Palestras e poder marcam o debate ético que ronda o Supremo Tribunal Federal

Eventos sem transparência expõem a crise no Supremo

Pedro do Coutto

No centro de um debate que agita o coração das instituições brasileiras está uma questão que, à primeira vista, parece técnica — mas que toca na essência da confiança pública no sistema de Justiça: a relação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e palestras financiadas por empresas com interesses junto ao governo.

O jornalista Elio Gaspari, em artigo publicado nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, chama a atenção para o fato de que nem todas as palestras são iguais e que esse fenômeno não deve ser visto de forma ingênua pelo público ou pela própria Corte. Gaspari parte de uma observação aparentemente simples: alguns eventos em que magistrados são convidados para falar podem ultrapassar a fronteira da mera participação intelectual e se aproximar, alerta ele, de uma forma sutil de influência ou simpatia favorecida por quem tem interesses diretos no ambiente jurídico e político.

SINAL DE ALERTA – Essa distinção — entre uma palestra acadêmica ou institucional e outra organizada por atores com interesses junto ao governo ou a instituições que têm casos no Supremo — funciona como um sinal de alerta ético e institucional, especialmente no momento em que o STF enfrenta um esforço para estabelecer um código de conduta para seus membros.

O debate sobre a criação de um código de ética no STF não é novo, mas ganhou novo fôlego nas últimas semanas. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, vinha tentando promover um encontro para discutir formalmente essa proposta com os ministros, até que o encontro foi recentemente cancelado por conta da agenda dos membros da Corte.

O cancelamento segue a revelação de posições divergentes entre ministros sobre temas ligados à ética, como a possibilidade de juízes receberem remuneração por palestras e de magistrados manterem ações em empresas — um sinal claro de que não há consenso interno sobre como regulamentar essas questões.

FUNDAMENTOS – Para quem defende o código de ética, a argumentação é simples e bastante fundamentada em princípios amplamente reconhecidos na cultura jurídica: integridade, imparcialidade, transparência e confiança pública. Especialistas no meio jurídico, como professores de Direito Constitucional e advogados, têm insistido que regras claras ajudam a evitar “zonas cinzentas” em que a atividade pública interfere com a atuação do magistrado em espaços externos, como eventos pagos por terceiros ou patrocinados por empresas com litígios ativos no STF.

Essa preocupação com a linha tênue entre atuação legítima e conflito de interesse é reforçada por publicações especializadas e por movimentos da sociedade civil que defendem normas de conduta claras para a magistratura. Por outro lado, há ministros e juristas que veem com reservas a necessidade de um código de regras específico para o STF.

Argumenta-se que o ordenamento jurídico brasileiro, incluindo a Constituição e normas existentes como a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, já oferece mecanismos suficientes para disciplinar a conduta de magistrados, e que a adoção de um código pode expor a instituição a pressões políticas ou interpretações adversas num ano eleitoral, quando as instituições ficam sob maior escrutínio público.

INDEPENDÊNCIA – É justamente nesse terreno de debate que as observações de Gaspari ganham força: quando palestras e eventos deixam de ser apenas espaços de troca de ideias e se tornam arenas em que se constrói boa vontade, aproximações de agentes de poder e, potencialmente, relações que podem influenciar percepções e decisões, a sociedade começa a questionar até que ponto a independência do Judiciário está preservada.

Para ele, essa distinção não é um detalhe sem importância, mas uma lente pela qual podemos enxergar a necessidade de reflexão ética profunda, especialmente em uma Corte que desempenha papel central em decisões que afetam toda a sociedade. A discussão sobre o código de ética no STF não é apenas interna nem meramente técnica. Ela reflete um momento em que a sociedade brasileira exige mais transparência e responsabilidade institucional, em que a atuação dos magistrados não deve se limitar ao estrito cumprimento da lei, mas também preservar a legitimidade da própria Justiça aos olhos do público.

As palestras, nesse contexto, deixam de ser eventos isolados para se tornarem símbolos de um debate maior sobre como equilibrar a autoridade institucional com os valores éticos que sustentam um Estado democrático de direito.

Direita disputa aliados-chave enquanto Republicanos e União-PP mantêm Lula no radar

Flávio Dino está só de passagem no Supremo e poderá ser o substituto de Lula no PT

Dino acertou em cheio ao suspender penduricalhos

José Perez

O ministro Flávio Dino está se saindo bem no Supremo e ainda não se meteu em nenhuma irregularidade. Acertou em cheio ao suspender penduricalhos de supersalários. O maior vencimento de servidor público deveria ser de 20 salários mínimos, para diminuir a desigualdade social, e com viés de a diferença ir sendo reduzida no passar do tempo. Ponto final.

Para recrutar novos servidores, apenas uma prova em concurso não basta. Todos deveriam obrigatoriamente passar pelas Escolas de Administração Pública, antes de ingressar no estágio probatório.

QUALIFICAÇÃO – A diferença entre o maior e o menor salário do serviço público tem que diminuir, na vigência de planos de carreira. A qualificação precisa ser constante durante toda a carreira do servidor, pois as profissões estão mudando e até se extinguindo numa velocidade grande.

Os eleitores de centro gostam do ministro Flávio Dino por ter posições firmes a favor do interesse público, como combater o orçamento secreto e agora os indecentes penduricalhos.

Vivemos em um país cuja população em sua maioria é pobre, e Dino vem do Maranhão, estado com pior IDH do país. Sabe o que é miséria. A legião de pobres e miseráveis no país é maioria dentre os eleitores e tende a votar na esquerda para manter ou até aumentar os auxílios recebidos. Dino tem ótimas chances na era pós Lula, a meu ver.

SEM SUCESSOR – O atual presidente Lula não criou sucessor por egoísmo e vaidade. Mas sua  substituição está cada vez mais próxima e esta será sua última campanha, por conta da idade avançada.

Flávio Dino joga sempre atento às repercussões dos seus atos junto à opinião pública, já pavimentando o caminho para ser o substituto de Lula no campo da esquerda.

A meu ver, o ex-governador do Maranhão está apenas de passagem no Supremo e tem ótimas chances de prosseguir na carreira política, que hoje encontra-se pausada.

Gilmar, Toffoli e Moraes passaram dos limites e já estão isolados dentro do STF

Na magistratura, não somos livres para dar opinião político-partidária', diz Toffoli - Primeira Hora

Moraes e Toffoli estão perdidos, mas Gilmar sempre escapa

Carlos Newton

É fato público e notório que os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes se julgam donos do Supremo Tribunal Federal. Eles se consideram cidadãos acima de qualquer suspeita, como se fossem personagens do genial filme de Elio Petri, em que o criminoso é justamente quem deveria fazer cumprir as leis..

Mas não estamos no cinema e a realidade dos fatos mostra que aumenta cada vez mais o clamor da opinião pública contra o comportamento desses audaciosos ministros.

GILMAR LIDERA – Entre os três, até pela diferença de idade, Gilmar Mendes é o mais experiente e ladino. Sua audácia é ilimitada, a ponto de defender o contrato de R$ 129,6 milhões entre o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do grupo Master, e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes.

No início de dezembro, já em meio ao escândalo do Banco Master, Gilmar Mendes concedeu uma abusiva medida cautelar na ADPF 1.259/DF, suspendendo dispositivos da Lei 1.079/1950, que regula crimes de responsabilidade de autoridades como o presidente da República, governadores, procurador-geral e ministros do Supremo Tribunal Federal.

O mais incrível é sua interpretação da constitucionalidade do art. 41 da Lei 1.079/1950, estabelecendo que apenas o procurador-geral da República é competente para formular denúncia contra membros do Poder Judiciário pela prática de crimes de responsabilidade.

BLINDAGEM CRIATIVA – Em tradução simultânea, a “interpretação” de Gilmar significa uma criativa blindagem aos ministros do Supremo, para que fiquem bem à vontade.

Quanto a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, trata-se de dois roedores de goela grande. É inacreditável que ainda continuem como ministros do Supremo, depois de tantos exemplos de má conduta e falta de ética.

Toffoli conseguiu se tornar empresário usando dois irmãos e um primo como testas-de-ferro, como se dizia antigamente, ou laranjas, como se diz hoje. Está tudo registrado na Junta Comercial, não há como contestar. O caso de Moraes é pior ainda, porque Toffoli criou um empreendimento, que dá empregos, paga impostos e movimenta a economia. Moraes não tem objetivo algum, salvo o flagrante enriquecimento ilícito, por vender uma “proteção” que não conseguiu entregar.

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P.S. – Agora, futuro do ex-todo-poderoso Xandão agora depende do silêncio constrangedor do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro e do economista Gabriel Galípodo, presidente do Banco Central. Se algum deles abrir a boca, Moraes estará liquidado. Como diz o jornalista Mário Sabino, o ministro tem 129 milhões de motivos para estar encagaçado, como se diz no interior. (C.N.)

Tarcísio articula uma chapa mista ao Senado e contraria aliados de Bolsonaro

Após perder espaço no PL, Carol De Toni busca novo partido para disputar o Senado em SC

Parlamentar perdeu espaço com pré-candidatura de Carluxo

Caroline Borges
G1

A deputada federal Carol De Toni deve deixar o Partido Liberal (PL) e agora busca outra legenda para manter o objetivo de disputar o Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a parlamentar comunicou a decisão ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, na quarta-feira (4).

O anúncio foi feito após Carol ter seu nome descartado na disputa ao Senado pela legenda. Deputada federal mais votada no estado em 2022, ela perdeu espaço no partido com a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao cargo e após a intenção do PL de destinar a segunda vaga da coligação ao senador Esperidião Amin (PP).

PRAZO FINAL – Carol confirmou anteriormente que busca o Senado nas próximas eleições, mas ainda não decidiu para qual partido irá. A decisão pode durar até 4 de abril, prazo final para filiações. A decisão também pode ser o desfecho do racha no grupo político da direita no estado, iniciado ainda em novembro de 2025, quando Carlos anunciou a intenção de concorrer a vaga pelo estado. Na época, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também confirmou Carol De Toni como pré-candidata pelo partido.

Ocorre, porém, que em Santa Catarina o PL terá apenas duas candidaturas ao Senado nas próximas eleições. Visando uma coligação, o Partido Liberal pretende se unir ao Progressistas e, por isso, deve escolher Amin, que busca reeleição, para a outra vaga.

Antes da decisão de Carol de Toni de sair do PL, chegou a ser ventilado que o presidente nacional da legenda teria oferecido a ela a vaga de pré-candidata a vice-governadora, hipótese negada pela parlamentar. O impasse se agrava porque Jorginho Mello, presidente estadual do partido, atual governador e também pré-candidato à reeleição, anunciou Adriano Silva (NOVO) como vice.

QUEM É CAROL DE TONI –  Caroline Rodrigues de Toni foi a deputada federal mais votada em Santa Catarina nas eleições de 2022. Ela recebeu 227.632 votos, representando 5,72% do eleitorado. Na votação, teve mais que o dobro dos votos obtidos em 2018, quando foi eleita pela primeira vez.

Desde a eleição anterior à Câmara, Carol manifestou claro apoio à Jair Bolsonaro (PL). Inclusive, era filiada ao antigo partido dele em 2018, o PSL. A parlamentar é natural de Chapecó, no Oeste catarinense. Formada em direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), ela tem mestrado em direito público pelo Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, em São José, na Grande Florianópolis.

Crescente degradação da autoridade do STF corrói também a democracia

Editorial JC: Desafio ético no STF

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Carlos Alberto Di Franco
Estadão

As recentes declarações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli apenas agravam a crise de credibilidade que hoje envolve o Supremo Tribunal Federal. Ambos reagiram à pressão por um código de conduta na Corte, mas o fizeram sem enfrentar o ponto central das críticas.

Os dois são alvos de questionamentos no chamado caso Master: Moraes, pelo contrato milionário do escritório de sua esposa com o banco; Toffoli, pela condução surpreendente, centralizadora e pouco transparente do inquérito.

DEMONIZAR PALESTRAS – Moraes afirmou que ministros não julgam causas com as quais tenham relação pessoal e sustentou que a opinião pública “passou a demonizar palestras”.

O argumento não responde ao essencial. O problema não está nas palestras em si, mas no contexto: quem convida, quanto paga, quais interesses estão em jogo e qual a relação com decisões judiciais.

Quando honorários milionários (R$ 129,6 milhões) envolvem o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de um ministro do STF, a questão deixa de ser privada e passa a ser institucional.

CÓDIGO DE ÉTICA – Em tese, um código de conduta seria desnecessário. Ministros da mais alta Corte deveriam pautar-se por padrões éticos evidentes.

No entanto, diante de reiteradas distorções e da crescente percepção de conflitos de interesse, um código pode ser um primeiro passo. Mas será inútil se não vier acompanhado de mecanismos reais de responsabilização.

É triste constatar a rápida erosão da autoridade do STF. Poder sem credibilidade corrói a própria democracia. O país precisa de um Supremo forte — e isso exige transparência, autocrítica e rigor ético.

O vale-tudo das emendas, os penduricalhos e um STF sem freios também ferem a democracia

Ação relatada por Dino põe em xeque aplicação da anistia a militares da ditadura

Fica explicado por que há tanta disputa para “ganhar” cargo de ministro no STF

Gilmar Fraga | Charge publicada em GZH e Zero Hora. #charge #bancomaster  #fragadesenhos #humor #stf | Instagram

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Roberto Nascimento

Se um ministro do Supremo Tribunal Federal, um desembargador ou um juiz singular – enfim, um togado qualquer – tem fazenda, resort de luxo, é acionista de banco ou grande empresa, por que razão luta tanto para se tornar magistrado ou operador do Direito?

É uma pergunta sem resposta lógica, salvo irresistível vocação, o que representaria uma exceção infinitesimal. Assim, a nação ficou estupefata diante dos argumentos pueris, singelos e desprovidos de razoabilidade, defendidos por Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na sessão plenária do Supremo na última quarta-feira.

PIOR A EMENDA – Seria bem melhor se permanecessem calados, pois o ditado ensina que a emenda pode ficar pior do que o soneto.

No início, até custei a acreditar nas afirmações dos dois magistrados, mas conferi a transcrição e minha decepção foi definitiva.

Por que lutam tanto para se tornarem ministros do STF e depois vem com essa choradeira chata, reclamona, de que não podem receber dividendos, não podem participar de palestras patrocinadas por empresários com processos para serem julgados pela Suprema Corte.

NUMA BOLHA? – Ora, se acham que não podem ser fazendeiros, empresários nem banqueiros, que se encontram numa bolha, porque desejaram tanto a entrada no STF. Por que então, não pedem para sair, como Barroso fez e tem dado palestras na Sorbonne, livre, leve e solto?

O pior foi que ainda tivemos que assistir ao Dias Toffoli fazer gracinha. Não combina com a carranca habitual dele.

Enquanto isso, o STF sangra com a imagem arranhada na opinião pública. A meu ver, somente Edson Fackin e Carmem Lúcia lutam pelo Código de Conduta, que ao final e ao cabo, não vai servir para nada.

SIGILO ABUSIVO – E a transparência dos processos judiciais? Foi jogada no lixo. O sigilo está falando mais alto.

É urgente a quebra do sigilo bancário e fiscal do caso Master, inclusive do presidente e dos diretores do Banco Central, que estão proibidos de conceder entrevista e até falarem sobre todos os atos que dizem respeito à liquidação extrajudicial do grupo financeiro.

Mas existe um problema. Quem vai colocar o guizo nos gatos (ou gatunos), que hoje habitam o templo de nossa Justiça? Nenhum Código de Ética será capaz de restituir o que se perdeu.

“Simpatia é quase amor”, dizia Casimiro de Abreu, inspirando o carnaval carioca

Casimiro De Abreu Poema - GITEDUPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta Casimiro José Marques de Abreu (1839-1860) nasceu em Barra de São João (RJ) e foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica. Sua poesia tornou-se muito popular durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, conforme sua definição poética de que “simpatia é quase amor”, frase que inspirou em 1984 a criação de um dos maiores blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, que desfila em Ipanema.

QUE É – SIMPATIA
Casimiro de Abreu

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é quase amor!

Nos casos de INSS e do Master, Lula tenta tirar o corpo fora, mas está difícil

Lula intervém e BC veta compra do Banco Master pelo BRB, causando prejuízo  a Brasília - Expressão Brasiliense

Charge reproduzida do Arquivo Google

Raquel Landim
Estadão

A investigação sobre o Banco Master ainda era sigilosa e o banqueiro Daniel Vorcaro já se encontrava com o presidente Lula da Silva. Como se sabe, a influência do dono do Master sobre o Centrão era conhecida desde que os tentáculos do banqueiro no Judiciário foram revelados pela imprensa. Mas chama atenção também a facilidade com que ele chegou ao mais alto cargo do Executivo

As datas não são precisas, mas impressiona a velocidade com que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu acesso ao gabinete do presidente.

LINHA DO TEMPO – Em novembro de 2024, Vorcaro foi chamado ao Banco Central para assinar um “termo de comparecimento”. Conforme revelado pelo Estadão, era uma espécie de alerta que dava a ele 180 dias para resolver os problemas de liquidez do Master.

Em dezembro daquele ano, portanto, cerca de um mês depois, ele chegava ao Planalto para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EM SIGILO – Foi um encontro que não constou na agenda oficial, marcado pelo ex-ministro Guido Mantega, assessor de Vorcaro com salário mensal de R$ 1 milhão. Lula diz que chamou para a reunião o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e, naquela época, o quase presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que ainda era diretor de Política Monetária.

Conforme apurou o Estadão, quando Galípolo chegou na sala, os outros já estavam sentados e conversando. Ele fora chamado a pedido de Lula para esclarecer as dúvidas do presidente.

No fim de 2024, o mercado já sabia do carrossel financeiro do Master, que vendia papéis de alto risco contando com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, e havia alertado o BC. O que ninguém imaginava é que a autoridade monetária estava nos calcanhares de Vorcaro.

ERA VÍTIMA – Lula disse em entrevista ao portal UOL que Vorcaro afirmou no encontro que era “vítima de perseguição” dos concorrentes. O presidente afirmou ter garantido ao banqueiro que não haveria “posição política pró ou contra o Master, mas uma investigação técnica”.

Operadores políticos experientes “leram” a cena para a Coluna. Vorcaro chegou ao Planalto graças a padrinhos políticos fortes. Oficialmente teria sido Mantega, mas é conhecida a relação de seus sócios com o PT da Bahia.

Tentou, portanto, chegar ao chefe para ameaçar o subordinado. Lula chamou Galípolo e, a se confirmar o relato do presidente sobre o encontro, o respaldou. Não há notícias de interferências do governo federal contra ou a favor da liquidação do Master.

TINHA “BANCADA” – Era conhecida a influência de Vorcaro junto ao Centrão, que montou uma “bancada” a seu favor, que tenta até agora barrar qualquer iniciativa mais concreta de investigação no Congresso.

A imprensa revelou ainda os tentáculos do banqueiro no Judiciário, inclusive sua influência no Supremo Tribunal Federal.

Mas a facilidade com que ele chegou também ao mais alto cargo do Executivo é de assustar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, Lula tenta descolar seu governo dessa aproximação com o Master, mesmo após seus encontros com Toffoli e Vorcaro, sempre fora da agenda. O resultado é bastante claro, pois Lula conseguiu que a CPI do INSS barrasse a votação da quebra de sigilo de Master e de uma empresária amiga de Lulinha, além de evitar a convocação de seu irmão, o Frei Chico. Essa história de que Lula recebeu Vorcaro e afirmou que não haveria posição política ‘pró ou contra’ o Master é uma tremenda conversa fiada. Está evidente que Lula tenta desesperadamente tirar o corpo fora. Mas quem se interessa? (C.N.)

Congresso ajuda o governo Lula a tornar o Brasil um país de retrocesso

Meta fiscal prejudica investimentos em áreas sociais no governo Lula – blog da kikacastro

Cobrança de Nani (nanihumor.com)

Fernando Schüler
Estadão

O debate da semana foi sobre a escala 3 x 1 no Congresso. A coisa toda é simples: o funcionário trabalha três dias e folga um. Para que isso? Combater o estresse, compensar a trabalhadora toda. O ponto é que a folga pode ser convertida em dinheiro, e lá foi o descanso.

Na prática, há um enorme aumento no salário, que pode ultrapassar muito o teto do funcionalismo. Como uma coisa dessa foi aprovada pelo Congresso? Simples: voto simbólico, discussão não. E sem ninguém saber direito de onde vai sair o dinheiro.

SUPERSALÁRIOS – É um bom retrato do Brasil atual. Quem defendeu a ideia de que era “preciso aumentar impostos”, tem aqui sua resposta. Precisa sim, só que para fazer crescer mais um pouco os supersalários. Já temos o Parlamento mais caro do planeta em relação à renda média. E o país que mais gasta com penduricalhos.

O fato é que o Brasil se tornou o País do retrocesso. No ano passado, houve algum barulho em torno da reforma administrativa. O deputado Pedro Paulo fez um bom trabalho, e o presidente Hugo Motta chegou a anunciar aquilo como prioridade. Nada saiu do papel.

No tema da Previdência, o Congresso aprovou um recuo inexplicável. Reintroduziu a paridade e a integralidade para os agentes de saúde (coisa que havia sido extinta em 2003), além de permitir aposentadorias aos 50 anos.

ESTATAIS FALIDAS – É o mesmo com as estatais. De um superávit acima de R$ 6 bilhões em 2022, tivemos um déficit superior a R$ 5 bilhões no ano passado. No meio do caminho, flexibilizamos a Lei das Estatais, além de engajar solenemente o programa de desestatização.

Não penso que o retrocesso seja um “projeto”. É sua ausência. Produto de um País cuja prioridade é a entrega da gratuidade do dia, ao invés do enfrentamento dos temas complicados ligados ao aumento da produtividade.

Dias atrás, ouviu um ministro do governo dizendo, orgulhoso, que temos hoje 25% da população nos programas de transferência de renda, e que o governo “sustentou” o consumo das famílias por estes anos.

TUDO ERRADO – Vai aí a fórmula que move o País: despreocupação fiscal, aumento de impostos, dívida pública crescendo e distribuição de gratificações aos mais pobres, fazendo crescer sua dependência ao Estado. Isso e o abandono do ímpeto reformista que nos legou a reforma trabalhista, o Marco do Saneamento, a autonomia do Banco Central.

A captura do Estado pelas corporações é apenas um sintoma. Em um País sem rumo, cada lobby bem estruturado busca sua fatia no bolo. O Brasil nunca decidiu desejar ou não um “choque de capitalismo”, como Mário Covas sugeriu nas eleições de 1989.

Covas era um político de esquerda. Um socialdemocrata. Estas questões são menos ideológicas e mais civilizatórias. O País moderno x arcaico. O foco nos interesses difusos ou o comando das corporações. Um debate existencial que o País terá de fazer neste ano decisivo de 2026.

Geraldo Alckmin e o dilema de São Paulo: um vice que não quer ser substituído

Lula disse que Alckmin tem ‘papel a cumprir’ no estado

Palanques exclusivos: a estratégia de Flávio Bolsonaro para fortalecer o PL em 2026

Flávio faz ofensiva por candidatos do PL em todo o país

Vera Magalhães
O Globo

Flávio Bolsonaro lançou uma ofensiva para que o PL lance candidatos a governador em todos os Estados, ameaçando romper alianças já seladas ou em tratativas adiantadas com postulantes de siglas aliadas.

No Espírito Santo, o pré-candidato do PL à Presidência fez com que a seção local do partido recuasse das negociações com o prefeito de Vitória, Lourenço Pazolini, que é do Republicanos, e, agora, a ideia é lançar o senador Magno Malta, que é do próprio PL.

AMEAÇA – Em Minas Gerais, o apoio do partido ao vice-governador Mateus Simões, que recentemente trocou o Novo pelo PSD, também está ameaçado. Flávio vem incentivando a candidatura do deputado federal Nikolas Ferreira, um dos nomes com maior capacidade de mobilização da direita no país.

No Rio, Flávio não aceitou o ensaio do governador e aliado Claudio Castro de lançar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccioni, tido como um quadro de perfil mais leve e técnico, mas filiado ao PL há pouco tempo. O filho de Bolsonaro faz carga pelo lançamento de um candidato “raiz” em seu próprio domicílio eleitoral: Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.

A estratégia de ter candidatos “puro-sangue” visa assegurar que os palanques nos Estados sejam de Flávio, e não compartilhados com algum eventual outro candidato da centro-direita. Também visa buscar a associação direta com o número 22, o que sabidamente aumenta os votos em legenda e pode, também, facilitar a eleição de nomes do PL ao Senado, uma das obsessões da família Bolsonaro neste pleito de 2026.

PRESSÃO – Se for levada a ferro e fogo, a diretriz de ter candidatos do PL em toda a federação joga mais uma pressão nas costas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é do Republicanos, contornou os apelos do próprio Bolsonaro em 2022 para se filiar ao PL e ainda hesita em se alistar nas fileiras de Valdemar Costa Neto.

A avaliação de Tarcísio é que uma candidatura pelo PL seria vista em São Paulo como mais à direita do que ele pretende se mostrar, e poderia afastar o apoio de partidos do centrão e até facilitar a eleição de pelo menos um senador mais moderado, ligado ao projeto reeleitoral de Lula.

Moraes e Toffoli enfrentam Fachin para manter seus negócios escusos

5x0: Toffoli vota por manter restrições de manifestações em todo o país

Toffoli e Moraes são dois perdidos num tribunal muito sujo

Mario Sabino
Metrópoles

O presidente do STF, Edson Fachin, adiou para data a ser definida um almoço que teria com os demais ministros no dia 12. O prato principal era o código de ética que ele quer implantar. Um prato indigesto para Moraes e Toffoli.

A assessoria de imprensa do STF informou que o adiamento já estava decidido antes da sessão de ontem. De qualquer forma, casou-se bem com o clima de cortar com faca instalado no tribunal desde que Fachin decidiu que adotará um código de ética para os ministros do Supremo.

DUPLA DINÂMICA – O Código de Ética é uma resposta à revelação das ligações perigosas de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na sessão de quarta-feira, de discussão sobre os limites do uso das redes sociais por magistrados, a dupla dinâmica reagiu ao discurso de Fachin na abertura do ano judiciário, quando o presidente do STF afirmou que a adoção de um código de ética para os ministros do STF era um compromisso seu e anunciou que Cármen Lúcia seria a relatora.

“Se os tempos exigirem mais de nós, sejamos maiores que os desafios. Enquanto a magistratura brasileira permanecer íntegra e firme, a democracia permanecerá em pé, com plena legitimidade. Reafirmo o compromisso com a adoção de um código de ética para o tribunal”, disse o presidente do tribunal.

“VÍTIMAS DA IMPRENSA” – Na sua reação, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli pareceram menores do que os desafios impostos pelos tempos. Previsivelmente, ambos são contrários a qualquer código. Acham que já existem limites suficientes a ditar o comportamento dos magistrados — e fingiram, mais uma vez, serem “vítimas” da imprensa.

Os jornalistas agiriam de “má-fé” ao apontar que ministros exercem atividades empresariais e comerciais que não estariam de acordo com a conduta esperada de um integrante do Supremo.

“O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. Pode dar aulas, dar palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades”, reclamou Moraes.

SEM DEMONIZAR… – Querer transparência sobre quem está pagando e quanto está pagando por palestras de ministros do Supremo não é demonizar palestras, fica a dica para o ministro que, coitado, não pode fazer mais nada na vida.

Muito preocupado com as finanças dos seus pares, Moraes citou a Lei Orgânica da Magistratura para falar sobre juízes donos de empresas. A lei veta apenas que juízes eles sócios-dirigentes.

“Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter uma aplicação no banco, ter ações no banco. ‘Ah, é acionista do banco, então não vai poder julgar ninguém do sistema financeiro’”, sofismou.

FAZENDEIROS – “Vários magistrados são fazendeiros, donos de empresas. E eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”, emendou Toffoli, talvez em solidariedade ao fazendeiro Gilmar Mendes.

Também incomoda que a imprensa denuncie o tráfico de influência de advogados familiares de ministros nos tribunais superiores.

Para Moraes, esse é um problema que simplesmente não existe, visto que “o magistrado, desde o juiz de Aguaí até o STF, está impedido de julgar qualquer caso que tenha como partes ou como advogados seus parentes”.

E A MULHER DELE? – O juiz de Aguaí deve achar que os dois ministros deixaram escapar a oportunidade de explicar como a mulher advogada de Moraes conseguiu um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master e de esclarecer quais eram as relações societárias de um cunhado de Vorcaro com os irmãos de Toffoli em um resort no Paraná.

A reação de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli mostra o quanto é urgente um código de conduta no STF, principalmente para que sirva, no Senado, de baliza incontornável à abertura de processos de impeachment de ministros do tribunal.

É disso que ambos têm medo. Não só eles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSensacional o artigo de Mário Sabino. Faz lembrar a peça de Plinio Marcos, “Dois Perdidos numa Noite Suja”. Ah, Brasil, você não muda nada… (C.N.)

Alckmin é descartado, e o novo vice será petista, devido à idade de Lula

Entrada de Gleisi no governo não impactou dólar, diz Alckmin | Brasil 247

Alckmin só soube que foi descartado quando leu o jornal

Carlos Newton

Na eleição de 2022, o ex-tucano Geraldo Alckmin foi importantíssimo para a vitória de Lula da Silva. Seu surpreendente ingresso no PSB tornou a chapa  mais palatável a muitos políticos e eleitores de centro-direita, fortalecendo o candidato do PT e roubando preciosos votos de Jair Bolsonaro, que perdeu a reeleição no photochrat, como se diz no turfe.

Quatro anos depois, o cenário tornou-se totalmente diverso. E Lula mais uma vez demonstra que seu forte não é o caráter, muito pelo contrário. Sem fazer a devida comunicação ao PSB e a Alckmin, que vem tendo uma atuação elogiável como ministro do Desenvolvimento, ao usar o BNDES como agente de alavancagem econômica, Lula simplesmente disse, numa entrevista ao UOL, que Alckmin será descartado de sua chapa.

USANDO AS PESSOAS – Foi uma grande decepção, mas Lula é assim mesmo. Costuma usar as pessoas e depois as afasta, quando não mais lhe interessa.

No caso de Alckmin, Lula faz pior, porque pretende que ele seja candidato a governador ou senador em São Paulo, junto com Fernando Haddad e Simone Tebet, para garantir mais votos à sua candidatura presidencial.

Na quinta-feira, Lula chegou a afirmar que tanto Alckmin quanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), podem ser candidatos ao governo de São Paulo. O presidente mostrou a que ponto fará pressão, ao dizer que Alckmin e Haddad sabem que “têm um papel a cumprir em São Paulo”.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Ao tomar essas decisões sem ouvir os interessados, Lula cria problemas graves que terá de resolver. O presidente do PSB, João Campos, não gostou nada do assunto. Neto de Miguel Arraes e filho de Eduardo Campos, ele foi logo avisando que o PSB não abre mão de indicar o vice.

O problema é grave, porque a direção do PT quer escolher o vice, diante da realidade dos fatos, pois Lula vai chegar ao segundo turno com 81 anos. Se vencer, será o político mais velho a ser eleito presidente no Brasil e no mundo.

Isso significa que há elevadas chances de Lula não cumprir o mandato inteiro. Como se sabe, o brasileiro tem vida média de 73 anos, e isso significa que na eleição Lula já estará fazendo 8 anos de hora extra, pois o tempo não para, como dizia Cazuza.

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P.S. –
Apesar da operação plástica de harmonização e do implante de cabelos, Lula está muito envelhecido e envilecido, como dizia  Rubem Braga em seu poema “Espelho”.  Tudo indica que chegou a hora de calçar um chinelo e um pijama de bolinhas. Já comentei aqui na Tribuna que antigamente o PT obedecia a Lula, porque sabia que o presidente era mais importante do que o partido. Mas a idade avança, Lula já não diz coisa com coisa, chamou o Macron de Sarcozy, e o partido já está perdendo o respeito, o que é um erro, porque o PT acaba assim que Lula for desta para a melhor, como se dizia outrora. (C.N.)

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