Banco Master: quando a omissão regulatória vira prejuízo social

Fux pede vista em série e paralisa julgamentos dos atos golpistas no STF

Fux pediu vista em 101 julgamentos do 8 de Janeiro

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Luiz Fux pediu vista em todos os julgamentos dos atos golpistas do 8 de Janeiro dos quais participou no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) desde o fim de outubro do ano passado. Nesse período, Fux paralisou 101 julgamentos, incluindo de mérito, de recebimento de denúncia ou de recursos.

Fux afirmou, por meio da Secretaria de Imprensa do STF, que fez os pedidos para adequar sua posição a outros votos proferidos anteriormente e que busca manter sua coerência na análise das condutas dos réus. Na maior parte dos casos já havia maioria formada. Em alguns deles, falta apenas o voto de Fux. Um pedido de vista pode durar até 90 dias. O procedimento serve para ter mais tempo de análise do processo, e não é necessário apresentar uma justificativa.

SOB ANÁLISE – O magistrado passou a adotar essa atitude após deixar a Primeira Turma do STF, onde parte das ações penais do 8 de Janeiro é julgada. Os processos mais antigos, contudo, continuam sendo analisados no plenário, com a participação de todos os ministros.

A maioria dos pedidos (68) foi em julgamentos do mérito das ações penais, quando é decidida a absolvição ou a condenação. Já 24 das vistas ocorreram na análise de recursos, e nove no aditamento de denúncias, que ocorre quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresenta novas acusações contra um réu.

A sequência de pedidos de vista é mais uma etapa da inflexão de Fux em relação ao 8 de Janeiro. Após passar cerca de um ano e meio seguindo integralmente o relator, ministro Alexandre de Moraes, em centenas de condenações, o ministro passou a divergir no ano passado e tornou-se o principal contraponto na Primeira Turma.

“NÚCLEO CRUCIAL” – O auge da discordância foi durante o julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista, em setembro. Fux defendeu a absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros cinco réus de todos os crimes pelos quais foram acusados, mas ficou vencido por quatro votos a um.

Na época, citou os pedidos de vista como exemplo de “humildade judicial”: “Nós já julgamos algumas milhares de ações, algumas centenas ou milhares de ações. Mas foi exatamente verticalizando nesse voto que eu propus a mim, como magistrado, que deve ter a humildade judicial de evoluir, de reconsiderar, que eu estou pedindo vista, estou aceitando embargos de declaração, aceitando revisões criminais”. No mês seguinte, Fux decidiu ir para a Segunda Turma, na vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

Desde o fim de 2023, processos criminais tramitam nas Turmas (formadas por cinco ministros cada). Entretanto, no caso das denúncias recebidas até aquela data, a competência continuou no plenário. Por isso, ainda há julgamentos do 8 de Janeiro com todos os ministros.

“DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA” – Ao recorrer da condenação, a defesa de Bolsonaro usou o voto de Fux para tentar emplacar a tese de “desistência voluntária”. Isso significa, segundo os advogados, que o STF deveria adotar o entendimento de que o réu desistiu de liderar ou comandar atos golpistas. Ou seja, na hipótese da existência de atos de preparação para a ruptura democrática, Bolsonaro teria atuado para desestimular ações golpistas.

“O embargante deliberadamente interrompeu o curso dos fatos, caracterizando a desistência voluntária”, registra a defesa. O mesmo fizeram os advogados do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira.

O voto de Fux foi destacado seis vezes no chamado “embargo de declaração” de Bolsonaro, para reforçar os argumentos da defesa. “O voto do ministro Fux vem demonstrar que as ilegalidades trazidas pela defesa ao final da ação penal não se confundem nem são resolvidas pelo quanto analisado quando do recebimento da denúncia”, dizem os advogados na petição.

Órgãos federais não registram trabalho da mulher de Moraes para o Banco Master

Viviane não atuou em ao menos três órgãos previstos

Malu Gaspar
O Globo

Apesar da previsão expressa no contrato milionário firmado pela advogada Viviane Barci de Moraes com o Banco Master, o trabalho da mulher do ministro Alexandre de Moraes é desconhecido em pelo menos três dos quatro órgãos do Executivo onde ela supostamente deveria atuar: o Banco Central, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e agora também a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Em resposta a um pedido apresentado pela equipe da coluna via Lei de Acesso à Informação, a PGFN informou que “não foi identificado registro de ingresso” da advogada em suas instalações em Brasília entre janeiro de 2024 (quando o contrato dela com o Master entrou em vigor) e dezembro de 2025.

CONSULTORIA – A PGFN é um órgão vinculado à Advocacia-Geral da União (AGU) voltado para defender a União em causas fiscais, cobranças judiciais de créditos tributários e não tributários, além de prestar consultoria para o Ministério da Fazenda.

“As Procuradorias Regionais da Fazenda Nacional também foram consultadas e informaram que, após consulta às suas unidades regionais, inclusive seccionais e escritórios de representações, não foi detectada nenhuma reunião, audiência e ou entrada física da Sra. Viviane Barci de Moraes, no período de 16 de janeiro de 2024 até a presente data”, respondeu o órgão ao pedido da equipe do blog.

O contrato do escritório de Viviane com o Master, cujo teor foi revelado pelo blog, previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais. Em uma de suas cláusulas, determinava que a mulher de Alexandre de Moraes organizaria “cinco núcleos de atuação” perante o Judiciário, Legislativo e em quatro órgãos do Executivo: o Banco Central, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Receita Federal.

ATUAÇÃO ESTRATÉGICAO contrato do Master com o escritório da família de Alexandre de Moraes previa a atuação “estratégia, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, o Ministério Público, o Legislativo e o Executivo.

Como foi assinado em 16 de janeiro de 2024, se tivesse sido cumprido integralmente o contrato teria rendido ao Barci de Moraes Associados cerca de R$ 130 milhões até o início de 2027 – ano em que Alexandre de Moraes assumirá a presidência do Supremo, no esquema de rodízio do tribunal por antiguidade.

No mês passado, o blog já havia informado que o Banco Central e o Cade não possuem registro de acesso da advogada em suas instalações, apesar de o contrato firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante as instituições. O BC teve papel-chave na análise da nebulosa compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

PRESSÃO – Conforme revelou o blog, Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Já o Cade era estratégico para os interesses de Vorcaro para garantir a aprovação da compra do negócio, anunciada em março do ano passado. Embora o BC tenha vetado a operação após descobrir as fraudes na venda de créditos do Master para o BRB, o Cade aprovou o negócio sem restrições em junho passado.

AUTORIZAÇÃO –  A equipe da coluna tentou entrar em contato com Viviane na última segunda-feira (12), mas uma funcionária do escritório Barci de Moraes informou à reportagem que não tinha autorização para informar o e-mail da advogada. Viviane não retornou a ligação do blog ao escritório, mas o espaço segue aberto. Procurada, a assessoria do Banco Master não respondeu às perguntas pedindo esclarecimentos sobre a atuação da mulher de Alexandre de Moraes.

No mês passado, em nota enviada à imprensa, Moraes alegou que suas reuniões com o BC foram para tratar dos efeitos das sanções da Lei Magnitsky. Segundo o ministro, o escritório de advocacia de Viviane “jamais atuou na operação de aquisição Master-BRB perante o Banco Central”.

Após férias em Dubai, Moraes vai enfrentar o ano mais terrível de sua vida

Tribuna da Internet | Alexandre de Moraes tornou-se campeão de pedidos de impeachment no Senado

Na quinta, Moraes assume a presidência interina do STF

Carlos Newton

O ministro Alexandre de Moraes fechou em 2025 o pior ano de sua vida, quando justamente esperava conseguir a consagração definitiva, devido ao julgamento do núcleo central da conspiração golpista. Em sua supervalorizada autoestima, ele pensou que estava entrando na História como o salvador da democracia brasileira, mas não é bem isso que será registrado pelos pesquisadores.

Realmente, Moraes teve grandes momentos de glória, era bajulado em todas as situações. Quando entrava em algum restaurante, só faltava ser aplaudido de pé. De repente, porém, tudo mudou.

PREÇO DO SUCESSO – Em meio ao escândalo do banco Master, Moraes aproveitou o recesso e viajou com a mulher para Dubai, na esperança de que o luxo possa ocultar a realidade. Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto, e o casal acabará entendendo que a própria vida sempre cobra alto preço pelo sucesso indevido

Toda estrela, por mais brilhante que seja, tem prazo de validade. E foi exatamente o que aconteceu com Alexandre de Moraes.

Seus problemas começaram em plena apoteose da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e do grupo principal do golpe, quando surgiu o voto discordante de Luiz Fux, o único integrante do Supremo que pode ser considerado jurista.

JUIZ-CARRASCO – O voto de Fux, com 429 páginas, deixou claro que Moraes não estava agindo como juiz, pois se portava como um verdadeiro carrasco. E assim o rigor de suas penas começou a ser cada vez mais discutido e rejeitado.

Como se sabe, para justificar as condenações draconianas do 8 de Janeiro, o relator classificou como “terroristas” os 1.339 réus e, artificialmente, aumentou de três para cinco o número de crimes cometidos.

Nesse esquema, Moraes incriminou esses “terroristas” por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e também por golpe de Estado, que são crimes excludentes, que significam a mesma coisa. Igualmente, o relator os condenou por dano qualificado pela violência e também por deterioração de patrimônio tombado, crimes também excludentes — ou se pratica um ou o outro.

PENAS DOBRADAS – Assim, Moraes foi dobrando ilegalmente as penas, e procedeu da mesma forma ilegal ao condená-los por organização criminosa armada, pois a quase totalidade nem se conhecia e nenhum deles portava arma.

O mais triste é que, no Supremo, até Luiz Fux apoiou esse insano rigor; apenas Nunes Marques e André Mendonça denunciaram o exagero e votaram contra.

Moraes assim saiu vitorioso, mas logo em seguida ocorreu a derrocada do Banco Marques e ele se envolveu no escândalo, ao pressionar o Banco Central para ajudar a mulher, que recebia R$ 3,6 milhões mensais para não fazer praticamente nada, segundo o próprio Moraes, ao alegar que ela sequer defendeu o banco na liquidação. Fez o quê, então?

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P.S.Após a estada em Dubai, Moraes assume quinta-feira, dia 15, a presidência do STF, para cobrir as miniférias de Edson Fachin, que retorna ao cargo em 1º de fevereiro. Depois, com o fim do recesso, Moraes será convocado pela CPI do Master, que já tem número suficiente de assinaturas para ser convocada. E o espetáculo não pode parar. (C.N.)

Em ano eleitoral, STF retoma agenda de julgamentos sensíveis ao Congresso

Corte julgará processos que envolvem filhos de Bolsonaro

Carolina Brígido
Hugo Henud
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia 2026 com uma pauta de julgamentos que reúne processos com potencial de impacto político e institucional em ano eleitoral. A Corte analisará ações contra políticos por desvios de emendas parlamentares, além de temas sensíveis como os desdobramentos da ADPF das Favelas, investigações envolvendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Os julgamentos ocorrem em um cenário de acirramento das tensões entre o Supremo e o Congresso Nacional ao longo de 2025 e frustram a expectativa, no meio político, de uma maior autocontenção do tribunal após decisões de alta sensibilidade, como os julgamentos dos atos golpistas de 8 de Janeiro e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de militares na ação penal do golpe.

PRIORIDADE – A Corte priorizará a ação contra o deputado Eduardo Bolsonaro por suposta coação e a denúncia contra o blogueiro Paulo Figueiredo, que, segundo as investigações, atuou como braço direito do parlamentar em negociações com autoridades americanas.

O andamento do processo contra Figueiredo enfrentava entraves devido à falta de notificação formal para a defesa prévia, já que o investigado reside nos Estados Unidos. Fontes do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), contudo, indicam que a intimação será considerada válida dada a manifestação pública do blogueiro sobre o caso. A expectativa é que a denúncia seja aceita no início do ano, transformando-o em réu. Caso condenado, ele será o 30º sentenciado pela Corte no âmbito dos inquéritos sobre a tentativa de ruptura institucional.

Simultaneamente, o Tribunal deve acelerar a ação penal contra Eduardo Bolsonaro. A acusação sustenta que o deputado utilizou canais políticos na Casa Branca para constranger a Corte e tentar livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro das investigações. Embora Figueiredo seja citado como articulador nessas tratativas para impor sanções a ministros, a denúncia atual contra ele refere-se a outros fatos.

CRONOGRAMA – A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia contra Eduardo em novembro. O cronograma prevê a conclusão da instrução processual e o julgamento de mérito ainda no primeiro semestre de 2026. O processo destaca que magistrados, incluindo Alexandre de Moraes, chegaram a ser alvo de punições baseadas na Lei Magnitsky. As investigações da Polícia Federal já haviam identificado, anteriormente, planos que ameaçavam a integridade física de autoridades do Tribunal.

Outro julgamento de grande impacto da agenda do Supremo está marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro, quando a Primeira Turma analisará a ação penal contra os réus acusados de serem mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, executados em março de 2018, no Rio de Janeiro.

Na ação, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, figuram como réus os irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, também ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

EMENDAS – Na sequência, o Supremo passa a enfrentar uma das mais de 80 ações penais e inquéritos em tramitação que tratam de supostos desvios de recursos de emendas parlamentares, abrindo um novo flanco de tensão com o Congresso. O presidente da Primeira Turma, Flávio Dino, marcou para os dias 10 e 11 de março as sessões que vão julgar a primeira ação penal relacionada ao orçamento secreto, caso revelado pelo Estadão.

O processo envolve os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), acusados de cobrar propina para liberar verbas de saúde. Na ação, relatada pelo ministro Cristiano Zanin, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que os parlamentares exigiram vantagens indevidas para liberar pouco mais de R$ 6 milhões em emendas destinadas ao município de São José de Ribamar (MA).

Paralelamente ao avanço dessas ações penais, Dino atua em uma frente voltada ao próprio modelo das emendas parlamentares. Relator de quatro ações sobre o tema, ele indicou que pretende solicitar ao presidente da Corte, Edson Fachin, que leve a julgamento a ação que discute a constitucionalidade das emendas impositivas, aquelas de pagamento obrigatório, pelas quais o governo é obrigado a liberar recursos indicados por deputados e senadores.

ADPF DAS FAVELAS – Em outra frente, ações de caráter estrutural sob relatoria de Moraes também tendem a ampliar o alcance da atuação do Supremo e gerar novos desdobramentos penais envolvendo atores políticos ao longo de 2026. É o caso da chamada ADPF das Favelas.

Criada inicialmente para estabelecer limites às operações policiais no Rio de Janeiro, a ação passou a abranger temas cada vez mais amplos, sem delimitação clara de investigados ou de alcance, e a dar origem a investigações autônomas e sigilosas que ganharam vida própria, entre elas a que resultou na prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).

Em novembro, Moraes determinou a instauração de um inquérito pela Polícia Federal para apurar a atuação do crime organizado no Estado. A medida ampliou o escopo da ADPF e reforçou críticas sobre a expansão do alcance da atuação do Supremo, diante da possibilidade de novos desdobramentos das investigações.

PROTAGONISMO –  Para o pesquisador e professor do Insper Diego Werneck, a agenda de julgamentos prevista para 2026 ajuda a explicar por que o desfecho da ação penal do golpe não encerra a trajetória de protagonismo do Supremo na política, iniciada no Mensalão, consolidada na Lava Jato e prolongada durante o governo Bolsonaro. “A quantidade de investigações em curso mostra que a Corte continuará no centro das disputas, inaugurando uma nova fase de embates com os Poderes”, afirma.

Na mesma linha, o pesquisador da USP e professor do Insper Luiz Gomes Esteves avalia que a pauta de julgamentos prevista para 2026, marcada por temas sensíveis, indica que a Corte não deixará o centro da arena política. “Me parece que esse movimento do Supremo não vai retroceder em um futuro próximo”, diz. Para ele, esses processos se somam a uma sequência recente de episódios que ampliaram o tensionamento entre o STF e os demais Poderes.

Entre eles estão a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo, movimento que abriu uma crise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Senado; a decisão do ministro Gilmar Mendes que alterou o entendimento sobre a Lei do Impeachment, seguida de recuo parcial; a decisão do STF que anulou o ato da Câmara que mantinha a deputada federal Carla Zambelli no cargo; o avanço do calendário eleitoral de 2026; e a declaração de inconstitucionalidade do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, cuja lei havia sido aprovada pelo Congresso em 2023.

Ministros do TCU querem distância do caso Master após novas revelações

Avaliação é que o TCU entrou de forma equivocada no tema

Valdo Cruz
G1

Depois das últimas revelações sobre supostas fraudes e ações coordenadas para atacar o Banco Central, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) querem distância do caso Master. A avaliação deles é que o TCU entrou de forma equivocada no tema e passou a imagem de que está mais preocupado em investigar a liquidação, deixando de lado as fraudes que podem atingir um banco público e aposentados e pensionistas de fundo de pensão.

Segundo alguns ministros do tribunal, o plenário do TCU não deve aprovar uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do banco Master, ainda mais num caso envolto em polêmicas políticas e que ainda pode trazer muitas novidades negativas com a investigação em curso pela Polícia Federal.

CONTRATAÇÕES – As novas revelações de influenciadores contratados para atacar o Banco Central reforçam a tese de que houve uma grande operação para proteger o Master e descredibilizar a liquidação do Master, o que se configura, segundo investigadores, numa operação criminosa para beneficiar quem está sendo acusado de praticar fraudes bancárias.

O que começou com dois casos se mostrou uma operação coordenada de ataques nas redes sociais à Febraban (Federação Brasileiras de Bancos) e ao Banco Central, assustando ainda mais ministros do TCU. Segundo eles, o tribunal deveria manter distância não só regulamentar, mas a perder de vista do caso Master porque ele está se mostrando explosivo.

Críticas à ação do TCU de pedir inspeção sobre liquidação do banco Master levaram a um recuo do tribunal e à marcação da reunião desta segunda-feira (12) entre o presidente do tribunal, Vital do Rêgo, e o do Banco Central, Gabriel Galípolo.

CRÍTICAS – A decisão do ministro Jonathan de Jesus gerou muitas críticas fora e dentro do tribunal e questionamentos sobre o poder do TCU de interferir numa liquidação.

Entre investigadores, há uma reclamação de o TCU ter iniciado seus questionamentos sobre quem liquidou o banco e não sobre as operações irregulares do Master, que podem provocar um rombo de R$ 4 bilhões ao banco público BRB e a clientes da instituição liquidada. Segundo técnicos, o tribunal estava passando a mensagem de estar mais preocupado com o dono do banco do que com seus clientes e as fraudes bancárias.

Moraes autoriza regime semiaberto a Walter Delgatti, o hacker que invadiu o CNJ

Vitória de ‘O Agente Secreto’ mobiliza a esquerda e constrange a direita

A degradação (de Lima Barreto ao Master) expõe também o TCU

TCU abre a caixa preta do Banco Central e a reação foi imediata. A  investigação sobre a liquidação do Banco Master expôs decisões bilionárias  tomadas sem explicações claras, mesmo com propostas de

Reprodução do Instagram

Marcus André Melo
Folha

O vale tudo pós-Lava Jato explica muita coisa, mas não se trata apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados

Em “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o personagem Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabalhar enquanto se ocupa obsessivamente de regras obsoletas e protocolos irrelevantes.

Dizia dedicar-se à redação de um monumental volume intitulado “Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos” —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto.

CORRUPÇÃO ETERNA – O autor escrevia em 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exótico e quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na atual conjuntura.

Ruy Barbosa, em seu parecer sobre a criação do Tribunal de Contas da União, já advertia para o risco de que a instituição se transformasse em um “ornato aparatoso e inútil”, um verdadeiro “Tribunal de Faz-de-Conta”.

O célebre jurista não poderia imaginar que o perigo seria ainda maior: o de os tribunais de contas se tornarem engrenagens auxiliares de uma trama protetiva de esquemas ilícitos de grande envergadura.

TERRA ARRASADA – A sensação contemporânea é a de terra arrasada. Até a Polícia Federal, que ainda figurava como baluarte de credibilidade, começa a ser atingida. Praticamente todos os atores institucionais encontram-se sob suspeita.

O affair Master abalou profundamente a reputação do Supremo —e não apenas a de dois de seus ministros. A CPI do INSS e os esquemas de blindagem por ela revelados agravaram ainda mais o desgaste do governo e do Legislativo como um todo.

O presidente do Senado enfrenta denúncias, o vice-líder do governo foi alvo de busca e apreensão, e as investigações alcançam o círculo familiar do presidente da República. A exposição de milícias digitais em processos envolvendo corrupção tampouco é novidade absoluta —basta lembrar o episódio dos “blogs sujos”—, embora antes sua atuação estivesse mais circunscrita ao terreno político-partidário.

PÓS-LAVA JATO – Como chegamos até aqui? A estrutura de incentivos mudou com o vale tudo pós-Lava Jato. Mas nada disso seria exatamente inédito se estivéssemos falando apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados.

A maior empreiteira do país mantinha um departamento inteiro de “operações estruturadas”, dedicado exclusivamente ao pagamento sistemático de propinas a milhares de agentes públicos.

A J&F, em escala semelhante, distribuiu cerca de R$ 500 milhões a quase 2.000 atores políticos. O manual é conhecido, o roteiro é repetido, os personagens apenas trocam de figurino.

HÁ NOVIDADES – O que é efetivamente novo são dois elementos. Primeiro, as denúncias envolvendo membros das instituições superiores da República, como o STF e os tribunais de contas.

Segundo, a crescente conexão desses esquemas com o crime organizado —fenômeno já conhecido no plano subnacional, notadamente no Rio de Janeiro, mas que agora alcança o centro do sistema. Não por acaso, um conselheiro de Tribunal de Contas daquele estado encontra-se hoje atrás das grades.

A sociedade e a imprensa estão fortemente polarizadas, o que cria limitações importantes para o exercício de alguma forma de accountability social. A única reação a este estado de coisas veio da imprensa. Ou mais propriamente de jornalistas individuais. Lima Barreto vive.

Entre o STF e o Lago Sul: a ‘prisão domiciliar’ improvisada do banqueiro fraudador

“É tarde, eu já vou indo, preciso ir embora, até manhã”, cantava Luiz Vieira

Morre Luiz Vieira, autor de 'Menino Passarinho' | VEJA

Luiz Vieira, um violeiro que encantava o Brasil

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho (1928 – 2020). na “letra de Menino de Braçanã”, fala sobre sua adolescência no interior, quando saia para se encontrar com os amigos e tinha de regressar. A música “Menino de Braçanã” foi o primeiro sucesso de Luiz Vieira, que a gravou, em 1954, pela Todamérica.

Historicamente, vale acrescentar que Braçanã é um lugar situado no Município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, onde Luiz Vieira morou algum tempo, na infância. Antigamente, as terras para serem vendidas eram medidas através de braçadas, isto é, a pessoa abria os braços e, consequentemente, contava uma, duas, cem, mil braçadas etc.  Entretanto, se alguém desconfiasse que a medida não estava correta, dizia que a terra parecia ter sido medida pelos braços de uma anã, surgindo, daí, o nome Braçanã.

MENINO DE BRAÇANÃ
Luiz Vieira

É tarde, eu já vou indo
Preciso ir embora, té amanhã.
Mamãe quando eu saí disse
Filhinho não demora em Braçanã.
Se eu demoro mamãezinha 
Tá a me esperar
Prá me castigar.   
Tá doido moço
Num faço isso, não.
Vou-me embora,
vou sem medo dessa escuridão.
Quem anda com Deus
Não tem medo de assombração
e eu ando com Jesus Cristo
No meu coração

Ataque ao Banco Central no caso Master expõe a República viciada

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #bancomaster #master #moraes #stf #banco #brasil #Natal #papainoel  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Andreazza
Estadão

O caso Master não existiria – não como o conhecemos – sem aqueles, os políticos, os eleitos, cujas atividades foram decisivas à prosperidade fraudulenta do banco. Não estamos diante apenas de empreendimento criminoso contra o sistema financeiro. Essa conta não fechará sem corrupções, sem coação – sem gestões de quem controla o poder.

Essa conta avança desviada-distraída, com o Banco Central de repente até entre os suspeitos. A desqualificação do BC é estratégia de defesa que se tornou influente. Mas a autoridade financeira não está entre os investigados.

DESONESTIDADE – É da ordem da desonestidade intelectual, observada a trama bilionária que compôs a pirâmide do Master, apregoar que o BC teria se precipitado ao liquidar o banco, porque haveria solução alternativa. Tentou-se a solução de mercado – aquela por meio da qual o BRB absorveria o Master para lhe diluir as falcatruas.

O Banco Central – isto, sim – terá demorado a agir. O BC, mais ou menos atrasado, não é investigado. Investigadas são a fraude no Master e suas jogadas com o BRB.

Esses são os objetos deste caso de polícia. Que não existiria sem as relações que Daniel Vorcaro plantou. Não haveria BRB na parada, para comprar carteiras inexistentes, não fossem os afetos que o banqueiro cultivou.

OBRA E GRAÇA – Paulo Henrique Costa não terá se tornado presidente do BRB por graça do Espírito Santo. O governador do DF, Ibaneis Rocha, não é – não pode passar por – observador externo dessa barbaridade; nem se isenta de responsabilidade porque trocou o comando do banco.

Não é crível que Costa tivesse autonomia para negociar bilhões em papéis do Master.

A isso – a esse apagamento das ordens de comando, a esse deslocamento do eixo responsável – também presta serviços a tentativa de criminalização do BC.

FORA DA MIRA – Desapareceram do noticiário também os rolos previdenciários dos Estados com o Master, sumido da teia o Rioprevidência. Que, contra todos os alertas, botou mais de bilhão de reais dos servidores no castelo de cera, outro que ofertaria ao banco a liquidez que a exposição de sua mentira fazia escoar. Transações que jamais prosperariam somente por vontade de burocrata executivo de fundo.

O burocrata executivo de fundo foi escolhido por alguém. Está sob influência do governador. Cláudio Castro não é – não pode ser – observador externo da atrocidade.

Não poderia não saber, ainda que talvez seja melhor passar por incompetente desinformado sobre o que corre no próprio governo.

TAMBÉM ALCOLUMBRE – O mesmo raciocínio serve ao padrinho – Davi Alcolumbre – do sujeito que autorizou o lançamento de milhões do fundo previdenciário do Estado do Amapá na perdição do Master.

O Master não seria Master – não teria chegado aonde chegou, não teria contrato milionário com esposa de ministro do Supremo – sem as relações políticas (incluídas as consultorias de um Lewandowski) que fundamentam exotismos como os do TCU lirista contra o BC.

E sem as relações que fazem juiz de Corte constitucional perguntar ao fraudador sobre a qualidade do trabalho do órgão que lhe liquidou a fraude.

Sem acesso à Casa Branca, Flávio Bolsonaro volta frustrado dos EUA

Flávio queria registro ao lado de Marco Rubio, mas não conseguiu

Gabriel Sabóia
O Globo

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se frustrou em viagem aos Estados Unidos, onde passou as últimas semanas, por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca.

Ao lado de um dos seus irmãos mais novos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Flávio tentou um registro ao lado do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. A invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, no início do ano, entretanto, impossibilitaram o objetivo bolsonarista.

ALINHAMENTO – O encontro tinha por objetivo posicionar ao eleitorado bolsonarista um alinhamento do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro com o governo americano e, com isso, frear qualquer insurgência de outro nome do campo da direita. Além disso, o registro com Rubio mostraria que a família Bolsonaro ainda goza de prestígio junto ao primeiro escalão do governo Trump, apesar da recente aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tentativa, entretanto, não teria soado bem entre nomes do Centrão, que ainda enxergam o apoio a Flávio com ressalvas, apesar de considerarem a empreitada “irreversível”, diante das últimas pesquisas de intenção de votos.

Na interpretação caciques de partidos de centro ouvidos pelo O Globo, o registro de Flávio com Rubio dialogaria apenas “com a bolha bolsonarista” e mostraria que a família ainda flerta com o radicalismo simbolizado pela atuação de Eduardo. Teria partido do filho 03 de Bolsonaro os contatos, que se encerraram no dia 3, após a divulgação da operação militar em território venezuelano.

“ROADSHOW” – A ideia de Flávio é voltar aos Estados Unidos até abril, quando deve fazer uma espécie de “roadshow” pelo país. Até lá, o senador pretende se posicionar mais ao centro e, de acordo com interlocutores, planeja convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para viajar com ela. Desta forma, ele imagina que conseguiria se posicionar como nome de centro-direita.

Dias antes, Flávio passou a virada de ano em evento organizado pelo pastor André Valadão para brasileiros que moram em Orlando. Oficialmente, a ida aos Estados Unidos se tratou de uma “viagem em família para visitar o irmão”. Flávio retornará ao Brasil nos próximos dias.

RECIBO DE BOLSONARO –  Durante a viagem, Flávio ainda transmitiu a Eduardo um recado dado pelo pai, que encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em uma conversa reservada de aproximadamente uma hora, o senador teria passado ao irmão orientações sobre a postura que deve ser adotada de agora em diante: sem confrontos com membros do Centrão e falas que exponham discordâncias com nomes do PL, a exemplo do que já ocorreu anteriormente, quando Eduardo brigou publicamente com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

A orientação dada por Bolsonaro para que os filhos demonstrassem união em torno do nome de Flávio, levada ao pé da letra, também se transformou em problema. Em uma transmissão, Flávio definiu Eduardo como “um craque nas relações internacionais” e disse ser uma honra poder contar com ele para o Itamaraty, caso seja eleito. A fala gerou mal-estar entre os membros do Centrão e Flávio já fez chegar a eles o recado de que tinha a intenção apenas de mostrar o alinhamento familiar.

PRESSÃO – Eduardo compareceu à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e passou a articular meios de pressão para que a pena ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, fosse relaxada, ainda antes do julgamento por participação na trama golpista.

Depois de ver o Brasil sofrer sanções comerciais do governo norte-americano, sob o argumento de que isso ocorria pelo fato de Trump considerar “injustas” as acusações feitas a Bolsonaro, Eduardo viu uma aproximação do americano com Lula, o que culminou acordos para redução das tarifas e a retirada a sanções contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O caso Banco Master : regulação, política e confiança pública

TCU pode investigar a legalidade dos atos praticados

Pedro do Coutto

Na semana que se inicia, o que parecia um embate técnico entre instituições brasileiras ganhou contornos mais amplos — e potencialmente mais profundos — no tabuleiro institucional e político do país. O processo a respeito da liquidação do Banco Master — uma instituição de porte mediano que veio crescendo rapidamente nos últimos anos — caminha agora para um momento decisivo nos tribunais e levanta questões que vão muito além da regulação bancária e da legalidade da intervenção do Estado na economia.

O caso começou, em novembro de 2025, com a decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio a alegações de sérios problemas de liquidez e violações normativas que comprometeriam a solidez da instituição. Na mesma ocasião, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi detido pela Polícia Federal no contexto de uma investigação mais ampla — a chamada Operação Compliance Zero — que apura irregularidades na emissão de títulos e possíveis fraudes.

COMPETÊNCIA – O Tribunal de Contas da União (TCU), instância que não tem poder de reverter a liquidação, entrou em cena para examinar se o BC agiu dentro dos parâmetros legais e procedimentais esperados de uma autoridade reguladora de um sistema financeiro. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, sinalizou com clareza: o tribunal não tem competência para desfazer a liquidação decretada pelo Banco Central, mas pode investigar a legalidade dos atos praticados, revisando os “atos motivacionais” que embasaram a medida.

O teor desta investigação tornou-se um foco político significativo porque revela tensões entre a autonomia do Banco Central — defendida por setores da comunidade financeira e por grande parte do próprio TCU — e o escrutínio externo que se instaura num momento de fragilidade institucional. Enquanto técnicos do tribunal, em análise preliminar, já indicaram que o BC atuou de forma adequada, cabendo apenas esclarecer fundamentos e motivos formais, outro ministro do TCU chegou a propor medidas cautelares que limitassem a venda de ativos do banco em liquidação, gerando reação e discussão sobre os limites e procedimentos de atuação da Corte.

CONFIANÇA –  A repercussão desse episódio vai além do campo jurídico-técnico e toca no âmago da confiança no sistema financeiro e na estabilidade das regras do jogo institucional no Brasil. Para milhões de investidores que aplicaram seus recursos no Master, muitos deles na expectativa de receber valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — um mecanismo crucial de proteção a depositantes e investidores —, a forma como o caso é resolvido afetará não apenas a restituição de bilhões de reais, mas também a percepção sobre a eficácia e os limites da regulação no país.

Além disso, a sucessão de decisões técnicas e as declarações de lideranças envolvidas refletem um momento em que instituições clássicas — como o Banco Central e o TCU — se veem pressionadas a justificar, com transparência, suas ações não apenas perante o direito, mas perante a opinião pública. Esse tipo de escrutínio é saudável em democracias maduras, mas também exige responsabilidade institucional para que o debate não se transforme em um jogo de forças que fragilize o próprio sistema financeiro ou a confiança do mercado.

PONTO DE INFLEXÃO – O comentário do jornalista Elio Gaspari, ao destacar que o TCU “sabe como e onde intervir” com base em informações internas do Banco Master, é um sinal de como a imprensa especializada percebe a complexidade deste caso: não apenas como um litígio técnico, mas como um ponto de inflexão que expõe falhas, desafios e responsabilidades nas práticas de supervisão financeira.

No fundo, o que está em jogo não é apenas um banco, nem apenas a aplicação de regras contábeis ou jurídicas: é a confiança de investidores, a credibilidade de órgãos regulatórios e a clareza com que o Brasil lida com casos complexos de intervenção no mercado financeiro. Em um cenário em que instituições como a Suprema Corte e o TCU estão chamadas a balizar decisões em temas sensíveis, este episódio pode marcar um precedente para os limites entre autonomia regulatória, controle externo e o papel político de decisões econômicas que impactam a vida de milhões de brasileiros.

À medida que o processo avança, com reuniões já marcadas entre as altas cúpulas do Banco Central e do TCU, e com prazos para conclusões formais, a sociedade brasileira precisa acompanhar com rigor e senso crítico — não apenas os aspectos técnicos, mas também as implicações para a governança institucional e a percepção de que o Estado e suas instituições podem responder de forma eficaz e transparente às crises.

Irmãos de Toffoli negociaram fatia milionária em resort com fundo ligado ao caso Banco Master

Piada do Ano! Lula e o PT tentam “derrubar” a CPI do Banco Master

Lula intervém e BC veta compra do Banco Master pelo BRB, causando prejuízo a Brasília - Expressão Brasiliense

Charge reproduzida do Arquivo Google)

Carlos Newton

Quando a gente pensa que já viu tudo em matéria de tentativas de salvar o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, sempre aparece alguma novidade. Desta vez é a notícia de que o presidente Lula da Silva e o PT estão entrando para valer no escândalo do Banco Master e pretendem fazer o possível e o impossível para evitar a criação da CPI no Congresso.

Mas a jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, informa que um dos articuladores da CPI, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) garante que o número de assinaturas cresceu nos últimos dias.

APOIO SUFICIENTE – Até sexta-feira, dia 9, já havia adesão de 208 deputados e 37 senadores. Ou seja, número suficiente para garantir a instalação, que cumpre a exigência regimental de existir “fato determinado”.

O mais interessante é que os lulistas, como diz Dilma Rousseff, estão fazendo o diabo para boicotar a convocação.  Até agora, segundo o deputado Carlos Jordy, nenhum petista assinou a CPI e apenas três integrantes da base aliada apoiam a convocação Tabata Amaral (PSB-SP), Duarte Junior (PSB-MA) e Marcos Tavares (PDT-RJ).

Desde o início do escândalo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixou claro que tentará evitar a formação dessa CPI. Mas ele tem um inimigo poderoso Alessandro Vieira (MDB-SE), o senador mais respeitado da atual legislatura, ex-delegado de polícia e que também está colhendo assinaturas.

CHEGOU A HORA – Ao anunciar que buscaria apoio durante o recesso para formar a CPI, Alessandro Vieira se mostrou indignado com os rumos da crise do Banco Master e com a chamada “ditadura do Judiciário”, e desabafou: “Está na hora de ministro de tribunal superior ir para a prisão”.

Nesse clima de ressurreição do combate à corrupção, a Piada do Ano é a posição do Planalto. Sabe-se que Lula e os principais dirigentes de seu partido têm uma certa dificuldade de desenvolver raciocínios. Mesmo assim, causa espanto a estratégia adotada, de torpedear a qualquer custo a formação da CPI do Master.

O mais ridículo é a justificativa do Planalto. Segundo a jornalista Roseann Kennedy, Lula vai alegar que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral. Realmente, uma piada da melhor qualidade.

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P.S.
– O silêncio de Lula e do PT sobre o caso Master é significativo, O máximo que o eterno presidente petista fez até agora foi pedir a seu ministro-marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com preocupação. Aliás, Lula deve se preocupar muito, porque o escândalo vai influir na eleição, com toda certeza. (C.N.)

Com recorde de R$ 61 bilhões, emendas ampliam controle do Congresso sobre Orçamento

Empresas da família de Toffoli têm envolvimento com fundos do Master

Drika Arretada - A Notícia como deve ser - Toffoli esqueceu de perguntar se  Moraes pressionou o Banco Central

Charge do Duke (Itatiaia)

Lucas Marchesini e José Marques
Folha

Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.

O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

CADEIA DE FUNDOS – A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.

 

O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.

DEFESA DE VORCARO – Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros.

Disse que a reportagem estabelece “conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados”.

“O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos”, declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.

SOB ENCOMENDA – Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, o fundo tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.

De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.

A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações ilegais.

TOFFOLI EM CENA – O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos.

O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.

Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima a matéria enviada por José Perez. Como se vê, o ministro Toffoli não tem nenhum interesse em defender o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. É tudo em nome da Justiça… (C.N.)

Aos 85 anos, Gérson Nunes ainda dá show em matéria de futebol

Niteroi devia estender um tapete verde para seu maior craque, Gerson Nunes - Coluna do Gilson

Gérson diz que o melhor meia hoje é o ´português Vitinha

Vicente Limongi Netto

Coloque dois craques no celular. Cardápio saboroso. Deuses do futebol presentes. Um jornalista com pena brilhante conversando com um gênio eterno. No cardápio, opiniões qualificadas e respeitadas e sacadas primorosas de quem encantou estádios do Brasil e do mundo.

Palmas para o repórter Marco Paulo Lima (Correio Braziliense – 11/01) pela matéria exclusiva com Gerson Nunes, o inigualável Canhotinha de Ouro do Tri, no México, completando 85 anos de idade.

GRANDES LIÇÕES – Matéria indispensável para a leitura de Carlo Ancelotti.  Para saborear opiniões de quem honrou a amarelinha pentacampeã do mundo.

Opiniões claras, serenas e taxativas de Gerson servem como lições para treinadores, novas gerações de atletas e, também, para jogadores em atividade.

Gerson destaca o português Vitinha, do Paris Saint-Germain como o melhor meia do mundo. Alerta professores de escolinhas, “nunca se estrese com um menino. Não gritem, não xinguem. Não passem do limite. Fui orientado assim e valeu mil por cento para minha carreira”.

TÉCNICA E FORÇA – Gerson não gosta das muitas trocas na seleção. Lamenta que o Brasil não tenha ainda um meio de campo definido. Gerson recorda os tempos e as diferenças: “Perdemos a técnica e entramos na força física. Estamos em um desespero danado”.

A seu ver, mesmo com 60% de forma física, Neymar deve jogar, porque “tecnicamente ele é muito bom”.

A magnífica matéria registra opiniões de personalidades sobre o esmerado futebol de Gerson, como Ruy Castro, Nelson Rodrigues, Zagalo, Pelé, Didi, João Saldanha e Tostão.

DIZIAM DELE – Para Pelé, o maior de todos, Gerson “fazia o jogo ficar fácil. Um dos maiores passadores que vi jogar”.

Nelson Rodriges, gênio da raça, ferrenho  tricolor, por sua vez, sentenciou; “Gerson jogava de cabeça erguida porque usava a cabeça.

Gerson humilhava o adversário. não com dribles mas com inteligência. Mandava sem gritar. Bastava um passe”.

A esquerda morreu — e só a justiça tributária pode ressuscitá-la, diz Jessé Souza