
Presidente destrava agenda após pressão da oposição
Luísa Marzullo
O Globo
O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), convocou uma sessão conjunta do Congresso Nacional para o dia 30 de abril com pauta única: a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria.
A sessão foi marcada para depois da sabatina do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a avaliação é que o encadeamento das agendas ajuda a acomodar o ambiente político e acalma a oposição, que recebe um aceno.
PRESSÃO – A decisão destrava a agenda do Congresso após semanas de pressão de parlamentares e marca uma mudança de postura de Alcolumbre, que vinha evitando convocar sessão conjunta em meio à crise envolvendo o caso do Banco Master e à disputa sobre a instalação de uma CPI para investigar o tema.
Na última quarta-feira, em plenário, o senador já havia sinalizado a intenção de avançar sobre o assunto, ao afirmar que queria realizar a sessão “o mais rápido possível”. A declaração foi dada após cobrança do senador Magno Malta (PL-ES), que questionou quando o veto seria analisado. “O meu desejo é o mais rápido possível fazermos uma sessão para deliberarmos um assunto importantíssimo, que é o veto da dosimetria”, disse.
Nos bastidores, a definição de uma pauta única é vista como uma forma de evitar que a sessão seja utilizada para a leitura de requerimentos de CPIs, especialmente a que mira o caso do Banco Master — cuja abertura depende de sessão conjunta do Congresso. A medida reduz o espaço para ampliação da crise política em torno do tema.
ALTERAÇÃO DAS PENAS – O projeto da dosimetria altera regras para cálculo de penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Entre os pontos aprovados pelo Congresso, está a proibição da soma de condenações por crimes de mesma natureza, como abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, determinando a aplicação apenas da pena mais grave.
A proposta também flexibiliza critérios para progressão de regime nesses casos, permitindo que condenados com bom comportamento avancem após o cumprimento de cerca de 16,6% da pena.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – Ao vetar integralmente o texto, Lula argumentou que a proposta violava princípios constitucionais, comprometia a individualização das penas e representava interferência do Legislativo sobre atribuições do Judiciário. O gesto foi anunciado em cerimônia que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em movimento interpretado no Congresso como de forte simbolismo político.
A expectativa entre parlamentares é de que o veto seja derrubado com folga, repetindo o placar da aprovação do projeto, que superou os 300 votos na Câmara. O ambiente favorável à derrubada é compartilhado pela oposição e por parte expressiva do Centrão, enquanto o governo atuava para adiar a votação.
Sabatina aprova Dosimetria!
“Alcolumbre dá nó no Congresso para enterrar uma CPI do Master”
Uol, Opinião, 10/04/2026 06h29 Por Josias de Souza
Não dá impressão de que Barba e Alcolumbre ‘negociaram’ a derrubada no Senado do veto do petista à dosimetria em troca da aprovação pelos senadores da indicação lulista de Messias ao Supremo?
Acorda, Brasil! Presta atenção!
O leilão de Alcolumbre: um Messias por alguns golpistas
Entre o dia 29 e o dia 30, o Senado negocia o futuro do Supremo e o passado dos golpistas
Davi Alcolumbre finalmente abriu a gaveta. A marcação da sabatina de Jorge Messias para o STF, após cinco meses de um cerco impiedoso, é o desfecho de um jogo duplo.
O cenário é de uma coincidência exemplar: no dia 29, o Senado interroga Messias para a Suprema Corte. No dia 30, o mesmo Congresso se reúne para derrubar o veto de Lula e reduzir as penas dos condenados pelo 8 de janeiro.
É o “efeito Alcolumbre” em sua plenitude: estende-se a mão ao Planalto para aprovar o ministro e, logo em seguida, afaga-se o bolsonarismo derrubando o veto de Lula à dosimetria.
Dizem as más línguas que Jorge Messias não teria os 41 votos necessários. Mas no balcão de Alcolumbre, a aritmética é outra.
Com Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira sinalizando apoio, e o “terrivelmente evangélico” André Mendonça atuando como cabo eleitoral de luxo, o caminho parece pavimentado pela conveniência.
O país assiste ao Supremo ser completado por um escambo de vetos e anistias – quando, até ontem, a indicação do presidente bastava para iniciar a sabatina.
Metrópoles, Opinião, 10/04/2026 09:00 Por Ricardo Noblat
Esqueceu, porém, de dizer que isso tudo foi ‘acordado’ com Barba.
Inclusive o enterro da CPI do Master e o encerramento da CPI do INSS.
Além da não prorrogação da CPI do Crime Organizado.