Flávio Bolsonaro reage à prisão do pai, ataca Moraes e acusa interferência eleitoral

Flávio declarou que querem ‘enterrar todos os Bolsonaros vivos’

Lauriberto Pompeu
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou um vídeo nas redes sociais neste sábado para criticar a prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo pedido de prisão, e também usou o vídeo para comentar o cenário político de 2026, insistindo na tese de que o ex-presidente não deveria apontar um nome como herdeiro político ainda. Flávio também classificou como “canalhas” todos aqueles que cobram essa definição.

“Não adianta perseguir hoje quem é colocado como possível sucessor do presidente Bolsonaro na eleição no ano que vem. Porque cada um que vocês atacarem agora a população vai saber que são vocês querendo interferir nas eleições. Quem falar agora de sucessão do presidente Bolsonaro é canalha. O momento não é de discutir isso, é de dar suporte a um cara que está doente dentro do cárcere, é o momento é de mostrar de quem o povo está ao lado, que é ao lado do Bolsonaro”, afirmou.

CANDIDATO – Em outro momento do vídeo, Flávio nega que ele próprio seja uma opção para disputar a Presidência: “Nunca falei que sou candidato a presidente da República. Sempre falei que sou candidato à reeleição no Senado no meu estado se assim o partido decidir. Isso tudo é medo? Querem enterrar todos os Bolsonaros vivos? Isso tudo é medo de quê?”, questionou.

A decisão de Moraes afirma que a tornozeleira eletrônica usada por Jair Bolsonaro foi violada pouco depois da meia-noite deste sábado. Além disso, o despacho cita uma vigília convocada para esta noite por Flávio para a porta do condomínio onde o ex-presidente mora. O senador voltou a convocar a vigília após a prisão do pai.

“Não vamos temer nada e nem ninguém. Hoje, sete da noite, eu te espero lá, vem com a gente para continuar lutando pelo nosso Brasil. A Constituição está do nosso lado, é nosso direito orar, rezar, nos mobilizarmos para defender aquilo que a gente acredita que seja o melhor para o nosso país. Não tem caneta nenhuma que vai me impedir ou impedir milhões de brasileiros de seguirem lutando pelo seu país, de seguirem lutando para Bolsonaro estar livre”, afirmou.

MANIFESTAÇÃO – Ao falar sobre os motivos que levaram à prisão do pai, o senador negou que a manifestação convocada por ele teria relação com uma estratégia para fazer com que o ex-presidente fugisse.

“Se é que é verdade, que houve alguma tentativa, alguém mexeu, teve algum problema com a tornozeleira eletrônica do Bolsonaro, às 00h08 de hoje, sábado. A vigília que convoquei foi para as 19 horas de hoje. Tem algum sentido manipular a tornozeleira e esperar 19 horas para depois tentar fugir? O que é humanamente impossível de acontecer com todo o aparato que Alexandre de Moraes colocou para cercar o cativeiro de Bolsonaro”, disse.

Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado pela Polícia Federal por determinação de Moraes. A decisão foi tomada porque o magistrado considerou que havia risco de fuga e não existiam mais condições para manter a prisão domiciliar.

Segundo os advogados, a cronologia dos fatos — que inclui a representação da Polícia Federal feita no dia 21 — demonstraria que a medida não se justifica. A defesa argumenta que a Constituição assegura o direito de reunião, “em especial para garantir a liberdade religiosa”, e contesta a afirmação do ministro sobre risco de evasão.

PRAZO – A prisão é preventiva e não está relacionada com a execução da condenação pela tentativa de golpe de Estado. No caso da trama golpista, a decisão ainda não transitou em julgado, ou seja, ainda há prazo para a apresentação de recursos.

O parlamentar também disse que a direita não sai enfraquecida com a prisão.

“Tenho uma péssima notícia a dar a todos, não vão silenciar esse movimento. A última coisa que a gente vai fazer é desistir do Brasil. Podem continuar vindo com covardias. Eu estou vendo muito claro, por essa decisão esdrúxula de Alexandre de Moraes, usando mais uma vez um filho para tentar culpar da prisão do pai”, finalizou.

9 thoughts on “Flávio Bolsonaro reage à prisão do pai, ataca Moraes e acusa interferência eleitoral

  1. “Ação antidebandada”

    Ex-mito pretendia fugir do País, tal como Bananinha, agora réu, Ramagem e Zambela, já condenados.

    A prisão preventiva do ex-mito determinada por Xande um dia depois da inclusão de Ramagem na lista da Interpol, pode ser definida como uma “ação antidebandada”.

    O bolsonarismo agonizando e a contagem regressiva do trânsito em julgado da trama golpista detonaram um “salve-se quem puder”. A PF e Moraes estão de olho.

    Apesar da troca do desastrado Bananinha pelo Flávio Rachadinha na linha de frente, e do vídeo desesperado deste articulando uma “vigília” para dar sobrevida ao bolsonarismo, parece tarde demais:

    – Escaldados pelas prisões do 8/1 e desencantados com o antipatriotismo dos bolsonaros, os bolsotários abandonam as ruas, enquanto os cúmplices políticos abandonam o País.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 22/11/2025 | 13h59 Por Eliane Cantanhêde

    • Bolsonaro conduziu seu infortúnio

      Escolhas beligerantes do ex-mito e sua turma os levaram a pagar o preço da própria estupidez

      Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 22.nov.2025 às 10h15 Por Dora Kramer

  2. Laranjão ‘abandonou’ o ex-mito

    Governistas e bolsonaristas avaliam que as novas exceções ao tarifaço – citando Barba – mostraram esgotamento da tentativa do ex-mito de obter apoio dos EUA

    O entorno do ex-mito entendeu que se esgotou a estratégia de obter apoio de Laranjão para pressionar os Poderes no país e, assim, tentar reverter a iminente prisão do chefe do clã.

    O anúncio das novas exceções à sobretarifa de 40% justamente dias antes da esperada prisão do ex-mito caiu como um balde de água fria no lado bolsonarista.

    A alardeada ação de Bananinha em solo americano se esgotou sem produzir nenhum benefício para o ex-mito, pelo contrário: só serviu para turbinar a recuperação da popularidade de Barba e para aumentar a rejeição ao ex-presidente.

    Fonte: O Globo, Opinião, 22/11/2025 12h04 Por Vera Magalhães

    E não foi só Laranjão

    Militares chamados de “Meu Exército” pelo ex-mito, à época, também não se manifestam sobre prisão do ex-presidente.

    Na derrocada, o ex-mito recebe manifestações de ‘apoio’ e ‘solidariedade’ na maioria de pré-candidatos que visam obter votos de bolsotários nas próximas eleições.

  3. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , não deixou nenhuma dúvida de que não esta nem aí , para a prisão de seu pai Jair Bolsonaro , mas sim quer se aproveitar e avançar sobre o espólio político de seu pai .

  4. Filhos do ex-mito atrapalharam governo, afastaram aliados e anteciparam prisão do pai

    Ações desastradas de Dudu Bananinha e Flávio Rachadinha levaram ex-mito mais cedo para a cadeia

    O ex-mito mal havia vestido a faixa quando aliados começaram a reclamar das ações de seus filhos. O primeiro a se queixar em público foi o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Acabou demitido antes de completar dois meses no cargo.

    “Os filhos do presidente atrapalham muito, são o maior problema do governo”, disse Bebianno, poucos meses depois da queda. “São mimados, nunca trabalharam na iniciativa privada, nunca enfrentaram um ambiente de trabalho normal. Sempre mamaram nas tetas do Estado”, acrescentou.

    Eleito por um partido de aluguel, o ex-mito não tinha quadros para montar o governo. Loteou a Esplanada entre militares e permitiu que os filhos Rachadinha, Carluxo e Bananinha interferissem à vontade na gestão federal.

    Ao longo de 2019, não foram poucos os aliados que advertiram o capitão para o risco de dar tanto poder aos herdeiros. “O que está desgastando muito o presidente são filhos com mania de príncipes”, disse em outubro o senador Major Olímpio.

    “Esses moleques precisam de camisa de força. São um risco para o Brasil e para o mandato do presidente”, emendou dias depois a deputada Joice Hasselmann.

    Os alertas não convenceram o ex-mito a reduzir a influência da prole no governo. Ao contrário: ele ampliou o espaço dos filhos e afastou todos os aliados que se queixaram — alguns deles, com requintes de crueldade.

    Rachadinha, o senador, foi promovido a líder informal do governo no Congresso. Carluxo, o vereador, ganhou o comando das redes sociais do Planalto. Bananinha, o deputado, quase virou embaixador nos Estados Unidos.

    Terminou aboletado na liderança do PSL na Câmara, o que deixou mais alguns bolsonaristas insatisfeitos pelo caminho.

    A defesa incondicional dos filhos não foi bom negócio para o ex-mito. A cada crise, o então presidente viu aumentarem o desgaste público e o isolamento político. Os herdeiros atrapalharam o governo e afastaram aliados. Agora ajudaram a antecipar a prisão do pai.

    Há três meses, a atuação de Bananinha levou o STF a impor as primeiras medidas cautelares ao capitão.

    O deputado fugiu para os States e passou a tramar contra as instituições brasileiras. Convenceu a Casa Branca a baixar o tarifaço e presenteou o pai com uma tornozeleira eletrônica — mais tarde convertida em prisão domiciliar.

    Nesta sexta, Rachadinha incitou seguidores a se concentrarem na porta do condomínio de Bolsonaro em Brasília. Em vídeo nas redes sociais, o Zero Um convocou uma “vigília” em favor do pai, que usou ferro quente para tentar se livrar do monitoramento eletrônico.

    Xande não quis pagar para ver. Na madrugada de ontem, decretou a prisão preventiva do ex-mito para a garantia da ordem pública. A decisão equipara as ações da família Bolsonaro às de uma quadrilha.

    “O vídeo gravado por Rachadinha incita o desrespeito ao texto constitucional, à decisão judicial e às próprias instituições, demonstrando que não há limites na organização criminosa na tentativa de causar caos social e conflitos no país”, anotou o ministro.

    Fonte: O Globo, Opinião, 22/11/2025 17h00 Por Bernardo Mello Franco

  5. Pasto para o gado.
    Sim, ao simular o rompimento da tornozeleira, boçalnaro sabia que estaria violando um item que fatalmente o levaria à prisão preventiva, pois não restaria outra alternativa, senão essa.
    Claro, foi uma estratégia para tentar mobilizar os incautos que se iludem, pensando que serão beneficiados. Pergunto: com o quê?
    Os ceguidores que se dizem de direita, sem ao menos saber o que essa ideologia significa (porque essa direita que defendem nada tem de direito, de ser correto, muito pelo contrário), caem, direitinho nessa esparrela de liberdade. Mas o que é proibido no Brasil em matéria de críticas? Não se deve confundir criticar com xingar, com criação de notícias falsas para levar vantagem, oi que defino como libertinagem de expressão.
    Certamente devemos evoluir muito em matéria de entender a política e a economia. De saber quem leva no lombo e sempre paga a conta. A classe de cima agradece a burrice reinante, pois para eles, o sistema reinante está ótimo.

  6. Bolsonaro desconfiava que havia um “bug” de escuta implantado na tornozeleira. Agora ele tem certeza de que tinha mesmo. Se quisesse fugir, bastava cortar a fivela da tornozeleira.

  7. O que sai da Globo, Folha e Estadão só atende aos que gostam de narrativas fajutas, os militantes de cérebro terceirizado.
    “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” Joseph Pulitzer.

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