Bolsonaro sela a sucessão, enquadra o PL e redefine o jogo da direita

Bolsonaro busca preservar seu capital político 

Pedro do Coutto

A carta aberta divulgada por Jair Bolsonaro pouco antes de se submeter a uma nova cirurgia não pode ser lida como um gesto improvisado, emocional ou meramente familiar. Em política, especialmente na política brasileira recente, timing é substância. E o momento escolhido pelo ex-presidente foi tão eloquente quanto o conteúdo do texto. Ao formalizar apoio à candidatura presidencial do próprio filho, hoje senador da República, Bolsonaro não apenas fez uma declaração de preferência: ele decretou uma linha sucessória e impôs uma ordem interna ao bolsonarismo.

A repercussão imediata confirmou o alcance do movimento. A grande imprensa, com destaque para O Globo, tratou o episódio como um divisor de águas dentro do Partido Liberal. Não por acaso. Ao tornar público e inequívoco seu apoio, Bolsonaro esvaziou, de uma só vez, qualquer tentativa de construção de alternativas presidenciais no interior do PL. Governadores, parlamentares influentes ou quadros técnicos que eventualmente sonhassem com protagonismo nacional foram colocados em posição secundária — quando não descartados.

MOVIMENTO PERSONALISTA – O bolsonarismo, desde sua origem, sempre funcionou menos como uma corrente ideológica plural e mais como um movimento personalista, organizado em torno da figura de seu líder. A carta apenas explicitou essa lógica. Ao sinalizar que o candidato do grupo tem sobrenome e DNA político definidos, Bolsonaro reafirma que, no seu campo, a lealdade precede o debate e a obediência estratégica se sobrepõe à construção coletiva. Não há espaço para prévias, ensaios ou dissensos públicos. O recado foi direto: quem quiser permanecer sob o guarda-chuva bolsonarista deve seguir Bolsonaro — e ponto final.

Esse gesto também precisa ser analisado à luz das limitações que hoje cercam o ex-presidente. Fora do jogo eleitoral direto, pressionado por investigações e juridicamente impedido de disputar cargos, Bolsonaro busca preservar seu capital político por meio de um herdeiro. Trata-se de uma tentativa clara de transferência simbólica de liderança, fenômeno conhecido e estudado em democracias frágeis ou altamente personalizadas. Não é novidade na história política mundial, nem tampouco na brasileira, marcada por clãs, dinastias regionais e heranças eleitorais.

Ao escolher o filho, Bolsonaro reduz riscos. Garante fidelidade absoluta, controle do discurso e continuidade da narrativa. Um aliado externo, por mais próximo que fosse, sempre carregaria a possibilidade de autonomia futura. Um filho, ao menos em tese, preserva o projeto, o estilo e o antagonismo que sustentam a identidade bolsonarista. Nesse sentido, a carta não é apenas um apoio: é um mecanismo de autopreservação política.

SIMBOLOGIA – Há também um componente simbólico relevante. O contexto de saúde confere à mensagem uma carga emocional que não pode ser ignorada. Ao escrever às vésperas de uma cirurgia, Bolsonaro se coloca novamente no papel que tão bem explorou ao longo dos últimos anos: o do líder que resiste, sofre e luta contra adversidades em nome de seus seguidores. Essa narrativa, amplamente analisada por estudiosos do populismo contemporâneo, reforça vínculos afetivos e dificulta questionamentos racionais dentro da base.

Do ponto de vista partidário, o PL sai momentaneamente mais coeso, mas não necessariamente mais forte. A imposição de um nome pode conter disputas internas no curto prazo, porém cobra seu preço no médio e longo prazos. Ao fechar portas para lideranças emergentes, o partido corre o risco de limitar sua capacidade de renovação e ampliar sua dependência de uma única figura política — ainda que essa figura esteja formalmente fora da disputa.

REDEFINIÇÃO – Por fim, a carta de Bolsonaro redefine o debate no campo da direita brasileira. Ela antecipa o conflito central da próxima eleição: não apenas entre governo e oposição, mas entre a manutenção de um projeto personalista e a tentativa de construção de uma direita mais institucional, menos centrada em um único líder. Ao deflagrar sua posição partidária de forma tão explícita, Bolsonaro deixa claro que não pretende abrir mão do controle do movimento que criou — mesmo à distância.

Resta saber se o eleitorado aceitará essa transferência automática de liderança e se o bolsonarismo, ao optar pela sucessão familiar, conseguirá dialogar para além de sua base mais fiel. A carta resolveu uma disputa interna, mas abriu uma questão maior: até que ponto um movimento político consegue sobreviver quando se confunde, de maneira tão profunda, com o destino de um único sobrenome.

Procurador-geral Paulo Gonet silencia sobre as escândalos do banco Master

Gonet pede ao STF para reabrir inquérito de suposta interferência de Bolsonaro na PF - JuriNews

Gravidade da crise deixou Gonet sem saber o que fazer

Rafael Moraes Moura
O Globo

Um detalhe tem chamado a atenção dos envolvidos nas investigações sobre a fraude do Banco Master: o silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as decisões do relator Dias Toffoli no caso.

 Além de avocar para si a condução do caso, Toffoli ainda reforçou o sigilo das investigações, o que provocou mal-estar tanto na Polícia Federal (PF) como no Ministério Público.

GONET CALADO – Mas, apesar de o próprio Toffoli ter pedido à PGR para se manifestar no caso, o procurador-geral, Paulo Gonet, segue inerte.

“O silêncio de Gonet é eloquente”, diz um subprocurador-geral da República ouvido reservadamente pelo blog.

Gonet tem como marca centralizar os processos e agir lentamente. Nesse caso, já faz alguns dias que ele recebeu o processo para manifestação (como o processo tramita sob sigilo máximo, não é possível saber exatamente quando isso ocorreu).

ANTIBOMBA – “No melhor cenário, Gonet pode estar igual ao PM do esquadrão antibomba que age bem cautelosamente para fazer a coisa certa”, diz o subprocurador.

Procurada pelo blog, a assessoria da PGR informou que “não vai se manifestar porque o processo é sigiloso”.

Detalhe: tanto Toffoli quanto Gonet já participaram de eventos com patrocínio do Banco Master. Em abril do ano passado, os dois compareceram ao I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado por uma empresária bolsonarista que já criticou “cidadãos de toga” e o “canetaço” do Supremo Tribunal Federal.

OUTROS MINISTROS – Além de Toffoli e Gonet, também participaram do evento os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes – cuja mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratada pelo Master com a previsão de pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos, conforme revelou o blog.

Em novembro, Gonet ganhou mais dois anos à frente da PGR na votação mais apertada no Senado Federal de um procurador-geral da República desde a redemocratização – foram 45 votos favoráveis (apenas quatro a mais que os exigidos pela Constituição) e 26 contra.

O resultado ficou abaixo da projeção do relator da indicação de Gonet, senador Omar Aziz (PSD-AM), de 48 a 52 votos favoráveis.

NOTA DA REDAÇÃO – Nota-se, claramente, que está em curso uma tentativa de passar um paninho no caso Master, para salvar o ministro Moraes, porém é inútil. Sua queda é irreversível. Após o recesso, o pedido de seu impeachment, já apresentado pela senadora Damara Alves (Republicanos-DF), entrará em discussão, com muita chance de ser aprovado. Moraes ultrapassou todo os limites e será punido. (C.N.)

Piada do Ano! Fachin mira penduricalhos e abre frente contra supersalários

Estudo será apresentado pelo CNJ em 2026

José Marques
Folha

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), presidido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, faz um levantamento para filtrar quais são as verbas indenizatórias legítimas pagas à magistratura em todo o país e quais podem ser enquadradas como pagamentos abusivos.

O estudo será apresentado no ano que vem e deve ajudar o conselho a fazer um filtro no pagamento de penduricalhos em todo o país. O ideal é que também haja um teto remuneratório desses benefícios, que por serem de natureza indenizatória não sofrem descontos.

GRATIFICAÇÕES – Entre os exemplos mencionados de pagamentos legítimos estão as gratificações por acúmulo de função —se um juiz de vara cível também assume uma vara eleitoral, por exemplo— ou diárias pagas por uma viagem.

Em seu discurso de encerramento do ano do Judiciário, Fachin, que também preside o STF, elencou as discussões sobre remuneração da magistratura como uma das prioridades para o próximo ano. “Reiteremos: transparência é a chave quanto às modalidades de remuneração. Nosso respeito intransigente à dignidade e valorização da carreira, irá na mesma medida conter abusos”, disse o ministro.

Apesar de ser um dos assuntos mais importantes da gestão Fachin, o tema também pode gerar polêmica no CNJ e sofrer pressões de associações que representam a magistratura.

TEMA DE DEBATE – Os penduricalhos pagos pelo Judiciário e pelo Ministério Público têm sido tema de debate nos últimos anos, tanto no Judiciário como no Congresso Nacional. O antecessor de Fachin na presidência do STF, Luís Roberto Barroso, disse em entrevista à Folha que era favorável ao Legislativo limitar indenizações, mas com ressalvas. “Sou a favor de o Congresso dizer quais verbas podem ultrapassar o teto legitimamente e acabar com os penduricalhos que são dados indevidamente”, disse.

Em maio, o CNJ aprovou uma resolução que proíbe os órgãos do Poder Judiciário, como tribunais de Justiça, de reconhecer e pagar novos benefícios ou vantagens por decisão administrativa. A partir de então, esse tipo de reconhecimento somente poderá ser realizado a partir do trânsito em julgado de decisão judicial em ação coletiva, ou de precedente qualificado dos tribunais superiores.

A norma, porém, deixa brechas e não resolve o problema dos supersalários de magistrados, segundo entidades especializadas em transparência e gastos públicos. Para as entidades, o conselho pôs um freio nas despesas, mas a iniciativa tem pouca efetividade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSão duas Piadas do Ano. Fachin não vai conseguir moralizar o Supremo com seu Código de Conduta, tampouco evitará os supersalários. É só conversa fiada, para desviar a atenção que deveria haver sobre os excessos do Judiciário, que contaminam os outros dois podres poderes, como diz Caetano Veloso. (C.N.)

Globo tem provas do envolvimento de Moraes no caso do banco Master?

Xandão não se dobrou pra Trump, imagina se vai se curvar pra Malu Gaspar e Lauro Jardim e os jornalões da imprensa golpista

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Carlos Newton

Ao longo dos últimos anos, nenhuma autoridade mereceu tão elevada cobertura da mídia como o ministro Alexandre de Moraes, que presidiu o inquérito, relatou e julgou no Supremo os crimes relacionados com a trama golpista de 8 de janeiro de 2023. Seu nome foi destaque na imprensa internacional e até na Casa Branca, que o puniu por meio da Lei Magnitsky, em sanção depois revista.

Nas duas últimas semanas, o ministro voltou a ser notícia em todos os blogs, sites, jornais, emissoras de rádio e de televisão, mas desta vez o acusado é ele.

APOIO À VENDA – Segundo os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, o ministro Moraes, fora de suas funções institucionais, teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, diversas vezes, para demonstrar seu apoio ao empresário Daniel Vorcaro no caso da venda do falido Banco Master ao BRB – Banco Regional de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal.

O Master, com golpes de gestão temerária, inescrupulosamente acarretou prejuízo a milhares de investidores, deixando rombo de R$ 19 bilhões a ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito.

A desastrada e ilegal intervenção do ministro Moraes junto ao BC não surtiu efeito, e a instituição de Vorcaro foi liquidada pela autarquia federal. Seus controladores foram presos e depois liberados sob vigilância da Polícia Federal e do Poder Judiciário (prisão domiciliar).

SUPERCONTRATO – Nesse contexto, a situação ética e disciplinar de Moraes, se é que algum ministro do STF está sujeito a alguma lei, complicou-se de vez quando os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, corajosamente revelaram que o interesse do juiz no Master incluía a prestação de assessoria completa a um banqueiro sem escrúpulos.

O contrato com o Master foi  celebrado em janeiro de 2024 pela mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129,6 milhões, em prestações de R$ 3,6 milhões.

No escritório de advocacia da família, Viviane e seus dois filhos deveriam, entre outras missões profissionais, defender os interesses do banco Master junto ao Banco Central, CADE, Receita Federal, Congresso Nacional, Judiciário etc.

QUATRO LINHAS – O contrato é missão impossível para um escritório com tão poucos e jovens advogados, carentes de maior experiência. A não ser que forças extrajudiciais estivessem atuando fora das quatro linhas.

Tão graves, inimagináveis e comprometedoras atitudes, relacionadas a insuportáveis pressões que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teria sofrido por parte de Moraes, sem dúvida, denigrem a imagem da STF e de seus membros.

Essas demolidoras reportagens jamais teriam sido publicadas com autorização do diretor-presidente de O Globo, o empresário João Roberto Marinho, que dirige toda a Organização Globo. Ou seja, mais do que indícios, O Globo deve ter as provas. Então, por que não as divulga para que o caso tenha logo um desfecho e não se eternize essa desmoralização do STF? 

P.S. –  Se os jornalistas não tivessem as provas, já teriam sido demitidos de O Globo, que não compra briga com autoridade sob hipótese alguma. Amanhã, voltaremos a esse palpitante assunto. (C.N.)

OEA diz que Supremo deve acatar as leis e suprimir as medidas de exceção

Alexandre de Moraes deveria ser exonerado do Supremo Tribunal Federal -  Combate Racismo Ambiental

Charge do Latuff (Frente Brasil Popular)

Deu no Infomoney

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou nesta sexta-feira, 26, o Relatório especial sobre a situação da liberdade de expressão no Brasil. Embora afirme que o País possui “instituições democráticas fortes e eficazes”, o documento faz alertas sobre o uso de medidas de caráter excepcional pelo Poder Judiciário e seus possíveis efeitos sobre a liberdade de expressão.

O relatório é resultado de uma visita que a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão, da CIDH, fez ao Brasil em fevereiro de 2025, a convite do governo federal, no contexto da tentativa de golpe do 8 de janeiro.

USO ABUSIVO – Relatório da organização sugere descriminalizar desacato e frear uso abusivo da Justiça após análise do cenário pós-8 de Janeiro

Chefiada pelo relator especial Pedro Vaca Villarreal, a delegação percorreu Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo entre os dias 9 e 14 de fevereiro, ouvindo representantes de diferentes setores, entre eles, opositores do atual governo, parlamentares de todo o espectro político, defensores dos direitos humanos, organizações não governamentais e jornalistas.

Logo na introdução, o documento registra que as autoridades brasileiras, com o apoio de certos setores da sociedade civil, às vezes se mostram relutantes à autocrítica e a questionamentos da compatibilidade das restrições à liberdade de expressão com os padrões interamericanos:

TIPO CENSURA – “A defesa da democracia não pode ser alcançada por meio de restrições exageradas que equivalem à censura. Ao mesmo tempo, a liberdade de expressão não deve ser usada para minimizar o imperativo de que se alcance verdade, justiça e responsabilização pelas tentativas de alterar a ordem constitucional em 2023.”

Embora reconheça que o Supremo Tribunal Federal (STF) desempenhou um “papel fundamental” ao iniciar procedimentos para investigar os ataques às instituições, a CIDH demonstra preocupações de que essas medidas constituam uma concentração de poder.

“Há o risco de transformar uma solução temporária, destinada a ser excepcional, em um problema duradouro, ao criar precedentes que podem ser usados em benefício de regimes potencialmente autoritários no futuro”, afirma a delegação, para quem mitigar esse risco requer o reconhecimento de “quaisquer excessos na ação do Estado”.

MEDIDAS DE EXCEÇÃO – O relatório observa que movimentos que contestavam os resultados eleitorais e as próprias instituições democráticas brasileiras exigiram do Poder Judiciário o uso de ferramentas consideradas “extraordinárias”, consideradas decisivas para preservar a institucionalidade.

Mesmo assim, a CIDH insta todos os órgãos do Estado a garantir que essas iniciativas, seja para a defesa da democracia ou para qualquer outro objetivo legítimo, não se prolonguem para além do necessário.

O documento alerta que, embora a organização de crimes graves exija uma resposta do Estado, o Poder Judiciário deve ter cuidado para não expandir o escopo destas limitações extraordinárias a ponto de “sancionar opiniões políticas legítimas”.

DESAFIOS – “Nesse contexto, a Relatoria chama a atenção para os desafios de longa data do Brasil, em distintos órgãos do Poder Judiciário, no que diz respeito às restrições à expressão de pessoas defensoras de direitos humanos, jornalistas e ativistas políticas”, afirma o relatório.

Segundo o texto, esses problemas são anteriores às investigações sobre a tentativa de golpe, e o Judiciário deve se esforçar para criar precedentes que diferenciem de forma clara condutas ilícitas de “críticas legítimas”.

Para a delegação, a gravidade dos eventos que ameaçaram a democracia brasileira nos últimos anos reforça a necessidade de que quaisquer restrições à liberdade de expressão “sejam mais, e não menos, compatíveis com os parâmetros internacionais de proteção e restrição da liberdade de expressão”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, não partem apenas dos Estados Unidos as preocupações com a liberdade de expressão no Brasil. O recado da OEA é claro: mandar parar com as medidas de exceção, com o Supremo acima da lei e da ordem. É hora de refluir. (C.N.)

Dias Toffoli quer “substituir” a PF na investigação do banco Master

Toffoli derrubou ações com pedidos de R$ 17 bilhões - 10/11/2024 - Poder -  Folha

Toffoli se meteu no Banco Master e está todo enrolado

Weslley Galzo e Hugo Henud
Estadão

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli de determinar, de ofício, a realização de uma acareação na investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master coloca sob questionamento a sua atuação no caso.

Para criminalistas ouvidos pelo Estadão, a iniciativa, tomada sem provocação da Polícia Federal, ocorre em um momento considerado inadequado da investigação e caracteriza a produção de provas por parte do próprio ministro, o que pode comprometer a imparcialidade do processo.

ACAREAÇÃO – O ministro determinou que seja realizada na próxima terça-feira, 30, uma acareação entre o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.

Como mostrou o Estadão, Aquino era o diretor do BC mais favorável à operação de venda do Master para o BRB, enquanto o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Dias Gomes, se mostrava resistente.

“O juiz não deve tomar iniciativa, produzir provas, fazer acareações, determinar diligências. Isso não faz sentido no sistema acusatório. A gente tem visto isso no Supremo Tribunal Federal e eles estão desrespeitando a própria jurisprudência da Corte”, avaliou Rodrigo Chemim, doutor em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

NÃO CABE – Além disso, Chemim pontua que a decisão do ministro entra em atrito com a jurisprudência fixada pelo Supremo ao julgar a constitucionalidade do juiz de garantias.

Na ocasião, a Corte definiu que não cabe aos magistrados conduzir investigações, mas sim fiscalizar a atuação dos órgãos competentes — Polícia e Ministério Público — para assegurar que os direitos dos investigados sejam respeitados.

No final de março, o BRB fez uma proposta para comprar um pedaço das ações do Master. A compra foi vetada pela cúpula do BC em setembro. Em seguida, em novembro, o BC decretou a liquidação do banco e junto com a Polícia Federal apontou para indícios de R$ 12,2 bilhões em fraudes no sistema financeiro.

TUDO DOCUMENTADO – O presidente do BC, Gabriel Galípolo, se colocou na última quinta-feira, 18, “à disposição’ do STF para prestar esclarecimentos sobre a liquidação do Master. Ele disse que ele mesmo poderia prestar qualquer tipo de apoio à investigação.

Segundo o chefe da autarquia, o BC tomou o cuidado de deixar tudo documentado em relação ao processo de análise que levou à liquidação do banco, e que enviará esses dados ao Supremo.

Toffoli já havia solicitado a oitiva de investigados e dirigentes do Banco Central, mas esta é a primeira acareação de envolvidos no caso.

TUDO ERRADO – O ex-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), Renato Vieira, avalia que o momento escolhido pelo ministro para a acareação é inadequado.

Ele explica que se trata de um procedimento excepcional, previsto para confrontar versões contraditórias já formalizadas em depoimentos anteriores, e não para ser utilizado no início da investigação, como ocorre no caso do Banco Master.

“Esse não é o momento propício da investigação para uma acareação, de jeito nenhum. Nós não sabemos se houve depoimentos conflitantes, se nós não sabemos se houve pontos controvertidos sobre os quais seja necessário esclarecer, o procedimento está errado, está sendo usado de um jeito errado”, completa.

GRAU DE SIGILO – O ministro colocou grau de sigilo na investigação criminal das fraudes do Master e da sua tentativa de venda para o BRB e a Fictor. A confidencialidade do inquérito também é alvo de críticas de especialistas.

Para Chemim, o caso é de interesse social e deveria estar sujeito a escrutínio público, com exceção de informações que revelassem dados pessoais.

O professor Thiago Bottino, da FGV Rio, afirma que a medida adotada por Toffoli pode comprometer a imparcialidade do caso. Segundo ele, ao produzir prova e assumir a condução direta de atos investigativos, o ministro corre o risco de afetar sua imparcialidade futura no julgamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Toffoli corre o risco de ser imparcial? Isso deve ser alguma Piada do Ano… (C.N.)

Sindicato confirma as “pressões externas” para venda do Master

As lições do Master para plataformas de investimento e nós, a imprensa | Blogs | CNN Brasil

Nota do Sindicato não deixa dúvidas sobre as “pressões”

Andreza Matais
Metrópoles

Uma nota do Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central coloca mais um degrau na escalada das notícias sobre a suposta tentativa de pressão para livrar o Banco Master do processo de liquidação.

A nota foi divulgada no mesmo dia em que veio à tona que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, teria pressionado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para favorecer o banco de Daniel Vorcaro. Os dois negam.

BC CONFIRMA? – Na nota do BC, divulgada 24 horas depois e de forma concomitante à de Moraes, não passou desapercebido o fato de o texto dizer que “o BC confirma que manteve reunião com o ministro Alexandre de Moraes”.

Faltou dizer quem manteve, as datas e o local dos encontros. Ao deixar essas informações em aberto, a nota coloca todo o BC sob suspeita.

Moraes divulgou duas notas sobre o assunto. Sustenta que “em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei (Magnitsky), em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”.

PRESSÓES EXTERNAS – O sindicato do BC, contudo, é explícito no seu comunicado.

“O episódio evidencia a importância vital do Regime Jurídico Único e da estabilidade funcional que regem a carreira dos servidores do BC. Tais prerrogativas são a salvaguarda que permite ao corpo técnico resistir a ingerências e pressões externas, possibilitando que decisões sensíveis sejam tomadas com autonomia e fundamentação técnica.”

Segue o texto: “A defesa dessas garantias não é apenas uma pauta corporativa, mas um pilar essencial para a proteção do interesse público e para o fortalecimento das instituições de Estado”.

QUESTIONAMENTOS – O sindicato não cita diretamente a suposta tentativa de interferência do ministro Alexandre de Moraes no processo. Refere-se às “recentes manifestações do TCU e do STF relativas à liquidação do Banco Master”.

No Supremo, a investigação está focada nas supostas fraudes que levaram à prisão de Daniel Vorcaro. No TCU, o questionamento é sobre a decisão do BC de liquidar o banco descartando outras alternativas menos extremas.

Se funcionários do Banco Central usaram a estabilidade a que têm direito para não ceder a eventuais pressões, fizeram uso correto dessa prerrogativa. Precisam agora usar a mesma proteção garantida em lei para tornar pública que tipo de pressão sugerem que sofreram.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Neste sábado a Tribuna apresentará matéria referente à necessidade de o presidente do BC divulgar o teor das conversas telefônicas e presenciais que manteve com o ministro Moraes. O seu silêncio, na inexistência de provas concretas, poderá acarretar bilionária indenização em favor de Moraes, porque o Supremo reconhece como “legal” o contrato de cônjuge de ministro com qualquer tipo de réu. (C.N.)

ACM Neto confirma candidatura ao governo da Bahia e lidera pesquisas

Milei endossa Flávio Bolsonaro, mas candidatura segue restrita ao núcleo bolsonarista

Silvinei Vasques é preso no Paraguai tentando fugir para El Salvador

“Oh tristeza, me desculpe, estou de malas prontas, vamos viajar…”

Paulo César Pinheiro - discografia de A a Z | Templo Cultural Delfos

Paulo César Pinheiro compôs mais de 2 mil canções

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro é considerado um dos maiores autores da canção popular do Brasil, cuja obra ultrapassa 2 mil músicas compostas, entre as quais, “Viagem”, considerada uma das mais belas músicas brasileiras, uma parceria com o grande violonista João de Aquino (1945/2022)

Vale ressaltar, que Paulo César Pinheiro escreveu a belíssima letra de “Viagem” aos 14 anos de idade. Letra esta, onde o poeta pede licença à tristeza, porque irá viajar com a poesia que veio ao seu encontro. A música foi gravada por Marisa Gata Mansa, em 1972, produção independente.

VIAGEM
João de Aquino e Paulo César Pinheiro

Oh tristeza, me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar.

Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe, lá do fim do mar.

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas vai escondida
Querendo brincar.

Senta nesta nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol.

Oh poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu

Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua quando serenar.

Ou talvez até, quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite
Cujo o nome é raio, é raio de luar.

Reflexões sobre Cristo como  profeta e como um ser divino

PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: OUVIR JESUS

A existência de Jesus Cristo é mais do que comprovada

Reinaldo José de Almeida
Folha

Existem algumas ideias fixas que às vezes eu chamo carinhosamente de “criacionismo de ateu”: crenças sem base factual que acabam soando muito sedutoras para pessoas supostamente sem dogmas. Uma delas, que já abordei anos atrás nesta coluna, é a de que não existiria natureza humana e tudo seria “construção social”.

E há outra que sempre volta para me perseguir quando escrevo sobre história das religiões. Trata-se da tese de que Jesus de Nazaré nunca teria existido. Éuma crença quase tão pseudocientífica quanto afirmar que as pirâmides foram feitas por ETs.

PRESSUPOSTOS – Primeiro, a comparação com ideias do tipo “alienígenas do passado” se explica pelo fato de que é praticamente impossível encontrar historiadores e arqueólogos sérios que defendam a tese do “Cristo mítico”.

O mesmo vale para publicações em periódicos acadêmicos com revisão por pares –o processo no qual a comunidade acadêmica avalia um novo estudo antes de ele ser divulgado.

O que é curioso nesse caso é o proverbial uso de dois pesos e duas medidas. Algumas das pessoas que não dão crédito ao negacionismo da crise climática –porque, afinal, sabem que as raras pessoas com credenciais científicas que negam o problema em geral não são climatologistas, nunca publicaram em nenhum periódico sério sobre o tema

DINHEIRO NA MÃO – Essas pessoas têm motivações ideológico-financeiras para o negacionismo ou tudo isso junto, e acabam dando crédito aos “miticistas”, que seguem o mesmo figurino.

Os consensos científicos modernos existem por um bom motivo. E eles quase sempre mudam quando há boas evidências em favor de alterá-los, o que não está sendo o caso aqui.

E não há nenhuma explicação convincente para a suposta invenção de um Messias judeu se a ideia era converter justamente os não judeus para uma nova religião.

ABISMO ÓBVIO – Há ainda outro problema de base nessa história. Trata-se da mania demasiado humana de se aferrar a qualquer argumento que seja útil para o seu lado, por mais frágil que seja.

A questão, porém, é que falta enxergar o abismo óbvio que existe entre aceitar a existência da figura histórica de Jesus de Nazaré – um profeta da Galileia crucificado pelos romanos lá pelo ano 30 d.C.– e acreditar no Senhor divino anunciado por uma das muitas denominações cristãs por aí.

É claro que o consenso histórico sobre Jesus se refere à primeira figura, do profeta da Galiléia, e não à segunda.

SEM PROVAS – Os debates entre historiadores sobre os detalhes mais ou menos prováveis da vida da primeira figura são ferozes e ainda indecisos (assim como os debates sobre Alexandre, ou Nero, ou qualquer outra figura da Antiguidade).

Mas nenhum desses debates jamais será suficiente para “provar” que o Nazareno operava milagres ou ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, como diz o Credo, simplesmente porque eventos desse tipo não são verificáveis por meio do método científico e só podem ser aceitos por meio da fé.

Fica aqui a dica, portanto, aos amigos ateus e agnósticos: os argumentos em favor da descrença já são bastante fortes. Não é preciso fazer birra contra o consenso histórico só por causa do que foi feito do legado de um pobre galileu. Feliz Natal a todos!

Bolsonaro banca candidatura de Flávio, mas gesto irrita aliados e a própria família

Em carta, Bolsonaro confirma pré-candidatura de Flávio

Malu Gaspar
O Globo

A carta de Jair Bolsonaro escrita à mão na prisão e divulgada por Flávio na tarde desta quinta-feira (25), reafirmando a candidatura do filho à presidência da República em 2026, irritou alguns dos aliados mais próximos do ex-presidente – incluindo a ex-primeira-dama Michelle.

“Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho, para a missão de resgatar o nosso Brasil. Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim”, diz Bolsonaro na carta..

“EGOÍSMO” – Segundo alguns desses aliados, a iniciativa de Flávio seria fruto de “egoísmo” por ocorrer no momento em que o pai passa por uma cirurgia e enfrenta problemas de saúde – como o soluço persistente, para o qual ele deve sofrer outra operação.

No início da semana, Bolsonaro chegou a anunciar que daria uma entrevista ao portal Metrópoles, mas depois desistiu alegando questões de saúde. A entrevista foi articulada por Flávio e tinha a mesma finalidade, depois cumprida pela carta: reafirmar sua candidatura. Mas, de acordo com aliados próximos, Michelle fez com que a operação fosse abortada.

Os dois episódios mostram que a decisão de Bolsonaro, embora vá ser cumprida enquanto estiver valendo, não pacificou o clã e nem encerrou a discussão na direita sobre a viabilidade e conveniência da candidatura de Flávio. Tudo indica que a tensão interna deve continuar, e por bastante tempo.

Fachin entre dois fogos: o esforço silencioso para desarmar crises institucionais

Para oposicionistas, chegou a hora de pedir impeachment de Moraes

Oposição entra com novo pedido de impeachment de Moraes | CNN 360°

Damara Alves (Republicanos) entrou com pedido no Senado

Vicente Limongi Netto

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta vendaval pior do que inferno astral. Vem recebendo saraivadas no lombo de todos os lados, vindas de todas as direções. Precisa, urgente, pensar em boas respostas à opinião pública.

Sem dissimulações ou clichês surrados, com esclarecimentos firmes, claros e convincentes – se existirem, é claro.

SR. XANDÃO… – Moraes, o senhor Xandão, é sisudo, de raros sorrisos. Prende, solta, libera para exames, aumenta penas, libera e exige uso de tornozeleira eletrônica. Raramente, como agora com o ex-presidente Bolsonaro, libera visitas médicas e operações, sem antes passar pelo crivo da Procuradoria-Geral da República e da Policia Federal.

De alguns dias para cá, o quadro clínico mudou de figura. O enfermo é Moraes. O tormento mudou de lado.

Moraes, que era um xerife e durão, passou a ser acusado de tramas estranhas e escabrosas com a mulher dele, advogada, ambos envolvidos com o nefasto e mal cheiroso, Banco Master.

BATATA ASSANDO – Moraes certamente está ansioso para colocar os dois pés no Ano Novo, num glorioso 2026 de eleições majoritárias. Na qualidade de vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Moraes acredita que vai baixar a poeira em torno do nome dele, nas perguntas sem respostas do lamaçal do Master.

Enquanto 2026 não chega, vai assando a batata do Xandão. Era em fogo brando. Agora é fervendo. Toda a mídia – impressa, eletrônica e virtual – insiste em tirar o couro de Moraes para fazer cuíca neste carnaval. Raros espaços de notícias ou de comentaristas livram a casa de Moraes.

Em recesso de fim de ano, o Congresso poupa um pouco Moraes do noticiário ruim. Aparentemente alivia o sufoco.  Mas a iniciativa do senador do MDB, Alessandro Vieira, pretendendo colher assinaturas para o impeachment de Moraes, causa pânico entre governistas e enche de satisfação os corações oposicionistas.

CPI NO SENADO – Os bolsonaristas já estão preparados para a guerra. Com sangue nos olhos e faca nos dentes, prontos para tirar as tripas de Alexandre de Moraes e pendurar nas janelas da Suprema Corte.

Por sua vez, gênios da lâmpada estragada do Planalto, como o senador Jacques Wagner, estão correndo da copa para a cozinha, tentando demover o jovem senador Vieira da pretensão.

Mas os sanguinários do PL não concordam com penas que consideram injustas e longas de Moraes para golpistas do 8 de janeiro. Para eles, a vingança chegou. E a senadora Damara Alves (Republicanos.DF) já entrou com o pedido de impeachment.

Disputa de Lula e Flávio reedita a guerra de rejeições de 2022

Flávio Bolsonaro aparece 15 pontos atrás de Lula nas intenções de voto para  2026

Lula adora as pesquisas que incentivam Flávio Bolsonaro

Ana Luiza Albuquerque
Folha

Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) mantiver sua candidatura ao Planalto em 2026, irá reeditar com o presidente Lula (PT) a guerra de rejeições da corrida eleitoral de 2022, avaliam políticos e estrategistas de campanha.

Na última eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PL) saiu derrotado. E agora Flávio já tenta mudar o roteiro se apresentando como uma versão moderada do pai.

EM SEGUNDO = Publicada na semana passada, a mais recente pesquisa Genial/Quaest animou bolsonaristas por mostrar Flávio logo atrás de Lula em intenções de voto no primeiro turno.

No cenário com Tarcísio de Freitas (Republicanos), presidenciável preferido do centrão, o governador de São Paulo sai com 10%, enquanto Flávio aparece com 23%, e Lula, com 41%.

O levantamento, porém, mostra um dado crucial que pesa contra o filho de Bolsonaro: 60% dos entrevistados dizem que não votariam em Flávio. É a maior rejeição entre todos os cotados —Lula tem 54%, Tarcísio, 47%, Ratinho Júnior (PSD), 39%, Ronaldo Caiado (União Brasil), 40%, e Romeu Zema (Novo), 35%.

DIFICULDADE – Integrantes do PL admitem à reportagem que, se confirmada a rejeição na faixa de 60% nas próximas pesquisas, será muito difícil o senador se tornar viável.

Pesquisa Datafolha realizada de 2 a 4 de dezembro, anterior ao anúncio de Flávio, mostrava Lula com uma rejeição de 44%, superior à do senador, que tinha 38%, e à de Tarcísio, com 20%.

O potencial de rejeição ao sobrenome Bolsonaro é um empecilho para partidos do centrão abraçarem Flávio ao Planalto. Líderes do grupo indicavam preferir uma opção mais palatável, que unisse o centro e a direita.

BOM PARA LULA – Professor de comunicação política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Beto Vasques afirma esperar uma eleição de rejeições, decidida por diferença de poucos pontos percentuais.

“Por ser o Flávio, talvez possa até abrir mais espaço para o Lula. Ele tem a parte ruim do Bolsonaro e não tem a parte boa, o apelo popular de líder de massas”, diz Vasques, que acumula algumas campanhas eleitorais em sua trajetória.

Para ele, o desafio de Flávio é muito grande porque, para aumentar a rejeição de Lula, seria preciso atacá-lo. Fazendo isso, porém, o filho de Jair poderia ser mais rejeitado. Terceirizar os ataques, diz o professor, não teria o mesmo efeito sobre a popularidade do petista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como afirmamos aqui na Tribuna da internet, agora vão abundar as pesquisas inflando a candidatura de Flávio Bolsonaro, colocando o Zero Um sempre à frente de Tarcísio de Freitas, para afastar o opositor que Lula mais teme. E ainda há quem acredite nessas pesquisas. (C.N.)

Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela)

Carlos Newton

Atingidos diretamente pelo agravamento da polarização, causado pelo radicalismo que o ministro Alexandre de Moraes adotou na investigação e no julgamento do 8 de Janeiro e do complô golpista, os ministros do Supremo Tribunal Federal passaram o pior Natal de todos os tempos.

O STF tornou-se o prato principal das queixas, reclamações e ataques desferidos na internet e nas redes sociais, apesar de estar sendo poupado pela grande imprensa, que sempre enaltecia a atuação dos ministros contra o bolsonarismo, mas agora teve de se curvar diante do envolvimento de Moraes no escândalo do Banco Master.

SEM PRESTÍGIO – Na verdade, a mídia já não tem o mesmo prestígio e sofre críticas pesadas pela servidão que demonstra em relação ao governo, porque todos os veículos, sem exceção, tornaram-se cada vez mais dependentes das verbas políticas de publicidade, que inclusive estão sendo aumentadas devido ao ano eleitoral.

O problema é que está cada vez difícil enganar a opinião pública. Não adianta a grande imprensa querer conduzir os acontecimentos, porque a verdade acaba aparecendo.

Vejam o caso de Alexandre de Moraes, indevidamente transformado em herói nacional e salvador da democracia. De repente, um jornalista (Lauro Jardim, de O Globo) quebrou o muro de silêncio e trouxe à luz o espantoso contrato de R$ 129,6 milhões entre a mulher de Moraes e o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro.

SIGILO INÚTIL – Não adianta que o amigo Dias Toffoli saia em socorro, coloque em sigilo as investigações e tranque em seu gabinete todos os documentos do inquérito. Logo haverá um vazamento, e assim sucessivamente.

Os sete ministros que deram força para transformar Moraes no mito Xandão agora estão assustados. O prestígio do ministro-relator-vítima-julgador-revisor-etc. diminui a cada dia. Como diz o jornalista Mario Sabino, de Metrópoles, os brasileiros têm 129 milhões de motivos para não esquecer quem é Moraes.

E os sete ministros, que desde 2019 vêm apoiando as perversidades de Xandão tão entusiasticamente, agora têm de se afastar dele, para preservar as próprias biografias.

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P.S. –
Nada como um dia atrás do outro, diz o ditado popular. Os julgamentos do 8 de Janeiro e do golpe que não houve foram atrocidades jurídicas, vão pesar para sempre na mente dos ministros que ainda tiverem alguma
consciência. Porém, nunca é tarde para se recuperar. Se daqui para a frente os ministros respeitarem as leis e a Constituição, já estará de bom tamanho. E a opinião pública saberá entender. (C.N.) 

Jesus é objeto de fé, mas também um campo acadêmico de estudos

Jesus Cristo Abençoando Uma Multidão De Seguidores Sob O Céu Dramático Foto  de Stock - Imagem de divino, dourado: 368876770

Ninguém ousa duvidar da existência de Jesus Cristo

Luiz Felipe Pondé
Folha

Jesus existiu? Essa pergunta, hoje, não é só ultrapassada, ela é cafona. Até o século 19, existiam autores que tentaram pôr em dúvida a existência histórica de Jesus Cristo, mas, hoje, ninguém sério mais faz isso.

Claro que uma coisa é você saber que houve um judeu chamado Jesus no período do segundo templo de Jerusalém, no qual a Israel antiga estava sob o domínio romano. Outra é você crer que ele ressuscitou. Este relato já não faz parte do conjunto de evidências que sustentam a existência histórica de Jesus de Nazaré.

VER PARA CRER – Por outro lado, narrativas como aquela em que o discípulo cético Tomé pede a Jesus que mostre a ele suas chagas para que ele as toque, a fim de provar que Jesus havia voltado da morte com seu próprio corpo, é orgânica com o conjunto de crenças judaicas da época.

Para os judeus, vencer a morte era voltar dela com o corpo —e não apenas vagar por aí como uma alma penada. Espíritos de mortos vagando no mundo tinham em toda esquina. Quem criou essa narrativa conhecia esse conjunto de crenças da época.

Assim, a fortuna crítica sobre Jesus é vastíssima e de alto nível.

VÁRIOS SENTIDOS – Para quem estuda religiões, é sabido que o substantivo “religião” tem vários sentidos. Por exemplo, religião é uma coisa para uma senhorinha católica que reza o terço e vai à missa. É outra coisa para o rabino estudioso e responsável pela vida espiritual de uma comunidade judaica. E ainda outra para um estudioso do fenômeno histórico que costumamos chamar de religião para facilitar o entendimento entre nós.

Em português, temos alguns volumes excelentes sobre Jesus como personagem histórico e o seu contexto social, político e espiritual.

VELHO TESTAMENTO – O livro “Jesus Fora do Novo Testamento: Uma Introdução às Evidências Primitivas” de Robert R. Van Voorst, da editora Biblioteca Teológica, é rico no tratamento do personagem histórico Jesus a partir de fontes clássicas, judaicas, canônicas e pós-canônicas.

O livro “Jesus”, do historiador israelense David Flusser, pela editora Perspectiva, é indispensável. Entre outras características, um dos eixos argumentativos centrais é a constatação de que o que está descrito nos evangelhos sinóticos —Marcos, Mateus e Lucas.

A descrição é historicamente consistente com a época, seja em suas estruturas de poder dentro da sociedade israelita de então, seja no tocante ao ensino de um judeu típico da sua época, como era Jesus.

JUDEU LIBERAL – Aquele mais tarde chamado de “O Cristo” —o ungido—, ao contrário do que muita gente pensou e pensa por aí, era um judeu “liberal” que nunca pensou em inventar nenhuma religião nova.

Vale lembrar que, naquele tempo, o judaísmo era uma religião como qualquer outra. Isto é, qualquer um poderia se tornar judeu sem toda a questão da linhagem matrilinear tão conhecida atualmente. A rigor, a ideia de partida era trazer novos convertidos para o messias judeu recém-chegado.

Outro fator importante é que o termo “o Cristo”, ou “o ungido”, era uma categoria política. Por isso, os romanos olhavam com desconfiança —ungido era o rei de Israel, visto naquele momento como um possível inimigo do imperador.

REI DOS JUDEUS – Não foi à toa que colocaram na cruz, em forma de deboche, que Jesus era o rei dos judeus.

Outro título, esse escrito por especialistas do Brasil na área, é o volume “Jesus de Nazaré: Uma Outra História”, da editora Anna Blume, com apoio da Fapesp, organizado por André Leonardo Chevitarese, Gabrielle Cornelli e Mônica Selvatici. Distante de qualquer tratamento teológico ou movido pela fé, a coletânea traz um olhar “outro”, ou mesmo “estranho”, para o personagem histórico antigo, o “homem divino da Galileia”.

JESUS HISTÓRICO – Um volume essencial que temos traduzido no Brasil é “O Jesus Histórico: Um Manual”, organizado por Gerd Theissen e Annette Merz, pela editora Loyola. Este volume enfrenta todos os campos de estudos acadêmicos sobre a figura histórica de Jesus: as fontes cristãs e não cristãs, a avaliação dessas fontes, o contexto da época, as relações políticas, as diversas figuras do Cristo, o messias judeu para alguns, herege para outros, o curador de doenças e milagreiro, o profeta, o líder político, o rebelde, o mestre de sabedoria, o Jesus histórico como fonte da cristologia nos primórdios do cristianismo.

Há estudos também da igreja primitiva em tradução no Brasil, como os três volumes magistrais de James D. G. Dunn, “O Cristianismo em seus Começos”, pela editora Paulus.

Enfim, Jesus não é só um objeto de fé, ele é um campo acadêmico de estudos de peso, que exige uma vasta erudição e muito folego. Um campo atravessado por polêmicas ricas, estimulantes e intermináveis.

Michelle cita “traições” em meio à confirmação de Flávio como pré-candidato

Michelle falou em necessidade de renovação

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

Emulando o rito de pronunciamento oficial do Presidente da República na noite de Natal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (24) um discurso que tratou da necessidade de renovação e citou “traições, ainda que venham das pessoas mais próximas”.

Horas depois, na manhã desta quinta-feira (25), um dos enteados de Michelle, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), confirmou o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), à sua pré-candidatura à Presidência.

“PESSOAS DE BEM” – O discurso de Michelle se deu no mesmo horário do pronunciamento de Natal do presidente Lula (PT). Enquanto o do petista foi precedido pela chamada de “forma-se, nesse momento, a Rede Nacional de Rádio e Televisão para o pronunciamento do Presidente da República”, o de Michelle emulou: “forma-se, agora, a rede nacional de pessoas de bem que vão transformar vidas e edificar a nação”.

Lula falou em um ano difícil, mas em que “todos que torceram ou jogaram contra o Brasil acabaram perdendo”, mensagem que pode fazer referência, entre outras possibilidades, ao discurso que recupera a vitória da democracia sobre golpistas condenados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle também aludiu ao tema, citando uma família desprezada, em cenário de frieza e “maldade de algumas pessoas”, em referência ao nascimento de Jesus. Ela falou em necessidade de “nascer de novo” e de renovação de sonhos.

TEOR RELIGIOSO – A mensagem da ex-primeira-dama foi marcada pelo teor religioso, de imagens de pessoas com deficiência, uma das frentes de atuação da ex-primeira-dama, e de manifestantes bolsonaristas.

A participação de Jair Bolsonaro no vídeo foi mais comedida, com inserção em uma primeira tomada ao lado de Michelle e em quadro do ex-presidente feito pelo artista Romero Britto. Bolsonaro também apareceu em cenas no hospital, narradas pela ex-primeira-dama como momento de provação, quando ela chora.

No final, o político é citado brevemente como líder e é recuperado como o “galego” de Michelle, em referência a suas características físicas, discurso com foco na estética muitas vezes relegado às mulheres na política e comum nas falas públicas da ex-primeira-dama sobre o marido.

TRAIÇÕES – Ela também falou sobre o próximo ano, de eleições presidenciais, como “muito importante para o país” e citou “traições, ainda que venham das pessoas mais próximas”.

“O ano que em breve se iniciará é muito importante para o nosso país e principalmente para o futuro das nossas famílias. Não se deixem abater pelas maldades, perseverem apesar das traições, ainda que venham das pessoas mais próximas. Sigam em frente deixando de lado as decepções e creiam sempre que tudo, absolutamente tudo, está no comando do nosso amado Deus”, afirmou.

A ex-primeira-dama não cita no vídeo nenhum dos enteados, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo pai para concorrer à Presidência, uma vez que Jair está preso e inelegível.

CARTA – Nesta quinta-feira, Flávio leu uma carta assinada pelo pai, que está no hospital para fazer uma cirurgia, na qual o ex-presidente confirma a indicação do filho como pré-candidato. No texto, o ex-presidente fala em “continuidade” e cita batalhas que estaria enfrentando, como mostrou a Folha. “Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”, diz Bolsonaro na carta.

A carta é tornada pública depois de o ex-presidente desmarcar uma entrevista ao portal Metrópoles, que aconteceria no dia 23 de dezembro, e na qual poderia reforçar o apoio a Flávio. Segundo a colunista Mônica Bergamo, a entrevista foi cancelada em razão de resistência no entorno do político, incluindo de Michelle.

Ela e enteados vivenciaram recentemente celeuma pública diante de decisões do PL sobre as eleições de 2026, a exemplo da possibilidade de apoio a Ciro Gomes (PSDB) para concorrer ao governo do Ceará. A ex-primeira-dama já foi aventada para concorrer em uma chapa presidencial no lugar do marido, mas atualmente é um dos nomes previstos para concorrer ao Senado.

Senador quer convocar CPI sobre banco Master e mulher de Moraes

STF se tornou a “primeira casa legislativa”, dispara senador Alessandro  Vieira

Alessandro Vieira vai colher assinaturas para pedir a CPI

Adriana Victorino
Estadão

O senador Alessandro Vieira (MDB) afirmou que vai coletar assinaturas, após o recesso parlamentar, para a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias envolvendo um contrato entre o Banco Master e o escritório da família do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Segundo o parlamentar, o acordo, estimado em R$ 129,6 milhões, estaria “fora dos padrões da advocacia” e envolve ainda suspeitas de “atuação direta do magistrado” em favor da instituição financeira. Procurado, Supremo Tribunal Federal não retornou.

DIZ VIEIRA – “Após o recesso vou coletar as assinaturas para investigação de notícias sobre um contrato entre o banco Master e o escritório da família do ministro Moraes, de 129,6 milhões de reais, fora do padrão da advocacia, além desta notícia de atuação direta do ministro em favor do banco”, escreveu Vieira em publicação no X (antigo Twitter).

Ao Estadão, o senador destacou que as informações são “gravíssimas” e exigem investigação. “É necessário apurar a veracidade, pois caso confirmadas são absolutamente incompatíveis com a magistratura”, afirmou.

O senador compartilhou a denúncia da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a jornalista, Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para fazer pressão em favor do Banco Master. A colunista afirma ter ouvido seis fontes sobre o episódio.

FAZENDO PRESSÃO – De acordo com a colunista, foram feitos três contatos por telefones e um encontro teria se dado presencialmente com Galípolo. Em um deles, o ministro teria pedido que o Banco Central aprovasse o negócio a compra do Master pelo BRB.

Na ocasião, a venda havia sido anunciada pelas instituições, mas estava pendente de autorização da autoridade monetária.

Nem o ministro Alexandre de Moraes nem o presidente do Banco Central, Gabriel Galípodo, se manifestaram sobre as afirmações.

SUPERCONTRATO – Ainda de acordo com a apuração, o Banco Master firmou contrato com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, prevendo que o escritório da família atuasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Congresso Nacional e a outras instituições.

 O contrato foi assinado em janeiro do ano passado e estabelecia pagamento de R$ 3,6 milhões por mês durante três anos. Caso fosse cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129,6 milhões até o início de 2027.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso por 11 dias em novembro. Ele foi solto, com uso de tornozeleira eletrônica, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

TOFFOLI EM CENA – Daniel  Vorcaro e outros quatro executivos são investigados pela Polícia Federla por crimes financeiros na gestão do Banco Master.

Na última semana, o ministro Dias Toffoli determinou a retomada das investigações que miram um esquema de fraude financeira no Master.

No despacho, ele pediu que a realização de oitivas de executivos do Banco e de dirigentes do Banco Central, além de liberar que o delegado responsável pelo caso requisite medidas como quebras de sigilo fiscal e telemático dos réus mediante justificativa. Antes, Toffoli já havia avocado o caso para o STF e determinado sigilo no processo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Toffoli entrou em cena para acudir Moraes, decretou sigilo, interrompeu a investigação, mas teve de recuar. Suas decisões chegam a ser grotescas. Toffoli mandou retirar da CPI do INSS os dados bancários e fiscais de Daniel Vorcaro. Determinou que informações oriundas das quebras de sigilos solicitadas pela CPI deverão ficar sob cuidados de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Na ocasião, o presidente da CPI, Carlos Viana, afirmou que a decisão de Toffoli era ‘grave’, ‘estranha’ e enfraquece a investigação, vejam a que ponto chegamos. (C.N.)