Defesa ala em ‘erros graves’ que comprometeram a medida
Victoria Azevedo
O Globo
A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão contra o parlamentar na semana passada. Líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, o parlamentar foi alvo de operação da Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master.
A PF apontou que o senador foi o beneficiário central de vantagens econômicas pagas por integrantes do banco de Daniel Vorcaro, apontando relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A polícia suspeita da atuação parlamentar do senador em temas de interesse do Master, como na tramitação de propostas sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).
VANTAGENS ECONÔMICAS – A PF apontou uma correlação entre essas atuações e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas por Wagner. Em nota, a defesa do senador diz que apresentou recurso e busca a anulação “apontando erros graves que comprometem a medida”. A nota é assinada por Pablo Domingues.
No texto, a defesa diz que há equívocos na decisão porque o parlamentar “jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer” a instituição financeira. Ele afirma que uma prova disso é que “a única emenda de sua autoria sobre o tema”, apresentada numa Medida Provisória (MP) “propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco”. A defesa diz ainda que o senador se apresentou contra emenda apresentada por Ciro Nogueira (ainda que sem citar nominalmente o senador).
ORIGEM LÍCITA – O advogado também diz que os valores em espécie encontrados em endereços ligados ao parlamentar têm “origem lícita e comprovada”. A PF apreendeu US$ 49 mil (o equivalente a R$ 253 mil na cotação atual) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde ele costuma ficar em Brasília. Além disso, também foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador, na Bahia.
“Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens”, diz a nota. Por fim, a defesa afirma que confia que o Supremo “corrigirá os equívocos e reafirma tranquilidade do senador quanto à sua conduta”.
1) Licença… li alhures…
2) “Brigar por política no atual cenário é o mesmo que ter uma crise de ciúme na zona”…
Por isso que não acredito mais em nossos políticos em sua maioria e também em nossa justiça, ainda mais depois que o Beiçola falou ontem
“O político honesto que vocês querem está dentro de vocês, não está dentro de mim”
(em 01min 03seg)
https://www.youtube.com/watch?v=kjIBy3KAFNU
Não se fala mais em fim da corrupção como projeto de governo
É como se dissessem: como todos são ladrões, quem rouba menos tem vantagem.
É preciso recuperar a noção de ética para servidores públicos
Os petistas agora fazem uma conta estranha: quantos bolsonaristas estão envolvidos no escândalo do Banco Master, e quantos petistas estão na mesma situação? Como se quem tenha menos indiciados ou investigados por corrupção leve vantagem sobre o outro grupo.
Não se fala mais em fim da corrupção como projeto de governo. É como se dissessem: como todos são ladrões, quem rouba menos tem vantagem. Parece briga de crianças: “Foi ele quem começou”.
Perdeu-se o pudor, justifica-se tudo como se fosse normal ter coleção de relógios de luxo, símbolo internacional de ostentação dos novos-ricos, ou aceitar carona em jatinhos e pagamentos de diárias em hotéis.
Guardar dinheiro vivo, de preferência em moedas valorizadas — dólar ou euro —, é normal. O ex-deputado Geddel Vieira Lima tinha malas de dinheiro num apartamento em que ninguém morava.
É preciso recuperar a noção de ética para os servidores públicos, sejam deputados, senadores ou ministros dos tribunais superiores.
Ministros aceitam pegar carona em jatinhos particulares para ver jogos de futebol em camarotes especiais e posam para fotografias sorridentes.
Participam de empreendimentos, mas por que não revelam seus ganhos? Por que, quando surgem informações de negócios nebulosos, não contrapõem às críticas documentos que mostram a legalidade?
É o caso do financiamento do filme sobre Bolsonaro, teoricamente financiado por Daniel Vorcaro. Cadê o contrato? Cadê os comprovantes de gastos? Por que fazem financiamento privado sem documentos que provem que ele realmente existiu?
A triste conclusão é que nossa organização institucional está entranhada pelos vícios da corrupção, e seus representantes não se preocupam com isso.
Um político importante, presidente de partido, acusado de diversos desvios de conduta, aparecer despudoradamente no dolce far niente de Ibiza, na costa mediterrânea da Espanha, é sinal de perda de noção do que seja um servidor público.
Os acordos por debaixo dos panos são comuns aos partidos políticos. Na Bahia, o escândalo do ex-governador Jaques Wagner parece não existir, pois seu principal adversário, o ex-prefeito de Salvador, candidato ao governo do estado, também tem lá suas ligações com o Banco Master. Fica-se, então, nessa disputa de quem “rouba menos”.
Antigamente era o “rouba, mas faz”. Nada mudou no horizonte, só que, hoje, devido aos avanços tecnológicos, fotos, vídeos, gravações são mantidos “nas nuvens”, onde a Polícia Federal vai buscar informações valiosas que revelam o passado que gostariam de esconder.
O cansaço dos eleitores é evidente pela rejeição dos dois candidatos mais conhecidos e bem votados: o quarto mandato de um contra o segundo do outro grupo.
Não há novidades à frente, não há esperanças a estimular. Mais do mesmo, a abrir caminhos para novidades como o candidato Renan Santos, do Missão, que aparece com 10% de escolhas em São Paulo e tem o tamanho de ex-governadores da direita tradicional.
Cresce no eleitorado, sobretudo jovem, com a autodefinição: “Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo”.
Fonte: O Globo, Opinião, 23/06/2026 04h30 Por Merval Pereira
O Wagner corre para os ombros de seus Iguais e Íntimos Amigos de Copo e do PeTralhismo. Todos se protegem mutuamente, uma mão lava a outra e assim sucessivamente. Wagner e seus Iguais se completam e são Iguais em tudo !