
Presidente precisa sinalizar correções para evitar ameaças
Marcos Augusto Gonçalves
Folha
Embora as pesquisas de intenção de voto mostrem que Lula vai deixando, em todos os sentidos, a direita no chinelo, o governo, com méritos a reconhecer, está longe de ser uma maravilha.
Mesmo entre progressistas, alguns equívocos de Lula 3 chamam a atenção. São conhecidas, por exemplo, as reações ao descaso do presidente em relação à diversidade, com a escassa indicação de negros e mulheres para funções de maior destaque. Ambientalistas também têm seus motivos para críticas, caso da polêmica exploração de petróleo na Foz do Amazonas, para ficar no mais clamoroso.
EXPOSIÇÃO – Além desses, ao menos três temas deixam Lula especialmente exposto para o ano eleitoral. E dão corda para a má vontade de setores da iniciativa privada com o petista. São eles: Correios, INSS e contas públicas.
No caso dos Correios, foi um equívoco retirar a estatal do programa de privatização. Por quê? Cláusulas contratuais na venda da empresa poderiam assegurar o atendimento universal. Em qualquer hipótese, os custos governamentais seriam significativamente reduzidos ou eliminados, sem prejudicar a população.
Temos uma empresa muito mal gerida, fossilizada, que terá um empréstimo bilionário para, quem sabe, tentar sair do buraco, e com a garantia do Tesouro –ou seja, de recursos públicos. Os Correios são um cabidão mal ajambrado que serve de moeda de troca para a política rasteira. Esse é o motivo da proteção.
INSS – As vistas grossas para o loteamento do Estado também ajudaram no escândalo do INSS. “Ah, mas começou com Bolsonaro”… Sim, só que continuou e piorou com Lula. Virou um cafofão do PDT e das vizinhanças, enredado em fraudes bilionárias.
Quanto às despesas públicas, não se trata apenas de fiscalismo delirante ou do pouco caso com o bem-estar dos desfavorecidos. Será preciso corrigir rumos. Não adianta o proselitismo do “não vamos deixar o andar de baixo pagar o ajuste”. Sim, é necessário taxar e cortar benesses da cobertura, mas não basta. Qualquer análise razoável do quadro em curso —e não é de hoje— evidencia uma trajetória insustentável. Os recursos são limitados, não é boa política brigar com as contas.
Não se trata de dar um “cavalo de pau”, mas de reequilibrar a política fiscal e evitar que a dívida pública prossiga em rota de crescimento.. O governo não teria de deixar de gastar, mas controlaria o ritmo. É consenso que os reflexos na Previdência da regra de indexação dos aumentos reais do salário mínimo são uma cilada —como também são problemáticos os ajustes dos mínimos constitucionais para saúde e educação.
DIÁLOGO – Em tese, não estaria tão longe do alcance do presidente uma sinalização que melhorasse a conversa com parte do mercado e da direita pragmática, ainda mais com uma possível candidatura biruta do outro lado. Lula, na pior hipótese, é conhecido e mais previsível.
Para 2026 não se espera nenhuma catástrofe fiscal, tampouco que o governo vá equilibrar as finanças. Mudanças serão cobradas na disputa, mas devem mirar um 2027 com menos incertezas. As respostas que virão podem facilitar ou dificultar a trajetória de Lula e serão cruciais para o novo ciclo, com ou sem o petista.
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