Já existe consenso no Supremo para tirar Toffoli do caso Master

Irmãos e primo de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado à rede usada pelo  Master em fraudes

Irmãos e primo de Toffoli estão envolvidos com o Master

Lauro Jardim
O Globo

Está se formando um consenso em Brasília de que Dias Toffoli terá que renunciar à relatoria do Caso Master no STF. Os motivos são basicamente dois:

– Um é a série de decisões heterodoxas que ele tomou nestes 50 dias como guardião do escândalo do ex-banco do Daniel Vorcaro. Aliás, em boa parte dessas decisões, Toffoli teve que recuar tal o grau do exotismo jurídico que elas exibiam.

– O segundo motivo é o conflito patente de interesses que existe numa história que foi revelada este mês pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo e que conecta um resort no Paraná de propriedade de parentes de Toffoli à teia de fundos fraudulentos montada por Vorcaro.

SEM DEFESA – Nos bastidores não há um só ministro do STF que defenda a manutenção do caso nas mãos de Toffoli. Várias soluções foram pensadas.

A mais provável seria um pedido de afastamento feito pelo próprio Toffoli sob a alegação de que ele está com problemas de saúde.

Mas é uma solução que tem que ser negociada com Toffoli, que terá que ceder a essas ponderações.

SORTEIO – Se esse for o remédio, haveria um sorteio para escolher um outro relator para o pepino Master.

Neste caso, a defesa de Vorcaro torce para que o processo fique com Nunes Marques.

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Moraes já se afastou, mas deixou o processo com Gilmar

Carlos Newton

Já registramos na Tribuna da Internet uma grande decepção com o procedimento dos caríssimos advogados que estão defendendo o ex-presidente Jair Bolsonaro na Ação Penal 2.668.

O fato concreto é que os três escritórios paulistas, trabalhando em conjunto, mostraram uma característica comum — não estão familiarizados com ações penais no Supremo nem se dedicaram a estudá-las processualmente.

EX-RELATOR – Por incrível que pareça, na ação mais importante da História Republicana, os seis advogados que assinam a defesa de Bolsonaro  têm facilitado — e muito — o trabalho demolidor do ex-relator Alexandre de Moraes, embora a atuação dele no processo também esteja crivada de erros jurídicos e de grosseiras ilegalidades.

Detalhe fundamental: estamos chamando Moraes de ex-relator, porque desde 3 de dezembro o processo de Bolsonaro já deveria ter sido redistribuído à Segunda Turma, com a indicação de um novo relator.

De acordo com o Regimento Interno do STF, quando a defesa apresenta embargos infringentes, a ação penal é imediatamente redistribuída à outra Turma, que indicará novo relator para conduzir o julgamento dos recursos cabíveis (artigo 76).

DIZ O REGIMENTO – No caso, o ministro Moraes já estava obrigado a abandonar a Ação Penal 2.668 desde 3 de dezembro, em função da obrigatoriedade de cumprir o Regimento Interno, que tem força de lei.

Mas a Secretaria do Supremo cometeu um erro e em 3 de dezembro enviou os embargos infringentes para Moraes, que já estava impedido de julgá-los. E assim, por má-fé ou ignorância processual, o audacioso ministro seguiu atuando no processo, como se continuasse a ser o relator.

É um erro judiciário grotesco e inadmissível, porque desde o Direito Romano acredita-se que o juiz tem de saber  as leis (“Iura novit curia”), e isso quer dizer que o foro, os juízes e tribunais presumem-se conhecedores do Direito.

DECISÕES ILEGAIS – Embalado pela volúpia de punir Bolsonaro, o ministro Moraes já vinha tomando decisões ilegais e até decretara, em 25 de novembro, o “trânsito em julgado” da Ação Penal 2.668, embora não pudesse fazê-lo, porque havia duas petições do réu Mauro Cid a serem respondidas e a defesa se Bolsonaro ainda tinha prazo para apresentar embargos infringentes.

O “trânsito em julgado” era obviamente prematuro e ilegal. Portanto, o processo teve de ser reaberto para receber os embargos infringentes em 3 de dezembro. Era o ponto final para Moraes, que passava a estar obrigado a repassar os autos à Segunda Turma.

Mas ele continuou atuando como falso relator, e no dia 19 de dezembro julgou ilegalmente os embargos infringentes e os rejeitou, de forma liminar, sem consultar os demais ministros. 

SEM PROTESTO – Ao invés de protestar e exigir a nulidade da decisão, a despreparada defesa de Bolsonaro  não esboçou reação. Somente no dia 12 de janeiro os advogados impetraram um agravo regimental com objetivo de levar a condenação a exame do plenário do Supremo, mas era um pedido sem fundamento jurídico.

Rápido que nem raposa, como se dizia outrora, no dia seguinte, 13 de janeiro, Moraes continuou fantasiado de relator e rejeitou o agravo, dizendo ser “absolutamente incabível”.

Foi mais uma ilegalidade, porém a defesa de Bolsonaro se manteve inerte, sem esboçar a menor reação diante dos desmandos praticados por Alexandre de Moraes.

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P.S. 1 – Agora, quando tudo mudou, devido ao fato de as denúncias exclusivas da Tribuna da Internet terem obrigado Moraes a desistir da falsa relatoria, o ex-presidente Bolsonaro, sua família e seus admiradores têm de torcer para que os advogados continuem de braços cruzados. A melhor alternativa é o habeas corpus para anular as decisões ilegais de Moraes e pedir a libertação de Bolsonaro, que ainda está preso preventivamente, sem aquele “trânsito em julgado”, que manteve Lula da Silva em liberdade em 2019, lembram?

P.S. 2Se tiver o mínimo de juízo, a defesa de Bolsonaro só pode se mexer após 31  de janeiro, quando será indicado o novo relator da Ação Penal 2.668. É preciso saber também se Gilmar Mendes deixará a presidência da Segunda Turma. Como todos sabem, o decano do Supremo pertence à mesma coudelaria de Moraes e os dois correm em dobradinha com Dias Toffolli. Por isso é muito difícil derrotá-los. Mas não é impossível. (C.N.)

Supersalários no TCU: ministros embolsam R$ 4,3 milhões fora do teto em 2025

Somente o STF poderá socorrer o STF para limpar sua imagem desonrada

STF tem pautas trabalhistas e sindicais relevantes | ASMETRO-SI

Charge reproduzida da Asmetro

Josias de Souza
Uol

O Supremo Tribunal Federal chega a 2026 em situação paradoxal. A inédita condenação de um ex-presidente e de militares graduados por crimes contra a democracia fez subir alguma coisa à cabeça dos magistrados.

Certos ministros, imaginando que o feito histórico bastaria para elevá-los à condição de estátua, passaram a se comportar como pardais de si mesmos, sujando com desenvoltura dialética suas testas de bronze.

NO JATINHO… – Apagaram-se as luzes do inquérito sobre o escândalo do Master depois que o relator voou de carona em jatinho particular, ao lado de um advogado de diretor do banco.

E a toga mais poderosa foi constrangida com a apreensão de contrato firmado pelo escritório de advocacia de sua mulher com o banco liquidado.

Tomado pelo valor —R$ 129,6 milhões— o contratante estava mais interessado em comprar influência do que assessoria jurídica.

BLINDAGEM LIMINAR – Num movimento constrangedor, o decano do STF editou uma liminar-blindagem, para bloquear no Senado pedidos de impeachment contra si e seus pares. Negociou no balcão da baixa política um recuo parcial. Mas manteve o bode na antessala do Ano Novo.

Simultaneamente, o Código de Ética sugerido pelo presidente do tribunal é torpedeado internamente por colegas viciados em conchavos palacianos, indicações de cupinchas para tribunais inferiores, paloozas e rega-bofes bancados no exterior pelo déficit público e pelo lobby empresarial.

Nesse ambiente, apenas o Supremo pode socorrer o Supremo. A tarefa, que já era incontornável, tornou-se um desafio urgente.

Atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master é absolutamente suspeita

Toffoli volta atrás em decisão sobre relatórios sigilosos do antigo Coaf |  VEJA

Toffoli mantém o inquérito irregularmente no Supremo

Roberto Nascimento

O Supremo Tribunal Federal está sangrando sob a suspeita de imparcialidade, com o supercontrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes para defender o Banco Master, ganhando R$ 3,6 milhões mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, e com a condução do caso na relatoria avocada em bases frágeis pelo ministro Dias Toffoli, na argumentação de prerrogativa de foro, apenas porque o deputado José Carlos Bacelar (PL-BA), tentou comprar um imóvel de Daniel Vorcaro, o que não foi levado a efeito.

Então, o STF foi tragado para esse furacão de interesses pessoais, com o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, requerendo inspeção no Banco Central, e com a notícia de que o ministro Dias Toffoli viajara no jatinho do advogado do Master para assistir ao jogo Palmeiras X Flamengo em Lima, no Peru.

SAIR FORA – Para estancar o processo de críticas contundentes à Instituição, o ministro-relator Dias Toffoli deveria devolver o processo do Master para a Justiça Federal de Brasília, porque o caso Master não vai sair do noticiário, enquanto a razão dos fatos não for restabelecida.

O ministro Edson Fachin, presidente da Corte Suprema, tem o Poder de intervir, mas o corporativismo dos ministros, em sede colegiada, poderia derrubar a decisão. L

Portanto, os ministros vão ter que suportar o tiroteio contra o STF, que vai perdendo o apoio do trade jurídico e principalmente da opinião pública, circunstância que a Câmara e o Senado mais temem, principalmente em ano de eleições.

NOVA CPI – Significa dizer, que na reabertura do ano Legislativo em 3 de fevereiro, suas excelências do Congresso, pilhadas pelos eleitores de seus Estados, ficarão tentadas a criar a CPI do Banco Master e, pior ainda, até colocar na pauta o impeachment de ministros do STF e do TCU.

Nem Davi Alcolumbre, o presidente do Senado, terá coragem para barrar o tsunami, arquivando os insistentes pedidos de impeachment, sob pena de perder a reeleição na presidência do Senado em 2027.

O fato concreto é que o assalto do Banco Master é extremamente explosivo e os credores estão encontrando dificuldades para reduzir seus prejuízos através de reembolso pelo Fundo Garantidor de Crédito.

SUPERESCÂNDALO – Quem conhece o Brasil, sabe que o escândalo da véspera é sempre superado pelo próximo, mas esse do Banco Master é um monstro de sete cabeças expelindo por todos os lados o fogo da corrupção e da lavagem de dinheiro.

É preciso estancar essa sangria, que vem derrubando a credibilidade do STF. O ministro Dias Toffoli, por exemplo, deveria se considerar suspeito para continuar Relator do Caso Banco Master. Os fatos são notórios, nem falo da viagem no jatinho do advogado do dono do Master, pois o mais grave é um irmão e um primo, pegos em negócios relacionados a um Resort no Paraná.

Para que sigilo em assuntos de interesse público?
E a implicância contra a Polícia Federal e o Banco Central não faz sentido. O STF está sangrando em praça pública, e o colegiado calado e perplexo vendo dois ministros insensatos abalarem a credibilidade do Tribunal.

EXEMPLO DO TCU – De tanto apanhar por causa do ministro relator Jhonatan de Jesus, que recuou do desejo de  suspender a liquidação do Master ou manter os bens do dono do Master, Daniel Vorcaro, o TCU saiu do noticiário negativo.

Mas a bola está quicando no STF. Toffoli decidiu que todas as provas obtidas pela Polícia Federal, na segunda fase de busca e apreensão, fiquem sob custódia dele no STF. Essa decisão é escalafobética, esdrúxula e inconstitucional

Não contente, o ministro criticou a Polícia Federal, por demorar para executar as buscas e apreensões. Há uma leitura de animosidades do relator contra a PF e o Banco Central. Para bom entendedor, no mínimo o ministro deveria se declarar suspeito nesse caso Master. 

Direita vive crise ao se confundir com a extrema direita, diz pesquisador

Algumas dicas muito importantes sobre a saúde, que servem para todas as idades

SOU+SUS: A saúde brasileira em charges - Saúde Pública

Charge do Amâncio (Arquivo Google)

José Guilherme Schossland

Muitas “doenças” não são doenças, mas sim “envelhecimento normal”. O geriatra que dirige um hospital especializado de Pequim divulgou uma série de informações médicas que servem para todas as idades e ajudam a conhecer e cuidar dos mais idosos. Essas recomendações fazem sucesso nas redes sociais e merecem ser divulgadas, embora não se saiba o nome do médico.

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ENVELHECER É UMA ARTE?

Você não está doente, você está envelhecendo. Muitas condições que você considera “doenças” não são doenças, mas sim sinais de que o “corpo está envelhecendo”.

1. “Memória fraca” não é Alzheimer, mas um mecanismo de autoproteção do cérebro idoso. Isso é o cérebro envelhecendo, não uma doença. Se você simplesmente esquece onde colocou as chaves, mas consegue encontrá-las sozinho, NÃO é demência.

2. “Andar devagar” e ter pernas e pés instáveis não é paralisia, mas degeneração muscular. A solução NÃO é tomar remédios, mas sim “se mexer”.

3. “Insônia” não é uma doença, mas o cérebro está ajustando seu ritmo. É uma mudança na estrutura do sono. Não tome remédios para dormir indiscriminadamente. A dependência prolongada de pílulas para dormir e outros medicamentos para adormecer aumenta o risco de quedas, comprometimento cognitivo etc. “A melhor pílula para dormir” dos idosos é “tomar mais sol” durante o dia e manter uma rotina regular.

4. “Dores no corpo” não são reumatismo, mas uma reação normal ao envelhecimento dos nervos.

5. Muitos idosos dizem: Meus braços e pernas doem em todos os lugares. É reumatismo ou hiperplasia óssea? Os ossos ficam frouxos e finos, mas 99% das “dores no corpo” não são uma doença, mas uma condução nervosa lenta, que amplifica a dor. Isso é chamado de “sensibilização central”, uma alteração fisiológica comum em idosos. “Exercícios” são a cura, em vez de tomar remédios.

6. “Colesterol” – Os idosos têm níveis de colesterol ligeiramente mais altos porque viveram mais. O colesterol é a matéria-prima para a síntese de hormônios e membranas celulares. Um nível muito baixo pode facilmente reduzir a imunidade. As Diretrizes para a meta de redução da pressão arterial em idosos são <150/90 mmHg, e não o padrão para jovens <140/90.

7. Não trate o “envelhecimento” como doença. Envelhecer não é uma doença, é um caminho necessário.

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RECOMENDAÇÕES AOS IDOSOS

Algumas palavras devem ser ditas aos idosos e seus filhos: primeiro, lembrem-se: nem todo “desconforto” é uma doença.

Segundo, muitos idosos têm medo de ficar “assustados”. Não se assustem com o laudo do exame físico nem se deixem enganar por propagandas.

Terceiro, o mais importante para as crianças não é levar os pais “apenas” ao hospital, mas acompanhá-los em caminhadas, banhos de sol, refeições, conversas e vínculos.

“O envelhecimento” não é o inimigo. É outra maneira de viver… Mas a “estagnação” é o inimigo! Mantenha-se saudável.

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NÃO PERCA O CONTROLE DA VIDA

1. A meia-idade começa aos 50 e deve terminar aos 70.

2. Os anos dourados começam aos 70 e terminam aos 80.

3. A velhice começa aos 80 e termina aos 90.

4. A longevidade começa aos 90 e termina após a morte.

5. O principal problema de uma pessoa idosa é a solidão. Geralmente, os cônjuges não morrem juntos, alguém morre primeiro. Uma viúva ou viúvo se torna um fardo para a família. Por isso é tão importante não perder o contato com os amigos, reunir-se e se comunicar com frequência, para não ser um fardo para seus filhos e netos, que provavelmente nunca o dirão.

6. Minha recomendação pessoal é não perder o controle da sua vida. Isso significa decidir quando e com quem sair, o que comer, como se vestir, para quem ligar, a que horas dormir, o que ler, com o que se divertir, o que comprar, onde morar etc. Porque se você não puder fazer todas essas coisas livremente e sozinho, você se tornará uma pessoa insuportável que será um fardo para os outros.

7. William Shakespeare disse: “Estou sempre feliz! Sabe por quê? Porque eu não espero nada de ninguém”. Esperar é sempre angustiante. Os problemas não são eternos; eles sempre têm uma solução. Acreditamos que somos os culpados pelos nossos problemas. O único para o qual não há cura é a morte.

Antes de reagir… respire fundo;

Antes de falar… ouça;

Antes de criticar… olhe para si mesmo;

Antes de escrever… pense com cuidado;

Antes de atacar… renda-se;

Antes de morrer… viva a vida mais bela que puder!

O melhor relacionamento não é com a pessoa perfeita, mas com alguém que aprendeu e está aprendendo a viver da forma mais interessante e bela possível. Observe as deficiências dos outros… mas também admire e elogie suas virtudes.

Se você quer ser feliz, precisa fazer outra pessoa feliz. Se você quer algo, precisa primeiro dar algo de si. Você precisa se cercar de pessoas boas, amigáveis e interessantes e ser uma delas.

Lembre-se: em momentos difíceis, mesmo com lágrimas nos olhos, levante-se e diga com um sorriso: “Está tudo bem, porque somos frutos de um processo evolutivo.”

TESTE RÁPIDO: Se você não encaminhar esta mensagem para ninguém, então você é uma pessoa infeliz, solitária e sem amigos. Envie esta mensagem para as pessoas que você valoriza e você nunca se arrependerá.

Apertem os cintos! O megaescândalo do Banco Master está apenas começando

Tribuna da Internet | A enrascada do BRB no Banco Master e o silêncio estrondoso da grande mídia

Charge reproduzida do Arquivo Google

Dora Kramer
Folha

As fraudes de longa data do Banco Master — apontadas pelo mercado financeiro e pelo Ministério Público —, que resultaram na liquidação em novembro pelo Banco Central, marcam mais um na série de escândalos com os quais nos habituamos a conviver.

Esse caso, no entanto, exibe uma peculiaridade: tão ou mais escandalosa que as falcatruas do controlador, Daniel Vorcaro, é a rede de proteção formada para contestar a decisão da autoridade monetária.

PIZZA GIGANTE – As razões ainda são obscuras, mas o objetivo foi traduzido nas palavras do ex-presidente do BC Armínio Fraga: “Tem muita gente querendo assar uma pizza do tamanho do Maracanã”, disse ele em entrevista ao O Estado de S. Paulo.

Suspeita plenamente justificada pelas movimentações dos subterrâneos do poder onde Vorcaro construiu uma teia de relações que, ao juízo dele, lhe permitiriam levar seus negócios com segurança e exibicionismo pelo terreno da lucrativa enganação.

ESTANCAR A SANGRIA – Há sujeitos ocultos trabalhando para de algum modo amenizar a situação, o que não é de se estranhar, e cujos modus operandi o então senador Romero Jucá explicitou na ideia de “estancar a sangria” mediante acordos “com o Supremo, com tudo”.

Jucá falava com conhecimento de causa sobre a possibilidade de se anularem as consequências da operação Lava Jato. Acertou e, pelo visto, difundiu a metodologia agora aperfeiçoada no intuito de não deixar que a sangria se instale.

CAMPO DA SUSPEIÇÃO – A malfadada novidade aqui é ver o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Contas da União arrastados ao campo da suspeição por conivência, mediante decisões individuais dos ministros Dias Toffoli, no STF, e Jhonatan de Jesus, no TCU.

Ambos precisaram recuar de providências mais danosas à imagem das instituições, mas a ultrapassagem da linha da compostura institucional está dada e não tem conserto. A menos que os colegiados dessas instâncias abandonem o recato corporativista e se coloquem claramente em oposição a jabutis que, sabemos, só sobem em árvores por ação das mãos de alguém.

Um anoitecer tipicamente parnasiano, na poesia rebuscada de Raimundo Correia

A tempestade vem assombrado por onde... Raimundo Correia - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911) descreve o “Anoitecer” seguindo o estilo parnasiano a que se dedicava, e que tem como uma de suas características a descrição de algo que pode ser um objeto, um acontecimento, um fenômeno da natureza, uma paisagem etc.

ANOITECER
Raimundo Correia

Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol… Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados
Fogem… Fecha-se a pálpebra do dia…

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia…

Um mundo de vapores no ar flutua…
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua…

A natureza apática esmaece…
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula… Anoitece.

Brasil amplia presença de mulheres no Congresso, mas despenca no ranking

Sem bússola, sem projeto e dividida: o colapso da direita brasileira em 2026  

Simone Tebet e o desafio paulista: cálculo eleitoral, limites legais e a estratégia de Lula

Palanque em SP poderá levar ministra a deixar MDB

Pedro do Coutto

A possível candidatura de Simone Tebet nas eleições deste ano volta a movimentar o tabuleiro político nacional e revela, mais uma vez, como o governo Lula opera em múltiplas frentes para ampliar sua base de sustentação política.

Ministra do Planejamento, Tebet tornou-se uma das figuras mais relevantes do primeiro escalão, não apenas pelo cargo que ocupa, mas pela trajetória recente: uma liderança que saiu do campo do centro para se integrar, de forma ativa, à coalizão que sustenta o atual governo.

A hipótese de uma candidatura — seja ao governo de São Paulo, seja ao Senado — não surge como um gesto individual, mas como parte de uma engrenagem maior. O Palácio do Planalto busca, com evidente pragmatismo, fortalecer seu palanque no maior colégio eleitoral do país. São mais de 33 milhões de eleitores, um território historicamente hostil ao lulismo, mas decisivo para qualquer projeto de poder nacional.

DIÁLOGO – Nesse contexto, Simone Tebet aparece como um nome capaz de dialogar para além da base tradicional da esquerda, alcançando setores moderados, eleitores de centro e até parcelas do eleitorado conservador menos radicalizado.

Não se trata de improviso. Desde a campanha de 2022, Tebet demonstrou disposição para o enfrentamento político. No primeiro turno, destacou-se pelo discurso firme, pelo domínio dos temas econômicos e pela capacidade de se posicionar com clareza em debates públicos.

No segundo turno, sua adesão à campanha de Lula foi decisiva para ampliar o arco de alianças e conferir ao então candidato petista uma imagem mais plural. Esse capital político não se perdeu. Pelo contrário: foi incorporado ao governo e, agora, pode ser novamente mobilizado no terreno eleitoral.

ESTRATÉGIA – A ideia de lançá-la candidata em São Paulo atende a uma necessidade estratégica do Planalto: contrabalançar a força do atual governador Tarcísio de Freitas, que se consolidou como principal liderança da direita institucional no país. Mesmo que a vitória eleitoral não seja o cenário mais provável, uma candidatura competitiva pode cumprir outro papel fundamental — reduzir a margem de Tarcísio, tensionar sua base e, sobretudo, construir um palanque robusto para Lula em uma eventual campanha de reeleição.

Há, no entanto, limites objetivos. A legislação eleitoral impõe a exigência de domicílio eleitoral de, no mínimo, um ano antes do pleito. Esse ponto não é detalhe técnico: ele condiciona toda a estratégia. A mudança de domicílio para São Paulo, além de politicamente delicada, esbarra no calendário. O tempo corre contra a ministra, o que torna a candidatura ao governo paulista juridicamente improvável, senão inviável.

A alternativa do Senado por São Paulo também enfrenta obstáculos semelhantes. Além da exigência legal, há um fator político incontornável: Simone Tebet não possui, no estado, uma base eleitoral orgânica capaz de “puxar votos” em uma disputa majoritária tão competitiva. Diferentemente de Mato Grosso do Sul, onde construiu sua carreira política, São Paulo exige enraizamento, capilaridade e alianças locais já consolidadas — ativos que não se constroem em poucos meses.

SAÍDA MAIS SEGURA – Esse cenário recoloca, com mais força, a hipótese de uma candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul, seu domicílio eleitoral de origem. Trata-se de uma saída mais segura do ponto de vista jurídico e político. Ao mesmo tempo, permitiria ao governo manter Tebet como figura central na campanha nacional, sem abrir mão de um mandato legislativo estratégico em um Congresso ainda marcado por forte presença conservadora.

Há também uma consequência partidária relevante. Qualquer candidatura implicaria a saída de Simone Tebet do MDB, partido que, em São Paulo, mantém alinhamento com o atual governador. Esse rompimento não é trivial. Ele simboliza, mais uma vez, a dificuldade do MDB em se posicionar de forma coesa no cenário nacional, dividido entre o pragmatismo regional e a participação no governo federal.

COALIZÃO – No fundo, o debate sobre o futuro eleitoral de Simone Tebet revela algo maior do que o destino individual de uma ministra. Ele expõe a lógica do presidencialismo de coalizão em sua versão contemporânea: alianças móveis, cálculos eleitorais refinados e a permanente tentativa de ampliar fronteiras políticas em um país profundamente polarizado. Tebet é, hoje, menos uma candidata em potencial e mais uma peça-chave de um xadrez que Lula conhece bem — e joga com paciência.

Independentemente do desfecho, uma coisa é certa: Simone Tebet deixou de ser apenas uma liderança regional para se tornar um ativo nacional. Seu próximo movimento não será apenas pessoal. Será, sobretudo, um sinal claro de como o governo pretende disputar poder, narrativa e território nos próximos anos.

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Moraes já está impedido de atuar na ação que condenou Bolsonaro

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Moraes está saindo de cena e o processo terá outro relator

Carlos Newton

Quem acompanha a “Tribuna da Internet” há mais tempo sabe que seu editor-chefe jamais demostrou a menor simpatia por Jair Bolsonaro, seja como militar, parlamentar ou governante.

No entanto, o exercício da função do jornalismo de política impõe que seja defendida qualquer pessoa que estiver sofrendo abuso de poder, não importa quem seja nem os crimes que por desventura tenha praticado.

RIGOR EXCESSIVO – Seguindo essa linha de raciocínio, não se pode afirmar que realmente tenha sido assegurado o direito de defesa a Bolsonaro enquanto a investigação, a acusação e o julgamento estiveram a cargo do ministro Alexandre de Moraes.

O abuso de poder foi justamente o que aconteceu no caso da Ação Penal 2.668, a mais importante da História Republicana, em que Moraes conseguiu a proeza de condenar Jair Bolsonaro por um golpe de estado que não existiu.

A partir de agora, passa a ser difundida no mundo civilizado a expressão “golpe à brasileira”, em que não ocorrem conflitos nas ruas, queda do governo ou fechamento do Congresso e do Supremo, assim como também não há mortos, feridos, presos, tropas nas ruas, nem tanques, blindados, navios, aviões, helicópteros, drones, nada, nada, nada, e com funcionamento rotineiro de escolas, comércio, indústria, serviços, administração pública, transportes, igrejas etc. – enfim, tudo normal, como afirmou sobre o processo a ministra aposentada Eliana Calmon, aquela que há alguns anos já denunciava à Justiça a existência de “bandidos de toga”.

TUDO MUDOU – De repente, com Bolsonaro já cumprindo pena na Papudinha, tudo mudou, porque seus advogados agora poderão arguir a nulidade das últimas duas decisões de Moraes (recusa de embargos infringentes e rejeição de agravo regimental).

Mas os advogados precisam ter paciência, porque Moraes ainda tem uma forte carta na manga. Portanto, se tiver juízo, a defesa de Bolsonaro só deverá se manifestar após o dia 31, quando termina o recesso e Moraes fica definitivamente bloqueado.

Se eles recorrerem agora, apresentando habeas corpus, Moraes encaminhará o recurso para Gilmar Mendes, que ainda é presidente da Segunda Turma, e ele certamente arquivará, sem ouvir o novo relator e os demais ministros – Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux e Dias Toffoli.

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P.S.
A situação está nesse pé. Moraes foi gravemente atingido, mas segue no comando do Supremo até o dia 31, quando o presidente Edson Fachin retorna de férias. Até lá, Moraes ainda reina. Mas a partir de 1º de fevereiro, volta a ser um ministro como qualquer outro e estará impedido de dar pitaco na ação contra Bolsonaro ou contra qualquer outro condenado que tiver apresentado embargos infringentes, como determina o Regimento do Supremo. Portanto, ainda faltam muitos capítulos para terminar essa novela. Comprem pipocas e leiam a Tribuna da Internet, que funciona sob o signo da liberdade(C.N.)

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