Edson Fachin, a crise do Supremo e o teste da credibilidade institucional

Mendonça mantém prisão do “careca do INSS” e aponta risco de fuga e continuidade criminosa

Atenção! Escândalo do Master está envolvendo “diretamente” até Lula

VÍDEO: Lula ‘detona’ caso Master e diz quem vai ‘pagar golpe de mais de R$ 40 bilhões’

Lula recebeu Vorcaro e Galípolo fora da agenda palaciana

Deu no Estadão

Em seu comentário nesta terça-feira, 27, o colunista Fernando Schüler fala da aproximação do escândalo do Banco Master do governo federal. Ele questiona, por exemplo, a razão pela qual seria necessário que o presidente Luiz da Silva fizesse uma reunião com Daniel Vorcaro e Gabriel Galípolo para determinar que o Banco Central simplesmente cumprisse sua função.

“Uma reunião, aliás, articulada pelo Guido Mantega, que foi ministro da Fazenda de governos do PT, que tem uma relação histórica com o presidente Lula, que foi contratado pelo Banco Master como economista ou como articulador ou, enfim, não se sabe bem como, por indicação do líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner, que funcionou como uma espécie de headhunter de economistas para o Banco Master”, disse Schüler.

FORA DE AGENDA – “O fato é que o caso Master vai se aproximando perigosamente, delicadamente no ano eleitoral da esfera de poder do governo federal, não é?”, afirmou o comentarista do Estadão, assinalando que o estranhíssimo encontro articulado por Mantega, que recebia “salário” mensal de R$ 1 milhão, ocorreu fora da agenda oficial da Presidência da República.

Além disso, Schüler cita a revelação do portal Metrópoles de que o escritório do ministro Ricardo Lewandowski também era pago pelo banco.

“O ministro Lewandowski, manteve durante todo o seu mandato (no ministério da Justiça), praticamente todo o seu mandato, até setembro do ano passado, um contrato, seu escritório de assessoria jurídica institucional estratégica com o próprio Banco Master. O que que significa exatamente isso? Assessoria jurídica e institucional estratégica seria uma assessoria de relacionamento?”, indaga o comentarista do Estadão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não existe como limpar tanta sujeira. No caso, todos têm batom na cueca, inclusive o presidente Lula da Silva e o ex-herói nacional Alexandre de Moraes, que se tornaram figuras verdadeiramente execráveis. Ah, Brasil… (C.N.)

Melhor código de ética para o STF é apenas “tomar vergonha na cara”

STF PERDEU A CONFIANÇA DO POVO BRASILEIRO E NECESSITA FAZER UMA AUTOCRÍTICA  - Cariri é Isso

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Tenho especial admiração por historiadores. São importantíssimos, porque nos ensinam a olhar para trás e depois enxergar para frente. Um dos destaques é o britânico Kenneth Clark (1903-1983), cuja cultura e dedicação à arte encantaram o rei George V e depois a rainha Elizabeth II, que o transformou em lorde e, depois, em barão.

Clark atravessou as duas guerras mundiais e  ajudou a salvar dos bombardeios nazistas a coleção de arte britânica, escondendo as obras em cavernas nas montanhas galesas. Escreveu dezenas de livros influentes, entre eles, “Civilização”, que a BBC transformou em magnifica série na TV, apresentada pelo próprio historiador, exibida no Brasil pela TV Educativa criada por Gilson Amado.

CIVILIZAÇÃO? – Kenneth Clark foi um ácido crítico do atrasado estágio de desenvolvimento cultural e social que a humanidade atravessava em sua época e ainda atravessa hoje.

“Civilização? Nunca conheci nenhuma, mas sei bem o que significa. Tenho certeza de que, se algum encontrar uma verdadeira civilização, saberei reconhecê-la” – dizia Clark, explorando seu humor britânico.

O grande historiador tinha razão. No mundo inteiro, ainda não existe uma adequada civilização. Vejam o caso do Brasil. Não é de hoje que os três poderes da República precisam de uma faxina rigorosa. As sem-vergonhices vêm de longe, desde nosso passado colonial existe uma carência crônica de espirito público, eficiência e honestidade. O país ainda está longe, mais muito longe mesmo, de ser considerado uma civilização.

CÓDIGO DE ÉTICA – Em meio ao fragoroso desmoronamento do Supremo, que supostamente seria o grande guardião da conduta, da moral e do espírito público do país, surge a Ordem dos Advogados do Brasil, pela Seccional de São Paulo, e propõe um código de ética ao STF.

É mais uma Piada do Ano, que poderia até ser considerada Piada do Século, porque todas as restrições que a OAB-SP propõe, podem acreditar, já estão em vigor e algumas delas são até repetitivas, pois constam em mais de uma lei.

Um exemplo é a suspeição e o impedimento de magistrados e outros operadores da lei, medidas que são previstas em diferentes normas legais, mas foram “reinterpretadas” pelos criativos ministros do STF

PARECE COMÉDIA – Ao assistir a essa comédia, somos obrigados a lembrar um grande historiador brasileiro, Capistrano de Abreu (1853-1927), considerado o maior especialista em época colonial.

Era um intelectual muito influente, com grandes obras e ensaios publicados, mas não aceitava homenagens, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras contra sua vontade, e se recusou a tomar posse.

Nascido em Maranguape, no Ceará, que ficou conhecida como a terra natal de Chico Anysio, também Capistrano de Abreu tinha uma veia humorística e ficou famoso pela proposta de uma Constituição de apenas dois dispositivos: “Artigo 1º – Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara”; e “Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário”.

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P.S.– Quase 100 anos após a morte do historiador, nada mudou no Brasil. Por isso, continua a ser recomendável que o Supremo Tribunal Federal, ao invés de adotar um falso código de ética, simplesmente obedeça aos ditames da Constituição proposta por Capistrano de Abreu, que se mantém cada vez mais atual. (C.N.)

Disputa por sucessão de Bolsonaro aprofunda rachas entre líderes evangélicos

Briga entre Malafaia, Damares e Valadão escancara divisões

Anna Virginia Balloussier
Folha

O pastor Silas Malafaia acusou Damares Alves (Republicanos-DF) de ser “leviana linguaruda” ao falar em “grandes igrejas” envolvidas nas “falcatruas” investigadas pela CPMI do INSS, sem dar nome aos bois.

Ato contínuo, a senadora divulgou igrejas e pastores na mira da comissão e retrucou que faria bem a Malafaia “orar um pouco”. O pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, foi citado por Damares e não deixou barato. Em vídeo, maldiz “a fofoca nessa língua do capeta” e afirma ser “inadmissível você falar da igreja do outro”.

DIVERGÊNCIAS – A troca de farpas pública entre o trio evangélico extrapolou a rixa pessoal e virou sintoma de algo maior. Divergências se repetem em outros flancos, da indicação do batista Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) às articulações para este ano eleitoral.

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dá pistas de uma cúpula menos alinhada do que em ciclos eleitorais passados. É verdade que, em 2018, a disputa começou com muitos desses pastores de peso nacional endossando Geraldo Alckmin, então no PSDB e tido como alternativa à direita.

Mas, conforme o primeiro turno ia chegando, mais e mais líderes pularam na canoa bolsonarista. O segundo turno com Fernando Haddad (PT) selou de vez a predileção por Jair Bolsonaro (PL). O apoio da maioria dos pastores se repetiu em 2022.

PREFERÊNCIA – O primogênito de Jair ainda não entusiasmou peixões do evangelicalismo brasileiro. A maior parte prefere o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) na chapa, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) de vice. Malafaia já declarou achar Flávio fraco eleitoralmente. “Eu disse a ele: não sou covarde, você não tem musculatura.” Damares pegou a outra via: declarou apoio ao 01 de Bolsonaro e prometeu se empenhar para levar evangélicos à campanha.

O deputado Marco Feliciano (PL-SP) postou um conselho a Flávio: “Sente com o pastor Silas”, a “voz política mais relevante da nação”, e escute o que ele tem a dizer. À Folha ele diz ver “pontos isolados de discussão”, mas uma trupe “mais unida do que nunca”.

Pastores com trânsito político admitem que, se Bolsonaro insistir no filho, Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo, e aí restará o “se não tem tu, vai tu mesmo”. O bispo Robson Rodovalho, que dará “assistência religiosa” para o ex-presidente aprisionado, diz que conversará com Flávio nos próximos dias. “Não podemos nos dividir. A direita tem que entrar junta.”

DESUNIÃO – Não tem andado junta, no entanto, em muitos assuntos que devem atravessar a corrida eleitoral. A escolha do presidente Lula (PT) por seu advogado-geral da União para o Supremo provocou cizânia nesse núcleo evangélico.

O senador Magno Malta (PL-ES) é um que repele a hipótese. Ele escreveu um artigo no Pleno News, portal evangélico, desancando a nomeação. “E agora começou essa história de ‘ah, mas o Messias é evangélico’. Ora, por favor. Identidade religiosa não é salvo-conduto ético. O povo de fé tem discernimento. Sabe distinguir convicção de conveniência. Em Messias, tudo cheira a conveniência.”

O posicionamento contrasta com o de outros líderes que foram a público defender o AGU. O bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, chegou a publicar foto entre Lula e seu indicado. Na legenda: “Jorge Messias, Deus é contigo”.

EX-BOLSONARISTA – Outro pastor que se aproximou do governo foi Otoni de Paula (MDB-RJ). Ex-bolsonarista e de direita, segundo o próprio, o deputado federal orou em mais de uma ocasião por Lula e, em debate na terça (20), definiu Malafaia como um camarada “com poucos amigos e muitos reféns”. Sugeria que o pastor intimidava colegas, acuados para contrariá-lo abertamente.

Desavenças entre aliados evangélicos sempre aconteceram, mas sem tanto ruído. O que 2026 vem mostrando é uma turma menos unida. Eles apostam que, na hora do vamos ver, todos estarão juntos, mas por ora os atritos têm se tridimensionalizado. E pior: de forma bem pública.

Pegou particularmente mal o bate-boca entre Damares, Malafaia e Valadão, na esteira do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, arrastados para a CPMI do INSS. Damares começou, dizendo haver igrejas e pastores, sem nomeá-los, implicados no esquema. Malafaia a cobrou por jogar uma névoa jogada sobre todo o segmento.

REAÇÃO – Valadão, por sua vez, reagiu após a senadora esclarecer de quem estava falando —no caso, dele e de Fabiano Zettel, entre outros. Zettel é cunhado de Vorcaro e atuava como pastor na Lagoinha. Foi afastado. Nas coxias evangélicas, há quem veja a denúncia de Damares como um “saneamento” do campo. Outros acusam os personagens da trama de fomentar um fogo amigo que divide a igreja e enfraquece a direita.

André Ítalo Rocha, autor de “A Bancada da Bíblia: Uma História de Conversões Políticas”, lembra que a briga entre Damares e Malafaia é antiga. “O atrito começou em 2018, depois da eleição de Bolsonaro.”

O pastor apoiou Magno Malta para liderar o recém-criado Ministério da Família, mas a vaga acabou ficando com Damares, uma ex-assessora de Malta. “O movimento foi interpretado como uma traição.”

Caiado avalia sair do União após veto velado à sua candidatura ao Planalto

Toffoli deu “presente” a Moraes, mas também ganhou “presente” de Gonet

Tá esquisito isso, hein, Toffoli? Hein, Xandão?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Andreazza
Estadão

O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo.

A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.

FUTURAS NULIDADES – Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master.

As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.

A operação teve como objeto a atividade de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e outrora sócio dos irmãos de Dias Toffoli no hotel. Sócio por meio de fundos que compunham a rede fraudulenta forjadora de liquidez para o Master.

AMIGO DO AMIGO – O sigiloso Dias Toffoli deu um presente ao confrade Moraes. Não terá sido a primeira vez: o Direito Xandônico é produto do inquérito censor criado pelo “amigo do amigo do meu pai” em 2019.

O presente da vez, involuntário, consiste num tal protagonismo – protagonismo da família-empresa Toffoli – capaz de fazer desaparecer o contrato milionário do Master com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre.

Xandão, diga-se, nada fez para sair de cena. Ao contrário, abriu inquérito (de ofício e sigiloso, conforme seu padrão) em que manda apurar se Receita e Coaf vazaram dados de ministros. Claro – você sabe – que não pretendeu intimidar.

PARENTE ADVOGANDO… – Tampouco pretendeu intimidar o ministro do Supremo plantador no noticiário de que o presidente do tribunal tem parente advogando em corte superior. A intenção – claro – não foi constranger; antes evidenciar a complexidade própria à Constituição do tal código de conduta. A filha de Fachin atua no STJ.

O distribuidor Dias Toffoli não ficaria sem presente para si. Deu-lhe um o próprio Fachin, segundo o qual há quem queira “desmoralizar o STF” e “destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder”.

O agente é indeterminado, entre os suspeitos estando a imprensa. Jamais o colega viajante em jatinhos privados. Tudo regular.

UM PRESENTAÇO – A PGR, agência ratificadora do Supremo, que chancela até as providências que os ministros tomam contra as prerrogativas do Ministério Público Federal, também presenteou Dias Toffoli. O procurador Paulo Gonet, em defesa sempre da democracia, deu um vale – vale tudo – para o relator do caso Master, assim como já dera a Xandão. Tudo regular.

Presenteado e presenteador, Vorcaro declarou em depoimento que o erguimento de sua pirâmide fiada no Fundo Garantidor de Crédito obedeceu “a regra do jogo”. Todos esses jogam com a regra debaixo do braço.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Após Carlos Andreazza escrever esta verdade aula de ironia, apareceu Gilmar Mendes (ele, sempre ele…) e também deu um belo “presente” a Toffoli, ao destacar que o relator do Caso Master “respeita o devido processo legal”. Como já estava na minha hora de vomitar, mandei busca o barril. (C.N.)

Crise do Banco Master antecipou saída de Lewandowski do governo Lula

Caso Master: Fachin fala em agir “doa a quem doer” e defende resposta institucional do STF

Tarcísio descarta candidatura presidencial e reforça aposta de Bolsonaro em Flávio

Tarcísio diz que terá ‘papo de amigo’ com Bolsonaro

Samuel Lima
O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 27, que terá um “papo de amigo” com Jair Bolsonaro daqui a dois dias, em visita marcada em sua cela na chamada “Papudinha”, em Brasília, e que recusaria um convite para concorrer a presidente, mesmo diante de um apelo do padrinho político.

“Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim”, declarou o político em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele foi à cidade para um encontro na fábrica da Toyota.

FICAR EM SÃO PAULO – “Na última visita que eu fiz ao Bolsonaro, quando ele ainda estava em prisão domiciliar, antes do regime fechado, ele me disse: ‘E aí, Tarcísio, eleição presidencial, qual é a sua posição?’. Eu disse: ‘A minha posição é ficar em São Paulo’. Eu fui muito contundente, muito claro com ele em relação a isso, porque também eu precisava manter uma linha de coerência”, relatou o governador.

Tarcísio alegou ainda que não teve uma discussão acalorada com Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro escolhido pelo pai para representá-lo nas urnas contra o presidente Lula (PT), frustrando parte do empresariado e líderes do Centrão. Demonstrou incômodo nesse ponto, atribuindo as informações a mentiras que circulam nos bastidores.

PROJETO – “Não estou frustrado, não. Nem vou falar isso na quinta-feira para o Bolsonaro, até porque isso não existe”, afirmou ele, em outro trecho da entrevista. “Eu sempre disse que o meu projeto para São Paulo é de longo prazo. Alguns que passaram e pensaram logo na candidatura presidencial deixaram cicatrizes, feridas abertas. Não quero decepcionar ninguém”, afirmou.

Tarcísio falou também sobre os motivos que levaram Bolsonaro a optar pelo filho no pleito: “Uma pessoa da família traz para ele uma confiança, e eu vou estar com ele nessa caminhada. Na visita que eu vou fazer, o meu papo vai ser um papo de amigo. Vou falar de amenidades, perguntar se ele está precisando de alguma coisa, falar da solidariedade e do carinho que eu tenho por ele e do que a gente está fazendo aqui fora para tentar ajudá-lo. Sem entrar muito nessa questão. Não costumo falar de eleição, de política com ele. Procuro sempre mostrar que estou do seu lado”, finalizou.

Relembre “Modinha”, uma inesquecível canção de amor de Sérgio Bittencourt

Sérgio Bittencourt - LETRAS.MUS.BR

Sérgio Bittencourt, grande compositor

Paulo Peres
Poemas& Canções

O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) revela, na letra de “Modinha”, o seu lírico e belíssimo sonho. Esta música foi vencedora do festival “O Brasil Canta no Rio”, em 1968, interpretada e, posteriormente, gravada por Taiguara.

MODINHA
Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela,
sonho um sonho pequenino…
Se eu pudesse ser menino
eu roubava essa rosa
e ofertava, todo prosa,
à primeira namorada,
e nesse pouco ou quase nada
eu dizia o meu amor,
o meu amor…

Olho o sol findando lento,
sonho um sonho de adulto…
Minha voz, na voz do vento,
indo em busca do teu vulto,
e o meu verso em pedaços,
só querendo o teu perdão…
Eu me perco nos teus passos
e me encontro na canção…

Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
(Eu vou morrer de muito amor)

Caso Master sai do controle do relator e ameaça contaminar todo o STF

Irritado com Toffoli, Lula vê risco de desgaste ao STF no caso Banco Master

STF tenta pôr ordem nas emendas estaduais e no controle de verbas públicas

Iniciativa responde à expansão descontrolada de emendas

Pedro do Coutto

O Supremo Tribunal Federal marcou para julgamento uma série de ações que tratam da constitucionalidade e dos limites das emendas parlamentares estaduais e municipais, em um movimento que visa pacificar e uniformizar as regras sobre a alocação e o controle de recursos públicos em todo o Brasil.

A iniciativa, que ganha destaque no cenário jurídico e político, responde ao que muitos analistas definem como uma expansão descontrolada dessas emendas — mecanismo pelo qual parlamentares podem indicar diretamente gastos orçamentários, frequentemente associado a práticas de “orçamento secreto” — e a uma crescente preocupação com a transparência, rastreabilidade e conformidade constitucional desses instrumentos.

ADPF – No centro da discussão está a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, relatada no STF pelo ministro Flávio Dino, que impõe a estados, Distrito Federal e municípios a obrigação de adotar o modelo federal de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares, equiparando-os ao padrão exigido para os recursos federais.

Essa determinação decorre de decisões anteriores da Corte que consideraram inconstitucional a manutenção de mecanismos opacos de alocação de verbas públicas, notadamente as chamadas emendas de relator e práticas associadas ao “orçamento secreto”, que vinham sendo usadas para direcionar bilhões de reais sem identificação clara dos parlamentares responsáveis ou critérios objetivos de distribuição.

O julgamento, portanto, não se restringe a uma questão técnica do direito financeiro, mas representa um verdadeiro teste institucional para o STF: até que ponto a Corte pode exigir conformidade constitucional em um campo tradicionalmente reservado à autonomia legislativa?

IMPLICAÇÕES – E como equilibrar o poder de iniciativa orçamentária do Congresso com os princípios constitucionais da legalidade, publicidade, moralidade e eficiência na utilização do dinheiro público? A resposta a essas perguntas terá implicações profundas sobre a governança fiscal brasileira, sobre o papel dos Tribunais de Contas na fiscalização das contas públicas e sobre a própria relação entre os Poderes da República.

Para além da discussão teórica, o caso tem consequências práticas imediatas: a execução de emendas parlamentares em 2026 — que envolvem uma parcela significativa dos orçamentos estaduais e municipais — estará subordinada às regras que o STF venha a consolidar, sob pena de bloqueio de repasses ou questionamentos jurídicos.

Esse marco põe à prova não apenas a jurisprudência da Corte sobre a transparência fiscal, mas também a capacidade do Estado brasileiro de superar práticas de clientelismo e dar efetividade aos princípios constitucionais que regem o orçamento público.

Tudo por dinheiro! Até Lewandowski também mamava nas tetas do Master

Banco Master pagou mais de R$ 6 mi a escritório de Lewandowski

Toffoli recebeu mais de R$ 5 milhões do Banco Master

Carolina Juliano
UOL

O escritório de advocacia da família de Ricardo Lewandowski foi contratado pelo Banco Master de 2023 a agosto de 2025, período em que o ministro ainda estava no Supremo Tribunal Federal e depois assumiu o comando do Ministério da Justiça do governo Lula. Lewandowski ficou na pasta, à qual a Polícia Federal é subordinada, entre 1º de fevereiro de 2024 e 9 de janeiro deste ano.

Segundo informações confirmadas pela Folha de S.Paulo, o contrato para consultoria jurídica do banco tinha o valor de R$ 250 mil mensais. A assessoria do ex-ministro afirma que ele se retirou da firma antes de assumir o cargo no governo, mas sua mulher e seu filho continuaram prestando serviços ao banco de Vorcaro até agosto do ano passado.

Como se sabe, o Master também contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, por R$ 3,6 milhões mensais, para auxiliar na defesa dos interesses da instituição, como revelou coluna do jornal O Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O banqueiro fraudador Daniel Vorcaro pode ser acusado de muitos crimes, mas não há dúvida de que não era pão-duro e gostava de distribuir os lucros com eminentes figuras do Supremo e do governo. Mas o dinheiro foi jogado fora, porque no Brasil ainda há autoridades que não se vendem, embora o cheiro da podridão aumente cada vez mais. E a novela está apenas começando. Comprem pipocas. (C.N.)

Sem padrinhos de peso, Flávio tenta redesenhar imagem para 2026

Flávio enfrenta impasse na busca por marqueteiro

Luísa Marzullo
O Globo

Sem o apoio explícito de nomes relevantes da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta na largada da pré-campanha dificuldades para diminuir sua rejeição, reduzir resistências fora do núcleo bolsonarista, além de conviver com a sombra do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), tratado por setores do campo conservador como alternativa mais competitiva ao Palácio do Planalto.

Por isso, interlocutores veem como essencial ampliar o leque de apoios e construir uma imagem que extravase o bolsonarismo raiz, o que impulsionou a busca por marqueteiro. O senador tem conversado com diferentes profissionais do mercado em busca de alguém capaz de organizar a estratégia, dar consistência à comunicação e oferecer um roteiro para 2026.

TOM MODERADO – Nas conversas, a demanda central é por um nome que consiga “colar” a imagem do senador na figura do pai, mas ao mesmo tempo dar um tom mais moderado e individual. A avaliação é que a campanha precisará sair do tom reativo e de pautas identitárias para construir atributos presidenciais — agenda econômica, discurso institucional e capacidade de diálogo. Há também pressão para profissionalizar a produção de conteúdo e integrar melhor redes, imprensa e agenda territorial, pontos vistos como falhas recorrentes nas campanhas anteriores do campo bolsonarista.

Um dos desafios para tornar o nome competitivo é reduzir a rejeição. A pesquisa Genial/Quaest mais recente sobre o cenário eleitoral de 2026 mostra queda na rejeição ao nome de Flávio, que passou de 60% para 55%, mas o patamar ainda é alto e superior ao de Tarcísio, com 43%.

Em meio à pré-campanha, o publicitário Daniel Braga, próximo ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que foi alçado a coordenador, começou a auxiliar Flávio em conteúdos para as redes sociais. A avaliação, contudo, é que ele não deve ser o estrategista. Outro nome lembrado foi o de Duda Lima, marqueteiro do PL. A hipótese, no entanto, é vista como improvável diante do desgaste após a campanha de Ricardo Nunes em 2024.

ESTRUTURA DIGITAL  – Além disso, interlocutores do partido reconhecem que a estrutura digital de Flávio está longe do alcance que Jair Bolsonaro construiu ao longo dos anos, embora o senador tenha ampliado seguidores desde que passou a ser tratado como presidenciável.

Sem postar nas redes desde julho, Jair Bolsonaro mantém 27 milhões de seguidores em seu perfil no Instagram. Flávio, por sua vez, tem 8,3 milhões, cerca de 30% do pai. Isso reforça a avaliação interna de que apenas a força orgânica do bolsonarismo não será suficiente para sustentar uma campanha nacional.

NORDESTE – Fora da publicidade, há o desafio de avançar eleitoralmente em áreas onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é forte, caso do Nordeste. No centro dessas articulações aparece novamente Rogério Marinho. Nordestino, ele é próximo da família Bolsonaro e, por isso, tido como capaz de costurar apoios na região.

Marinho afirma que o partido trabalha com a meta é ampliar vantagem onde Bolsonaro venceu e reduzir a diferença no Nordeste, onde há maior preocupação em Pernambuco, Ceará, Alagoas, Maranhão e Bahia. “Cada região vai ter uma estratégia. Nas outras quatro regiões onde o Bolsonaro venceu, a ideia é ampliar essa distância”, disse.

Em 2022, Lula venceu em todos os nove estados do Nordeste, sendo a única grande região em que superou Jair Bolsonaro no segundo turno, com cerca de 69,3% dos votos válidos na região ante 30,6% de Bolsonaro, participação que foi crucial para sua vitória nacional.

PALANQUES – Nacionalmente, Lula obteve 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Bolsonaro, uma diferença apertada de cerca de 1,8 ponto percentual na soma dos votos de todo o país. No Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, Bolsonaro venceu, o que ajudou a estreitar o resultado, mas não foi suficiente para derrotar o impacto eleitoral do Nordeste. Para isso, palanques fortes nos país são essenciais. Segundo Marinho, contudo, ainda há tensões em cerca de dez estados, incluindo Minas, Rio e Goiás.

Além disso, um pano de fundo envolve a movimentação de Michelle Bolsonaro: segundo aliados, ela atua para reabilitar Tarcísio para a disputa presidencial, a partir da eventual ida de Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar. Dirigentes do PL afirmam que, primeiro, Flávio precisa angariar o apoio da madrasta, que ainda teria preferência por uma candidatura do governador, que por sua vez se diz candidato à reeleição.

TRANSIÇÃO – Aliados reconhecem que Flávio ainda precisa convencer o próprio campo de que tem capacidade de liderar a transição após a prisão e a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governador tem dito que é candidato à reeleição, mas recuou da visita que faria ao ex-presidente na semana passada, depois de Flávio afirmar que o pai diria a ele que as eleições nacionais estavam fora de cogitação. Tarcísio é tratado como alternativa mais viável por setores do empresariado e do Centrão.

Divulgação de conversa entre Lula e Toffoli é mais um vexame para o Supremo

As contradições da relação de Dias Toffoli com Lula e o petismo - PlatôBR

Lula recebeu Toffoli “sigilosamente” na Granja do Torto

Vera Magalhães
O Globo

Causou perplexidade entre alguns ministros do Supremo Tribunal Federal o fato de a conversa entre Lula e o ministro Dias Toffoli ter vindo a público. A informação foi dada em primeira mão pela coluna Lauro Jardim, que relatou o encontro que os dois tiveram fora da agenda, na Granja do Torto.

A avaliação de alguns ministros é a de que, ao permitir que a conversa fosse conhecida, o presidente estaria ajudando a manter o STF no olho do furacão neste início de ano, reforçando a percepção de que a crise do Master passa ao largo do governo — mantra entoado por dez entre dez auxiliares do petista com quem se converse, aliás.

FORA DA CRISE – Até o meio da semana passada, o governo vinha tentando passar ao largo da crise do Master. O tom mudou levemente depois de o próprio Lula mencionar o escândalo durante visita a Maceió, na sexta-feira, quando disse ser falta de vergonha na cara defender a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro.

No Executivo, a percepção é que este é um escândalo que desgasta sobretudo a ala do Centrão que vinha fazendo mais carga para se afastar do governo e de Lula nas eleições.

O freio dado por União e PP no ímpeto de deixar o governo a qualquer custo, no fim do ano, é atribuído em parte à eclosão da fraude do Master e em parte à escolha de Flávio Bolsonaro como candidato a presidente pela direita, o que frustrou uma torcida em prol de Tarcísio de Freitas.

HÁ UM RISCO – Por tudo isso, no STF e no Congresso prevalece a percepção de que não é tão ruim assim que os demais Poderes permaneçam nesse noticiário negativo enquanto outros mais sensíveis para a administração petista, como o do INSS, tiram uma espécie de férias.

Ministros da Corte só ponderam o risco de o governo assumir uma postura de deixar que o STF se queime sozinho.

Lembram da importância que o Judiciário teve no enfrentamento ao 8 de Janeiro e à trama golpista, e ponderam a dificuldade que Lula vem enfrentando para emplacar seu mais recente indicado ao Supremo, Jorge Messias, cujo rito de sabatina teve de ser suspenso por insegurança quanto à sua viabilidade no Senado.

“Pirâmide” do Master/Will vai prejudicar mais investidores do que se pensava

Vulcão Master entra em erupção e expele corrupção da República - O Hoje

Charge do Takeshi Gondo (O Hoje)

Carlos Newton

O caso do Banco Master e das sete instituições financeiras que funcionavam como penduricalhos nesses golpes aplicados na praça, como se dizia antigamente, é muito mais complicado do que parece. Por exemplo, rentistas que aplicaram simultaneamente no Master, no Will ou no LetsBank vão amargar um prejuízo maior, em relação aos que investiram numa só das instituições do fraudador Daniel Vorcaro.

Motivo: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) só devolve dinheiro aplicado em Poupança, Certificados de Depósito Bancário (CDB) e de Recebíveis (RDB). Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), Letras de Câmbio (LC) e Letras Hipotecárias (LH). E o teto para devolução é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

TETO IMEXÍVEL Assim, pelas regras do Fundo Garantidor de Crédito,  quando se trata de passivos das instituições financeiras do mesmo grupo, o teto permanece em R$ 250 mil, porque o total que vale é um só, segundo o CPF ou CNPJ.

Isso significa que, ao aplicar simultaneamente em dois ou três bancos do grupo, o investidor perderá tudo que exceder ao teto de R$ 250 mil. E os que aplicaram nos diversos fundos criados por Vorcaro não receberão nada.

O Banco Central informa que o Will mantinha R$ 6,3 bilhões em depósitos a prazo. A maior parte em CDBs, porque o golpe era justamente oferecer juros muito acima do mercado, para atrair rentistas, fazer caixa e sair criando fundos fraudados que se realimentariam, numa pirâmide que conseguiria ser bem resistente, supunham Vorcaro e seus cúmplices.

BAITA PREJUÍZO – Assim, a derrocada do conglomerado aumenta os prejuízos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já está ameaçado de desembolsar mais de R$ 50 bilhões relativos ao Banco Master.

Portanto, chega a ser ridícula a intenção do  novo presidente do Banco Regional de Brasília, Nelsom Antônio de Souza, que pretende pedir um empréstimo de R$ 2,6 bilhões ao Fundo, que já está se exaurindo com as fraudes que começaram quando Roberto Campos Neto comandava o Banco Central.

Aliás, é mais acertado culpar as duas gestões que falharam na fiscalização, porque o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, também ficou mais imóvel do que a estátua da Vênus de Milo.

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P.S. – É bom lembrar que Roberto Campos Neto é aquele presidente do Banco Central que não acreditava no próprio trabalho e investia sua fortuna no exterior, imitando o então ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que também adorava um paraíso fiscal e tinha até se escondido da Polícia Federal para não prestar depoimento num inquérito que apurava fraudes de sua corretora. Muita gente não lembra, por isso recordar é viver, como diz a marchinha carnavalesca que os mais velho não esquecem. (C.N.)

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