Braskem: quando uma crise empresarial deixa de ser apenas uma questão de dívida

Empresa protocola pedido de recuperação extrajudicial

Pedro do Coutto

A crise da Braskem chegou a um ponto em que já não pode ser tratada como simples dificuldade de caixa. A maior petroquímica da América Latina apresentou à Justiça de São Paulo um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. O tamanho da cifra impõe uma pergunta que ultrapassa os balanços da companhia: como uma empresa de importância estratégica para a indústria brasileira chegou a esse nível de endividamento?

A resposta, porém, não está necessariamente em uma sucessão de erros administrativos. A crise resulta de uma combinação mais complexa: um ciclo prolongado de baixa da indústria petroquímica mundial, perda de competitividade, pressão sobre margens, estrutura de capital excessivamente alavancada, problemas societários e de governança e os custos decorrentes do desastre ambiental provocado pela exploração de sal-gema em Maceió.

DIMENSÃO DO PROBLEMA – Os próprios resultados da empresa dimensionam o problema. No quarto trimestre de 2025, a Braskem encerrou o período com dívida bruta corporativa de US$ 9,4 bilhões e alavancagem de 14,74 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA. A companhia reconheceu que atravessava um ciclo prolongado de baixa da indústria global.

O dado mais recente revela um paradoxo. No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou EBITDA de US$ 1,043 bilhão e lucro líquido de US$ 664 milhões, impulsionados pela melhora dos spreads petroquímicos. Ainda assim, a dívida líquida ajustada chegou a US$ 9,5 bilhões e a alavancagem permaneceu em 6,74 vezes. A operação pode melhorar, portanto, sem que a estrutura financeira deixe de ser vulnerável.

É aí que a discussão precisa ser aprofundada. Uma empresa pode apresentar recuperação operacional em determinado trimestre e continuar financeiramente fragilizada. Se a geração de caixa não basta para sustentar juros, vencimentos, investimentos e obrigações extraordinárias, uma melhora pontual dos resultados não resolve o problema estrutural.

DESVANTAGEM – Há ainda uma questão industrial. A petroquímica brasileira enfrenta desvantagem diante de produtores estrangeiros com acesso a matérias-primas mais baratas. Nos Estados Unidos, a abundância de gás natural ampliou a disponibilidade de etano, utilizado na produção de etileno. No Brasil, a dependência da nafta impõe custos maiores. Ao mesmo tempo, a desaceleração chinesa e o excesso de oferta internacional pressionaram as margens. A participação da Braskem no mercado brasileiro também caiu significativamente nos últimos anos.

Isso muda a natureza da pergunta. Não basta saber quem errou dentro da Braskem. É preciso compreender se o modelo industrial sobre o qual a companhia construiu sua posição dominante continua sustentável diante das condições atuais do mercado mundial.

Isso, evidentemente, não absolve a administração. Quanto maior a relevância econômica de uma empresa, maior deveria ser sua capacidade de antecipar riscos, controlar o endividamento e responder a mudanças estruturais. A própria governança da companhia merece escrutínio.

QUALIDADE DA GOVERNANÇA – Em junho de 2026, a CVM divulgou decisões envolvendo termos de compromisso relacionados à divulgação de informações ao mercado sobre negociações envolvendo ativos da Braskem. O episódio não explica, por si só, a atual crise financeira, mas reforça a necessidade de examinar a qualidade da governança corporativa.

Outro ponto incontornável é Maceió. A exploração de sal-gema provocou o deslocamento de milhares de pessoas e deixou um passivo socioambiental de enormes proporções. As vítimas já manifestaram preocupação com a possibilidade de que a reestruturação financeira afete obrigações de reparação. A empresa sustenta que o processo é exclusivamente financeiro e não alcança suas obrigações com outras partes interessadas.

Essa distinção será fundamental. Recuperação extrajudicial não pode significar recuperação seletiva. Uma empresa pode renegociar dívidas financeiras; não pode transformar uma crise de liquidez em mecanismo para enfraquecer responsabilidades sociais, ambientais ou jurídicas.

COMPOSIÇÃO DOS CREDORES – Também chama atenção a composição dos credores. Cerca de 92,4% da dívida incluída na reestruturação está vinculada a credores estrangeiros. O maior credor individual é o Bank of New York Mellon, enquanto investidores internacionais também representam parcela expressiva dos créditos. A crise da Braskem, portanto, está diretamente conectada ao mercado internacional de capitais.

Há ainda uma dimensão política. A Petrobras possui participação relevante na estrutura majoritária da  Braskem, junto com a IG4 Capital, controlada e liderada por seu fundador e CEO global, o advogado brasileiro Paulo Todescan Lessa Mattos, e é estruturada globalmente por meio da holding estrangeira IG4 Capital Partners Holding Investments LP. A estatal afirma que qualquer decisão sobre aumento de participação ou eventual operação envolvendo a petroquímica dependerá de estudos técnicos e dos mecanismos internos de governança.

É nesse ponto que a crise empresarial se transforma em questão de política industrial. A Braskem não é uma companhia qualquer. Sua produção está integrada a diversas cadeias industriais brasileiras, e sua situação pode afetar fornecedores, trabalhadores, bancos e setores consumidores de insumos petroquímicos.

COMPETITIVIDADE – Por isso, a solução não pode ser reduzida à pergunta sobre quem colocará dinheiro na empresa. É preciso saber que estrutura de capital, governança e estratégia industrial permitirão à Braskem recuperar competitividade sem simplesmente transferir o custo da crise para credores, acionistas, trabalhadores ou Estado.

O plano apresentado prevê a possibilidade de capitalização de parte da dívida e eventual suporte de liquidez dos principais acionistas. A adesão inicial, contudo, estava em 39,6% dos créditos abrangidos, e a empresa terá 90 dias para alcançar o apoio necessário. Sem acordo, a recuperação judicial poderá entrar no horizonte.

A recuperação extrajudicial pode reorganizar vencimentos e dar tempo para a companhia respirar. Mas não elimina uma estrutura de dívida excessiva nem resolve, por si só, os problemas de competitividade e governança.

ACÚMULO DE SINAIS – Por isso, a pergunta decisiva não é apenas como a Braskem chegou a US$ 10,9 bilhões em dívidas. É por que tantos sinais de deterioração puderam se acumular até que a renegociação se tornasse inevitável.

Será necessária uma investigação econômica profunda da trajetória do endividamento, das decisões de investimento, da política de capital, da evolução das margens, dos passivos de Maceió, da estrutura societária e das escolhas administrativas diante das transformações do mercado internacional.

A Braskem pode sair da crise. Mas não apenas com boa vontade entre credores e devedores. Será necessário capital, governança, transparência, disciplina financeira e uma estratégia industrial compatível com um mercado mundial muito diferente daquele em que a empresa consolidou sua posição.

INSUSTENTABILIDADE –  A dívida é assustadora. Mais preocupante é que uma companhia estratégica tenha chegado a esse ponto depois de anos dispondo de informações suficientes para perceber que sua estrutura financeira estava se tornando insustentável.

A recuperação extrajudicial pode comprar tempo. A verdadeira questão é se a Braskem conseguirá transformar esse tempo em recuperação — e impedir que a crise de uma das maiores companhias industriais do continente se converta em mais uma perda de capacidade produtiva, tecnológica e estratégica do Brasil.

3 thoughts on “Braskem: quando uma crise empresarial deixa de ser apenas uma questão de dívida

  1. Além do caso de indenizações em Maceió, o endivamento da Braskem foi sua expansão internacional, com plantas no México, EUA e Alemanha que exigiram aportes da controladora no Brasil. E embora com o lucro obtido aqui, os prejuízos no México, principalmente, agravaram a situação da empresa. É um problema muito complexo. .

  2. Por Leandro Ruschel:
    Nesta segunda-feira, no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Alexandre de Moraes foi tratado como salvador da República. Uma autoridade da Atricon disse que a República havia sido salva por uma ação determinada do ministro e pediu à plateia uma salva de palmas de pé.
    A plateia aplaudiu.
    Depois da homenagem, da placa e do colar, o homenageado deu uma palestra. E a palestra tinha uma tese central: quem desconfia do Supremo, da imprensa e do sistema não tem razões concretas para desconfiar. Tem ressentimento. Foi manipulado. Passou, nas palavras do próprio ministro, por uma “lavagem cerebral”.
    A tese merece ser apresentada com clareza antes de ser desmontada.
    Segundo Moraes, a democratização trouxe mulheres, negros e pobres para o jogo político. Isso teria gerado ressentimento num grupo específico que perdeu status e atenção da classe política. Quem seria esse grupo? Homens e mulheres brancos, acima dos 50 ou 55 anos, de classe média para cima. Esse ressentimento teria sido capturado por grupos extremistas norte-americanos, que usariam algoritmos das big techs para atacar três pilares: imprensa, voto e Judiciário.
    Em resumo: brancos mais velhos de classe média, ressentidos, hipnotizados por algoritmos de extremistas americanos, passaram a atacar a imprensa, as eleições e o Supremo.
    Essa é a explicação oficial do regime para o que aconteceu no Brasil.
    Mas antes de olhar os fatos, é preciso observar o formato do argumento. Ele funciona como um moto perpétuo autoritário. O Judiciário amplia os próprios poderes para proteger a democracia. Alguém denuncia o excesso. A denúncia derruba a confiança no Judiciário. A queda da confiança vira prova de uma campanha de deslegitimação. A campanha vira ameaça à democracia. A ameaça justifica novos poderes. E o ciclo recomeça.
    É uma teoria impossível de refutar. Se você confia, a instituição funciona. Se você desconfia, sua desconfiança vira prova de “ataque às instituições”. Se milhões desconfiam, isso apenas prova o tamanho do ataque.
    Quanto mais o poder é contestado, mais a contestação justifica o fortalecimento do poder.
    Conveniente demais para quem está no topo desse poder.
    O primeiro problema aparece quando Moraes fala das “pesquisas”. Ele afirma que há pesquisas mostrando o perfil dos maiores postadores de ódio e conteúdo discriminatório nas redes. Mas não cita nenhuma. Não menciona nome, autor, ano, universidade ou metodologia.
    Quando se olha para a principal pesquisa brasileira sobre o tema, o resultado aponta na direção contrária. A tese de doutorado do sociólogo Luiz Valério Trindade, na Universidade de Southampton, analisou páginas de Facebook e milhares de perfis. O resultado divulgado pela Agência Brasil foi que 65% dos disseminadores de intolerância eram homens de 20 a 25 anos.
    Jovens, não cinquentões de classe média.
    O homem que ridicularizou quem acredita em “videozinhos” sem checar inventou uma sociologia inteira sem apresentar uma única fonte.
    E há um detalhe que a própria imagem da homenagem entregava. A plateia que o aplaudia de pé era composta por conselheiros, desembargadores, secretários, ex-governador. Homens e mulheres brancos, acima dos 50 anos, de classe média para cima. A mesma demografia que ele descreveu como problema da democracia era a demografia que o condecorava naquela sala.
    Ninguém se ofendeu, porque todos entenderam que a acusação não era para eles. Era para você.
    O segundo problema é a tese dos “grupos extremistas norte-americanos” controlando algoritmos para radicalizar a direita. A evidência documental aponta em direção oposta. Executivos e funcionários das big techs doam massivamente ao Partido Democrata, ciclo após ciclo. Os Twitter Files revelaram listas de rebaixamento que atingiram desproporcionalmente vozes conservadoras. O caso mais famoso foi o bloqueio da reportagem do New York Post sobre o laptop de Hunter Biden, semanas antes da eleição americana de 2020. A reportagem era verdadeira. Foi censurada mesmo assim.
    Mark Zuckerberg, em carta ao Congresso americano em agosto de 2024, admitiu que o Facebook cedeu a pressões do governo Biden para remover conteúdo e classificou como erro o rebaixamento da história do laptop.
    Houve manipulação de plataformas com efeito eleitoral? Houve. Mas no sentido exatamente inverso ao descrito por Moraes.
    O que se formou foi um Complexo Industrial da Censura contra os conservadores: redes hostis à direita, agências de checagem fabricando a verdade oficial e a verdade oficial servindo de pretexto para o bloqueio de perfis não alinhados.
    O terceiro ponto é a imprensa. Moraes também tentou explicar por que tantas pessoas deixaram de confiar na mídia tradicional. Segundo ele, essas pessoas seguem a própria bolha como se fosse uma religião fanática.
    Mas aqui, de novo, existem números.
    A maior pesquisa já feita com jornalistas brasileiros, da Universidade Federal de Santa Catarina, com apoio das próprias entidades da categoria, ouviu 6.650 profissionais. O resultado: 80,7% se declaram de esquerda, centro-esquerda ou extrema esquerda. À direita, centro-direita ou extrema direita, apenas 4%.
    Os de extrema esquerda declarada são mais numerosos do que os que se dizem simplesmente de direita.
    Quando essa hegemonia escapa do controle, o país vê. Em 30 de outubro de 2022, com a confirmação da vitória de Lula, a redação do Jornal Nacional apareceu em festa: abraços, choro, gritos. A Globo confirmou a autenticidade do vídeo e lamentou que funcionários tivessem esquecido a “necessária e habitual prática de autocontenção”.
    “Autocontenção”. A palavra é da própria emissora.
    A militância existe. O pecado foi deixar aparecer. E há um caso que junta imprensa militante e o próprio palestrante no mesmo episódio: o aeroporto de Roma.
    Em julho de 2023, Moraes e sua família se desentenderam com brasileiros no aeroporto. Quatro dias depois, antes que as filmagens oficiais chegassem ao Brasil e fossem periciadas, O Globo publicou uma reconstituição em quadrinhos do suposto “passo a passo das agressões”. A fonte estava no próprio título: “segundo relato do ministro”. Mas a legenda da arte já cravava: “Moraes é atacado por bolsonaristas.”
    Depois, quando o vídeo entrou no processo, a íntegra jamais foi apresentada ao público. Toffoli manteve as imagens sob sigilo e proibiu a defesa de extrair cópia. Advogados e peritos tiveram de examinar o material dentro do Supremo, com hora marcada e servidor ao lado. A OAB contestou formalmente a restrição. A Procuradoria-Geral da República pediu a liberação da íntegra. O Supremo manteve o sigilo por 8 votos a 1.
    Após assistir ao vídeo, os peritos da defesa apresentaram uma versão diferente daquela divulgada inicialmente: afirmaram ter identificado uma cena anterior em que o filho de Moraes teria dado um tapa na nuca de Roberto Mantovani, então com 71 anos. A Polícia Federal interpretou as imagens de maneira oposta e sustentou que Mantovani agrediu o filho do ministro.
    Quem está certo?
    O público nunca pôde assistir à íntegra do vídeo para julgar por si mesmo.
    Depois disso, Moraes sobe ao púlpito e se espanta porque influenciadores conquistaram mais audiência que os telejornais.
    Talvez nem toda desconfiança seja produto de “lavagem cerebral”. Às vezes é memória.
    E aqui chegamos ao coração do problema. Moraes tem uma explicação para o descrédito do Judiciário: algoritmos, extremistas, manipulação estrangeira. Mas existe uma explicação mais simples. Ela não precisa de conspiração nenhuma. Precisa apenas de um calendário.
    A Lava Jato expôs o maior esquema de corrupção da história do país. Confissões filmadas. Devoluções bilionárias. Condenações confirmadas em três instâncias. O brasileiro assistiu a tudo ao vivo, durante anos.
    Depois, assistiu também ao vivo ao mesmo Judiciário desmontar tudo, peça por peça. As condenações de Lula foram anuladas por incompetência de foro, sem exame do mérito. O juiz do caso foi declarado suspeito retroativamente. As provas da Odebrecht foram anuladas em bloco. Multas bilionárias foram suspensas. Réus voltaram ao poder. Procuradores viraram alvo.
    Enquanto descondenava os principais personagens do escândalo, o tribunal manteve vivo o inquérito que a própria procuradora-geral da República havia mandado arquivar, chamando-o de tribunal de exceção.
    Então a pergunta é simples: o que é mais fácil de acreditar? Que milhões de brasileiros foram hipnotizados por extremistas estrangeiros? Ou que ficaram indignados ao ver o mar de corrupção exposto, os personagens do escândalo descondenados e os críticos investigados?
    A explicação de Moraes exige uma conspiração planetária.
    A alternativa exige apenas que o brasileiro tenha olhos e memória.
    O povo não foi manipulado para desconfiar da Justiça. Foi a Justiça que trabalhou, anulação por anulação, para merecer a desconfiança.
    E então vem a Polônia.
    Para ilustrar os ataques ao Judiciário no mundo, Moraes contou uma história dramática. Disse que cinco juízes da Suprema Corte da Polônia, inclusive o presidente, foram cassados. Disse que o presidente da Suprema Corte se recusou a sair do gabinete. E afirmou que ele foi retirado à força pelo exército.
    Só há um problema: essa cena nunca aconteceu.
    A crise polonesa foi real e grave. Em 2018, o governo reduziu a idade de aposentadoria compulsória de 70 para 65 anos, com efeito retroativo, atingindo 27 dos 72 juízes da Suprema Corte. Não cinco. O número cinco provavelmente vem de outra fase da disputa, em que cinco juízes contestavam judicialmente suas aposentadorias.
    E a presidente da Corte não era “o presidente”. Era uma mulher: Malgorzata Gersdorf.
    Ela desafiou a lei e foi trabalhar. Atravessou uma multidão de apoiadores com uma rosa branca na mão e entrou no prédio. A NPR registrou expressamente que ela não foi barrada. Não houve exército. Não houve remoção à força.
    Mais ainda: Gersdorf permaneceu como presidente da Suprema Corte da Polônia até 30 de abril de 2020, quando terminou normalmente seu mandato constitucional de seis anos. A presidente que teria sido “retirada à força pelo exército” completou o mandato quase dois anos depois da cena narrada por Moraes.
    Depois de uma ordem cautelar do Tribunal de Justiça da União Europeia, a Polônia recuou legislativamente ainda em 2018, e os magistrados atingidos foram mantidos ou reintegrados, com seus mandatos considerados juridicamente ininterruptos.
    O ministro que ridiculariza quem acredita em “videozinhos” sem checar narrou como fato uma remoção militar que nunca aconteceu.
    No exemplo que ele mesmo escolheu.
    No fim da palestra, Moraes disse que só o fortalecimento das instituições afasta ou diminui o perigo de candidatos populistas quererem acabar com a democracia no Brasil.
    Em plena campanha eleitoral, um ministro do Supremo define, sem nomear, uma categoria de candidatos e apoiadores, que representam pelo menos metade do país, como ameaça à democracia. Lembrando que, no começo da apresentação, ele criticava a polarização e o ódio político.
    Moraes tem razão em uma coisa: a democracia pode ser destruída por quem afirma estar defendendo-a.
    O que ele não percebe é que essa frase não contém uma exceção para quem a pronuncia.
    O ministro passou a palestra procurando os inimigos da democracia nos algoritmos, nos influenciadores, nos americanos, nos brancos acima dos 50 anos. Em todo lugar, menos no único lugar que a Constituição mandou vigiar primeiro: o próprio poder.
    Quem paga por essa cegueira não é ele, homenageado, aplaudido e condecorado.
    Quem paga é você, que perdeu o direito de desconfiar do poder sem virar suspeito. Que pode ser censurado e até preso por criticar autoridades, ou por um mero protesto.
    Democracia que trata a desconfiança do povo como doença não está sendo defendida. Está sendo confiscada.

  3. Sr. Pedro

    Essa Braskem tem alguma a ver com o filho mais velho do Don FHCorleone.

    Envolve corrupção.???

    Sr. Pedro, ás vezes encontro “noticias” do “arco da velha”., como se dizia antigamente, hoje, essa frase caiu em desuso, mas a corrupção das Máfias continuam em dia…

    Petrobras orientou negócio com empresa ligada ao filho de FHC, diz Cerveró

    Caso teria ocorrido entre 1999 e 2000, quando o delator era subordinado a Delcídio do Amaral na diretoria da Petrobras

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