Flávio aposta em herança política de Bolsonaro e busca unir centro-direita

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  1. A “saída honrosa” para Toffoli é uma desonra para o STF

    A nota divulgada ontem pelos ministros causa espanto e indignação. Como assim, “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição” do ministro, se Toffoli foi saído do inquérito justamente por ser suspeito?

    Que história é essa de que “Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR”, se o ministro confiscou as provas colhidas pelos policiais, para estupor da corporação, e se recusou a atender ao pedido da PGR para cancelar aquela acareação infame que visava a colocar um diretor do Banco Central na mesma condição dos investigados?

    Como assim, “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”, se a PF comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a existência de indícios de cometimento de crimes da parte de Toffoli?

    Os ministros do STF acham mesmo que agora, com a decisão de afastar Toffoli, fingindo que foi ele a decidir pelo afastamento, a crise deflagrada pelo caso Master será contida?

    Em qual planeta é normal que dois integrantes da cúpula do Judiciário — além de Toffoli, Moraes — tenham embolsado uma montanha de dinheiro, direta ou indiretamente, do responsável por uma fraude financeira gigantesca, que passou os últimos anos comprando impunidade em Brasília?

    Por falar nisso, cadê o PGR, que, diante de evidências ululantes, não poderia mais esconder a sujeira debaixo tapete, furtando-se ao seu papel de guardião da ordem jurídica e do interesse público? A omissão é injustificável.

    Hoje, Malu Gaspar noticia que, além de conversas com e sobre Toffoli, a PF encontrou conversas com e sobre Moraes no celular de Daniel Vorcaro.

    “A equipe da coluna apurou que (Andrei) Rodrigues (diretor-geral da PF) já confidenciou a Fachin que o ministro (Alexandre de Moraes), que tinha relação próxima com Vorcaro, trocava mensagens com o banqueiro e é citado diversas vezes em diálogos do celular do controlador o Master apreendido pela PF, inclusive em conversas sobre pagamentos”, diz a jornalista.

    O celular do banqueiro não para de gritar, apesar do silêncio que o STF quer impor sobre a vergonha toda, como se esse silêncio servisse à proteção da instituição e não a expusesse ainda mais. E o país ouve os gritos, esperando que alguém tome alguma providência.

    Metrópoles, Opinião, 13/02/2026 09:55 Por Mario Sabino

  2. Toffoli tem de ser afastado do Supremo. Não basta só ter sido afastado do caso Master

    Não pensem os doutores do Olimpo da Praça dos Três Poderes, que a satisfação necessária à sociedade já foi dada

    A renúncia forçada da relatoria do caso Master, imposta a Toffoli por seus pares, ainda que bem-vinda e necessária – mesmo que compulsória e tardia – não arrefece a indignação da sociedade nem resolve a grave crise de credibilidade por que passa o STF.

    Até porque, há, no mínimo, mais um magistrado altamente suspeito aos olhos da opinião pública: Alexandre de Moraes, por conta do contrato de 129 milhões celebrado entre sua esposa e o banco.

    Se Toffoli jamais gozou de prestígio acadêmico e sabidamente nunca reuniu condições técnicas para o cargo, ao longo de sua trajetória envolveu-se em rumorosas e infames situações de suspeição, a saber:

    – Anulação de provas da operação Lava Jato; anulação de multas em acordos de leniência;

    – Anulação de sentenças relativas ao petrolão; participação de sua ex-esposa, advogada, em processos em trâmite no STF;

    – Atuação providencial em favor de Flávio no caso das rachadinhas, dentre tantas outras.

    O “amigo do amigo de meu pai” deveria ser imediatamente afastado de suas funções e de seus processos, até que uma apuração criteriosa e independente trouxesse à luz os fatos já conhecidos:

    – Como a carona em um jatinho na companhia de um advogado de Daniel Vorcaro;

    – Decisões juridicamente “exóticas” que favoreceram o banco e o banqueiro;

    – Interferências inéditas no curso das investigações, como retenção e sigilo de provas e indicação de peritos, entre outras, digamos, “extravagâncias jurídicas”.

    Faxina, já

    O colegiado da Suprema Corte, de forma unânime, a fim de suavizar a gravidade do afastamento travestido de renúncia espontânea, divulgou uma nota protocolar indigna de apoio ao colega.

    Ao invés de censurar publicamente o fato de um ministro aceitar a relatoria de um caso em que sabidamente era suspeito, mesmo correndo o risco de consequências processuais indesejadas como anulação de provas e de atos já proferidos, preferiu o tradicional espírito de corpo, que eu chamo de “porco”, e passou um belo de um paninho.

    Chega a provocar engulhos os termos utilizados pelos capas pretas, amigos – ou não – de Dias Toffoli, para enaltecer o “espírito elevado” do colega.

    Resta claro e evidente que todos, ou quase todos, não apenas comungam das práticas inadequadas do ministro como também têm seus próprios esqueletos, devidamente guardados nos armários corporativistas do Supremo.

    Aliás, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes assumem, publicamente – “sem medo de ser feliz” -, que comungam do mesmo tipo de pensamento e prática.

    Não pensem os doutores do Olimpo da Praça dos Três Poderes, que a satisfação necessária à sociedade já foi dada. Ao contrário.

    A assunção de que algo muito errado não estava certo, apenas prova que, ao contrário do que cínica e falaciosamente dizem, vigiar e criticar os ministros do STF não se trata de ataque à democracia, mas da defesa do que há – ou deveria haver – de mais sagrado em um Estado Democrático de Direito, que é o justo processo legal e a obediência isonômica e incondicional das leis.

    Fonte: O Antagonista, Opinião, 13.02.2026 08:30 Por Ricardo Kertzman

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