No Brasil, “em nome do Estado de Direito”, perde-se até mesmo a vergonha na cara

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Luiz Felipe Pondé
Folha

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos, Temer por dois anos e Bolsonaro por quatro anos — nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do “coroné”.

AS DUAS FACES – O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres — e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos.

Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali — quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como “herança maldita”. Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

HERANÇA MALDITA – Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes — que não é uma invenção petista, há que se reconhecer — é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT — a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama —, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

LIXO DA HISTÓRIA – Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do “blábláblá” nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país — sendo as grandes cidades já províncias do crime —, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

SOCIEDADE SEM LEI – A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo — sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS?

ROUBAR APOSENTADOS – Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. “Em nome do Estado de Direito”, perde-se a vergonha na cara.

10 thoughts on “No Brasil, “em nome do Estado de Direito”, perde-se até mesmo a vergonha na cara

      • ‘O país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado disputa territorialmente a soberania local (…). Está-se entregue ao crime.’

        • “A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República (…). Poderosos não temem mais fazer o que bem quiser.”

          “Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil.”

  1. Rombo das estatais tornou-se rotina no governo Lula

    Nos primeiros dois meses do ano, as estatais federais registraram um rombo de R$ 4,16 bilhões. Trata-se do pior resultado para o primeiro bimestre desde 2002, quando o Banco Central (BC) deu início à série histórica.

    O recorde anterior ocorreu em 2024. De lá para cá, houve um agravante: o buraco tem crescido. O resultado negativo do primeiro bimestre deste ano foi R$ 2,8 bilhões maior que no mesmo período de 2025 e alcançou quase o total registrado ao longo de todo o ano passado, R$ 5,1 bilhões.

    A sangria deverá continuar, deixando ao contribuinte uma conta que agravará a crise fiscal e aumentará ainda mais o endividamento público também recorde (79,2% do PIB).

    De janeiro a setembro de 2025, o prejuízo acumulado dos Correios somou R$ 6 bilhões. O resultado fechado para o ano ainda não foi divulgado, mas não surpreenderá se tiver rompido a barreira dos R$ 9 bilhões.

    Na realidade, a crise dos Correios piora a cada ano.

    O governo tem se ocupado em atacar a metodologia usada pelo BC para calcular o déficit. O indicador exclui empresas financeiras (Banco do Brasil, Caixa e BNDES) e também Petrobras.

    Além dos Correios, entram na conta empresas como Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobrás e Casa da Moeda. Como é padrão nas análises internacionais, o conceito usado pelo BC considera a variação da dívida.

    Os Correios são apenas o sintoma mais agudo da moléstia que aflige estatais que dão prejuízos crônicos e jamais deveriam ser mantidas em poder do governo.

    Fonte: O Globo, Opinião, 04/04/2026 00h10 Por Editorial

    Incompetência e desmandos resultam no rombo das estatais e da União como um todo.

  2. NO HOSPÍCIO BRASIL, não existe páscoa, não existe ressurreição, não existe solução, não existe boa-fé…, não existe nada de realmente bom, novo e alvissareiro, apenas chupa-cabras em profusão, salvo exceções…, basta encontrarem uma fresta e os ditos-cujos já começam a operara os seus golpe$…

  3. Modus operandi: Epstein & Vorcaro tudo à ver, inclusive os meios e fins dos locupletadores khazarianos criminosos mandantes!

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