PF pede a Toffoli que libere a investigação dos bens apreendidos no caso Master

Planalto prevê desgaste, mas diz que veto a R$ 11 bilhões em emendas não afetará Lula

Justificativa será o o uso racional dos recursos públicos

Jeniffer Gularte
O Globo

O Palácio do Planalto já calcula o cenário de desgaste com o Congresso a partir do veto e bloqueio de R$ 11 bilhões a emendas parlamentares que será feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Auxiliares do petista, porém, avaliam que a insatisfação não será capaz de atrapalhar a governabilidade do último ano de mandato e preveem que o corte não trará prejuízo em ano de eleição, quando Lula tentará a reeleição.

O orçamento de 2026 será sancionado nesta quarta-feira com veto parcial de recursos. Com o anúncio de bloqueios e remanejamento, aproximadamente R$ 50 bilhões serão reservados para as indicações feitas por deputados e senadores a seus redutos eleitorais — o valor aprovado pelo Parlamento era de R$ 61 bilhões.

ALOCAÇÃO – A avaliação é que, na prática, deputados e senadores poderão protestar contra a contenção feita pelo Planalto, mas terão a oportunidade de alocar os recursos ainda elevados de fevereiro a junho deste ano — prazo máximo para pagamento de emendas em ano eleitoral.

Outro argumento apontado internamente é que a redução do valor de emendas demonstra que Lula faz uso racional dos recursos públicos, enquanto o Congresso exige do governo ajuste fiscal.

Auxiliares afirmam que Lula se preocupa em não passar a imagem de “gastador” em ano eleitoral. O corte nas emendas, no entanto, ocorre no momento em que presidente tenta recompor a relação com a cúpula da Câmara e o Senado em um processo de reaproximação com Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-PB) que iniciou em dezembro e mira o ano eleitoral.  

RECURSO BARRADO – A contenção foi antecipada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, na semana passada, quando o ministro afirmou que o governo estudava como barrar o recurso, se por veto, bloqueio ou remanejamento.

— Não será executado além do combinado, o que é legalmente combustível. Algo em torno de R$ 11 bilhões está acima do previsto legalmente e do pactuado — disse o ministro a jornalistas no Palácio do Planalto.

ACORDO – Costa fez referência a um acordo feito entre Legislativo e Executivo ainda em 2024 de que o crescimento relativo a emendas parlamentares teria de se sujeitar ao arcabouço fiscal, e que, portanto, poderia apenas ser correção pela inflação e um aumento real de, no máximo, 2,5%:

— Tem uma regra definida, inclusive por julgamento pleno do STF, que define o volume de emendas e o como essas emendas podem crescer. Tudo aquilo que tá fora do pactuado não será executado.

Flávio Bolsonaro pede trégua aos aliados e diz confiar na lealdade de Tarcísio

Policiais federais rebatem Toffoli sobre a “inércia” no Caso Master

Policiais federais expõem, em livros, reflexões sobre rumos da corporação -  27/04/2018 - Ilustríssima - Folha

Causam estranheza os ataques de Toffoli à Polícia Federal

Johanns Eller e Rafael Moraes Moura
O Globo

Investigadores da Polícia Federal (PF) ouvidos sob reserva pela equipe da coluna rebateram as críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli sobre a suposta “inércia” da corporação em deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

As diligências desta quarta-feira (14), segundo o magistrado, já estavam autorizadas por ele desde o último dia 7. “Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação”, diz uma fonte que acompanha de perto as investigações.

FALTA DE EMPENHO – Na decisão em que autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, e concedeu o mandado de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, Toffoli falou ainda em “falta de empenho” da PF no curso do inquérito.

O ministro alegou que autorizou a operação na última quarta-feira (7) e determinou ainda o cumprimento das diligências no prazo de 24 horas a partir do dia 12 em função “da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.

“Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu Toffoli.

SEM ENDEREÇOS – Segundo os mesmos investigadores da PF, a segunda fase da operação não tinha ocorrido até ontem porque a corporação ainda não tinha em mãos os endereços para deflagrá-la. O último deles só foi obtido na noite da última terça-feira, quando a instituição peticionou no STF em caráter de urgência solicitando a prisão preventiva de Zettel e as buscas contra Tanure.

O pedido teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi acatado por Toffoli, mas sob protestos.

O ministro fez questão de destacar o horário em que os investigadores da Polícia Federal acionaram o Supremo: 19h13m da última terça-feira (13). A PGR, por sua vez, se manifestou favoravelmente às solicitações pouco mais de uma hora e meia depois, às 20h49.

MOMENTOS DE TENSÃO – Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal e o gabinete de Toffoli se desentendem sobre o caso Master.

No mês passado, o depoimento de Vorcaro no STF foi marcado pelo desconforto e momentos de tensão na equipe de delegados da PF liderada por Janaina Palazzo e os procuradores da República que participavam da audiência.

Toffoli mandou entregar aos investigadores 82 perguntas para que fossem feitas a Vorcaro, mas a delegada disse que não poderia fazer perguntas que não tinham sido preparadas por ela. Janaina só aceitou submeter a Vorcaro as questões de Toffoli depois que ficou registrado na ata do depoimento que tinham sido apresentadas pelo gabinete do relator.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É cada vez mais intrigante o comportamento de Dias Toffoli no caso do Banco Master. Na forma da lei, Toffoli deveria enviar a investigação para a Justiça Federal, pois nenhum envolvido tem foro privilegiado no Supremo. Mas ele resiste. Por que será? (C.N.)

Na poesia de Lêdo Ivo, os homens são incompletos e os dias inacabados

Homenagem a Lêdo Ivo – Educação Emocional e Terapia por meio de contosPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, cronista, romancista, contista, ensaísta e poeta alagoano Lêdo Ivo (1924-2012) mostra como os homens são incompletos e os dias seguem inacabados.

O DIA INACABADO
Lêdo Ivo

Como todos os homens, sou inacabado.
Jamais termino de ser.
Após a noite breve um longo amanhecer
me detém no umbral do dia.
Perco o que ganho no sonho e no desejo
quando a mim mesmo me acrescento.
Toda vez que me somo, subtraio-me,
uma porção levada pelo vento.
Incompleto no dia inacabado,
livre de ser ainda como e quando,
sigo a marcha das plantas e das estrelas.
E o que me falta e sobra é o meu contentamento.

Por que Flávio Bolsonaro insiste na disputa mesmo com Tarcísio mais forte

Decisão sigilosa de Toffoli revela mal-estar com a Polícia Federal no caso Master

Por que o Banco Central cedeu à inspeção do TCU, mas blindou a liquidação do Banco Master ?

Aliados veem gesto de Michelle com Tarcísio como teste e recado no bolsonarismo

Vorcaro é alvo de buscas em nova operação da Polícia Federal sobre o banco Master

Moraes reabre ação de Bolsonaro e nega ilegalmente o novo recurso 

Alexandre de Moraes não vai rever ordens | Blog da Denise

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Conforme a Tribuna da Internet vem informando desde novembro, com a mais absoluta exclusividade, o processo contra Bolsonaro e outros envolvidos no esquema golpista não terminou e o relator Alexandre de Moraes agora foi obrigado a reabri-lo, a pretexto de rejeitar um recurso apresentado pela defesa nesta segunda-feira.

Assim, para espanto de todo o país (à exceção dos leitores da Tribuna da Internet), a Ação Penal 2.668 não havia terminado em 25 de novembro, quando Moraes despachou nos autos, para grotesca e ilegalmente considerar “que não cabia mais nenhum tipo de recurso no caso”, como o site de notícias do próprio Supremo informou à época e continua informando, equivocadamente.

ERRO TERATOLÓGICO – O fato concreto é que, do alto de sua inexperiência jurídica e de sua arrogância na condição de magistrado, o relator do mais importante processo da História do Brasil resolveu decretar em 25 de novembro o “trânsito em julgado” da condenação e determinou o início do cumprimento da pena.

O mais incrível e juridicamente estarrecedor é que, no dia seguinte, a errônea decisão de Moraes foi confirmada por unanimidade na Primeira Turma do Supremo, integrada por Flávio Dino (presidente), Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, pois em 21 de outubro Luiz Fux já tinha pedido transferência para a Segunda Turma.

A pergunta que agora não quer calar é a seguinte: “Como se pode aceitar que, no processo mais importante da nação, quatro ministros do Supremo possam ter cometido erro tão primário e monstruoso, considerado “teratológico” na linguagem dos juristas?

SILÊNCIO ABISSAL – Todos aceitaram o equívoco de Moraes, houve um silêncio sepulcral, os réus foram presos antes do término da ação penal, apesar de se tratar de um ex-presidente da República, de comandantes das Forças Armadas e de ex-ministros.

Bem, registre-se que apenas a Tribuna da Internet veio a público apontar o erro bisonho e noticiar que a ação penal 2.668 teria de ser retomada, quer os  ministros da Primeira Turma quisessem ou não.

Na forma da lei, Moraes jamais poderia extinguir o processo, pois havia duas petições do réu Mauro Cid a serem respondidas e ainda corria prazo para apresentação de recursos pelos réus. Portanto, agiu ilegalmente, com a complacência dos outros ministros.

NOVO RECURSO – Em seguida, a defesa de Bolsonaro apresentou no dia 3 de dezembro os embargos infringentes, recurso por meio do qual o réu busca reverter condenações impostas por decisão não unânime.

Vergonhosamente, Moraes teve de esquecer o falso “trânsito em julgado” e reabriu a Ação Penal 2.668, para rejeitar o processamento do recurso, alegando o entendimento do STF de que são necessários dois votos absolutórios para o cabimento de embargos infringentes contra decisões das Turmas.

Cabe aqui uma pergunta processual. Se o processo transitara em julgado, como a Secretaria do Supremo aceitou o recurso? Em tradução simultânea, Moraes e os ministros erraram, mas a Secretaria agiu certo.

NOVO ERRO – No dia 19 de dezembro, o ministro Alexandre rejeitou o processamento do pedido, destacando o entendimento do STF de que são necessários dois votos absolutórios para o cabimento de embargos infringentes contra decisões das Turmas. No caso do ex-presidente Bolsonaro, houve apenas um voto absolutório.

O relator também alegou o caráter protelatório do recurso, considerando-o “ineficaz para impedir o trânsito em julgado da condenação”.

Diante disso, os advogados de Bolsonaro interpuseram nesta segunda-feira, dia 12, um agravo regimental com o objetivo de reformar essa decisão.

SEM CABIMENTO? – Na decisão desta terça-feira, dia 13, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que é “absolutamente incabível juridicamente” a apresentação do agravo regimental pela defesa de Bolsonaro após a decisão que tornou definitiva a condenação e determinou o início do cumprimento da pena.

Foi mais um erro de Moraes, porque o processo não pode terminar antes de esgotados todos os recursos, e o agravo regimental está previsto, com todas as letras, no Regimento do Supremo, tendo sido apresentado sem delongas, ou seja, dentro do prazo legal estabelecido.

DIZ O REGIMENTONa verdade, Moraes não poderia nem mesmo ter se manifestado, porque o Regimento do Supremo não permite que o relator original despache o agravo regimental. Cabe ao relator da Segunda Turma fazê-lo, segundo o artigo 76:

“Se a decisão embargada for de uma Turma, far-se-á a distribuição dos embargos dentre os Ministros da outra; se do Plenário, serão excluídos da distribuição o Relator e o Revisor.

Portanto, desde a apresentação dos embargos infringentes, em 3 de dezembro, Moraes não poderia mais atuar na Ação Penal 2.668. Assim, fica claro que o processo não havia transitado em julgado e até pode prosseguir, caso a defesa de Bolsonaro se interesse e mostre competência.

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P.S.
Sinceramente, tenho minhas dúvidas quanto à capacidade profissional dos advogados de Bolsonaro. A meu ver, são tão despreparados quanto o ministro Alexandre de Moraes, porque já mostraram que também não conhecem o Regimento do Supremo. Bem, depois a gente volta ao assunto, sempre com absoluta exclusividade. (C.N.)

Venezuela reaparece como arma eleitoral e expõe fissuras no PT

Moraes barra novo recurso de Bolsonaro e diz que pedido é “absolutamente incabível”

Moraes afirmou que o processo já está encerrado

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira um novo recurso da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra sua condenação. Moraes considerou que o pedido é “absolutamente incabível juridicamente”.

Na segunda-feira, os advogados de Bolsonaro apresentaram um agravo regimental contra uma decisão de Moraes de dezembro, que havia rejeitado a apresentação de um recurso contra sua condenação na trama golpista.

PROCESSO ENCERRADO – A defesa queria que o ministro reconsiderasse sua decisão ou levasse o caso para o plenário do STF. Nesta terça, contudo, Moraes afirmou que o processo do ex-presidente já está encerrado, sem a possibilidade de novos recursos.

“Absolutamente incabível juridicamente a interposição desse recurso após o trânsito em julgado do Acórdão condenatório e o início do cumprimento da pena de reclusão”, escreveu o ministro. O ponto central da discussão é a possibilidade de apresentar os chamados embargos infringentes, tipo de recurso usado para contestar decisões não unânimes.

Bolsonaro foi condenado em setembro pela Primeira Turma do STF, por quatro votos a um, a 27 anos e três meses de prisão, por tentativa de golpe de Estado. Em novembro, Moraes determinou o fim do processo e o início do cumprimento da pena, sem abrir espaço para a apresentação dos embargos infringentes.

DOIS VOTOS – A decisão do ministro foi baseada no entendimento atual do STF, de que são necessários dois votos pela absolvição para usar esse instrumento contra julgamentos de turmas.

A defesa de Bolsonaro, no entanto, decidiu apresentar os embargos mesmo assim, argumentando que essa restrição não existe no regimento do STF. Em dezembro, Moraes não conheceu o pedido, ou seja, nem chegou a analisar o mérito. Na segunda-feira, os advogados recorreram dessa decisão e pediram que prevalecesse o voto pela absolvição, proferido pelo ministro Luiz Fux.

Bolsonaristas cobram apoio de Tarcísio a Flávio e falam em traição

Advogado pede prisão preventiva de Lulinha ao STF em investigação sobre fraudes no INSS

Requerimento foi direcionado ao ministro André Mendonça

Lauro Jardim
O Globo

Defensor de Filipe Martins na ação em que o ex-assessor de Jair Bolsonaro foi condenado no STF por participação na trama golpista, o advogado Jeffrey Chiquini apresentou nesta teraç-feira, um requerimento direcionado ao ministro André Mendonça para decretar a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito das investigações da PF sobre fraudes no INSS.

Recentemente, a PF enviou representação ao Supremo comunicando que o filho do presidente Lula “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, apontado como o pivô do esquema. Mendonça é o relator do inquérito na Corte.

PEDIDO “TÉCNICO” – Chiquini não atua na defesa de nenhum dos investigados no caso, mas decidiu acionar o STF de forma pessoal, por entender que o pedido é “técnico”. A petição não tem relação com a defesa de Filipe Martins.

No requerimento, o advogado cita “a existência de indícios robustos” do possível envolvimento direto de Lulinha nas fraudes, “circunstância que afasta o caráter meramente especulativo das imputações e confere densidade institucional às informações veiculadas”.

O autor do pedido citou uma notícia do portal Metrópoles de que o filho de Lula, “deixará (ou até já deixou) o território nacional nos próximos dias, retornando à Espanha, onde mantém residência, após breve passagem pelo Brasil durante o período de final de ano, inclusive sem, ao que consta, ter sequer se colocado à disposição das autoridades investigativas do caso para esclarecimentos”.

FUNDAMENTO – Escreveu o advogado, para fundamentar o pedido de decretação da prisão preventiva de Lulinha: “Tal circunstância assume especial relevo sob a ótica cautelar, na medida em que a saída do país em contexto de investigação criminal avançada, envolvendo crimes de elevada gravidade e complexidade, constitui elemento objetivo apto a evidenciar risco concreto à aplicação da lei penal, sobretudo quando o investigado dispõe de recursos financeiros expressivos e mantém vínculos no exterior, fatores que, em tese, facilitam eventual evasão do distrito da culpa e dificultam a efetividade da persecução penal.”

Ele também solicitou que a petição seja encaminhada “com máxima urgência” ao Ministério Público para que se manifeste e ratifique o pleito de prisão preventiva.

Com Maduro preso, Joesley Batista corre contra EUA para salvar negócios na Venezuela

Trump declarou que os EUA “governarão” a Venezuela

Malu Gaspar
O Globo

A prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos deu a Joesley Batista um novo motivo para acionar seus contatos junto ao governo de Donald Trump sobre os produtos brasileiros. Depois de ajudar a desatar o nó do tarifaço contra os produtos brasileiros, o dono do grupo J&F precisa impedir que a geopolítica de Trump atinja seus próprios negócios na Venezuela.

A J&F é sócia de uma concessão para exploração de poços de petróleo que hoje estão sob o controle do regime chavista, mas foram expropriados da multinacional americana ConocoPhillips em 2006, durante o processo de estatização do setor na era Hugo Chávez. A empresa dos EUA posteriormente ganhou o direito a indenizações em arbitragens internacionais, mas o veredicto foi sumariamente ignorado por Caracas.

CONTROLE – Desde a captura de Maduro, Trump já declarou que os EUA “governarão” a Venezuela e controlarão uma “extraordinária quantidade de riquezas” das reservas do país como forma de “reparação” às petroleiras americanas que perderam o direito de atuar no país caribenho após investirem pesadamente na operação venezuelana.

“Nossas grandes petroleiras dos EUA, as maiores de todo o mundo, entrarão na Venezuela e gastarão bilhões de dólares para consertar a infraestrutura petrolífera, que está muito danificada, e começar a lucrar em prol do país”, declarou o americano horas após o bombardeio em Caracas.

Fontes venezuelanas familiarizadas com o assunto relataramque Joesley e seus parceiros de negócios em Caracas têm tentado se reunir com a presidente interina, Delcy Rodríguez, para manter suas operações intactas diante do assédio americano, que vem propondo parcerias e compensações que sejam vantajosas para o governo interino.

JOINT-VENTURE – Oficialmente, o grupo brasileiro nega qualquer atuação no país vizinho. Mas não é segredo na Venezuela que o grupo mantém negócios no setor através da Petro Roraima, uma joint-venture de capital misto controlada por uma filial da estatal PDVSA em parceria com a A&B Oil and Gas, companhia privada do empresário Jorge Cardona, representante dos Batista no país.

O temor de Joesley é de que os EUA retomem completamente a operação dos poços e a J&F seja desalojada e sofra prejuízos bilionários, o que se justifica à luz das circunstâncias.

Neste curto intervalo, Trump já anunciou a cessão de 50 milhões de barris de óleo sob a gestão Delcy, o que reforçou a impressão de que o chavismo pretende cooperar com os americanos em troca de sua sobrevivência política e blindagem judicial. Em outra seara, o regime já acenou com a libertação de dezenas de prisioneiros políticos, uma das exigências do presidente e do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

MAIOR CREDORA – Na última sexta-feira, em uma reunião com representantes de petroleiras americanas na Casa Branca, Donald Trump ouviu do CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, que a companhia é a maior credora da Venezuela, excluindo países soberanos, totalizando US$ 12 bilhões em dívidas, o que pareceu surpreender o presidente americano.

Lance sugeriu ainda que os EUA reconstruam “todo” o setor energético da Venezuela, incluindo a estatal PDVSA. Ao final da fala, Trump agradeceu e emendou: “Você vai conseguir uma grande parte do seu dinheiro de volta”.

O imbróglio traz um cenário de incertezas no momento em que o grupo ganhou os holofotes pela atuação no lobby contra o tarifaço em reforço ao Itamaraty. A JBS é a maior produtora de carne dos EUA e foi a maior doadora da posse de Trump através de uma subsidiária americana.

REUNIÃO COM MADURO – De olho no futuro dos negócios petrolíferos na Venezuela, Joesley já havia viajado a Caracas em novembro do ano passado para se reunir com Maduro diante do ultimato de Trump para que o ditador deixasse o poder com o objetivo de convencê-lo a renunciar e se exilar na Turquia, como revelaram a agência Bloomberg e o Washington Post.

A J&F afirmou, por meio de nota, que “a informação não procede” e que o grupo “não controla poços de petróleo na Venezuela”. Como revelamos em fevereiro passado, o Itamaraty colocou sob sigilo de cinco anos telegramas diplomáticos sobre os irmãos Joesley e Wesley Batista e o regime até então liderado por Maduro. A informação partiu do próprio Ministério das Relações Exteriores após a equipe do blog solicitar o material via Lei de Acesso à Informação.

Entre os documentos colocados em sigilo está o relato de uma visita ao então ministro de Petróleo e presidente da PDVSA, Pedro Tellechea, que teria ocorrido em fevereiro de 2024. Mas o Termo de Classificação da Informação, documento em que o Itamaraty informa a imposição do sigilo, não esclarece quem participou da audiência nem os assuntos tratados.

PROXIMIDADE –  De acordo com fontes venezuelanas, a atuação dos Batista no país foi azeitada por Jorge Cardona com o beneplácito do atual ministro do Interior, Diosdado Cabello, que também é próximo de Joesley. Em 2015, o brasileiro o recebeu em fábricas da JBS e da Eldorado em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Ex-vice-presidente do país e tido como o homem forte do regime, Cabello coleciona divergências com Delcy Rodríguez. Recentemente, os EUA ameaçaram capturar o ministro em uma nova operação militar caso ele não coopere com o governo interino ou, ainda, conspire contra a nova presidente.

Após esse ultimato, os primeiros presos políticos foram libertados pelo governo. O sistema prisional está sob a tutela de Cabello — o que pode sinalizar um distensionamento no regime, uma capitulação do chavista ao vale tudo de Washington e, claro, uma má notícia para Joesley Batista.

Dona Janja quer estrelar um filme, mas não pode ser com Renato Aragão e Dedé Santana

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Lula da Silva está com um abacaxi nas mãos. O maior ananás do pomar do Palácio da Alvorada. Mais complicado para descascar do que os constantes arranca-rabos com o Congresso. É que desta vez Dona Janja da Silva sonha em estrelar um filme. Longa de verdade, com bom elenco, capaz de ganhar prêmios no exterior.

Janja exige que seja produção grandiosa. Parecida com o premiado “O agende secreto”. Não quer saber dos altos custos.

TALENTO DE SOBRA – A primeira-dama já disse ao bondoso marido que tem talento de sobra para fazer sucesso também na sétima arte. Argumenta que se expressa bem, com português perfeito, sem erros. Tem boa presença em público. Além de ser amada pelos brasileiros.

 Socióloga de formação, Janja quer que o filme estrelado por ela fique pronto antes das eleições. Acredita que o longa será peça valiosa na campanha de Lula e do PT, colaborando para a reeleição de Lula. Ano passado Janja chegou a pensar em concorrer ao BBB da Globo. Levava fé. Garante que é carismática.

Mas graúdos do PT convenceram Lula de que Janja no BBB deixaria o governo do marido exposto demais. Janja seria massacrada no quadro “Sincerão”.

NÃO HÁ VERBA – Lula não quer deixar Janja triste e decepcionada neste sonho de tornar-se boa atriz e premiada, mundo afora.  Disse a ela que o governo não dispõe de verba suficiente para financiar o filme. Gastos do governo, só em viagens do casal, somam perto de 6 voltas ao mundo.

Lula, habilidoso na arte de transformar dinheiro escasso em milionários reais, ponderou com Janja que pedirá aos leais aliados senador Davi Alcolumbre e deputado Hugo Motta que contribuam com parte das milionárias emendas deles, dadas pelo governo, para tirar do papel o sonho generoso de Janja.

Isto feito e obtido, resta outro entrave igualmente difícil de ser concretizado, mal começaram os problemas de Lula. Janja exige que um premiado ator, o bonitão Wagner Moura, seja parceiro dela no arrojado filme que marcará época no cinema brasileiro.

OUTROS ARTISTAS – Janja quer mesmo enlouquecer Lula, que alegou para a braba primeira dama que o ator, além de caro, vai tirar férias. Petistas mais íntimos então observaram ao chefe que existem artistas também famosos e livres no mercado. Entre eles, Renato Aragão e Dedé Santana.

Lula gostou das opções artísticas para solucionar o enorme abacaxi. De imediato correu, entre aliviado e contente, para contar a Janja que o impasse do ator para trabalhar com ela estava resolvido.

Foi expulso da suíte e teve de dormir no sofá, aquele de altíssimo luxo que a dona Janja comprou pessoalmente, no início do governo.  E como dizem no final dos filmes, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

João Cabral de Melo Neto, refletindo sobre a máquina do tempo

Hoje João Cabral de Melo Neto completaria 97 anos e é nossa  #InspiraçãoDoDia ! Amante da leitura, costumava devorar os livros na casa  de sua avó. Foi diplomata, poeta e se consagrouPaulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata e poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), no poema “O Relógio”, faz uma comparação entre a máquina e a vida humana.

O RELÓGIO
João Cabral de Melo Neto

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Uma vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.

O que eles cantam, se pássaros,
é diferente de todos:
cantam numa linha baixa,
com voz de pássaro rouco;

desconhecem as variantes
e o estilo numeroso
dos pássaros que sabemos,
estejam presos ou soltos;

têm sempre o mesmo compasso
horizontal e monótono,
e nunca, em nenhum momento,
variam de repertório:

dir-se-ia que não importa
a nenhum ser escutado.
Assim, que não são artistas
nem artesãos, mas operários

para quem tudo o que cantam
é simplesmente trabalho,
trabalho rotina, em série,
impessoal, não assinado,

de operário que executa
seu martelo regular
proibido (ou sem querer)
do mínimo variar.

A mão daquele martelo
nunca muda de compasso.
Mas tão igual sem fadiga,
mal deve ser de operário;

ela é por demais precisa
para não ser mão de máquina,
a máquina independente
de operação operária.

De máquina, mas movida
por uma força qualquer
que a move passando nela,
regular, sem decrescer:

quem sabe se algum monjolo
ou antiga roda de água
que vai rodando, passiva,
graçar a um fluido que a passa;

que fluido é ninguém vê:
da água não mostra os senões:
além de igual, é contínuo,
sem marés, sem estações.

E porque tampouco cabe,
por isso, pensar que é o vento,
há de ser um outro fluido
que a move: quem sabe, o tempo.

Quando por algum motivo
a roda de água se rompe,
outra máquina se escuta:
agora, de dentro do homem;

outra máquina de dentro,
imediata, a reveza,
soando nas veias, no fundo
de poça no corpo, imersa.

Então se sente que o som
da máquina, ora interior,
nada possui de passivo,
de roda de água: é motor;

se descobre nele o afogo
de quem, ao fazer, se esforça,
e que êle, dentro, afinal,
revela vontade própria,

incapaz, agora, dentro,
de ainda disfarçar que nasce
daquela bomba motor
(coração, noutra linguagem)

que, sem nenhum coração,
vive a esgotar, gota a gota,
o que o homem, de reserva,
possa ter na íntima poça.

Lula lidera cenários de 1º turno e empata com Tarcísio no 2º, aponta pesquisa

Em um eventual 2º turnohá empate técnico com Tarcísio

Laura Intrieri
Folha

O presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026 e aparece tecnicamente empatado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em um eventual segundo turno, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (13) pelo portal Meio em parceria com o instituto de pesquisas Ideia.

Nos cinco cenários estimulados de primeiro turno testados pela pesquisa, Lula mantém a liderança. Contra Tarcísio de Freitas, o petista marca 40,2%, ante 32,7% do governador paulista. Em um dos cenários com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador atinge 27,6% contra 39,6% do presidente. Na disputa contra Michelle Bolsonaro (PL), o petista tem 40,1% contra 29,7% da esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

SEGUNDO TURNO – Em um eventual segundo turno entre Lula e Tarcísio, há empate técnico dentro da margem de erro: o presidente tem 44,4%, enquanto o governador de São Paulo soma 42,1%. Nos demais cenários de segundo turno testados, Lula aparece à frente dos adversários. Ele marca 46% contra 37% de Ratinho Jr. (PSD-PR), 46,3% contra 36,5% de Ronaldo Caiado (União Brasil – GO), 46% contra 39% de Michelle, 46,3% contra 36,1% de Romeu Zema (Novo – MG) e 46,2% contra 36% de Flávio.

Na pergunta espontânea —em que os entrevistados respondem “Em 2026 teremos eleições para presidente do Brasil, se as eleições fossem hoje em quem você votaria?”— Lula aparece com 32% das intenções de voto. O ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível e condenado a 27 anos e três meses de prisão, tem 9,5%, seguido por Flávio Bolsonaro (6,6%), Tarcísio de Freitas (6,1%) e Michelle Bolsonaro (3,6%). Os demais nomes ficam abaixo de 2%.

MAIS LEMBRADO – Lula é também o candidato mais lembrado quando os participantes foram perguntados sobre em quem não votariam de jeito nenhum. Apontaram rejeitar o petista 40,8%. O presidente é seguido de Flávio Bolsonaro (30%), Michelle (26,1%) e Tarcísio (16,2%).

Sobre o voto para presidente, 64,5% dizem estar decididos, contra 35,5% que afirmam o contrário. Metade dos brasileiros acha que Lula não merece continuar no poder, 46,9% acham o oposto e 3,1% não sabem.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06731/2026. Devido a arredondamentos, a soma dos percentuais pode não totalizar exatamente 100%. O levantamento foi pago pelo Meio.

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