Cerco a Lulinha, com quebra de sigilo, desarticula a pré-campanha de Lula

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha em sessão tumultuada: o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Catia Seabra
Mariana Brasil
Caio Spechoto
Folha

O avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal e o cerco político no Congresso Nacional colocaram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT), no centro das preocupações de auxiliares do presidente nesta quinta-feira (26).

Embora Lulinha tenha negado ao pai qualquer irregularidade e o presidente venha repetindo que quem errou tem que pagar, o receio é que as investigações respinguem na campanha à reeleição.

QUEBRAS DE SIGILOS – A pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. O pedido da PF foi feito há cerca de um mês. Mas só chegou ao conhecimento do governo nesta quinta, pela imprensa.

A CPI do INSS também decidiu quebrar o sigilo de Lulinha, em uma sessão conturbada nesta quinta-feira e que está sendo questionada pelos governistas. Fábio Luís foi citado em investigações que envolvem Antonio Carlos Camilo Antunes.

Conhecido como Careca do INSS, o empresário se tornou uma das figuras mais emblemáticas do escândalo de descontos em benefícios previdenciários, sob a acusação de supostamente ter facilitado a fraude nas aposentadorias.

LULINHA É CITADO – A PF apura as citações atribuídas a Lulinha nas investigações da Operação Sem Desconto. A informação de que ele estava sendo investigado foi enviada a Mendonça, relator do inquérito sobre o tema.

Menções indiretas a Lulinha por alvos da investigação já tinham sido divulgadas em dezembro do ano passado. À época, segundo pessoas com conhecimento das apurações, essas citações já estavam sendo investigadas.

Em suas conversas, Lula tem dito que as investigações devem prosseguir. Além dessa orientação expressa ao governo, o presidente repete o que já disse em entrevista: “Quem errou tem que pagar”.

DISSE LULA – O próprio Lula contou, durante entrevista ao portal UOL, que chamou seu filho a Brasília para cobrar explicações. O presidente relatou ter dito a Lulinha que ele pagará o preço caso tenha cometido algum delito.

Segundo relatos, essa conversa aconteceu em dezembro. Lulinha disse ao pai que está 100% tranquilo e ironizou rumores que circulam na internet dando conta de sua evolução patrimonial, questionando onde estariam então sua Ferrari de ouro e sua fazenda. Nessa conversa dura, Lula recomendou, então, que o filho se defendesse.

Aliados do presidente vêm insistindo na tese de que, embora as fraudes tenham ocorrido nas gestões passadas, as investigações só aconteceram no governo Lula, ainda que os descontos nas aposentadorias tenham disparado. Mesmo com esses argumentos, os colaboradores do presidente temem o uso do caso pela oposição. Por isso, a blindagem de familiares de Lula era considerada estratégica para os governistas na CPI do INSS.

CULPA DA PF? – O caso também afeta as relações dentro do governo. Apesar de os inquéritos correrem sob sigilo, há quem lance dúvidas sobre a lealdade do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, uma vez que se dizem surpreendidos com a quebra um mês depois do pedido.

Em defesa de Andrei, outra ala do governo alega que o próprio presidente recomendou que levasse adiante as investigações. Também sobram queixas à articulação do governo no Congresso por não ter impedido a confusa votação que culminou na quebra de sigilo de Lulinha na CPI.

Governistas questionam a votação no colegiado e afirmam que a quebra de sigilo foi um golpe do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG). A bancada governista protocolou petição solicitando a anulação.

NA OUTRA CPI – Antes, na quarta-feira (25), a CPI do Crime Organizado já havia aprovado a quebra de sigilo de uma empresa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, além do convite para que o próprio ministro, Alexandre de Moraes e a mulher, Viviane Barci, compareçam para dar explicações sobre o escândalo financeiro do Banco Master. Dois irmãos de Toffoli foram convocados a depor.

As convocações e quebras de sigilo desagradaram ao governo. Os convites para ministros do Supremo e o excesso de temas incluídos na investigação são os aspectos mais criticados por aliados de Lula.

A CPI do Crime Organizado foi criada com uma delimitação vaga para o objeto de investigação. Por isso, tem sido possível para o colegiado entrar, por exemplo, no caso do Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
–  Embora uma CPI possa aprovar convites para que ministros prestem esclarecimentos (como ocorreu na CPI do Crime Organizado com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o comparecimento do magistrado é facultativo. No caso da mulher de Moraes, ela pode ser convocada, mas isso não a obriga a depor. Pode ficar calada e exercer o direito de não se incriminar. (C.N.)

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A teia que se fecha: a CPI, Dias Toffoli e o desgaste institucional

Atuação judicial e vínculos empresariais produzem desgaste 

Pedro do Coutto

A recente decisão da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal sobre o crime organizado de convocar familiares do ministro Dias Toffoli para prestar depoimento e determinar a quebra de sigilo de empresa associada ao seu entorno empresarial recoloca no centro do debate uma questão recorrente na política brasileira: a delicada fronteira entre relações privadas, negócios e responsabilidades públicas.

Mais do que um episódio isolado, o caso expõe as fragilidades de um sistema que, por vezes, parece incapaz de separar com clareza o exercício da função institucional de interesses particulares, ainda que indiretos. A empresa sob escrutínio, citada em investigações jornalísticas e alvo de suspeitas de irregularidades, coloca o ministro em uma posição de evidente desconforto político e jurídico.

DÚVIDAS PÚBLICAS – Embora tenha admitido participação societária e afirmado ter declarado corretamente as operações financeiras à Receita Federal, o encadeamento dos fatos — somado à convocação de familiares ligados ao empreendimento — cria um ambiente em que a explicação formal já não basta para dissipar dúvidas públicas. No terreno político, a percepção frequentemente pesa tanto quanto a prova.

O problema ganha dimensão maior quando se observa que o ministro, integrante do Supremo Tribunal Federal, já atuou em processos relacionados a instituições financeiras também citadas no noticiário, como o Banco Master e o Banco Regional de Brasília. Ainda que não haja condenação ou responsabilização formal, o simples cruzamento entre atuação judicial e vínculos empresariais indiretos é suficiente para produzir desgaste institucional. Em democracias maduras, a aparência de conflito de interesses pode ser tão nociva quanto o próprio conflito.

A saída do ministro da relatoria de um dos casos após a entrega, pela Polícia Federal, de material apreendido em investigação adiciona outro elemento à narrativa: a percepção de que as instituições funcionam sob pressão constante de revelações sucessivas. Esse movimento, embora tecnicamente justificável, reforça a sensação de que a situação escapou ao controle político do próprio magistrado, tornando mais difícil qualquer estratégia de contenção de danos.

HIPEREXPOSIÇÃO – Há, ainda, um componente estrutural que não pode ser ignorado. O Brasil vive, desde a Operação Lava Jato, um período de hiperexposição das relações entre Judiciário, política e mercado financeiro. Nesse contexto, decisões judiciais passaram a ser lidas também sob lentes políticas, ampliando o custo reputacional de cada controvérsia. Toffoli, que participou de julgamentos decisivos e revisões de processos emblemáticos, já vinha sendo alvo de críticas por despachos considerados difíceis de explicar sob o prisma da coerência jurisprudencial. Agora, a sobreposição entre controvérsias judiciais e questionamentos empresariais cria um quadro mais complexo.

O impacto não se limita à figura do ministro. Ele atinge o próprio tribunal, que passa a conviver com ruídos que fragilizam a imagem de imparcialidade — um dos pilares de qualquer corte constitucional. Em um ambiente de polarização, cada crise individual rapidamente se converte em crise institucional. O STF, já tensionado por disputas políticas e pela judicialização crescente da vida pública, vê-se novamente arrastado para o epicentro de um debate que mistura legalidade, ética e credibilidade.

No campo financeiro, as repercussões também são relevantes. A menção a dificuldades de capitalização e a movimentações para recomposição patrimonial em instituições ligadas ao caso indica que a crise extrapola o plano jurídico e alcança o sistema bancário regional. Quando operações societárias passam a ser interpretadas sob a suspeita de irregularidades, o risco reputacional contamina negociações, investidores e, por consequência, a estabilidade do próprio mercado.

PRESSÃO POLÍTICA – Em termos políticos, o episódio evidencia a força das CPIs como instrumento de pressão pública. Ao convocar familiares e quebrar sigilos, a comissão transforma suspeitas em narrativa institucionalizada, obrigando os envolvidos a se posicionarem continuamente. Ainda que o resultado final dependa de provas concretas, o processo em si já produz efeitos duradouros na opinião pública — e esse é um elemento central da política contemporânea.

A situação do ministro, portanto, não se resume a um problema jurídico a ser resolvido nos autos. Trata-se de uma crise de confiança. Mesmo que as explicações apresentadas sejam tecnicamente plausíveis, a sucessão de vínculos, participações societárias e decisões judiciais relacionadas a agentes econômicos sob investigação constrói a percepção de uma teia difícil de desfazer. Em política, percepções moldam destinos.

Resta saber se o desfecho virá pela via institucional, com esclarecimentos robustos que afastem definitivamente as suspeitas, ou se o caso permanecerá como mais um capítulo do desgaste contínuo entre Poderes, mercado e opinião pública. O certo é que, enquanto a investigação avança, a sombra da dúvida já se projeta sobre a mais alta corte do país — e, quando isso ocorre, o dano ultrapassa indivíduos e alcança a própria confiança nas instituições republicanas.

Nos bastidores do STF, há muitas coisas acontecendo em relação ao caso Master

Tribuna da Internet | Esses ministros do Supremo fazem por merecer algum  respeito da sociedade?

Charge do Bier (|Arquivo Google)

Mario Sabino
Metrópoles

Nos bastidores do STF, há muitas coisas acontecendo em relação ao caso Master, e só parte delas veio à tona nos jornais. Vamos começar pelo que veio à tona: Sim, uma parte dos ministros está irritada com Alexandre de Moraes por ele ter usado o inquérito das fake news para perseguir auditores da Receita Federal em causa própria — a de punir quem divulgou que a sua mulher assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e que, em função do contrato, ela aumentou exponencialmente a sua fortuna pessoal para quase R$ 80 milhões.

Também é fato que alguns ministros nutrem o medo de que Moraes possa estar montando dossiês contra eles para evitar ser entregue aos leões, juntamente com Dias Toffoli. Moraes sabe que o seu destino é indissociável do ex-dono de resort.

REUNIÃO GRAVADA – Entre os ministros, não é desconfiança, mas certeza de que partiu de Toffoli o vazamento de diálogos da reunião fechada que selou a saída dele do inquérito que investiga as fraudes perpetradas por Daniel Vorcaro à frente do banco.

Alexandre de Moraes desconfia, naquela desconfiança paranoica que é certeza, de que um banqueiro pagou para obter as informações sigilosas sobre a vida financeira dele e da sua família publicadas pela imprensa.

Já vai se consolidando a certeza de que Toffoli vazou as falas da reunião por meio do seu assessor de imprensa informal. A fala do ministro sobre abrir as próprias contas desde que todos o fizessem foi vista como ameaça explícita.

RELATOR CAUTELOSO – Até o momento, André Mendonça dá indicações de que não vai interferir no trabalho da PF, apesar da sua fala contra a corporação na reunião cujos diálogos foram publicados.

É enorme a preocupação com o que poderá ser revelado sobre as festinhas de arromba que Vorcaro organizava. Mais do que os escândalos financeiros, um escândalo sexual é visto como especialmente desastroso para o que resta de reputação ao STF.

A festa que mais preocupa é a que aconteceu em Trancoso, em outubro de 2022, que contou com muitas dezenas de mulheres contratadas para entreter as poucas dezenas de convidados. Em suma, a equipe do STF Futebol Clube joga menos coesa, embora continue favorita para vencer o campeonato.

Líder do PSB reage a pressão do PT e defende Alckmin na chapa de Lula

Em minoria no Senado, Lula não terá como impedir impeachments no STF  

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (@thiagochargista)

Carlos Newton

A histórica sessão da CPI do Crime Organizado, nesta quarta-feira, comprovou uma realidade que dificultará muito o governo Lula da Silva em pleno ano eleitoral. A aprovação das quebras dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do Master, da empresa Maridt Participações e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários representou uma brutal derrota para o Planalto.

O fracasso da base aliada demonstra que o governo está em franca minoria no Senado e mais à frente Lula não terá como impedir os impeachments de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, fato que jamais aconteceu no Supremo.

FORMIDÁVEIS PRESSÕES – Conforme informamos aqui na Tribuna da Internet, houve formidáveis pressões sobre os senadores para blindar o caso Master na CPI do Crime Organizado, que foi convocada originalmente para investigar as principais facções criminosas do país.

Além de Toffoli e Moraes, diretamente interessados, também fizeram pressões sobre a CPI o próprio presidente Lula; o ministro Rui Costa, da Casa Civil; os senadores Jaques Wagner, ex-líder do PT, Randolfe Rodrigues, líder do governo, e Davi Alcolumbre, presidente do Congresso. Mesmo com essa tropa de choque e a caneta nas mãos, Lula não conseguiu formar maioria na CPI nem no Senado.

E o pior é que a CPI mista do INSS, integrada por senadores e deputados, também está em maioria contra Lula e aprovou a quebra de sigilo dos documentos sobre a fraude contra aposentados e pensionistas, além da quebra do sigilo bancário e fiscal do filho Lulinha, nesta quinta-feira, numa sessão tumultuada pela minoria governista, que ia votar também a quebra de sigilo de Frei Chico, irmão de Lula.

REELEIÇÃO DIFÍCIL – Quando ocorre uma situação dessa natureza num ano em que o presidente está se lançando candidato, é sinal de que não será nada fácil conquistar a reeleição.

Nas duas CPIs, daqui para frente, o tempo todo será paulada nas cacundas da Lula, Moraes e Toffolli. E já alertamos aqui na Tribuna que os dois delegados de polícia que comandam a importantíssima CPI do Crime Organizado – Fabiano Contarato (PT-ES) e Alessandro Vieira (MDB-SE) – são imunes a pressões e têm apoio irrestrito do vice-presidente da CPI, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), um general de quatro estrelas.

Detalhe importante: Contarato não é petista-raiz. Estreou na política em 2018 e foi logo conquistando uma cadeira no Senado, como o mais votado no Espírito Santo. Entrou no PT em 2021, porém jamais foi submisso a Lula. Ele saberá levar a CPI a bom termo, podem acreditar.

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P.S.
Para os eternos descrentes, que não acreditam em CPIs, recordo uma das mais importantes, a CPI Atos de Corrupção, que funcionou na Câmara durante o regime militar e provocou a extinção de duas importantes autarquias – a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunamam) e o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). O presidente da CPI era o deputado paulista João Cunha, do chamado MDB autêntico, famoso pela coragem. Ele esteve em visita oficial ao Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet, foi entrevistado e declarou que o general deveria subir de joelhos a escadaria do Palácio de La Moneda, para pedir perdão ao povo chileno. Foi um escândalo internacional, mas Pinochet não teve disposição para prendê-lo, devido à interferência do embaixador brasileiro. Recordar é viver e CPI às vezes funciona. (C.N.)  

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Mendonça autorizou quebra de sigilo de Lulinha antes de decisão da CPI do INSS

Miinistro autorizou em janeiro a quebra de sigilo de Lulinha

Mariana Muniz
O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em janeiro a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após um pedido da Polícia Federal.

A quebra já havia sido autorizada antes que a CPMI do INSS tomasse a mesma decisão. A informação sobre a autorização dada por Mendonça foi publicada pelo site Poder 360 e confirmada pelo O Globo.

PACOTE DE REQUERIMENTOS – A CPI do INSS aprovou, nesta quinta-feira, um pacote de requerimentos que inclui a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Além deles, passaram pedidos de novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas investigadas. Ao todo, mais de 80 requerimentos foram colocados em votação e, por decisão do colegiado, apreciados de uma só vez em bloco.

CONFUSÃO – Após a aprovação, contudo, iniciou-se uma confusão no colegiado, com protesto de parlamentares governistas pela forma como a votação ocorreu, de forma simbólica — em que os votos de cada um não são computados individualmente. A sessão foi interrompida em seguida.

O presidente da CPI, Carlos Viana (PSD-MG), declarou que quem era contra o pacote de requerimentos teria que se levantar. Ele, então, contou sete parlamentares de um quórum de 31. E anunciou a aprovação dos itens da pauta, que incluía a quebra do sigilo de Fábio Luís, de uma empresária amiga dele, de uma ex-publicitária do PT e do ex-sócio do Banco Master.

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Ibaneis arruinou o BRB e agora tenta destruir o patrimônio da Terracap

Ibaneis afundou o BRB na fraude do Master e agora quer torrar o patrimônio do banco

Ibaneis é como o cavalo de Átila e destrói tudo pela frente

Vicente Limongi Netto

O indesejável e fracassado governador Ibaneis Rocha deixa o Palácio do Buriti em março. Graças a Deus, já vai tarde… O povo vai soltar foguete, porque ele desgraçou a capital, arruinou e desmoralizou o Banco Regional de Brasília (BRB), ao negociar com Daniel Vorcaro, do banco Master, para armar tramas imundas.

O patético e corrupto Ibaneis envergonha o MDB, partido de lutas democráticas e republicanas. O desgovernaador agora pretende vender imóveis do Distrito Federa para socorrer o BRB.

PATRIMÔNIO? – “O BRB é patrimônio de Brasília”, diz o demagogo cretino com cara lambida, como se o banco não estivesse à beira da ruína, pois só não vai à falência porque é estatal e a lei não permite.

É preciso que senadores e deputados obstinados em punir culpados pela imunda parceria BRB/Master não percam de vista que o Direito empresarial determina que, em casos de gestão temerária de bancos, seus dirigentes paguem o prejuízo com o patrimônio próprio.

No caso, tanto o Ibaneis quanto os dirigentes do BRB têm que tirar o dinheiro do próprio bolso para ressarcir o povo brasiliense. É o que determina a lei.

CONVERSA MOLE – Ibaneis tem patrimônio de sobra para ajudar a preencher o rombo que ajudou a causar. Mas o desgovernador vem com essa conversa mole, pretendendo que a Terracap dê terrenos para garantir e suavizara a  picaretagem dos trapalhões no BRB…

Cai fora, Ibaneis, mas antes pague pelos seus crimes. Basta de impunidade. A acolhedora Papudinha espera por você. 

TORTURA – E nem no futebol a gente encontra tranquilidade. O berrador lambe-botas e narrador Luiz Roberto e demais  melancólicos seguidores da Globo e Sportv continuam torturando o telespectador chamando Junior de “maestro”. Não tem cabimento. Não se enxergam. É muita pobreza.

Deveriam respeitar verdadeiros maestros que encantaram o futebol brasileiro, como Gerson, Didi, Ademir da Guia, Dirceu Lopes e Zenon. 

AMIGO LOYOLA – Por fim, uma mensagem recebida do grande escritor Ignácio de Loyola Brandão, que incentiva nosso trabalho aqui na Tribuna da Internet:

“Amigo,
Lute,  bata o pé, denuncie. É isso; Grite contra esses putos que se acham e enlameiam o Brasil. 
Abraços,
Ignácio”

Com a liberdade de expressão garantida pela Tribuna desde os tempos de nosso amigo Helio Fernandes, fica mais fácil ser jornalista de verdade

Mendonça reordena o caso Master e afasta nomes de confiança de Toffoli

Um samba especial de Cartola, dedicado a seu grande amor, a famosa Dona Zica

Repique - Cartola e Dona Zica 😍 | Facebook

Cartola e Dona Zica, um lindo caso de amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola, considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, na letra de “Tive Sim” expõe que teve um grande amor, mas não tem como compará-lo ao atual. Esse samba foi gravado pelo próprio Cartola e também por Luiz Melodia no CD Estação Melodia, em 2009, pela Biscoito Fino.

TIVE, SIM
Cartola

Tive, sim
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos
E assim
Íamos vivendo em paz

Nosso lar, em nosso lar
Sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou

Tive, sim
Mas comparar com o teu amor
Seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar

Piada do Ano! Lulinha pediu acesso a dados do INSS e ficou à disposição do STF

Defesa do filho do presidente quer ter acesso aos autos

Eduardo Gonçalves
O Globo

A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos autos do inquérito que apura irregularidades em descontos do INSS. Lulinha – como é comumente conhecido – não foi alvo de nenhuma fase da operação Sem Desconto, mas teve o nome citado por uma testemunha do caso, segundo a qual ele teria atuado junto com o lobista Antônio Camilo Antunes, o “careca do INSS”, para destravar negócios no Ministério da Saúde.

Segundo nota do advogado Guilherme Suguimori, Lulinha se colocou à disposição do Supremo para prestar “qualquer esclarecimento eventualmente necessário”, com a ressalva de que ele tivesse antes acesso às informações da investigação, que tramita em sigilo. A solicitação foi feita no fim de janeiro, mas ainda não foi respondida pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso na Corte.

ACESSO AOS AUTOS – “Apesar de Fábio Luís não ter sido alvo da operação ‘Sem Desconto’, nem objeto de medidas ou restrições judiciais, entendemos ser necessário pedir ao STF acesso aos autos após a publicação de seguidas matérias de teor acusatório e difamante, contendo trechos isolados do inquérito sigiloso”, diz o texto.

“Ao fazer o pedido, Fábio também se colocou à disposição do tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário, o que poderá fazer após a concessão de acesso”, acrescentou. A defesa de Lulinha reiterou ainda que ele não tem nenhuma relação com as “fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”.

POSSÍVEL DELAÇÃO –  Alguns alvos da Operação Sem Desconto estão negociando um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, que ainda não foi homologado pelo Supremo. É o caso do ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho, que é suspeito de envolvimento no suposto esquema de descontos indevidos a aposentados e pensionistas do INSS. Ele está preso desde novembro de 2025.

No fim do ano passado, a PF informou ao Supremo que apurava citações a Lulinha no inquérito. Na representação, os investigadores diziam que o filho do presidente “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do careca do INSS. A corporação ressalvou, no entanto, que não “há indícios” de que ele “esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos”. A informação foi veiculada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo O Globo.

ÁUDIO – Um pouco antes, O Globo revelou um áudio em que uma empresária próxima de Lulinha discute com o careca do INSS a dispensa de licitação para o fornecimento de remédios à base de cannabis ao Ministério da Saúde. O contrato acabou não indo para frente. A PF apura se, além da atuação no INSS, o careca tentava amplificar a sua rede de negócios para outros órgãos públicos, como o ministério da Saúde.

“É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação”, diz a empresária Roberta Luchsinger ao Careca.

ALVO DA PF – A candidata a deputada estadual pelo PT e amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger foi alvo de um mandado de busca e apreensão na última fase da operação da PF. Paralelamente, segundo as investigações, ela prestou serviços de consultoria ao careca do INSS que lhe renderam R$ 1,5 milhão.

Em nota anterior, a defesa de Luchsinger alegou que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol e que as atividades “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. “Nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado”, disse, no texto.

MENÇÕES –  Segundo representação da PF, há três menções a Lulinha nos autos – o depoimento de um ex-sócio do careca que relatou que Fabio Luís era “sócio” do lobista em um projeto sobre remédios à base de cannabis e teria recebido 25 milhões, “sem especificar se em reais, euros ou dólares”, para um negócio de “kits de dengue”, além de uma “mesada” de R$ 300 mil por mês.

O segundo indício seria a compra de passagens aéreas em conjunto por Lulinha e Roberta Luchsinger. “Foram identificadas passagens emitidas sob o mesmo localizador (código de identificação da reserva), o que indica a aquisição conjunta dos bilhetes e reforça o vínculo existente entre ambos”, diz a PF. Os investigadores não especificam quem pagou pelas passagens.

E o terceiro seriam possíveis referências a Lulinha em conversas travadas entre Luchsinger e o careca do INSS. Em uma delas, o lobista pede a um funcionário para pagar R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É Piada do Ano! Lulinha está fora do país, mora na Espanha e não deve voltar, sobretudo quando começar para valer a investigação sobre a sinistra Organização dos Estados Ibero-Americana (OEI), sediada em Madri e que está conseguindo faturar cerca de R$ 1 bilhão por ano no Brasil explorando o governo federal, governos estaduais e até prefeituras. Levou mais de R$ 350 milhões para “organizar” a fracassada COP30 em Belém (C.N.)

CPI aprova quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, filho do presidente

CPI do INSS é interrompida após empurra-empurra entre governistas e oposição

Governistas iniciaram o tumulto e a TV Senado saiu do ar

Deu no Estado de Minas

A oposição aprovou a quebra de sigilos bancário e fiscal e a convocação de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, na CPI Mista do INSS. E o caos se instalou na sessão desta quinta-feira pela manhã. O requerimento sobre Lulinha fazia parte dos 87 pedidos que estavam para ser votados em bloco, todos juntos.

Essa votação em conjunto era uma manobra dos governistas, que não deu certo, para rejeitar em bloco os requerimentos, que incluem também a convocação de Frei Chico, irmão de Lula.

FORA DO AR – Com a confusão, começou um empurra-empurra entre parlamentares, e a transmissão da sessão foi cortada pela TV Senado..

O filho de Lula é investigado por causa da suspeita de que ele teria sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma mensagem apreendida pela Polícia Federal, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil à RL Consultoria e Intermediações, uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Quando a Frei Chico, irmão de Lula, ele é vice-presidente de um dos sindicatos que lesavam a remuneração de aposentados e pensionistas.

Brazão ganhou R$ 3,5 milhões no TCE-RJ desde a morte de Marielle

Homicídio, propina e "ameaças": o ex-deputado investigado no caso Marielle  - 30/06/2019 - UOL Notícias

Domingos e o irmão Chiquinho pegaram 76 anos de prisão

Deu em O Globo

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Domingos Brazão foi condenado nesta quarta-feira por unanimidade pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 76 anos e três meses de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Os ministros do STF também condenaram a 76 anos e 3 meses de prisão, João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal, irmão de Domingos. Outros sentenciados foram: Ronald Paulo Alves Pereira pelo duplo homicídio e o homicídio tentado. Robson Calixto, conhecido como Peixe, também foi condenado por organização criminosa. O quinto réu, Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva.

BEM PAGO – Domingos Brazão  recebeu pelo menos R$ 3,5 milhões brutos dos cofres do TCE desde o crime, em março de 2018. Os cálculos foram feitos pelo Globo, com base em dados do portal da transparência a corte

Brazão continuou a receber subsídios (como é conhecida a remuneração dos conselheiros) mesmo estando preso desde março de 2024, sob a acusação de ser um dos mandantes do crime.

Só com essa rubrica de subsídios, ele embolsou R$ 41.845,98 este mês. Outro adicional, que começou a ser pago em junho de 2025 (quando já estava preso), a título de triênios acumulados no cargo, é de R$ 8.369 10.

PENDURICALHOS – Como Domingos Brazão ainda não havia sido condenado, o TCE continuou a depositar não apenas o subsídio e os triênios, mas outras verbas. Uma delas é um auxílio educação mensal fixado em R$ 1.747,42.

Brazão tem uma filha em idade escolar. Pelas regras do TCE, o auxílio-educação é oferecido a dependentes de servidores e membros da corte até os 24 anos de idade.

Este benefício cobre despesas com creche, ensino fundamental, médio e superior. Além disso, Brazão recebe um auxílio saúde no valor de R$ 2.471,18 para desembolsos com planos médico e odontológico.

OPERAÇÃO DA PF – Quando Marielle morreu, Brazão estava afastado do cargo com outros quatro conselheiros desde março de 2017, um ano antes do crime, no resultado da operação Quinta do Ouro, da Polícia Federal, que investigava um esquema de propina que poderia ter desviado até 20% de contratos com órgãos públicos para autoridades públicas, sobretudo membros do TCE-RJ e da Alerj.

Ele ficou afastado do cargo até 2023, quando conseguiu decisão na Justiça favorável à recondução. Na decisão do STF, o conselheiro também foi condenado à perda da função pública. Mas o cumprimento da decisão só vai acontecer após a publicação do acórdão, ainda sem data.

A corte do TCE conta com sete conselheiros, dos quais quatro devem ser escolhidos pela Alerj e três pelo governador. A vaga de Brazão é considerada cota da Alerj.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os Tribunais de Contas dos Estados são uma esculhambação nacional, integrados por conselheiros sem a menor qualificação. Na Bahia, por exemplo, o ministro petista Rui Costa conseguiu um cargo de conselheira para a atual mulher, que é enfermeira. É cabível isso? Essa gente não tem vergonha na cara, diria Capistrano de Abreu. (C.N.)

 

Alckmin na vice: o pragmatismo que desafia as resistências internas do PT

Movimento contrário a Alckmin dificilmente prosperará

Pedro do Coutto

As divergências internas no Partido dos Trabalhadores sobre a manutenção de Geraldo Alckmin como vice-presidente revelam muito mais do que uma disputa circunstancial por espaços na chapa eleitoral: expõem o embate permanente entre identidade ideológica e pragmatismo político que acompanha o PT desde sua fundação.

O surgimento de um movimento contrário ao nome de Alckmin, embora relevante como sintoma, dificilmente prosperará na prática. Isso porque sua presença na vice não se sustenta apenas por arranjos partidários, mas por um conjunto concreto de fatores eleitorais, simbólicos e institucionais que se mostraram decisivos nas eleições de 2022 e continuam sendo estratégicos para o pleito de outubro.

DISPUTA EM SÃO PAULO – A discussão interna, conforme noticiado em reuniões partidárias recentes, relaciona-se também à disputa política em São Paulo e às negociações envolvendo uma eventual federação com partidos mais à esquerda, como o PSOL. O pano de fundo desse debate é a busca por coerência ideológica de setores petistas que veem em Alckmin — um político de trajetória no campo adversário histórico do partido — um símbolo de concessão excessiva ao centro. No entanto, essa leitura ignora a lógica real do presidencialismo de coalizão brasileiro, no qual a governabilidade e a viabilidade eleitoral dependem de alianças amplas e heterogêneas.

Geraldo Alckmin não foi escolhido em 2022 apenas como um gesto de reconciliação política, mas como uma peça estratégica para ampliar a base eleitoral em regiões decisivas, especialmente em São Paulo. Ex-governador do maior colégio eleitoral do país, ele representa uma ponte entre o lulismo e segmentos moderados do eleitorado que tradicionalmente resistiam ao PT.

CAPACIDADE DE DIÁLOGO – Sua atuação como vice-presidente tem sido marcada por discrição institucional, capacidade de diálogo com o setor produtivo e colaboração na articulação política do governo — atributos que, em sistemas multipartidários fragmentados, são fundamentais para a estabilidade da gestão federal.

Substituí-lo na chapa significaria redesenhar uma equação política que já demonstrou eficácia concreta. Em eleições polarizadas, a vitória não se constrói apenas pela mobilização de bases ideológicas fiéis, mas pela capacidade de atrair setores indecisos ou moderados. Nesse contexto, Alckmin exerce um papel de moderação e equilíbrio que dificilmente seria replicado por outro nome, sobretudo se oriundo de correntes mais ideológicas do campo progressista.

A resistência interna também reflete um dilema histórico do PT: preservar sua identidade original ou adaptar-se às exigências do jogo institucional brasileiro. Desde que chegou ao poder pela primeira vez, o partido tem oscilado entre momentos de afirmação programática e fases de pragmatismo coalicional. A experiência acumulada ao longo de duas décadas de protagonismo nacional indica que, em momentos decisivos, a lógica eleitoral tende a prevalecer sobre as divergências internas. Isso ocorreu em 2002, quando a ampliação das alianças foi decisiva para a vitória presidencial, e se repetiu em 2022 com a construção de uma frente ampla que reduziu resistências no centro político.

RUÍDOS – Além disso, a eventual substituição de Alckmin poderia gerar ruídos institucionais desnecessários, transmitindo ao eleitorado a imagem de instabilidade estratégica. Em política, sinais importam tanto quanto decisões. Alterar a vice-presidência após um mandato considerado estável e cooperativo poderia ser interpretado como uma ruptura sem justificativa concreta, enfraquecendo a narrativa de continuidade e previsibilidade que costuma ser valorizada por parcelas relevantes da sociedade e do mercado.

Há ainda o fator simbólico. A composição Lula-Alckmin representou, em 2022, uma espécie de pacto de pacificação política após anos de polarização intensa. Romper essa fórmula poderia reacender antagonismos que foram parcialmente neutralizados pela aliança. Em um cenário de disputa acirrada, manter uma chapa que dialogue com diferentes espectros ideológicos pode ser mais eficaz do que reforçar apenas a identidade de um campo político específico.

ATRIBUTOS – Assim, embora o debate interno seja legítimo e até saudável para a vitalidade partidária, a correlação de forças aponta para a manutenção de Geraldo Alckmin como vice-presidente. Ele reúne atributos raros: agrega votos, amplia alianças, contribui para a governabilidade e simboliza moderação em um ambiente político ainda marcado por tensões.

Qualquer modificação nesse arranjo dificilmente alcançaria o mesmo nível de eficiência eleitoral e estabilidade institucional demonstrado desde as eleições de 2022. No fim das contas, o pragmatismo que orientou a escolha de Alckmin tende a prevalecer novamente, reafirmando uma velha máxima da política brasileira: coalizões amplas não são apenas opções táticas, mas condições estruturais para governar e vencer eleições em um sistema complexo como o nosso.

STF não deveria atuar como cúmplice das intimidações do ministro Moraes

Alexandre de Moraes deveria ser exonerado do Supremo Tribunal Federal -  Combate Racismo Ambiental

Charge do Latuff (Frente Brasil Popular)

Mario Sabino
Metrópoles

A OAB enviou um ofício a Edson Fachin, presidente do STF, no qual pede o fim do inquérito das fakes news. A entidade, um dia gloriosa no combate ao arbítrio, externa “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração” e requer “que sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua”.

Muito bem, finalmente a OAB se manifestou sobre a barbaridade, mas há um problema no ofício: a entidade reconhece a legitimidade inicial do inquérito das fake news ao dizer que “é inegável que a instauração do referido inquérito ocorreu em ambiente de grave tensão institucional, marcado por ataques reiterados à honra e segurança de ministros da Suprema Corte”.

CAUTELA MAIOR – No documento, a OAB acrescenta que “justamente por se tratar de solução institucional extraordinária, concebida para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias, sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior”.

É preciso que se repita: assim como os atos institucionais extraordinários da ditadura militar nunca foram legítimos, também jamais houve licitude nessas “soluções institucionais extraordinárias, concebidas para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias”, que o STF inventou a partir de 2019, ofendendo os princípios constitucionais que deveriam reger o Brasil.

Afirmar que a democracia brasileira não dispunha de mecanismos legais suficientes para combater ameaças circunstanciais e que, por isso, era preciso encontrar atalhos inconstitucionais, é discurso falacioso de gente oportunista, destinado a amedrontar um rebanho de ingênuos. O reconhecimento de qualquer legitimidade no inquérito das fake news e nos seus assemelhados é deixar o caminho aberto para que a história se repita.

UMA ESPERANÇA – De qualquer forma, a iniciativa — tardia — da OAB aponta para uma luz no final do túnel, e esperemos que a maioria dos ministros do STF caia em si para que saiamos deste período obscuro.

O ofício é especialmente feliz ao reclamar a necessidade urgente de se voltar ao chamado leito constitucional: “A defesa da democracia (…) se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão. Tais garantias não representam obstáculos à atuação estatal legítima, mas condições de sua validade e de sua aceitação pública.”

“Quando a persecução se prolonga indefinidamente ou se torna excessivamente abrangente em sua formulação, surgem efeitos que transcendem os investigados formais e atingem o ambiente institucional como um todo, com reflexos sobre autoridades, agentes públicos, profissionais da imprensa e cidadãos. A persistência desse quadro alimenta um tom intimidatório incompatível com o espírito democrático, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988.”

DEFESA DA LIBERDADE – Nessa linha, a OAB reputa indispensável reafirmar a proteção ao livre exercício profissional e às garantias constitucionais de todos aqueles que exercem funções essenciais à vida democrática, com menção à atividade jornalística e, com especial ênfase, às prerrogativas de advogados e advogadas, que constituem garantia da cidadania e da própria administração da Justiça.

Sejamos ainda mais claros: a mais alta corte do país não pode continuar a ser cúmplice do ministro Alexandre de Moraes, que há sete longuíssimos anos vem usando o inquérito das fake news, onde tudo cabe, para cercear o direito à liberdade de expressão, decretar prisões arbitrárias e intimidar cidadãos, como fez na semana passada com o presidente do sindicato dos auditores fiscais.

Ele passou a ser investigado por ter ousado criticar o tribunal pela perseguição movida a profissionais da Receita Federal acusados de violar o sigilo fiscal dos ministros do STF e das suas famílias — fato abordado pela OAB, apesar de a entidade não ter citado os envolvidos nominalmente.

EXCRESCÊNCIA JURÍDICA – Se antes Alexandre de Moraes usava o inquérito no qual se coloca como vítima, investigador, relator e juiz para enjaular supostos golpistas, o ministro agora lança mão da excrescência jurídica, inexistente até mesmo sob o nazifascismo, para amedrontar quem dele exige explicações sobre as suas ligações com o banqueiro do Master, que proporcionou um contrato de inacreditáveis R$ 129 milhões ao escritório de advocacia da mulher do ministro.

Era previsível: a história ensina que o arbítrio nasce a pretexto de defender nações, povos, liberdades, e morre inevitavelmente no lodo de interesses individuais que se opõem ao do que ele se propunha ser a defesa.

É preciso sair logo desta fase vergonhosa ou a democracia brasileira se tornará definitivamente um sistema de fancaria, em que manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Rachas no clã Bolsonaro travam alianças, mas não prejudicam Flávio nas pesquisas

Toffoli e Moraes se desesperam com a quebra de sigilo que pode incriminá-los

Saída de Toffoli do caso Master complica situação de Alexandre de Moraes

Moraes e Toffoli estão na mira da CPI do Crime Organizado

Carlos Newton

Conforme anunciamos aqui na Tribuna da Internet, no final do ano passado, com absoluta exclusividade, a CPI do Crime Organizado pode revirar esse país pelo avesso e acabar com a chamada “Ditadura do Judiciário”. E não deu outra.

Logo em sua primeira sessão de trabalhos após o recesso, nesta quarta-feira (25), a CPI aprovou, de uma vez só, requerimentos para convocar ou convidar os principais envolvidos no caso Master, para que prestem depoimentos, incluindo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do Supremo.

EM DESESPERO – Os dois ministros entraram em desespero, porque a CPI conseguiu aprovar também a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do banco Master, da empresa Maridt Participações e da empresa Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

Toffoli e os irmãos são sócios da empresa Maridt Participações. A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort no Paraná, e começou a vender sua participação no empreendimento em 2021.

O pior é que extratos bancários indicam que fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro, dono do  Master, foram utilizados para realizar aportes milionários. Mensagens interceptadas mostram Vorcaro relatando cobranças de Toffoli e mencionando pagamentos divididos em “20 milhões lá atrás” e “mais 15 milhões”, muito depois de o resort ter sido vendido por Toffoli.

ENORME VEXAME – Pode-se alegar que o chamamento para depor em CPI é inócuo, porque o envolvido pode ganhar o direito de não comparecer ou de permanecer calado, mas apenas a convocação ou convite já é um enorme vexame, uma mancha indelével na biografia e uma prévia do que pode acontecer no futuro.

Constam da longa lista a mulher de Moraes, advogada Viviane Barci, assim como José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos e sócios do ministro Toffoli, o banqueiro Daniel Vorcaro e seus principais cúmplices.

O mais importante, porém, é que a CPI conseguiu aprovar também a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do Master, da empresa Maridt Participações e da empresa Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

LULA DERROTADO – Conforme informamos aqui na Tribuna da Internet, nesse episódio, saíram derrotados o presidente Lula da Silva; o ministro Rui Costa, da Casa Civil; os senadores Jaques Wagner, ex-líder da bancada petista, Randolfe Soares, líder do governo, e Davi Alcolumbre, presidente do Congresso. Mesmo com essa tropa de choque, Lula não conseguiu formar maioria na CPI.

E como relatou nesta quarta-feira o colunista Lauro Jardim, de O Globo, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também lutaram como leões para impedir que a comissão votasse as quebras de sigilos e as convocações para depoimentos, mas foi tudo em vão.

Motivo: esta CPI é muito diferente das demais. Está sob comando de dois delegados de Polícia (Fabiano Contarato e Alessandro Vieira) e de um general de quatro estrelas (Hamilton Mourão). Eles têm apoio de ampla maioria na comissão e podem conseguir levar as apurações até o fim.

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P.S.
Diante da realidade dos fatos, não tenham dúvidas. A CPI do Crime Organizado pode ser a mais importante comissão da História Republicana. Se o governo não conseguir “comprar” a maioria dos membros, a CPI poderá virar o país pelo avesso, em pleno ano eleitoral, e teremos de importar milho para pipocas. (C.N.)