A geometria dos ventos, na fronteira da loucura poética, com Rachel de Queiroz

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Rachel foi a primeira mulher na Academia

Paulo Peres
Poemas & Canções

A romancista, contista, tradutora, jornalista, cronista e poeta cearense Rachel de Queiroz (1910-2003), primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, em “Geometria dos Ventos”, mostra uma poesia livre, sem limites de idioma, espontânea, mas na fronteira da loucura.

GEOMETRIA DOS VENTOS
Rachel de Queiroz

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma.
Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio;
onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta
no mistério ao mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

3 thoughts on “A geometria dos ventos, na fronteira da loucura poética, com Rachel de Queiroz

  1. Crítica ao poema ‘A Borboleta que Passa’, de Fernando Pessoa.

    Um poeta viu uma borboleta e disse que ela era incolor
    Pois o colorido não era dela, mas da sua própria cor
    Ela também não se movia – foi seu poético sentimento
    Pois o que se movia nas asas dela era o próprio movimento

    Que coisa estranha, pensei, sem fazer mau julgamento
    Pois muito se desconhece entre a terra e o firmamento
    Quanto ao colorido ser da cor, o poeta pode ter razão
    Pois cor não passa de energia em forma de radiação.

    Agora, o movimento, que o poeta quis explicar
    Não pode existir por si só, e sair por aí a voar
    Se alguém vir mover-se, por si só, um movimento
    Procure logo um médico, para evitar mais tormentos!

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