como na pandemia, favores do coronavírus que duraram até este governo.

DECISÕES DE MOMENTO – Pode ser razoável a tentativa de atenuar um choque de preço, sob certas condições, de modo a evitar que um problema provisório tenha consequências duradouras. Pode ser um paliativo para um par de meses, aliás adotado até pelo ultraliberal alucinado Javier Milei e pela Europa.

Mas é possível também que a tentativa de transferir problemas para o futuro contamine o presente. No exemplo mais simples, é possível que se esteja apenas transferindo a alta de preços de agora para logo depois da eleição, estocando inflação para 2027, com impacto desde já nas expectativas.

O governo vai gastar o que puder para conter preços por toda a parte, por meses? A ideia do subsídio é compensar alta de preços da Petrobras ou é tabelamento (que pode ameaçar o abastecimento)?

INFLAÇÃO E PIB – Está ainda mais difícil estimar a chance de cada cenário, pois também não se sabe do efeito da guerra: maior na inflação ou no PIB? Depende de duração da crise e do ritmo da economia aqui, ainda firme.

De resto, o governo não tem como mexer em reações fundamentais a todos esses problemas, a do Banco Central e a do mercado de títulos da dívida pública. E o PIB do mundo vai esfriar.

Difícil mexer com sucesso nessa máquina complicada. Enfim, tabelar preço é, claro, uma política, não raro com consequências funestas.

CONGELAMENTO – Em caso muito maior e de extremo descaramento, houve o congelamento de preços do Plano Cruzado, em 1986, desfeito logo depois de fechadas as urnas, o pai dos estelionatos eleitorais do Brasil, que pariu oligarquias até hoje no poder.

Em escala muito menor, porém mais dramática, foi assim com Dilma 1. No início do seu segundo mandato, em 2015, começou a desfazer o que eram, na prática, tabelamentos de preços de energia elétrica e combustíveis.

A então presidente tivera 42% de “ótimo/bom” no Datafolha de dezembro de 2014; em março de 2015, 13%. A vitória torta contribuiu para o seu fim.

CRISE DO PETRÓLEO – Abril será ruim no mercado mundial. Em março circulavam navios com petróleo e combustíveis produzidos e embarcados antes do início da guerra. Agora, o buraco deixado pelo fechamento de Hormuz vai aparecer na prática.

A conversa a respeito de algum tipo contenção de consumo, mesmo de racionamento, ou de redução preventiva de atividade econômica, que já é prática no Sul e no Leste pobres da Ásia, pode se espalhar pela Europa.

Na hipótese mais otimista, o problema de base (escassez de combustível e outros insumos) vai até setembro. Alguém do governo tem isso em mente?

Nunes Marques e sua esposa também voaram nas asas dos jatos de Vorcaro

BlogdoBG | O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que... | InstagramDeu em O Tempo

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa viajaram para Maceió, partindo de Brasília, em uma aeronave particular da empresa Prime You, que gerencia os bens de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A informação foi divulgada pelo jornal “O Estado de São Paulo” neste sábado (4/4).

O motivo do deslocamento, de acordo com a reportagem, foi o aniversário de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e que informou ter bancado as despesas da viagem.

AS “ALEGAÇÕES” – Em nota oficial, o ministro confirmou ao “Estadão” que fez a viagem e que foi convidado pela advogada. Também em nota ao jornal, ela explicou que “o voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário”.

Além de Nunes Marques, na última semana, o jornal “Folha de São Paulo” mostrou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, viajaram em jatos executivos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele.

No período de maio a outubro de 2025, foram oito voos, em deslocamentos entre Brasília e São Paulo. Em sete desses voos, o casal utilizou aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual o ex-dono do Banco Master era sócio através do fundo Patrimonial Blue. A empresa é certificada a operar como táxi aéreo. 

R$ 600 MIL… – De acordo com levantamento feito por O Tempo em Brasília, cada deslocamento deste tipo chega a custar mais de R$ 600 mil no mercado de táxi aéreo, de acordo com cotações colhidas pela reportagem.

Em nota, o gabinete do ministro Moraes rebateu a reportagem da “Folha” e afirmou que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”.

“O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, diz o comunicado.  Já o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”. Além disso, que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que se constata é a desmoralização progressiva do Supremo Tribunal Federal, cujos membros, em sua esmagadora maioria, mais parecem investidores, que usam a toga para acumular fortunas ilícitas, ao invés de respeitar a dignidade que o cargo de ministro impõe. Mas não há novidade no front, o Supremo apenas foi o último poder a ser prostituído. Por isso as falcatruas estão chamando tanta atenção. (C.N.)

“Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…”

Oswaldo Montenegro apresenta em SP 'Nossas Histórias' - Estadão

Montenegro, um compositor de raro talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite ao namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse.

Oswaldo Montenegro diz que, ao compor, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim seu colo
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo
A valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins
Ao som dos bandolinsAo som dos bandolins

Histórico da democracia brasileira indica que é preciso estar atento a novos golpes

Golpe Militar de 1964: o que foi, contexto, resumo - Brasil Escola

De 64 a 85, foram 21 anos de ditadura militar e arbítrio

Roberto Nascimento

Em recente comentário aqui na Tribuna da Internet, abordamos golpes de estado ocorridos no Brasil após a República, que foi oriunda de uma conspiração contra Dom Pedro II, um monarca altamente intelectualizado e que sabia governar, ao contrário de muitos presidentes.

Insta salientar que, no ambiente da Internet, se o comentarista escrever muito, quase ninguém terá paciência de ler. Portanto, é preciso ser o máximo sucinto possível, e por isso não foi possível discorrer sobre  as nuances de todos os golpes de estado ocorridos no Brasil durante a República.

Primeiro, houve a conspiração de Floriano contra Deodoro. Depois, o episódio dos Tenentes (18 do Forte), a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas a governar por 15 anos em regime ditatorial, a Intentona Comunista de 1935, o Levante Integralista de 1938, o Movimento de 11 de Novembro (1955), para evitar a posse de Kubitschek, e as revoltas de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959), já no governo JK.

COUTTO LEMBROU – Este ano, o jornalista Pedro do Coutto foi um dos poucos que lembraram a passagem do golpe de 31 de março de 1964. Entretanto, a aventura política civil-militar nunca esteve tão atual, pois a ameaça golpista continua atormentando o país.

Tentaram de novo em 2022, mas fracassaram. E agora, vão levar 10 anos, como ocorreu no passado, quando tentaram derrubar Getúlio em 1954 e voltaram em 1964?

O mesmo golpe de 1964 foi tentado em 1954, com a pressão militar para derrubar Getúlio Vargas. Mas o suicídio do presidente, aliado à comoção popular, fez os militares recuarem. Em 1955, tentaram impedir a posse de Juscelino, mas o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, na época não se falava em ministro do Exército, impediu o 11 de Novembro, e depois vieram as revoltas de Aragarças e Jacareacanga, de origem aeronáutica.

JANGO ASSUME – Bem, em 1961, assumiu o vice João Goulart, devido à renúncia de Jânio Quadros, sete meses após assumir a presidência, supostamente para reassumir como ditador em meio a uma esperada pressão popular, que não veio. 

Os militares não queriam a presidência de Jango e até ameaçaram derrubar o avião que o trazia de volta de uma viagem à China, para assumir o governo.

Após intensas negociações, os militares aceitaram um acordo para mudar o regime de presidencialismo para parlamentarismo, com Tancredo Neves como primeiro-ministro. Seis meses depois, Jango arquitetou um plebiscito para retorno do presidencialismo, e o povo votou sim, dando o poder de volta a João Goulart como presidente.

Os militares, então, começaram a minar Jango junto com a elite empresarial paulista, acusando o presidente de comunista e de querer implantar uma república sindical.

GUERRA FRIA – O contexto era a guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética. Os EUA, que consideravam (e ainda consideram) o Brasil como colônia americana, tiveram receio de que nosso país passasse a orbitar sob o domínio de Moscou.

Com base no argumento da guerra fria, abasteceram os golpistas brasileiros com informações da CIA, ofereceram apoio logístico, caso fosse necessário, e dinheiro para minar o governo de Jango, tudo comandado pelo embaixador Lincoln Gordon e o adido militar, coronel Vernon Walters.

Em 31 de março de 1964, o golfe foi desfechado, assumindo o comando da nação, pela força, o general Humberto de Alencar Castelo Branco. O regime militar durou 21 anos, de 64 a 85.

BARBÁRIE MILITAR – Importante salientar que naquele período de trevas, toda a América Latina, após o Brasil sucumbir ao autoritarismo, teve um efeito dominó.  Depois, caíram Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Equador, Peru, Colômbia, somente a Venezuela foi poupada da barbárie militar no Cone Sul.

Bem, o futuro a Deus pertence e o Golpe de 2022 foi fracassado porque não houve adesão popular e do empresariado, além da falta apoio dos Estados Unidos, circunstância que desestimulou o Alto-Comando do Exército.

O então presidente Joe Biden enviou um assessor militar para dar um recado aos golpistas: se o golpe fosse executado, o novo governo ficaria isolado e sem condições de prosseguir. Portanto, se o presidente fosse Trump, a história seria outra. Portanto, todo cuidado ainda será pouco, porque Trump agora é o presidente e os golpistas brasileiros estão todos aí, com sangue nos olhos.

Mais vexame! Toffoli voou em jatinho de Vorcaro para “relaxar” no Tayayá

✈️ A farra do jatinho continua! Não bastasse a informação de que Moraes  voava em jatos da empresa de Vorcaro, documentos da Anac mostram que Toffoli  também embarcou em aeronave da PrimeLucas Marchesini
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli voou em 4 de julho de 2025 em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha como sócio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam documentos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e do Decea (Departamento de Controle de Espaço Aéreo) obtidos pela Folha.

Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h daquela data, segundo informações da Anac. Um avião da Prime Aviation com prefixo PR-SAD decolou às 10h10 para Marília (SP), cidade natal do ministro, de acordo com dados do Decea.

PEDIU SEGURANÇAS – Naquele mesmo dia, seguranças do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo haviam sido deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, que é frequentado por Toffoli e fica a 150 quilômetros de Marília. Esse deslocamento se deu, de acordo com a corte, a pedido do STF para atender a uma autoridade.

A Folha revelou em janeiro que empresas da família Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Banco Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.

Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, foram sócios no Tayayá até o ano passado. Tinham cotas no Tayayá a Maridt Participações, que pertence ao ministro, e o fundo Arleen, de Zettel.

MORAES, TAMBÉM – O avião PR-SAD é o mesmo que, segundo o cruzamento dos dados do Decea e da Anac, levou o ministro Alexandre de Moraes para São Paulo em três ocasiões, como mostrou reportagem da Folha publicada na terça (31).

Os documentos da Anac mostram dez registros de entrada de Toffoli em 2025 no terminal executivo do aeroporto de Brasília, que recebe principalmente aeronaves particulares.

O cruzamento com os dados do Decea permite identificar o avião que teria sido utilizado pelo ministro em seis ocasiões, uma vez que não há outras decolagens e pousos em horários próximos. Em cinco desses casos, o avião pertencia a empresários.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ministros como Toffoli, Moraes e outros, como Nunes Marques, que também é chegado num jatinho, confirmam que o Supremo deixou de ser confiável e respeitável. Neste Domingo de Páscoa podemos dizer que os 30 dinheiros de Judas falam mais alto do que se cobrir com o manto sagrado da Suprema Corte. Sinal dos tempos? Talvez. (C.N.)

A sujeirada se alastra, mas ninguém sabe quem é o pai do porco clonado

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Dono dos porcos

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto 

Primeiro porco clonado no Brasil como era de se esperar causando o maior rebuliço nos três poderes da República. Todos querem ser pai do porquinho bem nascido. Togados não abrem mão da façanha. Contam com fortes banqueiros patrocinando tudo. Mas Edson Fachin pede moderação. 

Um dos financiadores para as festas suntuosas e pesquisas suínas da Suprema Corte, banqueiro hoje em desgraça,  está enrascado com a Justiça até a medula óssea. Suspeita-se que tenha sido amante da mãe do porquinho clonado…

BRIGA PELA PATERNIDADE – Por sua vez, dentro do Congresso Nacional a briga pela paternidade do porco é acirrada. Deputados e senadores querem levar o suíno clonado para os palanques das campanhas.

 

Dinheiro não é problema para os parlamentares. Alegam que as pesquisas cientificas que permitiram a descoberta do novo xodó do Brasil foram bancadas pelo bilionário Fundo Partidário.
O senador Davi Alcolumbre, mestre em sentar em cima de iniciativas que não interessam aos congressistas e sobretudo a ele, já deu sinal que usará de toda sua força regimental para que o porquinho seja admirado e celebrado pelos brasileiros como patrimônio dos senadores.
SÍMBOLO REPUBLICANO – O porquinho correrá o país como símbolo republicano. Banhado, perfumado e com fitinha no pescoço. Senadores ostentam com orgulho e fascínio o conhecido e surrado espírito de porco em suas entranhas.  Lula também entrou na roda. Mas foi logo investindo na maldade.
Mandou o ministro Sidônio Palmeira preparar milhões de peças lembrando que Bolsonaro,  amorosamente chamado por dona Michele de” meu galego”, tem 3 filhos porcos: Flávio, Eduardo e Carlos.  Mas o porquinho clonado é fruto do empenho do Planalto e usou até verbas do Bolsa Família…

Muito além do banco: o caso Vorcaro e as conexões entre finanças e poder

Charge do Clayton (O Povo)

Pedro do Coutto

O avanço das investigações sobre os recursos no exterior ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro marca uma inflexão importante não apenas no caso em si, mas na forma como o Brasil lida com a interseção entre sistema financeiro, poder político e responsabilização institucional.

A reportagem de Patrik Camporez, publicada em O Globo, revela que autoridades passaram a rastrear ativos fora do país, ampliando significativamente o escopo da apuração. Esse movimento, embora técnico à primeira vista, carrega implicações profundas: ele desloca o centro do debate da simples recuperação de valores para a compreensão das engrenagens que permitiram sua formação, circulação e eventual ocultação.

FLUXOS FINANCEIROS – O rastreamento internacional sugere que não se trata de um episódio isolado ou de uma falha pontual de governança, mas de uma estrutura sofisticada, possivelmente desenhada para dificultar a identificação de fluxos financeiros e proteger patrimônio em diferentes jurisdições. Esse tipo de engenharia, comum em casos de grande complexidade financeira, raramente opera sem algum grau de interlocução institucional.

É nesse ponto que o caso deixa de ser apenas econômico e passa a adquirir contornos políticos mais sensíveis. Afinal, o dinheiro, quando se move em escala e com esse nível de organização, quase sempre dialoga com poder.

A possível conexão de Vorcaro com autoridades brasileiras, ainda sob apuração, adiciona uma camada de gravidade ao episódio. A menção à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília, operação que envolvia um banco público e que acabou sendo barrada, funciona como um sinal de alerta sobre a proximidade entre interesses privados e estruturas estatais. Mesmo que não haja comprovação de irregularidades nessa interlocução, o simples fato de ela existir já impõe um desgaste institucional relevante, sobretudo em um contexto em que a confiança nas instituições é constantemente testada.

DELAÇÃO – Paralelamente, ganha força a negociação de um acordo de delação premiada, que reposiciona Vorcaro não apenas como investigado, mas como potencial fonte de revelações capazes de reconfigurar o cenário. Nesse tipo de acordo, a devolução de recursos é apenas uma das variáveis.

O elemento central passa a ser a qualidade e o alcance das informações oferecidas. Em outras palavras, o valor estratégico da delação está menos no dinheiro recuperado e mais naquilo que pode ser revelado sobre redes, conexões e eventuais zonas de influência. Trata-se de uma moeda de troca poderosa, que historicamente tem sido capaz de produzir avanços institucionais, mas também de gerar instabilidade política.

O Estado brasileiro, diante desse cenário, se vê novamente confrontado com um dilema recorrente: até que ponto é aceitável flexibilizar punições em troca de informações que podem atingir outros atores, possivelmente mais relevantes do ponto de vista sistêmico? A resposta nunca é simples, porque envolve equilibrar eficiência investigativa, justiça e credibilidade institucional. Se conduzida com rigor e transparência, a delação pode contribuir para esclarecer estruturas mais amplas e fortalecer mecanismos de controle. Se mal calibrada, pode alimentar a percepção de seletividade ou oportunismo.

CAPITAL E PODER – O caso Vorcaro, portanto, ultrapassa os limites de um escândalo financeiro. Ele se insere em uma tradição brasileira de episódios que expõem a permeabilidade entre capital e poder, revelando fragilidades que vão além dos indivíduos envolvidos. A existência de fluxos internacionais, a possível interlocução com agentes públicos e a negociação de uma delação robusta colocam em evidência não apenas eventuais ilícitos, mas a própria capacidade das instituições de reagir de forma consistente e estruturante.

O que está em jogo não é apenas a devolução de ativos ou a responsabilização de um agente econômico, mas a possibilidade de se produzir uma leitura mais ampla sobre como operam, no Brasil, as conexões entre dinheiro e influência. Se essa oportunidade será aproveitada para promover mudanças reais ou se resultará apenas em mais um capítulo de desgaste sem transformação efetiva, dependerá menos do que já foi descoberto e mais da forma como o Estado escolherá agir a partir daqui.