Desejos e fantasias de um poeta que amava o que a vida tem de melhor

Affonso Romano de Sant'Anna | Impressões do Brasil | TV Brasil | Cidadania

Affonso Romano, um grande poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna (1937-2025) descreve os seus “Desejos”, em que alguns versos são bastante atuais.

DESEJOS
Affonso Romano de Sant’Anna

Disto eu gostaria:
ver a queda frutífera dos pinhões sobre o gramado
e não a queda do operário dos andaimes
e o sobe-e-desce de ditadores nos palácios.

Disto eu gostaria:
ouvir minha mulher contar:
– Vi naquela árvore um pica-pau em plena ação,
e não: – Os preços do mercado estão um horror!

Disto eu gostaria:
que a filha me narrasse:
– As formigas neste inverno estão dando tempo às flores,
e não:-Me assaltaram outra vez no ônibus do colégio.

Disto eu gostaria:
que os jornais trouxessem notícias das migrações dos pássaros,
que me falassem da constelação de Andrômeda
e da muralha de galáxias que, ansiosas, viajam
a 300 km por segundo ao nosso encontro.

Disto eu gostaria:
saber a floração de cada planta,
as mais silvestres sobretudo,
e não a cotação das bolsas
nem as glórias literárias.

Presidente do Instituto dos Advogados avisa que código de ética é muito pouco

Diagnóstico de Diogo Melo parte de estudo do IASP

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

Um código de conduta para o STF (Supremo Tribunal Federal) é um passo, mas não resolve o problema, afirma Diogo Melo, presidente do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), em entrevista à Folha. “É preciso mudanças estruturais.”

Melo defende uma nova reforma do Judiciário e propõe intervenções no plano legislativo, inclusive na Constituição: adicionar a transparência como um princípio republicano, criar um filtro de acesso para partidos proporem ações e fixar prazos para decisões individuais serem apreciadas pelos colegas.

ESTUDO – Tudo parte de um estudo de título autoexplicativo desenvolvido ao longo de um ano pelo instituto com o apoio da Associação Brasileira de Jurimetria —”O Supremo em Perspectiva: Diagnóstico das Disfunções”, ao qual a reportagem teve acesso. O trabalho aponta vícios da corte como o caso de decisões individuais que se sobrepõem à ideia de um tribunal colegiado e o ativismo judicial, que, por sugestão de Miguel Reale, um dos autores do texto, preferem chamar de jurisprudência criativa.

A versão final da pesquisa deve ser entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, em fevereiro. O lançamento do livro para a comunidade jurídica está previsto para ocorrer em 25 de fevereiro. “Hoje, com o Supremo estando diante dessa profunda crise de estabilização, de autocontenção, acredito que a reforma deveria começar por ele. É uma recomendação ética e moral de começar a fazer o trabalho de casa, dentro da própria comunidade jurídica.”

A conclusão do trabalho coincide com a pressão sobre o STF pela adoção de um código de conduta. A ideia ganhou força após decisões controversas e revelações de vínculos de ministros e parentes com o caso Master.

PROPOSTA – Na segunda-feira (26), a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo) encaminhou ao STF uma proposta de texto com diretrizes para maior transparência, restrições sobre conflito de interesse e regras para uma quarentena após a saída do cargo.

Tanto o presidente da seccional paulista da Ordem, Leonardo Sica, quanto o presidente do IASP também são signatários de um documento da Fundação FHC que defende a criação de um código pelo tribunal.

Segundo Melo, atuar de maneira não transparente sobre casos específicos, como o do Master, valendo-se do sigilo ou barrando a fiscalização por parte da sociedade, não é uma postura adequada de uma corte constitucional.

PARTE DO PROBLEMA – O presidente do IASP defende a iniciativa da OAB-SP, mas diz que essa é apenas parte do problema. “Temos que ir além, pensar de maneira estrutural. Se um Poder não cumpre um preceito constitucional de transparência, será que não teríamos consequências mais graves?.”

“A necessidade não é só reformar A ou B. Nós não podemos transparecer a sensação de que um código de conduta vai resolver todos os problemas”, diz.

Melo também ressoa um alerta do presidente do Supremo em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo: “Se ele [o Supremo] continuar agindo dessa maneira, nesse ponto tenho que concordar com o ministro Fachin, as reformas podem ser mais drásticas, e isso pode gerar uma instabilidade ainda maior”.

Fictor, que ia “comprar” Master, está pré-falida e negociação era apenas conversa fiada

O Grupo Fictor protocolou no último domingo (1º de fevereiro) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo para suas controladas Fictor Holding e Fictor Invest, alegando umaDiego Felix e Paulo Ricardo Martins
Folha

A holding financeira Fictor protocolou neste domingo (1) um pedido de recuperação judicial no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). De acordo com a empresa, a dívida soma R$ 4 bilhões. No pedido, a empresa solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias.

Segundo a Fictor, isso reduziria o risco de “corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.

GRUPO EMPRESARIAL – A Fictor faz parte de um conglomerado que possui negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. O grupo, fundado em 2007, diz que tem cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

O pedido de recuperação judicial atinge a Fictor Holding e a Fictor Invest, empresas que formam o braço financeiro do grupo. Segundo a companhia, a maior parte dos credores é composta por sócios participantes dos negócios oferecidos.

“A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, diz a Fictor em comunicado nesta segunda (2).

EVITAR PROBLEMAS – Subsidiárias do grupo, como a Fictor Alimentos S.A. (empresa listada na B3), devem seguir com suas rotinas, contratos e projetos normalmente. Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, do Dasa Advogados, o objetivo da recuperação é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas de um processo recuperacional, impossibilitando as atividades do grupo como um todo.

Em novembro do ano passado, o Banco Master chegou a anunciar que seria comprado pela Fictor. Isso aconteceu um dia antes de o banco ter sua liquidação anunciada. A operação acabou barrada pelo Banco Central.

Atualmente, Master e o resto de seu conglomerado financeiro, como o Will Bank e o Letsbank, estão em processo de liquidação.

INADIMPLENTE – A companhia Fictor vinha recebendo uma série de questionamentos judiciais nas últimas semanas por problemas de pagamento de dividendos de clientes.

No último dia 27, o Tribunal de Justiça de SP já havia determinado o bloqueio de R$ 150 milhões da conta da Fictor, após um cliente que faz a intermediação de pagamentos com cartões de crédito empresariais alegar que a companhia retirou dinheiro de uma conta de garantia.

Pelas regras do contrato, a Fictor era obrigada a manter R$ 150 milhões nesta conta como forma de evitar riscos de inadimplência.

SIGILO JUDICIAL – A operadora de meios de pagamentos, que foi mantida sob sigilo judicial, dizia temer que a crise gerada com a liquidez do Banco Master tivesse criado algum problema de liquidez na Fictor.

Neste cenário, que foi reconhecido pela Justiça ao aceitar o pedido de bloqueio judicial das contas, a Fictor poderia ter adquirido ações do banco de Daniel Vorcaro antes da conclusão do negócio, causando problemas na liquidez. Contraditoriamente, na época da negociação com o Master, a Fictor injetaria mais de R$ 3 bilhões na operação.

Antes de acionar a Justiça para paralisar processos judiciais, a empresa dizia passar por um período atípico, mas negava um cenário de insolvência maior.

CULPA DO MASTER? – No último dia 14, a Fictor afirmou que os pagamentos de investidores seriam regularizados até 12 de fevereiro e explicou ter ficado um pouco mais exposta após a tentativa de compra do Master.

Esse cenário teria resultado em um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”, agravado por ajustes em relações com fornecedores estratégicos, mas que não decorre de problemas estruturais, como uma situação de insolvência, por exemplo.

Sobre a tentativa frustrada de compra do Master, a Fictor disse que teve sua reputação atingida por “especulações de mercado”, gerando um volume de “notícias negativas” que atingiram a liquidez do grupo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma farsa que está sendo revelada. Detalhe: a suposta compra do banco Master não abalou em nada a credibilidade da holding Fictor. Pelo contrário, ao ameaçar comprar o Master, gastando R$ 3 bilhões, ficou parecendo que a holding estava bem financeiramente, embora já estivesse à beira da falência. Em suma, essas explicações são apenas conversa fiada desses espertalhões do mercado financeiro, que se reproduzem como coelhos. (C.N.) 

Resort da família Toffoli é uma prova irrefutável da corrupção no Supremo

Vídeo mostra Toffoli recebendo André Esteves e empresário que o levou ao  Peru no Resort Tayayá

De copo na mão, Toffoli recebe André Esteves no seu resort

Deu no g1

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concentrou irregularmente as ações no caso do Banco Master após puxar para sua relatoria, em dezembro de 2025, todas as investigações do tema em todas as instâncias da Justiça.

Desde então, medidas tomadas por Toffoli no caso, consideradas incomuns, geraram críticas no mundo político e jurídico.

Entre decisões de Toffoli que geraram polêmica no caso Master estão: restringir acesso da PF a celulares apreendidos nas operações policiais; impor sigilo às investigações; e acareação entre técnicos do Banco Central, que decretou a liquidação do Master, e executivos do banco de Vorcaro, antes mesmo de prestarem depoimentos.

RESORT DA FAMÍLIA – Além disso, nos últimos dias, foi revelado que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro em um resort na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná. A transação foi divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pela TV Globo e pela “Folha de S. Paulo”.

A Polícia Federal investiga, na Operação Compliance Zero, suspeitas de operações financeiras ilegais do Banco Master.

Uma das principais irregularidades apontadas pela PF é que o banco emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.

MUITAS FRAUDES – Para reforçar uma aparente liquidez, o Master aplicou parte do dinheiro dos CDBs em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso na operação. Depois, foi solto pelo TRF-1, mas sob a condição de usar tornozeleira eletrônica e comparecer periodicamente à Justiça, enquanto durarem as investigações.

O resort no Paraná se chama Tayayá. José Eugênio e Jose Carlos, irmãos de Toffoli, foram sócios do empreendimento entre dezembro 2020 e fevereiro de 2025. A participação deles se deu assim: José Eugênio e José Carlos, que é padre, adquiriram suas cotas no Tayayá por meio da Maridt Participações, uma empresa deles dois, que foi registrada na Receita Federal com um capital social de míseros R$ 150.

PRIMO DE TOFFOLI – Os negócios foram feitos com as empresas Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas integrantes da estrutura do resort, e ambas fundadas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani.

Na Junta Comercial do Paraná, consta apenas que houve a compra das cotas no Tayayá. Não consta o valor que os irmãos de Toffoli pagaram.

No caso da aquisição de cotas da DGEP, o registro na Junta informa que a operação se deu por “compensação de crédito detido por ela [Maridt Participações] contra a Sociedade [do resort]”. Ou seja, é como se o resort tivesse, na ocasião, créditos com a Maridt, que foram compensados por meio da participação no empreendimento.

LIGADA AO MASTER – Onde entra a ligação com o caso Master? Bem, a Reag é uma operadora de fundos investigados no caso Master. As autoridades suspeitam que ela e o Banco Master montaram um esquema de operações combinadas que circularam dinheiro entre fundos previamente organizados para dar lucro artificialmente.

A Reag usou um fundo — chamado Arleen — para comprar dos irmãos de Toffoli participação na Tayayá e na DGEP. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao todo, o fundo Arleen investiu R$ 20 milhões na Tayayá e a na DGEP Empreendimentos

O fundo Arleen ainda não é investigado pela Carbono Oculto e também não é citado nas investigações sobre o Banco Master.

BUSCA E APREENSÃO – Em agosto do ano passado, a Reag também foi alvo de busca e apreensão em uma mega operação — a Carbono Oculto — contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC.

TUDO OBCURO – O Arleen comprou parte das cotas dos irmãos de Toffoli no resort em setembro de 2021. Nesse negócio, o fundo Arleen pagou mais de R$ 3 três milhões por metade da participação dos irmãos nas empresas. Como o valor que os irmãoS pagaram em sua participação não consta nos documentos da Junta Comercial, não é possível saber se eles obtiveram lucro.

Os irmãos ainda ficaram com uma fração de participação no resort. Assim, o fundo Arleen e a família Toffoli permaneceram como sócios do Tayayá de setembro de 2021 até o ano passado.

A família Toffoli vendeu a participação na sociedade em fevereiro de 2025.O fundo Arleen deixou a sociedade em julho de 2025.

EMPRESA CASEIRA – O endereço da Maridt, empresa dos irmãos do ministro, que consta na Junta Comercial de São Paulo, é o da casa de José Eugênio Toffoli. O “Estado de S. Paulo” foi até o local e comprovou que ele ainda mora lá com a esposa, Cássia Pires Toffoli, disse ao jornal que nunca soube que a casa foi sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa. Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na junta comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, ela afirmou no vídeo.

E tudo enrolado e na quinta-feira passada, reportagem do jornal “O Globo” revelou que o STF pagou 128 dias de diárias (R$ 460 mil) a seguranças de Toffoli, em viagens durante feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort Tayahá, entre 2022 e 2025.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUm excelente resumo das ligações do Banco Master com a família do ministro Dias Toffoli, que inclui um padre muito piedoso, aquele que costuma rezar missas no resort em datas festivas, enquanto a família acende uma vela a Deus e outra ao diabo, como se dizia antigamente, e Toffoi recebe visitantes bilionários, como o banqueiro André Esteves (BTG), aquele que chegou a ser preso na Lava Jato, quando ainda se combatia corrupção no Brasil. (C.N.)

Centro procura isolar o PL em Santa Catarina e desafia influência de Bolsonaro

Aproximação com o MDB gerou incômodo entre bolsonaristas

Yago Godoy
O Globo

Insatisfações acumuladas com o governador Jorginho Mello e com Carlos Bolsonaro, que concorrerá ao Senado por Santa Catarina, vêm levando partidos de centro a tentarem isolar o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, na eleição estadual. O MDB, que anunciou na última semana a sua saída da base de Jorginho após ser preterido no posto de vice, costura uma aliança com PSD, União Brasil e PP — este último busca apoio para a candidatura do senador Esperidião Amin, que disputa espaço com Carlos.

Líderes locais dessas quatro siglas se reuniram para discutir o cenário eleitoral, após Jorginho anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como seu candidato a vice. “A opção do governador é uma escolha dele. Nós devemos ter um projeto próprio, e lá na frente vamos decidir um caminho. Essa união (entre os partidos) não pode ser descartada”, disse o presidente do diretório catarinense do MDB, Carlos Chiodini.

PRETERIDO – Chiodini, que era antes o mais cotado para estar na chapa de Jorginho, deixou o cargo de secretário estadual de Agricultura após ser preterido pelo governador. O MDB também orientou que seus filiados entreguem outros cargos no governo.

A aliança com União, PP e PSD mira na capilaridade dessas siglas. Juntos, os quatro partidos de centro controlam 174 das 295 prefeituras catarinenses. Caso ocorra, a aliança apoiará a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo catarinense. Líder estadual do PSD, Eron Giordani afirma que há “portas abertas” para um acordo.

“Faremos o movimento necessário para a eleição, na construção de um projeto alternativo para Santa Catarina. A escolha de Jorginho traz mais prejuízos do que benefícios para ele”, declarou Giordani, em alusão à exclusão do MDB na chapa do PL.

IRRITAÇÃO – A federação União-PP, que se irritou com o recuo de Jorginho na promessa de apoiar a reeleição de Amin ao Senado, vem se mostrando disposta a apoiar o prefeito de Chapecó. “Se ele não mantiver esse compromisso com o senador Esperidião, nós iremos caminhar com o PSD, isso é fato”, afirmou o deputado federal Fabio Schiochet (União-SC).

O parlamentar calcula ainda que uma candidatura de Rodrigues, por ser do PSD, teria mais capacidade de aglutinar apoios no segundo turno do que um candidato do PL. “Se levar para o segundo turno, o voto da esquerda vai para quem aqui em Santa Catarina? Vai para o 22 (Jorginho) ou vai para o 55 (João)? Acho que é mais fácil votar no 55 do que no 22”, avalia Schiochet.

A formação de uma aliança com esses quatro partidos, por outro lado, tende a abrir caminho de vez para a candidatura da deputada federal Carol de Toni (PL) ao Senado na chapa de Jorginho, disputando a segunda cadeira ao lado de Carlos. Antes, quando havia um impasse sobre a chance de o governador apoiar a reeleição de Amin, Carol chegou a ser sondada para se filiar ao Novo.

QUEBRA DE ACORDO –  Em outubro do ano passado, em entrevista concedida à rádio Jovem Pan, Jorginho havia afirmado que sua chapa seria formada em conjunto com o MDB. A escolha por Adriano Silva, do partido Novo, para o posto de vice pegou de surpresa os representantes estaduais.

“A vice será do MDB, já está tudo encaminhado. Não tem muito estresse. É só esperar um pouquinho. Vamos cuidar do estado de Santa Catarina”, disse o governador na ocasião. Interlocutores relatam que, ao longo do ano, enquanto a aproximação da gestão com o MDB seguia enfrentando resistência dentro do PL, o desempenho eleitoral de Adriano atraiu atenção. Em 2024, ele foi reeleito no primeiro turno com 78% dos votos à prefeitura de Joinville, a maior cidade do estado.

Em fevereiro de 2025, a aproximação com o MDB gerou incômodo entre bolsonaristas correligionários de Jorginho. À época, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que questionou se o “critério” usado para a escolha teria sido “votar mais com o governo Lula”.

O projeto de Kassab para romper a bolha da polarização, que ninguém aguenta mais

Charge do Jônatas (Política Dinâmica)

Pedro do Coutto

Gilberto Kassab voltou a se movimentar com a habilidade que o caracteriza nos bastidores da política brasileira. Diante de um cenário eleitoral cada vez mais marcado pela polarização entre o presidente Lula da Silva e o bolsonarismo, hoje personificado por Flávio Bolsonaro, o presidente do PSD tenta desenhar uma saída que vá além desse confronto binário que domina o debate público.

A ideia, revelada e analisada em reportagem de O Globo, parte do diagnóstico de que há um cansaço difuso no eleitorado com a lógica do “nós contra eles”, embora esse sentimento ainda não tenha se traduzido, até aqui, em uma alternativa eleitoral consistente.

A polarização, vale ressaltar, não é fruto de uma invenção retórica nem de uma distorção artificial do debate político. Ela é consequência direta de processos sociais, econômicos e culturais que reorganizaram o eleitorado brasileiro ao longo dos últimos anos. Hoje, dois blocos estão claramente constituídos, com identidades, lideranças e narrativas próprias.

VIGOR ELEITORAL – De um lado, Lula representa não apenas um governo em exercício, mas um campo político com forte enraizamento social, histórico eleitoral e capacidade de mobilização. De outro, o bolsonarismo, mesmo sem Jair Bolsonaro na linha de frente, mantém vigor eleitoral e encontra em Flávio Bolsonaro um nome com potencial real de chegar ao segundo turno, segundo as pesquisas mais recentes.

É nesse ambiente que Kassab tenta “furar a bolha”. Sua aposta passa pela construção de um campo mais amplo, capaz de atrair eleitores que rejeitam tanto o lulismo quanto o bolsonarismo, mas que, paradoxalmente, acabam votando em um dos dois polos quando chega a hora decisiva. O PSD, partido que Kassab transformou em uma das legendas mais capilarizadas do país, surge como instrumento dessa estratégia. Com governadores, prefeitos, forte presença no Congresso e trânsito em diferentes espectros ideológicos, o partido tenta se apresentar como uma força de equilíbrio em meio ao conflito permanente.

O problema é que a história recente da política brasileira não tem sido generosa com a chamada terceira via. Desde 2018, diversas tentativas de construir uma candidatura fora dos polos fracassaram, seja por falta de densidade eleitoral, seja pela incapacidade de se diferenciar de forma clara num ambiente dominado por paixões políticas.

ESPAÇO POLÍTICO – Kassab sabe disso. Tanto que seu movimento é menos de enfrentamento direto à polarização e mais de criação paciente de um espaço político que possa, em algum momento, se tornar competitivo. Trata-se menos de um projeto imediato e mais de uma construção gradual, que depende de condições externas difíceis de controlar.

Outro fator que pesa contra esse plano é o desempenho de Flávio Bolsonaro. Ao herdar parte significativa do capital político do bolsonarismo, ele reduz ainda mais o espaço para candidaturas intermediárias. Se a disputa se encaminhar, como indicam os números atuais, para um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, qualquer alternativa fora desse eixo tende a ser engolida pela lógica do voto útil. Essa dinâmica, recorrente nas eleições presidenciais, transforma o primeiro turno em uma espécie de triagem, na qual apenas os dois campos mais fortes sobrevivem.

CÁLCULO POLÍTICO –  Ainda assim, Kassab insiste. Não por ingenuidade, mas por cálculo político. Ele aposta que a fadiga da polarização pode crescer ao longo do tempo e que crises, desgastes de governo ou mudanças no humor do eleitorado podem abrir brechas inesperadas. Ao tentar organizar esse espaço desde já, o PSD se posiciona para aproveitar qualquer fissura que surja no confronto entre Lula e o bolsonarismo. É uma estratégia de longo prazo, que exige paciência, disciplina e, sobretudo, leitura precisa do momento político.

No fim das contas, o plano de Kassab revela mais sobre os limites da política brasileira atual do que sobre suas possibilidades imediatas. A polarização segue sendo a força dominante, estruturando discursos, alianças e escolhas eleitorais. Rompê-la não é simples nem rápido. Mas, em política, sobreviver também é saber esperar. E Kassab, veterano como poucos, parece disposto a jogar esse jogo longo, mesmo sabendo que o tabuleiro, por enquanto, continua claramente dividido em dois lados.

Ministros não sabem como impedir a crescente desmoralização do Supremo

O péssimo exemplo, de sempre, do Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

Desde sua criação, em 1829, quando se chamava Supremo Tribunal de Justiça, a principal corte brasileira jamais teve sua imagem tão esculhambada, com ministros envolvidos em corrupção explícita ou implícita, na qual incorreram em função do cargo. Realmente, nunca se viu nada igual.

É claro que já houve outras crises graves, mas quase todas ocorreram por motivos políticos, durante regimes de exceção, quando a democracia sofreu fortes abalos e o Supremo tentava resistir à opressão, que é o contrário do que acontece agora, quando muitos ministros se tornaram agentes opressores.

PRISÃO DE HELIO– Uma das crises mais interessantes ocorreu pouco antes da ditadura militar de 1964. O presidente João Goulart sentiu-se ofendido por um artigo de Helio Fernandes na Tribuna da Imprensa e abriu processo contra ele, pedindo que fosse condenado à prisão.

A causa teve enorme repercussão e foi julgada no Supremo em 1963, numa sessão histórica, com a plateia lotada e muita gente de pé, pois os julgamentos eram públicos, qualquer um podia assistir.

Houve empate, o que aumentou ainda mais o suspense, e o presidente Ribeiro da Costa deu o chamado voto de Minerva e então desempatou, absolvendo o jornalista, numa cena emocionante, em que foi ovacionado pelo público, numa grande confusão cívica, digamos assim.

TIRAR A TOGA – Em 1966, dois anos após o golpe militar, o ministro Ribeiro da Costa não aceitou pressões do governo ditatorial ao STF e pediu aposentadoria. O presidente Castelo Branco então convidou o deputado Adaucto Lucio Cardoso para a vaga, por ser jurista de reputação ilibada e ter feito oposição a Goulart, inclusive renunciando à presidência da Câmara.

O novo ministro assumiu em 1967, mas nunca se curvou à ditadura e não apoiava os excessos do governo. Ficou no STF por apenas quatro anos. Em março de 1971, quando o plenário julgou constitucional a Lei da Censura Prévia (Decreto-lei nº 1.077), editada pelo governo Médici, Adauto Lúcio Cardoso então manifestou sua indignada repulsa.

Numa sessão absolutamente lotada, pois o julgamento foi acompanhado por dezenas de jornalistas, além de políticos, magistrados e autoridades, ele despiu sua toga, atirou-a sobre a poltrona e abandonou acintosamente o recinto, num fato inédito na história do STF. 

TUDO MUDOU – Desde a redemocratização do país não houve graves crises e tudo mudou. O que há agora é uma degradação como nunca se viu e que somente está acontecendo porque alguns presidentes da Nova República passaram a desconhecer os pré-requisitos de notório saber e reputação ilibada, com o Senado dando força a essa ilegalidade.

É como se tivesse havido uma implacável campanha para desmoralizar a mais importante instituição do país, que tem obrigação de funcionar como poder moderador, para exigir o cumprimento das leis.  

Agora é tudo ao contrário. O Supremo “reinterpreta” leis, como fez ao libertar Lula da Silva em 2019; “inventa“ leis, a exemplo da descondenação do mesmo Lula em 2021, “legaliza” a perseguição política, ao bloquear a liberdade de expressão; tenta “estender o alcance” de leis brasileiras a países estrangeiros; “considera fora da lei” o único esforço válido de luta anticorrupção no país; “pratica a anistia” a corruptos confessos; e “protege ministros” que infringem a ética e a moral.

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P.S.
O Supremo sai do recesso e volta a funcionar hoje, num ambiente insalubre e nojento. No entanto, nada disso estaria acontecendo se fosse respeitada pelo governo e pelo Senado a exigência de reputação ilibada e notável saber na indicação de ministros. Mas quem se interessa? (C.N.)

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Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Roberto Nascimento

A nota explicativa do ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, deixou mais dúvidas do que certezas. Portanto, não teve o condão de cessar as críticas ao Supremo e em particular ao próprio Toffoli. Portanto, o STF permanece sangrando como alvo de críticas nas redes à esquerda e à direita, porque fatos importantes não foram esclarecidos na nota e continuam gerando a suspeição do ministro e a conivência do Supremo

Ou seja, permanecem desconhecidos da opinião pública os fatos e fundamentos que justificaram a decisão de transferir o caso Master para o STF, sem haver fulcro na Constituição.

UMA SURPRESA – Eu jamais poderia imaginar que algum dia viesse a concordar com uma análise feita pela musa das privatizações do governo FHC, a economista Helena Landau, mas ela foi sensacional com seu artigo no Estadão.

A economista descreve as incongruências do ministro Dias Toffoli permanecer na relatoria do Caso Master. E indaga, com veemência: Ele é ou não suspeito? Precisa ou não aceitar seu impedimento? O caso deve ser julgado na primeira Instância ou na última, o STF? São perguntas que estão gritando alto na consciência da sociedade.

Helena Landau observa que a Suprema Corte tem o direito constitucional de errar por último. Portanto, a responsabilidade do colegiado é de extrema relevância.

JUSTIÇA OMISSA – Realmente, quando um ministro erra e o colegiado se omite, passa para o cidadão comum a sensação de que o Judiciário não está cumprindo seu papel de proteção ao Estado de Direito, fica omisso em seu dever de fazer cumprir os preceitos da Constituição.

O pior é que a crise instalada com a relatoria do ministro Toffoli no Caso Master vem precedida de decisões que anularam sentenças da Lava Jato, inclusive de réus confessos e que haviam devolvido de bilhões de reais aos cofres da Petrobrás, libertando e favorecendo diretores e gerentes corruptos, envolvidos na rapina do Petrolão.

Essa impunidade passa também a sensação de que o crime compensa e aí Helena Landau cita o livro: “Como as Democracias Morrem”. Morre um pouquinho mais, segundo a economista, na repercussão de decisões judiciais teratológicas, exóticas, inexplicáveis, absurdas, incríveis, ilógicas, irracionais e por si adiante.

FRACASSO NACIONAL – A economista faz menção também ao livro “Por que as Nações Fracassam”. A meu juízo, isso acontece quando os Três Poderes abandonam a máxima de Montesquieu descrita no seu clássico “O Espírito das Leis”, no qual o francês iluminista cita a independência e a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário, como condição sine qua non para a sobrevivência da democracia.

Portanto, a responsabilidade da Suprema Corte é importantíssima para a estabilidade democrática.

Quando a sociedade perde a confiança em seus ministros, a democracia começa a morrer lentamente, como um câncer que vai corroendo as entranhas da sociedade até envolver e destruir o tecido social, abreviando a morte da democracia e provocando o fracasso da nação. Então, morre a democracia e o país morre junto.

Desvairado, Donald Trump parece estar declarando guerra aos Estados Unidos

Donald Trump tries to get his felony charges dismissed | Latest US politics  news from The Economist

Donald Trump demonstra ser diabolicamente perigoso

Ruy Castro
Folha

Em “Doze Homens e uma Sentença” (1957), filme de Sidney Lumet, um jurado (Henry Fonda) consegue reverter a decisão de seus dez colegas dispostos a condenar um jovem acusado de matar o pai. Fonda, o jurado nº 8, não está convencido da culpa do rapaz e apresenta objeções que vão dobrando, uma a uma, a certeza de cada um.

No fim, todos votam pela absolvição do garoto. São 95 minutos num cenário único, a sala de reunião do júri, e uma esgrima de diálogos em busca da verdade e da justiça.

UM SR. XERIFE – Em “Matar ou Morrer” (1952), de Fred Zinnemann, um xerife (Will Kane, interpretado por Gary Cooper) é avisado pelo telégrafo de que um assassino que ele prendeu anos antes foi posto em liberdade e cavalga rumo à cidade, com mais três pistoleiros, para se vingar.

Serão quatro contra um. Kane, a quem a cidade devia a paz em que vivia, pede ajuda aos cidadãos e todos têm motivo para recusar. Deixado sozinho, ele encara e mata os quatro (um deles, com a ajuda de sua noiva quaker Grace Kelly),

Quando a cidade vai festejá-lo, Kane tira a estrelinha do colete, atira-a ao chão e vai embora.

EVOLUCIONISMO – Em “O Vento Será Tua Herança” (1960), de Stanley Kramer, um advogado (Spencer Tracy) enfrenta uma cidadezinha maciçamente evangélica e criacionista decidida a silenciar um jovem professor adepto da ciência e do evolucionismo. O filme mostra o julgamento, um duelo de argumentos entre Tracy e outro poderoso advogado (Fredric March) sobre Darwin e a Bíblia — o darwinismo era então crime no estado. O professor acaba condenado, mas a uma multa ridícula, que não o impedirá de lecionar.

Eram esses os EUA que, apesar de todas as sujeiras em política internacional, éramos levados a admirar. O país em que, pela bravura e correção, um indivíduo conseguia se impor a uma maioria hostil. Hoje é o contrário: um ferrabrás se impõe pelo poder e hostiliza e esmaga a maioria. Donald Trump parece estar declarando guerra aos próprios EUA.

E os americanos já não têm um Henry Fonda, um Gary Cooper e um Spencer Tracy que os defendam.

Um vestido muito especial, que virou personagem da poesia de Adélia Prado

Amor pra mim é ser capaz de permitir... Adélia Prado - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas lembra da paixão, que virou um ritual, quando usou “O Vestido” que a faz amante.

O VESTIDO
Adélia Prado

No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.  

Senado retoma atividades prometendo devassar a corrupção no Banco Master

Gilmar Fraga | Charge publicada em GZH e Zero Hora. #charge #bancomaster #fragadesenhos #humor #stf | Instagram

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

A colunista Denise Rothenburg informa no Correio Braziliense de hoje, domingo, que o senador Renan Calheiros vai jogar pesado com “o pântano mal cheiroso do Master”. Como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais importantes do Senado, Calheiros quer investigar quem eram os agentes públicos que ajudaram a fraude, a maior do país.

 Como acentuei no meu artigo sobre a cachorrada do Master, teremos grandes emoções pela frente, porque as CPIs do INSS e do Crime Organizado também decidiram buscar a verdade sobre o Master, que compromete não somente Toffoli, mas também Alexandre de Moraes.

A VOLTA DE ALICE – Pele branca, cabelos encaracolados, vestidinho sujo, olhos espantados, 4 anos de idade, Alice conviveu com trevas da mata por dois intermináveis dias. Autista, sem fala, longe dos remédios fortes e do carinho da família, a doce menina Alice sobreviveu porque foi acolhida por anjos e passarinhos.

O Brasil orou por Alice. A fibra da solidariedade é forte e cativante. Dentro da noite fria e longa, o choro saia fraco. Apenas para a mãe dela, chorosa e aliviada   Karine, Alice contará o que passou. 

Alice foi encontrada deitada, sonolenta, entre folhas e gravetos caídos do céu especialmente para cuidar dela. 

No vácuo dos governadores, vices chegam ao comando sem capital político

Romeo Zema sinaliza que disputará o Planalto

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Com dois terços dos governadores impedidos de tentar reeleição, o ano eleitoral começa desafiador para os vices, em geral ainda desconhecidos pelo eleitorado, que planejam candidaturas ao Executivo estadual e pretendem ampliar sua visibilidade até outubro. Levantamento da consultoria Bites feito a pedido do O Globo revela que, por enquanto, a posição de número dois nos estados não se reflete em uma base consistente de seguidores nas redes sociais.

Especialistas destacam importância da comunicação digital nas campanhas, mas ressaltam, porém, a possibilidade de crescimento destes nomes com a proximidade do pleito e a exposição junto ao governador ou figuras nacionais até a data de ida às urnas. Uma alavanca para o crescimento da figura dos vices é a desincompatibilização dos governadores, até abril, para disputarem novos cargos nesta eleição.

CANDIDATURAS – Como mostrou O Globo, 11 dos 18 chefes do Executivo estadual sem possibilidade de reeleição sinalizam candidaturas ao Senado, enquanto outros três se colocam como nomes à Presidência. Os vices poderão, nesses casos, ocupar a cadeira principal durante o período eleitoral e capitalizar politicamente a posição para maior projeção.

O levantamento da Bites considerou os 18 estados com governadores sem possibilidade de uma nova disputa pelo cargo e São Paulo, onde Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tem destino político ainda indefinido diante da possibilidade de disputar o Planalto. Os dados indicam que o ineditismo da maioria dos vices na posição de cabeça de chapa em eleições majoritárias anteriores compromete a visibilidade deles perante a população.

— O vácuo das grandes lideranças estaduais após a saída dos governadores é reflexo da alta taxa de reeleição há quatro anos. Foram 18, oito a mais do que em 2018. Entre abril e dezembro deste ano, veremos estados sendo comandados por nomes desconhecidos e que vão precisar, a qualquer custo, aumentar sua projeção tanto política quanto digital para continuar no poder, disputando uma reeleição — diz André Eler, diretor-técnico da Bites.

DIFERENTES PERFIS –  É neste contexto que o desconhecimento nas redes pode comprometer as campanhas. A exceção apontada no levantamento é a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que supera o governador Ibaneis Rocha (MDB) no número de seguidores nas principais plataformas. Uma das razões do impulsionamento dela foi a atuação à frente do Palácio Buriti durante os desdobramentos do 8 de Janeiro, enquanto o titular estava afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de omissão perante os atos golpistas na sede dos três Poderes.

Ibaneis é um dos governadores que deixarão o cargo até abril e abrirão espaço para o vice assumir o posto. Além dele, devem ser candidatos ao Senado os governadores Eduardo Leite (PSD-RS), Gladson Cameli (PP-AC), Wilson Lima (União-AM), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Antonio Denarium (PP-RR), Mauro Mendes (União-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES).

COTADOS – Também cotados para disputar o Senado, Cláudio Castro (PL-RJ) e Fátima Bezerra (PT-RN) vivem situações excepcionais. A ausência de um vice-governador no Rio e o anúncio no Rio Grande do Norte de que o número dois do estado se desincompatibilizará para disputar o cargo de deputado estadual levarão, em ambos os casos, a eleições indiretas. O cenário, que traz desafios a Castro e Bezerra, culminará na escolha pelo Legislativo dos nomes que estarão à frente de um “governo-tampão” até a posse do escolhido pela população ano que vem.

Já Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, sinalizam que disputarão o Planalto. Assim, abrirão espaço para os vices — da lista, devem disputar o comando da máquina estadual Mateus Simões (PSD-MG) e Daniel Vilela (MDB-GO). No Paraná, o aliado que receberá aval de Ratinho não está definido.

Há ainda casos de governadores que descartam deixar o Executivo, abrindo mão de candidaturas, para não darem palanque aos vices. Entre os motivos estão a “quebra de confiança” e o desejo por apoiar um outro nome na corrida eleitoral. São os casos de Paulo Dantas (MDB-AL), Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Carlos Brandão (PSB-MA) e Marcos Rocha (União-RO).

ALINHAMENTO – Para o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e PUC-Rio, o destaque do vice no ambiente digital conta na disputa eleitoral, mas o alinhamento com quem deixou o cargo ou com um grupo que disputa a Presidência pesa mais na campanha.

— Podemos ter um “novo” governador sem força no digital, mas alinhado politicamente com uma candidatura nacional. Isso conta e muito porque o presidenciável vai trabalhar para que a máquina e seus aliados atuem a favor de determinada candidatura. — diz o também pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia — Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem). — A comunicação digital é relevante porque ajuda a reverberar e criar ondas de opinião contra ou a favor, mas devemos lembrar que a eleição no Brasil ainda é fortemente determinada por fatores extra digital.

SOMBRA DOS PADRINHOS –  Cientista político da UnB, Murilo Medeiros cita como desafio aos vices o fato de que herdam a máquina, mas não necessariamente o capital político do titular. O pesquisador afirma que o resultado é um paradoxo: ao mesmo tempo em que se beneficiam do bônus da continuidade nos meses pré-eleitorais, eles governam sem identidade própria e dependem intensamente do endosso de seus padrinhos políticos para transferência de votos e legitimidade:

— Vice-governadores costumam ganhar tração apenas com o início do calendário eleitoral, quando passam a contar com maior exposição institucional, propaganda e agenda oficial convertida em vitrine política. Do ponto de vista eleitoral, esse cenário tende a produzir campanhas menos programáticas e mais personalistas, reforçando uma lógica de poder baseada na tutela política e no apadrinhamento eleitoral.

Sem trabalho, sem leitura: relatório detalha custódia de Bolsonaro na Papudinha

Caminhada, atendimento médico e 12 dias sem ler livro

Mariana Muniz
O Globo

Um relatório encaminhado pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O documento abrange os dias 15 a 27 de janeiro de 2026 e reúne, de forma cronológica, registros sobre atendimentos médicos, visitas, atividades físicas e demais procedimentos realizados pela PM.

De acordo com o relatório, Bolsonaro não participou de atividades de remição de pena por leitura em nenhum dos dias analisados, apesar de ter feito o pedido para participar do programa. Em todos os registros diários, a PMDF assinala que “não houve” leitura com fins de remição, assim como não foram realizadas atividades laborais durante o período de custódia.

ATENDIMENTO MÉDICO – Bolsonaro está preso na Papudinha desde 15 de janeiro, onde cumpre a pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O documento aponta que o ex-presidente recebeu atendimentos médicos praticamente diários, realizados tanto por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal quanto por médicos particulares. Segundo a observação final do relatório, as consultas consistiram, em sua maioria, em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento de sinais vitais e acompanhamento preventivo do estado geral de saúde do custodiado.

Também foram registradas sessões de fisioterapia em diversos dias, além de atividades físicas supervisionadas, principalmente caminhadas, realizadas em horários determinados. Em alguns dias, Bolsonaro chegou a realizar mais de um período de caminhada; em outros, não houve atividade física registrada, conforme os controles da unidade.

VISITAS – A rotina descrita inclui ainda a presença frequente de advogados, com atendimentos que variaram de poucos minutos a mais de duas horas, além de visitas familiares. O relatório registra encontros com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o vereador Carlos Bolsonaro, em datas e horários previamente definidos. Houve também registro pontual de assistência religiosa, com a presença de pastor em dois dias distintos. Já atividades como trabalho interno ou participação em programas educacionais não constam no período analisado.

O relatório foi elaborado em cumprimento a determinação de Moraes. No documento, a Polícia Militar afirma que todos os procedimentos seguiram as normas legais, administrativas e operacionais, e destaca que a unidade permanece à disposição da Corte para eventuais esclarecimentos adicionais sobre a custódia do ex-presidente.

O escândalo do Banco Master e a falha grotesca da governança e da fiscalização

TJ vai julgar uma ação milionária que opõe Zanin ao sogro por lucros de escritório

Depoimento de Vorcaro foi um primor em matéria de desfaçatez e enrolação

Banco Master: o que Daniel Vorcaro disse à Polícia Federal — e quais as contradições - BBC News Brasil

Vorcaro foi desmentido por Ailton Aquino, diretor do BC

Thais Carrança
BBC News Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou na quinta-feira (29/1) o sigilo dos depoimentos à Polícia Federal do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino.

Os depoimentos foram colhidos em dezembro de 2025, pouco antes de uma acareação entre os executivos, também determinada por Toffoli, no âmbito da investigação da venda pelo Master ao BRB de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas pelo BC.

CARTEIRAS FALSAS – Segundo as investigações, o Master teria adquirido carteiras de crédito da Tirreno, empresa criada em dezembro de 2024, que passou a revender carteiras ao Master já em janeiro de 2025, totalizando R$ 6,7 bilhões, mesmo sem ter então qualquer movimentação financeira comprovada.

Essas carteiras foram em seguida revendidas pelo Master ao BRB, mesmo sem o banco de Vorcaro ter realizado o desembolso à Tirreno pela compra dos ativos.

Em meio ao escândalo, que contou ainda como uma tentativa de compra do Master pelo BRB, o banco de Vorcaro foi liquidado pelo BC em 18 de novembro de 2025.

CONTRADIÇÕES – Em seu depoimento, Vorcaro disse que o BRB teria ciência de que as carteiras de crédito revendidas eram originadas por terceiros, o que foi negado pelo ex-presidente do BRB na acareação.

“A gente anunciou que faria a venda de originadores terceiros. A gente chegou a conversar que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria originada de terceiros, não mais originação própria”, afirmou Vorcaro.

O ex-presidente do BRB disse que acreditava que as carteiras eram do Master. “No meu entendimento, eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente [BRB]”, disse Paulo Henrique Costa.

COM IBANEIS – Em seu depoimento, Vorcaro admitiu ter participado de mais de uma reunião com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB, anunciada em 28 de março de 2025. “Conversei [com Ibaneis] em algumas poucas oportunidades, sim”, disse o banqueiro.

A delegada então questionou se Ibaneis frequentava a casa de Vorcaro. “Já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais, todas.”

Vorcaro negou  que “amigos políticos” tenham intervindo para tentar viabilizar a operação. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, ironizou.

CRISE DE LIQUIDEZ – O banqueiro reconheceu ainda que o Master enfrentava uma crise de liquidez e que o negócio do banco era baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), espécie de seguro que protege investimentos em casos de falência bancária.

“Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre teve muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro”, disse.

“E essa crise de liquidez, há de se ressaltar, e está no próprio relatório do Banco Central, foi criada por duas coisas, por mudança de regulação com a pressão dos grandes bancos, que mudaram por duas vezes a regra do FGC, porque o mercado se julga dono ali do fundo que é criado justamente para criar competição no mercado”, criticou.

BASEADO DO FGC – “Essa mudança pressionou a captação do banco, porque todo o plano de negócio desde 2018, que a gente entregou para o Banco Central, ele era baseado no FGC. O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo”, completou.

Ainda segundo Vorcaro, no momento da venda das carteiras de crédito problemáticas do BRB, a compra e revenda de ativos havia se tornado a principal fonte de captação do banco, representando de 70% a 80% de seu negócio, diante da impossibilidade de captar através da emissão de títulos em plataformas de investimento, em meio à crise de confiança que já rondava o banco.

“Nos últimos trimestres, a originação e cessão de ativos tinha se tornado a principal fonte de captação do banco, porque foI fechada as fontes originais de captação, que eram as plataformas. No momento do anúncio do BRB, inclusive, elas fecham-se por completo”, disse.

ATIVOS NO EXTERIOR – Após inicialmente desconversar quando questionado sobre se mantém ativos no exterior, Vorcaro admitiu possuir “algumas contas correntes” fora do país, além da holding (empresa controladora) do banco, nas Ilhas Cayman.

“Talvez eu tenha sido uma das pessoas mais escrutinadas no Brasil antes dessa operação”, disse quando primeiro questionado sobre se tem ativos no exterior.

“Tenho todos os meus bens declarados, impostos altíssimos pagos ao longo do tempo, porque já existia esse escrutínio por parte do próprio Banco Central, que acompanha não só o banco, como a minha vida já há alguns anos.”

ESQUECIMENTOS – Depois, novamente questionado pela PF sobre bens no exterior, ele deu mais detalhes: “Eu não consigo me recordar de todas as contas que eu possuo. Eu possuo a holding do banco, que era proprietária do banco, nas Ilhas Cayman. Tinha sido estruturada lá. E algumas contas correntes. Não me recordo de outra coisa.”

Mas Vorcaro negou ter uma mansão em Miami (conforme noticiado pela imprensa à época de sua prisão), dizendo apenas locar um imóvel na cidade da Flórida.

“Apesar da mídia ter anunciado, não tem [casa em Miami]. Tenho locação de um imóvel lá.”

CRÍTICAS AO BC – Em dversos pontos de seu depoimento, Vorcaro criticou a atuação do BC com relação ao Master, dizendo não ter recebido comunicações de irregularidades, multas ou outras penalidades entre o questionamento das operações de venda de carteiras ao BRB em março de 2025 e sua prisão em novembro daquele ano.

“O Banco Central me notifica em março e de repente em 17 de novembro sou preso, sem nenhuma outra pergunta depois de março. É a dúvida que fica para mim, porque o Banco Central não só sabia como acompanhou esse processo da aquisição da Tirreno, da venda para o BRB, das trocas que foram feitas, do desfazimento e não conclusão da operação”, afirmou.

MAIS DESCULPAS – Ele também disse que havia pessoas dentro do BC que eram contrárias a uma solução de mercado (isto é, a venda do banco ou de seus ativos a investidores) para os problemas do Master e que isso teria resultado na liquidação da instituição, o que, segundo ele, prejudicou todo o sistema financeiro.

“Dentro do Banco Central, existiam pessoas que queriam uma solução de mercado, e existiam outras pessoas, departamentos, que queriam que acontecesse o que aconteceu [a liquidação do banco] e acabaram vencendo”, afirmou.

“Acho que essa é a grande questão. Então, talvez o Banco Central como um todo, na minha opinião, não falhou, mas eu acho que algumas áreas e algumas pessoas falharam muito, não só comigo, mas com o sistema financeiro”, criticou.

VENDA DE CARTEIRAS – Vorcaro admitiu ainda ter revendido as carteiras de crédito ao BRB sem ter a documentação completa sobre os ativos.

“Na verdade, a gente fez uma cessão, como várias outras que a gente tinha feito, que ainda carecia da documentação completa. Mas a gente tinha responsabilidade por qualquer vício formal pela ausência de documento, que, obviamente, quando aconteceu, a gente acabou desfazendo [o negócio]”, disse.

O banqueiro argumentou, porém, que o Master não tinha ciência da falta de documentos ao fazer o negócio com o BRB. “Para ser sincero, quando a gente fez o negócio, ainda não tinha essa ciência da ausência da documentação. Eu fiquei sabendo posteriormente que não tinham vindo todas as documentações e, a partir daí, a gente começa a ir atrás. Porque também não foi uma ausência completa: existiu uma documentação base e tinham coisas que estavam faltando”, completou.

PREJUÍZOS AO BRB – Em diversos pontos do depoimento, Vorcaro argumentou que não teria havido crime na operação de venda das carteiras ao BRB, por ela ter sido desfeita posteriormente, sem prejuízos ao banco público, segundo ele.

“Para um crime ou para uma fraude acontecer, alguém tem que ter vantagem e outro tem que ter prejuízo. Nesse caso, o BRB não teve prejuízo, nenhum cliente teve prejuízo e o Banco Master não teve vantagem nesse negócio”, argumentou.

O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, lembrou em sua oitiva, no entanto, que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB para cobrir as perdas com o Master pode chegar a quase R$ 5 bilhões.

COBRIR PERDAS – O BC já determinou que o banco do DF faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas. E seriam necessários ainda outros R$ 2,2 bilhões.

Durante o depoimento de Vorcaro, os delegados da PF também questionaram a versão do banqueiro de que a operação não teria existido, por ter sido posteriormente revertida.

“Essas carteiras chegaram a ser vendidas e, por problemas vários, foram trocadas por títulos, por participativos. Outro tipo de ativo. Outro tipo de ativo, com outro tipo de liquidez, muito menor liquidez do que a inicial”, disse um dos delegados.

DEU O GOLPE – “Então, só para deixarmos claro, a operação existiu, o BRB efetivamente deu liquidez ao Master em algum momento com R$12 bilhões e o Master trocou os bens que vendeu ao BRB no meio do caminho e esses bens eram de liquidez distintas”, completou o delegado, mais à frente.

Ao que Vorcaro respondeu: “Distintas e que, no meu entendimento, gerou resultados para o próprio BRB ao longo desse ano.”

Vorcaro também confirmou ter participado diretamente do processo de aprovação da operação de venda de carteiras de terceiros aos BRB. “Eu era o presidente. Então, todas as decisões estratégicas de novos negócios e transações relevantes da instituição dependiam da minha aprovação. Nesse caso específico, sim, era [responsável pela aprovação] pela relevância das transações.”

TUDO NORMAL – Vorcaro afirmou também não ver anormalidade no fato de o Banco de Brasília ter tentado comprar o Master mesmo depois de essa operação ter sido revertida após a constatação de irregularidades.

“Se o senhor fosse presidente do BRB, tentaria comprar um banco que já lhe havia vendido, mais de uma vez, carteiras de crédito falsas?”, questionou a delegada Janaína Palazzo, da PF.

“Primeiro, novamente, o banco não vendeu carteiras de crédito falsas para o BRB. E sim, se eu fosse o BRB, compraria. E foi uma pena o negócio ter sido negado. Uma pena para o mercado brasileiro, não só para o BRB”, disse o banqueiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tropeçando na concordância verbal e na realidade dos números, o depoimento de Vorcaro exibe um caso patológico de presunção, desfaçatez e artimanha. Foi desmentido, na acareação, por Aílton Aquino, diretor do BC Se fosse na matriz U.S.A., ele jamais estaria em prisão domiciliar. Aqui na  filial Brasil, porém, se o inquérito continuar nas mãos de Toffoli, será impunidade garantida. (C.N.)