
Charge do Duke (Arquivo Google)
Demétrio Magnoli
Folha
Se todos mentem o tempo inteiro, a consequência não é que as pessoas param de acreditar em mentiras, mas que param de acreditar em qualquer coisa. A ideia, formulada por Hannah Arendt, mais atual do que nunca nessa era das redes sociais, só acentua a relevância da imprensa. O jornalismo tem o dever de preservar um espaço de verdade na vida pública.
A verdade nem sempre é óbvia. Há que selecionar, na incomensurável pilha de fatos, aqueles capazes de contar uma história verdadeira. Inexiste a possibilidade de fugir à interpretação, que envolve subjetividade. O jornalista percorre caminhos riscados por ciladas. Mais ainda em ano eleitoral, quando o desenlace parece, aos olhos de milhões, assumir proporções épicas. Aí, o perigo maior não mora nos canalhas, que mentem a soldo, mas nos virtuosos tocados pela varinha do orgulho.
CÓDIGO MORAL – MJohn Burns, do New York Times, duas vezes agraciado com o Pulitzer, foi ao ponto: “No nosso tempo, tornou-se comum para jovens repórteres expor como seu código moral a vontade de produzir um mundo melhor. É algo belo, mas que pode nutrir um complexo missionário –até uma arrogância – capaz de estimular uma cegueira para fatos inconvenientes, em favor dos outros”.
O veículo de imprensa ou jornalista que se proclama perfeitamente objetivo engaja-se no autoengano –ou, mais provavelmente, na tentativa de enganar os demais. Mas é obrigatória a busca incessante pela objetividade possível, ideal fundador do jornalismo.
O jornalista que arranja os fatos com a intenção de gerar um efeito político (o “mundo melhor”) trai inadvertidamente esse ideal. Pior: contribui com os fabricantes profissionais de mentiras que almejam disseminar a descrença no ecossistema da informação.
USAR O CETICISMO – O primeiro antídoto contra a tentação missionária está no Projeto Folha: o ceticismo diante das lideranças políticas, sem exceção. Extirpar a crença em líderes redentores. Desconfiar das certezas ideológicas. Confrontar os discursos com as práticas. Prestar atenção em fatos que complicam as narrativas fáceis.
O segundo antídoto é internalizar o princípio básico dos sistemas democráticos: o conceito de pluralismo, que repousa na celebração da diversidade de ideias. A atitude exige convicção, pois contradiz a inclinação humana a buscar a confirmação de nosso modo de pensar. O meu “mundo melhor” não necessariamente coincide com o “mundo melhor” do meu vizinho.
Num passado recente, os derrotados em disputas eleitorais cumpriam o ritual de congratular o vencedor. Bem mais que um protocolo vazio, o gesto exprimia reconhecimento da legitimidade do governante eleito e, sobretudo, respeito à vontade da maioria que o havia sufragado. A implosão desse protocolo, como efeito da polarização, ensina à sociedade uma lição antidemocrática: os eleitores situados no lado oposto tornam-se traidores, “inimigos do povo” ou “inimigos da pátria”.
LIÇÃO DEMOCRÁTICA – O jornalismo tem o dever de ensinar a lição democrática. Sem jamais abandonar o escrutínio dos candidatos e a condenação absoluta a tentativas de violar as regras do jogo, precisa respeitar as distintas verdades de todos os cidadãos.
Candidatos deslizam, às vezes, para o terreno da ilegitimidade; o eleitorado, nunca. No fim, trata-se de admitir que o eleitor detém a prerrogativa de errar por último na tentativa de parir “um mundo melhor”.
Internação, imediata!
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“Abrolhos!” (Rememorando).
“Quem quer falar a sério???”
“Nesse País de superlativos, as evasões de divisas pelas vizinhanças, referem: toneladas de ouro, de esmeraldas, de dólares, de reais e, diante de tanto menosprezo ao invariável destino de nossas riquezas, só me resta imitar os brincalhões, ao sugerir às autoridades monetárias, haja-visto o ouro ser reconhecido como padrão monetário internacional e de sua importância como lastro, ousem determinar à Casa da Moeda, que: em data a ser especificada somada ao fator surpresa, efetue a eliminação do Falso Real (papel e moeda) para a criação do Real Reiterado em Moeda, cuja cunhagem conterá em suas diferentes cifras para troco, características próprias aos seus variados valores decrescentes, que passarão a conter: um pingo de ouro (cotação do grama do ouro do dia) e como “inhapa” ainda, uma incrustação de: diamante, esmeralda, topázio, opala, turmalina, rubí, e assim por diante. Para desvalorizar esse REAL REAL, então Jóia Preciosa, sábios sanguessugas certamente terão no Ouro Transgênico seu substituto ideal para padrão monetário e nova fórmula para sangria das nações, em triplicada lucratividade aliados a parceiros anti-patriotas. Está tudo à vontade, para a ganância, com o lembrete para o inerente anexo: Caixão, com excesso de lastro, estoura alça e destina seu conteúdo para o local certo e sabido de eterno desassossego, onde cama sob medida tem fama, forma e o desconforto de ardente grelha. Para entesourados e inumanos, outra má notícia: momentâneas delícias duram no máximo 100 anos, enquanto permitem desdenhar a importância do desenrolar do e l á s t i c o “restinho” da eternidade.”
Joinville-sc – 16/08/2003 às 09h12min”
Nossa imprensa em grande parte está no mesmo nível de nossos polítcos