Tarcísio desiste de visitar Bolsonaro, para ter uma conversa definitiva sobre a eleição

Tribuna da Internet | Centrão, agro e evangélicos resistem a Flávio Bolsonaro e Tarcísio avança

Charge do J.Caesar (Veja)

Vicente Limongi Netto

 

A criatura Tarcísio de Freitas voltaria nesta quinta-feira a visitar ao criador Jair Bolsonaro. Agora na nova casa do ex-presidente, condenado e preso na confortável Papudinha. A visita do governador era para cuidar da própria vida. Sair das amarras de Bolsonaro.
O  governador ia perguntar se a candidatura do filho,  Flávio Bolsonaro, abençoada pelo pai, é mesmo para valer. Bolsonaro então ia querer saber se o governador do Estado mais poderoso do Brasil gostaria de abraçar a candidatura de Flávio como candidato a vice-presidente.
SEM ARRISCAR – Estaria formada, então, a dobradinha PL/Republicanos? Claro que não. Tarcísio agradeceria mas prefere não arriscar, já que poderá se reeleger, sem atropelos, governador de São Paulo. Mas estará com Flávio, em todos as  futuras projeções. 
Tarcísio não aceitará o convite do ex-presidente, mesmo se passasse e ser cabeça de chapa, com Flávio de vice. Tarcísio não trocará o certo (reeleição para governador) pelo duvidoso (candidato a vice com Flávio).
O senador, já animado com a candidatura, poderá tentar para vice, os governadores Ratinho Júnior (PSD) ou Zema (Novo).  Será que aceitariam?

Família de Vorcaro criou projeto que inflou fundos do Master ilegalmente

Ataque ao patrimônio. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (19). #meio #newsletter #charge #bancomaster

Charge do João Spacca (Arquivo Google)

André Borges, Adriana Fernandes e Lucas Marchesini
Folha

A família de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master acusado de orquestrar um esquema fraudulento envolvendo fundos de investimento, é a investidora de um projeto bilionário de créditos de carbono realizado sobre terras públicas e baseado em valores inflados, sem lastro na realidade do mercado.

Documentos obtidos pela Folha apontam que os Vorcaro estão envolvidos desde a origem no plano de explorar esses créditos em uma área da Amazônia, por meio da alavancagem financeira realizada com fundos da administradora Reag.

COMO FUNCIONA – Créditos de carbono são certificados que empresas podem comprar para compensar suas emissões de carbono. Projetos de restauração florestal e energia limpa, por exemplo, geram créditos conforme a quantidade de gases evitados ou removidos da atmosfera, que podem ser repassados.

Dois fundos sob gestão da Reag tiveram seu patrimônio reavaliado porque duas empresas das quais eles eram acionistas foram turbinadas em mais de R$ 45,5 bilhões com a geração de carbono advinda de uma área pública da União na Amazônia, o que é irregular. Isso transforma o caso em um dos maiores escândalos do setor.

O elo entre o projeto irregular de carbono e a família Vorcaro se dá por meio de uma empresa chamada Alliance Participações, conforme contratos e laudos aos quais a reportagem teve acesso.

SOCIEDADE FAMILIAR – A Alliance, uma sociedade anônima fechada, é controlada por Henrique Moura Vorcaro, que ocupa a cadeira de presidente, e Natália Bueno Vorcaro Zettel, diretora da empresa e mulher de Fabiano Zettel, alvo de operação na semana passada. Tratam-se do pai e da irmã de Daniel Vorcaro, que sempre negou participação no negócio de carbono na região.

Em agosto de 2022, um Contrato de Opção de Compra e Venda foi assinado entre a Alliance, o fazendeiro Marco Antônio de Melo, que aparece como dono da terra, e José Antônio Ramos Bittencourt, que atuou como mediador da transação comercial.

Com o acordo, a Alliance passou a ser dona majoritária das unidades de carbono associadas à Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM), com 80% do que seria produzido, enquanto Bittencourt ficou com 20%. O passo seguinte foi estruturar a engrenagem dos fundos da Reag que assumiriam o projeto.

COTAS DE FUNDOS – Em 2023, com o acordo formalizado, as operações transformam as 168,872 milhões de unidades de estoque de carbono estimadas no território da Fazenda Floresta Amazônica em cotas de fundos. Neste acerto, o intermediário do negócio, José Antônio Ramos Bittencourt, recebeu cotas de dois fundos da Reag como pagamento, ficando com 2,5% do New Jade 2 e 7,5% do Biguaçu.

O arranjo financeiro passou a incluir, ainda, a possibilidade de negociações com tokens de carbono (um tipo de “vale digital” de carbono, um registro certificado usado para tentar transformar uma promessa de crédito ambiental em ativo financeiro) e outros ativos como forma de quitação.

O contrato prevê que o fazendeiro Marco Antônio de Melo seria remunerado por cotas e tokens, mas não detalha os percentuais ou fundos usados para remunerá-lo.

CARBONO VOADOR – Este carbono da Alliance, empresa que agora se sabe pertence à família Vorcaro, foi parar na Global Carbon e na Golden Green, duas companhias da teia que inflaram o patrimônio dos fundos de investimentos sob gestão da Reag.

Os fundos foram usados, segundo os investigadores, para desviar dinheiro do Master e para retroalimentar a ciranda financeira, ampliando o patrimônio do banco, o que permitiu à instituição financeira seguir vendendo CDBs no mercado.

No caso do negócio envolvendo créditos de carbono, a complexidade da trama vai além da sucessão de fundos para inflar patrimônio. O que está por trás da valorização explosiva de empresas que, de uma hora para a outra, passaram a valer dezenas de bilhões de reais, diz respeito à própria natureza do que seria supostamente negociado.

SEM CERTIFICAÇÃO – Enquanto o crédito de carbono tradicional depende de certificação reconhecida e redução comprovada de emissões, as tais unidades de estoque tratadas no contrato e medidas pela Unesp são descritas como estimativas, sem referência de mercado transparente ou preço público. Ainda assim, foram usadas como base para estruturar os fundos e reorganizações que sustentaram a narrativa de um ativo bilionário.

Como mostrou a Folha, as duas empresas controladas por fundos da Reag, a Golden Green e a Global Carbon, passaram a valer R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, respectivamente, mesmo sem vender um único crédito.

Esses R$ 45,5 bilhões não eram dinheiro vivo, não podiam ser sacados por seus cotistas, mas ajudavam a inflar um patrimônio financeiro fictício que poderia turbinar empréstimos e fazer girar a ciranda dos negócios atrelados às suas cadeias de fundos.

ÁREA DA UNIÃO – A própria terra e a floresta que dariam origem a esses créditos sempre estiveram enroladas com papéis e registros cartoriais que comprovam que se trata de uma área da União, impedida de ser negociada por terceiros e destinada à reforma agrária.

Nada disso, porém, teria impedido que auditorias chancelassem os negócios, baseados unicamente no patrimônio financeiro informado pelas próprias empresas, sem nenhum tipo de checagem concreta sobre o que, afinal, poderia produzir aqueles créditos.

A Golden Green tem como investidor o fundo Jade; e a Global Carbon, o New Jade 2, ambos administrados pela Reag e investigados desde a Operação Carbono Oculto, que apura a suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. O New Jade 2 está na ponta de uma cadeia de controle de fundos que se inicia no Hans 95, um dos seis apontados como fraudulentos pelo Banco Central no caso Master, conforme mostrou a Folha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima matéria da Folha, que indica falhas grotescas na fiscalização que deveria ter sido feita pelo Banco Central, desde a época de Roberto Campos Neto, aquele economista que presidiu o BC mas não acreditava no próprio trabalho, porque mantinha sua fortuna no exterior, como também fazia Paulo Guedes, o então ministro da Fazenda. Ah, Brasil, você não merece essa gentalha… (C.N.)

Decisão anterior de Moraes blindava servidor que vazasse corrupção de autoridades

Prefeito de Camboriú chama candidatura de Carlos Bolsonaro em SC de ‘loucura’

Boulos defende investigação “doa a quem doer” no caso Banco Master

O vento no meio das nuvens, na primorosa visão poética de Paulo Peres

Tribuna da Internet | No colo da mãe natureza, Paulo Peres criou versos nas  nuvens do ateliê do vento

Paulo Peres, no estúdio de gravação

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres  inspirou-se na natureza para escrever o poema “Nuvens, Ateliê do Vento”.

NUVENS, ATELIÊ DO VENTO
Paulo Peres

A caneta do vento escreveu
Poemas de Nuvens

O cinzel do vento esculpiu
Mulheres de Nuvens

O pincel do vento pintou
Jardins de Nuvens

A caneta, o cinzel e o pincel
São veios infindos do vento

Qual estro nos astros vagueiam
Raios de sonhos tangentes

Nuvens no céu,
Ateliê do vento,
No colo da mãe natureza 

Polarização entre Lula e Bolsonaro elimina qualquer chance de um Brasil melhor

Charge do Kleber (Correio Braziliense)


Duarte Bertolini

A direita brasileira pós-ditadura, envergonhada, acostumou-se ao papel de coadjuvante no cenário nacional, utilizando-se e sendo utilizada pela sua capilaridade (considerável número de prefeitos e vereadores bem avaliados) como suporte para engrossar fileiras de coligações governamentais, de forma siamesa.

Esta musculatura foi utilizada como moeda de troca para cargos de primeiro e principalmente segundos e demais escalões, menos vistosos e pavonescos, porém muito mais eficientes para a política partidária, sempre ávida de favores, verbas e outros que tais.

CONTRADIÇÃO – Neste cenário, impressiona-me verificar, há décadas, uma aparente contradição. Pelo menos aqui no Sul, normalmente a direita elege bons prefeitos, vinculados a sua comunidade e reconhecidos pelo bom trabalho. Igualmente vereadores e políticos de nível estadual têm forte identificação com suas comunidades e são por elas reconhecidos.

Entretanto parece que em nível nacional, ocorre uma verdadeira lavagem. Deputados e senadores, aparentemente, são tragados por uma máquina de moer propósitos e boas intenções.

São comandados e manipulados por políticos matreiros, velhas e felpudas raposas, que desde tempos imemoriais dominam, com novas roupagens, o cenário nacional e os destinos do Brasil.

UM NOVO LÍDER – Com o surgimento de Bolsonaro, imaginou-se uma quebra destes consolidados paradigmas. Político obscuro, com discurso forte , sem medo de enfrentar o PT e seus temas espinhosos, parecia o nosso rei Ricardo Coração de Leão que nos levaria à redenção em tempos melhores.

Infelizmente, a melhor qualidade de Bolsonaro e seu entorno era o marketing rasteiro, as lives no estilo de Goebbels, o discurso vazio e bravateiro, que infelizmente conquistou boa parte da população e a manteve cativa a seus devaneios.

Obvio que ajudou nesta adesão ao fenômeno Bolsonaro a visceral necessidade de romper com a dominação de décadas da esquerda, com as manipulações e intromissões na vida do cidadão, cada vez mais profundas, feitas pelo PT e seus aliados.

CEGUEIRA COLETIVA – Mas o fato é que a necessidade apregoada de um forte envolvimento para fazer frente à mare vermelha gerou uma cegueira quase coletiva, que se manifestou nas ruas, em acampamentos permanentes diante dos quarteis, com celulares atraindo extraterrestres, orações a pneus, marchas sobre Brasília etc. etc. etc.

Nesta esteira, muitos políticos que já vinham  combatendo os desvarios petistas, muito anteriores a Bolzonaro, ficaram na chamada escolha de Sofia — ou aderiam à corrente ou seriam chamados de “isentões”

Com isso, muitas figuras naufragaram na insensatez. Tenho exemplo doméstico: Marcel Van Haten, que conhecemos desde adolescente (era colega de minha filha) destacou-se pela combatividade, inteligência, bom discurso e polemista afiado, mas nos últimos tempos resvalou para um feroz cão de guarda do mito chorão Bolsonaro.

FUTURO BRILHANTE – Não sei como continua visto por seus eleitorado, mas meu voto ficou comprometido. Deputado mais votado do RS, combativo e lúcido, teria um brilhante futuro pela frente. Agora, mesmo que se eleja senador, ficará com uma cruz marcada na testa, carimbado como bolsonarista radical.

Abriu mão de ser um conservador evoluído para ser um defensor de golpistas, pilantras e outros iguais. Assim, creio que o bolsonarismo e o lulismo/petismo, infelizmente, ainda estão fortes e atuantes e será muito difícil nos livrarmos deles.

Quem tenta se manter equidistante é acusado (pelos mais próximos e não somente pela internet) de ser “isentão”, caso não combata o petismo cerrando fileiras ao deus chorão, ou de “fascista”, se não endeusar os feitos e glórias da esquerda e do sindicalista condenado.

PERSEGUIÇÃO – Esse preconceito está acontecendo contra mim e creio que tanbém contra a grande maioria dos não-fanáticos ou fanatizados.

São tempos difíceis e o horizonte se mostra escuro e tenebroso. Não consigo entender como brasileiros lúcidos não percebem a imensa possibilidade de uma política de centro-direita e ou de centro, para, talvez, cimentar uma caminho um pouco menos sombrio para este pais.

Insistir em venerar Bolsonaro, fraco, chorão, esquivo dos temas mais fortes, interessado somente na criação de uma fidalguia familiar, ou endeusar um Lula, pavão deslumbrado, profundamente comprometido com a corrupção e assalto ao povo, com a manutenção permanente de escravos do poder central, essa polarização é claramente uma renúncia a qualquer futuro razoável.

Caso Tanure chega ao gabinete de Toffoli após juíza reconhecer conexão entre inquéritos

Flávio Bolsonaro entre a vitrine externa e o desafio interno da direita

Flávio tenta consolidar-se como o polo natural da direita

Pedro do Coutto

Ao iniciar sua movimentação eleitoral com uma viagem ao exterior, o senador Flávio Bolsonaro sinalizou que sua estratégia passa, desde cedo, por dois tabuleiros distintos — e igualmente difíceis. De um lado, busca projetar-se fora do país, tentando atrair simpatias, construir pontes políticas e reforçar um discurso de legitimidade internacional. De outro, enfrenta a tarefa bem mais complexa de organizar, dentro de casa, um campo da direita ainda fragmentado e carente de um nome consensual capaz de enfrentar o presidente Lula da Silva em outubro.

O movimento externo não é fortuito. Em disputas presidenciais recentes, a imagem internacional tornou-se um ativo político relevante, especialmente para candidatos identificados com campos ideológicos que sofreram desgaste fora do país. Ao se apresentar no exterior, Flávio tenta ocupar um espaço simbólico: o de liderança nacional capaz de dialogar além das fronteiras, algo que seu grupo político historicamente teve dificuldade de construir. Trata-se menos de conquistar votos diretamente e mais de enviar sinais ao eleitorado interno, ao mercado e às elites políticas de que ele pode ser visto como um candidato viável.

CONCENTRAÇÃO – No plano doméstico, porém, o cenário é mais árido. As forças de esquerda, após anos de dispersão e conflitos internos, encontram-se hoje fortemente concentradas em torno de Lula. O presidente, além de liderar as pesquisas, dispõe da chamada “chave do poder”: a máquina federal, a visibilidade institucional e a capacidade de pautar o debate público. Em eleições presidenciais, essa vantagem costuma pesar — e muito.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta consolidar-se como o polo natural da direita. O cálculo passa pela leitura do tabuleiro estadual. Governadores frequentemente citados como alternativas — Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Romeu Zema e Eduardo Leite — não conseguiram, até agora, demonstrar fôlego eleitoral suficiente para ultrapassá-lo nas simulações de disputa nacional.

FATORES QUE PESAM – Além disso, fatores institucionais pesam: Zema e Leite não podem mais disputar a reeleição em seus estados, o que abre espaço para projetos nacionais, mas não garante, por si só, musculatura eleitoral. Ronaldo Caiado, por outro lado, ainda tem um mandato estadual a defender, o que reduz sua disponibilidade política para uma aventura presidencial imediata.

Nesse contexto, Tarcísio de Freitas surge como uma peça central — ainda que paradoxal. Governador de São Paulo, com forte capital político e bom trânsito entre eleitores conservadores e setores do centro, ele seria, em tese, o nome mais competitivo da direita.

Mas sua decisão de disputar a reeleição no estado esvazia essa possibilidade. Ainda assim, sua candidatura paulista cumpre um papel estratégico para Flávio: ajuda a manter mobilizada a base bolsonarista, reforça o discurso de força regional da direita e cria uma aliança tácita que pode ser explorada até o limite permitido pelo calendário eleitoral.

VOTOS – O problema central permanece: votos. As pesquisas do instituto Quaest mostram uma distância relevante entre Lula e Flávio Bolsonaro, distância que não se supera apenas com articulação política ou viagens simbólicas. Exige ampliação de eleitorado, diálogo com setores fora do núcleo ideológico e a construção de uma narrativa que vá além da herança familiar e da identidade oposicionista.

Flávio tenta, assim, reunir correntes diversas sob um mesmo guarda-chuva, apostando na ausência de um rival claro dentro da direita e na fadiga natural de um governo em exercício. Mas a tarefa está longe de ser simples. Unificar um campo político plural, marcado por lideranças regionais fortes e ambições próprias, exige mais do que coordenação: exige concessões, clareza programática e, sobretudo, tempo — um recurso cada vez mais escasso à medida que outubro se aproxima.

A campanha, portanto, começa sob o signo da resistência. Para Flávio Bolsonaro, o desafio não é apenas enfrentar Lula, mas provar que consegue transformar um espólio político poderoso em maioria eleitoral real. É nesse intervalo entre intenção e viabilidade que se decidirá o seu futuro político — e, talvez, o rumo da direita brasileira nas próximas eleições.

O mistério do descarte de Tarcísio e a aritmética confusa da direita

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Lula e PT vibram com as pesquisas que fortalecem o nome de Flávio Bolsonaro

Lula e a desaprovação que ganhou força | Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Carlos Newton

Hoje, excepcionalmente, vamos mudar de assunto e falar sobre as pesquisas eleitorais. O fato é que esses levantamentos sensacionalistas não têm nem podem ter confiabilidade, mas sempre é possível aproveitar alguns resultados para fazer projeções que estejam dentro da lógica – ou seja, que aparentem estar próximas à realidade.

Como ainda estamos longe das eleições, por enquanto as pesquisas são tremendamente manipuladas, de acordo com o cliente, feitas sob medida para atender a esta ou aquela intenção. 

FORÇANDO A BARRA – Como diria Silvio Santos, é tudo por dinheiro; os chamados institutos precisam pagar as contas e sobreviver, digamos assim. Mas há quem acredite piamente neles, e cada um interpreta os resultados de acordo com o próprio interesse.

Nesta fase, chamam atenção as sucessivas pesquisas indicando que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) está em crescimento e o senador já teria se tornado o único pretendente com chances de enfrentar Lula.

Essa possibilidade vem sendo exaltada, porque é justamente o cenário que interessa ao presidente Lula da Silva e ao PT. Eles estão convictos de que, se a disputa for contra Flávio, os petistas já podem comemorar antecipadamente a vitória.

OUTRAS PESQUISAS – Em meio a esse fantasioso festival, sempre aparecem outras pesquisas indicando exatamente o contrário.

Foi justamente o que acontece com a pesquisa feita pelo Instituto Ideia para o portal Meio, divulgada na semana passada. Para petistas de raiz, com baixa qualificação e poucos neurônios, os resultados parecem a consagração de Lula, que já estaria mais do que reeleito. O atual presidente lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026.

Na pergunta espontânea —em que os entrevistados respondem em quem votariam, sem indicação dos candidatos, Lula aparece com 32% das intenções de voto; o ex-presidente Jair Bolsonaro tem 9,5%, seguido por Flávio (6,6%), Tarcísio (6,1%) e Michelle (3,6%). Os demais ficam abaixo de 2%.

PETISTA DISPARA – Nos outros cinco cenários estimulados de primeiro turno, Lula permanece na frente dos rivais. Contra Tarcísio de Freitas, o petista marca 40,2%, ante 32,7%. Diante de Flávio  (PL), 39,6% a  27,6%.. Na disputa contra Michelle , o petista sobe para 40,1% contra 29,7%.

Sobre a definição do voto para presidente, 64,5% dos entrevistados dizem estar decididos, enquanto 35,5% afirmam o contrário.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

SEGUNDO TURNO – A grande surpresa da pesquisa Ideia/Meio refere-se ao segundo turno, em que há empate técnico entre Lula e Tarcísio, dentro da margem de erro: o presidente tem 44,4%, enquanto o governador de São Paulo soma 42,1%.

Nos demais cenários de segundo turno testados, Lula aparece à frente dos adversários. Ele marca 46% contra 37% de Ratinho Jr. (PSD), 46,3% contra 36,5% de Ronaldo Caiado (União Brasil), 46% contra 39% de Michelle (PL), 46,3% contra 36,1% de Romeu Zema (Novo) e 46,2% contra 36% de Flávio (PL).

Como Tarcísio de Freitas sequer é candidato, suas chances tornam-se muito altas, porque sua rejeição é baixíssima, apenas 16,2%. Quanto a Lula, 40,8% dizem que não votariam nele em nenhuma hipótese, Enquanto Flávio é rejeitado por 30% e Michelle, por 26,1).

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P.S. 1 – Há outras pesquisas que dão Flávio Bolsonaro disparado na segunda posição, mas não se deve dar atenção, por ser o “rival preferido” pelo PT. Com Flávio, a vitória de Lula estaria garantida. Assim, os resultados da pesquisa Ideia seriam mais confiáveis, e indicam que Tarcísio de Freitas pode disparar, caso aceite a candidatura e consiga chegar realmente ao segundo turno. O mano a mano de Tarcísio contra Lula seria apoteótico.

P.S. 2 – Sobre a questao do Supremo, continuamos na esperança de que os advogados do ex-presidente Bolsonaro permaneçam imobilizados pelos truques jurídicos do ministro Alexandre de Moraes e só apresentem recursos após 0 dia 31, quando ele deixa a presidência interina do Supremo e a ação contra Bolsonaro passa a ser julgada na Segunda Turma. (C.N.) 

Europa reagirá com supertarifas contra ameaça de Trump anexar Groenlândia

CRÉDITO: DAVE GRANLUND_CAGLE CARTOONS

Charge de Dave Granlund (Arquivo Google)

Henry Foy e Mercedes Ruehl
Financial Times

Os membros da União Europeia estão considerando impor tarifas no valor de 93 bilhões de euros aos EUA (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir empresas americanas do mercado do bloco em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para assumir o controle da Groenlândia. A medida marca a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.

As medidas de retaliação estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de negociação em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, disseram autoridades envolvidas nos preparativos.

OTAN EM RISCO – Eles estão buscando encontrar um compromisso que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

A lista de tarifas foi preparada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total. Sua reativação foi discutida no domingo pelos 27 embaixadores da União Europeia, juntamente com o chamado instrumento anti-coerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno, enquanto o bloco decide como responder à ameaça do presidente dos EUA com tarifas punitivas.

Trump, que exigiu permissão da Dinamarca para assumir o controle da Groenlândia, prometeu no sábado à noite impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre mercadorias do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a ilha ártica para um exercício militar esta semana.

MÉTODOS MAFIOSOS – “Existem instrumentos claros de retaliação à disposição se isso continuar… [Trump] está usando métodos puramente mafiosos”, disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. “Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele uma oportunidade de recuar.”

A França pediu que o bloco retalie com o ACI, que nunca foi usado desde sua adoção em 2023. A ferramenta inclui restrições de investimento e pode estrangular exportações de serviços como os fornecidos por grandes empresas de tecnologia dos EUA na UE.

Paris e Berlim estão coordenando uma resposta conjunta, com seus respectivos ministros das finanças se preparando para viajar a Bruxelas e participar de um encontro com seus colegas europeus, disse um assessor do ministério francês. “A questão também terá que ser abordada com todos os parceiros do G7 sob a presidência da França”, acrescentou o informante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Donald Trump dá sinais evidentes de descontrole mental. Temos um lunático pilotando o planeta Terra e ninguém tem coragem de colocá-lo numa camisa de força e enchê-lo de sedativos, até ele ficar calminho. (C.N.)

Tofolli manda devolver R$ 26,5 milhões a um gerente corrupto da Petrobras

Tribuna da Internet | Toffoli, o “Amigo do Amigo”, suspende multa bilionária que Odebrecht se ofereceu a pagar

Charge do Kácio (Metrópoles)

Mateus Coutinho e Bruno Luiz
Do UOL

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recorreu de decisão do ministro do STF Dias Toffoli, que em dezembro mandou devolver R$ 26,5 milhões ao ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves, condenado à prisão no âmbito da Operação Lava Jato.

Gonet pediu que decisão sobre devolução do valor seja suspensa por Toffoli. Caso o ressarcimento às contas de Gonçalves já tenha acontecido, o PGR solicitou que o dinheiro seja enviado novamente à Justiça.

Mas a transferência da quantia que estava em conta judicial já foi feita em dezembro. A repatriação para o Brasil dos valores, que envolviam pagamentos de empreiteiras, havia ocorrido em 2020, após cooperação internacional junto a autoridades suíças.

PROVAS ABUNDANTES – No recurso enviado a Toffoli, Gonet afirma que há acervo de provas “robusto” e “coeso” contra o ex-gerente. Entre as provas não anuladas pelo ministro, o procurador-geral cita comunicações das autoridades suíças ao Brasil de que ele mantinha mais de US$ 4 milhões no país europeu, com “nexo direto com desvios de recursos sofridos pela Petrobras.”

Diz ainda que há depoimentos de delações premiadas mostrando que Gonçalves negociou propina em contratos da petroleira.

Diante dos indícios, Gonet defende que o dinheiro não poderia ser devolvido. “Verifica-se, assim, a suficiência do acervo processual para justificar o ajuizamento de ação de ressarcimento por improbidade administrativa e, principalmente, para obstar toda pretensão de restituição em favor do agente público corrompido. A acintosa quantia decorrente dos fatos narrados é fruto de desvios do patrimônio público, sendo a recomposição do erário medida de rigor republicano.”

O desvio sistemático de recursos públicos compromete a implementação de políticas públicas, corrói a confiança institucional, fragiliza a legitimidade dos agentes estatais e destrói a ética que deve reger as relações na sociedade. A repressão à corrupção se projeta como instrumento de defesa da própria ordem democrática, autorizando a atuação concomitante e independente de diversas frentes — penal, civil, administrativa e de improbidade — todas orientadas pela primazia da recomposição integral do dano, tal como se pretende na espécie.

TOFFOLI ANULA TUDO – Em setembro, Toffoli determinou a nulidade de todos os atos no processo do ex-gerente. O ministro atendeu pedido da defesa, que solicitou, para Gonçalves, a extensão de uma decisão do próprio Toffoli anulando provas da Lava Jato contra o advogado Rodrigo Tacla Duran.

Segundo a Folha de S. Paulo, Toffoli argumentou que o caso do ex-gerente tem situação igual à de uma outra ação que já tinha sido anulada anteriormente.

Na época, a condenação de Gonçalves havia transitado em julgado, e ele já havia começado a cumprir a pena. O processo tinha passado por todas as instâncias da Justiça — em 2024, o STF resolveu manter a sentença de 17 anos e nove meses de prisão, com voto favorável de Toffoli.

PETROBRAS REAGE – Com anulação da sentença, a Petrobras pediu que o dinheiro fosse mantido bloqueado para garantir eventual reparação em ação de improbidade. Em decisão de dezembro, Toffoli entendeu que não havia elementos de prova mínimos que justificassem abertura de ação de improbidade e a manutenção do bloqueio dos valores.

Toffoli tem anulado uma série de atos da Lava Jato. As decisões são baseadas em dois argumentos principais: a alegação de conluio do então juiz Sergio Moro com os procuradores, escândalo batizado de “Vaza Jato”, e também o uso nas denúncias de elementos do acordo de colaboração da empreiteira Odebrecht que foram considerados inválidos pela corte.

Segundo a sentença do caso, expedida em 2017 por Sergio Moro, Gonçalves recebeu propina da Odebrecht e da construtora UTC. Na época dos pagamentos, ele era gerente-executivo da área de engenharia e serviços da Petrobras, entre 2011 e 2012.

PRESO DUAS VEZES – Gonçalves foi preso duas vezes na Lava Jato. A primeira, de forma temporária, em 2015. Depois, na 39ª fase da Lava Jato em 2017, desta vez, preventivamente, quando ficou na cadeia por três anos.

Em junho passado, a sentença transitou em julgado. Com isso, o juiz federal Guilherme Borges, responsável atualmente pala operação no Paraná, determinou a prisão para cumprimento da pena definitiva. Aceitou pedido, no entanto, para que o réu ficasse em detenção domiciliar, com tornozeleira eletrônica, devido a problemas de saúde da esposa.

Com a nova decisão do Supremo, em outubro, a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro deliberou a soltura.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Até quando o Supremo continuará a suportar um ministro como Toffoli? Ora, vamos ser francos. Ele não tem notório saber nem reputação ilibada, simplesmente aplica um golpe atrás do outro, não respeita a Suprema Corte, a Procuradoria-Geral nem a Constituição. Tenho vergonha de ser compatriota de um tipo dessa qualidade. (C.N.)

Festival de absurdos que assola o STF está acima da lei e da ordem

Dois homens vestidos com togas pretas conversam em ambiente formal. Um deles, de cabelos grisalhos e barba, veste terno azul e gravata, olhando atentamente para o outro homem calvo.

Moraes e Toffoli têm um comportamento nada republicano

Lygia Maria
Folha

Conexões entre familiares de Toffoli e Moraes com o caso do Banco Master não podem ser tratadas como mera coincidência. Se esses vínculos, além dos abusos de poder, são aceitáveis, então o STF acha que está acima da lei e da própria República

O ministro Dias Toffoli impediu a perícia em celulares pela Polícia Federal imediatamente após a apreensão, durante investigação do escândalo do Banco Master. Os aparelhos deveriam ficar no STF; depois, enviou à Procuradora-Geral da República e escolheu quatro peritos da Polícia Federal para realizar o procedimento.

Um dos aparelhos é de um cunhado do dono do Master, que está ligado a fundos com participação societária num resort no Paraná que pertencia, em parte, a irmãos de Toffoli até 2025.

SEM FORO ESPECIAL – Ademais, o processo só está no STF porque Toffoli mandou o princípio do juiz natural às favas e trouxe para a Corte um caso sem réus com foro privilegiado. Não contente, colocou sigilo elevado no processo. Tudo isso logo após viajar ao Peru acompanhado por um advogado de um dirigente do Master. Calma, piora.

Lembram do resort? A participação dos irmãos de Toffoli foi comprada por um advogado que atua para a JBS. A empresa faz parte da holding J&F, cuja multa no valor de R$ 10 bilhões prevista em acordo de leniência foi suspensa em 2023 por quem? Sim, Toffoli.

E tem mais. Na época, a esposa do magistrado, que é advogada, prestava serviços jurídicos para a J&F em outros casos.

SUPERCONTRATO – Agora, o escritório de advocacia da mulher de outro ministro, Alexandre de Moraes, tem um contrato de R$ 129,6 milhões com o Banco Master para realizar serviços que não se sabe quais são.

O mesmo Moraes que, após as notícias sobre o resort, abriu inquérito de ofício para apurar supostos vazamentos de dados de ministros pela Receita Federal.

A mesma arbitrariedade, cujo intuito é blindar membros do STF, usada por Toffoli em 2019 na instauração do inquérito das fake news —que vigora sob sigilo até hoje e tem Moraes como relator.

FESTIVAL DE ABSURDOS – Como os outros ministros do Supremo acham que a sociedade deve encarar esse festival de absurdos? Todas essas conexões são mera coincidência? Os fins justificam os abusos de poder?

Se assim for, a Corte constitucional não quer cidadãos, mas cordeiros. Acha que está acima da lei e até da própria República. Não à toa, assim funciona o Judiciário em regimes autoritários.

É preciso maior rigor no combate à violência contra as mulheres

Sindicato participa de campanha internacional sobre violência contra mulheres • SSM/RPGP

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

Na edição do Correio Braziliense de 6/8/23, com o título “Que as mulheres sejam honradas”, Ana Dubeux escrevia forte, repudiando patifes e covardes que se aproveitam de mulheres vulneráveis. Dubeux agora volta ao tema, no CB de 18/01, clamando “Salvemos todas as mulheres”, ao salientar que a “escalada da violência contra as mulheres e dos feminicídios é uma certeza, medida em número e casos”.

A seu ver, nenhuma mulher merece ser ultrajada, ridicularizada, humilhada. Dubeux prossegue: “Nosso convite é olhar para essa realidade em filtros. Entendê-la e trabalhar para mudá-la”.

Ana destaca, nessa linha, que no próximo dia 27 o jornal promoverá mais uma edição do “CB.Debate”, com o tema “Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos”.

OTIMISMO– O presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, saudou a aprovação do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Opinião Europeia.

“Este acordo histórico marca o início de uma nova era para o setor produtivo brasileiro”, frisou Tadros.

Família de Daniel Vorcaro acumula R$ 8 milhões em dívidas com a União

Irmão e pai de Vorcaro foram alvos da PF

Juliana Arreguy
Folha

A irmã e o pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acumulam R$ 8.037.024,02 em dívidas com a União, oriundas de seis empresas da teia de negócios da família.

Natália Vorcaro Zettel e Henrique Moura Vorcaro foram alvos da Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, na quarta-feira (14), contra suspeitos de envolvimento nas fraudes por meio de fundos de investimento do Master. O marido de Natália, Fabiano Zettel, foi preso na manhã daquele dia quando se preparava para deixar o país, de jatinho, sendo solto horas depois.

DÍVIDA – Pai e filha constam como devedores em 13 inscrições na dívida ativa da União. Sete delas são em conjunto, uma está no nome de Natália e outras cinco, no nome de Henrique. As dívidas se referem a contribuições sociais como PIS e Cofins e impostos como IRPJ (que incide sobre o lucro das empresas).

Do total devido, R$ 5,8 milhões se referem a débitos da Mercatto Corporações Imobiliárias, que tem no quadro societário Henrique e a Multipar, uma holding que tem o pai de Vorcaro como presidente e a irmã como diretora. A Multipar é a principal companhia da família Vorcaro, onde o próprio Daniel teve uma passagem no início de sua carreira.

O banqueiro também trabalhou em três das seis empresas listadas na dívida ativa: além da Mercatto, a Pacific Realty, de aluguel de imóveis, e a PQS Empreendimentos Educacionais, de livros didáticos. Todas elas são sediadas no mesmo local, na Vila da Serra, bairro de alto padrão de Nova Lima quase na divisa com Belo Horizonte.

SOCIEDADE – O endereço também abriga Eukaryota Participações, sociedade anônima que tem, novamente, Henrique como presidente e Natália como diretora. Na dívida ativa, apenas Natália consta como devedora pela Eukaryota, em um débito de R$ 7 mil. Henrique, sozinho, responde pelas dívidas da PQS, da Mercato Consultoria Imobiliária e do Tropical Clube de Minas Gerais. O clube é o único que tem apenas Henrique como sócio, sem envolver outros parentes ou holdings ligados à família Vorcaro.

Todos os 13 débitos apresentam exigibilidade suspensa, o que permite aos devedores atuarem como se eles estivessem quites com a União, sem empecilhos para realizar empréstimos e contratos, por exemplo. O vencimento de cada uma das dívidas será ainda este mês.

Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que gerencia o banco de devedores, caso as dívidas não sejam quitadas, a cobrança pode ser feita por vias judiciais e incluir penhoras de bens.

Haddad condiciona decisão eleitoral a conversa com Lula e mantém futuro em aberto

Haddad afirmou que quer tempo para discutir o país

Marcos Hermanson
Folha

O ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (19), em entrevista ao UOL News, que uma decisão sobre eventual candidatura sua em 2026 só sairá após conversas com o presidente Lula (PT).

“Comecei uma conversa com o presidente”, relatou, respondendo se teria sido intimado pelo petista a se candidatar ao governo paulista. “Tenho ouvido o presidente. Levei minhas colocações à consideração dele. É uma conversa de amigos, que pode se estender, mas não concluímos nada nessa primeira conversa. Vamos chegar em algum consenso logo mais.”

DISCUSSÃO – Haddad disse que tem falado de questões pessoais com o presidente, ressaltou que vai completar uma década como ministro, e afirmou que quer tempo para discutir o país. “[Quero] discutir o que vai ser do Brasil nesse contexto internacional, quais as formas de nós nos inserirmos nesse quadro tão dramático e desafiador.”

Questionado sobre o que seria um descolamento entre a percepção da opinião pública e o estado real da economia, Haddad afirmou que o tema tem perdido importância nas preocupações do brasileiro. Ele citou pesquisa do Datafolha que aponta o tópico como prioridade para 11% do eleitorado.

“Eu não acredito que a economia vai derrotar o governo. Pode ser que não eleja o governo. Economia no mundo inteiro está sendo um elemento importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar eleição”, disse.

ATRITOS – O ministro também comentou os atritos acumulados dentro do PT e com a Faria Lima, que acusa o governo de exagerar nos gastos públicos. “Se a esquerda dogmática e a direita dogmática estão criticando a mesma pessoa no contexto histórico, quem sabe não era a linha fina pela qual eu podia passar garantindo bem-estar da população ao mesmo tempo em que eu arrumava as contas.”

Adiantando o que devem ser bandeiras da campanha de Lula no pleito de outubro, ele citou a política de valorização do salário mínimo, a recuperação do programa Farmácia Popular e a isenção do imposto de renda para trabalhadores com salário de até R$ 5.000, aprovada no Congresso em 2025.

O titular da Fazenda também respondeu sobre possível interferência das big techs nas eleições de 2026, afirmando ter preocupação com o tema. “Estamos na mão de um oligopólio de comunicação mundial que tem, visivelmente, viés do ponto de vista ideológico.”

Aliados de Bolsonaro articulam PEC para retaliar STF após decisão de Gilmar Mendes

Uma apologia à natureza, na poesia sofisticada de Pedro Kilkerry

Veredas da Língua: Pedro Kilkerry - PoemasPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Pedro Militão Kilkerry (1885-1917), no soneto “Ritmo Eterno”, faz uma rebuscada apologia à natureza.

RITMO ETERNO
Pedro Kilkerry

Abro as asas da Vida à Vida que há lá fora.
Olha… Um sorriso da alma! — Um sorriso da aurora!
E Deus — ou Bem! ou Mal — é Deus cantando em mim,
Que Deus és tu, sou eu — a Natureza assim.

Árvore! boa ou má, os frutos que darás
Sinto-os sabendo em nós, em mim, árvore, estás.
E o Sol, de cujo olhar meu pensamento inundo,
Casa multiplicando as asas deste mundo…

Oh, braços para a Vida! Oh, vida para amar!
Sendo uma onda do mar, dou-me ilusões de um mar…
Alvor, turquesa, ondula a matéria… É veludo,

É minh’alma, é teu seio, e um firmamento mudo.
Mas, aos ritmos da Terra, és um ritmo do Amor?
Homem! ouve a teus pés a Natureza em flor!