Messias ainda enfrenta dilemas que podem atrapalhar seu futuro no Supremo

PT pressiona PSOL a entrar em federação e expõe disputa pelo rumo da esquerda

Rombo do Master será “coberto” por fundos estatais de previdência

Banqueiros escancaram cobiça pela Previdência | Sindicato dos Bancários

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fábio Pupo
Folha

O governo federal concluiu que estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir rombos em fundos de previdência caso tenham prejuízo em investimentos feitos em títulos vendidos pelo Banco Master. Institutos que pagam aposentadorias a servidores aplicaram ao menos R$ 1,8 bilhão em Letras Financeiras do banco, que teve liquidação decretada há menos de dois meses.

A conclusão está em documento formulado pelo Ministério da Previdência Social em resposta a questionamentos feitos pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), que requisitou informações sobre o caso do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro).

PREJUÍZO DIRETO – A parlamentar perguntou sobre os riscos aos quais o fundo está exposto e sobre uma eventual moratória do banco. De acordo com o Ministério da Previdência, caso faltem recursos nos institutos estatais de previdência para o pagamento das aposentadorias e pensões em decorrência do caso Master, esses valores serão de responsabilidade dos Tesouros dos respectivos entes federativos.

“Com a liquidação do Banco Master realizada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025, caso as contribuições do regime ou recursos por ele acumulados venham a se tornar insuficientes, o ente é o responsável por adimplir com essas obrigações”, afirma a pasta.

A interpretação do governo é que não há necessidade imediata de aporte decorrente do caso Master, mas a lei obriga esse repasse caso faltem recursos no futuro.

TÊM DE COBRIR – A lei nº 9.717/1998 estabelece que União, estados, Distrito Federal e os municípios são responsáveis pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do respectivo regime próprio decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.

Conforme mostrou a Folha, 18 institutos municipais e estaduais investiram em Letras Financeiras do Master nos últimos anos. Entre eles, destacam-se o Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões investidos, a Amprev (estado do Amapá), com R$ 400 milhões, e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões.

Além destas, o instituto de previdência do Amazonas fez “aplicações”, assim como a cidade de São Roque, no interior de São Paulo, com 79 mil habitantes, que “investiu” R$ 93 milhões em Letras Financeiras. 

SEM GARANTIA – Diferentemente dos CDBs, que foram vendidos pelo Master no mercado, as Letras Financeiras não são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ressarce investidores ao limite de R$ 250 mil por CPF.

Por isso, os aportes de quase R$ 2 bilhões feitos pelas previdências dos estados e municípios serão contabilizados como dívida durante o processo de liquidação do banco, o que torna a recuperação dos valores incerta.

O governo ressaltou no documento que a União não tem competência legal para intervir na gestão dos fundos nem para punir diretamente gestores locais, e que seu trabalho é limitado à fiscalização do cumprimento das normas gerais.

CONSEQUÊNCIA – A principal sanção disponível é a suspensão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), documento exigido para o recebimento de transferências voluntárias da União e para a contratação de empréstimos com aval federal.

De acordo com o ministério, a ampliação de investimentos em ativos considerados mais arriscados foi identificada ainda em 2024 por meio das análises de risco usadas na supervisão dos regimes previdenciários. 

Ao todo, 29 entes federativos foram selecionados para auditorias por aplicações em Letras Financeiras, seja por meio de intermediários, seja em instituições de menor porte. Dezessete deles tinham investimentos diretos no Banco Master. 

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se estivéssemos sob a democracia que funciona em nossa matriz U.S.A., essa corja de administradores públicos que “aplicaram” no Master já estariam na cadeia, fazendo delação e apontando os governadores e prefeitos que participaram do butim, como se dizia antigamente. Mas aqui na filial Brazil, não vai acontecer nada a essa gentalha. (C.N.)

Uma certa Maria que ia voar e inspirou a poesia de Machado de Assis

Machado de AssisPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, romancista, contista, cronista e poeta carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Neste soneto, Machado de Assis descobre que a beleza existente nos olhos e no andar de ”Maria” assemelham-se a um pássaro, que a qualquer momento pode voar.

MARIA
Machado de Assis

Maria, há no seu gesto airoso e nobre,
Nos olhos meigos e no andar tão brando,
Um não sei quê suave que descobre,
Que lembra um grande pássaro marchando.

Quero, às vezes, pedir-lhe que desdobre
As asas, mas não peço, reparando
Que, desdobradas, podem ir voando
Levá-la ao teto azul que a terra cobre.

E penso então, e digo então comigo:
“Ao céu que vê passar todas as gentes
Bastem outros primores de valia.

Pássaro ou moça, fique o olhar amigo,
O nobre gesto e as graças excelentes
Da nossa cara e lépida Maria”.

Galípolo e a direção do BC marcam reunião com o presidente do TCU

Avesso a holofotes e leal ao Centrão, Jhonatan de Jesus opera à sua maneira  no TCU | Finanças | Valor Econômico

Jhonatan de Jesus perdeu completamente a dignidade

Deu no Infomoney

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, vai se reunir nesta segunda-feira com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os diretores da autoridade monetária Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucca (Secretário-Executivo).

O encontro acontece em meio a um imbróglio envolvendo o Banco Master. A reunião está marcada para às 14h e consta na agenda oficial do BC como sendo para tratar de “assuntos institucionais”.

SEM INSPEÇÃO – A conversa vai acontecer na semana seguinte ao ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, suspender a inspeção presencial no Banco Central , determinada por ele para apurar os procedimentos adotados na liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro.

Depois, pressionado pelo presidente Vital do Rego,o ministro Jhonatan submeteu o caso ao plenário, em decisão assinada na quinta-feira.

A decisão ocorreu após o Banco Central apresentar um recurso chamado de embargo de declaração, contestando a competência do ministro para autorizar, de forma monocrática, uma inspeção desse porte.

JUSTIFICATIVA – O BC argumenta que tal diligência deveria ser aprovada por um órgão colegiado do TCU. Embora Jhonatan de Jesus tenha defendido que o regimento interno do TCU lhe confere poderes para determinar inspeções necessárias à instrução processual, o ministro optou por conferir efeito suspensivo ao recurso para evitar instabilidade institucional.

Na decisão, o ministro do TCU ressaltou que a “dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte”, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância que considera natural para “estabilizar institucionalmente a matéria”.

O caso teve origem em uma representação do Ministério Público junto ao TCU, motivada pela decretação da liquidação extrajudicial do Master.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, fracassou a tentativa do ministro Jhonatan de Jesus salvar o fraudador Daniel Vorcaro. E o escândalo tornou-se ainda mais grave. (C.N.)

Segunda Turma do STF dominou a concessões de habeas corpus em 2025

No Banco Máster, a blindagem patrimonial fracassa, mas as instituições resistem

Fracasso da estratégia de Vorcaro é um recado claro ao mercado

Pedro do Coutto

A decisão da Justiça dos Estados Unidos de reconhecer a liquidação do Banco Máster determinada pelo Banco Central do Brasil é mais do que um revés jurídico para Daniel Vorcaro. Ela funciona como um teste de estresse institucional — e, até aqui, o sistema tem respondido melhor do que muitos imaginavam.

Reportagem de Ivan Martínez-Vargas, O Globo, revelou com precisão a estratégia adotada pelo banqueiro para tentar proteger ativos no exterior e, na prática, escapar do alcance dos credores. A manobra falhou. O Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu a legitimidade da liquidação brasileira, esvaziando a principal aposta de Vorcaro: usar a jurisdição americana como refúgio patrimonial.

BLINDAGEM – O episódio lança luz sobre a intensidade — e a ousadia — da tentativa de blindagem. Ao buscar o reconhecimento de uma suposta insolvência transnacional em termos favoráveis a si mesmo, Vorcaro pretendia impedir que ativos nos Estados Unidos fossem preservados para a massa de credores sob administração do liquidante nomeado pelo Banco Central. O pedido foi rechaçado após manifestação da empresa responsável pelo regime especial de liquidação, que contestou os argumentos do banqueiro ponto a ponto.

Não se trata apenas de uma disputa técnica. Há um componente ético e político evidente. A estratégia, agora frustrada, tinha um objetivo simples e brutal: ganhar tempo, dissipar patrimônio e deixar credores a descoberto. A decisão americana, ao reconhecer a liquidação brasileira, reforça um princípio essencial ao sistema financeiro global: não há atalhos legítimos para fugir de responsabilidades quando autoridades regulatórias agem dentro da lei.

PERPLEXIDADE – Os efeitos dessa decisão ultrapassam as fronteiras. No Brasil, ela enfraquece a ofensiva paralela que buscava, no Tribunal de Contas da União, criar um ambiente de instabilidade em torno da decisão do Banco Central. Ministros do Supremo Tribunal Federal, segundo relatos de bastidores amplamente divulgados por colunistas como Malu Gaspar, receberam a iniciativa com perplexidade. A avaliação é quase unânime: qualquer tentativa de desconstituir a liquidação extrajudicial seria rapidamente derrubada pelo STF, cuja jurisprudência é clara na proteção às decisões técnicas de agências reguladoras, especialmente em matéria bancária.

Há também um dado que não pode ser ignorado. Poucos meses antes da liquidação, empresas ligadas a Vorcaro realizaram aquisições imobiliárias vultosas nos Estados Unidos. Informações apontam compras que somam centenas de milhões de reais, incluindo uma mansão em um dos condomínios mais exclusivos de Miami. Um escritório de grandes dimensões em um arranha-céu de luxo chegou a ser adquirido e jamais ocupado. No mínimo, são movimentos que reforçam a suspeita de tentativa de ocultação patrimonial às vésperas do colapso.

RUÍDO – No plano político, o caso produziu ruído. A atuação do TCU, as movimentações no STF e a preocupação explícita do Palácio do Planalto com a repercussão no mercado financeiro revelam um ponto sensível: a necessidade de preservar a autoridade do Banco Central em decisões duras, porém necessárias. O presidente Lula, segundo interlocutores, buscou compreender o cenário e manifestar apoio institucional à autoridade monetária. Fernando Haddad, mesmo em férias, também atuou nos bastidores em defesa da estabilidade.

Até aqui, o governo tem sido cauteloso. E faz bem. Interferir formalmente poderia alimentar a narrativa de politização de um processo que é, antes de tudo, técnico e jurídico. A melhor resposta tem sido permitir que as instituições funcionem — e, neste caso, elas funcionaram.

RECADO AO MERCADO – O fracasso da estratégia de Vorcaro nos Estados Unidos é um recado claro ao mercado e à sociedade: tentativas de driblar a lei, ainda que sofisticadas e internacionalizadas, encontram limites quando há cooperação entre jurisdições e firmeza regulatória. O desafio agora é garantir que o mesmo rigor prevaleça no Brasil, evitando que manobras protelatórias corroam a confiança no sistema financeiro.

Não é apenas o destino de um banco que está em jogo. É a credibilidade das regras, a proteção dos credores e a mensagem de que enriquecimento à custa de fraude não pode ser normalizado. Neste capítulo, ao menos, a blindagem caiu — e as instituições passaram no teste.

“Congresso inimigo do povo” expõe dilemas do populismo alimentado pelo PT

Presidência do Senado contratou ex-senadora em cargo com salário de R$ 31 mil

Toffoli precisa ser um dos primeiros convocados, se houver CPI do Master

Amigo diligente, é melhor que parente 😎 #imaginasefossepobre #vorcaro #sigilo #bancomaster #tcu

Charge do Iotti (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

O ministro Dias Toffoli tinha que ser investigado e deveria ser um dos primeiros a prestar depoimento na CPI do Master, caso a oposição consiga no Congresso a investigação das fraudes financeiras, pois o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (ele, sempre ele…) tenta impedir a CPI de funcionar.

Neste momento, Dias Toffoli não vai decidir nada. O relator agora sabe que o escândalo é gigantesco e a sociedade está contra o cerco que ele e o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, tentam fazer contra o Banco Central.

MÍDIA REAGE – É impressionante como a imprensa desta vez se uniu. Não há nenhum veículo da mídia se manifestando em apoio a Toffoli e a Jhonatan, que caíram da escada segurando a brocha.

Apesar dessa extraordinária pressão da mídia, os mesmos grupos de sempre vão procurar manter o caso Master em banho-maria, até sair do noticiário, sendo substituído por outro novo escândalo ou a invasão do Trump tomando a Groelândia ou atacando o México por terra.

Tudo parece possível. Porém, desta vez os fatos são de tamanha gravidade que a investigação do caso do Master se tornou irreversível, até porque a liquidação extrajudicial é uma medida definitiva no mercado financeiro. Qual o maluco que vai investir dinheiro nesse banco, depois de terem vindo a público as falcatruas de seu presidente Daniel Vorcaro?

PIZZA INVIÁVEL – É uma lama movediça essa tentativa de ajudar Vorcaro, que está provado ser um criminoso contumaz. Será muito difícil assar essa pizza no forno do Supremo e do TCU, onde a maioria dos ministros agora tenta escapar da podridão.

É preciso lembrar que o povo pode novamente sair às ruas, para exigir o fim da corrupção. Vejam o exemplo do Irã. Mesmo com a forte repressão da ditadura, o povo está indo às ruas, cansado de sofrer.

Aqui no Brasil, que vive uma democracia relativa, precisamos lutar para mostrar que ninguém está acima da lei, seja no caso de quem a elabora, que é o Congresso, de quem analisa a constitucionalidade dela, que é o Supremo, e de quem está obrigado a obedecê-la, que é o governo.

“PT não pode estar sempre associando criminosos a problemas sociais”, diz Tarso Genro

Incrível! Ainda existe quem defenda os “direitos” do sanguinário Maduro

Iotti: caindo de Maduro | GZH

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

O coração sangra. A alma cai em profunda tristeza, quando leio pessoas de gabarito que se dizem penalizadas porque   Donald Trump enxotou, expulsou, o tirano Nicolás Maduro da Venezuela. 

Dizem que Trump exagerou na dose. Pura maldade. A soberania venezuelana chora. Maduro não merecia tanta humilhação, porque Maduro tem lado puro em seu coração imundo.

BAILARINO – Sabe-se que o ditador venezuelano gostava de dançar para os serviçais. Era elegante nos trajes. Sorridente para o mundo, como se nada faltasse para o povo esfomeado e lascado.

Jornalistas sofriam com a brutal censura. Prisões lotadas de presos políticos. Outros tantos desaparecidos. Depois do banho de sol, sessões de tortura, de assassinatos. Porque ninguém é de ferro.

Quem manda jornalista ser intrometido e lutar para saber e divulgar verdades, doa a quem doer? Que coisa, essa saudável mania dos jornalistas é universal cumprir durante décadas a tal de pauta.

FLORES E POESIA – Larguei de mão a fascinante tarefa. Agora cuido de flores, dos netos e da poesia. Aos que protestam e andam tristes pela casa, sem ânimo para pegar uma piscina, namorar de mãos dadas, tomar um chope ou correr no Parque da Cidade, sugiro que visitem a Venezuela. Avaliem entre populares, os horrores do bonzinho Maduro. 

Na volta, ainda com a alma adormecida e estarrecida de tanta brutalidade, covardia e canalhice da longa tirania do ordinário Nicolas Maduro, seguramente cairão em si.

É preciso que todos se convençam de que Maduro faz parte da escória que já deveria ter ido para o inferno. Com passagem só de ida.

Saída de Lewandowski ameaça travar PEC da Segurança no Congresso

Troca no comando aprofunda resistências ao texto

Luísa Marzullo
O Globo

O pedido de demissão de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve dificultar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso, na avaliação de líderes partidários. A medida vinha sendo tratada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das principais apostas na área neste ano, quando tentará a reeleição.

Parlamentares afirmam que a mudança na pasta desmonta a articulação política construída até aqui, além de abrir margem para mudanças no texto que desvirtue os pontos principais da PEC. Apresentada pelo Executivo com o objetivo de reorganizar a política de segurança pública e fortalecer a integração entre União, estados e municípios, a PEC vinha sendo alvo de críticas no Congresso por envolver temas sensíveis, como a divisão de competências entre entes federativos, o papel das polícias e a possível sobrecarga para os municípios. O debate ocorre em um ambiente já contaminado pela leitura eleitoral da pauta.

NEGOCIAÇÃO – No entorno do presidente da Câmara, Hugo Motta, a avaliação era de que o cenário para votação ainda exigiria negociação. Em café com jornalistas no mês passado, Motta indicou a intenção de trabalhar para que o texto avance após o recesso parlamentar. “É um trabalho de aprimoramento do Congresso do projeto que veio do Executivo. Vamos trabalhar para votarmos na volta do recesso”, afirmou.

Presidente do PP e aliado próximo de Motta, o senador Ciro Nogueira (PI) é um dos que acreditam que, sem o peso político do agora ex-ministro da Justiça, será mais difícil para o governo avançar com a proposta. “Lewandowski era o grande fiador. Todos têm muito respeito por ele. E antes não se tinha consenso. É um tema difícil de aprovar quando a origem é na esquerda”, afirmou.

A resistência à proposta, contudo, não se limita à saída do ministro. Antes mesmo do anúncio da demissão, aliados de Motta já apontavam dificuldades adicionais pelo fato de a PEC ser vista como uma bandeira do governo Lula em um ano eleitoral. A avaliação predominante no Congresso é de que conceder ao Planalto uma vitória expressiva em uma pauta sensível como a segurança pública pode gerar desgaste político junto às bases eleitorais.

PREOCUPAÇÃO – Para o deputado Reimont (PT-RJ), a troca no comando da pasta é um fator preocupante, mas não altera o diagnóstico central sobre a dificuldade de avanço da proposta no Legislativo.

“Acho preocupante, mas, ao mesmo tempo, penso que, de toda forma, a PEC sofre resistência do Congresso, independentemente de que ministro esteja de plantão. O Congresso, apelidado pelo povo de “inimigo do povo”, não quer segurança pública de verdade. Quer blindar-se. Quer proteger as grandes corporações. Quer enfraquecer a Polícia Federal”, afirmou.

Na mesma linha, Mária do Rosário (PT-RS) afirmou que o tema da segurança pública tem se mantido “refém do bolsonarismo”. Segundo a parlamentar, Lewandowski buscou recuperar o interesse público como superior na matéria, mas enfrentou resistências pela “desqualificação do Parlamento”.

APOIO – Já o relator da proposta na Câmara, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), discorda. Ele afirma acreditar que a saída de Lewandowski do governo não deve comprometer o cronograma de votação e avaliou que o texto já reúne apoio suficiente na Casa. “Creio que não vai atrapalhar a aprovação. Nossa previsão é que votaremos até a primeira quinzena de março. Acho que temos uma aceitação muito boa na Casa”, declarou.

Outros integrantes da base governista também minimizam o impacto da troca no comando da pasta. Para eles, o texto amadurecido pelo relator é suficiente para sustentar a votação, independentemente da mudança ministerial. “O texto do relator ficou bom. Acho que passa”, disse o vice-líder do governo, Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

Lewandowski entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alegando razões pessoais e familiares, com saída prevista para esta sexta-feira. No documento, afirmou ter exercido as atribuições do cargo com zelo e dignidade, apesar das limitações políticas, conjunturais e orçamentárias. A decisão foi acertada após reunião no Palácio do Planalto, horas antes do ato que marcou os três anos dos ataques de 8 de janeiro.

COTADOS – Lula ainda não definiu quem será o substituto. Entre os nomes cotados estão o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao grupo Prerrogativas, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A indefinição sobre o comando da pasta também pesa na avaliação de líderes do Congresso, que veem dificuldade em manter a PEC como prioridade sem um interlocutor político forte no Executivo.

Com a retomada dos trabalhos legislativos prevista para fevereiro, aliados de Motta avaliam que a proposta ainda pode avançar, mas reconhecem que o ambiente político se tornou mais hostil. A combinação de resistências de mérito, cautela eleitoral e a saída do principal articulador do texto no governo reforça o risco de que a PEC da Segurança se arraste no Congresso ou tenha seu alcance reduzido, num momento em que o Planalto tenta evitar novas derrotas.

Agora, só falta divulgar o conteúdo do misterioso celular de Vorcaro

Mensagens sugerem que Vorcaro coordenou ataques ao BC

Vorcaro negou a senha, mas a PF está abrindo o celular

Malu Gaspar
O Globo

Quando parecia que já não faltava mais nada para garantir ao caso Master o topo do pódio dos maiores escárnios produzidos na história dos escândalos financeiros nacionais, surgiram as milícias digitais.

Descobrimos nos últimos dias que influenciadores com milhões de seguidores receberam ofertas generosas, algumas até milionárias, para difundir a versão de que a liquidação do banco foi decretada de forma apressada pelo Banco Central.

MUITO ESTRANHO – A ideia era disseminar em perfis de direita a teoria conspiratória de que “algo muito estranho aconteceu” nos bastidores do BC ao decidir liquidar o banco de Daniel Vorcaro.

Tal teoria reforça a tese da defesa do banqueiro, segundo a qual sua prisão, por uma fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de créditos ao Banco de Brasília (BRB), ocorreu justamente quando ele se preparava para vender o Master a investidores árabes que, até agora, não se sabe quem são.

A ofensiva digital, batizada internamente “Projeto DV”, visava a simular um clima de apoio popular ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, um ex-deputado do Centrão que, da última vez que brilhou no noticiário, foi tentando explicar por que uma antiga BMW de sua mulher apareceu na garagem do Careca do INSS.

DEU 72 HORAS – Depois de passar meses desprezando pedidos de parlamentares e dos próprios técnicos do TCU para conferir se o BC não tinha demorado demais para tomar providências, Jhonatan decidiu, no fim de dezembro, dar 72 horas para a autarquia se explicar — mas não sobre a acusação de omissão, e sim sobre os “indícios de precipitação” em uma decisão tão “extrema”. E avisou: se não ficasse convencido, poderia simplesmente cancelar a liquidação do Master.

Assim que soltou o despacho, os agentes do “DV” começaram a acionar os influenciadores, que inundaram as redes de vídeos.

“Será que ninguém se interessa quando um banco desse tamanho entra em liquidação? Será que isso não vira oportunidade para muita gente grande?”, recitou um influenciador com mais de 4 milhões de seguidores que se apresenta como especialista em hipnose.

OUTRAS SAÍDAS? – “Se existiam outras saídas, por que escolheram logo a mais extrema? Por que tanta pressa? Essa história tá muito mal contada. A quem interessava a liquidação tão rápida do Banco Master?”

Não se tem notícia de que Vorcaro e seus advogados também tenham dotes psíquicos ou paranormais, mas é evidente que se julgam poderosos o suficiente para convencer qualquer um de qualquer coisa.

Não estão completamente errados. Mesmo sabendo que não tinham poder legal para cancelar a liquidação de um banco, o ministro Jhonatan e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, se mantiveram firmes quanto puderam. Só recuaram e suspenderam a inspeção depois da revelação da milícia digital de Vorcaro e de sua impressionante coordenação com seus próprios movimentos.

BARREIRA NO STF – No Supremo Tribunal Federal (STF), por enquanto, a barreira do Master ainda resiste. Depois de colocar o processo em sigilo absoluto, o ministro Dias Toffoli convocou para o penúltimo dia de 2025 uma esdrúxula acareação entre Vorcaro, o ex-CEO do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino.

Em paralelo, preparou para cada um deles uma lista de perguntas que não deixava dúvidas sobre a intenção de lançar suspeitas sobre o BC e dar à negociação para a venda do Master aos árabes o ar de coisa concreta que nunca teve.

Algumas das questões foram divulgadas pelo GLOBO ainda durante a audiência, levando Toffoli a mandar excluir Aquino da acareação e a encurtar seu depoimento.

DE JATINHO – Embora já se saiba que Toffoli viajou de jatinho a Lima com o advogado de um dos investigados no mesmo dia em que pôs o processo sob sigilo, as razões para tanto malabarismo jurídico ainda não estão totalmente esclarecidas.

Para isso, seria necessário que se conhecesse a fundo o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, em poder da PF. O aparelho continha a cópia do contrato de R$ 130 milhões do Master com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, sobre o qual o ministro até hoje ainda deve explicações.

Até agora, a única coisa capaz de parar as iniciativas destinadas a blindar o Master foi o bom jornalismo. Só por isso ele tem sido tão atacado por milícias digitais, com métodos que o próprio Moraes outrora descreveu como ditatoriais e fascistas. É a velha tática de atacar o mensageiro. Muda de forma, mas nunca deixa de ser subterrânea. Uma vez exposta à luz do sol, perde força. O jornalismo está aí para isso. Contemos com ele.

Relator da Dosimetria invoca tradição de anistias e critica postura de Lula

Justiça reconhece fim do Auxílio Emergencial e evita novos gastos bilionários

Lupicínio Rodrigues, um grande compositor que tinha nervos de aço

In-Edit Brasil 2023 :: Encerramento da edição Porto Alegre contará com  filme sobre Lupicínio Rodrigues - Papo de Cinema

Lupicinio sabia o que é ter um amor, meu sinhô

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, criou músicas que expressam muito sentimento, principalmente, a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede uma dose e chora pela perda da pessoa amada.

Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos. E “Nervos de Aço” não foge à regra.

Originalmente, “Nervos de aço” foi lançada em 1947, na Continental, pelo cantor paulista Déo (Ferjalla Rizkalla), mas pouco depois, Francisco Alves também gravou a música na Odeon, conseguindo um enorme sucesso. Mas recentemente, Paulinho da Viola gravou e de novo a canção foi muito aclamada.

NERVOS DE AÇO
Lupicínio Rodrigues

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Ao lado de um tipo qualquer

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser

Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor           

No Brasil, políticos e instituições exibem fortes sinais de podridão

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no  escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela.com)

William Waack
Estadão

O amargo sabor da nossa irrelevância internacional diante do que aconteceu na Venezuela vem acompanhado internamente pelo ácido sabor da podridão política diante do escândalo do Master. Há uma ligação abrangente entre os dois fenômenos: a noção de que não se vê remédio imediato para nenhum gosto ruim.

O caso do Master é de maior urgência, pois indica uma crise institucional de graves proporções. Essa crise não resulta do fato de uma instituição (por exemplo o TCU) averiguar o que outra (por exemplo o Banco Central) está fazendo ou não.

DESCRÉDITO GERAL – É preocupante realmente pois vem do fato de que já não se acredita que instituições de Estado estejam agindo como tais. Mas, sim, como ferramentas para exercer pressão política contra decisões que afetam interesses de grupos privados.

É generalizado o descrédito em relação às explicações dadas por STF e TCU para justificar as respectivas atuações no caso Master – para citar apenas o mais recente exemplo.

O problema é saber a que distância estamos de um tipping point, o ponto de inflexão sem volta. Esse momento nunca chega devido a uma ação isolada (como um só escândalo). Resulta ou torna-se visível sempre a partir de um conjunto de ocorrências que compõe uma tendência.

CRISE GRAVÍSSIMA – No caso brasileiro essa tendência é clara o suficiente para se afirmar que estamos numa crise institucional de consequências imprevisíveis, pois ela sugere que não há lideranças abrangentes com capacidade de “reverter” essa tendência.

Predominam variadas organizações setoriais – algumas são meras quadrilhas sob siglas políticas – agindo por conta própria e com sem-vergonhice inédita até para um País que achava ter visto tudo em matéria de corrupção.

Elas demonstram crescente capacidade de manipular alavancas de poder em descarado benefício próprio. Como um pedaço do TCU aqui, um pedaço do STF ali, fato em si indicativo de desagregação interna de instituições. No seu conjunto, isso leva à sensação real de dissolução do funcionamento delas, com rápida perda de confiança.

DESCRENÇA POLÍTICA – Aprofunda-se, por sua vez, a descrença na capacidade da política de trazer respostas, fenômeno que já começa pelo fato de não existirem partidos políticos dignos desse nome.

E, acentuando a dúvida, que se tornou existencial, se o País é capaz de gerar algum tipo de ação coletiva (em termos sociais, portanto políticos) para organizar saídas para qualquer de seus grandes dilemas – sociais, econômicos, políticos, geopolíticos.

Nesse sentido, irrelevância internacional e podridão política interna se combinam.

Ciro Nogueira sugere Zema como vice ideal de Flávio e cobra aceno ao centrão

O caso Banco Master e o limite das manobras financeiras

Decisão valida processo brasileiro em território norte-americano

Pedro do Coutto

A decisão da Justiça dos Estados Unidos de reconhecer a liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central do Brasil, expôs com clareza algo que já se desenhava nos bastidores: a tentativa deliberada de blindagem patrimonial conduzida por Daniel Vorcaro não resistiu ao escrutínio institucional internacional.

Ao negar o pedido apresentado nos tribunais da Flórida, o juiz Scott N. Juracy não apenas reafirmou a legitimidade da autoridade reguladora brasileira, como desmontou uma estratégia que buscava deslocar ativos para fora do alcance dos credores e da própria lei. Não se tratava de uma divergência técnica ou de uma controvérsia jurídica legítima, mas de um esforço sistemático para esvaziar o banco enquanto se tentava preservar fortunas no exterior.

PRESSÕES – O episódio ganha ainda mais relevância porque ocorre em um ambiente de elevada sensibilidade institucional. A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro pelo Banco Central, passou a sofrer pressões cruzadas — algumas explícitas, outras subterrâneas — envolvendo o Tribunal de Contas da União e setores do Supremo Tribunal Federal.

A reação, no entanto, foi quase unânime nos círculos técnicos e jurídicos mais experientes: qualquer tentativa de reverter a decisão do BC por vias políticas ou administrativas seria rapidamente derrubada pelo STF, dada a jurisprudência consolidada que protege a autonomia das agências reguladoras em matéria de estabilidade financeira. Não por acaso, a movimentação causou desconforto no próprio Palácio do Planalto, onde a percepção é de que o caso gera ruído desnecessário, instabilidade no mercado e riscos à credibilidade institucional do país.

Os fatos materiais reforçam essa leitura. Nos meses que antecederam a liquidação, empresas ligadas a Vorcaro realizaram aquisições imobiliárias vultosas nos Estados Unidos, especialmente em Miami, incluindo uma mansão de altíssimo padrão e escritórios milionários que sequer chegaram a ser ocupados.

QUESTIONAMENTOS – O volume e o timing dessas operações levantam questionamentos legítimos sobre a intenção de preservar patrimônio fora do alcance de credores, enquanto investidores, clientes e o próprio sistema financeiro ficavam expostos a prejuízos bilionários. A tentativa de impedir que o liquidante nomeado pelo Banco Central administrasse esses ativos no exterior foi, nesse contexto, mais um capítulo de uma estratégia que agora se mostra fracassada.

O reconhecimento da liquidação pela Justiça americana produz um efeito pedagógico poderoso. Ele sinaliza que fronteiras nacionais já não funcionam como refúgio automático para operações financeiras de má-fé e que a cooperação institucional, quando acionada corretamente, pode conter práticas que corroem a confiança no sistema.

Ao mesmo tempo, lança um alerta ao Brasil: permitir que disputas políticas ou interesses particulares enfraqueçam decisões técnicas do Banco Central seria abrir um precedente perigoso. O caso Banco Master não é apenas sobre um banco em colapso — é sobre os limites da tolerância institucional com manobras que tentam transformar o sistema financeiro em um jogo sem responsabilidade. Desta vez, ao menos, a Justiça falou mais alto.