Investimento do RioPrevidência no Master (R$ 1 bilhão) foi um “esquema relâmpago”

Ronaldinho Gaúcho escapou de perder R$ 330 milhões num golpe do Master

Com fama conquistada no mundo, Ronaldinho Gaúcho vira um 'showman' da bola

Ronaldinho queria fechar negócio, mas deu muita sorte

Deu no Portal Terra

Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados em operações financeiras sem sua autorização para captar R$ 330 milhões, com fundos redirecionados em um circuito fechado ligado ao Banco Master, conforme investigações do MPF e Banco Central.

Dois terrenos pertencentes ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram usados em uma operação financeira para captar R$ 330 milhões com o Banco Master, sem o conhecimento do atleta, segundo revelou o jornal O Globo. Os recursos teriam sido direcionados a fundos de investimento ligados à própria instituição financeira.

SEM COMUNICAR – De acordo com a defesa do ex-jogador, Ronaldinho não foi informado sobre a emissão dos créditos e o negócio imobiliário, que previa o uso das áreas, acabou sendo cancelado antes da execução.

As informações surgiram em investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central.

De acordo com a apuração, o Banco Master, por meio do Fundo City 02, do qual era o único cotista, concedia empréstimos a empresas que, na sequência, reinvestiam os valores em fundos administrados pela Reag, gestora que, assim como o Master, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. Parte dessas operações envolvia a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos lastreados em créditos do setor imobiliário.

SALVO PELO GONGO – Em agosto de 2023, a Base Securitizadora emitiu R$ 330 milhões em CRIs para a S&J Consultoria, com lastro em notas comerciais destinadas ao desenvolvimento de terrenos em Porto Alegre, incluindo duas áreas atribuídas a Ronaldinho.

Segundo advogados do ex-jogador e de sócios do empreendimento, o projeto não avançou por falta de licenças ambientais e pendências fiscais, e não houve aporte relevante nos imóveis.

Em vez de financiar obras, os recursos captados eram realocados em um circuito fechado de fundos ligados ao próprio grupo financeiro, o que teria inflado artificialmente os ativos do banco e melhorado seus indicadores regulatórios, conforme O Globo.

GOLPE DE 1 BILHÃO – As empresas envolvidas são alvo de investigações da Polícia Federal, com mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro, o volume total de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora pode chegar a R$ 1 bilhão.

Criada pelo empresário César Reginato Ligeiro, a Base Securitizadora teve sua estrutura societária alterada em 2022, quando ele deixou formalmente a empresa. A S&J Consultoria, fundada em 2021, tem como sócia a Land I, também ligada a Ligeiro, que ainda figura como administrador da OCC S.A., outra empresa do grupo.

Ao jornal, ele afirmou que sua atuação no mercado imobiliário e financeiro sempre ocorreu dentro da legalidade e que eventuais questionamentos devem ser analisados pelas instâncias competentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Ronaldinho escapou por pouco, muito pouco. O fato demonstra que ainda é precária a fiscalização das empresas financeiras pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. O mercado está cheio de Vorcaros, especialistas em fraudes e golpes. (C.N.)

E lá vai o lendário trem azul de Lô Borges e Ronaldo Bastos…

Poeta do clube mineiro, Ronaldo Bastos faz 70 anos com livre trânsito nas esquinas | G1

Ronaldo Bastos, poeta do Clube de Esquina

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, produtor musical e compositor Ronaldo Bastos Ribeiro, nascido em Niterói (RJ), na letra de “O Trem Azul”, em parceria com Lô Borges (1952/2025) compara a vida e a viagem como passageiro de um trem, sempre em direção à próxima e nova estação, com suas promessas de momentos mais felizes, ou seja, é o canto da esperança nos bons encontros que a próxima estação trará; é canto de afirmação (inclusive das despedidas) da beleza da palavra, afinal, a tristeza é resultado das palavras que não foram ditas e que devoram o indivíduo por dentro, numa época em que o Brasil estava sob o comando de uma ditadura militar, desde 1964.

A canção faz parte do LP duplo Clube da Esquina, gravado por Milton Nascimento, em 1972, pela Odeon.

O TREM AZUL
Lô Borges e Ronaldo Bastos

Coisas que a gente
se esquece de dizer.
Frases que o vento
vem as vezes me lembrar.

Coisas que ficaram
muito tempo por dizer
na canção do vento
não se cansam de voar.

Você pega o trem azul,
o Sol na cabeça.
O Sol pega o trem azul,
você na cabeça.
Um sol na cabeça.

CPMI do INSS vota nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário de Lulinha

Charge de Clayton. Lulinha acuado pela PF

Charge de Clayton (O Povo/CE)

Andre Shalders
Metrópoles

A CPMI do INSS no Congresso Nacional pode votar nesta quinta-feira, 5/2, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). Há também requerimentos de quebra de sigilo de Danielle Fonteles, publicitária que fez várias campanhas do PT, e da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

O colegiado investiga também possíveis ligações do trio com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

MESADA – Em depoimento à Polícia Federal, um ex-funcionário do Careca, Edson Claro, contou que o empresário pagaria uma mesada de R$ 300 mil para Lulinha — o objetivo seria que o filho do presidente abrisse portas no governo para a Cannabis World, a empresa de maconha medicinal do Careca.

Como mostrou a coluna, Danielle Fonteles recebeu um pagamento de R$ 200 mil de uma empresa de consultoria com indícios de ser de fachada, a Spyder. Questionada sobre o assunto, Danielle Fonteles disse que o pagamento era, na verdade, do Careca do INSS.

Mensagens de WhatsApp reveladas pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, mostram ainda que Danielle coordenava a operação de maconha medicinal de Antônio Carlos Camilo Antunes em Portugal.

AMIGA DE LULINHA – Já Roberta Luchsinger é amiga pessoal de Lulinha e trabalhou junto com o “Careca”. Ela e Antônio Carlos participaram de reuniões no Ministério da Saúde para tratar dos interesses de uma empresa de telemedicina.

Como mostrou a coluna, Lulinha costuma se hospedar em Brasília em uma casa no Lago Sul que está alugada para Roberta. É o mesmo imóvel que antes era usado pelo presidente do União Brasil, Antônio de Rueda.

“A necessidade de investigar Fábio Luís decorre diretamente de mensagens interceptadas em que Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger, responde explicitamente tratar-se de ‘o filho do rapaz’”, diz um trecho de um dos requerimentos de quebra de sigilo de Lulinha, apresentado pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

QUEBRA DO SIGILO – Além dele, outros integrantes do colegiado, como Kim Kataguiri (União-SP), também pediram a quebra de sigilo de Lulinha.

A CPMI também tem pronto para votação um requerimento de quebra dos sigilos de Adroaldo Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência.

No último dia 18 de dezembro, Adroaldo Portal foi alvo da Polícia Federal em uma das fases da operação Sem Desconto, que investiga a “Farra do INSS”. Na ocasião, ele foi afastado do cargo e preso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lulinha está morando na Espanha, com sua fortuna investida em paraíso fiscal. Ficou rico no primeiro governo de Lula. Daí em diante, não parou mais, multiplicando riquezas. Os irmãos mais novos reclamam que Lula sempre favoreceu o Lulinha, que não será apanhado jamais. Sua impunidade está garantida, porque ele é um fenômeno em termos de enriquecimento ilícito. (C.N.)

Em ano eleitoral, os Três Poderes afrouxam o cofre e ampliam privilégios

Ratinho Junior defende chapa pura e confirma PSD na disputa presidencial

Da prisão, Bolsonaro tenta influir na eleição e revive um roteiro conhecido

Fictor, Banco Master e a política da confiança: quando a ambição encontra o limite

Fictor, que fez proposta de compra pelo banco Master

Pedro do Coutto

O pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Fictor, com dívidas estimadas em cerca de R$ 4 bilhões, é mais do que um episódio isolado de dificuldade empresarial.

Trata-se de um retrato eloquente das fragilidades que emergem quando ambições financeiras de grande escala se chocam com um ambiente regulatório rigoroso, um mercado sensível à reputação e um sistema de crédito cada vez mais avesso ao risco. A crise de liquidez que levou o grupo a recorrer à Justiça expõe não apenas desequilíbrios econômicos, mas também efeitos políticos e institucionais que ultrapassam o perímetro da empresa.

CONTINUIDADE DAS OPERAÇÕES – Segundo a própria Fictor, a recuperação judicial tem como objetivo garantir a continuidade das operações e a manutenção dos empregos, ao mesmo tempo em que cria espaço para reorganizar compromissos financeiros e negociar com credores. Do ponto de vista legal, o instrumento é legítimo e previsto para momentos de estresse financeiro. Do ponto de vista político-econômico, porém, o caso chama atenção pelo contexto que antecedeu o colapso de liquidez: a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, instituição que acabou liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.

Em novembro de 2025, a Fictor anunciou uma proposta para assumir o controle do Banco Master e absorver seus passivos. Caso a operação tivesse avançado, o endividamento do grupo seria significativamente maior do que já é hoje. O movimento foi interpretado no mercado como ousado, mas também arriscado, dada a situação delicada do banco e o escrutínio crescente das autoridades sobre o sistema financeiro. Pouco depois do anúncio, o Banco Central decretou a liquidação do Master, interrompendo qualquer possibilidade de negócio e transformando a aposta da Fictor em um fator de instabilidade.

PROCESSO ACELERADO – A partir desse episódio, o grupo passou a enfrentar um processo acelerado de deterioração da confiança. Investidores recuaram, parceiros revisaram contratos e a liquidez — elemento vital para conglomerados altamente alavancados — secou. A própria empresa reconhece que a repercussão do caso afetou diretamente sua capacidade de honrar compromissos no curto prazo. O que estava em jogo deixou de ser apenas a saúde financeira de um banco específico e passou a envolver a credibilidade de um grupo empresarial inteiro.

Esse tipo de crise evidencia um aspecto central da economia contemporânea: a confiança é um ativo político e econômico. Não se trata apenas de balanços e demonstrações financeiras, mas da percepção de risco, da previsibilidade institucional e da relação entre empresas, reguladores e opinião pública. Quando uma companhia se associa, ainda que indiretamente, a um ativo em colapso — como foi o caso do Banco Master —, o impacto reputacional pode ser devastador, mesmo antes que qualquer irregularidade seja comprovada.

A Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Fictor, mas exigiu a apresentação de laudos detalhados sobre a real situação das empresas do grupo. A decisão revela cautela: há o reconhecimento da função social da empresa e da necessidade de preservar empregos, mas também a preocupação em evitar que o instrumento seja utilizado sem transparência ou sem um diagnóstico preciso das condições financeiras. Esse equilíbrio é fundamental para a credibilidade do próprio instituto da recuperação judicial.

DESDOBRAMENTOS – O caso também tem desdobramentos simbólicos e políticos. A interrupção de contratos de patrocínio, como o firmado com um grande clube de futebol, ampliou a visibilidade pública da crise e reforçou a percepção de instabilidade. Em um país onde grandes grupos empresariais frequentemente dialogam com o poder político, situações como essa alimentam debates sobre governança corporativa, fiscalização estatal e os limites entre ousadia empresarial e imprudência financeira.

Mais do que apontar culpados, a crise da Fictor convida a uma reflexão mais ampla sobre modelos de crescimento baseados em alavancagem elevada e expansão agressiva em setores sensíveis, como o financeiro. O episódio mostra como decisões estratégicas podem rapidamente se converter em passivos políticos quando o ambiente institucional reage de forma adversa. O Banco Central agiu para proteger o sistema; o mercado reagiu para se proteger; e, no meio desse processo, uma empresa viu sua margem de manobra desaparecer.

No fim, a recuperação judicial do Grupo Fictor não é apenas uma tentativa de reorganização empresarial. É um sintoma de um tempo em que reputação, regulação e política econômica estão profundamente entrelaçadas. Em um sistema financeiro cada vez mais atento a riscos sistêmicos, a margem para erros estratégicos diminui — e o custo de decisões mal calibradas deixa de ser apenas econômico para se tornar, inevitavelmente, político.

Bolsonaro gastou quase R$ 20 milhões contratando advogados incompetentes

Alexandre de Moraes: o presidente do TSE acusado de 'ditador' por Bolsonaro que já foi alvo do PT - BBC News Brasil

Moraes infringiu a lei, mas os advogados nem perceberam

Carlos Newton

O Brasil é um país tão surrealista que a Suprema Corte pode ter a desfaçatez de infringir seu próprio Regimento Interno, que tem força de lei, conforme acaba de ocorrer no caso do Ação Penal 2.668, a mais importante da História Republicana, na qual foram condenados o ex-presidente Jair Bolsonaro e os integrantes do chamado núcleo central do golpe de estado.

O mais incrível é que nenhum dos seis advogados responsáveis pela defesa do ex-presidente tenha notado a transgressão do artigo 76, que determina a transferência de processo penal para a outra Turma do STF sempre que forem apresentados embargos infringentes.

CÂMARA REVISORA – Em tradução simultânea, para atendimento do Tratado Internacional de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), adotado pelo Brasil em 1992, não pode haver condenação penal sem possibilidade de recurso.

É por esse motivo que o Regimento Interno do STF prevê que cada uma de suas Turmas funcione como câmara revisora da outra, com indicação de um novo relator, a quem caberá dar parecer sobre a viabilidade de embargos infringentes, sempre que forem apresentados, como ocorreu na Ação Penal 2.668.

Art. 76 -“Se a decisão embargada for de uma Turma,  far-se-á a distribuição dos embargos dentre os Ministros da outra; se do Plenário, serão excluídos da distribuição o Relator e o Revisor.

FORA DA LEI – Portanto, desde a apresentação dos embargos infringentes, em 3 de dezembro, Moraes não poderia mais atuar no processo contra Bolsonaro. Mas ele decidiu não obedecer ao Regimento. Ao invés de encaminhar os embargos à Segunda Turma, no dia 19 de dezembro o ministro rejeitou o processamento do pedido, alegando haver “caráter protelatório” no recurso, considerando-o “ineficaz para impedir o trânsito em julgado da condenação”.

Ou seja, Moraes agiu fora da lei e usurpou a prerrogativa de a Segunda Turma atuar como câmara revisora. Trata-se de um erro judiciário grotesco e bisonho, que foi denunciado pela Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade e jamais desmentido.

Como o Supremo logo em seguida entrou em recesso, esperava-se que na retomada dos trabalhos a defesa de Bolsonaro encaminhasse algum recurso cabível para rever a decisão ilegal, mas parece que eles não pretendem se mexer.

CABE RECURSO – Segundo o Regimento Interno do Supremo, os advogados de Bolsonaro, por terem ingressado com embargos infringentes, ainda podem apresentar dois tipos de recursos – habeas corpus ou revisão criminal.

Essas apelações são cabíveis devido à inaceitável usurpação de poderes feita por Alexandre de Moraes, que atuou ilegalmente como falso relator da Segunda Turma, embora continue integrado à Primeira Turma, o que é fato público e notório.

Como até agora não houve pedido de habeas corpus ou de revisão criminal, aumentam as dúvidas quanto à capacidade profissional dos advogados, que teriam recebido cerca de R$ 20 milhões de Bolsonaro e de seu partido, o PL. Eles são famosos, porém mostram ser tão despreparados quanto o ministro Alexandre de Moraes, porque também demonstram que não conhecem o Regimento Interno do Supremo.

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P.S.
Diante dessas insanidades teratológicas que ocorrem em ação penal de tamanha importância, pode-se imaginar que ocorram erros judiciais ainda mais graves em processo de menor repercussão. Mas quem se interessa? (C.N.)

Governo avalia que saída de Caiado facilita reaproximação com União Brasil

Com poucas apostas nos governos, PT e PL priorizam Senado e costura com o Centrão

Há indefinições nos principais colégios eleitorais

Lauriberto Pompeu
O Globo

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, se preparam para reforçar candidaturas regionais em 2026 e fortalecer os projetos presidenciais de seus grupos. Além de mirar o Palácio do Planalto, as duas principais forças políticas do país irão priorizar o Senado, privilegiando a costura junto a partidos de centro.

Sem a possibilidade de construir um projeto hegemônico, os dois lados apostam em poucas candidaturas próprias a governador, numa tentativa de ter um desempenho melhor para o Legislativo. A expectativa é firmar parcerias para eleger chefes dos executivos estaduais e montar chapas mais robustas para eleger deputados e senadores. A ideia, com isso, é aumentar a força do próximo governo no Congresso.

PRÉ-CANDIDATURAS – Os pré-candidatos dos partidos são o próprio Lula (PT), que deve disputar a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome sobre o qual ainda pairam dúvidas até mesmo entre os aliados mais fiéis.

Nos estados, o PT só deve ter nomes próprios em locais onde disputará a reeleição, como na Bahia, com Jerônimo Rodrigues; no Ceará, com Elmano de Freitas; e no Piauí, com Rafael Fonteles. No restante do país, deve apostar em alianças com partidos aliados da esquerda ou do centro, como PSD, MDB e PSB. Já o PL vai tentar a reeleição para o governo de Santa Catarina, com Jorginho Mello, e pode ter candidatura própria em outros dois estados: Rio Grande do Sul, com o deputado Zucco (PL), e em Alagoas, com o prefeito de Maceió (JHC).

Dos dois lados, nos maiores colégios, a disputa deve se dar entre nomes do Centrão. No Rio, a mesma estratégia de PT e PL coloca o PSD em posição privilegiada. O provável nome ao governo do estado é o do prefeito da capital, Eduardo Paes, aliado de Lula no plano nacional. Paes, contudo, também faz um aceno ao PL e procura atrair o partido de Bolsonaro, que avalia candidatura própria, mas não se definiu.

SEM DEFINIÇÃO – O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), diz que ainda não há nome escolhido como pré-candidato apoiado pelo partido. “O PL está testando alguns nomes para avaliar uma candidatura própria a governador. (O governador do Rio) Cláudio Castro e Flavio Bolsonaro vão tomar a decisão sobre o Rio de Janeiro”, afirmou.

Em Minas Gerais também há indefinição. Assim como no Rio, há a possibilidade de o PL e o PT não lançarem candidatos próprios. Entre os nomes já lançados pela oposição e que buscam o apoio do partido de Bolsonaro estão o vice-governador Matheus Simões (PSD) e o senador Cleitinho (Republicanos).

Por sua vez, Lula insiste ainda em tentar convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) a concorrer. Pacheco resiste a entrar na disputa, mas, se disputar, terá que trocar de partido, já que o PSD apoia Simões. Uma possibilidade também é o PT ter candidatura própria em Minas, com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e com a prefeita de Contagem, Marília Campos.

PRIORIDADE – O partido de Lula, no entanto, tem dado prioridade justamente à eleição para o Senado, onde Marília aparece com bons resultados. “Tanto Minas quanto em São Paulo é Lula quem vai resolver. Essa última viagem que ele fez para Minas ele insistiu no Rodrigo Pacheco. Vamos aguardar, isso vai ficar para março ou abril”, disse o deputado Jilmar Tatto, vice-presidente do PT.

“A prioridade nossa é Senado e Câmara. Esses candidatos, a maior parte deles, só vão sair se tiver que sair mesmo. Não é prioridade do PT lançar candidatos a governador. Se puder fazer composição, acordo para eleger deputado, ou mesmo para eleger Lula, vamos fazer”, também declarou.

Em São Paulo há ainda uma série de indefinições, mas nomes relevantes, tanto para o governo, quanto para a oposição podem disputar. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do PT, o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, e o deputado Guilherme Derrite (PP) são opções para o Senado. Haddad também tem sido citado como opção para ser candidato a governador. O ministro já disse que vai sair da pasta em fevereiro para auxiliar na campanha de reeleição de Lula, mas tem mostrado resistência a se candidatar a qualquer cargo.

NÃO EMPOLGA – Ainda que Flávio tenha sido lançado pelo ex-presidente Bolsonaro, a candidatura dele não empolga partidos de Centrão. A possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ser candidato a presidente muda o cenário e traria um rearranjo para o estado, com a possibilidade de PSD, MDB ou PL terem candidatura própria a governador.

A depender do cenário, há possibilidade de pulverização de candidaturas de direita, o que pode enfraquecer os palanques do PL. O PSD estuda lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior; o União Brasil tem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato e o Novo tem o governador de Minas, Romeu Zema.

Diante das dificuldades em unir a direita, a montagem de palanques para o Senado tem sido vista como uma alternativa para manter a influência do bolsonarismo mesmo em um cenário em que Lula seja reeleito.

DOIS TERÇOS – Vão ser renovadas dois terços no Senado em 2026 e Bolsonaro já falou em diversos eventos que se tiver mais de 50% da Casa terá influência nos rumos do país mesmo que seu grupo perca a disputa pelo Palácio do Planalto.

Uma das principais apostas é o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), que deve disputar o Senado por Santa Catarina, numa aliança com o governador Jorginho Mello (PL). O acordo tem provocado turbulências, já que as vagas também são almejadas pela deputada Caroline de Toni (PL-SC) e pelo senador Esperidião Amin (PP), que deve tentar a reeleição.

Por enquanto, o nome de Carlos é considerado o mais consolidado, pelo apoio que tem do ex-presidente, enquanto De Toni e Amin ainda disputam a segunda indicação. Apesar disso, bolsonaristas avaliam que o grupo deles vai conseguir eleger as duas vagas no estado no ano que vem.

SENADO – Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tende a concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. Assim como em Santa Catarina, a oposição espera eleger as duas vagas. Além de Michelle, demonstraram intenção de concorrer o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e a deputada Bia Kicis (PL), em um cenário que também vai exigir acomodação interna.

O bolsonarismo também aposta nas eleições de Derrite em São Paulo, Marcelo Queiroga (PL) na Paraíba, Gustavo Gayer (PL) em Goiás, Capitão Alberto Neto (PL) no Amazonas, Reinaldo Azambuja (PL) no Mato Grosso do Sul, Alfredo Gaspar (União) em Alagoas, além de Deltan Dallagnol (Novo) e Cristina Graeml (União) no Paraná.

Escândalo do Banco Master impõe um “clima zen” entre Congresso e governo

Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são contrários ao Código de Ética

Motta defende prerrogativas do Congresso em meio a investigações sobre emendas

Congresso enviará emendas ‘aos rincões do país’, diz Motta

Camila Turtelli
Victoria Azevedo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira que o Congresso continuará a “fazer valer” suas prerrogativas na destinação de emendas parlamentares. A fala, em sessão solene que marca o início do ano Legislativo, ocorre no momento em que avançam no Supremo Tribunal Federal (STF) investigações sobre o mau uso desse tipo de recurso.

— Que 2026 continue sendo um ano de entregas ao país, atendendo sempre as expectativas da população, em sintonia com as ruas. E que, nós, parlamentares, sigamos transformando a esperança das pessoas em realidade. E cabe a este plenário, soberano e independente, perseguir esse caminho dia e noite, com votações de propostas de interesse do país. E fazer valer a prerrogativa constitucional do Congresso de destinar as emendas parlamentares aos rincões Brasil afora, que, na maioria das vezes, não estão aos olhos do Poder Público — discursou Motta.

COBRANÇAS – O Congresso retoma os trabalhos num momento em que há cobranças do governo federal para aprovar pautas de uma agenda considerada prioritária e pressão da oposição para discutir temas considerados sensíveis, como a deliberação do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria. Neste ano, os trabalhos deverão se concentrar no primeiro semestre, já que, por causa das eleições, o Congresso tradicionalmente fica mais esvaziado na segunda metade do ano.

Motta também terá a frente o desafio de se equilibrar entre as demandas do governo e da oposição, já que foi eleito com apoio de quase todos os partidos da Casa. Seu primeiro ano como presidente da Câmara foi marcado por momentos de tensão e gestos que irritaram os dois lados, com questionamentos sobre sua autoridade em plenário.

No fim do ano, no entanto, fez gestos ao governo numa tentativa de distensionar a relação. Motta trabalha para ter o apoio de Lula à candidatura de seu pai, o prefeito Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ao Senado. Além disso, um outro desafio de Motta neste ano será lidar com as pressões de parlamentares do centrão e da oposição para apresentar respostas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), que vem sendo questionada, principalmente ao tratar das emendas parlamentares.

OPERAÇÃO DA PF – No fim do ano passado, uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo, mirou a assessora Mariângela Fialek, a Tuca, que atuava na operacionalização desses recursos. Tuca é próxima de Arthur Lira (PP-AL) e seguiu no cargo na gestão Motta. Como o GLOBO mostrou, a cúpula da Casa reagiu, apresentou recurso ao Supremo e busca reabilitar Tuca. No meio tempo, Motta indicou um aliado seu de primeira hora para supervisionar os trâmites, mas ainda não há certeza de que ele ficará no posto de forma permanente.

Aliados de Motta defendem o parlamentar afirmando que ele usou o primeiro ano para cumprir acordos firmados anteriormente e tirou da pauta temas espinhosos. Agora, dizem, Motta deverá atuar para aprovar matérias que ele gostaria de ter como legados de sua presidência, entre elas as de segurança pública e da área da educação.

PRIORIDADE – Nesta semana, a prioridade deverá ser apreciar medidas provisórias (MPs) que podem trancar a pauta ou estão próximas de seu prazo de validade. De acordo com acerto fechado por líderes na semana passada, devem ser votadas a MP do Gás do Povo, que cria uma nova modalidade do Auxílio Gás e prevê a gratuidade do botijão de GLP para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único, e a medida que trata do alívio financeiro e da renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos.

Os dois temas são prioritários para o governo federal e considerados por integrantes do Planalto como medidas que deverão ajudar na reeleição do petista. Também deve ser votado um projeto de lei que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano, iniciativa do Executivo cuja sede está prevista para Patos (PB), cidade ligada ao grupo político de Motta. A proposta é vista por interlocutores como gesto do Planalto ao comando da Casa, em um momento em que o governo busca reforçar pontes com a cúpula do Legislativo.

PF prende ex-chefe do Rioprevidência, que “entregou” R$ 1 bilhão ao Master

Depois de ser alvo de operação da PF, presidente do Rioprevidência é  exonerado - Tempo Real

Delvis Antunes jogou no lixo o dinheiro dos aposentados

Fabio Serapião e Bruno Luiz
do UOL

A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal prenderam nesta terça-feira, dia 3, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, no âmbito das investigações sobre o caso do Banco Master.

Segundo apurou a coluna, ele foi preso na divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo, no momento em que tentava fugir. A Justiça apontou “indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas”, no mandado de prisão.

MÃO NA MASSA – Foi na gestão de Deivis e de outros dois ex-diretores que a autarquia previdenciária do estado do Rio fez aportes de R$ 1 bilhão no Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A investigação que culminou na prisão de hoje tramita na primeira instância da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

Em contato com a coluna, a defesa de Deivis disse que não irá se manifestar neste momento. O UOL também entrou em contato com a Rioprevidência e aguarda um posicionamento.

ESTAVA NA MIRA – Deivis havia sido alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no dia 23 de janeiro, na operação Barco de Papel, que apura irregularidades nos repasses.

Após o cumprimento do mandado de busca e apreensão no apartamento do principal alvo da operação deflagrada em 23 de janeiro, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas de retirada de documentos do apartamento do investigado, manipulação de provas digitais, além da transferência de bens (dois veículos de luxo) para terceiros. Após a primeira fase da operação Barco de Papel, no dia 23, Deivis foi exonerado do cargo pelo governador Cláudio Castro (PL).

Agora, a PF deflagrou a segunda fase da operação, para cumprir três mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão, em endereços vinculados aos investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Falta agora prender os dirigentes da Previdência do Amapá, ligados ao senador Davi Alcolumbre. O problema é que, que nos bastidores do poder, o parlamentar manda mais nesta República do que o presidente Lula da Silva, que apenas finge que manda. Outro estorvo é a Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, que é da patota de Gilmar Mendes, e não é preciso dizer mais nada. (C.N.)

Uma turbulência aleatória surge no ritmo da poesia de Waly Salomão

Se todas as coisas nos reduzem a zero,... Waly Salomão - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003) formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Cursou a Escola de Teatro da mesma universidade (1963-1964) e estudou inglês na Columbia University, Nova York (1974-1975). Na década de 1960, participou do movimento tropicalista.

Foi também uma figura importante da contracultura no Brasil, nos anos 1970. Atuou em diversas áreas da cultura brasileira. Seu primeiro livro foi Me segura qu’eu vou dar um troço, de 1972. Em 1997, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de poesia Algaravias. Seu último livro foi Pescados Vivos, publicado em 2004, após sua morte. No tropicalista poema “Hoje”, Waly só queria ritmo.

HOJE
Waly Salomão

O que menos quero pro meu dia
polidez, boas maneiras.
Por certo, um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás…)

Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.

Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e passam de um ritmo regular
para uma turbulência aleatória.

As chances de Bolsonaro e Braga Netto no STM, que pode expulsá-los do Exército

Piada do Ano! Depósitos do Master no BC somavam menos de 1% do total exigido

07/01/2026 - Laerte | Folha

Charge do Laerte (Folha)

Nathalia Garcia e Adriana Fernandes
Folha

Na data de sua liquidação, em novembro de 2025, o Banco Master mantinha no Banco Central depósitos de apenas R$ 22,9 milhões, cifra que representa menos de 1% do montante de R$ 2,537 bilhões exigido pelo regulador ao conglomerado de Daniel Vorcaro.

Essa deterioração escalou ao longo de 2025, com o descumprimento sistemático da exigência, em valores cada vez maiores, do recolhimento dos depósitos compulsórios. Foram registrados, a partir de novembro de 2024, diversos episódios de insuficiência, conforme relato feito pelo BC ao TCU (Tribunal de Contas da União).

PEDIU DISPENSA… – O Master chegou a pedir, em 8 de maio de 2025, dispensa temporária do recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista e a prazo, mas a demanda foi rejeitada pelo BC sob a justificativa de falta de amparo legal e regulamentar.

Segundo documento encaminhado à corte de contas, o BC alertou os dirigentes do Master de que essa situação poderia levar à aplicação de medidas preventivas visando assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional.

A norma prevê, em casos como esse, a ida de representantes da instituição ao BC, formalizada em um documento chamado termo de comparecimento, e a apresentação de um plano a ser executado em um prazo de até seis meses.

DISPLICÊNCIA – De acordo com um membro do BC, ouvido sob condição de anonimato, foram feitas mais de 30 comunicações do órgão com alertas para corrigir o problema.

A exigência formal foi determinada pelo BC um ano antes da efetiva liquidação do Master, em novembro de 2024, ainda na gestão de Roberto Campos Neto. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

A atuação do banco de Vorcaro entrou na mira da autoridade monetária meses antes devido a queixas de banqueiros com relação ao plano de negócios do Master, baseado excessivamente em captações cobertas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), e à composição de ativos em precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais), supostamente supervalorizados.

HOUVE AUDITORIA – Em uma das frentes de apuração naquele ano, segundo duas pessoas com conhecimento nas discussões, Campos Neto impulsionou a realização de uma auditoria externa, conduzida por uma empresa especializada em precatórios. O cenário que demandava investigação foi desenhado pelos técnicos do BC. O relatório produzido, contudo, não indicou irregularidades.

Outra frente de trabalho se debruçou, a partir de fevereiro de 2024, sobre CRIs (certificados de recebíveis imobiliários) e carteiras de crédito estruturadas pelo Master para empresas de desenvolvimento de projetos. Chamou a atenção do BC a realização de operações com empresas desconhecidas – o que não era o caso até 2023.

Os primeiros indícios de irregularidades foram observados em setembro de 2024, segundo um dos interlocutores. Mas o aprofundamento só foi possível mais tarde.

BILHÕES DESVIADOS – O mapeamento apontou supostos desvios de R$ 11,5 bilhões em fundos de investimentos administrados pela Reag, com suspeitas de terem sido usados em operações fraudulentas atribuídas ao Banco Master.

Como mostrou a Folha, certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) alimentavam o esquema. Do total levantado, cerca de R$ 5 bilhões correspondiam a CRIs (créditos imobiliários) e R$ 6 bilhões a outras operações de crédito.

Parte das informações foi obtida pelos técnicos do BC graças a um convênio com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2021, para remessa de dados sobre cotistas de fundos de investimento.

COTISTAS DE FUNDOS – Segundo a norma, administradores de fundos e instituições financeiras que atuem como distribuidores de cotas devem remeter mensalmente ao BC informações relativas aos cotistas e aos respectivos fundos de investimento.

Dado o grande volume de informações, a equipe da autoridade monetária é auxiliada por recursos de inteligência artificial.

O convênio, contudo, possui limitações e se restringe a fins de estabilidade financeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica cada vez mais evidente que a fiscalização feita pelo BC é amadorística e ineficaz. Isso significa que o mercado financeiro está invadido por fraudadores de todo tipo, que escapam das auditorias e ficam lavando dinheiro entre si, diante do primarismo da inteligência artificial, que ainda não consegue identificar nem mesmo o uso de ironia. Pensem sobre isso. (C.N.)

Discurso de Fachin confirma que o STF não tem como reagir contra as acusações

Fachin afirma que 'cabe primeiramente à política resolver as crises políticas'

Discurso de Fachin foi uma coletânea de lugares comuns

Carlos Newton

Conforme antecipamos aqui na Tribuna da Internet, oS discursoS do presidente Édson Fachin no Supremo Tribunal Federal e no Congresso, pronunciados nesta segunda-feira, dia 2,  mostram que o STF não tem noção sobre como agir para evitar o prosseguimento da crise que vem desmoralizando a histórica instituição.

Em nenhum momento Fachin se referiu aos gravíssimos problemas internos, causados por procedimentos irregulares de alguns ministros, especialmente a forma com que Dias Toffoli vem conduzindo o inquérito do Banco Master, criando um escândalo jurídico paralelamente ao escândalo financeiro.

CONIVÊNCIA TOTAL – O atual presidente do STF demonstrou conivência com as decisões teratológicas, como dizem os juristas, e não abordou também o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter usurpado os poderes da Segunda Turma, ao julgar ilegalmente os dois últimos recursos da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, pois Moraes já estava afastado do caso, segundo o artigo 76 do Regimento Interno, e Fachin não tomou nenhuma atitude.

Assim, o atual presidente passou por cima das inacreditáveis decisões de Toffoli e Moraes. Ou seja, manteve o nefasto corporativismo que estimula tais distorções. Limitou-se a fazer promessas vãs, dizendo: “Reitero o compromisso ético que todos devemos ter no exercício das funções públicas”.

E jogou a bomba no colo da ministra Cármen Lúcia, anunciando que ela aceitou ser relatora da proposta de um Código de Étic, prioridade da atual gestão para maior transparência, responsabilidade e confiança pública, afirmou o presidente do STF.

SEM LIDERANÇA – Fachin é um ministro fraco, sem a menor liderança sobre os demais, nenhum integrante do Supremo acredita que o presidente pretenda mesmo tomar providências contra os descalabros.

Sua iniciativa de preparar um Código de Ética não será solução. Trata-se apenas de um paliativo, para fingir que está em curso algum processo de moralização do Supremo, embora não esteja acontecendo nada com esse objetivo.

Por mais que se esforce, a ministra Cármen Lúcia não conseguirá qualquer avanço. O máximo que poderá fazer é repetir as restrições que já existem em diversos níveis, desde a Constituição aos códigos processuais e às leis, como a que regulamenta a magistratura (Loman) e o próprio Estatuto dos Advogados.

MAIS NULIDADE – Na sessão do Supremo, o discurso lido pelo presidente Lula da Silva foi um festival de mesmices. Já houve tempo em que os discursos presidenciais eram escritos por grandes jornalistas e intelectuais.

Juscelino, por exemplo, tinha assessores como Augusto Frederico Schimdt, Helio Fernandes, Fernando Leite Mendes e outros mais. Traziam frases marcantes, como “Deus me poupou o sentimento do medo!”.

Entre os diversos discursos desta segunda, o destaque vai para o ghost-writer de Davi Alcolumbre, com texto primoroso, defendendo a importância do Congresso entre os três poderes. Alcolumbre não tem caráter, mas demonstra coragem suficiente para liderar o Congresso em embates contra o governo e o Supremo. O resto é folclore, como diria nosso amigo Sebastião Nery, que faz muita falta por aqui.

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P.S. –
Cármen Lúcia também é uma ministra sem liderança. Será lembrada apenas por uma frase “Cala a boca já morreu, quem manda aqui sou eu”), que pronunciou num julgamento sobre uma biografia de Roberto Carlos, em 2015. Assim ela defendeu a liberdade de imprensa e de expressão contra a censura. Na sessão, a ministra utilizou o provérbio popular e conseguiu aprovar a liberação de biografias não autorizadas, enfatizando que não há democracia sem livre informação. Recentemente, outros ministros do Supremo passaram a decidir em contrário, especialmente Moraes, e a censura voltou a dar o ar de sua graça. (C.N.) 

Uma nova realidade! Agora, o imposto pesa mais no carrinho do mercado do que na renda

Charge do Jota A. (Portal O Dia)

Pedro do Coutto

Os dados da arrecadação federal de 2025, revelados em reportagem de O Globo com base em números oficiais da Receita Federal, expõem uma contradição central do debate tributário brasileiro. Enquanto o discurso político insiste na promessa de tributar os mais ricos e tornar o sistema mais justo, a realidade dos números mostra outra direção: a arrecadação sobre a renda perdeu espaço, e os impostos sobre o consumo — aqueles que recaem indistintamente sobre todos — ganharam protagonismo.

Ao final de 2025, os tributos incidentes sobre a renda representavam cerca de 40% da arrecadação federal, abaixo dos 42% registrados em 2022. No mesmo intervalo, os impostos sobre o consumo ampliaram sua participação no total arrecadado. Não se trata de uma queda absoluta da arrecadação sobre a renda, mas de uma perda relativa de espaço dentro de um bolo que cresceu. O problema, portanto, não está apenas no volume arrecadado, mas em quem, proporcionalmente, está pagando a conta do crescimento fiscal.

SISTEMA REGRESSIVO – Esse movimento é especialmente sensível porque ocorre em um país cujo sistema tributário é reconhecidamente regressivo. Impostos sobre consumo incidem da mesma forma sobre ricos e pobres, mas pesam muito mais sobre os assalariados e as famílias de renda média e baixa, que comprometem parcela maior de seus rendimentos com gastos essenciais. Quando a arrecadação cresce mais por essa via, o efeito prático é a transferência silenciosa do esforço fiscal para quem tem menos margem de escolha: quem vive do salário e consome quase tudo o que ganha.

O governo Lula assumiu com a bandeira da progressividade, prometendo corrigir distorções históricas e fazer com que os mais ricos contribuíssem mais. Houve avanços pontuais, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a tentativa de criar mecanismos de tributação mínima para altas rendas. Ainda assim, os números de 2025 indicam que essas iniciativas não foram suficientes para alterar a estrutura da arrecadação, que segue dependente de tributos indiretos.

FATORES TÉCNICOS – Parte dessa dinâmica se explica por fatores técnicos — como o fim de desonerações, ajustes legais e maior eficiência na cobrança —, mas outra parte é claramente política. Tributar renda elevada, patrimônio e ganhos financeiros exige enfrentamento com interesses organizados e resistência no Congresso. Tributar consumo, ao contrário, é mais simples, menos visível e socialmente diluído, ainda que mais injusto.

O resultado é um paradoxo incômodo: fala-se em justiça tributária, mas consolida-se um modelo que continua pressionando o consumo, justamente em um país marcado pela desigualdade. A arrecadação cresce, as contas públicas respiram, mas o peso recai, mais uma vez, sobre a base da pirâmide.

Os dados de 2025 não encerram o debate — ao contrário, reforçam sua urgência. Se a promessa de tributar os mais ricos não se traduz em mudança concreta na composição da arrecadação, o risco é transformar a justiça fiscal em retórica, enquanto o imposto segue embutido no preço do arroz, da energia e do transporte. E, no fim, é sempre o assalariado quem percebe primeiro.