
Trump tenta contornar efeitos políticos do conflito
Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)
Quando procurou declarar a fase decisiva do confronto entre os Estados Unidos, Israel e o Irã como virtualmente concluída, Donald Trump não estava apenas comunicando resultados — estava tentando fixar uma interpretação. Seu mais recente pronunciamento surge em um contexto de crescente ambiguidade estratégica, em que sinais contraditórios no terreno tornam cada vez mais difícil sustentar narrativas lineares de vitória.
Ao afirmar que os objetivos foram alcançados e ao evitar cuidadosamente a palavra “guerra”, substituindo-a por “operação”, Trump buscou encerrar politicamente um conflito que permanece, na prática, aberto e sujeito a dinâmicas que escapam ao controle de qualquer ator isolado. Essa escolha não é meramente retórica. Como tem sido reiterado por análises em veículos como Financial Times, Reuters e The New York Times, a linguagem utilizada por líderes em contextos de conflito tende a antecipar o desfecho político desejado, sobretudo quando os resultados no terreno são inconclusivos.
EFEITOS TÁTICOS – Há indícios de que operações americanas produziram efeitos táticos relevantes, degradando capacidades específicas do Irã; mas esses ganhos, por si só, não configuram uma alteração decisiva do equilíbrio estratégico, especialmente em um cenário em que o adversário privilegia a adaptação, a dispersão e a resposta indireta.
É justamente essa natureza assimétrica que torna o conflito difícil de encerrar — e ainda mais difícil de narrar. O modelo iraniano não se baseia na superioridade convencional, mas na capacidade de prolongar o desgaste, fragmentar o teatro de operações e atuar por meio de múltiplos intermediários, diluindo responsabilidades e ampliando o alcance de sua influência. Porque, nesse tipo de conflito, o tempo não é apenas uma variável — é uma arma.
Nesse contexto, a ausência de uma derrota clara pode ser, por si só, um resultado estratégico relevante, na medida em que impede o adversário de transformar sua superioridade militar em controle político efetivo. A posição de Benjamin Netanyahu acrescenta uma camada adicional de complexidade a esse quadro. Israel continua sendo um parceiro central dos Estados Unidos, mas também um ator com autonomia estratégica e uma leitura própria dos riscos e oportunidades da escalada.
CUSTOS POLÍTICOS – A convergência entre Washington e Tel Aviv é estrutural, mas não elimina tensões táticas, sobretudo quando o prolongamento do conflito aumenta a exposição regional e eleva os custos políticos. Como tem sido observado em análises do The Guardian, a percepção pública dessa proximidade — independentemente de seu grau real — tende a amplificar críticas internas nos Estados Unidos, especialmente em um momento em que o eleitorado demonstra sinais evidentes de fadiga em relação a intervenções externas de duração indefinida.
É aqui que o discurso de Trump adquire seu verdadeiro significado. Mais do que descrever uma realidade estabilizada, ele procura antecipar um problema político: o risco de um conflito prolongado sem desfecho claro.
CONDICIONAMENTO – A história recente dos Estados Unidos demonstra que guerras ambíguas corroem rapidamente o capital político presidencial, transformando sucessos táticos em impasses estratégicos no plano interno. Ao estabelecer um horizonte temporal para o fim da operação, Trump não está necessariamente prevendo o desenrolar dos acontecimentos — está tentando condicioná-lo, criando uma expectativa de encerramento que pode ou não se concretizar.
É importante, no entanto, manter a análise ancorada nos fatos e não nas percepções. Não há, até o momento, evidência consistente de uma vitória decisiva de qualquer das partes. Os Estados Unidos mantêm uma superioridade militar inequívoca, mas essa vantagem não se traduz automaticamente em controle estratégico absoluto, especialmente em um cenário de guerra indireta.
O Irã, por sua vez, dificilmente conseguirá impor uma derrota direta a Washington, mas tem demonstrado capacidade de prolongar o conflito, explorar vulnerabilidades regionais e impor custos que, acumulados, condicionam decisões políticas futuras.
REALIDADE INDETERMINADA – É nessa zona cinzenta — entre a vitória proclamada e a realidade indeterminada — que a narrativa se torna um instrumento central de poder. A promessa de um fim próximo deve ser lida menos como uma previsão operacional e mais como um dispositivo político, destinado a moldar percepções e preparar uma transição de fase. Como destacam reiteradamente análises internacionais, os conflitos contemporâneos raramente terminam de forma clara; eles se transformam, se deslocam e persistem sob formas menos visíveis, mas não necessariamente menos relevantes.
O que este momento revela não é exatamente um recuo explícito nem uma vitória consolidada, mas uma tentativa de reconfiguração. Trump busca afirmar controle suficiente para evitar a percepção de fracasso, ao mesmo tempo em que abre espaço para reduzir o envolvimento sem assumir custos políticos imediatos. Trata-se de um exercício de equilíbrio delicado, dependente não apenas da evolução no terreno, mas também da capacidade de outros atores influenciarem o ritmo e a intensidade do conflito.
No fim, a questão deixa de ser quem venceu — e passa a ser quem define o que é vitória. Porque, quando a realidade resiste à narrativa, não é apenas o discurso que se fragiliza: é a própria ideia de controle que começa a ruir.
Trump diz ‘considerar explodir tudo’ no Irã e ‘assumir o petróleo’
Trombeta está com a gota serena, como dizia meu amigão do Ceará…….
Donald Trump perdeu a querela no momento que resolveu iniciá-la. Não há como configurar vitória.
Como poderá dizer Madame Rousseff: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.
Desaprovação de Milei bate recorde e chega a 61,6%
Desaprovação do presidente argentino bate recorde desde a sua posse.
Os argentinos dão motivos para Javier Milei preocupar-se desde já com as próximas eleições presidenciais, que serão realizadas em outubro de 2027.
Com sua desaprovação por 61,6% da população, conforme pesquisa de março do instituto Atlasintel, o mandatário vê-se politicamente fragilizado enquanto ainda tem missões a cumprir na seara econômica.
Trata-se da maior taxa de impopularidade do presidente argentino desde que chegou ao poder, em dezembro de 2023.
Seu governo igualmente alcançou um recorde na avaliação como “muito ruim”, de 57,4%.
Se a situação econômica está ruim para 65% dos argentinos, na opinião de 57% ela ainda vai piorar nos próximos seis meses, segundo o Atlasintel.
A reforma trabalhista de Milei, recentemente freada pela Justiça do Trabalho, pode ter repercutido na resposta de 74% dos entrevistados que consideraram grave a situação atual do mercado de trabalho.
O FMI (Fundo Monetário Internacional), credor de US$ 41,8 bilhões, reforçou a necessidade de Milei mitigar os efeitos sociais de suas reformas e concluir o plano de estabilização, desregulação e abertura econômica.
Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 4.abr.2026 às 22h00 Por Editorial
Milei tem como programa de governo o programa do FMI.
https://www.henrymakow.com/
“A maioria dos especialistas está perplexa com a possibilidade de Trump lançar outra guerra desastrosa. São todos opositores falsos. Netanyahu não obrigou Trump a atacar o Irã.
Trump, Netanyahu e Putin são maçons e membros do Chabad. O Grão-Mestre Maçônico Albert Pike explicou que maçons infiltrados em ambos os lados orquestram guerras mundiais para forçar a humanidade a aceitar Lúcifer, que representa sua megalomania.
Equiparar a agenda satânica maçônica judaica a todos os judeus permite que o inimigo descarte a resistência ao satanismo como antissemitismo, ou seja, intolerância. A maioria dos judeus está enojada com Israel e a guerra com o Irã. No entanto, muitos desses judeus são democratas que têm seu próprio método para destruir o Ocidente (migração, disforia de gênero, DEI etc.). Os judeus estão em perigo devido à sua indiferença à operação psicológica que esmaga o Ocidente entre as duas forças dominantes da maçonaria judaica: os judeus comunistas (esquerda) e os sionistas (direita), além dos maçons.
Não consigo entender como pessoas tão talentosas e inteligentes podem ser tão indiferentes à catástrofe que está sendo arquitetada em seu nome.”