Nas redes sociais, até o FBI estaria envolvido na prisão de Braga Netto

Braga Netto está preso no mesmo cômodo onde ficou general que idealizou morte de Lula e Moraes

Prisão de Braga Netto cria novas teorias conspiratórias

Deu na Folha

A operação da Polícia Federal que levou à prisão de Walter Braga Netto, general da reserva e candidato a vice-presidente de chapa derrotada em 2022, abriu um novo capítulo nas tentativas de elucidar e responsabilizar figuras ligadas ao plano de golpe ao fim do governo Jair Bolsonaro.

A repercussão desse caso, em mais de 90 mil grupos públicos de WhatsApp monitorados pela plataforma Palver, virou tema central do debate político e revelou um cenário de intensas reações, narrativas conflitantes e teorias conspiratórias.

SUPEROU LULA – No total dos termos analisados, Braga Netto concentrou 36% de todas as menções, superando Lula (32%), Bolsonaro (22%) e Moraes (8%). Ao todo, o tema alcançou 475 mil usuários nos grupos monitorados, indicando a intensidade e a abrangência da repercussão digital.

A narrativa construída em parte dos grupos de esquerda celebra o ocorrido como um momento histórico e irônico, destacando a coincidência da prisão no aniversário da ex-presidente Dilma Rousseff e logo após uma “Sexta-feira 13” com simbolismo petista.

DEMOCRACIA – Nesses espaços, o enredo é tratado como um “roteiro perfeito” de justiça poética, reforçando a ideia de que a democracia estaria triunfando sobre supostas tramas autoritárias.

Por outro lado, entre apoiadores da direita e simpatizantes do bolsonarismo, predominam indignação e acusações de perseguição política.

Há até quem veja a prisão como um “teatro” criado por instituições “aparelhadas” – STF, Polícia Federal e governo Lula– para desgastar Bolsonaro e seu círculo de aliados, minando a credibilidade da direita. Também nesses grupos, teorias conspiratórias se espalham rapidamente.

AÇAO DO FBI – Dentre elas, a suposta participação do FBI na operação desde o 8 de janeiro, internações e cirurgias de Lula consideradas “falsas” e uma “ditadura judicial” que estaria censurando a direita. Links duvidosos, perfis anônimos e conteúdos sem verificação circulam para sustentar essas alegações.

Enquanto parte da esquerda vê no episódio um sinal de avanço no esclarecimento das tramas golpistas, setores da direita afirmam que a detenção de Braga Netto seria apenas um degrau rumo à prisão de Bolsonaro.

Essa expectativa intensifica o clima de tensão, seja entre quem espera a responsabilização do ex-presidente, seja entre os que temem um cerco jurídico que poderia atingir o “núcleo duro” do bolsonarismo.

ESTRATÉGIA – Nas mensagens, mantém-se o apelo para que apoiadores de Bolsonaro não desistam, reforçando hashtags, divulgando conteúdo favorável ao ex-presidente e classificando cada ação institucional contrária a figuras da direita como “injustiça”.

A prisão do general é enquadrada, assim, no contexto de uma batalha contínua, na qual redes como o WhatsApp cumprem papel estratégico na mobilização e na disseminação de narrativas.

O ecossistema de mensageria, propício à proliferação de teorias conspiratórias, acusações sem provas e versões manipuladas, intensifica a polarização e dificulta um debate público sólido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Daqui para a frente, vai ser sempre assim. As redes sociais vão prevalecer, cada facção com sua “narrativa”. E a verdade estará na fora, como na velha série do Arquivo X. Vai ser duro de aturar. (C.N.)

PF segue o rastro do dinheiro para identificar financiadores do golpe

Prisões agregam novos elementos para desvendar articulações

Pedro do Coutto

A Polícia Federal está investigando a origem do dinheiro que foi destinado aos que planejavam a morte do presidente Lula da Silva, do seu vice, Geraldo Alckmin, e do ministro Alexandre de Moraes. Os mais de 30 pendrives apreendidos com o coronel da reserva do Exército Brasileiro Flávio Botelho Pelegrino são uma das apostas da PF, no momento, para identificar pistas sobre o “pessoal do agro” referido na delação do tenente-coronel Mauro Cid.

Segundo o então auxiliar de ordens de Jair Bolsonaro, os integrantes do grupo seriam os financiadores da tentativa de golpe de Estado que incluía ações sinistras e criminosas. Pelegrino foi preso no último sábado, na mesma operação que fez do candidato a vice- da chapa de Bolsonaro em 2022, Walter Braga Netto, o primeiro general de quatro estrelas preso em virtude de um inquérito policial no Brasil. Pellegrino foi assessor-chefe de Comunicação Social da Casa Civil comandada por Braga Netto.

IDENTIFICAÇÃO – Agentes da PF estão se dedicando para identificar a origem dos R$ 100 mil entregues pelo general em sacolas de vinho ao major Rafael de Oliveira para financiar a operação. Outra possível porta para as pistas está nos celulares apreendidos na operação. O que se sabe é que os conteúdos dos aparelhos apreendidos já foram extraídos e já estão sob análise dos investigadores.

Certamente, a Polícia Federal vai descobrir também o elo existente entre o responsável pela bomba que explodiu em Brasília no dia 12 de dezembro no caminho do aeroporto e os que financiaram a invasão de Brasília em 8 de janeiro de 2023. Não podem ser correntes separadas, pois o projeto era um só. Logo, uma única fonte de dinheiro jorrava para a subversão, incluindo propostas de assassinatos, o que torna a ação ainda mais incrível e exposta ao julgamento da justiça.

PLANO – As investigações avançam assim e já chegaram ao edifício em que estavam hospedados os participantes do plano de golpe que acabou não ocorrendo, mas que revela o plano comum de transformar os agentes da ordem em autores da desordem. Eles não encontraram, felizmente, apoio por parte da maioria das Forças Armadas, sobretudo do Exército e da Aeronáutica, o que isolou os que atentavam contra a democracia.

Mas as ligações estão vindo à tona, sobretudo com a prisão do general Braga Netto, o que tudo indica ser o líder do projeto de ruptura com a Constituição. Outras figuras aparecerão, no rastro inclusive do tenente-coronel Mauro Cid. A quantia envolvida é muito maior do que a revelada até agora. As pessoas que acreditavam em tal caminho não teriam nada a oferecer além do ato criminoso. A trilha dos financiadores aparecerá e os responsáveis serão identificados e punidos.

Prova da PF é um simples vídeo de Braga Netto no acampamento

vídeo General Braga Netto, durante coletiva de imprensa - metrópoles

Bolsonaro foi ao acampamento falar com bolsonaristas

Paulo Cappelli
Metrópoles

A Polícia Federal usou um diálogo de Braga Netto, registrado em vídeo, para reforçar a acusação de que o general teria atuado por um golpe de Estado. O militar foi preso neste sábado (14/12), por ordem do ministro Alexandre de Moraes (STF), sob a justificativa de obstruir as investigações.

No inquérito, a PF destaca um vídeo que mostra uma conversa entre Braga Netto e uma manifestante em frente ao Palácio da Alvorada, em 18 de novembro de 2022. Em um primeiro momento, o general avisa que não falaria com a imprensa. Em seguida, dirige-se a um grupo de apoiadores que pedia intervenção.

DIÁLOGO – “O presidente tá bem. Está recebendo gente, sem problema nenhum, tá? Vocês não percam a fé. É só o que eu posso falar para vocês agora. Tá bom?”, disse Braga Netto. A manifestante, então, replica: “A gente tá na chuva, tá no sol. Ninguém escuta…”

Braga Netto responde: “Eu sei, senhora. A senhora fica… Tem… Mas tem que dar um tempo, tá bom? Eu não posso conversar”. O registro foi gravado por uma outra manifestante.

A Polícia Federal aponta o pedido de “um tempo” à manifestante como um dos indícios de que Braga Netto planejava alvejar Alexandre de Moraes e viabilizar um golpe. E afirma que, seis dias antes da referida conversa, o militar teria traçado as diretrizes para impedir a posse de Lula.

DIZ O RELATÓRIO – “Conforme descrito no tópico anterior, após a reunião no dia 12 de novembro de 2022, na residência do general Braga Netto, com a aprovação do planejamento operacional e os ajustes das necessidades iniciais descrito no documento ‘Copa 2022’, os investigados deram início às ações concretas para monitorar e prender o ministro Alexandre de Moraes.”

O “tempo” que Braga Netto solicitou, segundo a PF, seria para botar o plano em prática. O general, que foi vice na chapa de Bolsonaro em 2022, nega qualquer irregularidade. Ele foi preso neste sábado (14/12) por obstrução de Justiça.

Malafaia diz que Moraes deveria ser preso no lugar de Braga Netto

Tribuna da Internet | Moraes não aprende com os erros e está envergonhando o Supremo

Charge reproduzida do Arquivo Google

Paulo Cappelli e Petrônio Viana
Metrópoles

Aliado de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia classificou como “imoral e ilegal” a prisão preventiva do general Walter Braga Netto, decretada no sábado (14/12) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A decisão considerou que Braga Netto atuou para prejudicar as investigações que miram militares que teriam articulado um plano para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Em um vídeo, Malafaia afirmou que Moraes “deveria ser preso”.

DISSE MALAFAIA – “Conversa entre dois generais de um ano e meio atrás não é fato novo nem tampouco fato concreto. Conversa não é fato concreto. Não tem materialidade. Onde está que Braga Netto tentou impedir [as investigações]? Isso é uma vergonha, um abuso de poder do ditador da toga [Moraes], pra promover a perseguição política.”

“Agora, pra gente pensar: esse inquérito foi concluído há mais de dez dias, mais de 30 pessoas foram indiciadas e o caso foi enviado ao MP [Ministério Público Federal]. Como alguém pode ser preso agora por obstrução de uma investigação que já foi concluída? Isso é um absurdo. A prisão de Braga Netto é imoral, ilegal e mancha o Judiciário”, afirmou o líder religioso.

ATAQUE AO SUPREMO – Malafaia também atacou o Supremo, que, segundo ele, estaria “protegendo” Moraes.

“O STF deixou de ser Supremo Tribunal Federal para se tornar Supremo Tribunal da Injustiça. Uma confraria de amigos pra proteger o ditador da toga, Alexandre de Moraes. Esse sim vem atentando contra o Estado Democrático de Direito. Ele tem que sofrer impeachment e ser preso. Ele preside inquéritos imorais e ilegais, como o da fake news, abuso de poder, usando informações do TSE pra abastecer inquéritos no STF para perseguição política”, criticou o líder evangélico.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao ler essa pequena notícia, pensei que Silas Malafaia tivesse formação jurídica, porque ele demonstra conhecer mais a lei do que o ministro Alexandre de Moraes. No entanto, Malafaia é leigo, porque se formou em Psicologia e em Teologia. Mesmo sem dispor de conhecimento específico, Malafaia está certo ao constatar a ilegalidade da prisão do general Braga Netto. A medida é absolutamente irregular, porque ninguém (Braga Netto nem réu é) pode ser preso preventivamente sob justificativa de estar “obstruindo” uma investigação que foi oficialmente encerrada 23 dias antes, em 21 de novembro. Mais grave é a conivência dos demais ministros, que apoiam qualquer maluquice decretada por Moraes. (C.N.) 

Mesmo sem provas, Bolsonaro já está condenado antes do julgamento

Tribuna da Internet | A aposta dos aliados de Bolsonaro sobre as chances de ele ser preso

Charge do Duke (O Tempo)

Mario Sabino
Metrópoles

É evidente que Jair Bolsonaro já está condenado pela maioria dos ministros do STF. O que se faz, agora, é buscar justificativas formais para a sua condenação e inevitável prisão. As provas contra ele nem precisam ser robustas para colocá-lo na cadeia, basta que a construção da chamada narrativa tenha um mínimo\de verossimilhança e que conte com o bate-estaca da imprensa para fundá-la na cabeça dos cidadãos.

Essas condições estão dadas, porque verossimilhança não significa verdade, necessariamente. Há relatos de ficção com muita verossimilhança.

LIVROS POLICIAIS – A depender do tipo de ficção, aliás, a verossimilhança é exigida, como é o caso dos romances e filmes policiais. O necessário é que tudo seja crível, sob pena de leitor ou espectador não saírem convencidos de que o que leram e assistiram poderia ter ocorrido dentro de parâmetros mínimos de realidade.

Realidade e verdade nem sempre são coincidentes, e chega um momento no qual o investigador policial, na ausência de provas robustas da verdade, age como o autor de literatura policial, recorrendo a circunstâncias para provar apenas que a sua narrativa tem a possibilidade de ser espelho do real. Trata-se de substituir o que falta pelo que se tem de sobra.

O escritor americano Edgar Allan Poe foi o criador do gênero policial, no século XIX. A crítica literária concluiu que a sua sacada foi fazer com que as deduções e inferências do investigador tivessem interesse dramático e constituíssem a própria essência do enredo.

CONTAMINAÇÃO – Com frequência, as investigações policiais são contaminadas por essa técnica da literatura policial, e caberia ao juiz julgar se a realidade emprestada dramaticamente ao enredo expressa a verdade crua dos fatos. Mas é impossível que isso ocorra quando o juiz é parte interessada no processo.

Não se está dizendo aqui que Jair Bolsonaro seja inocente das acusações que lhe são imputadas, nem que não possam surgir provas cabais das suas culpas, para além de todas as circunstâncias que apontam essa direção.

Friso que, pessoalmente, compartilho da opinião de que ele é um delinquente. Estou dizendo apenas que a verdade já não importa no seu caso. Ele está condenado de antemão porque se tornou personagem de romance policial.

Chico Alencar cobra posição de Lira sobre o “inquérito do golpe”

Chico Alencar questiona como os trabalhadores chegaram ao ponto de não  querer vínculo formal | PSOL na Câmara

Chico Alencar defende a liberdade de expressão parlamentar

Paulo Cappelli e Petrônio Viana
Metrópoles

O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) cobrou um posicionamento do presidente da Câmara, Arthur Lira, sobre as investigações da Polícia Federal (PF) referentes ao chamado “inquérito do golpe”. Para o parlamentar, Lira acertou ao criticar a PF por indiciar um deputado que fez declarações contra o delegado que investiga Bolsonaro, mas teria demonstrado omissão ao não se pronunciar sobre o teor da investigação.

“Fez bem Arthur Lira, presidente da Câmara, ao defender, com ênfase, a imunidade parlamentar por palavras e votos, criticando o indiciamento da PF contra um deputado por ter manifestado opinião, na tribuna, contra um delegado. É errado, abusivo”, avaliou Alencar.

TRAMA GOLPISTA – “Por outro lado, é omissão inaceitável ele, no seu posto, não condenar a trama golpista criminosa que está sendo desvendada. Como presidente do Senado, Rodrigo Pacheco já o fez. Há silêncios que podem se aproximar da cumplicidade”, opinou o deputado.

Em seu pronunciamento contra o indiciamento de Marcel Van Hattem (Novo-RS) por calúnia e difamação contra o delegado da PF Fábio Shor, Lira defendeu a livre expressão dos parlamentares no plenário da Câmara.

“A imunidade material do discurso parlamentar, esse direito consagrado em cláusula pétrea pelo constituinte de 1988, assegura a cada um de nós, deputadas e deputados, a liberdade plena de palavra em nossas manifestações feitas em plenário, permitindo que expressemos nossos posicionamentos e representemos fielmente os interesses daqueles que nos elegeram”, disse Lira.

DANOS PROFUNDOS – “Aqueles que tentam restringir nossa liberdade de expressão legislativa desconsideram os danos profundos que essa prática causa ao Estado Democrático de Direito, afirmou o presidente da Câmara, acrescentando:

“Portanto, em nome da defesa intransigente de nossa função e de nossa liberdade de palavra, reafirmo que a imunidade material é um direito inalienável de cada parlamentar e nela há de ser absoluta para manifestações feitas na sagrada tribuna desta Câmara dos Deputados”, , que classificou os indiciamentos como um “retrocesso” e “abuso de autoridade” por parte da PF.

Já para a Polícia Federal, o direito à imunidade parlamentar não é absoluto. Por essa visão, deputados e senadores podem, sim, ser investigados e punidos por discursos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Um dos mais antigos e experientes políticos do país, Chico Alencar acerta em cheio nessa crítica à Polícia Federal, ao governo e ao Supremo, que tentam colocar mordaças na Oposição. Liberdade de expressão é um dogma que precisa ser respeitado. (C.N.)

Os três Poderes conseguem estar certos e errados, ao mesmo tempo

Tribuna da Internet | Três Poderes demonstram ao Brasil o que é  promiscuidade democrática

Charge do Luscar (Arquivo Google)

Dora Kramer
Folha

Nos esbarrões entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal por causa das emendas parlamentares, caso em que se envolveu também o Palácio do Planalto, todos os lados estão certos e errados ao mesmo tempo.

O STF tem razão quando cobra correção no uso das emendas, mas a rigor não poderia ter acrescentado itens ao que diz a lei aprovada no Legislativo e sancionada pelo presidente Lula.

POSIÇÕES – O Congresso está no direito de reclamar dessa interferência do Judiciário, embora tenha incorrido deliberadamente no equívoco de tentar driblar as exigências de transparência e rastreabilidade totais. O texto aprovado não atende ao combinado.

Já o Executivo não tinha nada que se imiscuir no assunto, embora esteja no seu papel ao atuar para conter o avanço do Parlamento sobre o Orçamento da União, acentuado nos últimos quatro anos.

A tentativa de impor um necessário basta nessa captura do cofre —hoje na ordem de R$ 50 bilhões, com previsão de R$ 52 bilhões em 2025— começou torta na origem, quando se procurou resolver o problema por meio de negociações entre os três Poderes.

TUDO ESQUISITO – Uma composição de mesa muito esquisita. O Supremo é guardião da Constituição, cujos preceitos não são negociáveis. Em 2022, a ministra Rosa Weber havia determinado o fim o orçamento secreto, com base no princípio da transparência constante na Carta.

No lugar de cumprir a determinação, deputados e senadores preferiram contornar a decisão na base da malandragem, modificando aqui e ali a alocação das emendas. Mudaram para continuar tudo na mesma.

O STF tolerou a situação até 2024, quando o ministro Flávio Dino, herdeiro dos processos da ministra, retomou a questão, reafirmou a posição de Rosa Weber e suspendeu a liberação das emendas obscuras.

PACTO INÚTIL – O Congresso resistiu e, no impasse, representantes dos Poderes negociaram um “pacto”, em agosto, pelo qual seriam atendidos os requisitos de transparência. Executivo e Judiciário saíram satisfeitos divulgando que, enfim, havia uma solução.

No Legislativo, a coisa não foi vista desse jeito. O presidente da Câmara, Arthur Lira, saiu do encontro contrariado dizendo que ali havia uma aliança de “dois contra um”. Estava, assim, exposta a desconfiança latente de que Palácio e STF faziam parceria para Lula contornar suas dificuldades no Congresso.

Acreditar que os parlamentares não perceberiam a manobra e aceitariam a dobradinha, se não foi ingenuidade —e não deve ter sido—, foi excesso de confiança e/ou ausência da noção exata da importância que as emendas passaram a representar no ganho de poder do Legislativo sobre o Executivo.

MAIS OU MENOS – Quando o Supremo abriu a guarda para negociar o que diz a Constituição, deu margem a que o Parlamento visse a possibilidade de cumprir apenas mais ou menos as determinações, já que haviam sido postas como objeto de entendimento.

No caso, o combinado no pacto de agosto entre os três Poderes está saindo caro.

Ao Supremo, em sua autoridade constitucional guardiã; ao Congresso, na má figura chantagista diante da suspensão das emendas; e ao governo na trava das votações da agenda econômica.

NOVOS ESCÂNDALOS – Nenhuma dessas três instâncias fica bem na fotografia de um acerto em torno de assunto com enorme potencial de se transformar numa usina da novos escândalos. Como de resto, já demonstram notícias de operações da Polícia Federal para desbaratar esquemas de fraudes no uso do dinheiro das emendas.

As quadrilhas ora em investigação se valem justamente da falta do que exige o STF: transparência e rastreabilidade. Deveria ser fácil de compreender, mas assim não é porque ao Congresso foge a percepção de que a vantagem de hoje pode significar a contratação de desvantajosas denúncias no dia de amanhã.

Um dos médicos é filho de Tuma, que prendeu Lula na ditadura

Prisão de Lula em 1980 teve comoção com missa na Sé e assembleias -  28/01/2018 - Poder - Folha

Lula era agente do DOPS e encenou uma falsa prisão

Juliano Galisi
Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu alta hospitalar neste domingo, 15, após passar seis dias internado no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo. Lula foi internado às pressas na noite de segunda-feira, 9, e passou por duas intervenções cirúrgicas ao longo da semana para o tratamento de uma hemorragia intracraniana.

Um dos médicos da equipe que cuidou do presidente foi Rogério Tuma, filho do ex-senador Romeu Tuma. Entre 1977 e 1982, Romeu Tuma foi chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo e prendeu Lula.

O Dops era um dos principais órgãos de repressão da ditadura militar. Entre as suas atribuições, estava a investigação de greves, como as lideradas por Lula, então líder sindical dos metalúrgicos, na região do ABC paulista.

REPRESSÃO MILITAR –  Lula foi preso em abril de 1980, sob a acusação de “subversão”. Ficou 31 dias detido na unidade chefiada por Romeu Tuma.

O Dops foi extinto em 1983. Romeu Tuma foi nomeado para a superintendência paulista da Polícia Federal. Depois, chegou à diretoria-geral da corporação. Elegeu-se senador em 1994, reelegendo-se no pleito seguinte, em 2002. Nos dezesseis anos enquanto senador, filiou-se ao PL, PSL, PFL e, por fim, ao PTB, quando passou a integrar a base de apoio de Lula, já presidente da República.

Outro de seus filhos, Romeu Tuma Júnior, chegou a ser secretário nacional de Segurança durante o primeiro mandato presidencial do petista. Romeu Tuma morreu em outubro de 2010.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– E ainda chamam isso de jornalismo… Como é possível publicar uma matéria desse tipo, sem citar que Lula na época era conhecido como “Barba” e trabalhava para o regime militar passando informações sobre os colegas sindicalistas. Há vários livros sobre isso, contando o relacionamento de Lula com a família Tuma. Na época, frequentava a casa deles, onde costuma almoçar e tomar porre nos fins de semana, depois dormia no sofá da sala. Dois livros que falam sobre o agente “Barba” foram escritos pelo delegado federal Romeu Tuma Jr. (“Assassinato de Reputações I e II”). Detalhe: Lula nunca desmentiu esses relatos de sua atuação como X-9, nem ameaçou processar os autores dos livros. Aliás, a prisão dele foi uma farsa, montada em 1980 para reforçar seu prestígio como falso sindicalista. Não é possível que, na redação do Estadão, ninguém saiba quem foi o “Barba”. (C.N.)

Devemos desejar boas festas a todos, inclusive aos que não merecem nada

Fazenda São José | Que o essencial seja visto !!! Feliz Natal ! | InstagramVicente Limongi Netto

É chover no molhado. Mas não custa tentar. Ano que vem começa tudo de novo. Abro meus braços, estendo minhas mãos, exortando esperança e saúde para todos. Até mesmo aos que não respeitam idosos e não sabem dizer obrigado ou pedir por favor.

Também quero que Deus ilumine os maus motoristas e pedestres imprudentes e apressados.

AOS IRRESPONSÁVEIS – Na mesma linha dirijo minhas preces aos irresponsáveis que deixam o carro atrás do outro e somem no mundo. Igualmente desejo sucesso no ano novo para os que desrespeitam vagas para deficientes e idosos. Aos motoristas relapsos que não ligam a seta quando mudam de faixa.

Não posso deixar de desejar saúde e paz para os que dirigem comendo, com o braço para fora,  fumando ou falando no celular ou tablet ou com cachorro no colo. Por fim, desejo felicidades aos que passeiam com cachorros sem carregar plástico para recolher o cocô deixado no caminho.

Estendo votos aos donos de cães ferozes para que em 2025 comecem a usar focinheiras nos animais.

SAUDADES DO NERY – No oba-obra global da cretina Globo platinada, com engomados famosos e sorrisos falsos e engessados, na hora singela do cineminha homenageando, com fotos, mortos famosos de 2024, esqueceram de lembrar do respeitado e competente Sebastião Nery.

Semelhante empulhação e canalhice fizeram com Helio Fernandes, há alguns anos. Protestei e lamentei, na época, como faço agora. Nenhum dos boçais do grupo Globo tem competência para engraxar os sapatos de Nery e Helio. 

Lula ainda tem dúvidas sobre disputar a reeleição em 2026

Lula se recupera de cirurgia cerebral e permanece em observação |  Radioagência Nacional

Lula precisará tomar decisões antes de se candidatar

Bela Megale
O Globo

A reeleição de Lula em 2026 ainda não é tema pacificado. Aliados de primeira hora do presidente relataram à coluna que, antes da cirurgia da semana passada, Lula já tinha mostrado, em alguns momentos, dúvidas sobre tentar ou não a reeleição ao Palácio do Planalto.

A avaliação que um grupo de petistas próximo de Lula faz é que o problema de saúde não vai interferir na escolha do presidente sobre seu futuro em 2026. Para eles, o que pesará vai ser a avaliação do próprio Lula sobre o momento político de parar ou não.

E O SUCESSOR? – Lula também não tem dado sinais aos integrantes do governo e do partido de quem seria seu eventual sucessor. Mesmo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apontado como o nome natural, o presidente não faz gestos claros. A avaliação dos petistas é que, com isso, Lula evita abrir uma guerra dentro do próprio PT.

No mês passado, o presidente disse, em entrevista à CNN, que está pronto para “enfrentar a extrema-direita” nas eleições de 2026, se não houver outro nome apto, mas que espera “não ser necessário” e que haja outros candidatos para “fazer uma grande renovação política no país e no mundo”.

VOLTA A BRASÍLIA – Lula recebeu alta do hospital neste domingo (15), seis dias depois de ser submetido a uma cirurgia para conter um sangramento interno na cabeça.

O procedimento ocorreu em decorrência da queda que sofreu no banheiro do Palácio do Alvorada, em outubro.

A jornalistas, Lula disse que ficou “assustado” e “preocupado” durante os dias que passou internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele permanece na cidade até quinta-feira, quando fará um novo exame.

O sinal fechado traz um grande amigo de Paulinho da Viola

Lapa Em Três Tempos - Paulinho da Viola (Rio Todo Dia) - YouTube

Paulinho da Viola, mestre do samba

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. A canção “Sinal Fechado” foi escrita na década de 60, mas letra e melodia continuam tão atuais quanto na época. Apesar de ser um sambista tradicional, essa música é também experimental.

Naquele tempo, se interpretava a letra como a dificuldade das pessoas se expressarem no período do AI-5. Hoje, esse clássico da MPB nos fala sobre o encontro de duas pessoas que já foram íntimas, mas não se veem há muito tempo e que por acaso se encontram em um sinal fechado. A música foi gravada por Paulinho da Viola no LP Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida”, em 1970, pela Odeon.

SINAL FECHADO
Paulinho da Viola

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe …
Quanto tempo… pois é…
Quanto tempo…
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo… pois é… 
(pois é… quanto tempo…)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal …
Eu espero você
Vai abrir…
Por favor, não esqueça,
Adeus…

Denúncia de Damares expõe promiscuidade das casas de apostas

YouTube

Charge do MM (Youtube)

Elio Gaspari
O Globo

A denúncia é da senadora Damares Alves (Republicanos-DF): das 101 casas de apostas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, 28 têm a mesma sede e 17 pertencem a sócios de empresas concorrentes.

A senadora pergunta: “Isso não chama a atenção dos senhores? Uma empresa que vai pagar R$ 30 milhões para ter uma autorização não pode pagar R$ 1.000 em uma sala? Tem que estar todo mundo numa mesma sala? Não chama a atenção esse comportamento estranho entre as empresas?”

CONTRA O JOGO – A senadora tem autoridade para fazer essas perguntas. Em abril de 2020, na fatídica reunião do ministério em que o presidente Jair Bolsonaro fritou o ministro Sergio Moro, o poderoso Paulo Guedes, da Economia, defendeu a abertura de cassinos para endinheirados. A ideia era uma flor do orquidário de Bolsonaro, mas Damares, ministra da Mulher e dos Direitos Humanos, fulminou: “Pacto com o Diabo!”

A proposta de abertura dos cassinos atolou, mas o Coisa Ruim enfiou-se na liberação das casas de apostas. Agora, viciados em bets buscam acolhimento em Jogadores Anônimos

A oposição começou a colecionar casos de gastos com nepotismos e boquinhas do governo. Para uma administração que pretende ver aprovado um pacote de gastos, é calcanhar de Aquiles numa centopeia.

CARGOS EM TCE – Cinco mulheres de ministros foram nomeadas para cargos vitalícios em tribunais de contas dos estados.

Uma dúzia de maganos do primeiro e segundo escalão aninharam-se em conselhos.

Isso sem falar no parque de diversões do patrocínio de eventos e nas viagens internacionais de ministros monoglotas com escolta de assessores.

Lula defende Braga Netto, já se preparando para apoiar a anistia

De alta, Lula reaparece usando chapéu para dar detalhes sobre a  recuperação; veja a coletiva - O Matogrossense

“Braga Netto tem direito à presunção de inocência”

Carlos Newton

Começa a dar resultados a conversa do presidente Lula da Silva com os três comandantes das Forças Armadas, no dia 30 de novembro, fora da agenda, no Palácio da Alvorada. Na ocasião, eles pediram que Lula se empenhasse pela anistia aos golpistas, segundo a jornalista Eliane Cantanhêde, para “zerar o jogo” e “desanuviar o ambiente político”.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, acompanhava os comandantes militares na reunião, mas entrou mudo e saiu calado.

Neste domingo, dia 15, em São Paulo, ao ter alta no Hospital Sírio Libanês, o presidente Lula da Silva (PT), afirmou que o general da reserva e ex-ministro Walter Braga Netto “tem todo o direito à presunção de inocência”. Mas fez a ressalva: “Se esses caras fizeram o que tentaram fazer, eles terão que ser punidos severamente”, completou o presidente.

PONTAPÉ INICIAL – Esse primeiro movimento de Lula no intrincado xadrez da anistia é o pontapé inicial para se acertar com os militares, que jamais o apoiaram e estavam dispostos a aceitar o golpe, desde que ficasse provada alguma fraude na votação ou na apuração.

A fala ocorreu durante uma coletiva de imprensa realizada pela equipe médica do presidente para anunciar a alta hospitalar do chefe do Executivo.

O general Braga Neto, ex-ministro da Defesa do governo de Jair Bolsonaro (PL), foi preso no último sábado (14) no âmbito do inquérito da Polícia Federal (PF), que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

VALIDADE VENCIDA – No caso de Lula, que caminha para completar 80 anos, o selo de validade política está cada vez mais vencido, e os dois próximos anos serão estafantes. Jamais, em país democrático, algum político se elegeu com mais de 78 anos.

Ele acha que sua vitória será muito facilitada caso Jair Bolsonaro dispute. Mas isso só acontecerá se houver a anistia que os militares já propuseram. Aí Lula concorre e pode ganhar, com os votos da direita divididos entre Bolsonaro, Caiado, Marçal etc. Só perde se houver um grande acordo de direita e centro no segundo turno.

Por fim, ao contrário do que dizem, aprovar a anistia não é difícil no Congresso, nessa política surrealista que o Brasil pratica.

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P.S.
Se vencer, Lula será o mais velho presidente eleito em países democráticos, com 81 anos, e deve renunciar devido ao peso da idade. Por isso, o PT precisará ter uma chapa puro-sangue forte, com Haddad de vice-presidente, para depois tocar o barco, como dizia Ricardo Boechat. Quanto à inútil entrevista de Lula ao Fantástico, com aquele ridículo chapéu de malandro carioca, fiquei envergonhado ao ver essa cena. (C.N.)

Trama liderada por Braga Neto indica até que ponto os golpistas iam chegar

Depoimento de Cid trouxe novos elementos sobre Braga Netto

Pedro do Coutto

Ainda sobre o impacto da prisão do general Walter Braga Netto e a participação de oficiais de alta patente na trama golpista contra a Constituição e a democracia, esquece-se um aspecto importante, uma vez que nesse projeto pelo poder, o grupo de articuladores incluíram não apenas um golpe de Estado, o que já seria abominável, mas também o assassinato de três pessoas, o presidente Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

É incrível saber que nas reuniões para tratar da subversão, os principais arquitetos do plano planejavam crimes e atos hediondos, envolvendo pessoas inocentes em tal trama. Um fato que leva tais intenções ao descrédito absoluto, inclusive moral por parte dos favoráveis ao golpe.

NOVIDADES – A audiência do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, no último dia 21 de novembro, trouxe novidades que foram fundamentais para o elenco de provas que levou o general Walter Braga Netto à prisão, decretada no último sábado.

A tentativa de obter dados sigilosos da delação de Mauro Cid foi caracterizada como ação de obstrução da Justiça, ao “impedir ou embaraçar as investigações em curso”, apontou o relator do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, há “diversos elementos de prova” contra Braga Netto, que teria atuado para impedir a total elucidação dos fatos e “com o objetivo de controlar as informações fornecidas, alterar a realidade dos fatos apurados, além de consolidar o alinhamento de versões entre os investigados”.

PERÍCIA – Para chegar a essas provas, os policiais federais realizaram perícia no celular do general Mauro Cesar Lourena Cid, pai do coronel que trabalhava com Jair Bolsonaro. Havia “intensa troca de mensagens” via aplicativo de mensagens, que foram apagadas e depois recuperadas pela PF. O tema principal era a respeito do desvio de joias por parte de Bolsonaro, em agosto de 2023. A PF identificou que o nome de Braga Netto estava salvo na agenda do general Lourena Cid como “Walter BN”.

Outras conversas recuperadas ocorreram em 12 de setembro, quando o general Mário Fernandes disse ao coronel reformado Jorge Kormann que os pais de Mauro Cid ligaram para os generais Braga Netto e Augusto Heleno, ex-ministro na gestão Bolsonaro, informando que a divulgação do conteúdo da delação por parte da imprensa era “tudo mentira”. A PF argumenta que Braga Netto tentou obter os dados do acordo por meio de familiares do coronel Cid, o que foi determinante para a prisão. Outra prova encontrada foi na sede do PL, em Brasília, na mesa do coronel Flávio Peregrino, assessor direto do general Braga Netto.

Era uma folha com perguntas (supostamente feitas por Braga Netto) e respostas (que seriam de autoria de Mauro Cid). Entre as perguntas: “O que foi delatado?”, com a seguinte resposta: “Nada. Eu não entrava nas reuniões. Só colocava o pessoal para dentro”. Há outras cinco questões pedindo mais informações sobre o que a PF dispunha.

INTERMEDIÁRIOS – O ex-ajudante de ordens disse, em depoimento à PF, que as respostas não foram escritas por ele.  “Talvez intermediários pudessem estar tentando chegar perto de mim, até pessoalmente, para tentar entender o que eu falei, querer questionar, mas como eu não podia falar, eu meio que desconversava e ia para outros caminhos, para não poder revelar o que foi falado”, disse Cid para o delegado da PF, Fábio Shor.

Será que nenhum integrante da equipe dos que tramavam o golpe de Estado não acordou para a realidade que estava sendo preparada? Cometer uma série de ações criminosas, incluindo o assassinato de um presidente da República, constitui-se numa pretensão que demonstra o caráter dos envolvidos. Não tem cabimento. É impossível levar a sério esse projeto que, embora de difícil execução, reflete até que ponto os seus autores pretendiam chegar.

Protegida da ditadura, TV Globo festeja 60 anos de impunidade e decadência

O declínio da mídia comercial brasileira | Jornalistas Livres

Ilustração reproduzida de Jornalistas Livres

Carlos Newton

Forte concorrente ao Oscar, o filme “Ainda Estou Aqui” revolve as memórias brasileiras justamente quando a toda-poderosa Rede Globo, principal empresa beneficiada pela ditadura brasileira, está comemorando 60 anos de fundação.

Os 21 anos do regime militar transformaram a Rede Globo numa das melhores produtoras de TV do mundo, mas não há clima de festa no aniversário, porque a decadência da empresa é flagrante e avassaladora, sob o comando de Paulo Marinho, neto do fundador.

MUDANÇAS ABRUPTAS – As mudanças descontroladas na programação, a demissão de grandes novelistas, diretores, artistas, jornalistas e produtores, tudo indica um caos que ninguém poderia imaginar há um ano atrás.

Sem medo de errar, pode-se dizer que a Globo abriu a guarda para a concorrência e está vivendo maus momentos, pois se equivoca até na data de comemoração dos 60 anos da rede de TV, que não verdade começou em 1964 e não em 1965.

O primeiro canal de televisão do Grupo Globo foi adquirido por Roberto Marinho em 9 de novembro de 1964, num negócio ilegal fechado com o jovem empresário Victor Costa Petraglia Geraldine Júnior, então com 24 anos, e que lhe cedeu 52% das cotas da Rádio Televisão Paulista S/A, canal 5 de São Paulo.

NEBULOSA TRANSAÇÃO – A transação, envolvendo outros bens, alcançou à época a vultosa quantia de Cr$ 3,75 bilhões, equivalentes a dois milhões de dólares.

Questionado sobre o negócio, o Departamento Nacional de Telecomunicações, informou em 1975 que tal transação deveria ser melhor explicada, uma vez que Victor Costa, pai do herdeiro e cedente das cotas, falecido em 1959, não constava no processo de transferência do controle da TV Paulista, sociedade anônima com mais de 650 acionistas, conforme decreto de concessão do presidente Getúlio Vargas, no distante 1952;

De acordo com o inventário dos bens deixados por Victor Costa, nenhuma ação da TV Paulista foi declarada como de sua propriedade, o que inviabilizaria a venda para Roberto Marinho, porque os 52% do capital da emissora não pertenciam ao herdeiro negociador, que era apenas administrador da TV.

GOLPE DA ASSEMBLEIA – Essa malograda transação envolvendo dois milhões de dólares, que à época eram uma fortuna, em nada tirou o sono do comprador Roberto Marinho, porque, em 10 de fevereiro de 1965, numa ilegalidade de extrema audácia, o jovem vendedor Victor Costa Jr. instalou uma Assembleia Geral Extraordinária para aumentar o capital da empresa, que foi subscrito integralmente por Roberto Marinho.

Segundo a ata da Assembleia, com o aporte equivalente a apenas duzentos mil dólares, Marinho passaria a ser titular de 370 mil cotas, em detrimento das centenas de acionistas e sem ter feito a indispensável oferta pública de ações.

Para o governo militar, o assunto era “interna corporis”, nada importando o método de transferência de controle societário para o jornalista que mais apoiava a ditadura.

TUDO ILEGAL – Detalhe importantíssimo. A essa assembleia de 10 de fevereiro de 1965, compareceram apenas Victor Costa Júnior, vendedor do que não possuía, Roberto Marinho, como subscritor da elevação de capital de algo que já teria comprado, e um funcionário da TV Paulista, Armando Piovesan, titular de apenas duas ações.

Piovesan se fez passar ilegalmente por procurador dos quatro acionistas majoritários, da família Ortiz Monteiro, titulares dos 52% do capital da S/A, sendo que dois deles já estavam mortos.

Os outros mais de 600 acionistas nunca souberam da convocação dessa Assembleia, aceita como boa pelo governo militar.

60 ANOS FURADOS – Assim, a TV Globo do Rio, inaugurada em 26 de abril de 1965, foi a segunda emissora do Grupo Globo e não a primeira, pois desde 9 de novembro de 1964 o jornalista Roberto Marinho já comandava a Rádio Televisão Paulista S/A, que em 1973 passou a ser denominada TV Globo de São Paulo S/A.

Tudo isso mostra como a trajetória do Grupo Globo é eivada de ilegalidades, como o contrato entre Roberto Marinho e o Grupo Time Life, de 1962 e 1966, no valor de seis milhões de dólares, à revelia da legislação de telecomunicações.

Foi irregular e assegurou recursos suficientes para a compra da TV Paulista e a instalação da TV Globo do Rio de Janeiro, até que a Câmara Federal criou a CPI que expulsou a Time Life, e ninguém sabe se Marinho pagou o que devia ao grupo americano.

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P.S. –
Tudo isso é passado, mas precisa ser revivido nesta comemoração que a Rede Globo faz, justamente quando o grupo empresarial mergulha na pior crise de sua história, que ninguém sabe como vai acabar. (C.N.)

Cirurgião de Lula avisa: “Cicatrização vai levar de 45 a 60 dias”

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Dr. Stávale explica que a cicatrização é demorada

Levy Teles
Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu alta hospitalar neste domingo, 15, precisará ficar em São Paulo até pelo menos a quinta-feira, 19, para fazer um exame de tomografia de controle. Se nenhum problema for detectado, ele poderá seguir caminho de volta a Brasília.

Mas o neurocirurgião Marcos Stávale, responsável pelos procedimentos realizados no presidente Lula, informou que será necessário um acompanhamento tomográfico para monitorar a cicatrização do hematoma na cabeça.

ATÉ 60 DIAS – De acordo com o médico Marcos Stávale, esse processo de cicatrização deve levar de 45 a 60 dias. O neurologista Rogério Tuma acrescentou que, após a cicatrização completa, não será necessário nenhum acompanhamento específico relacionado ao caso.

Apesar dessa longa cicatrização, o médico de Lula, Roberto Kalil Filho, diz que o chefe do Executivo continua em alta médica. Neste período, ele poderá seguir realizando atividades normalmente durante esses dias, sendo vedado apenas o exercício físico.

“Após a alta hospitalar, presidente deverá ficar alguns dias em São Paulo, e, quando for para Brasília, a cognição está perfeito. Não teve nenhum problema. Ele pode continuar as atividades. Só haverá restrição evidentemente por coerência da quantidade de atividades, esses próximos 15 dias serão um pouco mais cuidado”, disse Kalil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Enfim aparece um médico que não se mete em política e diz a verdade sobre Lula. O cirurgião Marcos Stávale, que operou o presidente, avisa que a  cicatrização deve levar de 45 a 60 dias, e até lá Lula terá de manter o acompanhamento médico. Mas os marqueteiros que pretendem eleger Lula antes da hora se comportam como se o presidente já estivesse curado e a doença fosse um simples resfriado. É desanimador. (C.N.) 

Exército já cogita que a Polícia Federal possa prender outros oficiais

General Tomás Paiva assegura que Exército não aceitou qualquer aventura  golpista, 'e com isso não fez mais do que sua obrigação' – Agenda do Poder

Comandante Tomás Paiva quer preservar imagem do Exército

Monica Gugliano
Estadão

A prisão do ex-ministro e general da reserva Walter Braga Netto, realizada no sábado, 14, não surpreendeu oficiais do Exército. A detenção do vice na chapa de Jair Bolsonaro na chapa de 2022 já era esperada e isso foi compartilhado em conversas reservadas após o oficial ser alvo de operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Braga Netto foi preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sob acusação de tentativa de interferir em investigações.

O envolvimento do general na tentativa de golpe e as iniciativas apontadas pela Polícia Federal para conhecer o conteúdo da delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, são consideradas graves.

INVESTIGAÇÕES – Após a prisão do general Mário Fernandes, que foi secretário executivo do então ministro da secretaria geral do Governo, general Luiz Eduardo Ramos, a avaliação dos militares é de que as ações da PF vão prosseguir ainda por um bom tempo.

Existe, agora, a crença de que, com a queda de Braga Netto, os próximos generais da lista serão o ex-ministro chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno e o próprio Luiz Eduardo Ramos.

Cogita-se até mesmo a possibilidade de os depoimentos de Braga Netto, que devem ser prestados nos próximos dias à Polícia Federal (PF), trazerem novas informações sobre o envolvimento dos generais – alguns até já indiciados, como Augusto Heleno – na tentativa de golpe.

DESCONFORTO – Apesar da gravidade dos fatos narrados nos relatórios da PF, oficiais admitem que há um desconforto no Exército com o assunto, uma vez que a Força militar fica sendo associada à atuação dos oficiais próximos ao ex-presidente Bolsonaro.

Na avaliação de um general, a sequência de eventos revelados a partir das investigações vai incluindo novos nomes e, mesmo ficando claro que institucionalmente o comando do Exército não aderiu à ideia golpista, as acusações acabam impactando a imagem da Força.

A convicção, corrente no Alto Comando, é de que a delação premiada de Mauro Cid fortalece as investigações, apontando um rumo, depois confirmado por documentos, telefonemas e instruções que foram dadas pelo então candidato derrotado à vice-presidente. À época da prisão de Fernandes, em meados de novembro, militares de alta patente diziam ter ficado “desconcertados” com a prisão dos chamados “kids pretos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não há o que os militares possam fazer. O que podiam eles já fizeram, ao pedir ao presidente Lula que apoie a anistia. Agora, é fingir de morto e esperar o transcorrer dos acontecimentos no Congresso. (C.N.)

Médico vê Lula “completamente apto” a se candidatar em 2026

Veja cabeça de Lula com curativos pós-cirurgia no crânio

Curativos indicam que houve duas cirurgias e não apenas uma

Isabela Mendes
(Broadcast)

O médico Roberto Kalil Filho, que liderou a equipe que tratou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante internação no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, afirmou, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, que Lula está “completamente apto” a se lançar candidato à reeleição para o cargo em 2026, quando seu atual mandato se encerra.

Lula teve alta hospitalar na manhã deste domingo, 15, mas continua em São Paulo pelo menos até quinta-feira próxima, 19, quando fará um novo exame antes de ser liberado para voltar a Brasília.

DISSE O MÉDICO – “Se depender da saúde do presidente, ele está completamente apto”, destacou Kalil. Segundo o médico, o quadro do presidente foi um caso delicado, em que ele foi transferido para São Paulo, operou e saiu bem da cirurgia. “Uma semana, claro, de muita atenção, inclusive pós-operatório”, disse.

Kalil acrescentou que Lula ficará em observação pela equipe médica no próximo mês, mas que pode voltar a trabalhar e despachar da sua residência. A única restrição para o petista, reiterou, é atividade física.

Sobre visitas, o cirurgião afirmou que não estão proibidas ao presidente, mas que não são recomendadas neste momento. “Se ele quiser receber uma pessoa ou outra, veja, vai estar em casa. Aí depende muito do presidente. Em relação à sugestão médica, quanto mais ele ficar restrito, resguardado, essa semana seria bom”, ressaltou.

QUEDA COMUM – Em relação à queda sofrida por Lula, Kalil descartou a possibilidade de haver alguma condição de saúde preexistente que a tenha causado, como labirintite ou pressão alta, por exemplo. “Não, não. É como se ele tropeçasse. Ele mesmo falou: foi cortar a unha com o auxílio de um banquinho e escorregou. É uma queda comum”, ponderou o cardiologista na entrevista. Kalil enfatizou, no entanto, que o chefe de Estado brasileiro teve alta hospitalar, e não alta médica.

Para o médico, Lula deve aguardar pelo menos um mês para retomar as viagens ao exterior como presidente da República. “Ele deve esperar um pouco, a depender do próximo mês. Depois de um mês, ele obviamente vai retomando, talvez, viagens internacionais”, afirmou.

Kalil também observou que o presidente “cuida da saúde, cuida da dieta, se preocupa com o peso e faz exercício”, e, portanto, é uma pessoa saudável.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É comovente a atitude do médico, que atua como marqueteiro do presidente, garantindo que ele pode ser candidato daqui a dois anos, quando está claro que a validade de Lula está praticamente vencida, pois confunde Macrom com Sarcozy e a banda de Paraibuna com a bunda da paraibana. Nem o médico, nem Janja, nem Mãe Dinah podem dar essa garantia. É irresponsabilidade. Aliás, o médico é inconfiável. Disse que fez uma trepanação no crânio de Lula, mas na verdade foram duas, conforme se vê nos dois curativos – um na área lobo-frontal e outro na parietal.  (C.N.)

Cirurgia de Lula mostra que governo segue a regra de nada informar

No retorno de Lula, Paulo Pimenta vai mesmo deixar a Secom

Pré-demitido, ministro Paulo Pimenta não tinha o que dizer

J.R. Guzzo
Estadão

O presidente da República, pelo que se supõe, ocupa um cargo público fundamental – e, nessa condição, tem de prestar contas o tempo todo onde está, para onde vai e o que está fazendo. Não é uma gentileza opcional. É uma obrigação. Lula e o seu “estafe”, como se diz hoje quando a conversa é sobre jogador de futebol, têm outro entendimento a respeito disso.

Estão convencidos de que a população tem de ouvir estritamente o que o “estafe” decide lhe dizer, na hora em que quiser e pela boca de quem resolve falar.

NA EMERGÊNCIA – Lula foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para fazer uma cirurgia de urgência na caixa craniana. Não se trata de uma questão pessoal de saúde do presidente, da sua família, nem de uma coisinha sem importância do dia a dia. É um acontecimento de óbvio interesse público – e o público brasileiro tem o direito de ser informado sobre ele com honestidade, precisão e em tempo real.

A “presidência” não acha nada disso. O povo, pelo que demonstrou através de suas ações neste episódio, tem apenas de repetir que está tudo bem.

Para um presidente e um governo que colocam a “narrativa” na posição de atividade mais importante da vida humana, a comunicação em torno de seu tratamento médico foi uma catástrofe.

ATRAPALHAÇÕES – Achavam, em seu entorno, que a única coisa que realmente importava era não informar o público com transparência, profissionalismo e clareza. Em vez disso, a prioridade era selecionar o que não deveria ser contado aos cidadãos, porque “não interessa”, ou porque “não é da conta deles”, ou por que “pode atrapalhar” – atrapalhar a eles mesmos, é claro.

A segunda linha de ação parece ter sido a criação de uma baderna quando acharam que tinha chegado a hora de falar alguma coisa – por má intenção ou por incompetência.

 Onde estava o porta-voz oficial? Não havia o porta-voz oficial. Onde estava o ministro da Comunicação? Não há mais ministro da Comunicação – aliás, um dos assuntos mais comentados em volta do hospital era a sua breve demissão. Onde estava alguém confiável para dar informações com nexo? Não havia ninguém confiável.

FALATÓRIO GERAL – Como não havia ninguém habilitado a cumprir as obrigações de comunicar os fatos ao público, todo mundo falou ao mesmo tempo – e quanto mais gente fala, menos você acaba sabendo ao certo.

Falaram os médicos. Falou a assessoria de imprensa – assessoria do hospital, não da presidência. Falaram o ministro da “Coordenação Política”, o ministro Zé das Couves e o ministro Zé Chiclete. Falou o Advogado-Geral da União.

Falou até a deputada Benedita, para dizer que “a Janja” está “cuidando muito bem “do Lula”. É a medida exata de quanto eles levam você a sério.

Com Bolsonaro fora e Lula improvável, muda tudo na eleição de 2026

Tribuna da Internet | Legendas acirram disputas por prefeituras; uma  preliminar para as eleições de 2026Eliane Cantanhêde
Estadão

Não adianta tampar o sol com a peneira: o presidente Lula ainda é um homem forte e saudável para os seus 79 anos, mas não um político com energia e vitalidade suficientes para disputar um quarto mandato em 2026, o que faz ecoar, estridentemente, o alerta feito pelo uruguaio José Mujica, ídolo das esquerdas sul-americanas: “Lula não tem substituto. Essa é a desgraça do Brasil”.

Assim, Lula teve três boas notícias nesta quinta-feira, 12/12: além da embolização ter sido “um sucesso”, segundo o dr. Roberto Kalil Filho, a pesquisa Quaest apurou que não apenas o próprio Lula, mas também o seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, venceria todos os nomes já colocados como opções da direita, caso a eleição fosse hoje.

SEM BOLSONARO – E mais: o ex-presidente Jair Bolsonaro, já derrotado por Lula em 2022, está inelegível e respondendo a processos no Supremo, inclusive por tentativa de golpe de Estado. Sabe-se lá onde estará em 2026?

Ronaldo Caiado, governador bem avaliado de Goiás, que obteve 88% de aprovação na mesma Quaest, também está inelegível por oito anos por decisão da Justiça Eleitoral em primeira instância.

Outros governadores e candidatos à direita são Ratinho Júnior (PR), com 81% de aprovação no seu Estado, Romeu Zema (MG), com 64%, e Tarcísio de Freitas (SP), 61%. Mas essa é a avaliação interna nos Estados que governam. Fora deles, todos são ilustres desconhecidos. Mais de 44% dos mineiros, paranaenses, baianos e pernambucanos não sabem, por exemplo, quem é Tarcísio. Com tanta antecedência, não chega a ser impeditivo, mas acende o sinal amarelo.

LULA ESTÁVEL – Na quarta-feira, a Quaest mostrou estabilidade na aprovação de Lula, mas com 61% considerando o terceiro mandato pior do que os anteriores. E, no dia seguinte, eis Lula como capaz de derrotar todos os concorrentes da direita.

Outra curiosidade é que tanto a principal alternativa a Lula, Haddad, quanto a opção a Bolsonaro, Tarcísio, não andam nos seus melhores momentos.

Haddad está às voltas com o mercado, que considera os cortes de gastos insuficientes; com o PT e as esquerdas, que acham excessivos para os mais pobres; com o Congresso, que pensa mais nas emendas parlamentares do que no Brasil.

SOBEM OS JUROS – Mas não é só. Os embates dentro do próprio governo são desgastantes e o salto de um ponto porcentual nos juros, decidido pelo BC por unanimidade, mirou na inflação, mas atingiu o ministro da Fazenda.

Já Tarcísio foi sucessivamente atingido por vídeos perdidos, comprovando que sua política é o seu homem da segurança são um desastre. Os criminosos atuam à vontade, sem controle e limite, enquanto as forças policiais agem como criminosos. Aturdida, tensa, a sociedade já não sabe mais quem é mocinho e quem é bandido nesse bangue-bangue.

As duas maiores preocupações da população são, justamente, economia e (falta de) segurança. Com Bolsonaro inelegível e enrolado e Lula ainda disposto a concorrer, mas cada vez se distanciando da intenção e das condições, convém aos candidatos à renovação priorizar nessas duas pautas.