A mulher doida de amor e a mulher santa, na poesia magistral de Adélia Prado

😉O que Adélia e Fernanda Montenegro têm em comum? 🥰Ambas possuem relação  com "Dona Doida". 🎥A partir da obra Adeliana, a atriz protagonizou a peça "Dona  Doida: Um Interlúdio", que estreou em

Fernanda e Adélia Prado na montagem de “Dona Doida”

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “A Serenata”, pressente a chegada do desespero. Este poema ficou famoso e serviu e inspiração a Fernanda Montenegro para montar o monólogo teatral “Dona Doida”, que fez enorme sucesso e consolidou a amizade entre ela e Adélia Prado.

A SERENATA
Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que ele vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
– só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

One thought on “A mulher doida de amor e a mulher santa, na poesia magistral de Adélia Prado

  1. Queria ver-te nua, inteiramente nua
    Não por erotismo, embora assim pareça
    Mas para que em teu corpo não exista
    Um só milímetro que eu não conheça

    Queria tua pele macia tocar
    E no meu corpo o teu aquecer
    Queria ter-te sôfrega a exsudar
    O suor quente do lascivo prazer

    Queria ser louco por ti, te amar
    Ser parte do teu próprio ser
    Queria, enfim, de todo me dar
    E ver de ti parte de mim renascer

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