Ormuz e o risco de um colapso global fazem a geopolítica ameaçar a economia real

Pequim diz que ação americana é ‘perigosa e irresponsável’

Pedro do Coutto

A condenação da China ao bloqueio naval e militar dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz não é apenas mais um capítulo da retórica diplomática internacional. Trata-se de um alerta estratégico — e, sobretudo, econômico — sobre os limites de uma escalada que já ultrapassa o campo militar e ameaça atingir o coração do sistema produtivo global. Ao classificar a medida como “perigosa e irresponsável”, Pequim vocaliza uma preocupação compartilhada por diversas potências: o risco de um conflito regional se transformar em uma crise sistêmica de alcance mundial.

O ponto central dessa tensão está na importância estrutural do Estreito de Ormuz. Por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, além de volumes expressivos de gás natural liquefeito — uma artéria energética vital para Europa, Ásia e economias emergentes.

INTERVENÇÃO – Interromper ou restringir esse fluxo não é apenas um ato militar: é uma intervenção direta na engrenagem da economia global. Quando o petróleo para, não é só o combustível que encarece — toda a cadeia produtiva é impactada, do transporte marítimo ao preço dos alimentos.

É nesse contexto que a posição chinesa ganha densidade política. A China não é apenas uma observadora: é uma das maiores importadoras de petróleo do Golfo e depende diretamente da estabilidade da região para sustentar seu crescimento econômico. Ao condenar o bloqueio, Pequim sinaliza não apenas uma discordância diplomática, mas uma defesa objetiva de seus interesses estratégicos. Ao mesmo tempo, reforça sua narrativa de potência moderadora, que aposta na estabilidade e na negociação, em contraste com a postura mais assertiva de Washington.

PRESSÃO GEOPOLÍTICA – A iniciativa americana, por sua vez, precisa ser compreendida dentro de uma lógica de pressão geopolítica mais ampla. O bloqueio busca estrangular economicamente o Irã e reconfigurar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. No entanto, como alertam analistas internacionais, trata-se de uma estratégia de alto risco: ao tentar isolar Teerã, os Estados Unidos podem acabar desestabilizando mercados globais e tensionando relações com aliados europeus e asiáticos, que dependem diretamente dessa rota energética.

Os efeitos já começam a se desenhar. A redução do tráfego marítimo, o aumento do preço do petróleo e a insegurança nas rotas comerciais indicam que o impacto não será localizado. Países asiáticos já enfrentam pressões inflacionárias e medidas emergenciais no setor energético, enquanto a Europa observa com apreensão a possibilidade de escassez e aumento de custos.

PRIMEIRO ELO –  Mas o aspecto mais preocupante talvez seja outro: o risco de contaminação sistêmica. O petróleo é apenas o primeiro elo. A elevação dos custos energéticos impacta diretamente o transporte de grãos, encarece fertilizantes, pressiona cadeias logísticas e reduz a mobilidade global. Em um mundo ainda fragilizado por crises recentes, isso pode significar inflação persistente, retração econômica e aumento das tensões sociais.

O que está em jogo, portanto, não é apenas o controle de uma rota marítima, mas a estabilidade de um modelo global de interdependência. A crise de Ormuz revela, com clareza, como decisões geopolíticas podem rapidamente transbordar para o cotidiano das economias nacionais.

A reação chinesa, nesse sentido, não deve ser lida apenas como oposição aos Estados Unidos, mas como um aviso: há um limite para o uso da força como instrumento de política internacional. Quando esse limite é ultrapassado, o custo deixa de ser estratégico — e passa a ser global.

6 thoughts on “Ormuz e o risco de um colapso global fazem a geopolítica ameaçar a economia real

  1. O controle do Estreito de Ormuz pela Marinha dos EUA, tem o objetivo de estrangular a Economia iraniana, ao impedir os petroleiros do Irã partam em direção a China. Entretanto, afeta também as Economias dos países do Golfo Pérsico e a Arábia Saudita.
    Há também o risco do estrangulamento do Canal de Suez, fechando o Comércio marítimo entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo escalando o conflito com reflexos globais.

    O Irã aceitou congelar o enriquecimento de urânio por 20 anos. A guerra declarada por Trump, está minando a popularidade do governo americano e por consequência o risco de derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato em outubro deste ano. Daí, o movimento de Trump no sentido do Acordo de Paz com o Irã, sob determinadas condições, que garantam ao eleitor americano uma vitória dos EUA contra o Irã.

    Se o conflito continuar, a China será afetada e pode entrar em período de queda no crescimento, afetando também o Brasil, o maior exportador para o mercado chinês. No trimestre a China cresceu 5 por cento, o menor patamar dos últimos 20 anos.

    Trump está num beco sem saída e ainda depende da boa vontade de Israel em respeitar a regra de 10 dias, sem atacar o Irã e o Líbano. Cento e quarenta e um prédios foram destruídos na capital libanesa, Beirute.

    Numa guerra, os tiranos donos do mundo, sabem como entram, mas não sabem como sair É o caso de Donald Trump, colocado por ele mesmo numa sinuca de bico, por ter entrado nesse conflito que só interessa a Israel.
    Foi na onda e no canto da sereia de Binjamyin Netanihau e se deu mal.

    Ao entrar na guerra, que não interessava ao povo americano nem aos apoiadores do MAGA, que o acusam de descumprimento de promessas de campanha, Donald Trump entrou em maré negativa dentro e fora do país. Até o Papa cresceu em cima de Trump, quando foi chamado de “Fraco” e rebateu dizendo que Jesus não aprova matança generalizada, desautorizando os tiranos do mundo em falar em nome de Deus, enquanto cometem genocídio destruindo edifícios, casas, abastecimento de água e energia elétrica, matando idosos, mulheres e crianças.
    O Papa se agigantou perante os católicos e não católicos, colocando Trump nas cordas e no canto do ringue. O Tirano dos EUA, sentiu o tranco do Papa, a tal ponto, que um dia fala uma coisa, no outro fala de forma diferente parecendo barata tonta ou biruta de aeroporto.

    Ao entrar numa guerra que não era sua e sim de Israel, no caso do primeiro ministro, Trump deixou a Rússia livre para aumentar os ataques ferozes contra a Ucrânia, ontem 17 ucranianos morreram e 100 ficaram feridos no maior ataque de Putin contra a capital Kiev.

    A China, por enquanto está quieta, olhando o drama de Trump com luva de pelica, pois a precipitação de Trump ao entrar na guerra do Golfo Pérsico, talvez tenha dado o salvo conduto para a China invadir a ilha de Tayuan, a China Democrática, um sonho dos chineses desde a década de 60. Xi Jimping quer para si a glória de ser o condutor de uma única China.

  2. Em visita a África, na escala em Camarões, o Sumo Pontífice, Papa Leão XIV, declarou:

    Sirvamos juntos a paz!”:

    “O mundo é destruído por poucos dominadores e é mantido de pé por uma miríade de irmãos e irmãs solidários! São a descendência de Abraão, incontável como as estrelas do céu e os grãos de areia na praia do mar. Olhemos nos olhos: somos já este povo imenso! A paz não é algo a inventar: é algo a acolher, acolhendo o próximo como nosso irmão e como nossa irmã. Ninguém escolhe os seus irmãos e irmãs: devemos apenas acolher-nos uns aos outros! Somos uma única família e habitamos a mesma casa, este maravilhoso planeta de que as culturas antigas cuidaram durante milênios.”

    Trata-se de um recado claro aos tiranos, que despejam mísseis de alta potência contra países, dispostos a acabar com civilizações milenares, contra culturas antigas criadas pelos fenícios no Sul do Libano. Destroem as casas, matam os moradores e obrigam os que sobrevivem aos ataques a migrarem para outro lugar, causando sofrimento e dor.

    Tiranos do mundo, ouçam o recado do Papa Leão, parem com o genocídio no planeta. Mísseis, Drones assassinos e bombas atômicas, destroem vidas e o meio ambiente da Terra. Um desastre ambiental lá afeta nós aqui também, contamina todo mundo.

  3. O PAPA NA ÁFRICA

    A voz sagrada do Papa Leão XIV:
    “a paz deve prevalecer sobre os senhores da guerra” que usam o nome de Deus.
    O Papa voltou a repudiar em Bamenda, no Encontro pela Paz, quem “submete as religiões e o próprio nome de Deus aos seus objetivos” para destruir. São poucos “dominadores”, “senhores da guerra” que “fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir”. Enquanto investem em armas para “matar e devastar”, uma miríade de construtores da paz amam o próximo numa “revolução silenciosa”, mas expostos a perigos: “sirvamos juntos a paz!”.

    O recado papal é claro como a luz do sol. Tiranos usam o nome de Deus, da Família e da Liberdade para ganharem as eleições. No Poder, então, se tornam carrascos do próprio povo, destroem as políticas sociais, minam a Educação e a Saúde e invadem países em busca de petróleo e riquezas minerais, em políticas neo-coloniais, como piratas do mundo moderno.

    Bom dia, Donald TRUMP Bibi e todos os dominadores do.mundo.

  4. Um dos temores do Presidente dos EUA Donald Trump , é que os EUA percam a hegemonia do petrodólar para o petroyuan Chinês e a volta do ouro que o IRÃ impôs aos compradores de seu petróleo como moedas de trocas mercantis , além de temer o uso da 25ª emenda permitindo a abertura do processo de impeachment , por inaptidão ao cargo como demostrado .

  5. Um dos temores do Presidente dos EUA, Donald Trump , é que os EUA percam a hegemonia do petrodólar para o petroyuan Chinês e a volta do ouro que o IRÃ impôs aos compradores de seu petróleo como moedas de trocas mercantis , além de temer o uso da 25ª emenda permitindo a abertura do processo de impeachment , por inaptidão ao cargo como demostrado , sendo que ironicamente a Líbia foi atacada e destruída pelos EUA e seus aliados , devido a propositura da criação e uso de uma nova moeda para substituir o dólar nas transações mercantis entre os países do norte da África , proposto pelo então Presidente Líbio Muammar Al-Gaddafi 1969/2011 assassinado pelos EUA por sua ousadia de descartar o Dólar norte-americano.

  6. Alerta:
    Os atletas da seleção de futebol ” IRANIANA ” , correm sérios riscos de serem (sequestrados) e presos nos EUA como reféns , ao chegarem nos EUA para participarem da Copa do Mundo 2026 , e usados como objetos de barganhas pelo presidente dos EUA Donald Trump e seus comparsas , para forçarem as autoridades Iranianas a aceitarem as propostas ” indecentes e imorais ” dos EUA , para abrirem mãos de seu programa nuclear , misseis balísticos e permitir a internacionalização de seu estreito de Ormuz .

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