Um poema desesperado com as desgraças da vida, na visão de Abgar Renault

Paulo Peres
Poemas & Canções

Renault era da Academia Brasileira de Letras

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995), membro da Academia Brasileira de Letras, no soneto “A Vida Tem Sempre Uma Faca Na Mão”, questiona a utilidade da poesia.

A VIDA TEM UMA FACA NA MÃO
Abgar Renault

Vamos parar de ler. Paremos de escrever
Olhos e mãos circulam no papel
ao serviço da dor e da desgraça,
mas as palavras são frias e sem fel
para exprimir o desespero dessa taça.

Ninguém sabe escrever. E ninguém pode ler
o que fica, depois de tanta luta fútil,
da escuridão desvirginada do teu ser 
na indiferença de uma folha de papel.

Hoje, ontem, amanhã – amanhã sobretudo –
a vida sempre tem uma faca na mão,
vai sob as unhas, vai direto ao coração,
dói nos olhos, nos pés, dói na alma, dói em tudo,
torna toda a poesia um jogo raso e inútil.

One thought on “Um poema desesperado com as desgraças da vida, na visão de Abgar Renault

  1. Um modo de ser
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    O que nos vale mil tesouros
    Se nosso dia não mais amanhece
    Se nossa voz para sempre cala
    E nada mais nos acontece
    Nem mesmo a dor no adverso

    Por isso, todo dia saudo a vida
    Enfrento disposto minha lida
    E, se tempo sobrar, faço versos!

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